Notas iniciais
Here we go again, em mais um capítulo, keke..

O Jonghyun.. – fez uma pausa, parecendo procurar as palavras certas para dizer. Não era um assunto fácil, de qualquer forma — ..Corre o risco de ter alguma sequela?

– Bom, como o trauma que ele sofreu foi leve, provavelmente não. As pernas também voltarão a seu estado normal, ele poderá voltar a andar assim que fizer algumas sessões de fisioterapia.

– Mas por acaso.. – respirou fundo, reunindo a maior quantidade de coragem que conseguira em seu corpo magrinho – Ele corre algum risco de perder a memória?

Como? – Kibum até deu uma breve risada, arqueando a sobrancelha esquerda enquanto seus olhos se apertavam, ficando ainda menores. Pareceu pensar durante uns poucos segundos e sua expressão se tornou tranquila outra vez, agora com um sorriso suave desenhado nos lábios rosados – Não, a pancada não foi grave o suficiente para isso. Mas porque está me peguntando sobre algo desse tipo, Taemin?

– É que enquanto eu estava no quarto, Jonghyun fez perguntas estranhas.

– Que tipo de perguntas? – o tom do médico ainda soava despreocupado.

– ‘Onde eu estou?’ ‘Porque estou aqui?’ ‘Quem sou eu e como me chamo?’ ‘Porque não me lembro de você?’ ou ‘Porque não me lembro de nada?’

– Ele lhe fez esses questionamentos? – Kibum agora parecia preocupado e um pouco menos relaxado que segundos antes. Ainda não havia conversado com seu paciente e por isso não lhe foram feitos tais questionamentos.

– Sim, mas pensei que fosse talvez porque ainda precisasse descansar – Taemin estava receoso, completamente assustado.

– Isso não deveria acontecer, pouquíssimos são os casos em que há perda de memória – Kibum não estava assim tão diferente, agora, enquanto pálido, sua pele parecia ainda mais alva – Tem certeza de que ele realmente lhe perguntou essas coisas?

– Sim, eu tenho – confirmou semicerrando os olhos.

– Preciso falar com MinHo, teremos que fazer alguns exames – o médico se levantou, parecendo afobado. Havia preocupação em seu ser, correndo por todo o seu corpo.

– Mas doutor, pelo pouco que sei – Taemin começou, até mais calmo – Traumatismo craniano é quando alguém bate a cabeça com força, e bom, às vezes quando batemos a cabeça com ainda mais força, podemos perder a memória.

– É verdade, mas nenhum exame de Jonghyun alertou que ele possivelmente teria lapsos ou perda total de memória, ele não pode perder a memória.

E então Taemin detectou algo diferente no médico a sua frente. Não era apenas uma preocupação comum que um médico teria por seu paciente. Kibum parecia tentar controlar um enorme desespero dentro de si. Estava extremamente preocupado porque amava Jonghyun. Estava estampado em seu rosto que ainda nutria sentimenos, na verdade, que nunca havia esquecido os sentimentos antigos.

– Vou procurar MinHo e, quanto a você, volte ao trabalho e qualquer notícia pode deixar que lhe avisarei.

– Tudo bem, mas quero que me avise mesmo – pediu sincero.

Kibum assentiu e irrompeu cafeteria afora, sumindo de vista rapidamente.

~~

Os exames nada apontaram. Nenhuma daquelas malditas folhas dizia que Jonghyun possuia falta de memória. E sua recuperação estava indo bem, os resultados surgindo antes do esperado.

Os médicos responsáveis não esperavam tal sequela, Kibum não esperava sentir uma dor incômoda no lado esquerdo do peito ao ouvir seu paciente perguntar coisas sobre si mesmo. Coisas tão simples, como o próprio nome.

O que mais incomodava, era o simples fato de que estar sem memória implicava em esquecer quem fora o médico em sua vida. Sim, agora Jonghyun o trataria como alguém que nunca antes vira. O trataria apenas como o médico que cuidava de seus ferimentos e assistia suas melhoras.

Aquele idiota não podia simplesmente sofrer um acidente e esquecer tudo que viveram anos atrás. Não podia esquecer seu propósito ao viajar com um amigo para a França. Por mais que fosse egoísmo de Kibum, a ideia de Jonghyun procurando notícias suas e então mudando-se de continente apenas para observá-lo era no mínimo interessante.

Mas agora ele nem sequer recordava o próprio nome.

Enquanto seus pés caminhavam quase automaticamente para o quarto já bem conhecido, seus olhos observavam a brancura das paredes e também do chão. Tudo bem, não estava nem sequer prestando realmente atenção no caminho, sua mente vagava em outro lugar. Melhor, em outro alguém. Talvez em outros pensamentos, numa nova dor.

~~

Ao passar pela porta de madeira pintada num tom branco de brilho fosco, Kibum se deparou com um ambiente calmo, mergulhado em silêncio. Era noite, mas a lâmpada incandescente contrastava com o luar que transpassava a cortina de tecido fino que cobria a única janela do quarto, fazendo com que tudo fosse perfeitamente visível, talvez como se fosse dia.

Jonghyun dormia tranquilamente sobre a cama enorme, as mãos repousando suavamente ao seu lado, ambas conectadas a alguns fios que garantiam o total monitoramento de seu corpo. Os olhos cerrados e a expressão serena no rosto traziam uma calma indescritível a Kibum. Ainda. Porque desde quando namoravam, o médico gostava de velar o sono do outro, aproveitando assim para admirá-lo.

Ao encostar a porta do quarto atrás de si, Kibum se aproximou lentamente, tomando o máximo de cuidado possível para não interromper o sono que parecia tão bom. Num ato meio impensado, aproximou-se mais do que deveria, e então pousou a mão direita sobre o rosto pálido de Jonghyun, que por sorte nem ao menos se moveu.

Ao fazer uma leve carícia no rosto frágil, o coração de Kibum se contraiu fortemente. Por alguns segundos, pensou que tamanha compressão fosse lhe sufocar. Mas não, talvez por ser azarado demais, nada além de lágrimas o ocorreram. Talvez se morresse, não precisaria encarar aquele que ainda amava o tratar como um simples desconhecido.

Sim, porque ainda amava Jonghyun. Muito. Mais que qualquer outra coisa. Mais que sua profissão, até mais que sua família. Talvez, numa possibilidade bem real, mais que sua própria vida.

E não suportava a dor de vê-lo esquecer tudo que um dia já viveram juntos. Era uma dor pontiaguda e afiada, pronta para mutilar o médico em milimétricas partes. Kibum se acostumara a depender do outro para qualquer coisa que fosse, e quando o encontrou numa cama com outro, simplesmente quis morrer. Ao decidir mudar-se para outro país, foi no entuito único de começar uma nova vida, e talvez assim esquecer a parte tão importante que Jonghyun fora em sua vida, que ainda era.

Por vezes até conseguiu. O trabalho de médico tomava tempo o suficiente para não pensar em nada além de pacientes, exames e qualquer coisa relacionada ao hospital. Quando tinha folga, concentrava-se na fotografia ou em coisas banais, na maioria das vezes aproveitava para descansar apenas, deitado em sua cama confortável. Então acabavam sendo parcos os momentos em que lembrava de sua vida na Coreia. Talvez por pura sorte, assim evitava sofrimentos e saudades desnecessárias.

Seu coração apitava algumas vezes. E agora tudo fazia sentido, tudo finalmente estava claro em sua mente. Quando imaginava sentir o perfume de Jonghyun, não era saudade. Ele estava realmente por perto, apenas o observando. Às vezes, podia jurar sentir uma presença conhecida perto de seu corpo. Mas sacudia a cabeça e repreendia a si mesmo por inventar coisas tão ridículas.

– Doutor? – uma voz conhecida chegou aos ouvidos do médico, o acordando dos devaneios a respeito do amor que ainda sentia e das lembranças que guardava.

Kibum nada respondeu, apenas se apressou em secar as várias lágrimas teimosas que escorriam por seu rosto.

– Aconteceu algo? – Jonghyun questionou, provavelmente preocupado com sua própria saúde.

– N-não – praguejou mentalmente por não conseguir formular uma simples palavra que indicasse negação.

Ao mesmo tempo, também torcia baixinho para que o outro não o houvesse visto chorando.

– Porque chorava? – Jonghyun indagou, exatamente como se ouvisse seus pensamentos.

– Nada, eu não estava chorando, foi apenas uma breve irritação nos olhos, acontece quase sempre – tentou se justificar, falhando perceptivelmente.

– Algo te atormenta? – encarou firmemente o olhar desviado de Kibum.

Ele não ia contar o que estava acontecendo, era demais para Jonghyun, assim como estava sendo insuportavelmente muito para si mesmo.

Negou com a cabeça e com uma desculpa qualquer, saiu do quarto em passos rápidos, caminhando direto para o estacionamento do hospital, onde pegou o celular esquecido no bolso de seu jeans.

– Alô? – uma voz sonolenta atendeu a ligação, com toda a certeza estava dormindo.

– Taemin, posso conversar com você? – perguntou receoso.

Ouviu o outro murmurar qualquer coisa ao outro lado da linha. Sorriu minimamente com o ato do atendente da cafeteria.

– Chego no hospital em alguns minutos – e então ele desligou, antes mesmo que Kibum falasse qualquer coisa em afirmação ou reprovação.

Notas finais
Então é isso, daqui tomamos um rumo diferente, com um pouquinho de drama e hmm.. Falando nisso, esse capítulo, na versão que tenho salva aqui, seria dividido em dois, mas juntei porque quero chegar logo na parte mais legal de tudo.
Obrigada a maknae, que deixou um review no capítulo passado, e também a dona Inacia Kely, que depois de tanto tempo resolveu vir aqui e ler tudo de uma vez ~aleluia.
Próximo capítulo não demora muito, prometo.
See ya :*