Voice

2 Como a Monalisa.


Notas iniciais
O título ta bem bobo, mas achei que ficaria legal xD

Já era fim de semana e não daria aulas na faculdade.Uruha estava em seu pequeno quarto de apartamento sentado na cama tocando sua guitarra.

O som produzido era apenas de um metal baixo e leve, pois não conectara a guitarra ao amplificador.O relógio na parede estava marcando nove e quinze da manhã quando o seu celular sobre a cabeceira da cama começou a vibrar.

Olhando no identificador estava escrito Akira.

–Eai, o que você acha de sairmos para beber? –Uruha estava com seu bom humor habitual.

Ãhnn? Beber a esta hora da manhã?

–Ah, ok... o que você quer então Reita? –sua motivação havia caído um pouco, já fazia algum tempo que não consumia bebidas alcoólicas.

Vamos sair, tenho uma novidade para te contar! –sua voz era animada, então aceitou o convite.

Já era tarde e o sol estava se pondo.O clima quente permanecia mesmo assim, enquanto Uruha vestia uma calça jeans desbotada e uma regata pondo por cima uma camisa preta.

O cabelo loiro estava todo escorrido tocando os ombros, então resolveu colocar laquê para enchê-lo e arrumou a franja.

Pronto para sair, pegou o celular e a carteira e os colocou no bolso de trás da calça.

O local combinado era um restaurante simples ali perto, então ele fora caminhando e observando as sakuras terminando de florescer para o auge da primavera.

O restaurante era pequeno e aconchegante, e no balcão, Uruha avistou o amigo de cabelo curto platinado de costas sozinho.

–Qual é a novidade que você queria me contar? –Uruha já se sentava no banco alto do lado esquerdo de Reita.

Ele estava com um sorriso ansioso para contar a novidade –Eu entrei na faculdade de artes! –disse ele alegre agarrando os braços do amigo.

Semana passada, Reita havia chamado-o para beber porque não havia conseguido entrar na Faculdade de Artes de Tokyo e agora não estava entendendo nada, e devia ter deixado isso evidente em seu rosto, pois ele continuou sua explicação.

–Alguém que conseguiu a vaga acabou desistindo e o próximo da lista com a melhor pontuação que não passou era eu! –A felicidade do homem transbordava, e já estava assustando Uruha.

–Que bom em Reita! Agora será que você pode me soltar? –Uruha já estava ficando sem graça, pois as pessoas já estavam olhando e comentando e apesar de seu rosto delicado, ele não gostava que pensassem que fosse gay.

Reita logo percebeu a cena constrangedora que estava fazendo e se endireitou no banco e virou-se para o barman e chamou-o.

–Duas cervejas, por favor.

–Pensei que não íamos beber hoje–Uruha com seu tom irônico, na verdade estava aproveitando o bom humor do amigo, já que o seu andava deprimente nos últimos dias.

A conversa se alastrou sobre vários assuntos desde os sonhos do Uruha à atual namorada do Reita.Na mesa agora só restavam três garrafas vazias de cerveja e uma pela metade de sake.

–E aquela garota muda?Ainda tem a visto? –o loiro já estava com o rosto avermelhado na região das bochechas dando destaque ao nariz de batata.

Uruha estava sentindo-se tonto e ao ouvir a pergunta, virou mais um copo de sake.

–Não, só escuto as músicas que ela toca no piano de longe. –sua voz saia um pouco embriagada e já enchia o pequeno copo mais uma vez –provavelmente ela deve me odiar até agora por tudo que falei da outra vez.

Reita deu uma risada e os dois brindaram e viraram o copo mais uma vez.Após esvaziarem a garrafa, dividiram a conta e pagaram.

Ele estava num estado pior que o de Uruha, então apoiou o braço esquerdo no amigo.O céu já estava bem escuro repleto de estrelas e com a pequena lua ao longe já minguando.

–O senhor Takashima Kouyou é tão bonzinho, você devia arranjar uma namorada–o rapaz ainda estava com as pernas bambas fazendo o amigo prestar mais atenção as valetas que possuíam do lado da calçada. –as garotas te amam, até os homens, não sei por que ainda está solteiro. –Reita adorava provocar o amigo insinuando-o ser gay por nunca estar em um relacionamento.

–Cala a boca, eu não preciso sair flertando com todas as meninas para provar algo igual a você –Uruha estava calmo como sempre.

–Eu não flerto com todas! –respondeu indignado –Elas parecem que me chamam entende?!Como se fosse um imã... é inevitável.

–Ta bom, ta bom –depois de uma caminhada, Uruha finalmente parou numa casa com uma porta metálica com o número 79 marcado e na caixa de correio escrito Suzuki. –Chegamos.

Reita tirou a chave do bolso de trás da calça e abriu a porta, antes de fechá-la, olhou para Uruha ainda com o rosto corado e disse:

–Arranje uma namorada logo, droga! –ambos riram e Uruha já estava melhorando com a brisa noturna batendo em seu rosto.

Ao olhar seu celular, o relógio marcava 10:21pm.Amanhã seria domingo, então resolveu não se apressar a voltar para a casa e caminhou vagarosamente aproveitando o bom tempo.No caminho resolveu parar em um parque infantil iluminado por um poste.

Sentou-se no banco de madeira contemplando os brinquedos coloridos que já não contrastavam com o cenário noturno e vazio.

Sem que percebesse, sorrateiramente uma mão ergueu-se a frente de seus olhos segurando sua carteira preta que pensava estar no bolso de trás da calça.Quando levantou seu olhar, viu a jovem muda séria com o braço ainda estendido.

Uruha pegou a carteira lentamente e sussurrou um “obrigado” quase inaudível.

A jovem magra sentou-se do lado esquerdo vazio dele e respirou fundo o ar puro do local deixando-o sem reação.

Seus pensamentos vagavam entre pedir desculpas pelo mal entendido da outra vez, tentar descobrir mais coisas sobre ela ou só perguntar o que fazia sozinha à noite naquele local.

Sem que se desse conta, ela estava com um bloco de folhas branca de desenho na mão e rapidamente escreveu com uma caligrafia impecável.

Encontrei a carteira caída no chão agora a pouco.”

Lembrou-se então que devia ter deixado cair quando pegara o celular para consultar as horas.

Ela o olhava com um sorriso tão misterioso quanto o da Monalisa, e seu cabelo negro escorrido na frente do corpo sem franja para ocultar seu rosto o fez rir vendo certa semelhança nas duas.

Seu olhar estava perplexo devido a risada do loiro, então ele logo se explicou.

–Não quis ser rude, mas é que o seu rosto sério e seu cabelo me lembraram um pouco a Monalisa.

Sua reação foi um tanto inesperada, ela deu uma gargalhada, porém sem som.Ela realmente era bonita quando sorria e sem se dar conta ele ficou um tempo com os olhos fixos nela deixando-a sem graça.

A jovem levantou o bloco branco que abaixo da frase anterior agora estava escrito: “Me chamo Mika, e você?

–Kouyou, mas não me chame assim–ele deu um sorriso sem graça e continuou –não gosto desse nome, então uns amigos me apelidaram de Uruha, é melhor.

A forma como ela escrevia no papel era incrivelmente leve, precisa e rápida e em fração de segundos ela terminava de escrever algo.
“Soube que é professor na faculdade, já fez alguma apresentação?”.

–Ainda não, mas você toca muito bem, aquelas músicas que escutei você praticando, foram suas composições?

Compus só uma das que toquei”.

–É mesmo, o que uma moça como você faz aqui a esta hora da noite?

Eu moro aqui perto, às vezes faz bem respirar ar fresco”.

Apesar de muda, a conversa fluía normalmente entre os dois, pois ela escrevia rapidamente e ele não se importava de esperá-la escrever enquanto olhava seu rosto misterioso.

Já vou indo, se não meu irmão ficará preocupado”.

Rapidamente Uruha se lembrou do irmão que mandou-o manter se longe dela. –Ah sim, então tchau.

Eles se levantaram e cada um foi para um lado, mas ele hesitou por uns segundos e se virou rapidamente chamando-a.

–Mika. –o luar iluminava seu rosto sereno e calmo, então ele continuou –posso ir te ver tocar piano na próxima semana?

Ele já havia bebido muito e já não ligava mais para o irmão estressado dela, talvez Reita estivesse certo, talvez devesse tentar começar a encontrar alguém para a sua vida.

Mas ela, apenas fez o mesmo rosto de quando aparecera, com aquele sorriso misterioso igual a Monalisa e saiu caminhando fazendo seu sobretudo bege claro balançar ao vento.

Notas finais
Ok, dêem suas opinioes sobre essa minha comparação idiota com a Monalisa e se a história ta boa D:
Bom, quanto ao Reita, estou descrevendo-o como imagino na vida real, é! Pegadooor 8D *corre muito*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.