Você Sempre Esteve Em Mim

5 Capítulo 5 - O Beijo...


Notas iniciais
Música do Capítulo: The Fray - Never Say Never

Rachel estava há mais de uma hora tentando escolher o que vestir à noite. Pensava que era uma bobagem essa indecisão, afinal, era apenas Quinn. Apenas?! Nunca era “apenas” Quinn. Olhando suas próprias roupas e as caixas ao seu redor, Rachel começou a se dar conta de que, em alguns dias, essa preocupação com o que vestir para ver Quinn já não existiria mais. Não na mesma frequência, pelo menos. Então, ela chorou. Em toda sua vida, ninguém havia mexido tanto com a morena, fazendo sentir ódio e admiração, querendo distância e aproximação ao mesmo tempo. Rachel era feliz sendo quem era, mas se um dia pudesse escolher ser outra pessoa, ela não pensaria duas vezes ao escolher ser Quinn. Ela não invejava a vida que a loira tinha, ela apenas queria saber como era viver na pele dela, entender tudo o que Quinn não diz. Rachel chorava mais. Apesar de ter conseguido se tornar amiga da ex-cheerio, ainda morria de medo de que, de repente, Quinn a deixasse. Que o passado voltasse a valer e Quinn não mais fosse sua amiga. E ao pensar nisso, Rachel se sentia como caindo num buraco negro infinito...

Eram 19:30 e Rachel estava pronta. Não havia dito um horário a Quinn, mas sabia que a loira estava chegando. Olhou pela fresta da janela do seu quarto e a viu parada em frente à porta. Não sabia há quanto tempo ela estava ali. Nem sabia o porquê dela não ter tocado a campainha. Resolveu esperar a loira tomar a iniciativa.

Quinn, por sua vez, também não teve uma tarde fácil. Escolher a roupa para usar no, talvez, momento mais crucial de sua vida, é uma missão dificílima! Mas sabia que o momento não se tratava de beleza, ou atração. Tratava-se de sinceridade. Pensar numa roupa bonita não ajudava a diminuir seu nervosismo. Optou por uma calça jeans clara, uma sapatilha preta, uma blusinha também preta e um casaquinho cinza. Sabia que se Rachel quisesse bater nela, era uma roupa relativamente confortável para correr. Riu de seu próprio pensamento.

Agora ela estava parada em frente à porta de Rachel. Já tinha perdido a noção do tempo. Já estava arrependida de ter marcado essa conversa. Não fazia ideia de como falar. Pensou que não valia a pena perder a amizade de Rachel. Mas, ela não queria mais isso. Não queria só amizade. Quer dizer, se amizade for só o que lhe sobrar, terá que aceitar. Mas sabe que terá que tentar ganhar o coração da morena.

A coragem chega, Quinn aperta a campainha. Um minuto depois, a porta se abre.

R: Pensei que fosse dormir em minha porta – disse Rachel com a sobrancelha arqueada e um sorriso brincalhão.

Q: Você me viu aqui?

R: Sim. O que você estava esperando?

Q: Er... Eu... Achei que tinha esquecido alguma coisa, assim, em casa, e sabe como é... fiquei tentando pensar e...

R: Tudo bem, Quinn! Entra! — disse Rachel com um sorriso acolhedor. Sabia que a loira estava sem graça e que não ia lhe dizer porque demorou tanto na porta. O melhor era pular mesmo essa parte.

Q: Seus pais não estão? — perguntou Quinn ao perceber que o carro não estava na garagem e o silêncio na casa.

R: Não. Eles foram a um jantar de negócios, devem demorar para voltar. Você quer alguma coisa?

Q: Água! — disse Quinn rapidamente.

R: Vou pegar – disse indo em direção à cozinha – A propósito, você está linda, Quinn!

Quinn ficou mais nervosa. Rachel não facilitava sua vida nunca! Era para a loira ter dito isso, afinal, Rachel estava estonteante: vestidinho azul um pouco folgado, mas que mostrava suas curvas ao caminhar, acima do joelho, com um decote imenso nas costas. Parecia casual, mas não podia ser. Não com aquele decote. Mas o nervosismo impediu que Quinn comentasse, e se o fizesse agora, pareceria apenas uma retribuição ao que a morena havia dito. Quinn achou melhor ficar calada. Mas não conseguiu...

Q: Dizer que você está linda é redundante, porque você é sempre linda! — ela disse firmemente! Ela finalmente disse!

Rachel estremeceu ao ouvir isso. Tentou não deixar transparecer pensando: “Quinn, filha da mãe! Capaz de matar uma pessoa com palavras!” Então falou:

R: Um elogio de Quinn Fabray tem selo de garantia. — e riu, tentando disfarçar o nervosismo e felicidade causados por aquelas palavras da loira.

Q: Quinn Fabray não elogia qualquer pessoa. — agora Quinn começava a lançar suas cartas.

Ambas sabiam que a noite revelaria alguma coisa. E agora, as duas estavam tremendo.

Após entregar o copo com água à Quinn, Rachel lhe indicou as escadas, para que pudessem ir ao seu quarto. A loira a seguiu e ao entrar no cômodo, percebeu as coisas de Rachel amontoadas num canto e se deu conta que em alguns dias estariam longe uma da outra. Um nó se formou em sua garganta e resolveu falar:

Q: Não podemos conversar na sala?

R: Por quê?

Q: Lá não é mais fresco? — tentava arrumar uma justificativa para sair daquele quarto, de perto daquelas caixas, daquela sensação de abandono.

R: Não, Quinn! Não há lugar mais fresco nessa casa do que meu quarto. Mas se você quiser, podemos descer de novo.

Q: Não! Tudo bem!

R: O que está havendo, Q? — perguntou se sentando na cama.

R: Tem alguma coisa errada que você não quer me dizer. Nos últimos tempos você tem estado mais pensativa do que o normal, mas hoje pela manhã, seu comportamento diante do que falei fez você explodir. Por um segundo eu revi a antiga cheerio que me maltratava e senti medo de ter voltado no tempo.

Q: Desculpa, Rach! Eu sinto muito!

R: Não quero que você se desculpe mais, Quinn! Não precisa. Eu só quero entender. Só quero saber se fiz alguma coisa para te chatear, ou se tem outra coisa em sua vida te incomodando. Já me acostumei com o fato de você ser mais introspectiva do que eu...

Q: Qualquer pessoa é mais introspectiva do que você, Rach – disse sorrindo timidamente.

R: É... eu sei – riu de volta – Mas você entende o que eu quero dizer.

Q: Eu entendo.

R: Então. Vai me dizer o que tem acontecido com você?

Quinn sentou-se na cadeira em frente à cama. Rachel não entendeu a distância, mas preferiu não dizer nada. A loira baixou a cabeça e começou a encarar as próprias mãos, que tremiam. Respirou fundo e começou:

Q: As coisas que você me disse, eu também as sinto. Estou com medo de ficar sem você por perto. Muita coisa aconteceu comigo, mas nada comparado a você. Nunca conheci ninguém tão intensa! Ninguém nunca quebrou minhas defesas como você faz.

R: E isso é ruim? — Rachel também tremia, embora Quinn não percebesse.

Q: Não! Isso é único. Isso é raro. Eu me conheço melhor por sua causa. Eu realmente não sei se vou conseguir sem você...

R: Você vai!

Q: Não sei se quero...

R: Como assim?

Q: Não sei explicar.

R: Tente...

As duas voltavam a travar um jogo de palavras. Rachel sabia que devia provocar. Quinn só falaria o que estava acontecendo se Rachel provocasse. Caso contrário, a loira, muito inteligente, ia arrumar uma forma de dissimular e continuar ocultando a verdade. Mas Quinn ficou calada e não dizia mais nada. Então Rachel falou:

R: Sabe... O Finn disse não entender nossa amizade.

Q: Finn? Aquele babaca!

R: Para, Quinn! Ele não falou por mal.

Q: Claro que falou por mal! — disse se levantando depressa, começando a demonstrar uma fúria que Rachel não esperava.

Q: Ele me ODEIA!

R: Não, Quinn! Parece que é você quem o odeia.

Q: EU ODEIO MESMO! — gritou impaciente.

Rachel não entendia a mudança brusca da loira após ter mencionado o nome do Finn.

R: Será que você ainda o ama? — perguntou constrangida.

Q: O QUÊ?! NÃO! Eu NÃO o amo! NUNCA o amei, na verdade... — olhou desconcertada para a morena.

R: Então não entendo esse ódio todo! Ele é apenas seu ex. NOSSO ex-namorado, mas ele é uma ótima pessoa e você sabe disso.

Q: Desculpe! Vamos mudar de assunto. Você vai sempre ficar do lado dele.

R: Que lado, Quinn?! Quem está falando de lado? — levantava-se Rachel, sem entender o rumo dessa conversa.

Quinn cruzou os braços, respirou fundo. Sabia que estava sendo dominada pelo ciúme, mas não poderia perder o controle. Estava confundindo Rachel mais ainda. Precisava consertar isso logo.

Q: Desculpa! Não sei o que me deu! Me perdoe! — disse levantando o olhar para a morena que já estava à sua frente.

R: Você precisa parar de me pedir desculpas! — disse levando sua mão para acariciar o ombro de Quinn.

Rachel sabia que Quinn estava tendo dificuldade em falar o que quer que fosse. E começou a acreditar que se tratava de algo muito, mas MUITO sério e que, quanto mais arrumassem assuntos diversos para conversar, mais motivos apareceriam para tornar a loira mais arisca, afastando a possibilidade de se abrir.

Quinn começava a achar que não daria certo dizer qualquer coisa. O nome de Finn a fez perceber que, talvez, a morena nunca o esqueça, nem nunca ame ninguém como o amou, ou o ama. Talvez dizer alguma coisa fosse arruinar tudo. Então resolveu que não falaria mais.

Q: Rach, acho melhor eu ir embora! — disse olhando em seus olhos.

R: Não, Quinn! — disse Rachel calmamente – Você veio para conversarmos e vamos conversar. Se você precisa de tempo, eu darei. Mas dentro desse quarto. Daqui você não sai, ou melhor, daqui não saímos antes de eu saber o que está acontecendo.

Q: Por favor, Rach, me deixa ir embora! — Quinn começava a chorar.

R: Pelo amor de Deus, Quinn! O que está acontecendo? — a preocupação começava a aumentar.

Quinn respirou fundo e falou:

Q: Eu não sei o que dizer. Não sei como dizer – disse tremendo, tentando não chorar mais.

R: Apenas tente! — disse calma, tentando passar uma segurança que já não existia.

Q: Eu tenho medo de perder você.

R: Você não vai me perder.

Q: Você não pode garantir isso...

R: Posso.

Q: Por quê?

R: Porque eu não quero ficar sem você... — disse com firmeza, olhando diretamente nos olhos claros.

Quinn sentia que a coragem lhe voltava e acreditava que não poderia deixar essa conversa para outro momento. Mesmo sem saber como falar, tinha que fazer Rachel entender de alguma forma, então seguiu:

Q: Não é fácil dizer. Eu sei que dizendo isso eu deixo você mais aflita, mas não é fácil. Se eu colocar em palavras como me sinto, todo o meu mundo pode virar de cabeça para baixo. E pior, o seu também...

Rachel sabia que era sério e, por mais que Quinn pensasse que ela não fazia ideia do que se tratava, algo dizia à morena que naquela noite tudo entre elas iria mudar. E Rachel queria pagar para ver...

R: Se falar é difícil, então me faça entender de outra forma, Q. Mas eu preciso entender. Seja o que for, eu preciso saber!

Quinn a olhava profundamente e reconhecia aquela intensidade nos olhos castanhos. Rachel estava abrindo suas defesas para saber o que tanto afligia sua amiga. Rachel estava disposta a conhecer a verdade, custe o que custasse.

Então, o mundo lá fora perdeu todo o sentido e Quinn se aproximou mais de Rachel. Colocou sua mão esquerda no pescoço da morena e a puxou para si. Deu-lhe um beijo leve e casto em sua pálpebra direita e permaneceu nessa posição por alguns segundos, que mais pareceram séculos. Rachel estremeceu. E foi sentido em todo o quarto. Nesse instante, Rachel sentiu que, finalmente, passava a entender o que significava o magnetismo que a loira exercia sobre ela. A loira recebia a resposta de que deveria continuar, através do corpo de Rachel. A cada toque, sabia que já não poderia parar. Então Quinn murmurou:

Q: Por que você é assim?

R: Assim como? — a voz era trêmula e baixa.

Q: Intensa. Perfeita. — Quinn respondia, procurando os olhos da garota à sua frente.

R: Você me acha perfeita? — perguntava nervosa, sentindo um arrepio de emoção por Quinn Fabray lhe dizer isso.

Q: Acho! Porque você é perfeita!

A voz de Quinn era baixa e sensual. Não era de propósito, mas o momento provocava isso. Rachel permanecia com as duas mãos ao lado do corpo, sem saber o que Quinn faria dali em diante. Tinha uma noção, mas deixaria que a loira seguisse. Não queria assustá-la, então ia se deixar ser guiada.

Então a loira fechou os olhos novamente e encostou a testa na testa da morena, enquanto levava sua mão direta à cintura de Rachel.

Q: Eu não consigo lhe explicar em palavras, Rach. Eu queria. Juro que queria! Mas não consigo.

R: Então me mostre, Q! Eu sei que você pode! — disse decidida. Com a voz falha, mas decidida. Sabia que Quinn precisava de apoio, de incentivo, senão iria fraquejar e deixar Rachel sem saber.

Como se nada mais importasse, Quinn se moveu. Beijou a testa de Rachel e foi descendo. A morena fechou os olhos e apenas se deixou levar. A loira beijou-lhe o rosto e deslizou o nariz sobre o nariz de Rachel. As respirações de misturavam e começavam a ficar mais intensas, até que Quinn sentenciou com a voz rouca:

Q: Se eu continuar, não haverá mais volta.

R: Siga! Siga em frente... — disse calma e segura.

Então a Terra virou do avesso. Quinn juntou seus lábios ao de Rachel e todo o mundo lá fora silenciou. A morena, enfim, ergueu os braços e rodeu o pescoço de Quinn, que a beijava com carinho. Os lábios se entreabriram e Rachel deixou que a língua de Quinn lhe invadisse. A loira estremecia. Sentia os pêlos na nuca de Rachel arrepiarem e aquilo a estava enlouquecendo. Avançou ainda mais sobre a morena, fazendo com que seus corpos ficassem incrivelmente colados. Não havia mais espaço entre elas, e nenhuma queria que houvesse... Rachel virava a cabeça para os lados, facilitando o trabalho de Quinn ao explorar sua boca. A loira só alternava entre invadir a boca de Rachel e chupar seus lábios. Vagarosamente, ela estava levando a morena à loucura, até que as costas de Rachel encontraram a parede do quarto. Com a pancada, Quinn a soltou. Imediatamente, a morena sentiu falta do calor do corpo da loira e abriu os olhos. Quinn estava de olhos abertos, com a mão na boca, assustada pelo que havia acabado de acontecer. Ambas respiravam com dificuldade, até que uma resolveu falar.

Q: Desculpe, Rach! Por favor, me desculpe! — Quinn já começava a demonstrar que iria chorar.

R: Para! Espera! Não se desculpe. Por que se desculpa? — perguntava Rachel com calma. Sabendo que Quinn estava a ponto de pirar.

Q: Eu acabei de lhe beijar, Rach!

R: Nós NOS beijamos, Q! — dizia incrivelmente calma para a situação.

Q: Eu não queria me aproveitar!

R: Você não se aproveitou... — falava aproximando-se da loira.

R: Calma, Q!

Q: Por que você está tão calma?

R: Porque você parece que vai pirar. Basta uma de nós pirar.

Incrível, mas Rachel acabava de dominar a situação! Nem nos sonhos mais loucos Quinn imaginava que esse momento seria assim. Pensava que Rachel iria lhe atirar coisas, que iria expulsá-la de sua casa. Que iria odiá-la e que elas nunca mais se veriam. Mas, não! Rachel estava assumindo toda a calma da situação, dando à loira espaço para prosseguir.

Quinn, tímida e devagar se aproximou mais e encostou as testas novamente:

Q: Eu disse que não haveria volta.

R: Não quero voltar...

E dessa vez foi Rachel quem assumiu a situação. Segurou o pescoço de Quinn com a mão direita lhe beijou a têmpora, depois o olho, depois o rosto, sentindo cada arrepio da pele de Quinn. E antes de chegar à boca falou:

R: Já que você não consegue me explicar em palavras, eu preciso que continue me mostrando, para que possamos entender juntas o que está acontecendo.

E os lábios se tocaram de novo. E o calor se misturou novamente. Rachel a beijava com um carinho jamais sentido. As línguas se misturavam como se sempre tivessem se conhecido. Quinn afundou as mãos nos cabelos morenos, puxando-a para si o máximo que podia. Rachel sentia que a loira estava com medo de se soltar. Com medo que aquilo acabasse, então a abraçava forte, deixando-se guiar pelos beijos apaixonados que Quinn lhe dava. Ninguém nunca a havia beijado dessa forma e, naquele momento, Rachel pensou que não queria ser beijada por mais ninguém...

E a Terra parava de girar... E o mundo era aquele quarto...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Espero reviews! :)