Você Sempre Esteve Em Mim

6 Capítulo 6 - Depois do beijo...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Bon Iver - I Can't Make You Love Me

Em nenhum dos cenários que Quinn desenhou em sua mente, sobre como seria a reação de Rachel, acontecia um beijo. Para ela, um beijo era algo impossível de acontecer. Ela tinha pensado em três hipóteses:

1 – A pior hipótese: Rachel ouviria atentamente o que Quinn dissesse e começaria a gritar antes de que ela terminasse. Diria que isso era uma brincadeira de mau gosto e que ela nunca deixou de ser a cheerio má, e que apenas havia esperado a hora certa para dar o golpe final. Atiraria coisas sobre ela e nunca mais permitiria que se aproximasse.

2 – A hipótese mais provável: Rachel iria ouvir atentamente tudo o que Quinn dissesse, surtaria, choraria muito, pediria um tempo para entender tudo e Quinn esperaria, sabe-se lá quanto tempo, até que Rachel tomasse a iniciativa de ir atrás dela, para que retomassem a amizade, salvando aquilo que fosse possível dessa relação.

3 – A melhor das hipóteses: Rachel ouviria tudo e seria compreensiva. Faria mil perguntas, mas não haveria agressão, nem pedido de tempo para digerir a história. Apenas diria que não poderia retribuir esse sentimento. A amizade continuaria e Quinn tentaria curar seu coração.

Mas não. Nenhuma das hipóteses se concretizou e Rachel reagiu de forma completamente surpreendente e da melhor forma possível, nunca antes sonhada...

Agora, Quinn tinha Rachel em suas mãos e tudo o que pedia era que isso não fosse um sonho.

Já Rachel, sabia o quanto isso era real. Em sua cabeça, sentia que nada daquilo era errado. As mãos de Quinn, a boca, o cheiro. Tudo parecia explicar tanta coisa... Parecia justificar tantos atos e tantas sensações. Os lábios de Quinn pareciam ter despertado Rachel para uma realidade da qual ela já fazia parte, mas não sabia. Era tudo muito novo, mas, ao mesmo tempo, familiar. Ela estava nos braços de Quinn e, naquele momento, não queria estar em nenhum outro lugar.

As garotas se beijavam. Não conseguiam parar. Se Rachel dominava a situação quando estavam falando, no beijo era Quinn quem tinha as rédeas. Segurava Rachel pelo pescoço com uma mão e apertava sua cintura com a outra. Sua língua acariciava os lábios de Rachel e depois invadia sua boca em busca da língua da morena. E quando as línguas se encontravam, ambas estremeciam, ambas se arrepiavam... Quinn levou suas mãos às costas de Rachel e gemeu ao sentir a pele ali exposta, devido ao generoso decote. A morena não agiu diferente. Com o arrepio causado pelo toque da loira, acabou por morder seu lábio, provocando uma breve dor. Trocaram um olhar intenso e um pedido mudo de desculpas foi selado por um beijo terno e doce que Rachel terminou por dar em Quinn. Com dificuldade, Rachel se afastou e sentou na cama. Quinn começou a sentir medo de que Rachel pudesse, então, agir de uma das três formas que temia. Continuou de pé, sem saber como agir quando viu que a morena a encarava sem dizer nada. Então, Rachel falou:

R: Senta aqui comigo. — de forma doce e calma, estendeu a mão para Quinn, que sentou sem dizer nada.

R: Já está pronta para usar as palavras?

Q: Eu... eu não sei. — disse timidamente, com toda sinceridade. Sinceridade que foi percebida por Rachel.

R: Eu não quero te pressionar, Q! Não quero te forçar a falar nada que você não queira. Mas, você precisa concordar comigo que precisamos conversar.

Q: Eu sei.

R: Eu tenho todo o tempo do mundo para você, mas preciso que você se disponha a se esforçar por mim.

Q: Eu não sei como você não está surtando.

R: Deveria surtar?

Q: Eu esperava que surtasse. Típico de Rachel Berry.

Rachel dá uma risadinha compreensiva, balança a cabeça em afirmação e prossegue:

R: Eu sei que seria típico que eu surtasse, mas as coisas com você são diferentes. E eu espero que você tenha consciência disso.

Q: Eu não sei se tenho.

R: Deveria ter. O que acabou de acontecer é uma prova disso.

Q: Você só me surpreende, Rachel. Quando eu penso que já te conheço, você dá um nó na minha cabeça.

R: Não vamos falar de mim. Eu quero que você fale sobre o que está acontecendo.

Q: Como não falar de você?! Você é o assunto. É tudo sobre você. E... eu ainda preciso falar depois do que aconteceu?

R: Eu quero ouvir. Preciso ouvir, na verdade.

Q: Meu Deus! — Quinn voltava a tremer – Eu não pensei que seria tão difícil.

R: Estou dificultando?

Q: Não. Não é isso. — Quinn desviou seu olhar para o chão, respirou fundo, mas não conseguiu controlar os tremores. Suas mãos ficaram geladas e já não tinha certeza se conseguiria formular uma frase coerente.

Percebendo a dificuldade de Quinn em se expressar, Rachel começou a desanimar e achou que estava sendo um pouco cruel em forçar, mesmo que sem querer, a loira a dizer, com todas as letras, aquilo que já estava claro. Então Rachel se levantou.

R: Tudo bem, Quinn! Não precisa falar. Desculpe! Eu não sei o quanto isso te machuca e, por isso, não sei o quanto é difícil dizer, então, não diga nada. Já não preciso ouvir... Vou buscar mais água, você parece precisar. Volto já.

Quinn percebeu a desilusão na voz de Rachel e ao levantar os olhos percebeu, no olhar da morena, que ela estava desapontada. Quando Rachel se virou para se aproximar da porta, Quinn pôde falar:

Q: Eu te amo!

Rachel parou. Não conseguia se mover. Se tudo naquela noite já tinha dito isso sem nenhuma palavra, a pronúncia confirmando tinha um peso sem igual.

Q: Eu te amo! Amo você... Não me pergunte como. Não pergunte desde quando. Talvez... talvez desde sempre! — Quinn começava a chorar. Rachel se virou, mas não conseguia se mover.

Q: Eu nunca pensei que poderia me apaixonar por você. Na verdade, eu nunca pensei que poderia me apaixonar dessa forma por ninguém. Eu estou completamente apaixonada por você e isso... isso está me deixando louca. — o choro se transformava em soluços.

Q: Eu não posso mais negar que sou louca por você! Por tudo o que você representa. Eu sei que já fiz você sofrer demais, mas acredite, eu sofri mais! Fazer você sofrer me machucava mais e eu sei que nunca poderei consertar o passado. Mas hoje estou aqui, virando do avesso para você, por você. Eu realmente tenho estado mais pensativa ultimamente e, hoje pela manhã, eu surtei com você, mas foi porque ontem eu me dei conta de que não poderia mais fugir. Que eu tenho evitado acreditar, aceitar o que eu sinto. Mas já não tem mais jeito. Você sempre esteve em mim e eu não notei. Mas eu te senti... Esse tempo todo eu te senti... Você sempre esteve em mim...

Quinn tentava respirar, mas estava difícil. O nó em sua garganta parecia crescer a cada palavra dita. Rachel havia começado a chorar e sentia o peso de cada palavra dita, do significado de cada uma delas. Definitivamente, os beijos antes trocados eram mais fáceis de ser vividos do que aquele banho de realidade que as palavras de Quinn acabavam de lhe dar.

A loira, ao ver Rachel chorando, começou a pensar que as coisas haviam mudado e que aquela segurança que a morena demonstrava há alguns minutos já não existia mais. Antes que tudo parecesse mais confuso do que já era, Rachel se aproximou novamente e a abraçou. Tão forte quanto podia. Quinn desabou a chorar e seus soluços ficaram mais altos e mais fortes. Então Rachel a puxou para deitar-se com ela. Quando estavam deitadas, de frente uma para a outra, a morena tratou de enxugar as lágrimas de Quinn, juntando suas testas, até que, com calma e uma imensa doçura empregada na voz, decidiu falar:

R: Pare de chorar! Eu preciso que você pare de chorar e olhe para mim...

Quinn encarou a morena com os olhos chorosos, tentando se controlar. A proximidade de seus olhares provocava um calor avassalador.

R: Shhh... Por favor, não chore mais! — pedia Rachel, com extrema doçura, enquanto acariciava o rosto de Quinn.

Sem esperar mais, Rachel beijou o caminho que as lágrimas percorreram pelo rosto de Quinn. E com extremo carinho, começou a passar seu nariz pela pele da loira, até chegar ao ouvido para dizer baixinho:

R: Obrigada! Obrigada por me dizer tudo!

Quinn não esperava ouvir um “eu te amo” de volta. Sabia que não ouviria. Mas Rachel continuava sendo muito mais compreensiva do que era possível. Sentia cada segundo de carinho recebido como se fosse uma enxurrada de amor. Era tudo o que precisava naquele momento.

Rachel deu um beijo leve abaixo da orelha, e seguiu acariciando a pele de Quinn com o nariz até alcançar sua boca novamente. Sem a menor dúvida, a morena a beijou novamente. Segurando firmemente a loira pela nuca, Rachel a beijava com paixão. Não precisava dizer nada. Não precisava retribuir qualquer palavra dita por Quinn. Naquele instante, o que mais importava era que elas precisavam sentir uma a outra.

Quinn puxou Rachel para mais perto, rodeando sua cintura, ao mesmo tempo em que sentia os dedos da morena acariciando seus cabelos. À essa altura, suas línguas já deslizavam, uma sobre a outra, com uma desenvoltura perfeita, como se já fizessem isso há muito tempo. O sabor da boca de Quinn era fantástico e Rachel reconhecia isso mentalmente. A pele da morena era quente, e a loira estava enlouquecendo com aquela sensação, com o perfume que emanava de cada poro de Rachel.

Foi Rachel quem cortou os beijos. Olhou para Quinn e deu um sorriso acolhedor. A loira se sentiu confortável em retribuir com um sorriso tímido. Rachel se moveu e deu um selinho demorado antes de virar de costas para a loira. Puxou o braço de Quinn para ficar em torno de sua cintura e entrelaçou seus dedos, puxando a mão entrelaçada até a altura de sua boca, deixando ali um beijo carinhoso e uma carícia singela. Sem esperar que Quinn dissesse, ou fizesse alguma coisa, falou:

R: Me abraça e fica aqui comigo...

Quinn nunca poderia negar isso. Apoiou seu rosto na curva do pescoço da morena e sussurrou:

Q: Fico! Eu não quero estar em nenhum outro lugar...

Elas adormeceram, como se tudo estivesse certo. Então tudo já estava diferente naquela noite e, com certeza, nada mais, nunca mais, seria igual...


Notas finais
Gente, eu espero que vocês estejam gostando, porque estou amando escrever esta Fic! :)