Você Sempre Esteve Em Mim
60 Capítulo 60 - Abismo...
Notas iniciais
As duas dormiram emocionalmente exaustas. Passava das 11 horas da manhã, quando Rachel acordou. Quinn já não estava mais em seus braços. Em algum momento, separou-se do abraço e virou para o outro lado. A morena ficou na dúvida se a acordava ou se a deixava dormindo. Escolheu a segunda opção. Foi ao banheiro, escovou os dentes, tomou um banho rápido e percebeu que havia uma marca roxa em seu braço. A força de Finn deixou uma lembrança... Vestiu-se e foi à cozinha para tomar um dos remédios. Encontrou Santana preparando o almoço.
R: Bom dia! [disse desanimada]
S: Bom dia, Berry! Como estão as coisas? Vocês se acertaram? [perguntou ansiosa, deixando de lado o que fazia]
R: Eu realmente não sei... [respondeu confusa] Não consigo ter certeza de que ela vai acordar e me querer por perto... [lamentava]
S: Mas vocês não conversaram?!
R: Não posso chamar de conversa. Eu ainda não consigo entender a diversidade de emoções pelas quais ela passou ontem. [disse preocupada] Foi uma montanha-russa emocional!
S: Eu tenho medo de ela surtar e ficar como na época em que entrou para as Skanks.
R: Nem diz uma coisa dessas!
R: Eu não a reconheci ontem, Santana... Era como se a minha Quinn não estivesse ali... [disse triste]
S: Eu já te disse que ela já sofreu demais. Ela cresceu com as pessoas se aproximando dela por interesse. Fosse pela beleza ou pela inteligência. E também viu muitas pessoas evitando se aproximar por se sentirem intimidadas. Ela foi expulsa de casa pelo pai, não recebeu o apoio da mãe, a irmã dela foi embora. Ela teve que abrir mão da filha... Ela tem um histórico extenso de abandono. Para ela, é mais fácil achar que vai ser abandonada do que pensar que sempre terá alguém ao seu lado. Por isso ela é tão independente e tão fácil de se fechar no mundo dela, porque ela aprendeu a ser sozinha... E você potencializou esse sentimento dela. O medo de perder ficou ainda maior e a presença do Finn faz ela ter certeza de que corre esse risco.
R: Eu nunca pensei por esse lado...
S: Eu conheço a Q desde sempre... E tenho total razão no que estou falando...
R: Mas eu estou com ela! Não vou abandoná-la...
S: Você não entende que ela vê o “perigo” e já enxerga o resultado. Bom... Você precisa se esforçar para entendê-la...
R: Eu sei... Eu vou voltar para o quarto...
S: Não. Espere! Me faça um favor... Termine o almoço pra mim que eu preciso resolver umas coisas. Volto logo. Pode ser?
R: Sim. Pode...
Santana saiu decidida a resolver parte do problema. Não demorou mais do que 40 minutos. Voltou ao prédio, mas não foi direto ao seu apartamento. Usou sua chave para entrar no 110. Deu de cara com Kurt na sala:
K: Santana! Como está a Rachel? [perguntou preocupado]
S: Já passou do meio-dia e você só vem procurar saber dela agora?
K: Eu não sabia em que situação elas estavam, Santana... Eu não queria atrapalhar, né?!
S: Tudo bem... Faz sentido... Olha, cadê o paspalho?
K: Está no meu quarto.
S: Ótimo! Eu vou lá falar com ele. Aconteça o que acontecer, não entre lá, ok?!
K: O que você vai fazer, Santana? [perguntou preocupado]
S: Nada ilegal, não se preocupe! [piscou-lhe um olho]
Santana entrou no quarto de Kurt e encontrou Finn deitado na cama, fazendo compressa no nariz, enquanto lia uma revista:
S: Está confortável, Hudson? [perguntou irônica]
F: O que você quer aqui, Santana? [perguntou irritado]
S: Quero que você arrume suas coisas e vá embora! [disse firme]
F: Hahahahaahahaha Você está brincando, não é?! Quem você pensa que é?
S: Não. Eu não estou brincando. E eu sou a pessoa que vai te chutar daqui se você não sair por livre e espontânea vontade...
F: Eu não vou embora! Você não manda em mim! E minha passagem de volta é para amanhã, de qualquer forma!
S: Não seja por isso! [atirou um talão sobre a cama] Aqui está sua passagem de hoje! Você tem duas horas para arrumar suas porcarias e se mandar daqui!
F: Esse apartamento não é seu e eu não vim aqui para ir embora assim. E quero falar com a Rachel!
S: Mas você não vai falar! Você causou uma bela de uma confusão ontem e eu não vou permitir que você permaneça fazendo mal à minha amiga. Ou melhor, às minhas amigas...
F: Mas eu não fiz nada demais! Foi a Quinn quem perdeu as estribeiras e me bateu!
S: Basta, Finn! Me poupe do seu verbo! Vou te explicar só uma vez: Você vai arrumar suas tralhas, vai se despedir do Kurt, e apenas dele, e eu vou te levar ao aeroporto, só pra ter certeza de que você foi mesmo. Você não vai se despedir da Rachel, porque ela está ocupada com a Quinn. E você não vai fazer nenhum comentário idiota sobre isso. Não vai abrir sua boca em Lima, nem em qualquer outro lugar para falar sobre o relacionamento delas. Se eu souber ou sequer sonhar que você disse para alguém, eu vou até o inferno onde você estiver e arranco suas bolas pela sua garganta. Fui clara?
F: Mas...
S: Fui clara? [perguntou irritada]
F: Foi! Mas, eu preciso falar com a Rachel!
S: Você não é bem-vindo aqui! Você fez as duas sofrerem ontem. Se você ainda tem um pingo de sentimento bom ou de respeito por ela, você vai embora agora e deixa a poeira assentar. Depois você fala com a Rachel, entendendo que ela não está disponível para você dar em cima.
F: Mas ela ainda vai ser minha de novo! [disse firme]
S: Nos seus sonhos, talvez... Eu estarei de olho... Em todos os seus passos. E você sabe que eu posso acabar com você, não sabe?! [ameaçou]
F: O que você vai fazer comigo?
S: Nada ilegal... Com certeza! Porque eu não sou estúpida de me prejudicar por sua causa. Mas eu posso destruir você em dois segundos...
Finn não fazia ideia do que Santana era capaz de fazer, mas sabia que deveria temer. Ele estava apavorado, embora não demonstrasse. Sabia que o dia anterior tinha sido um desastre e tinha certeza de que Rachel não ia querer falar com ele nessas circunstâncias. Resolveu aceitar a proposta de Santana e saiu com ela do apartamento, depois de se despedir de Kurt. A latina esperou que o avião decolasse, para voltar pra casa com a certeza de que Finn estava longe.
Quando Santana chegou, Rachel estranhou a demora e não evitou perguntar:
R: Onde você estava?
S: Fui resolver umas coisas. Jogar alguns lixos fora. Sabe como é...
Rachel não entendeu a metáfora, mas preferiu não insistir.
S: A Q acordou?
R: Não! Eu comi alguma coisa e vou voltar para o quarto. Vou esperar que ela acorde. Deixei a comida dela separada e a sua também. Espero que goste do meu tempero!
S: Vou odiar... Com certeza! Mas estou mesmo com fome! [disse brincando]
Rachel deu um sorriso leve e voltou ao quarto. Quinn havia mudado de posição. Dessa vez estava virada para o lado de Rachel na cama... A morena se sentou, encostando-se na cabeceira. O movimento fez a loira despertar. Quinn percebeu que Rachel estava lá. Remexeu-se um pouco e se virou, ficando de barriga pra cima. Ficaram em silêncio por um tempo, até que Quinn se manifestou:
Q: Que horas são? [perguntou com a voz extremamente rouca]
R: 15:45... [respondeu calma]
Q: Já?! [perguntou surpresa]
R: Sim... Você dormiu o dia inteiro...
Quinn esfregou os olhos e se levantou. Ficou um tempo sentada, de costas para Rachel:
Q: Você tomou os remédios? [perguntou baixinho]
R: Sim. Eu tomei! [respondeu também baixo]
Q: Ok... Vou tomar banho... [disse se levantando]
R: Você precisa comer, Quinn!
Q: Eu não tenho fome... [respondeu sem olhar pra morena]
R: Mas precisa comer... [disse temerosa]
Q: Talvez eu coma depois... [disse caminhando até o banheiro, fechando a porta em seguida]
Vinte minutos depois, Quinn saiu do banheiro, com a mesma expressão que havia entrado: apática, abatida... pegou qualquer roupa e se vestiu. Ainda não havia olhado Rachel nos olhos e não sabia se deveria, ou melhor, se conseguiria fazer. A morena continuava sentada na mesma posição, esperando um sinal de que deveria sair dali ou permanecer. Não aguentou o silêncio:
R: Podemos conversar? [perguntou insegura]
Q: Eu não quero conversar agora. Tudo bem? [falou abatida]
R: Mas eu acho que precisamos...
Q: Eu estou pedindo para não ser agora... [manteve o tom]
R: Ok... [respondeu desanimada]
Quinn se moveu, dando sinal de que iria sair do quarto, quando Rachel continuou a falar:
R: Estamos juntas? [perguntou preocupada] Você falou sério quando disse “acabamos aqui”?
Q: Sim... Eu falei sério! [respondeu sem olhá-la]
R: Então acabou? Não estamos mais juntas? Eu... eu não entendo... Você disse para não me afastar, para não dar ouvidos a você e, no entanto, estamos separadas? Acabamos? [falava com a voz trêmula]
Q: Eu falei sério, mas não era a minha vontade! Não é a minha vontade... Eu não quero acabar... [permanecia sem olhá-la]
R: Então continuamos juntas?
Q: Se você ainda quiser... [disse baixinho]
R: É claro que eu quero! [disse deixando uma lágrima escapar]
Q: Então estamos juntas... [disse, finalmente, encarando-a] Eu vou... Vou comer alguma coisa... [saiu do quarto]
Rachel a seguiu, mostrando-lhe a comida que havia deixado separada para ela. Estavam em completo silêncio. Quinn comia muito pouco, não tinha nenhum apetite. Observou o braço esquerdo da morena e viu uma marca roxa nova. Soltou o garfo imediatamente e se aproximou dela rápido, assustando-a:
Q: O que é isso no seu braço? [perguntou firme]
R: Eu... eu não sei... Já estava aí, não?! [tentava disfarçar]
Q: Não! Não estava! [disse séria, enquanto analisava com atenção]
Q: Essa marca... É a marca de uma mão! [disse irritada]
R: Não... Não é! [negava assustada]
Q: É a mão dele, não é?! [perguntou furiosa]
R: Ele não teve a intenção, Quinn. Ele só quis continuar a conversa, enquanto eu me dirigia ao metrô. Ele não sabia que meu braço estava machucado e...
Q: EU VOU MATAR AQUELE INFELIZ! [disse alto, levantando-se rápido, derrubando a cadeira]
R: Espera, Quinn! Calma! [ia atrás dela]
Santana saiu do quarto coberta com a toalha, procurando saber o que estava havendo.
Q: Cadê ele? Cadê ele, Kurt? [entrava furiosa no apartamento]
K: Ele já foi! Foi embora! [respondeu assustado]
Q/R: Foi embora?! [perguntaram ao mesmo tempo]
K: Sim! Ele deixou esse bilhete pra você, Rach, e foi embora! [disse entregando-lhe o papel]
“Desculpe-me. Eu não queria magoar você... Finn”
Quinn também leu, olhou novamente para o braço de Rachel e disse com um sorriso triste:
Q: Pelo que parece, eu não sou o único animal que gosta de você... [deu a volta e foi para o seu apartamento]
Rachel respirou fundo e fechou os olhos, tentando saber o que fazer para as coisas voltarem ao normal. Deixou que Quinn fosse. Elas precisavam de um pouco de distância no momento. A loira foi direto ao quarto e se deitou novamente. Santana apareceu na porta:
S: Quinn? Está tudo bem?
Q: Não, S... Não está! [disse calma]
S: Posso fazer alguma coisa?
Q: Não. Obrigada... Eu só quero dormir pra parar de pensar... Só quero parar de pensar... [disse fechando os olhos com força]
Santana se aproximou e deu-lhe um beijo na testa:
S: Eu estou com você, Q! Pra tudo e pra sempre...
Q: Eu sei! [disse com um sorriso triste, enquanto uma lágrima escorria] Eu sei! Obrigada!
Santana saiu do quarto e a deixou descansar. Já era noite quando Rachel entrou no quarto de Quinn e a viu deitada, encolhida sob as cobertas. Decidida, subiu na cama e, sem pensar nas consequências, aconchegou-se nas costas dela. Sentiu um calor diferente: Quinn ardia em febre novamente!
R: Quinn? Quinn? Você está sentindo alguma coisa? [perguntou preocupada]
Q: Humm... O que? [perguntou confusa]
R: Você está ardendo em febre. Você está sentindo alguma coisa?
Q: Não! Não sinto nada... [respondeu sem se mover]
R: Eu vou pegar um remédio...
Rachel a obrigou a tomar o remédio. O sábado ia acabando e as duas dividiam a mesma cama, mas havia um abismo imenso entre elas e a única coisa que as unia naquele momento era a febre de Quinn. A morena aconchegou-se novamente às costas dela, passando a mão pela região, num carinho perdido, como se quisesse dizer “nós nos perdemos, mas ainda estou aqui”... A loira dormiu novamente, enquanto Rachel chorava em silêncio, buscando uma forma de fazer o próximo dia ser diferente...
Notas finais
É certo que elas precisarão de tempo para deixar as coisas equilibradas, normais. Vamos acompanhar o caminho para isso...
Aguardo seus maravilhosos comentários! São eles que me incentivam a escrever diariamente. :)
Beijos!
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