Você Pertence a Mim
7 Capítulo 7
Algumas pessoas eu conhecia de vista, mas a maioria, eu não fazia ideia de quem eram. Daisy andava com o braço colado no meu, falando a todo vapor e me apresentando a um monte de jeito. Ela cumprimentava pessoas, elogiava alguma coisa nelas e ass que virava as costas falava mal.
– Você viu aquele cabelo? Ela deve ter ido ao salão e voltado porque estava fechado. Ou quem sabe esteja esperando passarinhos irem morar naquele ninho. Céus, quanto mal gosto. Você viu o sapato daquela ali?
O momento de tensão foi quando demos de cara com Ângela. Ela usava um vestido lilás, que Daisy me disse que era igualzinho ao que a Britney usava no clipe Piece of Me.
As duas tinham se olhado, se abraçado, riram de alguma piada e se afastaram. Era muita falsidade pra mim, e foi com grande alívio que logo depois de falar mais um pouco da roupa e do corpo de Ângela que Daisy me deixou sozinha.
Fui pra fora e me sentei em um dos bancos, cansada de tudo aquilo, detestando aquela música nos meus ouvidos. Se Daisy não aparecesse logo, eu iria escapar.
Se passaram alguns minutos, me levantei e fui até a saìda. Bati em alguém e me surpreendi ao ver Marcus.
– O que está fazendo aqui? — dissemos praticamente juntos, e começamos a rir.
– Só dei uma passada, uma garota me convenceu a vir. E você? — perguntei.
– Uma garota me convenceu a vir também. — percebi que assim que ele disse isso, se arrependeu. — Mas foi só na amizade, ela queria me apresentar a und amigos, socializar. Só vou dar uma passada e já vou embora.
Fiz que sim com a cabeça e coloquei as mãos no bolso da calça, estava começando a sentir frio.
– Então... Eu vou indo. Divirta-se. — eu disse, forçando um sorriso.
– Ok. Eu passo na sua casa mais tarde. — ele disse, e isso também pareceu forçado.
– Eu vou dormir assim que chegar em casa, nem perca seu tempo. — eu disse, rindo. — Falo sério, divirta-se.
Nos encaramos por maid alguns segundos e ele me deu um selinho. Andamos em direção oposta, e me perguntei se só eu achei aquilo estranho. Marcus era meu namorado, não era? E não tinha problema algum ele ir a uma festa, tinha? Analisei meus pensamentos e cheguei a resposta "não". Só não tinha certeza de pra qual pergunta ele era.
Naquela noite eu caminhei até a minha casa. Recebi três ligações de Daisy, uma de Marcus e uma mensagem dele : "durma bem, beijos". Não atendi nem respondi.
Tinha tentado dormir, mas acabei indo estudar. Três da manhã, eu já tinha feito todos os meus trabalhos e Marcus não havia chegado em casa. Dormi e sonhei com incógnitas.
*-*-*-*-*-*
As semanas foram se passando, Marcus e eu não podíamos estar mais longe, mesmo sendo vizinhos, e minhas notas não podiam estar mais altas. Li em um artigo que quando você está apaixonado, seu cérebro tende a ficar mais irracional, o que resulta num decaimento de seu trabalho. Isso me assustou um pouco.
Eu gostava de Marcus, e até sentia falta dele. Porém, cada um de nós sonha com um objetivo, e o meu na vida era entrar para uma boa faculdade.
Daisy nunca mais tinha aparecido, o que resultou em perguntos da tia Guida. Como dizer a ela que da única vez que vi a garota na rua ela passou reto, como se nem me conhecesse? Não poderia. Então menti por omissão. "Está tudo bem. Sabe como é, época de prova".
Tia Guida parecia feliz a cada fim de semana. Ela sempre tinha uma história nova pra contar dos chefes.
– E então eles descobriram que a ex mulher dele virou lésbica. Dá pra acreditar? Eu te juro, aquela família toda é maluca.
Foi uma surpresa dois dias depois receber uma mensagem da Daisy. "Precisamos conversar. Me encontre no Tchili as 14 h. Urgente".
Eu tinha pensado em dizer não, pois não queria ter qur ouvir a boca dela em ação, mas minha curiosidade agiu mais rápido. Ao chegar lá, ela me cumprimentou como se fóssemos melhores amigas e ela nunca tivesse me dado um gelo.
Ela falou por cerca de meia hora, nem quando nosso pedido chegou ela calou. Falou da escola, do curso, do novo namorado, do ex, do primo e das duas namoradas que ele arranjou. Até que eu perdi a paciência.
– Você disse que queria me falar algo urgente. O que era? — perguntei, o mais educadamente possível.
– Ah. Isso. — ela respondeu, enchendo a boca de batata frita.
Eu esperei ela terminar de comer, mas ela não parecia muito disposta. Daisy me emcarou por um tempo e começou a bater as unhas na mesa.
– Está certo. — ela por fim começou. — você vai saber uma hora ou outra. Muito bem. Você sabe que terminei com meu ex porque vi ele e Ângela juntos, certo?- acenei com a cabeça. — Eu jurei que faria retaliação, sempre faço. E mais do que isso, eu atacaria. Jurei a mim mesma que não ia parar até pegar o namorado dela pra mim. E eu peguei, o Jim. O meu atual. É que a gente tinha uma regra, ficar com namorado da outra tudo bem, mas namorar ele? Isso é guerra. Eu não queria te meter no meio disso tudo, então...
E ela falou e falou sobre provocações e intrigas e aquilo tudo me cansou. Faltava pouco pra eu levantar e ir embora, mas ela falou algo que me chamou atenção.
– Então ela começou a sair com ele, sabe, as escondidas, porque eu acho que ela tava com vergonha de trocar um jogador por um nerd. Ou algo assim. Mas ao que tudo indica, eles tão saindo sim. E eu sinto muito por você. Euia te contar, mas você tava saindo com ele e...
– Espera... O que? — perguntei, confusa. — Com quem ela saiu?
– Com o Marcus, bobinha — ela disse, como se fosse a conclusão mais óbvia do mundo. — Eu sabia que você e ele estavam namorando ou coisa parecida. Ela desmentiu tudo isso, falou que vocês só eram amigos. Mas eu sabia que não era.
Não digo que fiquei triste por saber disso, afinal, eu meio que desconfiava. Ângela e suas amigas não tinham feito nada comigo a um tempão. Pensei que a maturidade finalmente tinha chegado a ela, mas e se Marcus tivesse dito a ela pra me deixar em paz? Convenhamos, o clima ficava estranho quando eu estava no mesmo ambiente que Marcus e Ângela. Do nada eles apareceram sendo parceiros em várias matérias e fazendo trabalhos juntos. Se eu liguei pra isso? Com certeza não.
Nunca imaginei que ele fosse olhar duas vezes pra ela. Se eu queria saber mais dessa história? Merda, não.
Alguma coisa estranha acontecia comigo. Eu sentia algo no estômago embrulhado, a cabeça doendo. Como se um quebra-cabeças tivesse sido montado e a imagem fosse nojenta.
– E ela disse : "e desde quando isso é problema meu?", e eu disse "desde quando você começou isso", mas é claro que ela não assumiu nada. E quer saber? Quem se importa? Ela vai despachar ele rapidinho, você vai ver. Ela vai tentar conquistar o Jim de novo por integridade, e aí o Marcus volta pra você. Se bem que não entendo o que vocês veem nele.
Me levantei da mesa, chateada. SO queria deitar na minha cama e ver o que aconteceria. Ficar sem chão era isso? Por que eu me sentia tão triste?
Senti braços me abraçandoe retribui. Eu acho que estava chorando. Daisy me abraçava forte e dizia que tudo ia ficar bem. Mas eu sabia que não ia.
Fale com o autor