Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo. Boa leitura.

Eu fiquei desconcertada. O que estava acontecendo? Por que ele estava com tanta raiva?

–Onde. Você. Estava?


–Eu saí.

–Isso eu já percebi. Pra onde? Por que não avisou?

Eu gaguejei. Eu nunca tive que dar muitas explicações pra ninguém, até porque eu era responsável por mim mesma desde pequena, e sempre fui quietinha.

–Eu fui ao cinema. Qual é o problema?

Eu passei por ele e entrei dentro de casa. Céus, eu estava cansada. Eu não estava acostumada a sair com frequência, e a única coisa que eu queria era tomar um banho e me deitar. Fui a cozinha pegar um copo d'água, e percebi Marcus andando atrás de mim.

–O problema é que você não avisou, não me ligou nem mandou mensagem. E eu fiquei te procurando. Será que você não pensou que eu poderia estar preocupado?

Isso era injusto. Ele passou os últimos dias saindo eu nem sabia pra onde ou pra que, e eu devia satisfações a ele? Eu estava um pouco machucada. Se ele tivesse passado o dia comigo e não me deixado, provavelmente eu não teria saído, mas eu era tímida demais pra dizer isso.

–Eu estou bem, okay? E tudo o que eu quero agora é dormir.

Ele ainda me olhava zangado, mas não disse nada. Subi as escadas e fui pro banheiro tomar um banho.

Quando terminei, me enrolei na toalha e fui pro quarto me trocar. Vesti meu conjunto de pijama, que era uma calça e blusa branca com florzinhas azuis e desembaracei o cabelo. Tentei fazer uma trança mas senti mãos impedindo as minhas de tocar meu cabelo.

–Deixa que eu faço pra você.

Marcus fez uma trança perfeita no meu cabelo, e a sensação das mãos dele em meu cabelo era maravilhosa. Quando terminou, me virou pra que eu ficasse de frente pra ele.


–Me desculpa? Eu não quero brigar com você. É só que... -Ele passou as mãos pelo cabelo, com uma expressão confusa. Eu queria tanto passar minhas mãos no cabelo dele. -Eu fiquei preocupado. De verdade. Eu pensei que tivesse acontecido algo ruim com você.

Meu coração se apertou. Ele tinha estado mesmo preocupado comigo?

–Ei, tudo bem. Não estamos brigando. Isso é coisa da sua cabeça.

Ele deu um sorrisinho que me derreteu toda e me puxou pra um abraço.

Eu fiquei em choque, sem saber o que dizer. Poucas foram as pessoas que me abraçaram. Ele me deu um beijo na testa e ficou assim, me segurando. Eu olhei pra ele e depois apoiei minha cabeça em seu peito. Ele tinha um cheiro tão bom. Eu ouvia o coração dele batendo no mesmo ritmo que o meu, e fechei meus olhos. Eu estava com tanto sono.

Ele me deitou na minha cama e deu um beijo bem perto da minha boca. Eu estava sonhando ou foi isso mesmo?

–Boa noite, princesa.

–----

No dia seguinte, acordo com tia Guida batendo na porta do meu quarto.

–Vamos garota, levanta!

Abro os meus olhos e me levanto, calçando um par de chinelos com o formato de coelhinho. Tia Guida?

Abri a porta e a vi parada, me esperando.

–Tia!

Dou um abraço rápido nela e ela me afasta. Eu ri, ela gostava de abraços tanto quanto eu.

–Sinto ter te acordado cedo, mas tem uma menina lá em baixo dizendo ser sua amiga. Acabou de chegar e está te chamando.

Eu olho pra ela, confusa.

–Amiga?

Ela retribui meu olhar confuso, e sei que estamos pensando a mesma coisa. Amiga? Eu não tinha nenhuma amiga. Na verdade, não tinha nem amigo, com exceção de Marcus.

Desci as escadas com Guida na minha frente e vi Daisy sentada no sofá com os pés apoiados na mesinha.

–Daisy? O que faz aqui? -Perguntei, espantada.

–Olha só quem finalmente acordou! Pijama legal.

Ela sorri, se levanta e me abraça apertado, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Quando ela finalmente me solto, eu estou me sentindo amassada.

–Você precisa escovar os dentes. -Ela me diz, tranquilamente.

–Certo. Eu já volto. Sinta-se em casa.

Eu subi as escadas e olhei pra trás. Daisy estava conversando animadamente com Guida. E como ela se sentia em casa. Era bom ela tomar cuidado com o que falava, porque Guida tinha uma mania de cortar as pessoas que ela não queria ouvir de forma bem rude.

Quando desci as escadas, encontrei a sala vazia e resolvi procurar por elas. Estavam na cozinha, conversando.

–Taylor, por que não me disse que tinha uma amiga tão legal? -Tia Guida perguntou.

Eu olhei pras duas, um pouco confusa. Porque eu não sabia que tinha uma amiga. Isso era tão estranho. O que Daisy queria?

–Vem.

Daisy se levantou da mesa e me pegou pelo braço, subindo as escadas comigo. Eu continuei em silêncio, sem ter certeza do que estava acontecendo.

–Esse é seu quarto?

Ela parou na porta do meu quarto e confirmei com a cabeça. Sem esperar um convite, ela entrou e foi mexendo nas minhas coisas.

–Uau, seu quarto é bonito. Eu queria um quarto assim!

Eu me sentei na cama e fiquei observando ela. Daisy foi até a janela e a abriu, e olhou pra janela de Marcus, que estava fechada.

–Quem mora ali?

–Marcus. -Respondi.

–Marcus, seu namorado?

Ela me olhou com uma expressão animadinha, como se eu tivesse escondendo alguma coisa. Eu corei e neguei com a cabeça.

–Não, ele não é meu namorado.

–Tudo bem.

Depois de olhar as roupas no meu guarda-roupa, ela se sentou do meu lado, e finalmente resolvi perguntar:

–O que você veio fazer aqui? -Perguntei no tom mais normal que podia. Eu não gostava de fazer as pessoas se sentirem desconfortáveis.

Ela deu de ombros.

–Vim passar o dia na sua casa, é claro. Você sabe, um dia de garotas.

–Hm. E o que se faz num dia de garotas? -Perguntei pra ela.

–Como? Você não sabe? Você nunca foi na casa de nenhuma garota? -Ela perguntou, surpresa.

–Não.

–E nenhuma amiga sua vem te visitar?

Eu neguei com a cabeça.

Ela ficou me observando, com a boca aberta. Eu não costumo me irritar, mas aquilo estava começando a me incomodar. Eu devia dizer algo? O que eu devia fazer? O silêncio começou a me constranger.

–Bem, quando as meninas se reúnem, elas ficam se arrumando, fazendo as unhas, o cabelo, falando de garotos, fofocando. Essas coisas. Assistem um filme juntas e dão risadas nas partes engraçadas, e comentam até sobre as roupas dos personagens. Essas coisas.

–É isso que vamos fazer o dia todo? -Perguntei, com um tom de tristeza e desespero na voz.

–Você tem alguma sugestão do que faremos o dia todo? -Ela me perguntou, indagadora.

–Que tal ler?

–Mas nem estamos na escola. Se bem que você é nerd, e fazer nerdice deve estar no seu sangue. Vejamos. Metade do dia nós fazemos essas coisas esquisitas que você costuma fazer, e na outra metade nós vamos fazer o que eu faço. E a noite vamos a uma festa. O que me lembra... Você não tem roupa de festa, um vestido ou algo assim. Poderíamos fazer compras, que é outra coisa que garotas fazem juntas, mas é domingo e não teremos tempo. Não vai ser uma festa tão legal assim, é só uma social pra curtir mesmo, então acho que não tem problema você ir de calça jeans. Já tomou café da manhã? Eu não, e estou com fome.

Poxa, como ela falava. Eu fiquei digerindo o que ela falava, assustada. Eu ir a uma festa?

–Festa?

–Vem.

–-

Eu não gostava de festas. Na verdade, nunca tinha ido a uma, e estava apavorada com a ideia. Mas Daisy insistiu tanto que acabei concordando, com a promessa de que só ficaria por meia hora.

Daisy estava terminando de se arrumar, vestida com um vestido preto com bolinhas marrons brilhantes que ia até um pouco acima do joelho e salto alto. Eu estava com uma camiseta com dois botões, jeans e tênis.

O dia foi bem divertido, e eu nunca tinha rido tanto. Tentei fazer Daisy entender O Senhor dos Anéis e Nárnia, mas aquilo não entrava na cabeça dela. E ela tentou me fazer entender de maquiagem e fofocava sobre os alunos da escola, mas eu não conhecia a maioria dos nomes que ela falava.

–Estou pronta! Você tem certeza de que vai com isso?

Ela olhou para as minhas roupas sem disfarçar a expressão de nojo.

–Sim. E só por meia hora.

Ela pegou a mochila que tinha trazido e se despediu de Guida.

–Volte sempre, querida.

Tia Guida devia estar as mil maravilhas. Ela sempre quis que eu tivesse uma companhia feminina da minha idade.

Entrei no lado passageiro do carro de Daisy e fiquei ouvindo ela falar sem parar, até que cansei de prestar atenção.

Marcus... Eu não o tinha visto o dia todo, e não tinha avisado a ele que saí. Eu deveria avisar? Eu mandaria uma mensagem depois, até porque se ele aparecesse em casa Guida diria onde fui.

O carro finalmente parou e eu ouvia um som muito alto. Descemos do carro e Daisy segurou meu braço, me fazendo entrar por um portão alto. Seja o que Deus quiser...