Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
6 Capítulo 6 - Lugar seguro...
Notas iniciais
Três dias tinham passado e as duas estavam péssimas. Quinn parecia um animal enjaulado se segurando para não ir atrás de Rachel. Ela não queria dar bandeira. Se Russel estivesse por perto, veria o caminho que seria feito e saberia que elas não terminaram. A loira perdeu a paciência e tentou avançar sobre o delegado quando ele sugeriu usar a morena como isca para atraí-lo. Quinn não queria expor a namorada. Tudo era uma incógnita. Russel era imprevisível. Arriscar não era uma opção.
Rachel não se alimentava direito. Ficava calada na maior parte do tempo e se recusou a ir para a aula. Amber insistiu, mas ela não quis. Por sorte, havia um policial de vigília. A morena sabia que tinha dito coisas pesadas para Quinn e que, mesmo que a loira tenha tentado amenizar a mágoa, ela sabia que a tinha chateado. Mas o mais difícil era ficar longe dela. Na segunda noite separadas, ouvir a voz uma da outra, era a única coisa que as aproximava:
Q: Está tudo bem aí? [perguntou preocupada]
R: Claro que não! Eu queria estar com você... [disse chorosa]
Q: Meu amor... É para o seu bem... [tentava manter-se calma]
R: Mas é tão difícil ficar sem você... [choramingava] E também sinto saudades dos nossos amigos. Até da Santana! [enfatizou] Estou numa casa que não é minha, num quarto que não é meu e sem você... Sem você que é minha casa... Eu não quero isso... [começou a chorar forte]
Q: Vai passar logo, meu amor. Por favor, aguenta! Logo tudo volta ao normal... [tentava acalmá-la]
R: Você não sabe disso! Você não pode garantir isso. [chorava mais]
Q: Rach... Por favor, entenda!
R: Até quando? Até quando eu vou ter que ficar longe? [perguntava agoniada]
Q: Eu não sei, meu amor! Eu não sei... [respondia agoniada, louca para ir até ela]
R: Sinto sua falta... E eu não estou falando por falar. Sinto falta do seu cheiro...
Q: Eu sei... Comigo é igual...
Amber precisou ligar para Quinn e contar que Rachel não comia e não queria ir à aula, então a loira a convenceu a agir normalmente, que ela não poderia deixar de fazer as coisas dela por causa disso. A morena acabou cedendo e voltou à NYADA. Estava assustada, claro! Em meio às pessoas, esperava que Russel aparecesse a qualquer momento, mas ficava tranquila ao ver que o policial que a acompanhava estava em seu campo de visão. O dia transcorreu relativamente bem. Ela e Quinn haviam combinado de trocar mensagens a cada 30 minutos e, para que a loira soubesse que era mesmo ela, Rachel teria que finalizar a mensagem com algum insulto que Santana já tinha direcionado a ela, sem repetir nenhum. Estava funcionando e a morena era pontual. Eram 14:36 quando Quinn olhou para o relógio e percebeu que a mensagem das 14:30 não havia chegado. A primeira coisa que fez foi sair da sala de aula e tentar ligar para Rachel. O celular chamava sem parar e a morena não atendia. Ligou para Amber e ela disse que, naquele momento, estavam em aulas diferentes. A loira continuou tentando ligar e nada. A preocupação começou a dominá-la. Ligou para o policial que fazia a escolta de Rachel em NYADA e ele garantiu que estava tudo bem e que a morena estava em segurança desde a hora em que ele trocou de turno com o outro policial, às 14h. Aquilo soou como uma bomba para ela, que insistiu que a morena estava em perigo. Ligou para o delegado que concordou com ela e mandou algumas viaturas para o local.
Tudo o que ela conseguia pensar era que naquela troca de turno, Rachel ficou indefesa. E ela não estava errada... Em um dos muitos banheiros existentes em NYADA, a morena encontrava-se apavorada:
Russel: Eu disse “nada de polícia”, cantorinha! [dizia entredentes, enquanto a segurava pelo pescoço, encostada na parede] Você tinha um mês de vida, agora eu serei obrigado a antecipar sua partida...
Rachel não conseguia falar, muito menos gritar. A porta trancada, com um aviso de “manutenção”, daria a ele tempo para executar seu plano. Ela já não tinha esperanças de que sairia dali viva... As lágrimas desciam sem parar pelo rosto dela e o ar ia ficando cada vez mais escasso.
Russel: Eu poderia acabar com você rapidamente e eu disse que não iria sujar minhas mãos com você, mas não teria graça. Prefiro tirar seu ar aos poucos, para que você sofra mais... Quero ver sua vida medíocre se esvair pelos meus dedos... [dizia com um sorriso assustador] Sabe, cantorinha, pessoas como você destroem a sociedade, destroem famílias. Mas eu não posso culpar você totalmente. Seus pais, aqueles pecadores, são os culpados por você ser assim. Eu te dei uma chance de sair da vida da Quinnie, de não manchar ainda mais o sobrenome Fabray, mas você desprezou...
Ele a ergueu, apertando sua garganta, deixando-a ainda mais desesperada. Em um momento de explosão de fúria, ele a empurrou violentamente contra a parede, fazendo com que ela batesse com a cabeça muito forte, deixando-a zonza. Mas ela não desmaiou, mesmo que suas preces fossem para que ficasse desacordada. Ela pedia em silêncio para perder a consciência e não sentir a tortura que ele programava. Mas ela estava acordada e ciente... Outra pancada na cabeça e ela vomitou. Ele deu-lhe um soco forte no estômago e voltou a apertar seu pescoço, só que com mais força, fazendo-a se engasgar. Ela continuava zonza e voltou a vomitar, então ele a acertou no rosto. Quatro fortes socos e ela caiu no chão. Ainda estava consciente... Novamente ele a ergueu e apertou seu pescoço:
Russel: Cansei de brincar. [disse sério, com uma fúria gigantesca nos olhos]
Rachel fechou os olhos. Aceitou que não sairia dali. Tudo terminaria naquele momento. Seus sonhos na Broadway, seus planos de futuro com Quinn. Tudo se desfazia diante das mãos do pai de seu amor. Aquele que deu a vida à pessoa mais importante para ela, agora tirava sua própria vida, sem qualquer remorso. A cada progresso na pressão que ele fazia em seu pescoço, ela ia se despedindo silenciosamente da vida que teve e da que não chegaria a ter. Incrível como em questão de segundos, toda sua curta história passou em sua mente como um filme, o que a fez chorar de novo. Era cedo demais para dar adeus a tudo. Para dar adeus à Quinn. Mais uma forte pancada na cabeça e o aperto mais forte de todos em seu pescoço e tudo ficou escuro... Rachel parou de respirar.
A luz era muito forte e ela não conseguia identificar do que se tratava, nem entendia onde estava. Seus olhos abriam devagar, como se nunca tivessem feito isso. Era uma sensação nova a de acordar depois de morrer. Ela estava morta? Não tinha certeza, mas sabia que conhecia aquele cheiro... Ela estava no hospital e Quinn estava a seu lado. Os olhos vermelhos da loira indicavam que ela havia chorado.
Q: Hey, meu amor... bem-vinda de volta. [disse com um sorriso choroso]
R: Eu estou viva? [perguntou confusa]
Q: Sim! [sorriu] Você está!
R: O que aconteceu? [permanecia confusa]
Q: Ele está preso, meu amor! [disse aliviada]
R: Como? Não tinha ninguém... [parecia algo impossível]
Q: Você não enviou a mensagem das 14:30 e eu estranhei. Acionei a polícia que fez buscas por toda NYADA. Um dos zeladores estranhou a placa de “manutenção” e a polícia invadiu o banheiro. Ele ainda apertava seu pescoço... [fechou os olhos com força ao contar]
Rachel começou a se lembrar e estremeceu. Levou as mãos ao rosto e sentiu o inchaço provocado pelos socos que levou. A dor no estômago, no pescoço... A cabeça latejando...
R: Acabou mesmo? [perguntou insegura, chorando]
Q: Acabou, meu amor! Acabou! [disse segura, enquanto sentava-se à cama e a abraçava]
O choro de Rachel ficava cada vez mais forte, até provocar-lhe soluços. Quinn acariciava suas costas com carinho, dizendo o quanto a amava em seu ouvido. A morena se apertava a seu corpo e a loira percebeu que ela nunca tinha usado tanta força em um abraço.
Santana, Brittany, Kurt, Blaine e Amber estavam emocionalmente exaustos no corredor. Todos tinham feito companhia à amiga, durante as três horas que ela dormiu. Os sedativos que foram dados a ela garantiram que dormisse um bom tempo. Rachel não precisaria ficar no hospital. Quinn chamou o Dr. Lawrence e ele cuidou da morena. Fez todos os exames necessários para analisar os ferimentos e concluir que nenhum deles era grave. Ela poderia ir para casa naquele mesmo dia. A polícia aguardava o laudo médico para que servisse de prova no processo que Russel responderia.
A ficha ainda não tinha caído. Rachel ainda não entendia direito o que tinha acontecido. Não via Quinn há dias e agora ela estava ali, ao seu lado. Tinha começado o dia tranquilamente e se sentia segura ao saber que tinha um policial de olho nela. Como que tudo terminou com ela no hospital? Ela começou a entender quando se viu chegando em casa. De volta ao seu apartamento, com os amigos ao seu lado e sua namorada segurando sua mão com força. Era real... Quinn agradeceu a eles pelo apoio, mas pediu para ficar sozinha com Rachel. Levou a morena ao banheiro e a despiu. Tirou a própria roupa e entrou com ela debaixo do chuveiro. O abraço mais perfeito do mundo fez Rachel amolecer. Toda a rigidez provocada pelo pânico ficou para trás. Nos braços de Quinn ela se sentiu protegida. A loira distribuía beijos delicados sobre sua pele, passeando pelos ombros, pelo queixo, pelo nariz... Era tudo muito delicado. Tudo muito leve. Era muito amor... E a morena sentia isso.
Quinn teve todo o cuidado de não deixá-la se ver no espelho. Rachel sabia que seu rosto estava marcado pelos socos, mas ver seria muito pior. Pelo menos naquela noite, ela queria ignorar sua própria imagem. Queria saber mais detalhes sobre a prisão de Russel, mas deixaria isso para depois. Naquele momento, tudo o que ela queria, era se deixar ser amada por sua namorada. Quinn não se desgrudou dela um segundo sequer. Levou-a até a cozinha com ela e preparou sopa para as duas. Sentou-se com ela no sofá e ligou a tv para assistirem “Funny Girl”. Lágrimas silenciosas escorreram pelo rosto de Rachel que sentia em cada poro de seu corpo o amor da loira se manifestando. Tinha Quinn sentada atrás de si e o calor do corpo da namorada a confortava. Comeu um pouco da sopa e logo se aconchegou no colo dela. Tudo o que Quinn queria dizer naqueles gestos era que elas estavam seguindo em frente e que ela sempre faria de tudo para deixá-la feliz. E Rachel entendeu perfeitamente o recado...
Q: Eu te amo... Mais do que tudo! Eu te amo... [sussurrou no ouvido dela]
R: É tão bom estar em casa! É tão bom sentir você... [disse intensa, com os olhos fechados]
A morena ainda estava sonolenta, sob efeito dos sedativos. Antes que o filme acabasse, Quinn desligou a tv e a levou para o quarto. Mesmo com Russel preso, ela sabia que Rachel demoraria a se sentir completamente segura, então trancou a porta para garantir que ela ficasse tranquila. Deitou e puxou a morena para seu colo, que se aconchegou rapidamente. Quinn deslizou o dedo indicador pela mandíbula dela até chegar ao queixo e o ergueu. Quando seus olhares se cruzaram, Rachel percebeu que os olhos da loira estavam marejados:
Q: Me desculpa por isso, meu amor... Desculpa não ter te protegido! Desculpa ter colocado aquele monstro em sua vida. [dizia agoniada]
R: Ei... Pára com isso. [disse com a expressão séria] Não é culpa sua, meu amor... [amenizou o tom]
Q: É sim... [insistiu] Se eu não estivesse em sua vida, ele jamais se aproximaria.
R: Se esse é o preço que eu tenho que pagar para ter você comigo, enfrento quantos “Russel” existirem. [disse com um sorriso suave]
Q: Vira essa boca para lá! [falou rapidamente]
R: Eu te amo, Quinn! Tanto que ficar longe de você é sufocante. Quando estou em seus braços, sinto que nada de ruim pode me acontecer. Você é o meu amor, meu lugar seguro... Então não se culpe. Não faz sentido! Você é minha fortaleza...
Quinn deu-lhe um demorado beijo na testa. Ela não queria apenas fazer Rachel se sentir segura. Ela também precisava senti-la de novo. Sentir que ela estava bem, que estava protegida. A simples ideia de perdê-la a enlouquecia. A menor noção de que ela sentiu dor a deixava furiosa. Russel estava preso, mas para ela, isso ainda não era suficiente. Ela nunca pensou que se sentiria assim e a pressão em seu peito indicava o quanto aquilo era difícil, mas ela preferia que ele tivesse morrido. E ela pedia, silenciosamente, perdão a Deus por isso...
Notas finais
1) A manutenção do site no domingo acabou me impedindo de postar.
2) Estava tudo certo para atualizar ontem, mas quando eu terminei o capítulo, não gostei e reescrevi inteiro. Está completamente diferente do que seria. E confesso que vocês gostarão mais assim do que da forma que seria. ;)
Por favor, comentem!
Beijos!
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