Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

19 Capítulo 19 - Beth (parte 1)...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Kiss - Beth (Versão Glee)

H: Eu pensava que ele tinha sido um bom pai na infância da Quinn e que a havia matriculado em aulas de música e esportes para estimulá-la. [dizia frustrado]

J: Não era por isso. Ele queria que ela convivesse com crianças “normais”, porque ele achava que ser um gênio era uma aberração. Não entrava na cabeça dele que poderia ser normal uma criança saber mais do que o pai dela.

H: Confesso que ele nos enganou...

J: Russel sempre foi um homem charmoso. Mantinha uma pose elegante. Todos pensavam que nossa família era bem estruturada, mas não era. As garotas o tinham como herói, até que perceberam que ele não era um bom pai mesmo. Ele sabia ser agradável e fazer dos aniversários delas dias especiais, mas tudo o que interessava a ele mesmo era prestígio e popularidade. Só Deus sabe o quanto me arrependo por ter ficado do lado dele e contra minha Quinnie... [havia um arrependimento sincero em sua voz]

Os Berry estavam com Judy na cozinha, ajudando a levar o almoço para a mesa, enquanto Rachel e Quinn estavam no quarto da loira. A conversa entre eles estava ficando um pouco tensa, pois Hiram queria tentar entender como aquele homem aparentemente normal tinha se transformado num homicida e tinha tentado matar sua filha.

L: Deixa isso pra lá, Hiram... O que importa é que nossa estrelinha está bem e não vale a pena ficarmos insistindo nesse tipo de assunto.

J: Eu concordo com você, Leroy! Eu não sei como elas duas conseguem, mas estão sendo fortes. Não quero que fraquejem trazendo esse assunto à tona.

No quarto, Quinn tentava se acalmar. Estava ansiosa para ver Beth e não sabia como reagiria ao ver sua filha pessoalmente depois de tanto tempo:

R: Tenta relaxar, meu amor!

Q: Eu não consigo. [andava de um lado para o outro] Eu não sei se foi uma boa ideia marcar com a Shelby de ir lá hoje. Não sei se estou preparada...

R: E quando você estará? [perguntou calma]

Q: Eu não sei... E se a Beth não lembrar de mim? [perguntou com a voz chorosa, cheia de insegurança] Se ela não gostar de mim?

R: É claro que ela lembra! [levantou-se para se aproximar dela] Você viu os vídeos onde ela te reconhece na foto... E ela vai gostar de você, meu amor! [segurou em seu rosto] É claro!

Q: Eu preciso de um calmante! [moveu-se para buscar]

R: Não precisa! [segurou-a pelo braço] Vai dar tudo certo!

Quinn se sentou e respirou fundo, tentando não entrar em pânico. Rachel sentou ao seu lado e passou a deslizar a mão em suas costas, sentindo que o corpo da namorada ia relaxando ao seu toque. Depois de um longo silêncio, a loira se levantou ainda sem dizer nada e abriu o closet. A morena a seguiu com o olhar, esperando entender o que se passava. Quinn pegou um presente embrulhado com um tema infantil:

Q: Quando eu saí da sua casa mais cedo, passei numa loja e comprei um presente pra ela. [disse tímida, fazendo Rachel sorrir com a doçura dela] Eu sei que ela gosta de peixes, então eu comprei um de pelúcia.

R: O Nemo? [perguntou sorrindo]

Q: Sim! Ela adora o Nemo... [sorriu de volta]

R: Que excelente escolha, Quinn! [disse carinhosa]

Q: Eu também adorava peixe quando era criança... [parou um pouco e sua respiração pesou] Será que tem a ver? Será que ela herdou isso de mim?

R: Com certeza! Essa é só uma das poucas coisas maravilhosas que ela herdou de você!

Q: Me abraça? [perguntou com a voz falha]

Rachel não respondeu. Levantou-se rápido e abraçou a namorada forte, sentindo o aperto dos braços dela ao redor de si. O corpo da loira tremia de medo e a morena distribuía beijos delicados em seu pescoço, sussurrando que a amava...

J: Pensei que tinham desistido de almoçar! [disse sorridente quando elas desceram para se juntar a eles]

R: Sua filha é um problema para comer. Você sabe, né?! [piscou-lhe sorrindo]

J: E como sei! [sorriu de volta, revirando os olhos]

Sentaram-se e começaram a se servir. O tempo inteiro Rachel e Quinn trocavam olhares cúmplices, enquanto Judy e os Berry conversavam sobre os mais variados assuntos. Foi no momento em que as duas buscaram pela tigela de purê de batatas ao mesmo tempo que o clima mudou:

L: O que é isso, Rachel Barbra Berry?! [perguntou assustado]

R: O quê, pai? [assustou-se com o tom de voz]

L: Essas alianças que vocês estão usando! [apontou] Não me diga, pelo amor de Deus, que vocês noivaram e você nos escondeu isso! [levava a mão ao coração]

Q: Não! Não noivamos! [adiantou-se em esclarecer]

R: São anéis de compromisso... [respondeu encabulada, sabendo que devia ter falado para eles]

J: E vocês não pensavam em nos dizer?

Q: Desculpa... [corava de vergonha]

H: Eu tinha percebido o lindo anel em seu dedo, filha, mas só faz sentido agora, vendo que a Quinn também usa um... [sorria em completo contraste à reação de Leroy]

L: Isso está indo longe demais, Rachel! [disse emburrado]

R: “Isso” o quê, pai? [perguntou irritada] Vamos ter essa conversa quantas vezes mais?

L: Quantas forem necessárias até você crescer! [exclamou]

R: Eu já cresci! Será que o senhor não consegue ver?

L: Não! Eu não consigo!

H: Pare de birra, Leroy! Isso está ficando ridículo!

L: Não é birra! É só que...

Q: Me desculpem! A culpa é minha... [atraiu a atenção de todos] Eu comprei os anéis e passamos a usar. Eu não tenho o costume de falar sobre a minha vida e acho que acabei influenciando a Rachel a ser mais discreta do que o normal também. Talvez por isso ela não tenha falado antes. E outras coisas acabaram acontecendo. Nos distraímos e não dissemos nada nas férias, mas...

L: Nas férias?! [interrompeu] Faz tanto tempo assim?! [surpreendia-se frustrado]

H: Como não percebi antes que as duas usavam uma aliança tão linda?

R: Pára com isso, pai! [encarava Leroy]

L: Parar como, se cada hora é uma surpresa? Tem mais alguma novidade que nós não sabemos?

R: Tem! [respondeu decidida]

L: Oh meu Deus! [levou a mão à testa]

Rachel levantou-se e começou a erguer a lateral da blusa. Quinn ficou tensa, sem acreditar no que ela estava fazendo. Ninguém entendia nada, até que a tatuagem se revelou para todos:

L: Uma tatuagem?! [exclamou alto, visivelmente irritado]

H: É linda, filha! [sorriu se aproximando para ver melhor]

L: Eu não acredito que você apoia, Hiram. Ela marcou o corpo dela...

H: Com uma declaração de amor... [interrompeu sorrindo, com um ar superior]

Leroy ficou confuso. Estava tão preocupado em reclamar que sequer tinha prestado atenção na tatuagem em si. Ficou em silencio ao ler: “Q, I love you more...”

J: Eu não gosto de tatuagens, mas devo admitir que essa ficou linda, Rachel! [disse sorridente, recebendo um olhar sincero de gratidão de Quinn, que sabia que a mãe estava se esforçando para melhorar o clima]

R: Eu já sou adulta, pai. [sentou-se] Eu moro com a minha namorada. A gente se ama e materializou isso em um par de alianças de compromisso. E mesmo assim eu quis marcar meu amor na minha pele. [Quinn estava completamente corada] Nenhuma demonstração de amor jamais será capaz de mensurar corretamente o que sentimos... Por favor, pare de dar piti na frente da Judy, que foi muito educada em nos oferecer este almoço. E, principalmente, pare de dar piti na frente da Quinn, que tem sido perfeita e que me faz mais feliz do que qualquer pessoa no mundo!

H: Eu acho que você deve pedir desculpas à Quinn, Leroy!

Q: Não precisa! [manifestou-se rapidamente, tentando não piorar a situação]

H: Precisa! [insistiu]

L: Eu não... Eu não disse nada à Quinn. [defendia-se] Não disse nada, não foi?! [olhava para a loira em busca de apoio]

H: Mas você está agindo como um pai antiquado e mimado.

Q: Por favor, vamos deixar isso pra lá! Eu quero me desculpar novamente, de verdade!

H: Você não tem que se desculpar, Quinn!

Q: Mas eu quero! Leroy... [recebeu a atenção dele] Eu entendo que seja difícil ver sua filha crescendo, mas eu preciso dizer que ela se tornou uma mulher maravilhosa! [Rachel sorriu corada, apertando a mão da loira carinhosamente por baixo da mesa] Ela sempre será uma criança pra você, mas ela já não é uma garota imatura. Ela sabe o que faz e eu a amo! Eu não posso, nem quero impedir que ela cresça. Mas posso te garantir que estarei crescendo com ela.

H: Isso foi quase um pedido de casamento! [cutucou o marido sorrindo]

L: Você está me provocando, Hiram! [murmurou, mesmo que estivesse cedendo]

Todos riram, ainda que nervosos e o clima ficou mais leve...

Durante todo o caminho até a casa de Shelby, Quinn manteve-se no mais absoluto silêncio. Rachel sabia que ela precisava daquilo, então não falou nada também, deixando a namorada perdida em seus próprios pensamentos. Quando pararam em frente à casa branca com portas azuis, a loira soltou a respiração de forma pesada. Era chegada a hora...

Q: Obrigada... [disse baixinho, antes de descer do carro]

R: Pelo quê? [perguntou suavemente]

Q: Por ter vindo...

R: Você não precisa agradecer, meu amor...

Q: Eu posso tudo se tenho você comigo... [disse intensamente]

R: Quinn... [sorriu nervosa, sabendo que se a loira continuasse falando, ela não conseguiria não chorar]

Q: Você me faz forte, me dá coragem... [olhou-a com os olhos marejados] Obrigada! [estendeu a mão para acariciar o rosto da namorada]

Rachel a puxou e a abraçou forte, mas não disse nada. Ela simplesmente não conseguia dizer nada sem impedir que as lágrimas caíssem por seu rosto. Foi a morena quem tocou a campainha, enquanto Quinn segurava o presente para Beth com uma força excessiva, como se aquele peixe de pelúcia pudesse dar a ela o suporte que precisava. Quando Shelby abriu a porta, recebeu as duas com um grande e sincero sorriso, apressando-se para abraçar Rachel com força:

Sh: Como é bom te ver! Por que você insiste em não dar notícias? [sorria e repreendia, feliz demais para ser chata com ela]

R: Desculpa! [recebia o abraço confortável, sorrindo encabulada]

SH: Precisamos conversar! E uma longa conversa, senhorita! [disse divertida] Oi, Quinn! [sorriu amavelmente]

Q: Oi, Shelby! [respondeu tímida, visivelmente nervosa]

Sh: Ela é só uma criança, Quinn! Não precisa ter medo... [sorriu] Venha! [puxou a loira para entrar]

A cada passo, era como se ela pudesse ouvir o barulho do atrito de seus pés com o chão. Era como se estivesse andando em câmera lenta. Na verdade, era como se sua vida estivesse numa velocidade muito menor. Cada segundo era um mês, um ano, uma vida inteira... Rachel manteve-se parada ao entrar, deixando que a loira caminhasse sozinha até a sala, avistando Beth sentada no sofá, vendo TV. O coração de Quinn quase parou. Um nó se formou em sua garganta e o mundo além das paredes daquela casa pareceu perder todo o sentido. Tudo se resumia naquele lugar, naquele momento, naquela garotinha. À sua frente estava a mais perfeita réplica dela mesma, um pedaço de sua existência, uma linda garotinha loira, com um vestido rosa impecável e uma tiara da mesma cor na cabeça. Claramente, Beth estava vestida de forma especial para recebê-la. E a menina sabia que esperava por alguém importante. Ela não precisou chamar para que a criança percebesse sua presença. Beth virou o rosto e se deparou com a moça linda que vivia em vários porta-retratos na sua casa. A mesma que seu pai mostrava na tela do celular. A “princesa” que cantava nos vídeos da escola que ela assistia quase todos os dias e que dava saltos bastante altos com uma roupa branca e vermelha. Ela estava tímida, mas essa timidez estava presente nas duas. Ninguém saberia dizer se era coisa do momento ou se era obra da genética. Shelby puxou Rachel para a cozinha e deixou que Quinn pudesse ter um momento único com sua filha.

A loira se aproximou mais e, ainda nervosa, sentou-se no sofá, ao lado da menina. Em nenhum momento, Beth fez menção de se afastar. Em nenhum segundo sequer, ela se retraiu. O coração de Quinn que antes ameaçava parar, agora disparava como um louco:

Q: Oi, Beth! [disse com a voz mansa e um pouco trêmula] Tudo bem? [a garotinha assentiu com a cabeça] Você sabe quem eu sou?

B: “Kim”! [respondeu rapidamente, ainda assentindo com a cabeça]

Q: Que bom que você sabe! [sorriu amplamente]

B: Bonita você... [disse com uma suavidade igual à que a loira possui]

Q: E você é linda! [sorriu emocionada] Ah... [moveu-se rapidamente] Eu trouxe um presente pra você! [entregou-lhe o embrulho]

Os olhos de Beth brilharam e a menina ficou ansiosa para abrir. As mãos pequenas não conseguiam desfazer o laço...

B: “Abe?” [apontou o embrulho pra ela]

Q: Abro sim! [antecipou-se, revelando o peixe-palhaço de pelúcia]

B: Nemoooooooo! [gritou vibrando, arrancando uma gargalhada de Quinn]

A loira não esperava e seu corpo estremeceu novamente quando a garotinha se jogou em seu colo animada:

B: “Bigada”! [agradecia feliz]

Os bracinhos pequenos, o corpo minúsculo, o cheiro de criança... Quinn não conseguiu evitar chorar. Sua memória viajou para três anos antes, quando ela dava à luz aquela garotinha perfeita que estava em seus braços. Mesmo que ela estivesse usando uma suave lavanda infantil, a loira ainda conseguia sentir seu cheiro natural, o mesmo que sentiu quando a enfermeira a colocou em seus braços pela primeira vez. Aquele cheiro jamais sairia de sua mente. Beth jamais deixaria de ser dela de verdade...

[CONTINUA...]

Notas finais
Este foi um dos capítulos mais difíceis de escrever, porque as palavras não saíam. Tanto, que precisei cortá-lo em duas partes. Eu choro ao pensar nele...
Pretendo postar a parte 2 amanhã.
Espero que gostem!
Comentem!
Beijos!