Vous Vous Souvenez?
8 Chapitre sept
Notas iniciais
Boa leitura.
– Jonghyun sempre teve uma personalidade complicada, acho que você sabe disso – ele começou.
Kibum assentiu com um breve sorriso, personalidade complicada era quase um elogio quando se tratava de Kim Jonghyun.
“Eu sempre o conheci, e acredito que você não me conheça porque quando namoravam, eu estava morando no Japão, com meu padrasto. Nos falávamos apenas por telefone e ele sempre contava coisas sobre você. Eram coisas boas, muito boas. Ele fazia questão de ressaltar cada uma das suas qualidades e raramente comentava sobre algum defeito, dizia que eles não existiam em você. Confesso que era cansativo passar horas no telefone com ele, sempre falando de um único assunto, sobre alguém que eu nem ao menos conhecia pessoalmente. Mas ao mesmo tempo eu me sentia bem, por saber que Jonghyun estava feliz e que havia alguém cuidando tão bem dele”
Kibum sorriu mais uma vez, agora apenas por ver um sorriso largo no rosto de Taemin. Ele sorria bastante, mas não de forma tão aberta e bonita quanto naquele momento, enquanto falava sobre Jonghyun.
– Então quando finalmente convenci meu padrasto a voltar para a Coreia do Sul, vocês haviam terminado. Jonghyun chorava muito, e era realmente difícil consolá-lo. Ele me contou os motivos, contou que você estava cansado das crises ciumentas que ele tinha constantemente e iniciou uma discussão que se encerrou com ele na cama, com outro homem. Imagino que isso tenha sido muito dolorido para você, e não o culpo por mudar de país, eu também faria isso se estivesse em seu lugar.
Era reconfortante para Kibum não ser julgado por fugir para outro país. Sempre que pensava na possibilidade de contar sobre seu passado para alguém, também pensava que consequentemente essa pessoa se afastaria, por achar errado simplesmente correr para longe do problema e de toda a dor.
– Quando soube através de seus pais que você tinha se mudado, Jonghyun enlouqueceu. Ele passava o tempo inteiro trancado no quarto, chorando e se culpando por não o ter mais consigo. Eu cheguei a pensar que ele morreria, pois entrou numa crise aguda de anemia, chegando a ficar algum tempo internado. Então tive a ideia de procurá-lo para que ele dissesse o que estava preso em sua garganta, para que pedisse perdão. E mesmo que você não o perdoasse, pelo menos ele teria dito tudo que a dor do arrependimento o estava causando. Mas Jonghyun sempre sonhou alto demais e sugeriu que nos mudássemos para o mesmo país que você. Como estava passando por uma grande crise em casa, acabei aceitando sem muito pensar a respeito. Então iniciamos uma quase guerra para descobrir onde você estava.
“Perguntamos a seus pais e eles disseram que não sabiam, nenhum de seus amigos sabiam também. Ninguém sabia onde você havia se metido. Seus telefones foram todos trocados, e então não tínhamos como contatá-lo. Você simplesmente desapareceu, seu diário também, imagino que o tenha trago consigo. Nos planos que fazia com Jonghyun, nenhum citava viagem alguma, então não tínhamos nem sequer uma base. Foi quando resolvemos procurar na internet. Se não achássemos nada, desistiríamos. Mas quando pesquisei seu nome num site de buscas, o encontrei. Era o site do Centre Hospitalier Sainte Anne, exatamente esse hospital onde estamos. Na página de notícias internas do próprio hospital, havia um informativo de novos médicos contratados. Seu nome era um dos destaques, Kim Kibum. Lembro que quando li em voz alta, Jonghyun pulou em cima de mim e caímos no chão, enquanto ele me abraçava e agradecia por ter te encontrado. Nós sabíamos que era você por uma pequena foto ao lado do seu nome”
– E então vocês vieram pra cá? – Kibum adiantou.
– Exatamente. Arrumamos nossas malas e embarcamos num vôo sem escalas. Quando chegamos, procuramos o hospital e depois de alguma horas sentados sobre um muro do outro lado da rua, em frente ao estacionamento, você apareceu. Sério e distraído, tão belo quanto Jonghyun sempre disse. Você devia estar com pressa e então deu a partida no carro sem demorar, se afastando rapidamente. Jonghyun tentou correr atrás de você, mas claro que não conseguiu acompanhar. Então me levantei e o deixei cuidando das nossas malas, que ainda estavam conosco. Fui até a recepção do hospital e uma das atendentes disse que você morava perto, num apartamento a poucos minutos de onde estávamos. Agradeci e sem muita noção de onde realmente estávamos, começamos a caminhar. Exaustos e esgotados, acabamos dormindo num parque. Acordei com Jonghyun me sacudindo, dizendo que você estava correndo com um homem ao seu lado.
– Era MinHo, às vezes corro com ele de manhã, nos arredores do Parque de Bercy.
– Eu sei disso – Taemin sorriu.
– Sabe? – Kibum arqueou uma sobrancelha, quase derramando uma das várias lágrimas presas em seus olhos. Sim, eles já estavam cheios de lágrimas, todas prestes a cair.
– Nós seguimos vocês e com isso descobrimos onde morava, é um prédio muito bonito. Então alugamos por tempo indeterminado um quarto num hotel perto dali, exatamente uma quadra. Desde então vivemos lá, a dona é uma senhora muito simpática e quando a contamos nossa história, ela sorriu e diminuiu o preço que pagaríamos, desejando sorte a Jonghyun. Hoje em dia quando a encontramos, ela sempre pergunta como você está e diz que o quer conhecer algum dia, quando você e Jonghyun estiverem juntos mais uma vez.
Agora sim, uma lágrima trilhou lentamente um caminho abstrato na bochecha esquerda do médico. “Quando você e Jonghyun estiverem juntos mais uma vez” foi uma frase que lhe causou impacto, mais do que deveria. Mesmo com tudo que ainda sentia, não sabia se era capaz de perdoar o que acontecera. Nunca imaginara que o outro o trairia e mesmo assim ele o fez, agora precisava pensar.
Pensar sériamente.
– Eu me legalizei como imigrante e nos registrei no hotel com meu nome. Arrumei um emprego e também consegui uma bolsa na melhor faculdade de dança do mundo, algo com o qual sempre sonhei, mas nunca acreditei que pudesse se tornar realidade. Então como não conseguia conciliar as aulas com o emprego, fui demitido. Pouco depois acabei conseguindo esse emprego aqui no hospital, coisa que deixou Jonghyun muito feliz. Eu estava trabalhando no mesmo lugar que você e então tinha a missão de levar notícias suas até ele, que sempre sorria abertamente quando eu chegava em casa contando que você tinha tomado um café aqui na cafeteria ou algo do tipo. Como sou legalizado, sou eu quem faço boa parte de tudo. Jonghyun optou apenas por ajudar no hotel, ganhando o salário que antes pertencia ao zelador, que se demitiu um pouco antes de nos mudarmos.
– Então por isso você escreveu caracteres coreanos no café? Sabia que eu entenderia – apesar da pergunta, Kibum estava concluindo consigo mesmo a dúvida que criou quando ganhara um capuccino decorado por Taemin.
– Sim. Jonghyun também me contara uma vez que seus preferidos eram os capuccinos decorados – Taemin abriu mais um de seus sorrisos, dessa vez encolhendo os olhinhos, ficando ainda mais fofo.
– Você sabia que meu dia estava sendo difícil?
– Talvez eu tenha percebido. Sua expressão era tensa e você parecia preocupado com algo, então pensei que um desejo de bom dia fosse pelo menos lhe alegrar.
– Oh – foi tudo que Kibum conseguiu pronunciar. Haviam muitas coisas para serem processadas por sua mente e não seria naquele momento que o faria.
Até porque Taemin ainda tinha um medo rondando sua mente, e agora ele se tornara mais intenso. Com o médico a sua frente sabendo de toda a história que Jonghyun e ele guardaram, seria ainda mais difícil encarar a realidade de ver seu amigo em tais condições.
– Doutor, preciso lhe fazer uma pergunta – disse com receio, mudando completamente o tom de voz.
Kibum apenas espreitou os olhos para ele, não entendendo a formalidade que usara e muito menos a preocupação que havia em seu semblante.
Notas finais
Obrigada a SarangNheYo, que me deixou um review. Tomara que tenha matado a curiosidade e que continue lendo ♥
Então, todos se afogando em lágrimas por não estar na Disney nesse exato momento? Sim ou claro?
See ya :*
Fale com o autor