Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

17 Capítulo 17 - Rachel sempre sabe...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Alanis Morissette: Everything

A febre de Quinn oscilava, o que deixava Rachel bem preocupada. Santana sabia que grande parte disso não se devia à chuva. Era normal a loira ter febre emocional sempre que passava por um momento ruim. Só que dessa vez, Rachel não sabia que Quinn estava angustiada. Não sabia ainda...


Durante toda a noite, a morena acordou diversas vezes para averiguar a situação em que se encontrava a namorada. Deixou água e remédio ao alcance e sempre a cobria quando percebia que ela estava com frio. Não era bem numa situação como essa que Rachel queria cuidar de Quinn, mas ela não podia negar que se sentia bem tendo sua garota embaixo de suas asas... Durante toda a manhã, esteve ao lado dela, lendo um livro, mantendo o máximo de silêncio para não incomodá-la. Acariciava os cabelos loiros e beijava-lhe a cabeça, mesmo que pensasse que Quinn não sentisse. Ela sentia tudo... O tempo em que se manteve inconsciente foi curto. No restante, sentia cada gesto de carinho de Rachel. Os abraços delicados, os beijos leves na testa, no canto dos lábios. O cuidado em mantê-la agasalhada, confortável... A presença! Estava fraca, estava triste... Isso facilitava sua dormência. Houve um momento em que dormiu de verdade, surpreendendo-se ao acordar e já não ver Rachel no quarto. Teve dúvidas quanto a se levantar. Sua cabeça doía muito, assim como seu corpo. A curiosidade, e por que não dizer a saudade (?) também, fizeram com que a loira saísse em busca da morena. Encontrou-a na cozinha cantarolando Barbra Streisand com o som baixo. Usava uma blusa branca grande, facilitando a identificação de que era uma das blusas de Quinn. Ela caía de um lado, deixando o ombro direito exposto. O tecido fino facilitava a visualização para se constatar que Rachel não usava sutiã. A pequena calcinha deixava seu corpo ainda mais bonito... Quinn estava com febre, estava fraca, estava triste, mas não estava morta. Sentiu seu corpo se arrepiar ao admirar o corpo da namorada. A morena se virou para buscar algo na mesa e viu que a loira estava acordada.


R: Hey! [sorriu se aproximando] Você está bem? [levou as mãos à testa e ao pescoço dela, para sentir a temperatura] Você ainda está com febre, meu amor... Volta pra cama!

Q: Quero ficar com você...

R: Estou preparando sopa e chá. Eu levo pra você daqui a pouco.

Q: Não quero ficar lá sozinha...

R: Quinn! [repreendeu carinhosa]

Q: Por favor... [pediu baixinho]

R: Ok. [cedeu com um sorriso] Senta aqui! [guiou-a até a mesa] Eu vou me apressar e voltamos para o quarto...


Quando Rachel se virou para voltar ao fogão, Quinn segurou em seu pulso e a puxou rápido, fazendo a morena sentar em seu colo:


R: Hey! [surpreendeu-se]


O sorriso travesso da loira fez a morena se derreter.


Q: Quero um beijo! [disse com um autoritarismo dengoso]

R: Quer? [arqueou a sobrancelha sorrindo]

Q: Hum hum...


Rachel juntou seus lábios delicadamente, roçando devagar, sem pressa, enquanto arranhava a nuca da loira carinhosamente. Quinn levou as mãos ao rosto da morena, colocou a franja dela para o lado e a segurou para aprofundar o beijo. Sua cabeça dava voltas. Queria que o tempo parasse e que ficassem presas naquele instante. Queria que nunca mais precisassem sair de casa. Queria que Rachel nunca mais corresse qualquer perigo.


A morena conhecia cada beijo que Quinn lhe dava, e aquele, estava cheio de medo. Sentia no puxar de seus lábios, no deslizar das línguas, na pressão dos dedos da loira em seu rosto que ela estava insegura novamente. E por estar na mais completa ignorância dos fatos, só pôde achar que tal insegurança tinha a ver com Finn.


Quando a intensidade do beijo passou, permaneceram com seus lábios conectados, com leves toques. As mãos de Quinn haviam descido pelo corpo da morena e já acariciavam suas pernas. Rachel afastou-se um pouco de sua boca e distribuiu beijinhos por seu rosto, até chegar à testa.


R: Você sempre fica “saidinha” quando está doente... [brincou, tentando animá-la]

Q: A culpa é sua! [defendeu-se sorrindo]

R: Minha?! [surpreendeu-se divertida]

Q: Você está sem sutiã, Rachel! Sem sutiã! [enfatizou]

R: Hahahahahahaahha Você parece uma adolescente na puberdade!

Q: E a culpa é sua! [insistiu]

R: Ok! [deu-lhe um selinho rápido e se levantou] Agora eu vou terminar a sopa e o chá para voltarmos para o quarto.


Rachel voltou a cantarolar sentindo o olhar de Quinn sobre ela. A loira desejava que a Broadway fosse em outro lugar. Ou que a morena tivesse outros sonhos. Queria poder dar a ela uma realidade segura. Queria não dividi-la com ninguém.


Quando Quinn se apaixonou por Rachel não imaginava a intensidade que aquele sentimento teria. Na época, seu maior medo era perder a morena porque ela seria incapaz de retribuir o amor. Então descobriu o medo do preconceito, o medo de perdê-la para o Finn... Então descobriu que havia outros medos. Medos piores, medos maiores. Ela estava destinada a viver com medo. Seu corpo já não sabia funcionar sozinho. Rachel era sua fonte de vida. Do olhar ao cheiro. Da voz ao beijo... Tudo nela, tudo dela, era fundamental. E apesar de tudo o que já passaram e conversaram, de todas as provas e demonstrações de amor, a morena não tinha a menor noção da real dimensão do amor de Quinn por ela. Porque, simplesmente, nem a loira conseguia mensurar.


Se no primeiro ano de namoro aprenderam a fortalecer o sentimento, convencer-se da seriedade do relacionamento e aceitarem suas diferenças, agora estavam numa fase bem mais madura. Até os problemas amadureceram. Quinn estava explodindo por dentro...


Sua cabeça piorou. Ela não queria preocupar Rachel, mas não sabia se conseguiria mantê-la tranquila:


Q: Eu... [chamou a atenção dela] Eu vou para o quarto... [tentou dizer calma, mas sua voz saiu trêmula]


Rachel se preocupou e se aproximou:


R: O que você está sentindo? [tocou seu rosto]

Q: Fraqueza... [mentiu] Eu te espero lá, certo?

R: Eu te acompanho.

Q: Não precisa! Só não demora...


Pela primeira vez desde que passaram a morar juntas, Quinn desejou ainda morar com Santana. Queria se esconder e chorar, mas não podia. Se chorasse, Rachel ia ficar agoniada. Fato! Mas a loira estava sufocada. Prendendo choro, camuflando tristeza. Seu coração estava apertado. A experiência de confrontar Russel tinha sido péssima. As coisas que ele falou, a ameaça que fez... Tudo martelava em sua cabeça. Decepção, pavor... Vários sentimentos ruins que agora faziam questão de acompanhá-la. Ódio... Talvez o pior de todos...


Olhava o teto do quarto com firmeza, até se deixar distrair pelo cheiro de Rachel na cama. Puxou o travesseiro da morena para si e aspirou o perfume. Sentiu seu corpo se encher de vida. Um nó se formou em sua garganta e precisou fazer força para não chorar. Segurou-se com extrema dificuldade, mas conseguiu. Quando Rachel entrou no quarto carregando uma bandeja com a sopa, o chá e mais água, deparou-se com a loira abraçada ao travesseiro, com os olhos fechados. Deixou a bandeja de lado e se deitou, fazendo Quinn abrir os olhos. A morena não disse nada. Não precisava... Seus olhos disseram tudo. Retirou o travesseiro para que não ficasse entre elas e puxou a loira para si. Quinn encaixou o rosto em seu pescoço, sentindo suas pernas se entrelaçarem. Rachel não precisava saber de seus medos, pois tudo resultava no mesmo, no que ela já sabia, no que ela sentia: o de se separarem por qualquer motivo...


A morena acariciava as costas de Quinn, sentindo os beijos delicados que a loira dava em seu pescoço:


R: Eu te amo... [disse baixinho, sabendo que Quinn ouviria perfeitamente]

Q: Eu mais... [respondeu sobre o pescoço moreno]

R: Você que pensa... [sussurrou antes de beijá-la no ombro e se afastar] A sopa vai esfriar. [disse se levantando para pegar a bandeja novamente]


Quinn se sentou e obedeceu Rachel em tudo. Tomava a sopa e bebia o chá. A morena começou a conversar com ela, contando que Santana e Britt tinham ido fazer compras no Queens e que estava ansiosa para saber que tipo de coisas elas trariam. Tagarelou o quanto pôde sobre o livro que estava lendo e se viu atraída por um dos livros da loira, forçando-a a tentar explicar do que se tratava. Quinn explicou animada, esquecendo por um breve momento de toda a escuridão de sua mente. Rachel tinha feito aquilo de propósito. Sabia tudo sobre a loira. Todas as formas de amansá-la. O contato físico carinhoso, os assuntos que deveriam ser abordados para que a atenção dela se focasse em algo fora de sua mente. E sempre funcionava.


A febre aumentou novamente e Rachel avisou à Quinn que se aumentasse um pouco mais a levaria ao médico. Claro que a loira se recusou e insistiu que a morena tirasse isso da cabeça. De qualquer forma, Rachel a obrigou a tomar um banho. Gelado! A morena a acompanhou e cuidou dela. Houve um momento em que só ficaram abraçadas, com a água escorrendo sobre elas. Era difícil para Rachel iniciar uma conversa. Mexer com Quinn quando ela estava calada era muito arriscado. A morena queria só ter que se preocupar com a febre dela. Até porque, tem os remédios como aliados. Mas se preocupar com o que se passa na mente da namorada é sempre um grande problema, porque lá se passa tudo. Quinn é um buraco negro emocional. Rachel se perde dentro dela...


R: Tudo mudou quando você disse que me amava... [disse em seu ouvido]

Q: O quê? [surpreendeu-se]

R: Você mudou minha vida naquele momento... [soltou-se do abraço para olhá-la nos olhos] Você é a melhor coisa que me aconteceu. [o coração da loira disparou ao ouvir aquilo] Que me acontece todo dia... [disse suave, com um olhar brilhante]

Q: Por que você está me dizendo isso? [perguntou com um sorriso nervoso]

R: Por que eu não diria? [sorriu] Porque você tem dito que me ama mais... Porque você se esforça para me convencer de que me ama tanto... Porque nosso namoro não se resume a jantares, cinemas, teatros e sexo... Porque você é tudo pra mim! [disse intensamente] Eu não sei o que se passa em sua cabeça a todo momento porque você é o maior mistério que eu já conheci. Mas eu conheço seus olhares, seus beijos, seus toques. Seu corpo fala comigo melhor do que as palavras. [confessou] E eu aprendi que há momentos em que eu devo deixar você no seu silêncio, sem querer quebrá-lo. Mas eu quero que você saiba que eu sei... Eu sei quando há algo errado, mesmo que eu não saiba o que é. Eu enxergo, eu sinto... E eu sempre estarei pronta para te ouvir quando você quiser falar.

Q: Não se preocupe... [tentou tranquilizá-la]

R: Nós vamos brigar, Quinn! [adiantou-se] Vamos nos chatear e nos machucar. [afirmou tranquila] Isso é normal. Mas não vamos nos separar. Nunca! Sempre saiba disso quando tiver receio de conversar comigo.

Q: Por que você... [ia insistir em entender o porquê daquele assunto]

R: Shhhhh... [juntou seus corpos, encostando os lábios levemente nos dela] Eu já disse que respeito o seu silêncio... Não se afobe, meu amor... [disse carinhosa]


Quinn não conseguiu manter a calma. Beijou-a com paixão. Rachel se deixou levar. Suas línguas travavam um diálogo sério e intenso. A morena gemeu dentro da boca da loira quando sentiu o aperto em suas nádegas. Quinn não pretendia levar aquelas carícias ao sexo. Não naquele momento. Só precisava senti-la em seus braços e isso já estava acontecendo.


Russel conversava com seu advogado, que lhe passava algumas instruções sobre o andamento do processo e sobre a forma como ele deveria se portar. Um sorriso misterioso se apossou do rosto dele...


Quando Santana e Brittany entraram no apartamento 110, Rachel pediu que não fizessem barulho, pois Quinn tinha dormido. Mostraram várias compras feitas durante o dia inteiro e Britt estava bem empolgada. Só que Rachel não conseguiu deixar de reparar que alguma coisa incomodava Santana. Aproveitou o momento em que a dançarina foi ao banheiro para falar a sós com a latina:


R: Eu sei que a Quinn está angustiada e eu acho que é por causa do Finn. Eu sei que você sabe exatamente qual o problema. [viu Santana enrijecer] Eu não vou pedir que você me conte. Eu jamais pediria que você quebrasse a confiança dela. Mas eu preciso te pedir que confie em mim também. Se você achar que eu preciso saber de alguma coisa que ela não quiser me contar, por favor, pense bem se eu devo mesmo ficar sem saber. Eu não posso ficar de fora das coisas que a angustiam. [disse calma, mas bastante séria]

S: Não há nada, Berry! [adiantou-se em cortar a conversa, sem conseguir esconder seu nervosismo]

R: Você me entendeu... [manteve-se calma, vendo Britt voltar para a sala]

B: Vamos, San?

S: Vamos! [levantou-se rápido e saiu sem nem se despedir direito]


Rachel sentou na cadeira do quarto e suspendeu as pernas, rodeando-as com os braços, apoiando o queixo sobre os joelhos. Observava Quinn dormir. Sabia que Santana escondia algo e estava disposta a descobrir. Olhava a namorada indefesa, num sono aparentemente tranquilo e pensava em como desejava estar com ela em outro lugar. Que a Broadway não fosse ali. Que nada fosse capaz de perturbar a paz delas. Desejou ter outros sonhos, ser mais livre para ir com Quinn para onde ela quisesse ir. Não sabia ela que a loira pensava a mesma coisa. E a loira não sabia que a morena estava mesmo disposta a abrir mão de qualquer coisa para que nada a machucasse. Até de seu maior sonho...


Notas finais
Obrigada pelos comentários e por continuarem acompanhando! Vocês sabem que são vocês que me provocam a escrever mais, não sabem?! ;)
Então, continuem comentando! Preciso desse feedback! :)
Beijos!
Ah... Já perceberam que vem drama por aí, né?! Então já peço, mais uma vez, que confiem em mim! ;)