Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
18 Capítulo 18 - "O verdadeiro amor espera..."
Notas iniciais
LIMA, OHIO — MANSÃO FABRAY:
J: Filha, você não devia ter ido sozinha! [repreendeu]
Q: Eu precisava! Precisava encará-lo! [disse firme]
J: Ele não podia ter dito as coisas que disse! Ele não tem esse direito! [dizia irritada]
Q: Mas falou... Eu me sinto tão envergonhada por ter algum vínculo com ele. [começava a chorar] Eu não o sinto mais como meu pai e isso deixa um vazio tão grande! É como se uma parte de mim fosse uma sombra. [seu choro aumentava] Como se meu passado fosse um borrão...
J: Oh filha... [dava-lhe um abraço terno, tentando acalmá-la]
Q: Eu tenho me fechado. [tentava conter o choro para falar] Tenho poupado Rachel desses meus sentimentos, mas ela me conhece. Tem sido paciente, mas ela sabe que tem coisa errada.
J: Converse com ela, Quinnie! [olhou-a nos olhos]
Q: Eu não posso... Ela está bem! [exclamava] Contrariando todas as expectativas, ela está muito bem! Qualquer pessoa em seu lugar teria ficado traumatizada, mas ela não! [um sorriso nervoso, mas orgulhoso, surgia em seu rosto] Ela tem sido muito mais forte do que sempre foi. É como se ela valorizasse mais as coisas agora. E eu não posso tirar isso dela. Não posso fazê-la regredir.
J: Não é uma regressão dividir problemas com quem se ama. [enfatizava]
Q: Eu sei que você ainda não entende completamente o nosso relacionamento, mamãe. Mas ela é o amor da minha vida! [dizia intensamente, com um brilho inconfundível no olhar] Ela é a minha razão pra tudo. Eu só sei ser feliz com ela e por ela... Eu sei que somos jovens, mas também sei que não quero dividir minha vida com mais ninguém além dela. Por isso, eu sou capaz de qualquer coisa para cuidar dela! Qualquer coisa!
J: Eu já compreendo com mais facilidade, filha... [disse tranquila, com um sorriso compreensivo]
Q: Bom... [pigarreou] Então eu preciso te dizer que tenho uma reunião segunda com um advogado. [disse um pouco tensa] Vou contratá-lo para auxiliar na acusação do Russel.
J: Como assim?
Q: Eu preciso ter certeza de que o trabalho da promotoria está sendo bem feito. Não que eu duvide disso, mas com um advogado meu auxiliando, terei a certeza de que tudo será usado contra ele. Eu não quero que ele saia daquela cadeia. Ele não pode sair! [disse firme] E me desculpe... Eu não estou pedindo sua opinião, nem vou pedir da Frannie. Por mais que eu as ame e por mais que respeite, estou comunicando que é o que vou fazer. Eu sinto muito se isso chatear vocês, mas como eu falei: eu sou capaz de qualquer coisa para cuidar dela. Até de matá-lo, se preciso for!
J: Não fala isso, Quinnie! [repreendeu]
Q: É a verdade! [disse calma]
J: Não quero nem pensar nisso... [fechou os olhos com força] Mas não se preocupe quanto ao advogado. Você tem e sempre terá todo o meu apoio. [encarou-a com sinceridade] E tenho certeza de que terá de sua irmã também...
LIMA, OHIO – CASA DOS BERRY:
R: E ela fica calada a maior parte do tempo... [havia frustração em sua voz]
H: Vocês não têm conversado?
R: Eu já deixei claro que sei que tem algo errado e que estou pronta para conversar. Enquanto ela não se dispõe, eu respeito seu silêncio.
H: Você não acha que há espaço para abordar o assunto que você pensa ser o problema? [perguntava calmamente]
R: Não penso que seja só um, papai. [moveu-se para pegar mais café] Sei que ela anda com ciúmes do Finn. A gente não o vê com frequência. Ele mora no mesmo prédio, mas faz um tempo que não o vemos. Mas, mesmo assim, a simples consciência de que ele está perto já a faz se sentir mal. E é o tipo de coisa contra a qual eu não posso me indispor. Ela sabe que eu a amo e sabe que eu não sou capaz de magoá-la. Principalmente com ele! [enfatizou] Mas ela não consegue se livrar da sensação ruim que ele causa nela. Mas também não é só isso. Tenho certeza de que ela ainda está se culpando pelo que aconteceu. [fechou os olhos com força, tentando expulsar a raiva que ainda sentia pelos danos causados por Russel] Por mais que já tenhamos conversado, ela ainda se responsabiliza...
H: E como você está lidando com o que aconteceu, filha? Eu e seu pai quase morremos de angústia aqui! Foi muito difícil atender ao pedido da Quinn para ficarmos longe de Nova York antes de prenderem o Russel. E quando ele foi preso, vocês foram para Londres. Quando voltaram, você preferiu que esperássemos... Envelhecemos dez anos de preocupação! [gesticulava com intensidade, apontando para as rugas que, supostamente, eram novas]
R: Que exagero, papai! [finalmente sorriu] Eu estou bem! Melhor do que pensei que ficaria... Tive meus dias difíceis, mas a força que a Quinn me deu foi fundamental. E os meus amigos também, claro! Mas ela... [suspirou com um sorriso] Ela é fantástica! Deus! Eu nunca pensei que seria tão amada na minha vida! Ela me dá tudo... Tudo o que eu nem sei que é possível dar... Eu estranhei minha forma de encarar as coisas depois. Achei confusa minha ausência de medo pessoal. Eu já não me sentia correndo perigo. E tudo isso foi por tê-la ao meu lado. Mas ela absorve tudo. Ela guarda a dor dela para curar a minha.
H: Isso sim que é amor! [levou a mão ao coração]
R: Eu sei que é amor, mas me preocupa. [disse sincera] Eu gostaria que o senhor conversasse com ela. Como psiquiatra... [pedia preocupada] Eu queria que ela conversasse com um profissional. Eu tenho medo de que ela esteja guardando muita tristeza.
H: Eu não sou o mais indicado a conversar com ela, filha. Nossa proximidade me impede de afastar as emoções.
R: Não precisa ser uma análise profissional, então! [insistia] Só tenta enxergar mais do que eu sou capaz...
H: Vou ver o que posso fazer. [sorriu tentando confortá-la]
R: Enquanto isso, eu vou tentando fazer o que ela faz por mim... Tentando curar a dor dela, que é muito maior do que a minha.
H: E de que forma você está fazendo isso?
R: Amando! [disse rápido] É a única forma que ela aceita. Ela não se deixa ser cuidada, mas se permite ser amada. E dessa forma, eu encontro atalhos para cuidar dela, sem que ela perceba. Pacientemente eu espero que ela se coloque em minhas mãos e me deixe cuidar dela. O verdadeiro amor espera...
H: Isso é quase um casamento, filha! [piscou-lhe]
R: Para mim, é como um! [disse sincera]
L: Mas você ainda é minha garotinha, estrelinha! [enfatizou assustado]
R: E sempre serei, pai! [respondeu tranquila] Mas é assim como eu me sinto: casada! [sorriu]
L: Vocês são muito jovens! [resmungou]
R: Já falamos sobre isso tantas vezes, pai! [segurou em seu braço, acariciando ternamente] O senhor já deveria ter se acostumado.
L: Nunca vou me acostumar... Você sempre será uma criança para mim. [continuou resmungando, mas demonstrando que estava cedendo]
R: Então essa é uma discussão que nunca terá fim, já que sempre serei uma criança aos seus olhos... [sorriu divertida]
L: Casada... [murmurou contrariado]
R: Sabe como eu me sinto quando estou em NYADA? [chamou a atenção dos dois]
H: Feliz? [tentava adivinhar, animado, como se fosse um Quiz]
L: Realizada?
R: Com saudades... [respondia sorrindo]
L: Como assim?
R: Eu passo o dia com saudades dela... Em qualquer lugar, em qualquer situação, eu sinto falta dela. Agora, por exemplo... Tudo o que eu queria era que ela estivesse aqui conosco. Que me tivesse em seu colo e cheirasse meu pescoço, como ela sempre faz... [fechou os olhos brevemente, imaginando a loira ao seu lado] Eu passo o dia esperando vê-la de novo, para contar como foi meu dia e para saber como foi o dela. Eu provoco qualquer tipo de conversa apenas para forçá-la a falar e ouvir sua linda voz. É o som mais bonito que existe! [sorria apaixonada] Eu fico hipnotizada quando a vejo sentada na mesinha do quarto organizando as contas de casa, ou lendo os livros complicados que só ela entende, em nossa cama. A forma como ela mantém nossas coisas organizadas, sabendo sempre como encontrá-las. Quando ela prepara o café da manhã com as coisas que eu gosto e com a paciência com que ela estuda comigo... Ela me envolve em seus braços como se ali fosse o mundo inteiro. E para mim, é... [suspirava profundamente] E quanto mais o tempo passa, mais eu me sinto assim... Ela me apoia em tudo e se desdobra para me garantir que eu sempre terei o que quero. Eu adoro o fato de olhar ao meu redor e ver que as coisas no apartamento são “nossas” e não mais “minhas” ou “dela”. Nada me faz mais feliz do que ser “nós” com a Quinn... Fora as outras coisas que ela me faz sentir e que eu não posso falar porque vocês são meus pais... [corou]
L: Claro! [respondeu rápido, antes que ela falasse algo comprometedor] Não precisa falar! [repreendeu]
H: Que coisa linda, estrelinha! [sorria emocionado]
R: Eu encontrei o amor da minha vida cedo, pai. [olhava para Leroy, falando com a voz calma] Que sorte a minha! [sorria] Pois passarei uma vida bem mais longa sendo feliz... Feliz com o meu verdadeiro amor...
L: Você está usando as palavras de um jeito diferente agora... [tentava esconder que também havia se emocionado com as palavras da filha]
R: Minha namorada é um gênio! Aprendi com ela... [piscou-lhe divertida]
Rachel dormia quando sentiu o colchão ceder atrás de si. O cheiro inconfundível invadiu seu olfato, fazendo surgir um sorriso em seus lábios:
R: Fugiu de casa? [perguntou baixinho, ao sentir os lábios de Quinn em seu pescoço]
Q: Senti sua falta... [sussurrou enquanto sentia a morena se virar no abraço, ficando de frente pra ela]
R: Pensei que eu ia poder me gabar, exaltando minha maturidade por não ter sido caprichosa dessa vez e ter reagido bem por você dormir na casa de sua mãe e eu aqui aí... [Quinn a calou com um beijo urgente]
Q: Senti sua falta... [repetiu ao separar seus lábios]
R: E eu a sua, meu amor... [sorriu carinhosa, distribuindo beijinhos carinhosos pelo rosto da loira]
Q: Minha mãe vai preparar um almoço especial amanhã. Ela pediu pra convidar seus pais. Eu já falei com eles quando cheguei. Tudo bem?
R: Claro! [respondeu continuando com os beijinhos]
Q: E tem outra coisa... [disse temerosa]
R: O quê? [afastou-se para olhá-la, percebendo o tom com que a loira havia falado]
Q: Eu falei com o Noah e... [a morena não conseguiu esconder certo ciúme, mas manteve-se quieta] A Shelby me deixou ver a Beth... [disse com a voz falha]
R: Jura? [Quinn assentiu com a cabeça fechando os olhos] Meu amor, que bom! [sorriu com ternura, acariciando seu rosto]
Q: Você viria comigo? [perguntou tímida] Por favor! [pediu com a voz quebrada]
R: Você ainda pergunta? [surpreendeu-se] É claro que sim, meu amor! É claro que sim! [garantiu carinhosa]
Q: Eu preciso de você ao meu lado e... [tentava explicar]
R: Eu sempre estarei ao seu lado! [interrompeu] Sempre! [garantiu]
Q: Eu te amo! [abriu os olhos novamente, olhando-a intensamente]
R: Eu mais... [sussurrou]
Q: Não! [negou com a cabeça] Eu mais... [insistiu]
R: Oh discussão sem fim! [cantarolou divertida]
Quinn sorriu como há muito tempo não sorria. Rachel a abraçou e sentiu que a namorada tremia. Ela sabia que era difícil pra ela falar sobre Beth e agora estava prestes a revê-la. Não fazia ideia de como seria... Beijou-lhe a testa demoradamente antes de se deixar levar pelo sono...
R: Boa noite, meu amor...
Notas finais
Fico feliz por gostarem do amadurecimento da Rachel! :)
Espero que gostem e comentem!
Beijos!
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