Voe, Sora!
3 Cap. 3 – Testando limites.
Notas iniciais
Sora estava completando seu percurso a todo vapor. Sua cadência, respiração e resistência eram sincronizados o que fazia com que ela conseguisse dançar1 por muito mais tempo em sua Road Racer. Todas essas características faziam com que ela seja uma sprinter2 de verdade. Com seu corpo inclinado ela conseguia cortar o vento fazendo com que ele não seja nenhum problema para a sua velocidade.
Na estrada onde Sora pedalava era uma rodovia que levava para a sua cidade e ela não era nem um pouco inclinada, havia alguns obstáculos para que o vento seja barrado, em outras palavras Sora estava em uma zona perfeita para sprintar.
Depois de um tempo ela parou de dançar, pois ela já estava em seu limite. Sora viu em seu relógio e percebeu que seu tiro durou dois minutos e ela pensou:
–“Droga! Até quando eu vou ficar nos dois minutos?! Tudo bem que quando eu comecei a pedalar eu mal conseguia ultrapassar quarenta segundos de tiro... Mas eu ainda preciso evoluir!”. – Ela pensou batendo no guidão da bicicleta ofegante. –“Vou dar uns minutos de descanso e logo eu faço outro tiro!”.
Na ida Sora enfrentou subidas que fez com que ela gastasse bastante energia e isso deveria ser o porquê que ela não conseguiu ultrapassar seus três minutos de tiro. Depois de dez minutos de descanso Sora comeu uma barra de cereal, ainda pedalando, para se abastecer sem precisar parar3.
Um grupo de ciclistas ia se aproximando lentamente de Sora e ela percebeu que era grupo da Universidade de Elite. De cara ela já percebeu: Havia um sprinter que estava cortando o vento e puxando o grupo, o capitão Johnson e provavelmente o ás do grupo estava atrás do sprinter, e em ultimo tinham dois escaladores4 ofegantes tentando acompanhar o ritmo.
Quando o grupo se aproximou, Johnson disse:
–Uma ciclista sozinha numa rodovia dessas não é muito de se ver por aí. Você está precisando de alimentos ou água?
–Não, obrigada.
–Quer se juntar com a gente só por hoje? – Ele perguntou.
–Claro! – Ela respondeu.
–Qual seu nome? Você é especialista em que?
–Bem, sou Sora, uma sprinter.
–Então Sora, você se importa de puxar o grupo? Parece que o nosso sprinter não aguenta mais cortar o vento. Já estamos a um bom tempo pedalando.
Quando Sora viu era Matheus que estava puxando o grupo, todo ofegante. E ela logo respondeu:
–Vou puxar o grupo então.
Matheus viu que era Sora e logo foi falando:
–Sora! Você por aqui?! – Ele disse ficando em ultimo no grupo.
–Sim, eu por aqui. Dessa vez eu não estou indo para a universidade. Eu irei puxar agora, pode ficar tranquilo.
–Uma pergunta antes de você ficar na minha frente. Até onde você vai?- Johnson perguntou a Sora.
–Vou até a cidade mais próxima. Eu sou de lá.
–Ah, então você é a menina em que o Matheus tanto fala. Nos estamos indo para a Universidade de Elite.
–Sim.
–Nos vamos até lá, venha com a gente. – Johnson sorriu.
–Ok.
O motivo de Johnson ter convidado aquela ciclista era ver qual era seu potencial e tentar ver se ele conseguiria convencer ela a entrar no grupo de ciclismo como ajudante, pois os torneios iriam começar e eles estavam sem.
Johnson viu que ela apresou o passo para ficar na frente do grupo, e que ela inclinou seu corpo para cortar o vento e fazer com que o grupo ande e ele logo concluiu:
–“Essa ciclista... é forte com certeza”. – Pensou.
De repente sua cadência aumentou e o grupo conseguiu aumentar sua velocidade. Johnson falou:
–Quando você cansar pode nos avisar.
–Sim, sem problema. – Ela disse.
Johnson pensou:
–“Hm, mesmo com a cadência aumentada ela conseguiu falar sem esforço. Vamos ver até onde ela vai.”.
Depois de um tempo o grupo de ciclistas estavam chegando à cidade e desviaram da rodovia pegando a estrada onde levava a Universidade de Elite. Johnson perguntou a Sora:
–Ei, você esta vendo aquela placa laranja?
–Onde diz dois quilômetros para a Universidade? – Sora retrucou.
–Sim. Lá vai ser onde vamos começar a correr. — Ele disse sorrindo
–Hm? –Ela ficou em dúvida.
–Lá vai ser onde esse grupo não é mais grupo. Vamos fazer uma aposta. Quem chegar primeiro leva a honra.
–Hm, entendi – Ela respondeu. – Então vai ser uma corrida?
–Sim. – Johnson falou sorrindo – E você esta incluída nessa. Sora se não fosse por você, nós não estaríamos aqui agora. Obrigado.
–De nada – Sora respondeu.
Sora pensou:
–“Hm... dois quilômetros... Uma pista plana e sem vento algum é um bom lugar para sprintar. Mas meus rivais depois daquela placa são homens. Bem, um sprinter deve estar cansado. Os dois escaladores não correm tanto numa pista plana. Então... Talvez o meu problema de verdade seja o ás, o Johnson!”. – Sora ficou nervosa – “Bem... Ainda não estou com todas as marchas acionadas e as que mais me dão velocidade eu não acionei ainda. Talvez em um último momento da corrida eu as acione e consiga ultrapassar o ás.”.
Todos estavam pensantes, e principalmente Matheus que sempre via Sora pedalando de manhã:
–“Mesmo quando Sora esta indo para a universidade ela mantém uma cadência rápida. Da sua casa até a universidade são uns cinco quilômetros... E então ela tem resistência.”. – Matheus percebeu que ele estava errado – “Não, só dá para tirar conclusões na hora da corrida. E o jeito é mandar o melhor de si, como todos os dias!”.
Johnson estava pensando em Sora:
–“Essa Sora... Quando eu estou com os meninos treinando sempre a vejo com uma cadência rápida. Vamos ver se ela é capaz de chegar pelo menos em terceira... É uma boa posição para uma garota no meio de quatro meninos.”.
A placa laranja passou pelo grupo e todos começaram a dançar, aumentar suas cadências, e ficarem mais rápidos. Todos já começaram a mostrar seus potenciais, menos Sora. Ela estava entre homens, mas não se intimidou e colocou força nos pedais.
Os escaladores eram novatos então eles ficaram em ultimo. Sora, Johnson e Matheus estavam empatados. Para o capitão experiente do time, Sora não tinha condições de ultrapassa-lo ou ultrapassar Matheus. Ele sorriu e disse a Sora:
–Sua cadência é ótima, mas eu e o Matheus vamos acelerar.
Logo os dois foram tomando distância de Sora, mas quando eles olharam para trás ela estava grudado neles, como um carrapato. Matheus assustou e disse:
–Ah! Como assim Sora?!
Johnson percebeu que além de ser uma sprinter, ela era uma perseguidora também. E bem grudenta. Os dois aceleraram mais o passo e Sora pensou:
–“Quando eu não conseguir mais acompanha-los vou acionar as marchas! Não quero perder fácil essa.”.
Todos já estavam ofegantes e pela contagem de Sora, já se passaram quase quarenta segundos que todos estavam correndo a todo vapor. Ela estava contando o tempo para ver se ela ficaria além dos dois minutos correndo.
Sora percebeu pelo seu ciclo computador que ela estava indo mais rápida do que no seu tiro anterior, lá na rodovia. E logo concluiu que sua resistência iria cair, devido a força que ela estava colocando nos pedais.
Eles já estavam chegando perto da Universidade quando o sprinter e o ás do time começaram o correr mais ainda. Nesse momento eles estavam a todo vapor e Sora estava quase no seu limite, grudada neles. Sora pensou:
–“Droga, quase não consigo respirar! Vou ter que usar as marchas.”.
Ela acionou as marchas e conseguiu ficar na frente deles. Johnson e Matheus ficaram surpresos. Agora todos estavam em seus limites, e nessas horas, o mais incrível acontece: Aquele que tiver a capacidade de pelo menos pensar “Eu consigo”, “Vamos lá” e colocar suas ultimas forças em suas pernas e acreditar que pode, consegue superar seu limite.
–“Não vou perder! Eu sou o sprinter aqui!” — Matheus pensou.
–“Como ás do grupo, irei vencer custe o que custar”. – Johnson também pensou.
–“Parece que o meu coração vai saltar pela boca!... Tsc! Que se dane isso!” – Sora por último pensou.
De repente os dois avançaram para a linha de chegada. Johnson em primeiro, Matheus em segundo e Sora em terceira.
Quando todos chegaram, os quatro meninos e Sora estavam descansando na entrada da universidade, mas Sora ainda estava em sua bicicleta apoiando no muro que guardava a universidade ofegante. De súbito Johnson e Matheus chegaram perto de Sora e Johnson comentou:
–Sora, você fez um ótimo trabalho. Eu pensei que você iria ficar com os meninos novatos, mas ficou na nossa cola.
–Ah, foi mesmo Sora. Você foi incrível! – Matheus sorriu.
Sora não conseguia falar ainda, mas olhou para Johnson com uma cara de quem não gostou. Ela não gostava de perder. Então Johnson meio que a consolou:
–Para você, que é uma mulher, você ficou em uma boa posição. Nós homens, temos força, enquanto as mulheres...
–Sem essa, nos podemos até não ter força, mas o que nos temos é resistência! – Sora o interrompeu.
–É verdade – Johnson a encarou.
Matheus logo foi percebendo a atmosfera estranha que estava entre os dois. E logo perguntou a Sora:
–Você consegue andar? Ainda não saiu da bicicleta.
–Lógico que eu consigo – Ela respondeu descendo da bicicleta, mas quase caiu, pois suas pernas estavam bambas ainda.
–Quer ajuda? – Johnson perguntou.
–Não, daqui a pouco elas estão boas de novo.
–Sora, dês de quando você estava pedalando?
–Das seis e meia Johnson. –Ela respondeu.
–Han? A gente também! Até começamos mais tarde por causa dos novatos! – Matheus comentou.
–Você foi para onde Sora? –Johnson estava perguntando para ligar os fatos.
–Eu fui até a cidade vizinha, aquela que tem um parque da cidade.
–Hm, agora entendo o porquê das suas pernas ficarem assim. Mas... – Ele entregou uma barra proteica de qualidade- Você fez um ótimo trabalho puxando o grupo Sora, mais uma vez, obrigado. – Ele sorriu.
–Obrigada pela barra, mas eu tenho que ir. Obrigada também por me deixarem ficar no grupo hoje, e pela corrida. –Ela disse voltando a pedalar em sua bicicleta. – Até segunda!
–Até segunda! – O grupo de ciclismo da Universidade de Elite disse.
Sora nunca competiu uma corrida, nem ao menos puxou um grupo de ciclistas, e nem disse a eles que ela estava indo a todo vapor pelo percurso inteiro e isso foi o que deixou feliz naquele dia. Ela conseguiu superar seu limite com uns garotos legais do ciclismo da sua universidade mesmo ficando em terceira. E mal ela podia esperar que seu ex-treinador de vôlei estava à espera de um telefonema seu, e nem podia esperar que o capitão do time estivesse querendo que ela fizesse parte de seu grupo, ajudando eles com os suprimentos nos torneios.
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