Você Sempre Esteve Em Mim
25 Capítulo 25 - Levante-se...
Notas iniciais
Rachel acordou. Ainda estava escuro. Olhou ao seu lado e Quinn estava deitada de bruços, com o rosto virado para ela. Com certeza, era uma mania... As costas nuas de Quinn estavam expostas, o lençol cobria-lhe da cintura para baixo, mas partes de suas pernas também estavam descobertas. Rachel não pôde deixar de observar o quanto sua namorada é linda. Namorada... Uma palavra simples, mas que carrega um peso enorme no caso delas. Pensou em acariciá-la, mas não queria acordá-la. Precisava de um momento só. Levantou-se e dirigiu-se ao banheiro para lavar o rosto. Ainda não tinha conhecido aquele cômodo e ao entrar, percebeu que Quinn o havia preparado também. Havia uma bolsa, que Rachel reconheceu ser sua, com toalha de banho, produtos de higiene, seus cremes e roupa, além do par de roupões pendurado: o branco e o preto. Sorriu ao constatar o quão completo era o plano de Quinn, pensando em todos os detalhes para mantê-la confortável. Dirigiu-se ao espelho e lá, havia um bilhete colado:
“Eu sabia que você acordaria primeiro ;) Aqui estão algumas das coisas que sei que você iria querer agora. Uma grande e completa faxina deixou o apartamento pronto para você. Fique à vontade... Você está em casa, meu amor...Q”
Rachel estendeu a mão e tocou o bilhete. Sentiu um aperto no peito e um nó se formar em sua garganta. “Rápido... Muito rápido!” Começou a pensar... Pensou que tudo aconteceu muito rápido entre elas. Só a consciência do que sentiam que demorou. Mas o beijo, o desejo incontrolável, os toques, as declarações, o sexo... Tudo aconteceu muito rápido. Será? Não parecia rápido, parecia o certo... Rachel começou a se sentir confusa. Lavou o rosto e começou a encarar o espelho. Viu as marcas em seu pescoço, deixadas por Quinn. Observou mais seu corpo e viu que marcas iguais estavam perto de seu seio direito, perto da cintura, em uma das coxas... Era tudo muito mais real agora. Ela estava longe de Lima, em um apartamento novo, com Quinn nua em seu novo quarto. As lembranças dos últimos dias começaram a passar por sua mente. As conversas, os beijos, os toques... Começou a sentir medo. Medo de ter se precipitado. Não duvidava do que sentia, mas não estava tão certa quanto à seriedade das coisas. Talvez ir mais devagar fosse mais coerente, mas simplesmente não conseguia ir mais devagar com Quinn. Resolveu tomar um banho. Prendeu o cabelo num coque e entrou debaixo do chuveiro, apoiando as mãos na parede e deixando a água deslizar por suas costas. Não soube por quanto tempo ficou ali. Enxugou-se devagar, passou hidratante por todo o corpo, escovou os dentes, vestiu o roupão preto e voltou ao quarto. Quinn estava acordada, enrolada com o lençol, sentada na sacada da janela, olhando as luzes que iluminavam a madrugada novaiorquina.
R: Desculpa se te acordei. — disse com a voz calma.
Q: Não tem problema – disse virando-se para olhá-la.
Rachel se aproximou e lhe deu um beijo terno nos lábios:
R: Obrigada por todo esse cuidado... — disse apontando para o banheiro.
Q: Por nada. — disse calma.
A morena sentou-se sobre a sacada também e se aconchegou entre as pernas de Quinn, encostando as costas em seu peito. A loira a recebeu em seus braços e deu-lhe um beijo carinhoso no pescoço. Ficaram em silêncio por um tempo. Pouco tempo:
Q: Está tudo bem? — perguntou com a voz extremamente calma, mas sabendo que havia alguma coisa errada.
R: Sim... Tudo bem. — respondeu, tentando não deixar transparecer qualquer insegurança.
Q: Eu sei que tem alguma coisa martelando em sua cabeça agora. Mas não vou te pressionar. — dizia com uma calma impressionante. — Estarei aqui quando você quiser falar...
Rachel ficou em silêncio. Não sabia o que dizer. Não poderia mentir, nem falar nada. O silêncio pareceu a opção mais segura. Sentiu Quinn se remexer em suas costas.
Q: Preciso me levantar, Rach. Vou tomar um banho, ok?! — disse, mantendo o mesmo tom calmo que vinha utilizando desde que acordou.
Rachel assentiu e afastou-se para que ela saísse. Sem olhar para trás, Quinn entrou no banheiro e encostou a porta. Só então pôde extravasar. Soltou o lençol que lhe cobria e apoiou-se na pia e começou a chorar. Baixo, para que Rachel não a ouvisse. Não sabia, mas do outro lado da porta Rachel também chorava, virada para a janela, tentando entender porque se sentia assim agora. O choro começou a ficar mais forte. A morena estava começando a se apavorar. Um medo avassalador começou a lhe dominar... Abraçou a si mesma, buscando apoio para algo que lhe derrubava, mas não sabia o que era. Medo de quê, afinal? No banheiro, Quinn também estava com medo, mas o dela não era um mistério: tinha medo de Rachel estar se arrependendo, de estar confusa de novo, de perdê-la. Seu choro aumentou, não conseguiu conter um soluço. Rachel ouviu. Virou a cabeça imediatamente em direção ao banheiro e ouviu outro soluço. Apressou-se naquela direção, mas parou em frente à porta. Ouviu o chuveiro ligando. Quinn tentava abafar o som de seu choro com o barulho da água. Do outro lado da porta Rachel lutava consigo mesma, sem saber se entrava ou se ficava do lado de fora. Consequências... Qualquer decisão traria consequências... “Eu a amo” Pensou. “Disso eu tenho certeza!” Concluiu. Foi o suficiente... Abriu a porta devagar e viu Quinn embaixo do chuveiro, na mesma posição que a própria morena esteve pouco tempo atrás: mãos apoiadas na parede, a água escorrendo pelas costas. Rachel livrou-se do roupão e entrou no banho também. Quinn, que não havia se dado conta de sua presença, assustou-se com o contato do corpo da morena em suas costas:
R: Shhhhhh desculpe! Desculpe te assustar... — pedia ao seu ouvido.
Quinn virou-se para ela e percebeu que Rachel também havia chorado. Abraçaram-se sem dizer nada. Até que Rachel quebrou o silêncio:
R: Eu acho que, enfim, estou surtando. — disse com a voz quebrada.
Quinn moveu-se para olhá-la nos olhos, vendo a sinceridade e tristeza com que Rachel dizia isso.
Q: Fiz alguma coisa errada? — perguntava enquanto fechava os olhos, deixando-se cair, sem conseguir conter as lágrimas.
R: Não! — apressou-se em responder – Levante-se! — Disse impedindo que Quinn se abaixasse. — Olhe para mim, meu amor...Você não fez nada errado. Só estou surtando um pouco tarde, eu acho...E peço que não se afaste. Você me prometeu que não se afastaria se eu surtasse. — disse chorando.
Q: Eu não quero me afastar. Mas você está triste e se eu sou o motivo disso, eu não sei se devo estar perto. — dizia com um tom doloroso.
R: Para! Não pensa assim. Você não é o motivo de eu estar triste. Eu nem sei se estou triste, apesar de chorar.
Quinn começava a se afastar dela, mas foi impedida. Rachel levou as mãos ao seu rosto e a segurou, forçando-a a encará-la.
R: Eu amo você! Não estou em dúvida quanto a isso. Entendeu? — falou mantendo o olhar firme sobre o dela. Quinn apenas assentiu com a cabeça.
R: Acordei com a sensação de que muita coisa aconteceu em pouco tempo e não consegui me controlar. Desculpe! Muitas mudanças em pouco tempo, Quinn. Enfim, acabei surtando. Não foi o momento adequado para surtar, mas qual seria? Eu só preciso que você cumpra o que prometeu e não se afaste de mim.
Quinn continuava em silêncio, apenas assentindo com a cabeça.
R: Eu te amo! Não duvide disso... Eu te amo! Você é perfeita para mim! Você acredita em mim? — perguntava carinhosamente.
Q: Sim... Eu acredito! — respondeu com a voz falha.
R: Me desculpe... — pedia voltando a abraçá-la – Desculpe estragar nosso momento!
Q: Não se desculpe, Rach! — dizia enquanto se afastava para encará-la. — Só peço que não me esconda nada. Que divida comigo suas preocupações, suas inseguranças. Estamos juntas e não posso permitir que você se sinta mal estando comigo.
R: Eu não me sinto mal...
Q: Mas tem inseguranças...
R: Isso é normal...
Q: Que seja... Divida comigo! — disse séria.
R: Dividirei... — disse abraçando-a novamente.
Ficaram um bom tempo abraçadas, até que Quinn resolveu desligar o chuveiro. Puxou a toalha para enxugá-las. A loira vestiu o roupão branco e entregou o preto à Rachel, saindo do banheiro em silêncio. A morena a seguiu. Quinn parou no meio do quarto e virou-se para ela.
Q: Você quer ir mais devagar? — perguntou num tom de voz baixo e calmo, enquanto buscava os olhos castanhos de Rachel.
R: Não sei como seria irmos mais devagar. — respondeu sinceramente.
Q: Também não sei... Agora que chegamos tão longe, qualquer coisa menos do que o que temos vai parecer um retrocesso. — respondeu com a mesma sinceridade. — Mas eu posso ir mais devagar se você precisar.
R: Repito: Não sei como seria irmos mais devagar... — disse se aproximando e rodeando o pescoço de Quinn com seus braços.
R: Está tudo bem! Eu amo você... Você me ama... É só seguirmos isso... — disse beijando-lhe levemente os lábios. — Vamos seguir nossos instintos.
Q: Ok... — assentiu.
Rachel desviou o olhar para o balde com a champanhe.
R: Não brindamos... — disse enquanto se afastava para buscar a garrafa.
Q: Você acha que ainda há clima para um brinde? — perguntou um pouco confusa.
R: Você acha que não tem?
Q: Não sei... Tem?
R: Bom... Independente de qualquer coisa, estou aqui com você. Ter você comigo é sempre motivo para comemorar... — disse com um sorriso sincero.
Q: Então vamos brindar! — disse com um sorriso, ainda inseguro, mas um sorriso.
Rachel lhe estendeu uma taça, pegou a outra para si e antes de brindar, disse:
R: Esquece um pouco a tensão mais recente e me ouve. Tenta se concentrar em tudo o que aconteceu antes de dormirmos. Em todo o amor que você me dedicou, em cada gesto de extremo carinho presente nesse apartamento. O piano, os lírios, o colchão, as coisas no banheiro, os bilhetes... A forma como fizemos amor, como você me tocou... — começava a se emocionar – Eu retribuo seu amor por mim, e já nem sei se existe uma forma de não te amar, mas eu preciso também, agradecer, Quinn. Porque a forma como você me ama é muito melhor do que eu poderia desejar. E, talvez, seja muito mais do que eu mereça. — chorava – Obrigada por me amar como você me ama, meu amor...
Quinn avançou e tomou-lhe os lábios, num beijo apaixonado e voraz. As línguas se encontravam e se movimentavam como se quisessem falar mais, muito mais do que já haviam dito. A loira cortou o beijo e encostou sua testa à de Rachel:
Q: Eu amo você mais do que você é capaz de compreender... — disse com extrema sinceridade. — Mais do que eu mesma sou capaz de entender...
Voltaram a se beijar... Enfim, brindaram e beberam um pouco da bebida que Quinn havia escolhido especialmente para elas. Estavam deitadas novamente, uma de frente para a outra, com as pernas entrelaçadas, quando Rachel resolveu falar:
R: Eu tenho uma reclamação a fazer.
Q: Tem? — perguntou temerosa.
R: Tenho. — Respondeu convicta.
Q: Pode falar... — Disse levantando-se um pouco, apoiando-se pelo cotovelo.
R: Toda vez que dormimos juntas, você se separa do meu abraço e, quando vejo, você está dormindo de bruços com o rosto virado para mim. Eu não acho que isso seja certo. Acho que você deveria continuar abraçada a mim até acordarmos. — disse sem demonstrar se estava brincando ou se falava sério.
Q: Você está falando sério? — perguntou para ter certeza.
R: Claro! — respondeu séria.
Q: hahahahahahaahahahahahaha
R: Por que ri? — perguntava num tom um pouco indignado.
Q: Porque é engraçado. Não acredito que isso te chateie.
R: Mas é claro que chateia. Parece que não gosta de dormir abraçada. Ou pior: que não gosta de dormir abraçada comigo... — dizia fazendo bico.
Q: Oh, meu amor... Não faça drama! — disse se aproximando para beijar-lhe o bico formado. — Desculpe, não faço de propósito. Coincidentemente, essa é a posição que durmo sozinha...
R: Mas você não está mais sozinha e terá que se acostumar a dormir abraçada comigo...
Q: Vou?
R: Vai! Você não tem outra opção, Fabray! — disse em tom autoritário.
Q: Ótimo! Essa é a única que me interessa! — disse com um sorriso sedutor.
Voltaram a se acariciar em silêncio. Rachel estava de olhos fechados, apenas desfrutando do toque suave das carícias de Quinn.
Q: Está acordada? — perguntou baixinho.
R: humhum... Estou sim! — respondeu no mesmo tom.
Q: Posso te contar algo sobre Columbia?
R: Claro! — abriu os olhos com um sorriso curioso.
Q: Estive em Columbia ontem, antes de vir para cá te encontrar.
R: Sério? Foi conhecer o campus?
Q: Não. Fui para uma entrevista.
R: Entrevista?! — perguntou enquanto se sentava. — Mas para que uma entrevista se você já havia sido aceita? — perguntou confusa.
Q: Eu também não havia entendido, até chegar lá.
R: Queria que você tivesse me contado. — disse com um tom leve de desapontamento.
Quinn se sentou também e a puxou para seu colo.
Q: Desculpe! Mas eu tive medo de contar mais detalhes e estragar a surpresa. Quanto menos informações você tivesse, menos chance de eu me atrapalhar. Desculpa? — pedia com carinho.
R: Tudo bem. — sorria em concordância. — Me fale sobre a entrevista.
Q: Bom... Você não vai acreditar nas coisas maravilhosas que ouvi. O Sr. Thomas, que é conselheiro-geral da universidade, fez vários elogios a mim, dizendo que raramente recebem uma inscrição tão completa e impressionante como a minha. — dizia com um brilho no olhar. — E disse que Columbia e Yale estavam brigando por mim. Que Yale estaria disposta a mudar a oferta e me oferecer bolsa integral também, mas que Columbia não queria me perder, então ele me ofereceu uma tal de graduação-cruzada, que significa que eu serei aluna de Columbia, normalmente, mas poderei ter algumas aulas em Yale, pesquisas, na verdade. E que isso vai ser ótimo para o meu futuro.
Rachel ouvia tudo atentamente, com um sorriso gigante de orgulho! Ver Quinn contando com entusiasmo e com o brilho inconfundível em seu olhar, fez a morena ter mais certeza do amor que sente por ela. Sabe que as coisas não serão sempre fáceis, que talvez ainda surte com tudo isso, mas o amor, a adoração, o desejo por Quinn, isso tudo há de prevalecer...
R: Meu amor, que fantástico! — disse a abraçando forte – Mas eu acredito sim, claro! Eu sei que você é um gênio! Meu gênio! — disse beijando-lhe com extremo amor.
R: Mas você vai ter que ir pra Yale? Como será isso? — perguntou um pouco preocupada.
Q: Não sei ainda como vai funcionar. Terei que ver isso. Mas pelo que entendi, não passariam de algumas viagens periódicas.
R: Ah tá... — disse um pouco aliviada.
R: Estou orgulhosa! — disse olhando em seus olhos, com profunda sinceridade. — Não há ninguém no mundo que eu admire mais do que você! Eu sempre soube que você teria um futuro extraordinário e me sinto incrivelmente honrada em estar ao seu lado agora.
Q: E estará sempre!
R: Estarei sempre...
Q: Nada disso estaria acontecendo se não fosse você...
R: Eu? — perguntava sem entender.
Q: Você foi exemplo de motivação para todos do New Directions. Sua ambição, seu desejo de vencer, sua disciplina. E, para mim, você foi mais do que um exemplo, você se empenhou em me convencer de que eu podia mais. Por sua crença inabalável em mim, eu me inscrevi em Yale, porque passei a acreditar que você tinha razão... — dizia emocionada. — E pelo amor que resolvi, enfim, aceitar que sinto por você, por ter tido coragem de parar de fugir desse sentimento, eu me inscrevi em Columbia, porque nada pareceria ter sentido longe de você...
Rachel, emocionada, beijou-lhe o olho, o nariz, até se apossar de seus lábios. Beijava-lhe com imensa entrega, tentando demonstrar todo o amor que sentia.
R: Você me faz, sem esforço algum, ter mais certeza de que eu sempre te amei... Não sei porque eu não havia percebido isso e sempre serei grata a você por ter me acordado para esse sentimento.
Q: Eu te amo!
R: Eu te amo... amo... amo muito! — disse voltando a beijá-la.
R: Vem, vamos dormir... — disse se movimentando, forçando Quinn a se deitar também.
R: Você vai me abraçar e quando eu acordar, quero que você ainda esteja me abraçando, entendeu?! — disse num tom inacreditavelmente doce de autoritarismo.
Q: Não te soltarei por nada! — disse com um sorriso sedutor.
R: Ótimo! — respondeu dando-lhe um selinho demorado.
Rachel deitou-se e Quinn a abraçou por trás, fazendo carinho em sua nuca com o nariz.
Q: Dorme bem, meu amor...
R: Dormiremos, meu amor...Dormiremos...
E tudo parecia ter se acertado. O drama que aconteceu mais cedo, parecia ter ficado no passado. Um surto passageiro... Dormiram como se nada mais importasse. E nada mais importava mesmo...
Notas finais
:)
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