Você Sempre Esteve Em Mim

23 Capítulo 23 - Isso é apenas delicado...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Damien Rice - Delicate

R: Oi, meu amor! — derretia-se ao telefone.

Q: Oi, meu amor! — derretia-se igualmente, enquanto era observada por uma Santana atenta.

R: Eu sei que faz apenas poucas horas que não nos vemos, mas já estou sentindo uma saudade enorme de você... Não sei como vou suportar essas três semanas... — falava num tom triste.

Q: Vai passar logo, Rach. Não se preocupa com isso. — tentava amenizar – Me conte como estão as coisas por aí e me diga como será seu dia amanhã. — tentava dissimular.

R: As coisas estão tranquilas. O quarto do hotel é pequeno, nossas malas estão amontoadas, mal dá para transitar sem dificuldades. — contava sorrindo – Kurt pediu pizza, pois estamos cansados para sair por aí. Amanhã teremos um dia cheio, pois marcamos de ver vários apartamentos. Não queremos ficar aqui no hotel muito tempo. Se você e Santana quiserem, nós marcamos para que vocês visitem os mesmos apartamentos quando vierem, porque vocês já terão nossas referências. E precisamos achar o apartamento amanhã mesmo porque, como você sabe, minhas aulas começam depois de amanhã. — dizia quase que sem pausa.

Q: hahahahahahaha Você e seu jeito de falar sem parar! — sorria.

R: Desculpa... — pedia com charme.

Q: Não se desculpe! Eu adoro isso em você... — respondia com charme triplicado.

R: E você? O que está fazendo?

Q: Eu? Estou conversando com Santana. Nada de mais... — tentava disfarçar.

R: Queria muito você aqui... Não é justo que estejamos tão distantes agora, depois de tudo o que passamos nos últimos dias. Não deveria haver essa ruptura brusca no que a gente está vivendo... — dizia frustrada.

Q: Meu amor, não é uma ruptura...

R: Mas parece. Mesmo que momentânea... Eu só acho que você poderia estar aqui. Não sei o que você tanto tem que fazer aí que não pode vir agora.

Q: Rach... Já conversamos sobre isso. — falava tentando permanecer calma.

R: Eu sei... E brigamos porque eu não entendia, e continuo sem entender, a razão de você ainda estar aí.

Q: Não seja mimada, Rachel. Eu também tenho minhas coisas para resolver antes de viajar e quero passar mais tempo em casa. Não posso? — perdia a paciência para logo se arrepender.


Não entendia porque havia falado dessa maneira, pois já estava em NY e fazer Rachel pensar que ela ainda estava em Lima era apenas uma maneira de não estragar a surpresa. Ela estava se defendendo por um motivo que já nem existia, mas Rachel não sabia...


R: Mimada? — perguntava incomodada.

Q: Desculpe... Não foi o que eu quis dizer... — tentava se desculpar.

R: Mas foi o que você disse. — respondia chateada.

Q: Vamos, Rach... Não é pra tanto... Desculpa!

R: Acho melhor a gente conversar outra hora.

Q: Por que? — começava a se preocupar.

R: Já não quero mais conversar agora. Amanhã a gente se fala. — dizia seca.

Q: Rach... — tentava consertar, em vão...

R: Boa noite, Quinn.

Q: Rach, por favor...

R: Boa noite, Quinn. Eu vou desligar, ok?!

Q: Ok... — respondia chateada.


Rachel desligou. Quinn olhava para o celular sem entender como de “Oi, Amor” passaram para um clima tenso um poucos minutos.


S: Você é estúpida mesmo Fabray ou isso aí faz parte do seu plano?

Q: Acho que sou estúpida mesmo... — respondia triste.

S: Use essa merda que você fez em seu benefício. Pelo menos a surpresa será maior amanhã. — disse piscando-lhe um olho.

Q: Falando em amanhã... — tentava voltar ao normal – Tenho que estar em Columbia às 10 horas da manhã, para a entrevista. Então, tomamos café antes e depois eu vou pra lá e você cuida dos últimos detalhes no endereço que você achou?

S: Sim. Mas antes dela ir pra lá, você vai conferir, não é?!

Q: Sim... Eu vou conferir antes.

S: Ótimo! Agora vá tomar um banho para relaxar, que vou ligar pra minha Britt.


Quinn obedeceu. Resolveu tomar um banho gelado para relaxar... Já Rachel, havia ficado irritada a ponto de nem querer comer mais. Mas Kurt insistiu. A vontade de fazer qualquer coisa naquela noite havia passado. Em sua cabeça, tinha a impressão de que Quinn estava escondendo alguma coisa, mas não imaginava que fosse algo bom. Pensava que, talvez, a loira preferisse se manter afastada para ver se, agora distantes, as coisas continuariam tendo os mesmos significados, ou se a distância mostraria uma outra realidade para a qual estiveram cegas durante a semana que passou. E Rachel tinha medo de que Quinn mudasse de ideia e perdesse a coragem. Tomou banho e deitou-se, torcendo para que o sono viesse logo. Seus pensamentos foram interrompidos por seu celular. Era uma mensagem de Quinn. Abriu imediatamente:

“Sei que te magoei. Desculpe... Não tive essa intenção... Imagino que várias coisas ruins estão passando por sua cabeça, mas eu te peço que não dê ouvido a elas. Confie em mim e me desculpe... Tudo o que eu queria agora era estar ao seu lado, meu amor... NUNCA pense o contrário... Eu te amo! Q”


Rachel pensou em ignorar, mas não queria deixar Quinn sem resposta. Então, respondeu:


“Magoou. Porque pareceu que você pensa que querer você aqui comigo é apenas um capricho e isso desvaloriza o que eu sinto. Mas eu sei que você não teve a intenção. Isso é apenas delicado... Só me deixe quieta hoje. Amanhã a gente se fala. Boa noite! R”

Quinn leu e releu a mensagem e ficou triste pelo tom usado por Rachel. Ficou clara a chateação da morena que enviou uma mensagem fria e magoada. Mal deu tempo de pensar se enviaria outra ou não, seu celular voltou a tocar, avisando uma outra mensagem.

“E eu te amo também...R”


Uma pequena dose de carinho e Quinn já poderia dormir...


Eram 8:30 da manhã e Quinn estava terminando seu café para correr em direção à Universidade de Columbia. Enquanto isso, Santana lhe explicava, pela milésima vez, tudo o que faria durante o dia.

S: Vou fazer tudo como lhe falei, Fabray. Vou confirmar no endereço, ligar para o Kurt para acertar direitinho a parte dele na missão. Depois, fico lhe esperando no endereço, você confere, eu vou embora e o resto é com você e Kurt. Já falei com os carregadores e está tudo certo. Depois de fazer tudo isso em poucos dias, você pode mandar fazer um pedestal para mim porque eu sou uma santa para você.

Q: hahahahahahaa Você? Santa? Hahahahahahahaahaha Talvez um anjo torto, Santana. Hahahahahaha

S: Não enche, Fabray!

Q: Bom... Tenho que ir! Me deseje sorte, seja lá o que querem comigo nessa entrevista!

S: Ok ok... Boa sorte, Fabray!


Eram 09:47 e Quinn estava em frente ao prédio da administração da universidade. Olhava para aquele prédio imponente e tentava entender o que estava fazendo ali. Qual seria o propósito daquela entrevista já que ela já foi aceita? Dirigiu-se à sala indicada em sua carta de admissão e se identificou assim que avistou uma senhora sentada atrás de uma grande mesa de madeira, em estilo colonial. A senhora, muito simpática a conduziu até o interior da sala do conselheiro-geral da universidade.


Senhora: Sr. Thomas, a Senhorita Quinn Fabray está aqui.

Th: Srta. Fabray, seja bem-vinda à Columbia! É um prazer recebê-la! — dizia o homem que não tinha mais do que 60 anos, enquanto lhe estendia a mão, vestindo um terno bem cortado na cor cinza, atrás de uma mesa de vidro, também grande.

Q: Obrigada, o prazer é todo meu! — disse com um sorriso enquanto segurava sua mão em aceno.

Th: Sente-se, por favor. E obrigado por sua pontualidade. É algo que prezamos muito em Columbia.

Quinn sentou-se tentando disfarçar a curiosidade. Não precisou esperar muito para saber o motivo que a levava ali.

Th: Você deve estar curiosa para saber o teor desta entrevista, não é?!

Q: Sim! Bastante! — Respondia com um sorriso sincero.

Th: Bom, Quinn. Ficamos impressionados com sua inscrição. Seu currículo escolar é impressionante! Suas notas são altíssimas, acima da média, e seu desempenho em atividades extra-curriculares é impecável. É muito raro recebermos inscrições tão completas como a sua. Sua redação foi uma das mais perfeitamente escritas já lidas nos últimos anos...

Quinn não acreditava no que estava ouvindo e tentava, de todas as formas, não esboçar o sorriso gigante que sua mente queria liberar.

Th: Quando um potencial aluno nos chama tanta atenção como você chamou, nós fazemos uma pesquisa mais aprofundada sobre sua vida acadêmica. Entramos em contato com dois de seus professores: Sr. Schuester e Sra. Sylvester.

Q: Sério?

Th: Sim! Entendemos, por toda sua inscrição e por sua redação, que seu desenvolvimento teve grande influência da arte que você praticava em sua escola. E pelo que sei, você foi do coral e foi líder de torcida. Talento e liderança natos. E nunca, nenhum professor falou tão bem de um aluno como eles falaram de você.

Q: Jura?! — Quinn estava, verdadeiramente surpresa.

Th: Juro! — respondia num tom compreensivo. — Sra. Sylvester disse que você foi a aluna mais promissora que ela já teve e que nada no mundo é capaz de se tornar um obstáculo em seu caminho. E o Sr. Schuester disse que você tem uma sensibilidade fora do comum, de quem conhece mais do mundo do que os outros são capazes de perceber. Temos as cartas e podemos lhe entregar.

Q: Cla...claro – gaguejava, sem acreditar. — Mas eles não me disseram nada sobre isso. Eu fiz a inscrição em segredo.

Th: Nós entramos em contato e eles assinam um termo de confidencialidade, que só pode ser quebrada por nós. Como agora: estou te contando e te oferecendo as cartas, para que saiba o sentimento que você despertou nos dois. Bom, tudo isso que lhe falei ainda não é tudo.

Q: Não?! — perguntava surpresa – Já é mais do que suficiente para mim... Mais do que mereço, na verdade! — dizia sincera.

Th: Não. Nós sabemos que você também foi aceita em Yale.

Q: Sim. Fui. Bolsa parcial.

Th: Era bolsa parcial. Eles agora querem te dar bolsa integral.

Q: Mesmo?! _ estava verdadeiramente surpresa.

Th: Sim. Estamos numa verdadeira briga por você, Srta. Fabray. — disse com um sorriso. — Em termos de bolsa, você sabe que já lhe oferecemos bolsa integral. Mas queremos lhe oferecer mais.

Q: Ainda tem mais?

Th: Sim. Columbia, assim com Yale, faz parte da “Ivy League”, o que, em resumo, significa que temos uma certa ligação. Desenvolvemos, com o passar dos anos, uma série de trabalhos entre as 8 universidades da Ivy League, em prol de um ensino de qualidade superior a tudo. Mas, recentemente, nós da Columbia, desenvolvemos um programa de graduação cruzada, que se trata de um convênio com as outras 7 universidades para que nossos alunos possam ter um acesso maior ao conhecimento que oferecemos.

Q: O Sr. pode explicar melhor?

Th: Claro. Serei mais objetivo. Srta. Fabray, queremos você em Columbia, mas não queremos que você perca sua chance em Yale. Então, oferecemos a você a graduação cruzada: Você será aluna de Columbia e se formará em Columbia, no que você quiser e, ao mesmo tempo, você também fará parte do corpo docente de Yale, porém, para pesquisas, no que você quiser. Assim, você terá à sua disposição duas das melhores universidades do mundo. Você não precisará frequentar Yale, mas deverá comparecer periodicamente para reuniões com seu mestre de pesquisas, que será o professor que vai lhe dar respaldo em tudo o que você precisar. Você será aluna de Columbia especializada por Yale. Normalmente você teria que se formar aqui antes de ir se especializar lá, mas com esse sistema que lhe oferecemos, você ganha tempo, saindo daqui com uma graduação mais completa.

Q: Eu... Eu não sei o que dizer. Eu nem sabia que isso existia... Que era possível. — dizia surpresa.

Th: Diga sim! — respondeu sorrindo. — E devo lhe dizer que você é uma das únicas três pessoas a quem oferecemos essa oportunidade, sendo a única desse ano e a única nas suas condições, pois você foi aceita nas duas universidades. Vemos em você um futuro brilhante nas artes. Espero que seja essa a área que pretende seguir.

Quinn estava nervosa, não conseguia organizar as ideias. Era tudo muito diferente do que imaginou. Era tudo melhor!

Q: Sim... Pretendo seguir nas artes... Cinema... Literatura... Por aí...

Th: Faça tudo. Faça todas as matérias que puder nessa área. Apostamos em você, Quinn! — dizia com um sorriso sincero. — Então? Já posso considerá-la uma aluna de Columbia?

Q: Sim! Claro! — respondeu com um sorriso iluminado! — Como eu poderia negar?

Th: Muito bem! Agora sim, bem-vinda de verdade! Informe-se sobre sua matrícula. Aqui mesmo você poderá fazer sua matrícula para as pesquisas em Yale. Providenciamos tudo para você. Além de sua bolsa de estudos, você receberá uma bolsa especial para se manter, o que ajudará nas suas viagens à Yale e com suas contas em NY.

Q: Obrigada, muito obrigada! — sorria ainda mais.

Th: Cuide da burocracia e viva tudo o que Columbia pode fazer por você, pois sabemos que você fará muito por nossa universidade! Ah... espere... Aqui está! Tome, são suas cartas. Elas lhe pertencem.

Quinn estava caminhando pelo campus ainda sem entender muito o que houve. Tudo parecia muito surreal. Ela estava muito feliz! Sua vida acadêmica parecia que se tornaria um verdadeiro e excelente desafio recompensador. Mas se deu conta de que ainda tinha muita coisa para resolver naquele dia. Apressou o passo e foi ao encontro de Santana, pois ainda tinha uma certa surpresa para cuidar...

Notas finais
Quero agradecer os reviews até aqui e espero que tenham sempre mais. :)
Espero que gostem desse capítulo. A surpresa? Será revelada no próximo. ;)