Você Sempre Esteve Em Mim

11 Capítulo 11 - O envelope azul: Columbia...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Maroon 5 - She Will Be Loved

Aquela mensagem que Rachel enviou como resposta à sua mensagem, fez Quinn sorrir de verdade. Apesar de todo um mistério empregado no jogo de palavras, a morena deixou claro que havia possibilidade de que tudo corresse como a loira esperava. Sabia que seria um longo caminho até ter certeza de que tudo ficaria bem, mas tinha certeza de que o percurso seria muito interessante.

Não conseguia dormir, apesar de saber que precisava. Mas necessitava, com mais urgência, ir à casa de Santana para conversar sobre tudo o que houve, poupando os detalhes, mesmo sabendo que a latina iria tentar arrancar dela toda a informação que quisesse. Ligar para ela não era uma opção. Esse não era o tipo de assunto a se tratar por telefone. Tomou banho, vestiu um short jeans confortável, uma bata rosa claro e sapatilhas brancas. Percebeu que sua mãe não estava em casa, e não fazia ideia para onde havia ido. Ao sair, deu de cara com o carteiro em sua porta, que lhe entregou uma pilha de correspondência. Voltou para o interior da residência apenas para deixar as cartas no aparador, até que se deparou com um envelope em seu nome. Era um envelope azul, cujo remetente era a Universidade Columbia. Quinn gelou dos pés à cabeça. Estava ali, em suas mãos, a resposta para sua ida ou não à NY. Dependendo do que estava escrito ali, ela poderia ficar perto ou a sofridos km de distância de Rachel. Faltava-lhe coragem para abrir o envelope naquela hora. Colocou o envelope dentro da bolsa e saiu, rumo à casa de Santana.

Ao chegar à casa da latina, foi calorosamente recebida pela matriarca da família, que praticamente a empurrou escada acima para que acordasse Santana. Quinn sabia que corria risco de vida ao fazer isso, mas não tinha outra saída. Já dentro do quarto, não conseguiu se conter e atirou uma almofada sobre Santana que acordou assustada, esbravejando. Quinn caiu na gargalhada e logo, a latina falou:

S: Eu vou arrancar sua cabeça, Fabray! — levantava-se, como se fosse avançar sobre a loira, mas apenas se sentou em sua cama.

Q: Bom dia, San! — disse com um sorriso enorme.

S: Que sorriso é esse?

Q: Tenho uma coisa para contar!

S: Oh meu Deus! Você transou com a Berry! — disse com os olhos arregalados.

Q: NÃO! Como você é pervertida! Só pensa nisso? — dizia incrédula.

S: Então, o que te deixou tão feliz?

Q: Bom... Vou contar... Ontem eu fui... — começava a falar, até que seus olhos pousaram sobre um envelope azul no criado-mudo de Santana. Conhecia aquele envelope. Acabara de ver um igual. Então se levantou e o pegou.

S: O que você está fazendo, Fabray?

Q: Este envelope é de Columbia. — Afirmava sorridente — Você se inscreveu em Columbia, San? — perguntava apontando para o envelope.

S: Shhhhh, fala baixo! Eu me inscrevi em segredo. Não queria que ninguém criasse expectativas.

Q: Você já abriu?

S: Não. Eu quero falar com a Brit primeiro. Ela não sabe que me inscrevi.

Q: Que tal abrir agora?

S: Acho melhor depois.

Q: E se eu te der um motivo para abrir agora?

S: E qual seria?

Então Quinn abriu sua bolsa e retirou de lá um envelope azul igual ao de Santana. A latina, ao ver o envelope, deu um salto e exclamou:

S: Você está me zoando, Fabray? Você também se inscreveu em Columbia?

Q: Sim!

S: Mas e Yale?

Q: Bom... Não custa nada estudar outras opções. — respondeu dando-lhe uma piscadinha.

S: Isso tem a ver com a Berry, não é?!

Q: Mais ou menos... — respondeu corada.

S: Eu deveria arrancar sua cabeça, Fabray, por ter me escondido isso!

Q: Mas você também não me contou que havia se inscrito.

S: Justo! Tem razão. Seu pescoço está a salvo por enquanto- falava dando um sorriso sarcástico.

Q: Então... Vamos abrir os envelopes?

Santana pensou por alguns segundos e respondeu:

S: Ok! Mas espero que valha a pena, Fabray! Porque vou deixar de abrir com a minha Brit para abrir com você. Não me decepcione! — disse rindo.

Q: Vou me esforçar para não te decepcionar — sorria de volta.

Santana pegou seu envelope e se colocou em posição de abri-lo.

S: Pronta?

Q: Prontíssima!

Ambas, ansiosas, abriram seus envelopes e começaram a ler em silêncio. Nenhuma olhava a outra para não ver a reação antes de saber a resposta. Depois de lerem, olharam-se e assentiram ao mesmo tempo com suas cabeças, falando na mesma hora:

Q/S: ENTREI!

S: Oh meu Deus, Q! Isso é fantástico! — Jogava-se sobre a loira, derrubando-a sobre a cama.

Q: Eu nem acredito! — dizia sorrindo e sinceramente feliz.

S: Consegui bolsa de 50%. E você? Conseguiu bolsa?

Q: Sim! Integral... — respondeu sorrindo.

S: Fabray, sua cachorra! — abraçava Quinn orgulhosa.

Q: Obrigada pelo elogio!

S: hahahahahahaha Sempre às ordens!

Q: Aqui eles dizem que estão muito felizes em me receber como aluna em Columbia, oferecem a bolsa integral, mas marcam uma entrevista comigo. O que será que querem? Marcaram entrevista com você?

S: Não. Apenas dizem o mesmo sobre me receber como aluna e oferecem a bolsa de 50%.

Q: Bom, coisa ruim não deve ser!

Então Santana começa a pular na cama gritando:

S: A trindade profana não vai se separar por completo!

Q: hahahahahahaahaa Calma, San! Ainda preciso resolver minha situação em Yale. Tudo meu está organizado para ir para lá.

S: Você ainda vai pensar se vai para Columbia?

Q: Não. Só preciso me organizar.

S: Não. Eu sei o que se passa. Você está com medo da Berry.

Q: Não é isso!

S: Q, Columbia é uma das melhores Universidades do mundo, assim como Yale. A menos que Yale seja muito melhor do que ela, não vejo razão nenhuma para você não ir comigo à NY, para ficar perto da sua garota.

Q: Ela não é minha garota.

S: Ainda, Fabray... Ainda.

Q: Como você sabe disso?

S: Eu sei de tudo! E, além do mais, seu sorriso besta de quando você chegou aqui, entrega que, de alguma forma, você se acertou com ela.

Quinn sorriu em concordância.

S: Você vai me contar, não vai?

Q: Vou!

S: Vamos morar juntas em NY, não vamos?!

Q: hahahahahahahaha, Tenho escolha?

S: Claro que NÃO tem! Hahahahahahahahaha

S: Agora me conte tudo.

Q: Desculpe, mas vou resumir, ok?!

S: Caralho, Fabray! Como você é chata! Resuma, então!

Q: Bom, eu me declarei para ela.

S: E ela, claro, deve ter gritado a plenos pulmões.

Q: Não! Ela foi perfeitamente incrível!

S: Como assim?

Q: Digamos que eu a beijei, ela retribuiu e que ela me beijou algumas vezes por conta própria. — respondeu completamente corada.

S: Oh meu Deus! Fabray, sua safadinha! Berry não agiu como Berry e ainda te deu uns "pegas"?! Que mundo é esse? Hahahahahahaahahhaa

Q: Para de falar assim!

S: Fala mais. Vocês estão namorando?

Q: Não! Calma. Conversamos muito. Eu surtei várias vezes. Chorei tanto que você teria me batido para eu parar.

S: Posso bater agora, ainda dá tempo!

Q: hahahahahahaha NÃO!

S: Continua...

Q: Então... Ela não sabe o que está sentindo. Obviamente que o que ela sente por mim não é só amizade, mas não quer dizer que ela sinta o mesmo que eu, ou algo que se aproxime.

S: Se ela não sente isso agora, ela vai sentir. Não se preocupe!

Q: Como você pode ter tanta certeza?

S: Você é irresistível, Fabray! — respondeu naturalmente.

Q: Como é que é? — perguntava surpresa.

S: Vai dizer que você não sabe que é irresistível?!

Q: Claro que não sei. Quer dizer, claro que não sou! — respondia firmemente.

S: Então deixa eu te dizer uma coisinha: Eu e Brit temos um pacto de fidelidade.

Q: Isso é justo e correto.

S: Calma que não terminei.

Q: Desculpe! Prossiga...

S: E, nesse pacto, temos autorização para beijarmos apenas uma outra pessoa: Você!

Q: O QUÊ?! — perguntava surpresa! — Que brincadeira é essa?!

S: Não é brincadeira, Fabray! Concluímos o que é óbvio: você é irresistível! A única pessoa irresistível que conhecemos. Além de mim e da Brit, claro! Então, por você ser irresistível, nós já nos autorizamos e, o ato de beijar você não seria considerado traição!

Q: Isso é loucura! Vocês são loucas! — respondia rindo, mas um tanto quanto sem graça.

S: Fabray, guarde isso na sua memória: no dia em que você me pedir para te beijar, antes de você terminar a frase, minha língua já estará dentro da sua boca! O mesmo serve para a Brit.

Q: PARA! Deixa de ser nojenta!

S: hahahahahahahahahaha Lave sua boca, Fabray! Um beijo meu seria uma honra para você.

As duas caíram na gargalhada. Definitivamente, ninguém fazia Quinn se sentir tão leve como Santana. A amizade das duas era antiga e sincera. Apesar de terem se afastado algumas vezes, sempre voltavam a contar uma com a outra, e elas se entendiam como ninguém.

Q: Obrigada, S!

S: Por quê?

Q: Pela força que você me deu e está me dando. Se não fosse por você, eu não teria tido coragem de falar com a Rachel e não teria vivido o que vivi ontem. O que estou vivendo, aliás.

S: Jura que vocês não transaram?

Q: Ai, Santana! Eu JURO!

S: Ok, ok! Mas me conte: Berry beija bem?

Q: Como ninguém! Ela é toda perfeita! — respondeu completamente apaixonada.

S: Olha só, Quinn Fabray é mesmo gay! — falava sorrindo.

Q: Precisa rotular?

S: Não, não preciso!

S: Você está lidando bem com isso? Com o fato de ser uma garota e de ser Rachel?

Q: Não sei. Só sei que estou completamente louca por ela.

S: Dá pra sacar. Columbia é um exemplo disso!

Q: Será que ela vai pensar assim também?

S: Acho que não.

Q: Bom... Você vai ao jantar do Sr. Shuester hoje, não vai?!

S: Vou sim! Quer carona?

Q: Não, obrigada! Eu vou com a Rachel. Vou buscá-la. — respondeu sorridente.

S: Ai, meu Deus! Já virou namoradinha! Hahahahahahahahaha

Q: Não enche, Santana!

S: Devo confessar que estou surpresa com a Berry. Não pensei que ela seria tão madura! Cadê aquele drama irritante todo que corre nas veias dela?

Q: Não fale assim! Ela não é irritante! Mas, quanto ao drama, não existiu... Não da parte dela, pelo menos. Quando eu digo que ela foi perfeita, é porque foi! Ela, praticamente, me segurou, para que eu não desabasse na frente dela. Ela me ouviu e disse coisas sinceras que me deixaram lúcida diante de tamanha declaração. Ela me olhou, várias vezes, de uma forma que eu jamais desejei ser observada. Tinha admiração no olhar dela, proteção, carinho... Eu entrei naquele quarto sentindo um amor numa certa medida. Saí de lá com todas as medidas extrapoladas...

S: Estou quase chorando... E se eu chorar, eu mato você, Fabray.

Q: hahahahahahaahahahaha Bom... É isso!

S: Ah, não! Conta mais!

Q: Não, S. Deixa eu ficar com parte da história só para mim. Quer dizer, só para mim e ela, ok?!

Q: Só quero que você saiba que ainda vou precisar muito de você! Muito! Não quero falhar com ela. Não posso falhar! E você além de minha amiga, já passou por isso e vai saber me ajudar melhor do que ninguém.

S: Pode contar comigo, Q!

Q: Sei que posso! — sorriu em agradecimento.

S: Tá! Agora me deixa comer que eu estou morrendo de fome.

Q: Quero comer também.

S: Mas você é folgada demais, viu, Fabray?!

Q: hahahahahahaha Não seja mal educada, San!

S: Vamos descer. Preciso contar aos meus pais sobre Columbia.

Q: Não fala sobre mim ainda, ok?! Preciso falar com minha mãe antes.

S: E Rachel...

Q: É... Vou ver isso. Como e quando falar isso para ela.

S: Não complica, Q!

Q: Não se preocupe com isso.

S: Eu me preocupo sim! Lembre-se do quanto eu compliquei minha relação com a Brit e do quanto eu sofri por isso. Não cometa os mesmos erros que eu, Fabray! Porque dói! Rachel pode ter sido toda compreensiva e toda maravilhosa com você, mas você sabe... todo mundo sabe, aliás, que ela é louca, toda cheia de organização e meticulosa e que sabe brigar e encher nossos ouvidos com discursos intermináveis. Se ela souber sobre Columbia antes de você contar para ela, ou se souber muito tempo depois, tenho certeza de que ela ficará chateada. E ficar chateada na linguagem de Rachel Berry é tipo a 3ª Guerra Mundial na nossa língua!

Q: Não exagera, Santana! E também não se preocupe! Eu saberei o que, quando e como fazer.

S: Só estou dando a dica. Você seria esperta se a seguisse, pois eu sempre estou certa. Você sabe disso!

Q: Sei... Eu sei... — respondia sem dar muito crédito à total ausência de modéstica de Santana.

Enquanto Santana ia ao banheiro antes de descer, Quinn a esperava sentada na cama, quando seu telefone tocou. Era uma mensagem. Era Rachel. A loira ficou nervosa, e mal conseguia segurar o celular... Animada, começou a ler:

“Seria querer demais que você ainda estivesse aqui? Estou ultrapassando os limites seguros ao escrever para você? Dizendo o que estou dizendo? Prefiro não pensar nas consequências e apenas dizer o que estou sentindo. E neste momento, o que sinto, é a falta do seu calor em minhas costas... ;) R”

Quinn não acreditava no que lia. Era perfeito demais para ser verdade! Ainda que a morena estivesse mantendo a conversa no nível da atração, já era um grande ganho para a loira, que não se conteve e respondeu:

“Não quero acreditar que haja limites entre nós, portanto, não deixe de caminhar sem freios. Continue vindo em minha direção. Estou esperando por você... E quanto à falta... Sinto falta de você inteira, o tempo todo em que você não está perto...Q”

O dia passou devagar. Quinn estava em casa, escolhendo a roupa para ir ao jantar, quando seu celular tocou novamente. Mais uma mensagem de Rachel. Sentou-se e começou a ler:

“Parafraseando o Pequeno Príncipe: Se tu vens, por exemplo, às SETE da NOITE, desde as SEIS eu começarei a ser feliz. ;) Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às SETE horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... Bjo! R”

Quinn deu uma gargalhada e sorriu imensamente! Rachel estava sendo inacreditavelmente doce. A loira sabia que a morena ainda estava confusa e que essas mensagens não significavam que ela também estava apaixonada, mas que estava disposta a descobrir que sentimento era esse que as unia, que fazia com que Rachel correspondesse, até certo ponto, aos sentimentos de Quinn.

A loira, então, respondeu imediatamente, para poder se apressar e ficar pronta para ela:

“Estou certa de que não há no mundo força maior do que esta que me leva até você... Você é para onde devo e quero ir... Q”

O relógio indicava que faltavam 3 minutos para as 19:00, mas Quinn já estava na porta de Rachel. Sem perder tempo, tocou a campainha. Não demorou e a porta logo se abriu e Quinn avistou um sorridente Hiran:

H: Boa noite, Quinn! Seja bem-vinda!

Q: Obrigada, Sr. Berry! — respondia com um sorriso tímido.

H: Pode me chamar de Hiran. Não precisa dessa formalidade toda – disse sorrindo.

Q: Vou tentar chamá-lo assim, Sr. Quer dizer, Hiran. — sorria encabulada.

Ouviu passos na escada e levou seu olhar para aquele local. Dali, descia uma Rachel Berry vestida especialmente para o jantar ou para Quinn? Bem, com certeza era uma imagem que a loira jamais esqueceria, depois, claro, de fechar a boca diante de sua notável adoração...

(continua...)

Notas finais
Estão gostando? Espero que sim! :)