Desde que havia começado a trabalhar no escritório do Departamento De Cooperação Mágica Internacional do Ministério Francês, Hermione nunca teve que passar por uma situação mais constrangedora do que aquela que estava para enfrentar e sabia disso.

Era uma mera assistente do chefe desse Departamento e, como tal, devia cumprir todas as suas ordens. Essa, em especial, tentou revogar. Era como uma piada que Jean estivesse em reunião com o Ministro logo àquela hora.

E lá estava ela, parada em frente a uma das lareiras da sala de transportes do Departamento esperando ninguém menos que Draco Malfoy. O cara que foi seu tormento particular na escola. Revirou os olhos, cruzou os braços e suspirou olhando para a lareira vazia como se o gesto fosse fazê-lo chegar mais rápido ou, melhor ainda, não chegar. Ele podia mudar de ideia, quem sabe, não seria uma coisa ruim de todo.

Passou a olhar ao redor e começou divagar sobre a decoração, a qual já estava mais do que acostumada, mas que era bem diferente do Ministério da Magia Inglês. Para começar, os franceses eram bem mais sensíveis e delicados então tudo era feito de mármore branco.

A sala em que estava, em especial, havia sido projetada para receber visitas importantes. Havia nove lareiras dispostas em três paredes. No meio estavam três grandes sofás roxos, com entalhes em dourado, e uma grande mesinha de centro com alguns livros dispostos para entreter quem quer que tivesse que esperar ali por alguns minutos. No canto mais perto da porta estava um pequeno aparador com alguns tipos de uísque, gelo e copos por que todos gostam de um bom uísque.

Olhou o relógio, sem saber se era a quinta ou a sexta vez que fazia isso. Um minuto. Fazia anos que não via seus colegas de Hogwarts, nem mesmo Harry e Ron, e agora estava para receber Malfoy educadamente, como se não tivessem compartilhado um passado… Obscuro.

Não havia feito questão de contar a Jean que conhecia Draco Malfoy de outros tempos e que sabia tudo, tudo, que ele havia feito. Assim como a guerra, a condenação dos Malfoy havia chegado na França apenas como um boato e eles ainda tinham algum prestígio ali, além das origens.

Como Jean gostou de frisar para Hermione, “Draco Malfoy escolheu a França para se estabelecer e tocar os negócios da família. Amanhã teremos uma reunião com ele e o curandeiro chefe do hospital. Ele não é um apenas um inglês rígido, ele é um Malfoy, e você sabe como os Malfoy são pomposos. Ele precisa de uma boa primeira impressão do Ministério ou não assinaremos um contrato para o novo fornecedor de poções do maior hospital de Paris.” Ou seja, tudo tinha que dar certo, pois sabia muito bem o que o hospital estava enfrentando com o antigo fornecedor de poções e que o Ministério estava procurando urgentemente por um novo.

Chamas verdes surgiram abruptamente na lareira e dela, finalmente, saiu Malfoy. Ele estava exatamente como ela se lembrava. Apenas as feições mais maduras denunciavam que o tempo também havia passado em Wiltshire. Seus olhos continuavam tão frios e cinzas, como sempre, e o cabelo quase branco ainda era o mesmo.

Ele a olhou, estreitando os olhos, como se não estivesse acreditando no que estava vendo. Hermione tinha certeza de que faria a mesma coisa se estivesse em seu lugar.

– Seja bem vindo a Paris, Malfoy. – Nem que Jean insistisse muito o trataria como “senhor Malfoy”.

– Granger? — Ele disse, ainda surpreso.

– É, vai despachar suas malas ou carregá-las pelo caminho todo? – Com um aceno de varinha e em silêncio, Malfoy despachou as malas para onde Hermione supunha que ele fosse ficar. – Você quer conhecer o Ministério hoje ou amanhã depois da reunião? Por que… Amanhã eu posso mandar que alguém faça isso por mim.

– Me evitando?

– Muito. – Respondeu, inflexível, cruzando os braços enquanto observava o semblante inabalável de Malfoy. Como ele conseguia ser assim? – E então?

– Eu… Acho que amanhã vai estar muito cheio, se isso aqui for como o Ministério inglês. E ninguém pode fazer isso tão bem quanto você. – Ele terminou com um sorriso irônico e ela revirou os olhos antes de dar as costas a ele e começar a andar em direção à porta. – E eu achando que as coisas melhorariam se eu mudasse de país.

Hermione fechou a porta atrás de si assim que ele passou.

– A França não fica tão longe assim, infelizmente. – Ela o olhou enquanto caminhava à frente no pelo hall da sala, o qual havia uma escrivaninha que pertencia a recepcionista e um sofá comprido com um vaso de flor num móvel logo ao lado. – Você poderia ter escolhido o Brasil. Seria perfeito, um oceano de distância! Acho que seria o suficiente para nós dois.

– Quando é que você ficou tão ofensiva?

– Quando é que você ficou tão sensível? – Hermione disse no mesmo tom que ele, que apenas fez uma careta.

– Tudo bem, chega de troca de ofensas. Por que está aqui?

– Eu estou aqui há mais tempo que você, então não vem com essa. Por que você está aqui?

– Negócios. – Ele respondeu rapidamente, como se tivesse dito isso para si mesmo por muito tempo.

– Você tem família na Inglaterra. – Ela estreitou os olhos, virando-se para Draco, que parou abruptamente antes que trombasse nela. – Onde está sua esposa?

– Você também tem família e amigos, ou como preferir chamar aqueles dois idiotas.

– Nunca vai parar de implicá-los?

– Não, principalmente depois de saber que a Weasley já está esperando seu terceiro filho do Potter. – Ele disse com a cara de desprezo do garoto que costumava implicá-la em Hogwarts.

– Tudo bem, não queremos falar de nossas vidas pessoais. – Ela abriu a porta e deram de cara com o átrio do Ministério. – Aqui nós não temos elevador. Conforme o edifício cresce, eles o aumentam para os lados e não para baixo…

– E o metrô trouxa?

– O Ministério está abaixo do nível dele. – Hermione respondeu, surpresa por ele ter perguntado. – Você está encarando a estátua de Joana D’Arc, ela é uma mártir para eles. Acima dela está uma placa de indicação, para turistas como você não se perderem por aí.

O salão onde se encontravam era oval e havia 5 portas de cada lado dele, representando cada um dos Departamentos do Ministério, ao redor da estátua de Joana D’Arc. Nas outras extremidades estavam as lareiras que os funcionários costumavam usar para chegar ao trabalho e a sala do Ministro. Em cada uma das portas de cor branca estava entalhado um número em dourado. Todos podiam saber qual porta era aquela olhando a placa de indicação que Hermione havia mostrado a Malfoy.

Enquanto explicava a Draco, Hermione pegou-se pensando no motivo de ele estar ali. Havia evitado falar da família e da esposa e só trocaram ofensas. Por que então ele resolveu se mudar sozinho para a França?

– Bom, nosso tour acaba aqui. – Disse assim que deram a volta na estátua e parou na porta número 5, o Departamento que trabalhava. E antes que pudesse entrar no hall do mesmo, ele a chamou novamente.

– Sabe de… Algum restaurante aqui perto onde eu possa jantar?

– Três esquinas à esquerda, virando à direita. Tchau Malfoy.

Assim, fechou a porta na cara dele, haviam conversado mais do que o necessário.

Notas finais
Então, gostaram? Esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever. E aparece o Draco junto com a Hermione logo no começo!! Deixem suas opiniões sobre o capítulo, eu adoro lê-las, e... Digam o que acharam do meu Ministério da Magia francês, por favor. Os franceses na série são meio metidinhos na minha opinião então pra mim o Ministério tinha que ser um retrato disso. Pelo menos foi como eu imaginei depois de ler a chegada de Beauxbatons em Hogwarts. Como eu disse na outra fic, é a semana do meu aniversário e, por isso, vou deixar uma pequena prévia pra vocês: - Alguém está mesmo de TPM. - Na verdade não, é o meu jeito naturalmente. - É, por um momento havia me esquecido que é uma completa mal educada desde os tempos de escola. Bjobjo, até o próximo!!