Você Sempre Esteve Em Mim
59 Capítulo 59 - Não vá...
Notas iniciais
Três horas depois, Quinn ainda não havia voltado. Já era noite, Kurt discutia com Finn e Santana já havia prometido matar Rachel umas vinte vezes:
S: Eu só não quebro você agora, porque você ainda está machucada daquela droga de acidente. Mas quando você estiver completamente recuperada, eu vou quebrar você inteira! [ameaçava]
R: Mas eu não fiz nada demais! Ela o agrediu gratuitamente! Eu só queria que ela entendesse isso, que não era necessário agir daquela forma! [tentava se defender]
S: Você não entende que não foi uma agressão gratuita? Meu Deus, Rachel! Ele a provocou. Ela passou o dia inteiro guardando raiva, agindo calmamente para não detonar tudo. O que ele fez?! Apertou o detonador!
R: Não foi bem isso!
F: Não se explique pra ela, Rach!
S: Eu vou matar você, Hudson! [disse avançando sobre ele]
K: Espera, Santana! Calma! [segurou-a, tentando impedi-la de piorar a situação]
S: Porra, Berry! Que merda! Que merda! [colocava as mãos nos olhos, tentando conter a raiva]
R: Por que, de repente, eu me tornei a errada aqui?! O ciúme dela que é insano! [tentava se defender]
S: Porque você é a errada! Ela ia pra Yale e desistiu pra vir pra cá... Por sua causa! Ela rodou o mundo, e me fez rodar junto, atrás daquele piano que você nem toca, caçou a porra do seu apartamento e me fez mobiliar junto com ela, enquanto você ia tranquila pra sua aula. Você se quebrou toda numa porra de um acidente imbecil e ela quase morre junto com você! Todos os dias ela lembra dos seus remédios e troca as porcarias dos seus curativos. A vida dela passou a ser “viver pra você” e você acha que ela não pode sentir ciúmes? Eu te defendi! Eu cometi a imbecilidade de te defender, e o que você faz? Estende a mão pra esse palerma quando ele ataca a única pessoa que você deveria defender, estando ela certa ou errada!
R: Mas eu não posso concordar com uma atitude errada dela! Eu não posso apoiar isso!
S: Isso se chama amor, Berry! É a porra do amor que faz você ficar do lado da pessoa que ama, mesmo que ela esteja errada. Pare pra pensar um pouco e perceba que ela o atacou pra se defender. Pra defender vocês! Se você não é capaz de enxergar isso, ela fez mais do que certo em sair daqui, em se afastar de você!
Rachel voltou a chorar... A culpa começou a dominá-la. O arrependimento... Kurt exigiu que Finn ficasse em seu quarto, enquanto Santana e Rachel conversavam.
R: Onde ela está? [chorava]
S: Eu eu lá sei?! [respondia irritada] Só sei que se acontecer alguma coisa com ela, eu vou esquecer que você ainda está machucada e vou te machucar pra valer! [ameaçou] Eu disse a você que a Quinn não podia ser quebrada de novo. Se você a quebrou, eu devo lhe avisar que você vai conhecer a fúria do inferno! [disse cortante]
Passava da meia-noite e nada de Quinn voltar pra casa. Santana pegou o celular da loira e foi para o seu apartamento. Rachel a seguiu.
S: Aonde você pensa que vai?
R: Vou esperar por ela lá.
S: Não. Você não vai! Eu não quero você lá quando ela chegar.
R: Então me bata, me machuque, como você tanto quer, mas eu vou pra lá. [disse, enquanto entrava no apartamento 112 e ia em direção ao quarto de Quinn]
Rachel sentou-se na cama e esperou por uma hora... Duas horas... O desespero aumentava, até que ouviu a porta da sala se abrir e as vozes lá fora. Voltou a tremer...
S: Onde merda você estava, Fabray? [perguntou aliviada]
Q: Amanhã a gente conversa, Santana! [disse indo em direção ao quarto]
S: De jeito nenhum, você quase me mata do coração! [disse enquanto a seguia]
Q: Estou sem cabeça pra conversar, Santana! Por favor, me deixa! [aproximava-se da porta do quarto]
Quinn parou na porta ao ver Rachel sentada em sua cama, com o olhar choroso. Não esboçou nenhuma reação. Virou-se pra Santana e disse:
Q: Tire-a dali, por favor! [disse calma enquanto se dirigia à cozinha]
S: Hã? [perguntou confusa]
Q: Tire-a dali! [repetiu]
S: Como assim? Ela não é uma barata, porra!
Rachel respirou fundo e foi atrás de Quinn:
R: Eu não vou sair daqui antes de conversarmos.
Q: Você pode falar o que você quiser... Eu não vou te ouvir... [disse calma]
R: O que porra é isso, Quinn? Você perde o controle, diz que acabou, some e agora não quer conversar? O que merda eu sou pra você? Que droga nós somos? [perguntava chorando]
Q: Agora? Não somos NADA! [respondeu fria]
R: Você não pode estar falando sério!
Q: Eu vou te explicar com calma... [aproximou-se dela, ficando a escassos dois passos] Eu estava tremendo, apavorada, sentindo que o chão se abria sob mim. Olhei para o lado e não havia ninguém. Você já não estava comigo. Você estava com ele. Acalmando-o, cuidando do ferimento dele. Mais cedo, você disse que estava aqui embaixo e, no entanto, não estava. Você estava sozinha com ele no Central Park...
R: Eu estava aqui! Eu estava! [tentava se explicar]
Q: Eu te pedi para não contar pra ele ainda...
R: Mas eu não contei...
Q: Em pouquíssimas horas, você saiu do meu lado para ficar ao lado dele.
R: Não é assim, Quinn. Você está vendo tudo errado! [chorava mais] Esse seu ciúme doentio que não te deixa enxergar...
Q: Sai daqui! Sai agora! [disse irritada]
R: Não fala assim comigo! Não faz isso, meu amor... [chorava]
Q: Não me chama assim! [gritou, fazendo Rachel dar dois passos pra trás] Não me chame assim nunca mais! Volte pra ele! Vá embora com ele! Faça o que quiser com ele! Saia daqui! [gritou mais uma vez]
Santana percebeu que Quinn não estava normal. Ela não estava pensando. Agia no automático, com puro ódio!
Rachel moveu-se para sair, enquanto Quinn foi para o quarto correndo. Quando a morena se aproximava da porta, Santana a impediu de ir embora.
R: Me deixa ir, Santana! Por favor! [soluçava de chorar]
S: Não vá! Se você for agora, provavelmente vocês não terão mais chance. Não deixe que ela se feche. Não deixe! [aconselhava]
R: Por que agora você está me ajudando?
S: Isso importa?
R: O que eu faço? [suplicava por uma resposta]
S:Vá lá dentro e só saia de lá com tudo resolvido.
R: Ela não me quer lá!
S: Que porra! Você é ou não é a irritante Rachel Berry?! Se faça presente lá, merda!
Rachel pensou nas palavras de Santana, respirou fundo e foi até o quarto de Quinn. Rezava para que ela não tivesse trancado a porta. Não trancou. Estava no canto do quarto, quase não se via, encolhida no chão, chorando. Enfim, chorava... Seu corpo todo tremia. Os soluços eram perfeitamente audíveis. A morena sentiu seu coração parar por um instante diante daquela cena. Andou em direção a ela e percebeu que a cada passo, ela se encolhia mais. Rachel deitou-se em frente a ela e a encarou chorando silenciosamente.
Q: Sai daqui! Por favor, sai daqui! [pedia baixinho, enquanto soluçava de chorar]
Rachel não obedeceu. Continuou ali. Aproximou-se um pouco mais e percebeu que Quinn tentou se afastar, encolhendo-se ao máximo.
R: Eu não vou sair daqui! [sussurrou] Eu não vou sair daqui, meu amor...
Quinn apertou os olhos e seu choro ficou mais intenso, mais dolorido:
Q: Por que? Por que eu me apaixonei por você? [perguntava se lamentando]
Rachel sentiu aquela pergunta cortar-lhe como faca. Estaria mesmo Quinn se arrependendo do que sentia por ela? Ela poderia se sentir assim?
R: Preferia não me amar? [perguntou com o máximo de calma que conseguiu]
Q: Amar você está me machucando... [respondeu sincera]
Seus olhares se cruzaram e Rachel resolveu se levantar. Quinn a acompanhou com os olhos e a viu indo em direção à porta. Achou que a morena iria, definitivamente, embora. Mas Rachel trancou a porta, retirou a chave e colocou no bolso. Voltou até onde Quinn estava e se deitou novamente:
R: Então só sairemos daqui quando o seu amor por mim não machucar mais...
Depois de um longo período de silêncio e de uma intensa e prolongada troca de olhares, Quinn se moveu e se levantou:
Q: Levante-se! Você vai machucar ainda mais seu braço... [disse baixo]
Rachel pensou em como Quinn é incrível! Num momento de crise, ela ainda era capaz de se preocupar com os machucados da morena. Levantou-se também. Quinn deitou-se na cama, de lado, e cobriu o rosto com as mãos. Rachel deitou-se em frente a ela e retirou suas mãos do rosto.
Q: É a chance de fazer sua escolha. [disse baixinho, com os olhos fechados] E se ele for sua escolha, eu vou entender... Um dia... [disse com a voz falha]
R: Olha pra mim! Por favor, olha pra mim!
Quinn abriu os olhos e a encarou.
R: Eu não sei mesmo o que está havendo. O dia amanheceu normal e terminou uma tragédia. No meio disso tudo, você surtou. Eu sei que não ajudei muito, mas nada do que houve fez parecer que eu não te amo. Porque eu te amo! Por mais que você me fale, por mais que você me explique, eu não consigo entender essa sua insegurança. Eu já disse que você é o meu amor. E direi novamente, quantas vezes forem necessárias, por quanto tempo precisar. [dizia chorando] O Finn está lá no meu apartamento e a única coisa que consigo pensar é que eu não queria que ele estivesse. Que eu sequer queria que ele tivesse vindo. E ver você assim e saber que a culpa é minha, acaba comigo. [intensificava o choro] Eu não quero machucar você! Não quero ser a razão da sua dor... Se ficar comigo te machuca mais do que ficar sem mim, eu deixo você em paz... Eu saio da sua vida. Mas não dá mais pra lidar com algo que eu não consigo entender. E se não entendo, não consigo evitar. Não consigo evitar te machucar... Me diga o que eu preciso fazer... Por favor me ajude! Me ajude! O que eu preciso fazer pra não machucar você... [chorava ainda mais]
Quinn se aproximou mais, fazendo com que suas respirações colidissem...
Q: Não me dê ouvidos quando eu mandar você se afastar! Não me dê ouvidos quando eu mandar você sair. Você jamais me machucará mais do que sua ausência... Não me obedeça quando eu mandar você embora... [dizia baixinho]
Tudo estava confuso, frágil, delicado... Se Quinn havia surtado ou se tinha razão, já não importava mais. Se Rachel estava certa ou errada, já não era relevante. Precisavam acertar o passo. Entenderem juntas, o que era essa fragilidade que as acometia vez ou outra... Com ou sem Finn, o problema apareceu e, independente de qual das duas sofre mais, não é algo que possam resolver separadas...
R: Eu te amo! Por favor, eu peço mais uma vez que não duvide disso! Eu amo você! Só você, meu amor! Só você... [chorava mais calma]
Quinn se aproximou mais, até seu rosto se encaixar no pescoço de Rachel:
Q: Não vá embora! Por favor, não vá... Não me deixe sozinha... [pediu baixinho]
Rachel a envolveu em seus braços e, chorando, beijou-lhe a testa e sussurrou:
R: Não vou, meu amor... Nunca irei... Nunca... Nunca...
Rachel sabia que o problema não estava resolvido. Sabia que Quinn estava apenas cansada de brigar, de lutar... Rezou em silêncio para que a loira não se afastasse pela manhã, prometendo a si mesma que estará pronta para não permitir que o “acabamos aqui” se transforme numa realidade com a qual não saberá lidar...
Notas finais
Por hoje, foram dois capítulos. Meus planos são de concluir esse drama em mais dois, no máximo. Depois, seguiremos a história normalmente. Com ou sem grandes consequências da passagem do Finn por NY.;)
Beijos e aguardo mais comentários.
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