Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

5 Capítulo 5 - "Você é minha luz..."


Notas iniciais
Música do Capítulo: Whitney Houston - You Light Up My Life

O ambiente na delegacia não era mesmo dos melhores, mas todos os seis estavam lá. Ninguém se importava com o segundo dia de aula. Rachel precisava dos 4 amigos e da namorada com ela, e todos precisavam estar perto.

A morena se recusou a contar os detalhes na frente de Quinn, pois mesmo sabendo que a relação dela com o pai já não existia, em sua cabeça, ele continuava sendo o pai dela e seria terrível ouvir aquelas coisas assustadoras sobre ele. Mas a loira virou uma leoa quando a pediram para sair da sala. Nem Santana conseguiu contê-la. Então Rachel entendeu que nada faria Quinn se sentir melhor e quanto menos ela soubesse, mais preocupada ela ficaria.

A morena relatou o fato ao delegado, enquanto outro policial registrava seu depoimento. Tentou conter o nervosismo, mas relembrar de cada detalhe, de cada palavra, da mão de Russel apertando seu pescoço, fez o choro voltar. Quinn segurava em sua mão com força, dando-lhe o máximo de estabilidade emocional que podia. A loira tentava conter suas próprias emoções.

Delegado Stone: Pronto, Srta. Berry! Temos seu depoimento e investigaremos acerca do paradeiro do Sr. Russel Fabray. Precisamos que faça um exame de corpo de delito, para analisar as marcas da agressão.

R: É mesmo necessário? [perguntou angustiada]

Delegado Stone: Sim. Temo que sim. Acompanharei a senhorita ao andar de cima, para que o médico possa examiná-la. Por sorte, ele está aqui agora.

Quinn acompanhou Rachel e sentiu seu corpo queimar em ódio ao rever as marcas no braço e no pescoço da namorada, que tinham ganho contornos arroxeados. A morena portou-se bem. Já não se sentia tão mal quanto se sentiu enquanto dava seu depoimento. Após feito o exame, voltaram à sala do delegado, que passou algumas instruções:

Delegado Stone: A senhorita não deve ficar sozinha. Nem andar sozinha pela rua. Também não deve dirigir o veículo, já que ele o reconhece. Por enquanto, acho que não deve ser vista com a senhorita Fabray.

R: Como assim?

Delegado Stone: Se essa é a condição para que ele a deixe em paz, esse não é o momento para mostrar que não irá cumprir. Precisamos ter mais informações sobre o paradeiro dele.

R: Eu não quero deixar de viver minha vida normalmente por causa dele. Se eu vou estar acompanhada o tempo inteiro, que mal tem que seja com ela? [disse irritada]

Q: Ele acabou de dizer, Rach. E ele tem razão. [disse calma]

R: Então nós não vamos mais sair juntas? Teremos que ficar trancadas em casa para que eu possa ficar com você?

Q: Já fizemos isso antes por opção. O que custa agora fazermos por necessidade? Por segurança. [disse firme] E não é pra sempre. É até ele ser achado.

R: Estamos em Nova York, Quinn! Nem você sabia que ele estava aqui. Você acha mesmo que a polícia vai encontrá-lo? [perguntou incrédula]

Delegado Stone: Isso a senhorita vai ter que confiar. Deixe que façamos nosso trabalho e não dificulte as coisas.

Rachel sabia que estava fazendo confusão sem razão. Que todos estavam certos, mas ela não queria sentir que as coisas iriam mudar. Queria voltar à rotina e esquecer o que houve. Dividiram-se em dois táxis, pois Quinn deixou o carro na delegacia para ser analisado. A morena manteve-se em total silêncio. Ela já não estava triste, estava irritada. A loira preferiu não insistir e a deixou quieta. Não trocaram nenhuma palavra durante o caminho. Santana e Brit observavam tudo quietas, prontas para ajudar no que fosse preciso.

Kurt e Blaine chegaram primeiro ao prédio e ficaram esperando as amigas no hall. Quando as garotas chegaram, o porteiro as abordou para entregar as correspondências e uma entrega especial para Rachel. Era um embrulho elegante, de muito bom gosto. Todos estranharam a ausência de remetente. E quando a morena abriu, seu coração bateu irregular. Dentro havia um bilhete com o número “29” e uma flor morta. Ela deixou que caísse no chão e ficou sem ação:

R: Ele... ele... [tentava falar, mas estava assustada demais]

“Ele sabe onde moramos”, era o que ela queria dizer. E o pior, ele estava fazendo contagem regressiva para o fim do mês. O sangue de Quinn ferveu em suas veias:

Q: Quem entregou isso? [perguntou demandante]

Porteiro: Um garoto de entregas. [respondeu assustado]

Q: A partir de hoje, não receba nada sem me consultar, ok?!

Porteiro: Sim, senhorita! [respondeu rapidamente]

Rachel subiu apressada, seguida pelos amigos. Quinn foi logo atrás. Antes, a loira ligou para o delegado e contou sobre o ocorrido. Ele mandou dois policiais irem até o endereço dela e pegarem a encomenda. Um deles ficaria no prédio para garantir que ela ficasse em segurança.

Quando a loira entrou no apartamento, procurou rapidamente por Rachel, que estava no quarto com Kurt. Todos os outros estavam na sala, assustados com a situação surreal em que elas se encontravam.

Q: Meu amor, não vai acontecer nada! [disse ao entrar no quarto, tentando acalmá-la]

R: Como você pode ter certeza? [perguntou irritada, chorando] Ele sabe onde eu moro, onde eu estudo... E parece dedicado a cumprir o que prometeu! Não como eu que já descumpri. E descumpri por sua causa! [acusou] Eu não queria ir à polícia! Eu não deveria ter ido! Ele vai me matar, Quinn! [gritou] Ele ia fazer isso daqui a um mês! Mas agora que eu fui à polícia, ele vai fazer isso mais cedo. Talvez amanhã! [chorou mais]

Q: Calma, Rach!

R: Calma?! Você fala assim porque não foi com você! Como eu posso ficar calma? [irritou-se]

Q: Que absurdo é esse que você está falando?! [disse completamente surpresa]

R: É fácil mandar ficar calma quando não é com você! [permaneceu irritada]

Q: Não é comigo?! Como você ousa dizer que não é comigo? [gritou]

Santana ouviu os gritos das duas e entrou no quarto e, junto com Kurt, tentou conter a discussão. Não fazia sentido estarem brigando. O que estava acontecendo? Rachel estava apavorada e não pensava antes de dizer. Sequer percebeu a seriedade do que dizia. Sequer pensou no quanto magoava Quinn...

S: Vem, Q! Vamos pra sala! [tentou puxá-la]

Q: Não! Eu não vou sair daqui! [soltou-se de forma ríspida]

R: Me deixem sozinha! Eu quero ficar sozinha! [gritou]

Q: Eu não vou sair! Não vou deixar você sozinha! [insistiu]

R: Eu disse “sozinha”! Isso quer dizer que é sem ninguém, incluindo você! [disse agoniada]

S: Vem, Q! [puxou-a]

Quinn não entendia o que estava acontecendo. Por que Rachel estava agindo daquela forma com ela? A morena também não entendia. Não sabia porque estava sendo tão agressiva. Mas precisava ficar sozinha e não conseguiu se controlar. Estava arrependida das coisas que tinha falado, mas não queria sair do quarto. Resolveria isso depois. Resolveu tomar um banho quente demorado e depois se encolheu debaixo do edredom.

A leoa que Quinn foi mais cedo, ainda estava lá, na sala, mas se acalmando aos poucos, conforme Santana tentava ajudar. A loira se sentiu culpada desde o primeiro segundo que soube que Russel tinha ressurgido e sentiu-se ainda pior depois das coisas que a namorada disse. Kurt, Blaine e Brit saíram para comprar algo para comerem. Quinn não comia há muitas horas. A loira tinha se acalmado. Havia sentado no sofá, e ficou encarando um ponto qualquer na parede por um longo período, no mais absoluto silêncio. Santana sentou-se no chão à sua frente e esperou pacientemente que a amiga falasse alguma coisa:

Q: Ele nunca me bateu, sabia?! [disse apática, ainda com os olhos vidrados no mesmo ponto] Nunca! Nunca foi violento. [a voz era calma, quase baixa] Por muito tempo não tivemos diálogo porque ele não se sentia confortável pelo fato de eu saber mais do que ele. Mas no resto do tempo, apesar de ser autoritário, machista, preconceituoso e hipócrita com as outras pessoas, ele me tratava como uma princesa... Nos tratava, aliás. Pelo menos no que eu me lembro... Ele passou a se orgulhar de mim quando eu me tornei popular. Era como se aquilo significasse que eu era normal, e não só um gênio, com o bônus de me destacar entre os normais, claro! [deu um sorriso triste] Quando eu me tornei capitã das Cheerios e presidente do Clube do Celibato ele fazia questão de me encher de presentes e perguntar sobre o meu dia em todos os jantares. Ele estava orgulhoso... Mas em todas as épocas, não importava o quanto ele era distante ou presente, o quanto ele se incomodava com minha inteligência ou se orgulhava da minha popularidade, ele nunca me bateu... [uma lágrima escapou] Apesar de tudo, ele me protegia! Como aquele homem que me protegia se tornou esse monstro? Quando? Se eu me esforço para tentar lembrar eu só posso concluir que foi um pouco antes de me expulsar de casa. Minutos antes... Quando eu quebrei todo o encanto de "princesinha do papai"... Eu o transformei nesse monstro! [concluiu firme]

S: Isso não tem nada a ver, Q! [repreendeu]

Q: Por que ele apareceu? [finalmente, encarou a amiga] Ele me expulsou da vida dele, me abandonou quando eu mais precisei. Por que ele apareceu assim? Do nada! Por minha causa ele... [parou e respirou fundo] Esse homem que ameaçou a Rachel... A MINHA Rachel, não parece o mesmo que me acordava feliz em meus aniversários, com flores e panquecas... [disse sofrida] Porque, isso era uma tradição. Nos nossos aniversários, ele fazia questão de que nossos dias começassem felizes. Que contradição é essa? Como aquele pai se tornou no homem que me expulsou de casa e que agora machucou a Rachel? A minha Rachel... [as lágrimas escorriam por seu rosto] Eu sei que ele sempre foi contraditório, mas isso é demais! É inexplicável! E é minha culpa, S... Minha!

S: Pare com isso, Q! [repreendeu com mais intensidade]

Q: Eu não me perdoaria se algo de muito grave acontecesse com ela.

S: Não vai acontecer! [garantiu]

Q: Você sabe que ela é tudo pra mim! [começou a chorar forte] Você sabe... Ela é meu tudo! Eu não posso deixar que nada de ruim aconteça com ela. Eu não posso! [soluçava] Passamos por tanta coisa em um ano que pensei que tudo seria normal de agora em diante. Superamos nossas inseguranças e imaturidade. E quando tínhamos tudo para ficarmos bem, aquele homem reaparece e quer fazer das nossas vidas um inferno?! Por quê? [chorava ainda mais]

S: Calma, Q! Nós vamos cuidar dela. [tentava acalmá-la] Mas você acha mesmo que as ameaças dele foram sérias? Acha mesmo que ele seria capaz de ferir ou matar? [perguntou verdadeiramente confusa]

Quinn não respondeu de imediato. Levou as mãos à cabeça e respirou fundo. Uma, duas, três vezes... Olhou em direção ao corredor que levava ao quarto e o silêncio que vinha de lá indicava que Rachel devia ter dormido. Um pouco de paz para a morena, num dia tão difícil:

Q: Eu não sei. [finalmente, disse] Não duvido... Eu não conheço esse homem que ele se tornou, então não sei do que ele é capaz...

Algumas horas depois já era noite e Rachel acordou. Sua cabeça doía e os olhos pesavam de tanto chorar e de cansaço. Olhou ao redor e nem sinal de Quinn. Lembrou-se do que houve mais cedo e se arrependeu. Levantou-se e saiu do quarto devagar.

Santana tinha ficado o tempo todo ao lado de Quinn, mas a loira pediu para ficar sozinha no fim da tarde. Ela ficou duas horas sentada na mesma posição, olhando em direção à janela. Pôde ver a tarde virando noite e as luzes da cidade surgirem...

Rachel caminhou pelo corredor e percebeu que a luz da cozinha estava acesa, mas a da sala não. Santana havia acendido porque sabia que quando a noite chegasse, Quinn ficaria em completa escuridão por opção. Quando a morena chegou na sala, viu a namorada sentada no sofá, com o celular na mão e olhar perdido. Sentiu um aperto no coração...

R: Onde está todo mundo? [perguntou com a voz ainda pesada de sono]

Q: Já foram... [disse sem se mover]

Rachel viu as sacolas de compra sobre o balcão da cozinha e percebeu que tudo estava intacto.

R: Você comeu alguma coisa? [perguntou baixo]

Q: Não. Nem você... [manteve o tom apático]

R: Eu não quis dizer aquelas coisas... [tentava se desculpar]

Q: Mas disse... [respondeu ainda apática]

R: Desculpa, eu...

Q: Eu falei com a Amber. [interrompeu] Você vai ficar um tempo na casa dela. [disse, finalmente, olhando para ela]

R: O quê? Como assim? O que você quer dizer com isso? [perguntou assustada]

Q: Eu não devo ficar perto de você, até que o encontrem. Eu não sei o quanto isso é realmente perigoso. [continuava apática]

R: Quinn, eu não vou ficar longe de você! Eu...

Q: Você tem razão! [interrompeu novamente] Eu não sei o que você está sentindo. Então eu não posso pedir que você se acalme, quando não é comigo. Como você falou...

R: Eu não quis dizer isso... [tentava consertar]

Q: Eu sairia, mas ele já sabe onde moramos. Então não é seguro você ficar aqui. Eu falei com o delegado e ele mandou um policial ficar à nossa disposição. Mas haverá troca em turnos. Eles ficarão fazendo a segurança da casa dela. Você não precisará se preocupar. Você também estará segura em NYADA. [explicou]

R: Não! Eu não vou ficar sem você! Desculpa! Desculpa pela forma como agi! Eu estava apavorada! [começou a se explicar, tentando fazer a loira mudar de ideia]

Q: Assim como você pensa que eu não sei como você se sente, eu posso garantir que você não sabe como me sinto. [encarou-a] Pensar que você está passando por isso por minha culpa, dói mais do que você pode imaginar...

R: Não é culpa sua! [disse firme]

Kurt abriu a porta com Blaine, sem saber que as duas conversavam:

K: Desculpem! Eu não sabia... Eu só vim...

Q: Na hora que eu pedi. [complementou] Obrigada por vir!

R: O que está acontecendo? [perguntou confusa]

Q: Kurt e Blaine vão dormir aqui. Vão lhe fazer companhia.

R: Você me faz companhia!

Q: Não mais! Por enquanto...

R: O quê?

Q: Não é seguro você sair à noite para a casa da Amber, mesmo com toda a proteção. Eu não quero que você se exponha assim. Se ele estiver por aí, rondando nosso prédio, eu quero que ele me veja saindo. Que pense que conseguiu o que queria.

R: E para onde você vai?

Q: Não importa! Só importa que você fique segura. [disse indo ao quarto buscar algumas coisas]

Rachel a seguiu rápido, querendo desfazer isso o que a namorada já tinha organizado:

R: Você não vai sair daqui! Nós vamos enfrentar isso juntas! Já resolvemos tantas coisas e nos prometemos nunca nos separar. Eu não vou deixar você se separar de mim!

Q: Não estamos nos separando. Isso é para o seu bem e é temporário.

R: Nada é para o meu bem se não tenho você por perto!

Quinn colocava roupas numa bolsa, quando a morena tomou da mão dela e jogou longe:

R: Você não vai sair daqui! Nós vamos continuar juntas nisso, como sempre foi!

Q: Agora é diferente! [elevou a voz] Agora você corre perigo! [foi em direção às coisas e voltou a juntá-las]

Rachel começou a chorar. Sabia que não convenceria Quinn do contrário.

R: Eu te amo! Me desculpa pelo que eu falei. [chorava mais]

Quinn se aproximou dela e deu-lhe um beijo na testa:

Q: Eu não estou indo por causa disso... [disse calma] Eu te amo mais... [sussurrou] Você é minha luz e eu não vou deixar que você se apague...

Notas finais
Antes que se preocupem e sintam raiva de mim, ressalto que não se separaram. Isso está claro, né?! Peço que confiem em mim. Essa decisão da Quinn vai ser muito útil e vai ajudá-las... ;) Espero que confiem, gostem e comentem! Beijos!