Você Sempre Esteve Em Mim

12 Capítulo 12 - Finn ou Quinn?


Notas iniciais
Música do Capítulo - Maroon 5 - Must Get Out

Era raro ver Rachel Berry com os cabelos presos. Mas Quinn não precisava saber que a recente ligação entre os seus lábios e o pescoço de Rachel havia inspirado a morena a escolher prender os cabelos num rabo-de-cavalo, deixando sua franja cair de lado, despojadamente. Escolheu um vestido azul-marinho, com um ombro só, colado ao corpo, acima dos joelhos. Qualquer pessoa diria que Rachel estava linda, mas para Quinn, ela estava muito mais do que linda. A loira ficou sem palavras, o que fez a morena sorrir. Confirmou que havia alcançado seu objetivo. Então, foi Hiran quem falou primeiro:

H: Você está linda, filha!

R: Obrigada, papai! O pai ainda não chegou?

H: Não. Eu vou buscá-lo e vamos jantar depois. Não temos hora para chegar, então, não esqueça de levar a chave.

R: Ok! Levarei.

Quinn, até então, não havia dito uma palavra desde que Rachel apareceu em sua frente. Então, a morena resolveu quebrar o silêncio:

R: Vamos? — disse com um sorriso de derreter iceberg.

Q: Sim... Sim, sim... Vamos! — disse saindo, finalmente, do seu transe.

Rachel se dirigiu à porta do passageiro e entrou rápido. Pôde notar que quando Quinn cruzou o carro por fora, até chegar à porta do motorista, deu uma breve parada atrás do veículo, respirou fundo e continuou. Ao entrar, viu que a morena estava sorrindo e esperava que não fosse por causa de seu comportamento. Sabia que Rachel arrumaria um jeito de deixá-la sem graça, então, dessa vez, tinha que ser a primeira a falar. Deu a partida no carro, e quando já havia se afastado da rua da morena, disse:

Q: Seu pai tem razão: Você está linda! — falou com a voz calma e com um meio sorriso acompanhando a sobrancelha direita arqueada. Mas tomo a liberdade de acrescentar um "incrivelmente". Então, devo dizer que: Você está incrivelmente linda! — finalizou com um sorriso maior.

Rachel corou ferozmente, mas não podia ficar calada:

R: Obrigada! E que bom que você pensa assim. Eu não preciso me sentir inferior, porque você está magnífica...

Quinn usava um vestido preto, também colado, mas de mangas compridas, um decote em formato de U, os cabelos relativamente curtos, soltos. Estava realmente linda!

Continuaram o caminho em silêncio, que contrastava totalmente com a noite anterior, bem como com as mensagens trocadas durante o dia. Rachel ficou preocupada que Quinn estivesse repensando tudo, enquanto Quinn estava tentando dar espaço à Rachel, tentando não pressioná-la. Foi a morena quem tomou a iniciativa de mudar a situação. Ao observar as duas mãos da loira ao volante, percebeu que ela o apertava com mais força do que o normal. Sabia que era produto do nervosismo e então, estendeu sua mão esquerda e a colocou sobre a mão direita de Quinn, retirando-a do volante e colocando entre as suas. A loira a olhou rapidamente, esperando que a morena explicasse o porquê disso:

R: Você vai precisar dessa mão agora?

Q: Não... — respondeu com um sorriso confuso.

R: Então eu vou ficar com ela um pouco, ok?! — respondeu sorrindo, para, logo depois, dar uma piscadinha.

Quinn sorriu e entendeu que, mais uma vez, Rachel se encarregava de quebrar o gelo. De tornar a situação mais leve, de dar à Quinn a segurança para deixar de se preocupar. A morena entrelaçou seus dedos aos da loira e, naturalmente, começou a acariciar as costas da mão de Quinn.

Finalmente, estavam em frente à casa do Sr. Shuester e viram os carros conhecidos de seus amigos à porta. Concluíram que eram as únicas que faltavam chegar. Rachel soltou a mão de Quinn e se preparou para descer, quando a loira a segurou delicadamente pelo braço. Rachel virou para olhá-la, esperando que ela dissesse alguma coisa, mas Quinn permaneceu calada, apenas encarando os olhos castanhos à sua frente. Rachel lançou-lhe um olhar carinhoso, então Quinn soltou o cinto de segurança e se aproximou. Pôs sua mão direita no pescoço da morena e o acariciou com movimentos circulares de seu polegar. Rachel fechou os olhos quando o arrepio lhe atacou. Então, Quinn se aproximou mais e sobre seus lábios, falou:

Q: Não há sanidade no mundo, nem autocontrole que resista a você vestida assim... Desculpe não resistir, mas eu vou beijar você agora! — e beijou-lhe a boca com fome.

O beijo já começou voraz. As línguas dançavam com pressa, com desejo. Rachel levou suas mãos aos ombros de Quinn, puxando-a para mais perto e então a loira ultrapassou um limite: sua mão esquerda caiu sobre a coxa de Rachel, que não reclamou. Acariciava ali, num movimento carinhoso de sobe e desce na parte superior. Rachel, ofegante, foi quem se separou.

R: Acho que devemos entrar... — disse baixinho, com os olhos fechados, ainda sobre os lábios de Quinn.

Q: Devemos... — disse se afastando.

Rachel a segurou e deu um selinho demorado, depois deu um beijo no nariz da loira, depois na testa, depois no rosto, como se dissesse: "está tudo bem..."

Quinn, então sorriu, e agradeceu em silêncio o controle de Rachel na situação.

Assim que entraram, foram recebidas por gritos dos amigos. Todos já estavam conversando alegremente, enquanto Emma e Sr. Shuester levavam o jantar à grande mesa. Finn se aproximou de Rachel, estranhando o fato dela ter chegado com Quinn. Apesar de já serem amigas há um bom tempo, Finn não conseguia se acostumar com isso, e vez ou outra, expressava sua estranheza:

F: Oi, Rach! Se eu soubesse que você não tinha como vir, eu teria te buscado.

O sangue de Quinn subiu à cabeça e ela não conseguiu se controlar:

Q: Ela não veio comigo por falta de opção, Hudson! Ela veio comigo porque eu ERA a opção.

Rachel a olhou surpresa. Pensava que ela ficaria calada e manteria a pose, ignorando o comentário de Finn. Mas, não! A loira se armou e revidou o comentário. Rachel ficou satisfeita. Sentiu que Quinn marcava território, mesmo sem perceber. Antes que uma confusão se formasse, tratou de dissimular e chamar a atenção para outras coisas, carregando Quinn para perto dos outros. Santana puxou Quinn para um canto, precisava falar com ela.

S: Contei à Brit sobre Columbia.

Q: Não falou de mim, né?!

S: Claro que não, Fabray! Sou fofoqueria, mas tenho palavra! Se eu disse que não falaria, eu não vou falar, né?!

Q: E o que ela achou?

S: Ela disse que está feliz por mim. Ela ainda está triste, porque vamos ter que manter o relacionamento à distância, mas eu sei que vamos fazer dar certo.

Q: Vai dar certo! — disse dando um sorriso encorajador.

S: E você... Contou à Berry?

Q: Não.

S: Quinn! Não faz isso! — repreendia a amiga.

Q: Não se preocupe, S! Eu sei o que estou fazendo.

S: Tá... Se você diz...

Voltaram a ficar entre o resto do pessoal. Todos já estavam sentados à mesa. Santana se dirigiu à cadeira ao lado de Brit, enquanto Quinn observava onde sentaria. Só restava um lugar: ao lado de Rachel. Não poderia ser melhor. Mas do outro lado de Rachel estava Finn, prestes a engolir a morena na primeira oportunidade. Quinn sentou-se e começou a participar da conversa dos amigos, tentando dissimular o desconforto de ver Finn encarando Rachel o tempo todo. A morena sentia-se desconfortável, pois já imaginava o que passava pela cabeça de Quinn. Antes que as coisas tomassem um rumo desagradável, Sr. Shuester pediu a palavra e começou a elogiar seus alunos, os formados e os que ainda permaneceriam na escola. Relembrou toda a trajetória do New Directions e se emocionou. Todos ficaram emocionados, na verdade, principalmente Rachel. Ela sentia que tudo o que ela havia conquistado até aquele momento, só tinha sido possível por causa do coral, e o Sr. Shuester fez questão de dizer que Rachel foi a peça fundamental para as conquistas dele. Para própria existência do clube.

Quinn estava orgulhosa. Sabia que Rachel era a peça principal do Glee Club, assim como sabia que a morena amava tudo o que o coral representava. Foi um ciclo importante para todos eles. Amizades foram criadas, fortalecidas. Amores descobertos...

Passaram horas conversando, comendo, rindo. Vendo fotos, vídeos... Sabiam que um momento como esse, provavelmente, jamais aconteceria de novo, agora que cada um seguia seu próprio caminho...

Quinn estava sentada ao lado de Santana e de Sam, relembrando coisas engraçadas entre eles, quando percebeu que Finn se aproximou de Rachel e falou algo ao seu ouvido, estendendo-lhe a mão. Desviou o olhar, mas percebeu que a morena a encarou, como se quisesse dizer, com os olhos, que não era nada demais. Quinn ignorou, fingiu que não percebeu, mas Rachel sabia que ela havia visto. Afastou-se da sala e foi conversar com Finn no jardim. Percebendo uma certa tensão, Santana disse ao ouvido da amiga:

S: Calma! Só vão conversar...

Q: Estou calma! — disse, fingindo tranquilidade.

S: Espero que esteja mesmo...

No jardim, Finn elogiava Rachel. Dizia o quanto ela estava linda e lamentava o fato de estarem separados. Dizia que estava com saudades e que continuava disposto a fazer o namoro dar certo.

F: Eu quero ir com você para NY, Rach. Quero que fiquemos juntos, como planejamos.

R: E o que você vai fazer lá, Finn? — perguntava calmamente.

F: Eu não sei. Emprego não deve faltar. Mas eu preciso ficar com você.

R: Não acho que seja uma boa ideia, Finn.

F: Por que? Nós íamos casar, Rachel. O que mudou? Eu sei que fui infantil e egoísta, não te apoiando totalmente, mas era porque eu estava com medo. Medo de te perder. Eu acho que mereço uma segunda chance. Todo mundo merece.

Rachel não falava nada. Apenas escutava, enquanto lembranças de seu relacionamento com Finn vinham à sua mente.

Finn se aproximou e acariciou o rosto da morena:

F: Eu te amo, Rach! E sei que você também me ama. Não há motivo para não ficarmos juntos.

Finn não sabia, mas havia um motivo: Quinn. Ela era o motivo por Rachel não dizer sim naquele momento. De repente, Finn a puxou e lhe beijou. Mesmo surpreendida, a morena acabou retribuindo. Finn a abraçou, enquanto a beijava com paixão. Rachel começou a cair em si e percebeu onde estava, e que Quinn estava do outro lado da porta. Com cuidado, afastou Finn, tentando não parecer ríspida.

R: Não, Finn... Não é uma boa ideia nos beijarmos... — falava com o olhar para qualquer direção, menos para o rosto do rapaz.

Finn a segurou pelo queixo e a encarou:

F: Não entendo o porquê... Mas eu não vou insistir. Não agora. Mas eu não vou desistir de você. Eu quero você de volta, Rach... E vou ter você de volta. — falava com convicção.

Rachel lhe deu um beijo no rosto e o abraçou. Com o rosto em seu peito, precisou dizer:

R: Eu não quero magoar você, Finn. Nunca quis... — então se soltou e se afastou, voltando para dentro da casa.

Quinn observou quando a morena entrou meio desconcertada, sem conseguir olhar para ela. Nesse momento, entendeu tudo: Rachel estava mais confusa do que nunca. Quinn ficou gelada. Respirou fundo e conseguiu dissimular perfeitamente, permanecendo na conversa, que agora envolvia todos os amigos ali presentes. Rachel sentou-se ao lado de Kurt, e tentou acompanhar a conversa e as risadas, mas sua cabeça já não estava mais ali.

Os amigos começavam a se despedir, então Quinn se levantou, o que fez com que Rachel se levantasse também, entendendo que estavam indo embora. Depois de uma demorada despedida de todos os amigos, entraram no carro sem sequer trocar um olhar. O silêncio ali dentro era pesado. Quinn não tirava os olhos da estrada, enquanto Rachel mantinha o olhar em sua janela lateral. Sabendo que deveria dar o primeiro passo, a morena respirou fundo e perguntou:

R: Vamos ficar nesse silêncio o caminho todo?

Q: Eu não tenho nada para dizer... — respondia, dominada pelo orgulho e pelo ciúme.

R: Então é assim que funciona para você? O primeiro momento em que você se sente incomodada com alguma coisa, nós vamos ficar sem comunicação? — perguntava irritada.

Q: Você quer conversar?

R: Quero!

Q: Então antes me responda: Você e o Finn se beijaram?

Rachel gelou. A postura de Quinn era desafiadora. Ela não demonstrava tristeza no olhar, mas uma dureza que se aproximava da raiva.

R: Por que me pergunta isso? — questionava temerosa. Não queria responder.

Q: Apenas me responda: Vocês se beijaram?

Rachel não respondia.

Q: Anda, Rachel! É uma pergunta simples, com apenas duas simples opções de resposta: sim ou não. Qual você me diz?

Rachel não tinha como fugir. Quinn já tinha sua resposta, só precisava que a morena confirmasse.

R: Sim... Ele me beijou.

Quinn apertou os olhos rapidamente e suas mãos apertaram o volante. Tentou manter a calma e prosseguiu:

Q: Eu não vou repetir essa pergunta, então espero que você responda e seja sincera comigo: Você beijou de volta?

Os olhos de Rachel encheram de lágrimas, então, ela não tinha mais saída, quando as lágrimas começaram a correr...

R: Sim... Eu retribuí! — respondeu com vergonha, sabendo que acabava de magoar Quinn.

Q: Então não há mais o que conversar. — disse seca e cortante.

Quinn continuou a olhar para a frente, rezando para chegar logo à casa da morena e poder livrar-se, sozinha, do nó que se formava em sua garganta. Rachel estava surpresa com a atitude da loira e começava a se desesperar.

R: Então vai ser assim? — perguntava chorando — Você vai simplesmente pular fora?

Quinn parou o carro. Soltou o volante, passou as mãos nos cabelos, respirou fundo, olhou Rachel nos olhos e perguntou:

Q: O que merda você quer que eu faça? — soltava, demonstrando toda sua fúria.

Rachel recuou um pouco, assustada com o tom empregado por Quinn. Mas, rapidamente se recompôs e resolveu encarar:

R: Eu quero que você lute! Quero que lute por mim! Lute por nós, Quinn! — falava já com o tom de voz alterado, prestes a gritar.

Q: E como você espera que eu faça isso, se você ainda está presa a ele? Se basta ele se aproximar de você que você já não sabe o que quer? Nós não somos nada e aqui estou eu, feito uma idiota, cobrando satisfações de um relacionamento que nem existe! — agora era a loira quem começava a chorar.

R: Não diga que não somos nada! Você não tem o direito de dizer isso! Não pode dizer que não existe nada entre a gente! — gritava com o choro lhe cortando o ar.

Q: E o que existe, Rachel? O que somos?

R: O fato de não saber nomear o que há entre a gente não faz o que sentimos menos importante. — a morena soluçava, e se esforçava para falar.

Q: Eu amo você, Rachel! O que eu sinto tem um nome: é amor. AMOR! Indo contra tudo o que eu acreditava, contra tudo o que me ensinaram, contra toda a minha criação... Eu sou louca por você! Eu te amo de um jeito que ninguém nunca vai te amar. Nem ele! — agora era Quinn quem gritava.

Q: Como você quer que eu encare o fato de que você ainda gosta dele? Como você quer que eu encare o fato de que ele ainda está atrás de você?

R: Você vai deixar ele me reconquistar? Vai deixar? — perguntava chorando e desafiante.

Q: O que você quer que eu faça?

R: Eu já falei: lute por mim! — chorava sem parar — Por favor, lute por mim!

Quinn sentiu uma pontada em seu peito. Ver Rachel chorando a machucava demais! Desceu do carro. A rua estava deserta. Encostou-se e cruzou os braços, tentando encontrar apoio em si mesma. Rachel também desceu e rodeou o carro. Ficou em frente à loira e colocou a mão sobre seu braço, temendo que ela se esquivasse, mas ela não se esquivou. Respirou fundo ao toque e, então, encarou seus olhos.

R: Eu estou te pedindo para lutar por mim... Por favor, não me negue isso! — permanecia chorando, enquanto Quinn continuava calada, com as lágrimas escorrendo em seu rosto.

R: Eu sei o que o Finn quer. Sei o que ele sente, sei o que pretende. Mas de você, eu só sei o que você sente. Eu não sei o que você quer. Eu não sei!

Q: Eu quero você! Já não deixei isso claro? — perguntou duramente.

R: Não deixou claro o que pretende fazer para que eu seja sua. Eu não tenho a segurança de que você vai ficar do meu lado, porque o seu medo é gigante! Eu estou do seu lado, tentando mostrar que não pretendo permitir que você se afaste, mas tenho a sensação constante de que você vai se afastar. Que quando as dificuldades começarem a aparecer, você não vai ter forças para lutar e vai me deixar... — chorava cada vez mais.

Quinn não fazia ideia de que Rachel pensava dessa forma. Isso realmente a surpreendeu.

R: Eu sei que não lhe dei segurança alguma sobre meus sentimentos. Eu sei que estou confusa e que você merece mais do que isso... Me ajude a me entender. A nos entender!

Q: E como você espera que eu faça isso?

R: Faça eu te amar como você me ama! Ou melhor, me ajude a enxergar que eu talvez já ame você da mesma forma...

Rachel pedia com toda sinceridade. Estava se expondo mais do que nunca, colocando-se nas mãos de Quinn de uma vez por todas... A loira respirou fundo, retirou calmamente a mão de Rachel que estava sobre seu braço e falou:

Q: Vamos embora! Aqui não é seguro. Entra no carro! — disse com calma e baixo.

R: Quinn...

Q: Vamos, Rachel! — abriu a porta e entrou no carro.

Rachel sentou-se em seu lugar e sentia-se a menor pessoa do mundo. A sensação de perder Quinn era a pior que já havia sentido. Parecia lhe cortar por dentro, como mil facas rasgando. O resto do caminho foi percorrido em um silêncio sepulcral. Enfim, Quinn parava em frente à casa de Rachel. A morena retirou o cinto e a olhou. Esperou alguma reação, mas Quinn apenas olhava para a frente. Rachel achou que já havia dito tudo para o momento, então não tinha mais forças para pensar em dizer mais nada. Abriu a porta e colocou o pé direito para fora, então parou. Tentou estabilizar sua respiração para falar, por fim:

R: Me desculpe! Eu não queria te machucar! E preciso que você não duvide que eu não queria que isso tivesse acontecido. Eu não queria ter magoado você... E quero que saiba, que estou disposta a ser sua... — o choro voltava — mesmo que eu não consiga dizer o que você precisa ouvir, não há ninguém mais que eu queira... Eu não quero ser de mais ninguém, além de sua. Eu sou louca por você...

Quinn permaneceu em silêncio. Rachel não a olhava, então não percebeu que a loira estava chorando. Saiu do carro apressada, não conseguia mais ficar ali. Quando estava no meio do caminho até sua porta, ouviu a batida da porta do carro. Olhou para trás e viu Quinn de pé, olhando para ela. Esperou um pouco, até que a loira começou a caminhar em sua direção. Os olhares se enfrentavam, até que Quinn chegou até ela. E então, falou:

Q: Eu vou entrar com você.

Rachel não entendia essa súbita decisão, mas assentiu, mesmo surpresa. Era mais do que ela esperava e julgava merecer naquele momento. Dirigiram-se até o interior da casa, então, quando Rachel fechou a porta, enfim entendeu as intenções de Quinn.

A loira a abraçou. Colocou seus braços ao redor da cintura de Rachel que, ao sentir o toque, imediatamente levou os braços ao pescoço de Quinn. As duas estremeceram. Abraçadas, não diziam nada. Apenas se apertavam, como se estivessem com medo de desaparecerem para sempre, uma para a outra... O silêncio não poderia ser eterno, então Quinn o quebrou:

Q: Eu vou lutar por você! — disse ao ouvido da morena

Q: Eu vou lutar e vou ganhar! Eu te amo e não vou a lugar nenhum sem você.

Rachel não sabia, mas nessa frase, implícita, estava a decisão definitiva de Quinn em ir para Columbia. Não ficaria longe da morena e poderia, enfim, lutar para que alcançasse a certeza de que era amada de volta.

Rachel se apertou no abraço, deixando claro que isso significava sua declaração muda de "obrigada por me dar essa chance!"

R: Vamos subir! — disse docemente no ouvido de Quinn.

Em seu quarto, levou a loira até sua cama e deitou-se. Ficaram frente a frente, como na noite anterior. E, novamente, o quarto começou a fazer sentido. Rachel beijou a testa de Quinn. Depois o olho direito. Depois o nariz. Acariciou o rosto da loira com sua própria bochecha até beijá-la. Quinn levou a mão à nuca da morena e retribuiu o beijo com o mais profundo amor. Rachel se deixou levar, e sentiu a língua de Quinn dominar sua boca, passear pelos dentes, tocar o céu da boca com carinho. Rachel gemia com o domínio que Quinn tinha sobre seu corpo. Levou as mãos aos cabelos loiros e afagou com devoção. Entrelaçando as pernas, como se quisessem se tornar uma só. Rachel se separou do beijo:

R: Quinn, olha pra mim! — Quinn obedeceu.

R: Eu não conseguiria ficar sem você... Eu não consigo sequer imaginar ficar sem você... Me desculpe por te magoar! Por favor, me desculpe! Por favor... — pedia com a voz falha.

Quinn fechou os olhos e reabriu, expressando um olhar de concordância. Então Rachel se aproximou de seu pescoço e deixou um beijo molhado ali, seguindo em direção ao ouvido para dizer:

R: Tenha paciência comigo e não deixe de me amar, porque eu preciso que você me dê a chance de dizer que eu te amo de volta...

E, novamente, o mundo se resumia naquele quarto. E tudo lá fora voltava a ficar silencioso...

Notas finais
Capítulo pesado, mas necessário. Espero que gostem e que não se chateiem comigo! ;)