Vínculo
2 Capítulo 1
Draco estava em seu escritório na Mansão Malfoy encarando o pequeno pedaço de papel amarelado pelo tempo. Fazia sete anos. Sete anos que se condenava todas as noites quando colocava a cabeça no travesseiro. E dois que estava sozinho novamente, depois de tudo.
O recorte de jornal noticiava algo que muitos encarariam como castigo pelo que havia feito na guerra, mas Draco tinha certeza que era vingança. Uma vingança baixa até mesmo para um Comensal da Morte, mas que ele sabia muito bem que devia ter sido orquestrada por um.
Sentiu o vento frio entrar pela janela enquanto relia o texto que, a essa altura, já tinha decorado em sua mente. Perturbado. Era assim que se sentia desde que Astoria havia ido embora. Por que ela também o culpava e a sua família pelo que havia acontecido. Quem não culparia?
Filha recém-nascida de Draco e Astoria Malfoy desaparece da maternidade do Hospital St. Valentim
A criança herdeira de uma das famílias mais ricas do mundo bruxo desapareceu ontem, dia 10, por volta das 3:00 AM quando uma das enfermeiras responsáveis teve que se ausentar para atender outro recém-nascido.
O pai, Draco Malfoy, relata que estava dormindo no quarto da esposa, Astoria, quando a enfermeira responsável apareceu perguntando se haviam mandado buscar a pequena Gwen. Não foi visto ninguém suspeito entrando ou saindo da maternidade.
Os aurores responsáveis pelo caso esperam um pedido de resgate e Malfoy garante que quem quer seja o responsável por isso não vai sair impune.
Era uma pequena nota do Profeta Diário, mas ele havia feito questão de guardar. Para se lembrar. Para se culpar. O pedido de resgate não veio e ninguém jamais teve pistas sobre o paradeiro de Gwen. Sequer sabiam se ela estava viva ou morta e a esperança havia acabado.
Os aurores disseram que depois de tanto tempo era pouco provável que quem a tivesse raptado entrasse em contato com a família e o caso foi arquivado.
Foi no mesmo período que o casamento dele, por tabela, também acabou. Astoria se arrependia por ter aceitado casar com um ex-Comensal da Morte. Ela culpava os Malfoy e seu passado pelo desaparecimento de sua filha. A filha que não teve oportunidade de pegar no colo uma única vez.
Draco não tirava sua razão, havia sido obrigada a aceitar o acordo entre famílias que levava ao casamento entre dois sangue-puros. Ele sorriu amargamente. Não havia adiantado de nada seu sangue quando sua filha desapareceu, e nem o de Astoria. Gwen havia sido raptada exatamente por causa dele. E a família Malfoy não tinha influência alguma para pressionar o Ministério, pois esta havia acabado junto com a guerra e muitas das corrupções do governo de Fudge.
Ouviu duas batidas suaves na porta e Narcissa abriu a porta suavemente. Com a morte do Lorde das Trevas ela aparentava estar muito mais feliz então veio todo o drama do desaparecimento de Gwen e sua mãe passara a achar um erro parecer feliz quando estava na sua frente.
– A chave de portal sai em dez minutos. – Apenas sinalizou em concordância e se levantou abotoando o terno. – Você tem certeza, meu filho?
– Eu não suporto mais viver aqui, mãe. – Ele deu um beijo rápido em sua testa e forçou um sorriso. – Eu venho visitá-la.
– Boa viagem, querido.
Ela alisou seu terno suavemente, como costumava fazer quando ainda era uma criança e suas roupas ficavam amassadas, e deu espaço para que passasse. Sabia que Lucius estava na sala e passou pela mesma apressadamente, sem sequer lhe lançar um olhar. Se Astoria culpava Draco, ele, por consequência, culpava seu pai por tudo que passaram nos últimos anos.
Talvez as coisas melhorariam agora. A França certamente seria um lugar melhor para um Malfoy viver.
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