Você Sempre Esteve Em Mim
26 Capítulo 26 - E a razão é você...
Notas iniciais
O sol ultrapassava as amplas janelas sem cortinas do apartamento e invadia o quarto onde elas dormiam. Rachel foi a primeira a despertar, tentou virar-se e percebeu que Quinn dormia numa posição desconfortável: meio de bruços, meio de lado, dividindo-se entre a forma com a qual se acostumou a dormir e entre abraçar a morena. Rachel não sabia se o braço que lhe envolvia tinha sido um mérito de Quinn, que conseguiu cumprir a promessa, ou se foi a própria morena quem a impediu de se soltar. Sorriu ao pensar que já estavam avançando no combate à mania da separação durante o sono. Girou mais o corpo, até ficar de frente para Quinn. Começou a deslizar o nariz sobre o nariz dela, carinhosamente, fazendo com que um sorriso se formasse no rosto sonolento da loira.
Q: Bom dia... — disse com a voz rouca e sonolenta, sem abrir os olhos.
R: Bom dia, dorminhoca... — disse com um tom sorridente.
Q: Se eu abrir os olhos vou enfrentar outro surto? — perguntou temerosa, com a voz mais baixa.
R: Não... — deu-lhe um beijo no pescoço – Sem mais surtos por hoje...
Q: Bom... Acho bom! — disse abrindo os olhos com um sorriso maior.
Rachel a estava olhando com completa adoração. E antes que ela falasse alguma coisa, a morena apressou-se em dizer:
R: Você é linda quando acorda... — dizia com um olhar intenso.
Q: Sou? — perguntava corada.
R: É... Você é linda o tempo todo, mas quando acorda... É como se sua beleza fosse toda minha... — dizia em um tom de confissão apaixonada.
Q: Eu sou toda sua... — disse correspondendo à intensidade do olhar.
R: Assim como eu sou sua... — prosseguia — Sua boca... Além de ser macia, deliciosa... Além de tudo o que ela faz comigo, com minha boca, em meu corpo... — sussurrava — Ela é linda de morrer! — dizia passando a ponta dos dedos sobre os lábios de Quinn – Seus lábios são perfeitos, rosados, proporcionais...
Rachel não se conteve e a beijou. Um beijo calmo, saboreando cada lábio individualmente.
R: Desculpe. Não escovei os dentes, mas não consegui me conter... — disse um pouco acanhada.
Q: Eu não me importo... — disse antes de lhe devolver o beijo, bem mais intenso – Ainda tem gosto de champanhe... E totalmente gosto de Rachel Berry... O melhor de todos! — disse com um sorriso sedutor.
R: Estou morrendo de fome! Você por acaso deixou comida escondida em algum lugar estratégico deste apartamento? — perguntava de forma dengosa.
Q: Não, meu amor! Não tem comida. Não tinha como preparar nada fresco sem geladeira ou fogão. Pensei em te levar para tomar café da manhã num Starbucks, pois pesquisei e tem um a uma quadra daqui.
R: Jura? — perguntou com um sorriso enorme!
Q: Juro! Foi um dos fatores determinantes para escolhermos este apartamento. — disse devolvendo o sorriso enorme.
R: hahahahhahahahaahha – gargalhava escondendo o rosto no pescoço de Quinn, que se arrepiou.
R: Você precisa me contar como conseguiu preparar isso tudo em tão pouco tempo. — dizia curiosa, enquanto forçava Quinn a mudar de posição, apoiando-se sobre o peito dela, olhando-a atentamente.
A loira olhou para baixo, deu-lhe um beijo na testa e começou a contar.
Q: Bom... Depois que fizemos nossas “quase-pazes”, depois da nossa “quase-briga” porque eu estava conversando com seu pai – dizia revirando os olhos – enviei um email para Santana com todos os detalhes do que eu precisava que ela fizesse por mim. Contei a história do piano e passei o nome do primeiro comprador. Então, ela iniciou a pesquisa. Quando você viajou para Detroit, conversei pessoalmente com ela e com Kurt e tudo passou a tomar forma. Ele me mandou por email as opções de apartamento e decidimos que os outros não tinham muito a ver com vocês. Este aqui sim, parecia perfeito. Então a lista foi mantida para que vocês visitassem, para que desse tempo de arrumar as coisas por aqui. Como eu tinha a entrevista em Columbia, Santana contratou um serviço de limpeza que fez uma faxina completa no apartamento, deixando-o impecável. Contratou um serviço de transporte para trazer o piano que, por sorte, já estava em NY, pois o último comprador se mudou para cá há alguns meses e o mantinha em um depósito por não caber em seu apartamento. Santana mandou limparem o piano, deixando-o o mais apresentável possível, mas acho que precisa de manutenção. E o colchão, nós escolhemos antes de eu vir para cá. Convencemos a loja a providenciar a entrega imediata e todo o resto foi mais fácil. Ah... e sua bolsa com suas coisas, o Kurt nos autorizou a entrarmos no seu quarto de hotel, então pegamos... É... foi basicamente isso... — disse, recuperando o fôlego, depois de um monólogo “à la Rachel Berry”.
Rachel estava maravilhada com cada passo que eles deram para agradá-la. Com o carinho com que Quinn quis surpreendê-la.
R: Eu não sei o que dizer...
Q: Não precisa dizer nada...
R: Preciso sim! Ninguém nunca fez nada disso por mim... eu sempre fui a "irritante Berry" que ninguém se preocupava em agradar. A não ser meus pais. E você conseguiu convencer Santana e Kurt a te ajudarem. Santana, Quinn! Depois disso, tenho certeza de que você é capaz de tudo! — disse antes de soltar uma risada doce.
Q: Pelo amor de Deus, ela não pode saber que você sabe que ela ajudou!
R: Não se preocupe! Será nosso segredo! — disse dando uma piscadinha.
Rachel começou a subir em direção aos lábios de Quinn e deu-lhe um beijo terno.
R: Você precisa me deixar ajudar a pagar os custos desse plano todo. Deve ter sido caro... — disse séria.
Q: De jeito nenhum! — respondeu também séria.
R: Quinn...
Q: Não, Rachel! Não pense em valores. Tudo isso foi um presente, porque eu queria te agradar e que sua chegada aqui fosse especial.
R: Tudo bem...
Q: Vamos tomar um banho, quer dizer, outro banho e vamos tomar nosso café? — perguntava num tom sereno e sorridente.
R: Vamos... Espera, que horas são? — perguntou um pouco confusa.
Q: Deixa eu ver... 07:22.
R: Oh meu Deus, Quinn. Tenho que correr! — começou a se levantar apressada. — Tenho que estar em Nyada às 09:00 e ainda tenho que ir ao hotel para me trocar.
Q: Calma, Rach! Calma. — segurava a morena. — Você não precisa ir ao hotel. Eu trouxe sua roupa para NYADA. Bom... eu escolhi uma roupa e espero que você goste. Então a gente toma banho, se veste, toma café e pega o metrô ou um táxi. Você chegará antes da hora.
Rachel se jogou novamente nos braços de Quinn.
R: Você é perfeita, sabia?! Perfeita! — disse em voz bastante alta – E eu te amo... — disse sussurrando.
Q: Eu também te amo... Vem! Vamos tomar banho e correr.
Tentavam tomar banho rápido, mas começaram a se observar, percebendo as marcas que uma deixou na outra. As marcas em seu corpo, Rachel já tinha observado mais cedo, mas não tinha prestado atenção que tinha deixado marcas no pescoço e ombros de Quinn.
Q: Desculpe... — dizia ao ver as marcas no pescoço, perto dos seios, na cintura e coxa de Rachel.
R: Não precisa se desculpar... Gostei de cada uma delas... — disse com a voz rouca próximo aos lábios de Quinn, que a beijou intensamente.
Dividiam aquele momento de forma especial. Sentiam que aquela nudez, que compartilhavam com tanta naturalidade, fazia parte da cumplicidade que lhes domina.
Q: É tão bom ficar assim com você... Queria voltar no tempo e nunca ter te magoado... — dizia em seu ouvido.
R: Isso não importa agora... Estamos aqui e você me faz feliz, me sinto amada... E agora, você parece mais segura de si do que nunca pareceu para mim.
Q: Eu realmente estou mais segura de mim... E a razão é você... — disse antes de beijá-la novamente.
Já prontas, desceram pelo elevador de mãos dadas, acariciando-se sutilmente, separando-se assim que chegaram ao térreo. Era a primeira vez que realmente caminhavam juntas à luz do dia desde que estão juntas, e não sabiam como se comportar. Não tinham conversado sobre isso e, por via das dúvidas, mantinham uma distância segura. Para os outros, eram apenas duas amigas. Por enquanto, tudo bem! Chegaram à Starbucks e Rachel parecia uma criança no parque de diversões. Pediu um café absurdamente forte e grande, com um simples bolinho para acompanhar.
Q: Você vai comer só isso enquanto mergulha nesse copo gigante de café exageradamente forte?! — perguntava num tom divertido.
R: É Starbucks, Quinn! O que importa é o café! — disse com um largo sorriso.
Quinn pediu um chá preto, com um bolinho igual ao de Rachel.
O trânsito, incrivelmente, estava calmo. Não pegaram nenhum sinal vermelho. 15 minutos depois, saltaram do táxi. Estavam em frente à NYADA. Rachel estava encantada! Boquiaberta... Finalmente, era real. Seu celular vibrou e viu que era uma mensagem de Kurt:
“Arrase em NYADA, pois já estou arrasando na NYU! Boa sorte minha estrela, nos vemos mais tarde! Te amo! K”
Rachel abriu um largo sorriso e respondeu:
“Boa sorte, meu amigo! Sei que a Universidade de Nova York nunca mais será a mesma depois de você. Estou ansiosa para lhe ver mais tarde! Temos muito o que conversar... ;) Tb te amo! R”
Q: Bom... A estrela está entregue! — disse com um sorriso brilhante e fazendo reverência à morena.
R: hahahahahahaha
R: Estou nervosa. — disse baixinho, quase de forma inaudível.
Q: Você não tem que ficar nervosa, meu amor... Você vai se sair bem. — disse enquanto ajeitava a roupa de Rachel, garantindo que o hematoma no pescoço não apareceria.
Rachel a abraçou e disse em seu ouvido:
R: Queria tanto beijar você agora...
Q: Vamos guardar essa vontade para mais tarde...
R: O que você vai fazer o dia todo? — perguntou voltando a encará-la.
Q: Convenci Santana a me ajudar a levar as coisas de vocês ao apartamento. Não faz mais sentido vocês ficarem no hotel. Então, quando você e Kurt saírem de suas respectivas aulas, vão direto para o apartamento, ok?!
R: Não precisa fazer isso, vai dar trabalho! — disse sem graça.
Q: Trabalho nenhum... Além do mais, vamos olhar apartamentos naquela região, estaremos no nosso caminho.
R: Falando em não fazer sentido... Não faz sentido, também, vocês ficarem em hotel, quando temos um apartamento que cabe todo mundo. Por favor, venham para o apartamento até vocês conseguirem o de vocês. Por favor... — pedia temerosa de que Quinn dissesse não.
Q: Vou falar com Santana. Preciso que ela concorde. Não posso deixá-la na mão!
Rachel jogou-se de novo nos braços de Quinn e a abraçou com força, animada com a possibilidade de Santana aceitar.
R: Espero que ela aceite! — disse com um enorme sorriso.
R: Bom... Vou entrar! Me deseje sorte!
Q: Você não precisa, mas boa sorte mesmo assim, meu amor! — disse beijando-lhe a testa.
Rachel se aproximou de seu ouvido e disse:
R: Guarde meu beijo para mais tarde, porque vou cobrar...
Afastou-se, piscou o olho e se perdeu através das portas do grande edifício. Quinn sorria e se preparava para sair, quando começou a sentir que começava a chover. Sentiu a chuva bater em sua pele e pensou que tudo parecia caminhar para que fosse realmente feliz. Tinha Rachel, que apesar de qualquer insegurança, deixava claro que a amava. Quinn estava pronta para enfrentar os obstáculos que aparecessem. Rachel fazia tudo valer a pena... Caminhou pela chuva, sem medo de se molhar, pensando que tinha várias razões para, finalmente, sentir-se leve...
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