Você Sempre Esteve Em Mim
43 Capítulo 43 - Inverno por dentro...
Notas iniciais
Estavam no restaurante: Rachel, Quinn, Hiram, Leroy e Kurt. Santana e Brittany, claro, preferiram ficar em casa, aproveitando. Rachel estava animada, não parava de falar um segundo. Estava com as pessoas que mais ama, as mais importantes de sua vida. Quinn, apesar de se sentir um pouco sem graça, estava feliz por ver a morena tão feliz. Kurt engatou uma conversa sobre musicais com a morena e com Hiram, enquanto Leroy percebeu o silêncio da loira.
L: Tudo bem, Quinn? [perguntou educado, surpreendendo a loira, que não esperava que ele se importasse]
Q: Sim. Está tudo bem! [respondeu com um sorriso tímido]
L: O assunto não lhe apetece, não é?! [deu um sorriso cúmplice]
Q: É que não é minha especialidade. [devolveu o sorriso]
R: Deve ser a única coisa no mundo sobre a qual ela não sabe falar. [interrompeu a morena] Vocês sabiam que a Quinn é um gênio de verdade? O Q.I. dela é...
H: 160! [respondeu naturalmente]
R: Como você sabe?! [perguntou surpresa, acompanhada por um olhar também surpreso de Quinn]
H: Porque eu fui o médico que acompanhou os testes. Na verdade, eu acompanhava o desenvolvimento de Quinn na época, junto com Leroy, que era o pediatra dela.
Quinn olhava surpresa, analisando os dois homens, até que se lembrou do que ele dizia:
Q: Vocês usavam barba! [disse rápido]
H: Sim. Usávamos barba.
Q: Eu não acredito que eu nunca assimilei que eram vocês!
L: Você era muito jovem...
R: E por que você deixou de ser médico dela, pai?
Leroy ficou desconfortável com a pergunta e foi Hiram quem tomou a frente para responder:
H: Porque o Sr. Fabray soube que eu e seu pai éramos casados. [respondeu tranquilamente]
Quinn sentiu um aperto no peito e visivelmente constrangida se dirigiu aos dois:
Q: Eu sinto muito! Me desculpem...
H: Você não tem que pedir desculpas pelo preconceito do seu pai, Quinn... Vamos ao que interessa: você era uma criança brilhante!
R: Conta mais! Eu quero saber tudo! [sorria, tentando aliviar a tensão que a conversa havia deixado]
Q: Rach... [murmurava constrangida]
H: Os pais de Quinn procuraram Leroy pedindo que ele fizesse uma bateria de exames para ver se ela tinha algum problema, pois andava muito quieta. Todos os exames possíveis foram feitos e constatou-se que ela tinha uma saúde perfeita. Leroy já havia observado que ela não era muito sociável e sugeriu aos pais que a submetessem a uma avaliação psicológica. Como sou psiquiatra especializado em psicoterapia, marquei uma consulta com Quinn e comecei a analisá-la. Logo percebi que ela tinha uma inteligência acima da média.
R: Como você percebeu?
H: Eu sabia que as notas dela eram todas A+. Mas o que me chamou a atenção foi que, na sala de espera, havia uma montanha de revistas em quadrinhos, mas ela sempre pegava as revistas médicas, e ela realmente lia. Então, em parceria com a Dra. Harris, passamos a trabalhar a sociabilidade de Quinn até submetê-la ao teste e ela foi incrível! Por isso que você não nos associou, porque era com a Dra. Harris que você conversava, Quinn. Eu coordenei sua análise, mas ela era a imagem para você. Bom... Continuando: Quinn superou todas as expectativas. Ela fez, na verdade, três testes, e todos constataram que a inteligência dela estava muito acima da média. Quinn está muitos pontos acima de ser considerada superdotada. Ela vai além. Ela conseguia montar o cubo mágico em 6 segundos. Cálculos matemáticos complexos e um alcance lógico fora do normal.
Rachel estava maravilhada. Seus olhos brilhavam de orgulho, enquanto Quinn estava completamente sem graça. Kurt também estava gostando do que ouvia.
R: Mas então, por que você não estudou em escolas de superdotados? [perguntou, virando-se para Quinn]
Hiram se adiantou e respondeu por ela:
H: Filha, os pais de Quinn quiseram que ela tivesse uma vida normal. Ficaram com medo de que ela crescesse rápido demais se pulasse séries e entrasse na faculdade na pré-adolescência. Foi uma atitude arriscada, mas de extremo zelo. O pai dela pode ter muitos defeitos terríveis, mas ele fez de tudo para que ela não se sentisse diferente das outras crianças. Por isso, ela foi matriculada em aulas de música, em vários esportes, ganhava livros e mais livros, tudo para ajudar em seu desenvolvimento, sem que ela precisasse deixar de ser criança.
Q: Podemos mudar de assunto? Estou um pouco sem graça.
H: Claro, desculpe! Vejo que a sociabilidade ainda não está 100% perfeita. [disse piscando-lhe um olho, com um sorriso terno]
O almoço fluiu tranquilamente e depois foram passear no Central Park. Quinn voltou a não se sentir bem, deixando Rachel preocupada:
R: Você está me deixando aflita, Quinn!
Q: Eu vou pra casa... [disse agoniada]
R: Vamos todos!
Q: Não, Rach! Passeie com seus pais. Vou pra casa, compro ingressos para a Broadway e mais tarde nos divertimos todos. [disse, tentando convencê-la]
R: Eu não vou deixar você ir pra casa sozinha!
Q: Eu pego um táxi que me deixará na porta.
K: Eu vou com ela! Você curte seus pais e ela não vai sozinha, ok?!
R: Assim pode ser... [disse contrariada]
Q: Ótimo! [disse beijando-lhe a testa] Nos vemos mais tarde!
No táxi, Quinn respirava com dificuldade.
K: O que você tem, Quinn?
Q: Eu não sei, Kurt! É um aperto no peito, uma angústia... Não sei explicar.
K: Será que você está enfartando?! [exclamou assustado]
Q: Não! Não estou enfartando... Vai passar...
No apartamento, a loira sentia-se um pouco melhor. Deitou-se para tentar descansar. Pegou o celular e enviou uma mensagem para Rachel:
“Estamos em casa. Divirta-se. Te amo! Q”
Não demorou e recebeu a resposta:
“Te amo mais... ;) R”
Quinn levou as mãos aos olhos. Não entendia aquela sensação terrível que a estava perturbando desde a madrugada. Levantou-se e começou a andar pelo quarto, até que sentiu que ia vomitar. Correu para o banheiro e colocou pra fora tudo o que tinha em seu estômago. Mas a sensação não passava. Escovou os dentes, tomou um relaxante e tentou dormir. Duas horas depois, acordou com Rachel beijando-lhe a nuca:
R: Como você está? [perguntou em seu ouvido]
Q: Estou bem... [respondeu virando-se para encará-la]
R: Tem certeza? [perguntou preocupada]
Ouviram batidas na porta. Era Hiram:
H: Garotas, posso entrar?
R: Pode, papai! [respondeu, já sentada, enquanto Quinn permanecia deitada]
H: Quinn, posso examinar você? [perguntou se aproximando]
Q: Claro! [respondeu surpresa]
Hiram mediu a pressão da loira, escutou os batimentos cardíacos, verificou a pulsação e a temperatura. Analisou sua garganta.
H: Bom... Aparentemente, você está bem. Nenhum sinal de febre ou infecção.
R: Mais cedo ela perdeu o sono agoniada, papai.
H: Vamos ficar atentos. Se você se sentir mal de novo, avise.
Q: Obrigada! [disse com um sorriso de puro agradecimento]
Hiram saiu do quarto, deixando-as sozinhas. Rachel deitou-se no colo de Quinn e se aconchegou ali.
R: São as palavras, meu amor! Elas estão deixando você louca e confusa. Leia menos... [disse em tom de brincadeira]
Q: Hahahahaahahaha excelente diagnóstico! [disse beijando-lhe o topo da cabeça]
Já estavam sentados em seus devidos lugares para assistir ao espetáculo “Evita”. Rachel, seus pais e Kurt estavam maravilhados. Quinn tentava ficar calma, mas sentia suas mãos suando frio. Evitava contato com a mão de Rachel, para que a morena não se preocupasse. Aquilo já estava deixando a loira realmente preocupada.
Saíram do teatro, foram jantar, conversaram sobre tudo e Quinn já estava melhor. Nem parecia que havia tido qualquer sensação ruim. Caminharam um pouco, antes de pegarem um táxi, quando Rachel avistou uma Starbucks:
R: Café! Vamos lá! [disse ansiosa]
Q: Acabamos de jantar, Rach!
R: Mas eu quero café... [disse fazendo manha]
Todos concordaram e se prepararam para se dirigir à cafeteria do outro lado da rua. Quinn percebeu que Rachel ia atravessar com o sinal aberto para os carros e segurou a morena pela mão quando esta já estava com um pé fora da calçada.
Q: Rachel, o sinal está fechado para você! [disse a repreendendo]
R: Mas dá pra passar!
Q: Nada de “dá pra passar”! Vem um carro ali.
R: Mas dá tempo!
Q: Nada disso! Não importa: se está fechado para você, precisa esperar abrir! Pare com essa mania de sair correndo para atravessar a rua. Não tem pra quê essa pressa! [continuou repreendendo]
Hiram e Leroy olhavam satisfeitos, pois viram como Quinn cuidava de sua filha. Leroy estava mesmo começando a perceber que sua opinião sobre a loira só estava melhorando.
R: Ok, chata!
Atravessaram a rua, tomaram seus cafés e seguiram para casa. Ao chegarem em frente ao apartamento de Rachel, Quinn pediu para o taxista esperar, pois iria dormir em seu apartamento.
R: Por que você vai não vai dormir aqui? [perguntou confusa]
Q: Quero que seus pais se sintam à vontade e vocês precisam se curtir.
R: Não entendo como sua presença pode atrapalhar isso. [disse um pouco irritada, enquanto seus pais e Kurt subiam para o apartamento]
Q: Meu amor, eles vão se sentir melhor se eu não dormir aí. Vá por mim! Não fique chateada. E eu também quero ver a Britt.
R: Santana autorizou sua volta?
Q: Sim... Não se chateie. Amanhã cedinho a gente se vê de novo. [disse enquanto se aproximava mais para abraçá-la]
Rachel se apertou no abraço e Quinn sentiu uma súbita necessidade de se apertar ainda mais! Não queria largar a morena, quando esta se soltou:
R: Se você não me largar, vamos dormir aqui na rua. [disse sorrindo docemente]
Quinn se aproximou de seus lábios e deu um selinho rápido.
Q: Boa noite, meu amor...
R: Boa noite!
Em seu apartamento, Quinn se divertia com as histórias absurdas que Britt contava, enquanto, a duas quadras dali, Rachel cantarolava com seus pais. Leroy estava no piano e Hiram degustava um vinho que Santana havia deixado por lá. Depois de uma extensa sessão musical, estavam todos sentados: os pais no sofá e Rachel no chão, bebendo o restinho do vinho, quando Leroy resolveu falar:
L: Você está feliz, filha?
Rachel o olhou surpresa, sem entender de onde veio aquela pergunta, mas se apressou em respondê-la:
R: Muito feliz! Como nunca pensei que pudesse ser... [disse com um sorriso sincero]
L: Quinn tem responsabilidade por boa parte dessa felicidade, não é?!
R: De quase toda ela, papai...
L: Eu ainda estou de olho, mas não posso negar que ela me surpreendeu bastante. Eu percebi o cuidado que ela tem com você e a forma como vocês se olham... Não posso ser contra isso se vejo que você está feliz como nunca vi antes. [disse sincero]
Rachel se levantou e foi abraçar o pai. Estava emocionada, pois não esperava que ele falasse algo do tipo tão cedo. Pensou que precisaria de mais tempo para que ele se acostumasse com seu namoro com Quinn e que isso só aconteceria depois de um esforço muito maior.
Já em seu quarto, preparada para dormir, Rachel pegou o celular para enviar uma mensagem para Quinn:
“Dormindo? R”
No lugar de uma resposta, recebeu um telefonema:
Q: Como pode ver, digo, ouvir, estou acordada. [respondeu com a voz sorridente]
R: Como estão as coisas por aí?
Q: Já ri muito com a Britt. Não importa quanto tempo passe, ela sempre terá histórias absurdas para contar sobre o “Lord T”. [contava divertida] E por aí?
R: Conversamos muito, cantamos. O pai tocou várias músicas no piano e bebemos o vinho da Santana. Espero que ela não me mate! [disse, fingindo temor em sua voz]
Q: Eu protegerei você. Não se preocupe! [disse sorrindo]
R: Eu sei que vai soar meloso demais, mas eu sinto sua falta. Não tenho porque não dizer se é verdade! A cama está enorme sem você... [disse manhosa]
Q: Também sinto sua falta. Já não me acostumo a dormir sozinha.
R: Percebeu que é a primeira vez em muito tempo que dormimos separadas? Isso não é bom! [disse desanimada]
Q: Eu te recompenso, meu amor! [disse com um sorriso doce]
R: Bom... Nos vemos amanhã?
Q: Claro! Bem cedo!
R: Ok! Boa noite...
Q: Espera! Não desliga agora! [pediu ansiosa]
R: O que foi? [perguntou confusa]
Q: Nada... Só não quero deixar de ouvir sua voz agora... Fala comigo! [disse, sem entender a necessidade absurda que surgiu de ouvir a voz de Rachel naquele momento. Simplesmente, não queria desligar]
R: Sobre o que você quer que eu fale? [perguntou com um sorriso doce]
Q: Sobre o que você quiser... [disse enquanto encostava a cabeça no travesseiro]
R: Então vamos falar sobre... Barbra Streisand! [disse eufórica]
Q: NÃO! [fingiu desespero] Por favor, não!
R: hahahahahahahahahahaaha
R: Então vamos dormir. Estou com sono... Acho que é culpa do vinho...
Q: Tudo bem! Até amanhã...
R: Até...
Q: Eu te amo!
R: Eu te amo mais...
O domingo amanheceu chuvoso, mas não impediu que Rachel acordasse Kurt (que dormia no sofá por ter cedido o quarto aos pais da morena) para irem comprar café no Starbucks.
K: Eu não sei porquê você faz tanta questão de irmos ao Starbucks se temos uma cafeteria bem aqui, no térreo do prédio!
R: Mas não é Starbucks! [disse quando saíam para a rua fria, sentindo algumas gotas de chuva lhes tocarem] Deveria ter vindo de casaco e de calça. Com essa blusa e esse short, eu vou congelar.
A duas quadras dali, Quinn preparava o café, enquanto Santana e Britt tentavam escolher algum programa de televisão que agradasse as duas. Quinn ainda se sentia agoniada e já estava perdendo a paciência com isso.
Enquanto voltavam para casa, com os cafés e bolinhos em mãos, Rachel e Kurt, sentiram a chuva ficar mais forte e a morena incentivou o amigo a tentar se salvar de chegar em casa ensopado:
R: Vem, Kurt! Apressa esse passo!
K: Calma, Barbra! Não quero escorregar e cair.
R: E eu não quero me molhar inteira! Se quiser ficar pra trás, fique! Eu vou me apressar! [disse sorrindo, enquanto andava mais rápido]
Quando estava chegando perto do apartamento, Rachel parou e olhou para trás e viu que Kurt havia preferido mesmo se molhar a tentar correr. A morena deu-lhe um sorriso terno e voltou a caminhar para a frente, pondo-se a atravessar a rua...
Quinn sentiu-se tonta. Um aperto em seu peito a fez se sentar depressa.
B: Q? Tudo bem? [disse se aproximando dela, enquanto Santana olhava curiosa, sem entender o que a amiga sentia]
Quinn tremia e não sabia o porquê, quando seu celular tocou ao lado de Santana. A latina olhou para o visor e disse:
S: É o Kurt! [com uma expressão tranquila]
A loira arregalou os olhos e se levantou depressa sem dizer nada, saiu às pressas, correndo do apartamento.
Santana e Britt não entenderam nada, então a latina atendeu à chamada:
S: Oi Kurt!
K: QUINN?! [gritava ao telefone]
S: Não. É Santana! O que houve? [perguntava preocupada]
K: Rachel... Oh meu Deus... Ela foi atropelada! Ela não respira, Santana! Ela não respira! [desesperava-se no telefone]
S: Onde? Respira, Kurt! Me diga, onde ela está? [perguntava preocupada]
K: Aqui em frente ao nosso prédio! [chorava desesperado] Ela não respira, Santana! Ela não respira! [repetia desnorteado]
S: Calma! Tenta ficar calmo! Vou mandar uma ambulância para aí! Estamos indo! [tentou acalmá-lo]
Santana chamou uma ambulância, indicou o endereço, implorou para que não demorasse e saiu com Britt em disparada até o apartamento de Rachel.
Mais adiante, Quinn corria desesperada pela rua. Sabia que algo havia acontecido com Rachel e precisava estar com ela. Quando dobrou a esquina do apartamento da morena, avistou uma multidão parada ao redor de alguma coisa. Seu sangue gelou! Continuou correndo, passou pelas pessoas, até que seu corpo parou instantaneamente. Rachel estava no chão. Tinha pedaços de vidro espalhados sobre e ao redor dela... e sangue, muito sangue. Rachel tinha vários cortes pelos braços e pernas, e um profundo na testa. Seu nariz sangrava... Quinn se ajoelhou ao lado da morena e começou a chamar por seu nome:
Q: Rachel! Fala comigo, Rachel! Pelo amor de Deus, fala comigo! [começava a chorar compulsivamente]
Kurt tentava ligar para os pais de Rachel, quando Quinn começou a procurar pela pulsação da namorada. Nada! Não havia batimento cardíaco. A loira respirou fundo e começou a lembrar as aulas de primeiros socorros que Sue Sylvester a havia forçado a assistir. Estendeu os braços e os apoiou sobre o tórax de Rachel, à esquerda, e começou a contar a pressão que fazia. Jogava todo o peso de seu corpo para pressionar o coração da morena, parando em intervalos de segundos para encher o pulmão dela de ar, através de respiração boca-a-boca. Voltava a tentar reanimá-la com as massagens cardíacas. Não ouvia nada ao seu redor. Estava concentrada em contar os movimentos e em sentir se o corpo de Rachel dava algum sinal de vida. Não percebeu que Hiram e Leroy haviam chegado, nem percebeu a sirene da ambulância se aproximando. Só percebeu Rachel voltando a respirar. A morena se sacudiu, como se tivesse acabado de se afogar e entreabriu os olhos que foram direto parar sobre os olhos de Quinn. A loira não acreditava que havia conseguido reanimá-la. E quando ia falar de novo com ela, percebeu a movimentação dos paramédicos, que cercaram Rachel. Quinn foi afastada um pouco, para que tivessem espaço para imobilizar a morena e colocá-la na ambulância. Ela não retirava os olhos dela. Percebeu que o olhar de Rachel a seguia, até que perdeu a consciência novamente. Quinn tentou se aproximar de novo, tendo sido impedida por um dos paramédicos.
Q: Eu preciso ir com ela. Me deixa ir com ela! [gritava, tentando ser atendida em seu pedido sofrido]
Sentiu uma mão lhe puxando pelo braço, guiando-a ao interior da ambulância. Era Leroy, o mais calmo dos dois pais. Enquanto ele e Quinn acompanhavam Rachel na ambulância, Hiram seguia num táxi, acompanhado de Santana, Kurt e Britt.
Paramédico: Qual o nome dela?
L: Rachel. [respondeu chorando, mas tentando manter a calma]
Paramédico: Qual o tipo sanguíneo dela?
L: B negativo.
Paramédico: Ela está sangrando pelo ouvido... [dirigiu-se ao outro paramédico]
Leroy começou a se desesperar. Sabia que isso não era um bom sinal...
Paramédico: Estamos perdendo-a de novo. [falava com o outro paramédico, enquanto Rachel voltava a perder a pulsação]
O coração da morena parou novamente e os paramédicos tentaram reanimá-la com o desfibrilador.
Quinn estava em choque. Não conseguia dizer nada. Olhava para Rachel, buscando algum sinal de reação, mas só via o corpo de sua namorada se debatendo pelos choques que recebia. Apenas o barulho do monitor, indicando que os batimentos cardíacos de Rachel haviam voltado, fizeram com que Quinn desviasse seu olhar em direção a Leroy, que não tirava os olhos da filha.
Chegaram ao hospital, ao mesmo tempo que o táxi que os acompanhava. Enquanto Rachel era retirada da ambulância, uma equipe médica a recebia na entrada da emergência. Quando a viram, perceberam uma grande perda de sangue e perguntaram se alguma das pessoas do grupo tinha o mesmo tipo sanguíneo raro de Rachel, pois um acidente grave com um ônibus horas antes, havia acabado com o estoque de sangue do hospital, que aguardava receber mais.
K: E qual é o tipo sanguíneo dela?
L: B negativo. [respondia chorando, sabendo que seria difícil encontrar sangue B- com rapidez]
S: Eu sou B negativo. [disse uma Santana ansiosa, querendo ajudar de qualquer forma]
Médico: Você pode doar?
S: Claro! Posso sim!
Médico: Então a enfermeira vai te acompanhar para colher e analisar seu sangue, enquanto levamos a paciente para o centro cirúrgico.
Os médicos corriam com a maca de Rachel, enquanto Quinn e os pais da morena iam atrás, quando foram impedidos de prosseguir:
Médico: Desculpem, mas vocês não podem passar daqui.
H: Mas nós somos os pais dela e somos médicos! [respondia indignado]
Médico: Nós vamos cuidar dela! Vocês não estão em condições de entrar na sala. [disse se afastando]
Quinn continuava em silêncio, apenas observando Rachel ser levada por um grupo de médicos e médicas através das portas azuis que se fecharam à sua frente. A loira sentia-se anestesiada até que Britt se aproximou:
B: Q? Vem comigo ao banheiro. Você precisa se limpar. [disse calmamente, esperando uma reação da amiga]
Quinn levantou as mãos e percebeu que estavam cobertas pelo sangue de Rachel. Levou os olhos aos seus braços, olhou para a própria roupa e percebeu que sua blusa branca estava vermelha. Sua calça: vermelha. Ela toda era um quadro branco pintado com o sangue de Rachel.
Estranhamente, já não chovia mais. Desde o momento do impacto, a chuva parou.
Q: Ela não pode morrer, B! [disse apática, com o olhar preso em suas próprias mãos] Ela não pode morrer! [voltou a chorar]
B: Vai ficar tudo bem! Vai dar tudo certo, Q! [tentava consolar a amiga, segurando o próprio choro]
Quinn levantou o olhar e encarou os olhos azuis de sua amiga. Com uma expressão perdida, completamente sem vida, falou:
Q: É inverno, B... Está escuro e é inverno dentro de mim...
Notas finais
E claro, mais do que nunca, aguardo reviews.
Beijos!
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