Notas iniciais
Enquanto tiver nem que seja um leitor, continuarei com essa história. Boa leitura ♥

"Ele disse: Vamos sair desta cidade
Dirigir para fora dela
Para longe das multidões
Pensei: Nem Deus pode me ajudar agora
Nada dura para sempre
Mas isso vai me derrubar "

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Eu me orgulhava por nunca deixar meus sentimentos interferirem na minha vida, e chorar na frente de uma pessoa com certeza estava na lista de "coisas para nunca se fazer". Porém, devo admitir que me senti melhor depois de tanto soluçar.

Daisy foi muito paciente. Me guiou até seu carro, ligou o rádio e me impediu de me concentrar na minha mente. Talvez tenha sido melhor assim. Ao invés de me levar pra casa, ela caiu na estrada e quando reparei, estávamos em uma rodovia saindo da cidade. Ela me disse que tinha um lugar bem legal pra me levar.

Chegamos em Uberaba, uma cidadezinha vizinha da nossa. Daisy me levou a uma livraria e me comprou um box de um livro chamado "Vida nas Passarelas", o que fez com que eu a amasse só um pouquinho. Desconsiderei o gesto quando ela me puxou pra uma loja de roupas e voltou a abrir a boca.

Ela insistiu para que eu comprasse algo, mas optei por ficar sentada fingindo que a ouvia. Era como ter um zumbido no ouvido. Na saída, não tive escolha a não ser aceitar mais um presente dela.

– Você não comprou nada, e além disso, eu te devo depois de te trazer a bomba. Além do mais, são só algumas roupas, não é grande coisa.

Na volta, eu já estava melhor, e como Daisy estava no milagroso modo off, resolvi puxar assunto.

– Minha tia trabalha pra uma famìlia rica, e eles vão dar uma festa lá. Parece que um casal que reatou vai voltar, e convidaram minha tia e quem mais ela resolvesse trazer para a festa. Eu nem sei se vou mesmo, mas estava pensando...

– Em me convidar? — Daisy perguntou, toda animadinha. — É claro que eu aceito! Se bem que tenho que olhar na minha agenda. Tem os vestidos, o cabelo, sapatos. Caramba, você podia ter avisado antes, eu teria comprado algo pra usar naquela loja. E temos que marcar uma sessão no spa e no salão de beleza. Por sorte, minha tia é gerente de um e ela pode conseguir um horário pra gente essa semana. Quando é a festa? — ela perguntou por fim.

– Às 20:00. De hoje. — eu respondi, olhando pra fora do carro.

Daisy olhou pra mim com um olhar acusador, e eu dei de ombros. O que eu podia fazer?

– Pra sua sorte, eu sou boa na improvisação, apesar de estarmos em cima da hora. Qual o local da festa?

– Não tenho certeza, o endereço está na minha casa.

– Beleza. Passamos lá, você se arruma e depois vamos pra minha casa.

– Ok.*-*-*-*-*-

*Depois de um banho, coloquei um vestidinho azul royal e amarrei meu cabelo em um coque. Calcei minhas sapatilhas e Daisy, sentada no sofá, me olhou mais uma vez com aquele olhar de "qual é o seu problema".

– Pelo menos troque isso que está no seu pé e vista saltos. Vai ficar melhor.

Coloquei um tamanco, peguei o endereço com um convite em cima da mesa e nos dirigimos a porta. Ainda tìnhamos que ligar pra tia Guida, avisando que estávamos indo.

Quando eu estava prestes a entrar no carro dela vi Marcus vindo na minha direção. Daisy parecia prestes a dizer algo, mas fiz que não com a cabeça.

– Sem uma palavra. — sussurrei pra ela. — por favor.

– Oi, Taylor. Vai sair hoje a noite? — ele perguntou, me olhando. Parecia quase admirado.

– Algo assim. — eu respondi, meio sem jeito.

– Você teria um tempinho pra falar comigo? — ele pediu, claramente querendo falar a sós comigo.

Olhei pra Daisy. Ela apontava para o pulso, sinalizando que tínhamos pressa. Eu queria recusar, realmente queria. Minha mente disse não, mas outra coisa saiu pela minha boca.

– Sim, claro. Vai ligando pra tia Guida, Daisy, já voltamos.

Eu e Marcus começamos a andar. E foi engraçado, porque passamos por vários quarteirões em silêncio, mas parecia que tudo estava sendo dito ali. Até que ele nos fez parar.

– Taylor, eu...

– Marcus, nâo. — eu o interrompi, imaginando o que ele queria dizer. — Somos amigos, não somos?

Ele fez que sim, e por um momento, senti meu coração doer. Ele era mais alto do que eu, e era tão incrivelmente bonito. Estâvamos entre duas ruas praticamente vazias, a escuridão dando um tom sombrio para as árvores.

Morar num lugar assim poderia ser assustador, mas na minha cabeça, era o cenário ideal para um beijo. Eu queria beijá-lo, mas sabia que não poderia.

– Você tem saído com a Ângela. — eu afirmei. Ele acenou com a cabeça mais uma vez. Eu olhava nos olhos dele e via dor e arrependimento, parecia quase como se doesse nele também. E eu queria aliviar sua dor.

– Ta tudo bem, Marcus. — não, não tava nada bem. Um soco no estômago. — Eu não gosto dela, mas se você gosta, eu fico feliz por vocês dois. — não, não fico. Um soco no rosto.

Algo entalou na minha garganta, e eu provavelmente teria começado a chorar se ele não tivesse me abraçado, como das outras vezes, e me dado a calma que eu precisava.

– Você é a melhor garota do mundo, Taylor. A melhor — ele disse, enquanto se afastava de mim.

Não, eu não era a melhor. Eu só queria os braços dele de volta em mim.

– Você é como uma irmã mais nova pra mim. Me sinto protetor com você, mas não acho..

– Tudo bem. Ta tudo bem. E eu tenho que treinar para os testes finais — eu disse, e me surpreendi for conseguir fingir um sorriso. — Vai ser bom pra nós dois. Só prometa que não vai esquecer de mim.

– Nem nos seus sonhos mais selvagens, baby. — ele disse, e eu vi alìvio e carinho do olhar dele.

E até isso foi tirado de mim quando o telefone dele tocou e ele viu quem era.

– Preciso ir, e imagino que você também.

– Sim.

– Então... Até mais. — ele se despediu, indo embora.

E eu fiquei me perguntando se tudo isso não foi um sonho. Porque ele chegou e iluminou meu mundo, e rápido assim se foi.

Pra que veio se jâ estava indo? Por quê?

Notas finais
Terça que vem tem mais hein. Até lá, que tal dar uma lida em Diário Virtual, minha nova história? Beijos