Vozes
2 Cap 2: Monstros e Demônios (parte 1)
Notas iniciais
Depois de consolar Kagura por cerca de 40 minutos, Shinpachi decidiu que faria algo especial para a garota comer e se animar, a ruiva esboçou um leve sorriso em seu rosto inchado e vermelho de tanto chorar, como uma forma de agradecimento.
Gintoki por sua vez sentou-se no sofá e gesticulou para que sua “filha” se sentasse ao seu lado, e ao fazer isso, a yato teve sua cabeça puxada para o colo do ex-samurai, que continuou a acariciar sua cabeça como um pai faria.
E Sadaharu deitou-se ao lado do sofá como se estivesse dizendo à sua dona que ele estaria ali ao seu lado a qualquer momento.
O “Yorozuya Gin-chan” nunca esteve tão pacifico como naquela manhã.
...
—Quer dizer que um exército inteiro de Amantos foi morto?-indagou o homem de 30 anos, cabelos verdes bem escuros, que fumava, enquanto lia o relatório em suas mãos.
—Sim. Eram Amantos de uma estrela chamada Vega.-confirmou um outro homem, 5 anos mais velho, apesar de não aparentar, cabelos pretos e um pouco mais longos do que o do primeiro-São conhecidos pelo sua cultura militar, e pelos enormes exércitos que possuem.
Os olhos acinzentados do homem que fumava escaneavam a folha, e encaravam as fotos dos corpos destroçados sem ao menos piscar, afinal, ver aquele tipo de imagem já podia ser considerado algo normal em sua área de trabalho...apesar de que ele, Hijikata Toushiro, de vez em quando pensava se isso o fazia parecer uma pessoa fria...
—E por que a nave deles estava aqui em Edo?-indagou o vice-capitão do Shinsengumi, ou mais conhecido como o vice capitão demônio do Shinsegumi
—Bem...isso ainda não sabemos...-respondeu Yamazaki Sagaru afastando-se um pouco de seu chefe, com medo de ser repreendido por estar apresentando uma investigação incompleta.
Hijikata afastou o cigarro de seus lábios e expirou a fumaça da tragada anterior, o que fez Yamazaki dar mais um passo para trás, pronto para correr caso o homem a sua frente explodisse.
—Agilize o máximo possível essa investigação, Yamazaki.-falou Hijikata voltando sua atenção ao relatórios da investigação do melhor espião do Shinsengumi-Se houver alguém ou um grupo capaz de acabar com um exército inteiro, precisamos saber logo para evitar mais problemas.
—Sim senhor!-exclamou Yamazaki antes de sair da sala de reuniões aliviado por não ter sido repreendido por seu superior.
—Hum...um exército inteiro massacrado...interessante, não é mesmo Hijikata-san?-indagou um rapaz de 21 anos, cabelos curtos cor de areia, que esteve quieto durante a reunião toda.
As íris cinzas do mais velho focaram na figura do capitão da primeira divisão do Shinsengumi, Okita Sougo, que estava deitado no canto da sala de reuniões com a mascara vermelha bizarra cobrindo os olhos vermelhos sangue. Durante a reunião inteira, Toushi acreditou que o capitão estava dormindo, afinal, era o que este fazia a maior parte do tempo em vez de trabalhar, por está razão, o mais velho não se incomodou em tentar incluir o rapaz na conversa...além do mais...se ele, Toushiro tentasse acordar Sougo, havia grandes chances do mais novo aumentar a quantidade de atentados à sua vida durante o dia...e isso ele gostaria de evitar a todo custo.
—Acha que é obra de uma única pessoa ou um grupo?-perguntou Hijikata antes de voltar a tragar seu cigarro.
—A maneira que foram mortos foi igual?-indagou Sougo sem tirar a máscara bizarra.
—Não.-respondeu o vice chefe-Há indícios de alguns tiros por uma arma não identificada, marcas de confronto com espadas ou alguma coisa afiada e até mesmo marcas de luta usando os próprios punhos, o que na verdade, são a causa da maior parte das mortes desses soldados de Vega.
—Hum...Provavelmente foi um grupo, pequeno, mas um grupo.-falou Okita, levando uma das mãos em direção a sua máscara, assim a retirando dos olhos para encarar o mais velho; um brilho de animação cruzou seu olhar, algo que não passou despercebido por Hijikata.
Sougo se pôs de pé e andou até a mesa em que seu superior estava, arrancando das mãos de Toushiro o relatório parcial feito por Yamazaki. Seus olhos vermelhos fitaram as fotos tiradas dos corpos mutilados; um sorriso sádico surgiu no canto de seus lábios, antes de voltar a falar:
—Entretanto, aparentemente temos alguém que prefere fazer a maior parte do trabalho. Farei questão de lutar com essa pessoa...ou melhor...esse monstro.
...
—Encontram mais alguma coisa?-gritou Yamazaki para outro esquadrão do Shinsengumi que estava a alguns metros de sua posição.
—Não há nada aqui, Yamazaki-san!-respondeu um dos homens, que ajudava na tarefa de retirar os corpos da nave.
O moreno apenas assentiu com a cabeça e continuou sua busca pela nave dos amantos, não era possível que alguém pudesse causar tamanha...confusão e não deixar nenhuma pista! Um frio percorreu sua espinha, agora se a razão estava relacionada a esbarrar com a pessoa ou grupo que matou um exército inteiro, ou se estava relacionada ao vice capitão tentar matá-lo por não conseguir mais nenhuma pista sobre o(s) responsável(eis) por aquela carnificina, ele já não sabia.
—Não sei qual possibilidade é mais assustadora...-murmurou Yamazaki que continuava a investigar o interior da nave amanto.
De repente, o barulho de algo sendo derrubado chamou a atenção do espião do Shinsengumi, que por sua vez parou de andar e passou a se concentrar em ouvir o barulho novamente, o que de fato ocorreu.
—Aqui é Yamazaki Sagaru.-disse o espião no pequeno microfone preso ao bolso de seu casaco, enquanto tirava a espada da bainha e cautelosamente andava em direção da porta de onde os barulhos vinham-Peço para que o esquadrão mais próximo se direcione ao corredor B-3 que da acesso ao convés da nave.
—Aqui é Tsukiyomi Ren, capitão do esquadrão 9. Estamos indo agora mesmo.—veio a resposta no outro aparelho preso em sua orelha.
—Entendido.-finalizou Sagaru, antes de abrir uma fresta da porta para que pudesse ter uma visão de dentro da sala, uma vez que ele não havia decorado o que cada sala da enorme nave abrigava.
Os olhos castanhos de Yamazaki se arregalaram, e ele abriu toda a porta, que por sua vez dava acesso não a uma sala de comando ou algo parecido, mas sim, a um enorme espaço repleto de naves menores, localizada logo abaixo do convés. Mais uma vez o espião do Shinsegumi se amaldiçoou por não ter decorado o que se encontrava atrás de cada porta daquela nave amanto, pois no universo Gintama, quando uma coisa podia dar errado, ela daria, e ele podia imaginar vários cenários com finais horríveis envolvendo aquele tipo de lugar.
O barulho de uma turbina sendo ligada e o som alto do convés se abrindo sobre sua cabeça apenas confirmaram suas suspeitas de que algo daria muito errado.
Yamazaki correu pela plataforma de metal que dava em escadarias também feitas de metal, o barulho de suas passadas rápidas e desesperadas eram abafadas pelo som de uma nave que esperava o convés de abrir totalmente para decolar. O homem descia as escadas o mais rápido que podia, ele precisa dar um jeito de encontrar e parar a nave antes que esta decolasse, caso contrário...
A imagem dele, vestido com roupas brancas, ajoelhado em frente a uma pequena espada, enquanto seu superior viciado em maionese apenas estaria atrás dele o encarando com um olhar demoníaco, passou por sua mente.
...caso contrário Hijikata Toushiro o obrigaria a cometer seppuku.
Quando Yamazaki colocou seus pés no andar das naves menores, ele percebeu uma movimentação do seu lado direito com o canto dos olhos, e foi nesse exato instante que o convés se abriu por inteiro, distraindo o espião por alguns breves instantes.
O som de uma nave prestes a decolar tornou-se mais alto, e quando Yamazaki voltou a olhar para seu lado direito, sua única reação foi saltar para o lado para evitar ser esmagado atingido por uma nave de tamanho médio, tripulada por alguns Amantos gravemente feridos.
—Yamazaki-san!!!
O homem olhou para o andar de cima, onde ele pode ver o esquadrão 9 do Shinsegumi, que começaram a correr pela plataforma e descer as escadas para ir ao seu encontro. O esquadrão, principalmente o capitão daquele esquadrão o bombardeavam com perguntas, entretanto, a única coisa em que Yamazaki podia pensar naquele instante era em um plano de fuga depois de relatar aquele acontecimento ao demoníaco Hijikata Toushiro.
...
-Foi por muito pouco que não fomos pegos por aquele bando de humanos.-falou um dos amantos, que cobria com uma das mãos o local onde até dias atrás havia um braço.
—Nunca imaginei que NÓS, soldados de Vega teríamos que fugir de um planeta com o rabo entre as pernas!-gritou outro dando um soco no chão-E tudo por causa daquela cria do Umibozu!
—Aquela Yato...-murmurou o terceiro soldado-...ela é tão perigosa quanto o próprio pai...ela matou quase nosso exercito todo sozinha! E usando os próprios punhos!
O segundo e terceiro amanto discutiam fervorosamente a maneira de matança que a filha do homem mais forte do universo havia usado, enquanto o primeiro apenas pensava em como daria tal noticia ao rei de Vega, e como seria sua vingança contra...como aqueles humanos haviam chamado aquele monstro descontrolado?
Ah sim...Kagura...
Continua...
Fale com o autor