Voice
1 Pequenos detalhes, grandes diferenças.
2 de Março.
O ano letivo da Faculdade de Artes de Tokyo estava apenas começando demarcadas pelas sakuras que floresciam e o vento gélido que entrava pela janela da sala enquanto Uruha afinava sua guitarra.
Era o primeiro dia em que ia lecionar na sua vida.Ser um professor não era o que esperava para o seu futuro, mas no momento, era o que estava lhe pagando melhor.
Iria dar aulas de violino, e de guitarra como extra-curricular.
Distraído com a manhã serena e clara de primavera, sentiu-se extasiado pelo som que vinha de algum lugar pelos corredores fora da sala.
O som do piano era leve e tranquilo, uma melodia simples que nunca havia ouvido, movido pela curiosidade, largou a guitarra em cima de sua mesa e começou a andar pelos corredores guiado pelo som.
Andava rapidamente pelo corredor limpo olhando para as janelas que havia nas portas na intenção de encontrar o pianista. Seu cabelo loiro balançava enquanto caminhava, às vezes até entrando no meio de sua visão fazendo-o mexer freneticamente a mão para tirá-los da frente.
Quando a música estava diminuindo o ritmo, ele parou em frente a uma porta branca de correr fechada olhando o pianista do outro lado da pequena janela de vidro que havia na porta.A sala estava vazia, exceto pelo enorme piano de cauda negro no centro com uma moça magra com um longo vestido rosa bebê sentado em um banquinho tocando-o.
Assim que a música cessou, ela se levantava delicadamente fazendo os cabelos negros que iam até a cintura balançarem.Alarmado e surpreso, por ser uma mulher tocando o piano, Uruha deu um passo para o lado tentando se esconder e com o corpo enrijecido escutou a porta ao lado sendo arrastada para o lado oposto onde se encontrava.
A moça era mais baixa que ele e estava séria.Ela não olhou sequer uma vez para o jovem encostado a parede como uma estátua e passou a sua frente com uma ótima postura.
–Que musica estava tocando? –perguntou Uruha repentinamente após sair de seu transe de surpresa.
Mas ela, apenas virou o rosto totalmente passivo e encarou-o com seus olhos grandes e escuros como se soubesse tudo sobre ele, mas não respondeu.
–Você toca muito bem. –continuou Uruha sentindo sua voz fraquejar por tamanha indiferença da moça.
Apesar da cena monótona, Uruha estava inquieto por dentro, e ela, apenas abaixou um pouco a cabeça se curvando levemente como agradecimento ao elogio e simplesmente se virou e voltou a caminhar tranquilamente fazendo o vestido rosa arrastar no chão e balançar graciosamente até virar o corredor e sumir.
O jovem professor que estava colado à parede, até voltar a respirar normalmente, retornou a sua sala que, finalmente estava começando a chegar os alunos.
O dia passou rápido, pois as aulas eram agradáveis e os alunos, como o esperado da melhor universidade do Japão, eram muito dedicados e aprendiam rapidamente.
Quando finalizou a sua última aula, o sol já estava se pondo tingindo toda a sala em tons alaranjados, então sem pressa, guardou seus instrumentos musicais e saiu de sua sala.
O corredor estava vazio e caloroso e então voltou a se lembrar da jovem pianista mais cedo.Apesar de sua antipatia, estava curioso sobre ela, e ela possuía um talento para o que fazia.
Enquanto descia as largas escadas brancas o piano começava a soar mais uma vez.Desta vez era uma musica triste e a conhecia de algum lugar, sem pensar duas vezes voltou a subir os degraus e segurando firmemente a mala da guitarra nas costas, apressou o passo pelo corredor iluminado pela luz alaranjada do sol e voltou a sala.
Hesitou uns minutos antes de entrar na sala.Quando a música finalmente havia terminado e ela tomado um tempo para beber uma garrafa de água que estava sobre o piano, sorrateiramente ele abriu a porta escorregando-a para o lado esquerdo fazendo-a se virar para ver quem vinha.
Seu rosto por um instante parecia decepcionado com o que via, então voltou o olhar para a garrafa e a fechou vagarosamente.
–Você é uma aluna daqui? –começou o jovem ainda parado perto a porta.
Sem resposta ou reação da jovem, tentou pensar em outro assunto, mas já estava sentindo a sua mão suar de nervosismo.
–Qual o nome dessa musica? –antes mesmo que terminasse a pergunta, ela já havia iniciado outra música no piano sem dar atenção.
Aquele jeito mesquinho da jovem já estava começando a incomodá-lo seriamente, foi quando resolveu se aproximar do piano e tentar chamar sua atenção.
–Será que você poderia me dizer o seu nome? –mas mesmo assim, ela o ignorava e pela primeira vez, a melodia do piano estava começando a irritar Uruha.
Sem pensar, ele se aproximou do piano e com a mão direita livre bateu seus dedos produzindo um som horrível e cortando o belo som.Finalmente ela prestava mesmo atenção nele.
–Você poderia responder minhas perguntas por favor? –seu tom insolente mostrava sua raiva transbordando.
Ela o encarava nos olhos com uma expressão igualmente irritada, mas apenas balançou a cabeça negativamente e se levantou já se retirando da sala.
Impulsivamente, Uruha começou seu protesto fazendo-a parar na porta e olhar para ele.
–Creio que eu não te conheço e não fiz nenhum mal a você, então por que me ignora tanto? –o silêncio ainda se prolongava, então continuou –tudo o que eu fiz foi te elogiar, se não gosta, podia dizer.
Ela abriu a boca sem emitir nenhum som, mas apenas suspirou quando a porta se abriu e um jovem de cabelos negros lisos e lábios finos entrou pela porta.
–Está tudo bem aqui Mika? –ele tinha uma voz agradável e suave.A jovem que se chamava Mika, se virou para ele e balançou a cabeça com um sorriso. –que bom, pode ir na frente, o carro está na mesma vaga de sempre, vou pegar suas coisas e já vou.
E assim, ela obedeceu.A sós na sala, o homem havia mudado de expressão e ficado sério.
–Eu escutei a conversa quando estava vindo.Ela é uma ex-aluna desta escola e vem muito aqui.–ainda sério, continuou mesmo quando Uruha pretendia interrompê-lo –não se aproxime mais dela, se gosta de sua música, ouça com os ouvidos, não fique perguntando.
–Desculpe, mas quem é você e por que tudo isso? Foi ela quem me ignorou.
O homem que usava uma blusa preta longa, abaixou a cabeça e pegou do bolso um maço de cigarro e lentamente acendeu um.Após dar um longo suspiro ficou encarando o jovem a sua frente e respondeu:
–Desculpe minha rudeza, me chamo Yutaka Uke. E sou irmão dela–ele deu um leve sorriso e em partes, os dois realmente eram semelhantes, como o modo que suspiravam –e não quero que se aproxime mais dela, entendeu?
Antes que pudesse protestar, o homem continuou.
–Ela não fala, portanto não peça a ela para responder mais nenhuma de suas perguntas estúpidas. –a frase saiu seca e apesar do seu sorriso, sabia que estava irritado.
Uruha não sabia o que dizer e antes que pudesse, o homem todo de preto saiu pela porta lançando-lhe um último olhar de desprezo.
Notas finais
•Kai botando mó banca de irmão protetor, adoro <3
•Para quem qr ver logo os outros gazeboys em ação terá de esperar só mais um pouquinho ~___~
•E não se esqueçam, reviews né Y_Y vai facilitar mto pra mim escrever se deixarem opinioes @___@b
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