Você sabe quem eu sou?
4 Capítulo 4. Garota Indecente
Capítulo 4. Garota Indecente
“Posso te ver até em meus sonhos, te vejo até quando tento te esquecer. ”1
Viver trinta e nove anos como mortal e mais mil como imortal, tornaria qualquer homem sábio. Quanto mais experiências, mais aprendemos com a vida.
Pelo menos é isso que se espera.
Eu vi reinados nascerem e morrerem. Vi pessoas cometerem as maiores injustiças e os maiores sacrifícios. Um nobre trancar-se atrás da muralha de seu castelo, enquanto seu povo era dizimado por uma horda de bárbaros. Também vi um padre cuidar de doentes atingidos pela peste até sucumbi pela mesma doença.
Eu conhecia muitas histórias: alegres, tristes, inspiradoras, assustadoras... elas me ajudaram a preencher meu tempo. Minha vida longa e solitária.
Eu sempre vi a vida pela janela ou do alto dos arranha-céus. Sendo eu apenas o agente do momento mágico, o toque do milagre que torna suportável enfrentar a insanidade que é existência humana.
sim, vez ou outra, algo ou alguém me comovia, então, eu descia de meu pedestal e usava meus poderes para tentar mudar uma ou outra vida. Algumas vezes fui bem-sucedido, outras não.
No final, são as escolhas dos mortais que traça a linha de seu destino.
Aprendi a identificar padrões. Eu acabava por adivinhar o fim de cada história. Ocasionalmente, porém, era surpreendido, mas mesmo essa surpresa tinha o seu lugar. Acontecia de tempos em tempos para fechar ciclos.
Então esse homem velho, triste e desiludido que eu era, num dia de chuva cruzou com uma colegial. Nossos olhares se encontraram por um breve instante e então, tudo o que era velho, cansado e sombrio, foi desvanecendo. Ao invés de me sentar no escuro pensando no passado, perdia as noites de sono pensando nela. Na confusão que ela promovia em meu ser.
Eun Tak foi o furacão que varreu a calmaria de meus dias. Um dia ao seu lado e eu era incapaz de prever o que aconteceria a seguir, de ficar indiferente. Ela me confundia, me amedrontava, mas também me fazia rir, me fazia chorar, me colocou diante de dilemas.
Na presença daquela garota, eu fui aos poucos me renovando. E foram tantos sentimentos que o velho coração não soube lidar. Eu fiz amigos, reencontrei inimigos perdidos no tempo. E aprendi a viver.
Não sei se ela era madura demais para sua idade quando nos conhecemos, ou se eu era imaturo demais, tudo o que sei é que no meio do processo, nos igualamos. O amor nos igualou. A impetuosidade dela. A sua generosidade.
E ela me ofertou tanto.
Sua astúcia. O seu ciúme. Cada pequena coisa sobre ela foi preenchendo a minha casa, vida imortal.
Ela me salvou tantas vezes, de tantas formas e cada vez que a salvei de algum perigo, era a mim mesmo que salvava.
Apesar de tê-la perdido precocemente, depois dela eu me tornei um homem melhor.
Esperar foi fácil? Não, mas foi uma espera triste e doce.
— Ele é bonito. — Ouvi uma das amigas de Eun Tak falar.
— Ele é velho. — A outra contestou, me fazendo franzi a testa, detestando o rumo daquela conversa. Principalmente porque a garota tinha razão.
Sabia que a minha situação com Eun Tak era precária, mas não esperava julgamentos tão cedo.
— Ele é perfeito, mais do que eu me lembrava.
— Ele parece ser rico.
— Ele é o presidente do grupo Chunwoo. Ele é dono desse hotel, por exemplo. — detectei o orgulho na voz de minha esposa.
— Um ricaço que gosta de adolescentes? Não gosto dessa mistura.
— Ele não gosta de adolescentes. Ele gosta de mim.
Uma pessoa que conhecia bem a noiva do duende, entenderia pelo tom de voz que ela empregou que aquele era o momento de parar. A amiga parecia ser uma dessas pessoas abençoadas com discernimento.
Eu estava sentado no escuro, olhando para um belo quadro da época renascentista. Aquele artista não ficou conhecido, mas eu particularmente adorava a forma como ele combinava as cores para compor cenas urbanas daquela época.
Que tolice, eu estava na verdade, escutando a conversa de três adolescente, fingindo estar concentrado naquele quadro, numa tentativa tola de acalmar o meu coração. Já havia tentando ouvir música, pensava em ler um livro, mas meus pensamentos estavam concentrados numa única pessoa e uma voz repetia incansavelmente em minha cabeça:
“Eun Tak está de volta. ”
Eu perdi o controle de meus lábios. Sabia que não seria fácil. Nem imaginava como faria nossa vida funcionar, muitos nos julgariam, mas não conseguia desfazer o sorriso que se instalou em minha boca. Sentia a mais genuína felicidade. Um contentamento tão grande que suspeitava que não conseguiria conciliar o sono por dias seguidos.
Tinha tantas perguntas, tantas coisas a contar. E aquele medo irracional de perde-la de vista. Havia também em meio a toda aquela confusão, a sensação da suavidade dos lábios dela ainda fresca nos meus. A mera lembrança fazia minha pele arrepiar. Eu queria ela. Precisava dela, mas tinha plena consciência de que não podia. Ainda não.
Eu era o adulto daquela relação e tinha obrigação de agir como tal. E se levasse em conta a reação da minha “esposa”, essa seria uma missão muito difícil. Mais que com os outros, minha principal preocupação seria ela.
Como eu diria não? Como colocaria barreiras, se em nossa primeira discussão, a ataquei?
E estremecia ao pensar no quão bom foi atacá-la.
Quando nos conhecemos, eu consegui me controlar a maior parte de tempo. Ela era jovem. Eu não tive certeza dos seus sentimentos por tanto tempo, que de algum modo consegui esperar.
Como eu conseguiria lutar contra meu desejo agora?
Havia deixado o quarto dela minutos antes, mas meu coração se recusava a se acalmar. Eu queria mais. Queria o calor do corpo dela no meu. O hálito quente sobre meus lábios.
Cem anos depois e as lembranças ainda estavam nítidas.
Continuar exatamente de onde paramos na outra vida... esse era um desejo que precisava esperar.
De forma cruel, o destino nos colocava de volta ao começo.
As amigas delas me olharam surpreendidas e desconfiadas ao nos flagrar. E não para menos, eu fui encontrado no quarto de uma adolescente e a beijava.
— Ele se lembrou de você?
— Me reconheceu no primeiro olhar.
— Que coisa linda! — A amiga boazinha suspirou.
— Então o marido realmente existe. — A amiga desconfiada persistiu.
— Sim.
— E ele continua dizendo que é um ser mágico?
— Ele nunca me disse que era um ser mágico. Eu sei que é.
— Yeon Woo, embora esteja achando o máximo essa história toda, a Yuna tem razão. — Talvez querendo conceder a dúvidas as duas amigas, a boazinha falou num tom conciliador — Ele é um homem mais velho e não deveria aceitar o convite para entrar o quarto de uma adolescente.
— Ele não aceitou. Eu o invoquei.
— Você o invocou? Yeon Woo, por favor...
Eun Tak, ou melhor, Yeon Woo não respondeu, mas pude ouvi-la se movimentar pelo quarto e quando me dei conta do que ela pretendia, era tarde demais.
Ainda tentei resistir, mas o chamado precisava ser atendido. Era maior que eu.
— Jesus!
— Ai, minha mãe!
As duas amigas de minha esposa exclamaram ao mesmo tempo quando apareci subitamente na frente delas.
Eun Tak sorria, segurando um palito de fósforo recém-apagado.
Lidar com uma adolescente sempre foi algo complicado. Lidar com três, sendo que duas delas estavam histéricas por descobrir que duendes existiam e pior, havia um no mesmo quarto que elas era angustiante.
— O senhor produz ouro?
— Basta apagar uma chama para chama-lo?
— O senhor pode aparecer em qualquer lugar?
— Tudo o que a Yeon Woo lembra é verdade?
Eu estava participando de algum tipo de interrogatório. Antes que tentasse responder a qualquer pergunta, porém, alguém bateu na porta.
— Inspeção.
— Meu Deus, a professora!
Era como se eu fosse um contraventor. De novo, um pervertido ouvido tudo o que se passava no quarto de três garotas.
A professora entrou no quarto, verificou tudo. Reforçou o aviso que elas não tinham permissão de sair depois das vinte horas. Também reforçou que deveriam dormir cedo, pois o dia seguinte seria cansativo.
Nas horas seguintes, andei pelo quarto impaciente, enquanto ouvia três adolescentes falarem sobre mim. Isso me garantiu momentos constrangedores.
— Ele beija bem?
— Muito!
— Você vão transar?
— É claro! Sabe há quanto tempo eu espero por ele? Ele tem um cheiro tão bom! E aqueles braços? Sabem que ele foi um militar?
— Aposto que aquelas roupas escondem muitos músculos.
— Vocês nem imaginam!
Depois de horas tagarelando sobre mim, elas se recolheram.
Em meu quarto, eu até tentei também dormir, mas foi inútil. Meu coração estava inquieto com os planos de minha jovem esposa.
Em algum momento senti fumaça saindo de minhas mãos, tentei resistir novaMENTE, mas logo estava de volta ao quarto das garotas, exatamente na cama de Eun Tak.
— Por que você demorou?
Olhei em volta. As outras garotas pareciam estar dormindo. Depois olhei para ela com seriedade. Era hora de impor alguns limites.
— Ah, essa garota! Como você pode me invocar para debaixo de seu lençol?
Sem se intimidar, ela me abraçou enquanto nos cobria com o cobertor.
— Eu quero dormir abraçadinha com você, Ahjussi.
— Você é uma colegial, garota suja, não pode dormir comigo.
Eu tentei brincar, mas aquilo a inquietava. Eu percebia que ela estava cansada de esperar, cansada de viver conforme regras.
— Eu não sou uma colegial. Eu sou a esposa do Duende! A sua esposa.
Eu queria encontrar uma resposta que não terminasse em discussão.
— Podemos nos ver amanhã.
— Eu quero você agora.
E me abraçou, com braços e pernas, descansando o rosto na curva do meu pescoço, antes que eu conseguisse interpretar aquela frase.
— Eu senti sua falta Ahjussi.
“ Eu também. ”
Permitir a resposta apenas em pensamentos.
Era bom estar ali, naquele calor. Tão bom que silenciei. Vencido, coloquei meu braço envolta da cintura de Eun Tak, deixei o cheiro do shampoo que impregnava seus cabelos invadisse meus sentidos.
O criador ainda encontrava formas dolorosas de me punir e aquela era uma nova modalidade, uma modalidade cruel.
Senti os lábios de minha “esposa” deslizarem por meu pescoço, meu queixo. Eu sabia o que ela pretendia, mas havia tanto calor entre nós, que só me deixei levar. Fazia tanto tempo que eu não sentia o seu toque, seu gosto, a pele dela na minha.
As amigas dela estavam ali, naquele quarto, eu não deixaria as coisas irem tão longe, eu só...
Parei de pensar quando os lábios macios alcançaram os meus. Era isso que eu precisava. A saudade, o desejo... eu dormi por tanto tempo numa cama fria, vazia, que mal teria eu me permitir só um pouco?
Fui eu quem trouxe o corpo dela para cima do meu. Assim como também fui em quem pressionou os quadris dela contra os meus.
O beijo tornou-se mais profundo, nossas línguas se buscavam, esfregaram. Quando a mão dela entrou sob a camisa do pijama que usava e eu interrompi o contato dos nossos lábios em busca de ar, mas ela não me deu muito espaço, buscou com violência minha boca, enquanto se esfregava contra mim.
A razão veio ao meu socorro nesse momento e eu segurei os quadris dela firmemente para que eles paralisassem. Ainda cedendo a tentação só um pouquinho mais, mordisquei seu lábio inferior, antes encostar minha testa na dela.
— Não para! — Ela implorou num choramingo.
— Eun Tak...
— Yeon Woo. — Ela corrigiu.
— Precisamos parar.
— Só mais um pouco.
— Eun Tak.
— Yeon Woo. — Corrigiu outra vez com doçura enquanto me beijava de novo.
Com muito esforço, consegui afastar a boca da dela.
— Por isso mesmo devemos parar, você já não é Eun Tak, minha esposa. É uma adolescente que precisa ter a vida de uma adolescente. Hoje foi seu primeiro beijo, não acho certo...
— Quem disse que hoje foi o meu primeiro beijo? — Me interrompeu frustrada.
A pergunta fez meu estômago queimar.
Virando de lado, coloquei aquela garota pervertida sobre o colchão, antes afastar o coberto de nossas cabeças.
— Como é?
— Você não está dizendo que eu tenho que ter uma vida normal de adolescente? As garotas do século XXII são muito diferentes das do século XXI.
Posso apostar que uma súbita fumaça azul despendia de meu corpo, mas isso intimidava minha esposa?
— Você é uma mulher casada. — Tratei de lembra-la enquanto respirava fundo buscando me acalmar.
— Ah, Ahjussi, precisa decidir, ou eu sou uma jovem solteira, logo disponível, ou eu sou uma mulher casada. Não posso ser os dois.
Aquela garota seria o meu fim. Em cem anos eu apenas me apeguei as coisas boas, havia esquecido o quanto ela podia ser difícil.
— Você é uma jovem comprometida. Não pode ficar por aí beijando qualquer um.
— Mas se o meu marido fica me tratando como criança, eu tenho que buscar homens que me tratem como mulher.
Aquela peste conseguiu de novo me encurralar.
Eu conhecia aquele discurso. Ouso dizer que ele é tão velho quanto o tempo. Variações dele foram usados em Goryeo por meus soldados para convencer a suas noivas e esposas a fazerem o que eles queriam.
Já vi aquela conversa de muito rapaz de má fama em seus impulsos sedutores.
O que eu nunca pensaria era que ele seria usado por minha prometida de dezoito anos para conseguir meus favores sexuais.
É isso, duende, bem-vindo ao século XXII!
Certo, eu tinha mais de mil anos e ela só dezoito. Para ser justo, somando as duas vidas, ela tinha quarenta e sete. Logo, era eu quem precisava pensar e agir com maturidade.
— Será que você não percebe eu estou fazendo isso para o seu bem?
— O meu bem é você.
— Você ainda é virgem.
— A única nesse quarto. Isso tecnicamente, porque eu lembro exatamente de tudo! Você nem precisa fazer nada, se não quiser, é só ficar parado enquanto eu ajo.
Diante dessa última tirada, eu precisei fazer uma pergunta:
— Que tipo de pessoa você se tornou garota indecente?!
Eu estava frustrado. Como se pede a uma adolescente que ela seja razoável?
Depois de ser expulso do quarto de minha esposa na noite anterior, eu não dormi mais. Logo nas primeiras horas, de posse do roteiro do passeio do dia, me adiantei para discretamente estar nos lugares antes do grupo escolar.
Eu as observava de longe. Eun Tak sabia que eu estava ali, mas me ignorava. Ainda estava furiosa. Naquele momento, ela era uma estudante normal, conversando com as amigas, rindo a toa e sendo cercada por garotos. Era tão jovem como quando a conheci. Talvez um pouco mais e isso enchia de ciúmes e medo o meu coração.
E também assustava. Ela era apenas uma estudante.
Ainda não era o nosso tempo. Por mais doloroso que fosse admitir, ela ainda não estava pronta para viver um relacionamento adulto comigo. Por mais que ela quisesse. Por mais que eu quisesse.
E foi exatamente por isso, que em fim, voltei para o hotel. Não ficava bem um adulto perseguindo uma jovenzinha.
— Já está de volta, senhor? — Perguntou o empregado destinado a cuidar de minhas necessidades naquele dia.
— Sim.
— Quer que eu mande servir o seu almoço?
— Não. Eu estou bem. Quero apenas ficar um pouco sozinho.
— Talvez queira jogar um pouco.
— Eu estou bem. Jogamos em outro momento. Quero descansar um pouco, depois ler. Se precisar de algo, chamo. Não se preocupe.
— Como queira.
Não sei precisar quanto tempo estive ali até escutar a campainha. Eu sabia que era ela.
Quando abrir a porta ela passou por mim como um tornado.
— Por que o Ahjussi foi embora?!
A ausência de cumprimentos. O tom de birra e as mãos repousando nos quadris. Ela estava furiosa.
— Estava cansado e um adulto seguindo um grupo de estudantes é sempre algo suspeito.
— Você é o meu namorado. Não há nada demais em um namorado acompanhar a namorada. Eu tenho dezoito anos, em dois meses terei dezenove e em quatro, serei maior de idade.
Não refutei seu discurso. Ela queria brigar e eu não lhe daria munição para isso. Fechando a porta, segui para o meu quarto me perguntando como ela me encontrou. Embora não houvesse câmera na ala do hotel que me atendia, a vigilância fora era intensiva.
Acomodando-me no sofá, esperei que ela despejasse toda a sua fúria.
— Pensa que eu não sei o que você foi fazer?
Outra vez fiquei em silêncio, apenas franzi a testa em confusão.
— A cozinheira peituda!Eu sei que você foi atrás da cozinheira peituda!
— Que cozinheira peituda?!
Então me recordei da chef do restaurante. Eu sabia que ela era agradável aos olhos, mas nunca tinha parado para observá-la com atenção. Ela era peituda?
— A Chef do restaurante de ontem. Sei que você foi almoçar lá.
— Eu ainda não comi, vim direto para o hotel.
Percebi que a desconsertei com minha resposta.
— Não foi?
— Não.
— Então porque você veio embora?
Olhei atentamente para minha esposa adolescente, medindo o quanto da verdade ela poderia suportar.
— Foi muito incômodo ver você no meio daquelas crianças. E saber que você era uma delas.
Ela me olhou impotente. E eu aproveitei seu silêncio, para prosseguir.
— Na outra vida você era solitária, não tinha família, amigos na escola. Foi fácil te trazer para minha vida, não havia outra opção. Pulamos etapas por causa daquela situação extraordinária. Agora você tem tudo isso, como eu posso tirar de você? Como eu posso tirar de você a possibilidade de crescer bem? Fazer você deixar de viver plenamente em nome de um amor do passado?
— Eu não tenho o direito de escolher?
— E se essa for a escolha equivocada?
— Eu sou jovem. Posso cometer alguns erros.
Eu sabia que ela não aceitaria tão fácil. Ficamos ali, eu sentado, ela de pé, nos encarando.
— Você não sente falta de mim?
— Todos os dias.
— Eu passei anos da minha vida como paciente psiquiátrica. Passei quase três anos de minha vida dopada e internada, em nome do meu bem-estar. Como quando eu finalmente descubro que não sou louca, você me pede para esperar?
— Eun Tak.
— Yeon Woo. — ela me corrigiu.
Aquele não era o nosso único ponto de atrito., então mais uma vez nos encaramos.
Algo mudou. Assisti um brilho de determinação incendiar os olhos de minha esposa.
Eun Tak, melhor, Yeon Woo desatou a gravada que compunha o uniforme escolar e atirou no chão. Depois seguiu para os botões do casaco.
— O que você está fazendo?
Ela não respondeu. Pouco depois deixou o casaco cair no chão.
— O que você está fazendo? — Insisti, empoleirando-me sobre o sofá.
— Uma escolha que você não tem coragem de fazer.
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