Abriu os olhos de forma preguiçosa ao passo que seu corpo já se esticava pelos lençóis escuros do quarto bem iluminado pela luz natural do dia, mesmo com as cortinas fechadas. Olhou ao redor para se orientar sobre onde estava e sorriu ao identificar que era o quarto de Harry, sentou-se com cuidado e alcançou o celular sobre a mesa de cabeceira, constatando que ainda tinha tempo e, entre procurar pelo dono do apartamento e tomar um banho relaxante, ele seguiu até o banheiro.

Apesar de estar naquela rotina há meses, ainda lhe era estranho encontrar com Harry praticamente todos os dias, estar sempre em seu apartamento, usando seu banheiro para banhar-se, por vezes vestindo suas roupas; era um exercício diário lembrar que estava ali apenas porque estava sendo pago para estar. Mas seu exercício era dificultado quando, como na noite anterior, Harry lhe falava sobre a vida pessoal e mostrava fotos. Ergueu o rosto e deixou que a água morna caísse diretamente sobre ele, estava relaxado e calmo, e isso se tornara uma rotina. Tendo apenas Harry como cliente, não havia ansiedade ou angústia sobre quem seria o cliente da vez; tinha uma agenda, tinha um cronograma e podia segui-los sem erro.

Terminou o banho instantes depois e se vestiu com calma, pegando todas suas coisas antes de sair do quarto; encontrou Harry sentado na poltrona da varanda, com o tablet na mão e uma xícara de café ao lado. Sorriu com a cena antes que pudesse assimilar o que acontecia, era algo familiar e esse pensamento foi o suficiente para fazê-lo mudar a postura e desmanchar o sorriso enquanto caminhava até o homem.

— Bom dia. — Cumprimentou assim que ganhou a atenção de Harry.

— Bom dia, doce. — O homem lhe sorriu abertamente, deixando o aparelho de lado e se voltando para ele. — Está com fome? Eu comprei croissants.

— Na verdade eu já preciso ir. — Deu um sorriso de lado e sem humor algum enquanto dava um passo para trás.

— Por que a pressa? Eu te pago hora extra. — Apesar do jeito brincalhão com que Harry falou algo dentro de Louis não pareceu feliz com as palavras.

— A questão não é essa. — Mesmo sem querer, a voz de Louis tinha uma pitada de desprezo e, talvez, amargor. — Eu tenho compromisso e preciso ir para não me atrasar. — Na verdade ele não precisava sair naquela exata hora, mas preferia fazer dessa forma.

— Posso saber que compromisso é esse? — Ergueu uma sobrancelha em curiosidade, mas o sorriso não estava mais presente. — Nosso contrato é de exclusividade.

— E os finais de semana são meus. — Louis sustentou o olhar de Harry até se cansar daquilo e virar as costas. — Me liga confirmando se quer que eu venha na segunda-feira. — Não esperou pela resposta e saiu do apartamento sem voltar a olhar para o mais velho.

E enquanto fitava a luz brilhante que indicava os andares pelos quais passaram, Louis se arrependia da atitude que havia tido; Harry era seu cliente, não seu amigo. Por outro lado, estava impresso no contrato que os sábados e domingos, e alguns feriados, eram exclusivos do Louis e ele não prestaria seus serviços. Passou a mão pelos fios ainda úmidos e seguiu até seu carro, estacionando mais ao fundo da garagem, numa vaga que Harry lhe concedeu.

Saiu do prédio e pouco tempo depois já estava longe o bastante para conseguir respirar melhor. Parou o carro algumas quadras antes do seu destino e olhou nos bancos, em busca de qualquer coisa que fosse fora de sua rotina usual, mesmo que sempre se policiasse e após assinar o contrato com o Harry não levasse nada demais em seu carro. Os poucos brinquedos que o mais velho gostava de usar ficavam seu casa, numa mala trancada na prateleira de cima do seu closet. Fitou-se no retrovisor e depois de inspirar profundamente e soltar o ar, seguiu até o prédio branco com portas e janelas pintadas de azul escuro, estacionou numa das vagas disponíveis e desceu, acionando o alarme logo em seguida. Sorriu para o segurança que o recebeu e caminhou até saguão de entrada, olhando ao redor em busca do rosto tão familiar.

— Senhor Tomlinson. — Uma mulher pouco mais velha do que si se aproximou com um sorriso nos lábios. — Como foi sua semana?

— Oi, Lara, foi tudo bem e por aqui? — Tinha os olhos cheios que expectativas, como sempre acontecia.

— Foi tudo perfeito. — Ela sorriu um pouco mais, o que o acalmou. — Haverá um passeio para o museu na próxima semana, a autorização está no caderno de Caleb, por favor não deixe de assinar.

— Não se preocupe, eu não vou esquecer.

— PAPAI! — Alargou o sorriso ao ouvir o grito e se virou para fitar uma figura loira largar a pequena mala no chão e correr para alcançá-lo.

Louis se abaixou a tempo de receber o pequeno em seus braços, não se negando o direito de afundar o rosto em seu pescoço, sentindo o cheirinho tão bom da criança. Os braços curtos estavam envoltos no pescoço de Louis, e as pernas serpentearam seu torso quando o mais velho se levantou, não se importando nem por um segundo com o peso do pequeno; era seu mundo inteiro ali e Louis jamais o deixaria cair.

— Obrigado Lara, até segunda. — Sorriu para a mulher, que o fitava com olhos caridosos e caminhou até a mala esquecida do garoto. — Seguinte brotinho, eu não consigo levar você e a mala, e nós precisamos levar a mala.

— Senti saudades. — O menino beijou a bochecha de Louis, que sorriu mais largamente ainda e encheu o rosto rechonchudo de beijos enquanto afirmava que também sentira saudades. — Quando eu vou poder ficar em casa durante a semana papai? — Perguntou assim que se soltara do abraço, segurando firmemente a mão de Louis, que carregava a mala na outra.

— Logo, logo, brotinho. — Alcançaram o carro e Louis deixou o filho na calçada enquanto guardava a mala no porta-malas e pegava sua cadeirinha.

— Papai, eu já sou grande, não precisa disso…

— Precisa, sim senhor. — Louis se abaixou na altura do pequeno e lhe beijou a ponta do nariz. — Você é a pessoa mais importante da minha vida, e eu sempre vou fazer tudo o que puder para te proteger. — Beliscou sem força alguma sua bochecha e voltou para o carro, instalando a cadeirinha no banco de trás, sentiu suas pernas serem agarradas pelos braços do filho e sorriu.

— Você também é a pessoa mais importante da minha vida todinha, papai. — Caleb se esticou todo enquanto formava um bico com os lábios, pedindo um beijo do pai.

E Louis o atendeu prontamente, dando um selinho no filho antes de erguê-lo nos braços e o prender na cadeirinha. Assumiu seu lugar no volante e antes se esgueirar pelas ruas já totalmente despertas de Londres, ligou o rádio e colocou as músicas preferidas de Caleb, que cantarolava algumas enquanto contava para o pai como havia sido sua semana. O caminho era sempre mais curto quando o garoto estava no banco de trás falando sem parar.

— E então o Mike disse que ele e os pais dele vão se mudar! — Caleb tinha a voz um indignada e Louis lhe lançou um olhar pelo retrovisor, observando o filho fitar a paisagem pela janela. — Eu não quero que ele se mude, papai, porque se ele se mudar ele não vai mais ser meu amigo. — Projetou o lábio inferior para frente, deixando um pequeno bico ser visto.

— Eu sei brotinho, mas nem sempre podemos ter aquilo que queremos, yeah?

— Yeah… — Concordou sem vontade alguma, mas Louis o viu sorrir e gritar animado assim que se aproximaram do prédio, o que o deixou um pouco confuso. — Tio Zayn, papai! É o tio Zayn! — E Louis viu o amigo parado do lado de fora da portaria do prédio em que morava, e sabia que o rapaz estava ali justamente para ser visto por Caleb, afinal Zayn tinha entrada liberada no prédio. — Rápido papai, me deixa sair, eu quero falar com o tio Zayn! — O garoto já tinha as mãos nervosas sobre o cinto que o prendia na cadeirinha, o que fez com que Louis o repreendesse.

Parou o carro diante de Zayn, que abriu a porta de trás e soltou o garoto, ganhando um grande abraço, além de um beijo molhado na bochecha e risadas gostosas. Louis pediu para que ele subisse com o garoto enquanto guardava o carro da garagem, ganhando um aceno em concordância antes de Zayn entrar na portaria. Minutos depois os três estavam na cozinha bem equipada do apartamento de Louis discutindo sobre o que deveriam comer naquele momento. Era muito tarde para um café da manhã tradicional, mas muito cedo para um almoço.

— Vamos fazer panquecas, assim a gente recheia com o que quisermos e pronto. — Fora a sugestão de Zayn, e esta fora prontamente aceita por Caleb e logo Louis preparava a massa.

— Tio Zayn, olha os desenhos que eu fiz! — Caleb puxou o moreno até o sofá da sala, onde o fez sentar enquanto lhe mostrava cada desenho que fizera na aula de artes, também mostrou um texto curto que a professora de literatura havia deixado para que eles lessem em casa, ao qual Zayn o ajudou a ler em voz alta.

Louis anunciou que as panquecas estavam prontas instantes depois, disponibilizando diversos tipos de recheios pela mesa, para que ficassem a escolha de quem fosse comer. Depois de lavarem as mãos, os três se sentaram diante da mesa e Caleb não perdeu tempo e logo buscou uma panqueca e calda de chocolate; em qualquer outro momento Louis o repreenderia, mas naquele dia apenas o deixou comer o que desejava.

— Papai, a Jenny caiu na aula de educação física e ralou o joelho! — Caleb tinha os olhos bem abertos enquanto falava, com os cantos da boca sujos de chocolate. — A professora passou um remédio para sarar, e eu dei um beijinho, porque dar beijinhos faz com que sare mais rápido, não é?

— É sim, brotinho. — Louis esticou a mão e limpou a bochecha do pequeno. — Mas você perguntou se ela queria um beijinho?

— Perguntei papai, e ela deixou, por isso eu beijei, porque a gente não pode beijar sem que a outra pessoa deixe. — Estufou as bochechas de panquecas antes de voltar seu olhar para Zayn, que o fitava com carinho. — Sabia disso tio Zayn?

— Eu sabia sim. — O moreno balançou a cabeça para enfatizar a resposta enquanto Louis ralhava com o filho por ele ter falado de boca cheia. — E o que mais aconteceu na sua escola nessa semana?

— A gente foi no quarto do Johnny depois da sobremesa e ficamos assistindo desenho até tarde, ai a Dona Diana achou a gente e brigou com a gente… — Contava tudo num fôlego só, entre mordidas e goladas de suco de laranja. — E a gente ficou de castigo… Tem um bilhetinho no caderno, papai.

— E posso saber porque o senhorzinho estava fora do seu quarto quando deveria já estar dormindo? — Louis estreitou o olhar para o filho, que o imitou antes de responder.

— Estava passando Homem-Aranha papai! — Caleb o fitou como se isso explicasse tudo.

E talvez explicasse de fato, já que Louis sempre fora fã do personagem e assistira aos filmes, todos eles — de qualquer franquia -, mais de uma vez; e quando Caleb nasceu passou a ser sua companhia constante para as tarde de filme regadas a pipoca e suco. Quando Caleb reclamou de se sentir sozinho no colégio interno, foi um boneco do Homem-Aranha que Louis lhe deu de presente, junto com uma decoração temática em seu quarto; então não era estranho ver seu filhote se esgueirando para o quarto de um coleguinha para assistir ao filme.

— Tudo bem, brotinho, eu entendi, mas não pode desobedecer as regras do colégio, tudo bem? Não pode ficar fora do seu quarto quando não tem permissão para isso, estamos combinado?

— Aham. — Louis o fitou seriamente por alguns segundos antes de se inclinar para deixar o rosto na altura do filho, esticando o dedo mínimo para o garotinho, que o fitou e sorriu sapeca, logo enlaçando o dedo do pai com o seu próprio. — Podemos ir no parquinho?

— Podemos.

— YAY!

Logo o garoto largou tudo sobre a mesa, satisfeito com a quantidade que havia comido e correu para o próprio quarto, e Louis sabia que ele iria lavar o rosto e as mãos antes voltar correndo apressando a todos para irem ao parque que ficava na rua detrás do prédio. Fora um fator decisivo para a compra daquele apartamento; queria algo com tamanho adequado para um adulto e uma criança em fase de crescimento, perto de mercado e hospital, com uma área de lazer, ou um parque próximo, o prédio em que estavam atendia a tudo isso e ainda tinha a vantagem de ser relativamente próximo ao colégio em que Caleb estudava.

Zayn tinha um sorriso engraçado quando se levantou e começou a tirar a mesa, o que fez com que Louis girasse os olhos e o ajudasse. Ele sabia o que aquela ida ao parque renderia: muito algodão doce, muito sorvete, refrigerantes que Louis não gostava de dar a Caleb e chocolates contrabandeados por Zayn para os bolsos pequenos de seu filho.

E como previsto, Caleb chegou correndo instantes depois, ajudando também a tirar a mesa e limpar tudo para que pudessem sair o mais rápido possível. Louis pegou uma mochila onde colocou três garrafas de água, um pacote de biscoito e um mini-kit de primeiros socorros, ter o filho que não parava quieto por mais do que cinco minutos o fez ser precavido. Caleb dançava de um pé para o outro enquanto o elevador os levava até o térreo.

— E como está sua conquista? — Louis empurrou o amigo com o ombro, sorrindo diante da expressão de derrota do moreno. — Tão ruim assim?

— Ele não me enxerga, Louis. — Deu de ombros como se aquilo não o incomodasse mais, quando a verdade era que o atormentava sempre que pensava sobre isso. — Eu acho que nem sequer sou considerado amigo por ele…

— E o que está fazendo para mudar isso? — Louis segurou a mão de Caleb assim que saíram pelo portão da portaria e seguiram em direção ao parque. — Ou melhor, por que você não é mais direto e o chama para um encontro.

— Porque é mais delicado do que isso. — Zayn escondeu as mãos no bolso do casaco que usava. — Herdeiro de uma das maiores empresas, não é tão simples assim chamá-lo para sair, ele provavelmente está esperando alguém melhor, mais importante, mais bonito…

— Por favor, Zayne… — Louis girou os olhos. — Você é lindo! Educado, gentil, rico… — Listou as qualidades do amigo e sorriu quando Caleb concordou com todas elas, mesmo que não entendesse muito bem ainda o que a última significava.

— Mas ele é Niall Horan, herdeiro da Iriran, e eu sou Zayn Malik…

— Diretor financeiro da Styles Tecnology.

— Seria melhor se fosse o herdeiro. — Comentou de forma cansada, sentando-se no primeiro banco vazio que encontraram no parque, com Louis dando todas as recomendações a Caleb e logo permitindo que o filho corresse para o escorregador.

— Então, na sua cabeça, o casamento perfeito é do Niall com o Harry. — O fitou enquanto tentava esconder o sorriso que ameaçava sair. — Sinto em dizer, mas sua fantasia talvez não aconteça, Harry não parece interessado em se casar com Niall.

— Harry não está interessado em casar, é por isso que ele te contratou. — Retrucou prontamente, observando Caleb correndo de um lado para o outro, já fazendo novas amizades.

— Ele me contratou porque eu sou muito bom no que eu faço. — Louis jogou fantasiosos cabelos longos para trás, em uma tentativa de imitação de uma diva pop.

— Quer mesmo falar sobre isso? — O moreno desviou a atenção das crianças no parque para fitar o amigo, que lhe lançou um olhar divertido.

— É claro que não! — Louis lhe deu um soco sem forças e logo ambos estavam rindo, acalmando-se aos poucos e observando Caleb empurrar uma menininha no balanço. — Estou terminando a faculdade, vou procurar um emprego e então ter uma vida normal. — Mandou um beijo para o filho quando ele virou os olhos azuis para si e acenou. — Ter o Caleb comigo todos os dias, como eu sempre quis. E ele vai ter uma infância normal e feliz.

— Ele já é feliz, Louis, você sabe disso.

— Eu sei, mas… Não está tão normal quanto deveria ser…

Zayn não respondeu; ele gostaria de falar que estava tudo bem na forma que Louis estava criando Caleb, porque para ele aquela era a verdade. Apesar da profissão que tinha, Louis fez e fazia tudo o que podia para garantir que seu filho não sofresse nenhuma consequência da sua vida, o incluía deixá-lo matriculado num internato durante a semana. Para Louis aquilo era algo ruim, e Zayn podia entender isso porquê Louis era um pai dedicado e amoroso, mas a grande maioria sequer se dava ao trabalho de buscar os filhos durante os finais de semana.

E religiosamente Louis estava no colégio todos os sábados pela manhã, pronto para levar para casa sua preciosidade para casa e mimá-lo durante os dois dias que tinham para ficar juntos. E assim como acontecia nos sábados, todas as segundas de manhã Louis o levava de volta para o internato, e mais uma semana se seguia até que estivessem juntos outra vez. Então sim, Zayn entendia o que o amigo queria dizer com ter uma vida normal e ter Caleb ao seu lado sempre.

— Quando eu fui pro jantar do George com o Harry…,

— Harry disse que você o obrigou. — Louis não se importou por ter interrompido o amigo, seu sorriso era divertido e o alargou quando o moreno girou os olhos.

— Ele é tão dramático. — Expirou de forma intensa antes de continuar a falar. — Enfim, quando fomos ao jantar ele me falou sobre você.

— O quê? Como assim? O que você disse? — Louis se exasperou com a possibilidade de Harry saber qualquer coisa sobre sua vida pessoal.

Quando entrou na agência Louis não tinha muito conhecimento sobre o que deveria fazer ou como deveria se comportar para que sua vida pessoal fosse preservada, para ser sincero consigo mesmo, Louis sequer tinha real consciência de que sua vida pessoal deveria ser preservada. Preciso de uma ameaça, precisou ter que se mudar de apartamento por conta da perseguição de um cliente para entender que não podia ser Louis, que precisava criar um personagem e segui-lo a risca.

E quanto mais Caleb crescia, mais Louis entendia a importância disso. Seu filho não podia ser afetado, não podia sofrer nenhuma consequência, ou discriminação, por aquilo que Louis fazia para mantê-lo saudável e minimamente feliz.

— Ele só disse que nos apresentaria, se você não fosse um garoto de programa. — Zayn o fitou com calma, observando suas reações. — Que se ele tivesse certeza que sua personalidade é real, ele nos apresentaria porque tinha certeza que a gente se daria bem. — Louis ri com toda a ironia daquela fala. — Foi difícil fingir descaso.

Louis o observou por alguns instantes. Zayn era seu amigo há cerca de quatro anos, quando se conheceram durante um exercício na academia em que Louis caira e fora ajudado pelo moreno, junto com o instrutor. A conversa entre eles foi fácil e conforme os horários dos treinos de ambos se coincidiam mais eles conversavam e encontravam similaridades entre suas personalidades e gostos, mas a amizade deles de fato aflorou quando Louis estava numa sorveteria com Caleb e Zayn adentrou o local em busca de um refresco para o calor que sentia.

— Eu sinto muito Zayn, sei que não gosta de mentir ou fingir…

— Sabe o que realmente me incomoda Louis? — O moreno o encarou com seriedade. — É que você se tornou meu melhor amigo e eu não posso contar com presença na maioria das coisas que eu faço. — Louis não sustenta o olhar do amigo. — Você nunca foi em nenhuma das minhas comemorações.

— Zayn, eu não posso, eu já te disse…

— Eu sei Louis, e eu entendo, eu só estou dizendo que é difícil. — Zayn pega uma das garrafas de água que Louis havia levado e ingere uma parte.

— Eu já vou sair dessa vida, Zayn, as coisas serão realmente normais. — Louis lhe sorri. — E eu vou as suas festas. Prometo. — Piscou um olho e ergueu uma das mãos, como se fosse um escoteiro.

O moreno apenas sorriu enquanto negava com a cabeça, voltando sua atenção mais uma vez para as crianças que corriam, gritavam e brincavam. Poucos minutos depois Caleb corria na direção deles e se jogava no colo do pai, logo pedindo por água.

— Papai, quando a gente vai tomar sorvete?

— Oh! O meu monstrinho quer sorvete? — Louis o colocou sobre seu colo e passou a fazer pequenas cócegas nele. — Quer sorvete monstrinho? Quer?

— Para papai! — Pedia entre risadas gostosas e contagiantes.

— Eu te amo. — Louis o observou com cuidado, vendo-o acalmar as risadas, mas manter um sorriso sereno.

— Também te amo, papai. — Louis beijou a ponta de seu nariz e anunciou a ida até a sorveteria.

Zayn os acompanhou até o local, mas não ficou com eles para aproveitar a sobremesa, despediu-se em meio a resmungos de Caleb e Louis tratou de distrair o filho com os mais variados sabores de sorvete disponíveis no local. Saíram dali mais de uma hora depois, com as barrigas cheias de doce e envoltos numa conversa animada sobre quais filmes eles poderiam assistir de noite. E mais uma vez ele decidiram que assistiram Homem-Aranha uma vez mais, especialmente que, graças ao castigo, Caleb não conseguiu terminar de ver o filme que passou na televisão.

Louis transformou sua cama numa espécie de ninho para abrigar a si e ao seu filho, sem esquecer de ter duas tigelas grandes repletas de pipoca e uma jarra de suco de laranja, com dois copos. Assistiu com um sorriso calmo o pequeno carregar do seu quarto para o do pai uma manta do personagem e seu travesseiro, bem como o boneco que Louis lhe dera anos antes. Aquela tarde fora nomeada como a tarde preguiçosa, onde ambos tomaram banho e se esgueiraram para debaixo das cobertas com o filme passando na televisão. Para Louis, aquela era a definição de paz.