Voe, Sora!
2 Cap. 2 - Uma amizade inseparável!
Notas iniciais
Eram cinco para as seis da manha, e Sora estava indo para universidade ouvindo música com a cara de quem ficou acordada até tarde em sua Road Racer quando percebeu uma movimentação de uma bicicleta em seu lado. Era Matheus no seu treinamento do clube de ciclismo dizendo alguma coisa que ela não entendeu, ela foi tirando o fone e disse:
–Oi? –Com uma cara de cansada.
–Bom dia Sora! Que cara é essa?
–Ham... Hm... Eu fiquei acordada até tarde. – Ela falou desconfortável.
–Nossa, fazendo o que?- Perguntou surpreso.
–E-E-Eu... Fiquei estudando! – Era mentira, ela ficou a noite inteira pensando na vida.
–Nossa assim vai ficar profissional mesmo hein!
Sora deu uma risada estranha.
–Bem, já vou indo então! Até!- Matheus disse acelerando o passo para acompanhar o time de ciclismo.
–Até.
Eram sete horas, todos já estavam reunidos para ter aula, quando o professor da parte de Nutrição clinica Adolf chegou e disse:
–Bom dia, pessoal. – Com aquela voz doce e lenta, que Sora gostava.
–Bom dia! – Todos disseram animados, menos Sora, que provavelmente iria batalhar com seu próprio cérebro para manter-se acordada e focada na aula.
No intervalo, como era de costume, Sora e Bazz estavam comendo seus lanches no pátio, quando Bazz perguntou:
–Ah, lembrei! O que a Jaque falou com você?
Sora ficou quieta nos primeiros segundos, mas foi logo dizendo com uma cara séria:
–Ela me perguntou se eu gostaria de entrar no time da cidade...
–Hm, o que você disse?
–O que você acha?! – Exclamou.
– Opa, espera ai, não precisa de tanta agressividade. Eu estava suspeitando que você negasse... Ah, às vezes você muda de ideia repentinamente. – Disse zombando-a
–Sem graça você.
–Eu pensei que você ia aceitar, pois você gosta de vôlei, né?
–Tsc! Antes daqueles acontecimentos no time da cidade, eu não aguentava ver vôlei sem jogar. Eu tinha voleibol correndo nas minhas veias, mas agora... – Sora disse com um tom de voz preocupante para Bazz — Vôlei não tem mais o mesmo sentido para mim... Do que daquela época. – De repente ela parou de falar.
–Mas você ainda gosta Sora?
–Eu... Sinceramente, não sei. – Ela disse cabisbaixa
Os dois ficaram quietos por um longo tempo, quando já deu o sinal do término do intervalo. Bazz fez um cafuné na cabeça de Sora e disse:
–Deixa essa tristeza de lado menina. Passado é passado. Se você ainda gosta de vôlei, vai lá jogar com a Jaque. Nunca te vi jogando, mas, pelo o que eu te conheço você deveria se esforçar ao máximo naquilo que gosta, então... Bem, você sabe! Vai lá.
Sora estava olhando para ele de um jeito que ele nunca viu que o deixou surpreso e sem ação, então para tirar aquela atmosfera entre os dois ele disse:
–Vamos subir?
Ela fez que sim com a cabeça. Bazz nunca testemunhou um momento desses com Sora, ele estava sem saber o que fazer. Ela nunca era de puxar assunto, mas esse silêncio era perturbador para o seu melhor amigo e foi o que deixou ele preocupado nas cinco aulas que eles tiveram naquele dia.
Sora estava indo para casa de Road Racer, quando Bazz chamou-a:
–Sora! Você tem um tempinho pra mim?- Disse correndo para alcança-la.
–Não tenho tempo para caras de cabelo punk pervertido correndo atrás de mim! – Ela disse sendo irônica e ela parou sua bicicleta no canto da rua.
–Eai como vai?
–Vou bem, e você?
–Serio mesmo?
–Sim!
–Então tá bom – Ele disse com uma cara de aliviado.
–E você coisinha? – Ela disse dando risada, para chamar a atenção dele devido a sua última pergunta jogada no silencioso vácuo.
–Sim estou bem também! – Ele percebeu sua intenção.
Bazz viu seu rosto sorridente e sombreado da luz forte do sol daquela tarde, então logo percebeu que ela estava bem realmente, que o deixou mais aliviado ainda. Ele se importava com Sora, não porque tinha dó dela ser uma garota sozinha, mas porque ele gostava de sua amizade. Ele sorriu e disse:
–Sora, como seu único e melhor amigo, eu tenho que saber quais são seus sentimentos relacionados ao vôlei! Vai, mande para cá!
–Ah, seu bobo. – Ela riu – Não é nada de mais, fique sossegado. – Ela meio que escondeu seus sentimentos.
–Mesmo? – Ele perguntou desconfiado.
–Sim!
–Mesmo? –Novamente.
–Sim!-Ela gritou.
Depois de um tempo conversando sobre assuntos alheios, os dois iam se direcionando para casa, e Sora brincou:
–Hoje vou ter que ficar até tarde estudando por causa desse tempo perdido por causa de você! Pervertido de cabelo punk!
–Digo o mesmo!- Ele sorriu.
Os dois sabiam que ambos gostavam de conversar um com o outro mesmo sendo conversas alheias. Depois de uma conversa dessas os dois sempre passavam o resto do dia sorridentes lembrando-se das risadas e momentos engraçados. Dês de quando eles se conheceram, eles já se consideravam irmãos de pais diferentes. Tem vários motivos que os deixaram amigos inseparáveis, de motivos relacionados a serem “nerds” e gostarem da mesma matéria, a nutrição, até de sofrerem bullying no passado. Tinha vezes que eles brigavam, mas logo se desculpavam e tudo ficava normal.
Chegando em casa Sora tomou seu banho, estudou e viu que tinha uma mensagem do seu melhor amigo dizendo:
–“Hoje é sexta-feira! Vamos à lanchonete com o povo da nossa sala?”.
Ela foi logo respondendo:
–“Tenho muita coisa para fazer Bazz.”.
–“Hm, oq vc vai fazer?”.
–“Vou treinar como sempre.”.
–“É mesmo, me esqueci disso. É o começo das aulas, então você sabe como é. Então bom treino!”.
–“Obrigada”.
Sábado e domingo a academia de Sora não abria então ela preferia fazer aeróbicos para compensar o que ela iria guardar de calorias no final de semana.
Já era umas seis e meia da manha e Sora já estava pedalando. Seu destino era sair de casa e chegar até o Parque da Cidade da cidade vizinha, que dava uns quarenta e cinco quilômetros só de ida, mas o seu objetivo do dia era ir e voltar a todo vapor. No caminho havia estradas retas, subidas bem inclinadas e incontáveis curvas.
Enquanto Sora estava pedalando, Jaqueline as meninas da Educação física e do time de vôlei da cidade estavam no Parque da cidade vizinha jogando vôlei. Até o Bazz estava por lá vendo o jogo das meninas e conversando com um homem.
Num momento do jogo, Jaqueline fez um saque flutuante bem colocado no outro lado da quadra que fez com que a Camila, que fazia parte do curso de Educação física na Universidade de Elite, não conseguisse defender, e a bola acabou “espirrando” para fora da quadra. Jaqueline avisou:
–Deixa que eu pego Camila!
–Ok!- Ela disse meio envergonhada por não ter recepcionado adequadamente.
A bola acabou parando na estrada e uma ciclista que estava passando por lá parou de pedalar e pegou-a, e Jaqueline disse:
– Ei, ciclista, essa bola é da gente! — Quando Jaqueline percebeu, era Sora que estava naquela Road Racer azul escura. – Sora! E você?! Nossa, nem te percebi, perdão!
–Oi Jaque, que isso, não foi nada. – Sorriu entregando a bola para Jaqueline.
–O que você faz por aqui? – Dizendo com a bola entre o braço esquerdo e a dorsal.
–Ah, só estou fazendo um aeróbio.
–Você veio da nossa cidade até aqui? Que incrível!
–Obrigada – Ela disse toda suada. – Mas agora vou recuperar um pouco, estou pedalando faz um bom tempo.
–Hm, eu e as meninas do meu time de vôlei da cidade estamos aqui jogando. Você não quer jogar? Até as meninas do curso de Educação física estão aqui.
–Ah, acho melhor não Jaque – Sora disse com medo.
–Que isso menina vamos jogar! – Ela disse puxando Sora que não tinha como escapar.
Jaqueline queria ver Sora jogando, pois ela apresentava um corpo muito atlético e isso eram indícios que ela jogava bem.
Sora foi colocando sua bicicleta na bicicletaria do parque, e aproveitou para ir ao banheiro e enxugar o suor que estava por todo o seu corpo. Saindo de lá ela foi para a quadra e acabou sendo avistada por Bazz e ele disse:
–Mas que raios você faz aqui?
–Eu estava pedalando por aqui e a Jaque me chamou para jogar.
–E você vai? – Ele perguntou surpreso.
–Só vou ficar as vendo jogarem.
–Hm, suspeitei disso.
–Ei Sora venha jogar com a gente! – Jaqueline disse.
–Não obrigada, daqui a dez minutos eu tenho que voltar a pedalar.
–Hm, então esta bom, mas você esta me devendo uma partida de vôlei! – Ela disse ansiosa para vê-la jogando.
–Ah, ok Jaque. – Disse Sora sem jeito.
–Depois dessa não vai ter como escapar Sora. –Falou Bazz vendo o jogo recomeçar.
–Não sei o porquê que ela fica me chamando toda hora para jogar, parece que ela quer me avaliar e isso é meio chato! – Ela disse baixo para que ninguém escute.
Depois dos dez minutos Sora se despediu do pessoal que estava jogando e de Bazz para voltar a pedalar. Bazz estava acompanhando o jogo quando o homem com quem ele estava falando voltou repentinamente e perguntou a ele:
–Rapaz, qual o nome daquela menina que estava agora pouco?
–Ah, que susto! Não faça isso de novo! – Ele falou arrumando seu cabelo punk roxo que estava bagunçado. – Bem, o nome dela é Sora, por quê?
–Ah, sério?! –Exclamou surpreso. – Eu era treinador de vôlei de Sora quando ela jogava pelo time da cidade.
–Oh, como que a Sora jogava? – Ele disse ansioso para saber.
–Hm, Sora era um caso especial. No primeiro ano em que ela jogou, ela ficava na categoria mirim. Nessa época ela não tinha experiência, habilidade... Enfim ela era uma novata literalmente, aí eu a coloquei como reserva do time e assim foi o ano inteiro. Mas uma coisa que me chamava atenção nela era que ela se esforçava ao máximo todos os dias. E de repente no ano seguinte, em que ela entrou na categoria infantil ela estava muito mudada, quando ela atacava, ela sempre achava uma brecha no bloqueio para conseguir efetuar o ataque, ela conseguia fazer saques do tipo viagem, boas defesas e recepções e a diferença mais acentuada nela foi o salto. Ela saltava feito um jogador de vôlei masculino! E acabou entrando como Ponteira titular. Fora da quadra ela era quieta, não falava com quase ninguém, mas dentro da quadra é totalmente ao contrário.
–Oooooh, não sabia dessa! – Bazz exclamou de queixo caído.
–Mas... Houve uma partida, era a final da Copa regional. O nosso adversário tinha meninas gigantes e o bloqueio delas era inquebrável e nos acabamos perdendo para elas. Depois dessa partida eu nunca mais vi Sora, e o time da cidade se desmontou, cada uma foi para uma cidade jogar.
–Sora comentou disso para mim. Essa partida a deixou com trauma de vôlei. – Bazz disse triste.
–Ah, sério? Por quê? – O treinador perguntou preocupado.
–Sim. Ela me falou que uma amiga dela virou inimiga nessa partida. Parecia que nada dava certo entre as duas.
–Ah, deveria ser a kiyoko, a levantadora da época.
–Ela nunca me falou de detalhes, mas eu sei que depois daquela partida vôlei não tem o mesmo sentido para ela.
–Você é o que dela? Namorado?
–Não! Somos só amigos! – Demonstrou vergonha.
–Hm, entendo. Já esta dando meu horário, daqui a pouco eu vou ter um jogo com o time masculino. – Ele entregou um cartão a Bazz – Esse aqui é o meu telefone para contato. Chame Sora para voltar a jogar com a gente, nos precisamos dela. – Sorriu.
–Ok, eu entrego a ela.
–Até mais rapaz!
–Até!
Bazz pensou: “Com a dívida que ela tem com a Jaque, mais o ex-treinador dela procurando-a... Eu acho que Sora vai ter que jogar e mostrar quem realmente ela é.” – Ele riu – “Sinceramente, de alguma forma estou ansioso pra ver no que isso vai dar.”.
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