Notas iniciais
Desculpem a demora, mas eu estava com a criatividade em zero. Espero q gostem

No dia seguinte, passei à manhã estudando, à tarde arrumando a casa e à noite conversando com Guida, que tinha chegado do trabalho.

–O irmão caçula, Jack, só quer saber de ser sustentado pelo irmão mais velho, Max. Max parece que só sabe sair com mulheres e nada mais importa pra ele. -Ela falava sobre os patrões. -Mas são muito gentis, gostei deles. Eles falam palavrão, eu posso falar também, será uma ótima convivência. Mas e você, como foi ontem?

Eu fiquei tentada a recitar o meu discurso de "o quanto estou chateada com você, tia Guida", mas por fim acabei sorrindo e falando sobre Marcus.

–Ele é incrível, e gosta de ler, é fã do Senhor dos Anéis, e sabe cozinhar, é tão atencioso e gentil...

Ela me olhou com uma expressão de agrado, e depois sorriu.

–Nem precisa me agradecer, querida. -Ergui uma sobrancelha- Brincadeira, pode me agradecer. Eu disse que ele era sua versão masculina.

Nas semanas que se seguiram, Guida só voltava aos domingos e eu passava o máximo de tempo possível com Marcus, tanto na escola quanto fora dela. Suapresença na minha vida era constante, e ele tinha se tornado meu melhor amigo.

Em alguns momentos ele era meio reservado, e isso devia ser de família, já que eu mal via seus tios e ele não falava nada sobre sua família.

Mas as coisas na escola não estavam indo tão bem. lguns professores estavam chateados por eu andar de um lado pro outro com Marcus, e não ajudava nada minhas maravilhosas notas sempre 10, 9, terem caído pra 8, 7.

–Desde que a senhorita começou a sair com o senhor Marcus, anda muito dispersa. Distraida, por assim dizer, e isso está me deixando profundamente chateada. E eu lamento dizer isso, mas se a sua nota cair, nem que seja por um décimo, eu a deixarei de recuperação.

Depois de a senhora Bagshot ter me dado esse sermão, eu fui a biblioteca conversar com Geovanna.

–Querida, você não deve dar ouvidos a essa velha mal humorada. Depois de tanto tempo, você finalmente tem um amigo, e certas amizades devem ser mantidas.

–Mas, Geo, e se for por causa da nossa amizade que minhas notas caíram?

–Bobagem, garota. Vocês são apenas bons amigos, e ele é tão estudioso quanto você. Nem sempre, na vida, você terá um 10, tem que se conformar com isso.

Geovanna começou a tossir, e eu queria perguntar se ela realmente estava bem. Eu vinha reparando que a cada dia ela parecia mais abatida, tossia com mais frequencia, mas como ela não dizia nada a respeito eu não perguntava.

Ela se afastou da mesa em que eu estava sentada, e senti mãos tampando o meu rosto.

–Eu estava morrendo de saudades.

Marcus me deu um beijo na bochecha e se sentou na cadeira ao lado da minha, e eu sorri.

–Faz aproximadamente 2 horas que eu te vi.

–Vê? Muito tempo.

Ele deu um daqueles sorrisinhos que eu amava, e estava deslumbrante com sua camiseta preta e jeans escuros.

Ficamos jogando xadrez por um tempo, e eu fiquei pensando em que desculpa dar a ele pra poder passar a tarde sozinha. Eu precisava pensar sobre o que Batilda tinha me dito, e eu queria saber desesperadamente porque minhas notas estavam caindo. Com Marcus por perto, isso não seria possível.

Quando o sinal pra ir embora bateu, ele fpi comigo até a entrada e parou.

–Eu preciso estar em um lugar agora e vou passar o dia fora. Você se importa?

Fiz que não com a cabeça, agradecendo mentalmente. Ele me deu um beijo na bochecha e se afastou de mim.

Passei o dia tentando controlar os pensamentos da minha cabeça, tentando me entender. À noite chegou, e Marcus entrou em casa, se sentando do meu lado no sofá.

–E então, fazendo o que?

Apontei pra televisão, estava passando Dez Coisas que eu Odeio em Você.

–Eu amo esse filme. -Eu disse a ele, baixinho.

Ele passou a mão pelas minhas costas, me fazendo ficar mais perto dele. Me aninhei em seu peito e assistimos juntos.

Quando o filme acabou, ele me perguntou:

–Qual a sua parte favorita desse filme?

Eu fiquei pensando um pouco, e respondi:

–A parte em que ele canta pra ela. Bonito, vergonhoso, e muito romântico. E a sua?

–Quando ela recita o poema. Acho tão fofo.

Ficamos os dois em silêncio, perdidos em nossos próprios pensamentos. Eu acabei me lembrando da vez em que assisti a esse mesmo filme com o Ulrich.

–Qual a sua parte favorita? -Eu tinha perguntado a ele.

–A parte em que ela mostra os seios pro treinador. Se fosse nós dois no lugar deles, você mostraria os seios pro treinador? -ele perguntou, sorrindo.

Eu lembro da minha reação, tinha ficado sem palavras e olhando pra ele, indignada.

–Você está falando sério?- Eu perguntei, incrêdula.

–Lógico que não. -E ele se acabou de dar risada. -Devia ter visto sua cara. Acha mesmo que eu ia querer que você mostrasse os seios pra alguém além de mim?

Eu me concentrei pra voltar ao presente e olhei pro Marcus.

–Vai ficar pro jantar?

Ele me olhou, confuso, e percebi que estava mais perdido nos pensamentos do que eu.

–Ah, não, já estou de saída. Até amanhã.

Ele saiu e eu fiquei sentada por um tempo, sem reação. Eu estava um pouco magoada pela despedida dele, tão seca.

E foi assim nos dias seguintes, ele começou a ficar cada vez afastado, e seu tempo comigo foi diminuindo. Passaram-se duas semanas, e como ele não dizia onde estava passando o seu tempo, eu não perguntava.

Era sábado, e tia Guida só chegaria amanhã. Fiquei esperando por Marcus até as 14 horas, como ele não apareceu, resolvi sair. Não sou muito de sair, gosto do conforto de casa, mas hoje eu estava incrivelmente entediada.

Fui ao shopping da cidade, eu queria comprar um livro novo, algum romance. Enquanto olhava pras prateleiras procurando um, uma garota tropeçou em mim e sua bolsa caiu.

–Ai, merda. Isso sempre tem que acontecer comigo.

Fui ajudar a garota a pegar as coisas que tinham caido de sua bolsa, e notei que era Daisy. Daisy era loira de cabelos lisos, se vestia bem e era incrivelmente bonita. Ela fazia parte do grupinho de Ângela, das garotas populares, mas ao contrário das outras, que pareciam ter vento na cabeça, ela parecia ter um cérebro. Ela nunca me zuou nem me ofendeu, e eu pensava que talvez ela fosse legal.

–O que? Como? Ok. Divirta-se. -Ela dizia ao celular, irritada, e olhou pra mim.

–Taylor, não é? Como vai?

Ela ajeitou bolsa nos ombros e fechou o zíper.

–Tenho que me lembrar de manter essa coisa fechada. Ei, o que está fazendo?

Eu olhei pros lados, pra ver se ela tinha falado comigo mesmo. Não tinha ninguém, então era comigo.

–Eu...nada.

–Ótimo.

Ela pegou no meu braço e me levou pra fora da livraria, me levanto em direção as escadas rolantes.

–Da pra acreditar que o meu primo cancelou de vir comigo ao cinema só porque uma garota gostosona ligou pra ele e disse pra ele ir na casa dela? E ele disse, ela tava tão fácil que era impossível recusar, e eu quero dizer, poxa, que deselegante. E eu não quero ver o filme sozinha, então você quer ir comigo?

Paramos em frente à escada rolante e ela soltou meu braço, me olhando. E eu não sabia o que dizer, além de piscar os olhos, confusa. Daisy, uma das garotas mais lindas do colégio e da escola, amiguinha da detestável Ângela, estava me convidando pra ver um filme com ela?

Eu fiquei sem fala, e só acenei com a cabeça.

–Isso foi um sim?

Eu confirmei com a cabeça, e ela pegou de novo no meu braço, só que dessa vez de uma forma mais gentil, como as garotas fazem como andam juntas.

–Eu estou precisando rir ultimamente, sabe, por isso escolhi um filme de comédia.

Descemos a escada e nos dirigimos a fila do cinema, e eu ouvia calada tudo o que ela falava.

–Eu simplesmente odeio pegar fila, isso cansa a minha beleza.

Ela foi pra frente da fila, me levando junto, e convenceu o cara a deixar ela lá, em primeiro lugar. Era incrível o que se podia conseguir quando se era bonita.

Assistimos ao filme, e se não fosse pelos comentários de Daisy, eu nem teria rido. O filme era simplesmente chato.

Quando o filme acabou, saimos da sala e olhei pro relógio, eram 20:00. Estava pensando em voltar pra casa, quando Daisy me convidou pra tomar sorvete.

–Eu não sei se é uma boa idéia. -Eu disse.

–Por favor...

Ela acabou me convencendo, e nos sentamos na praça de alimentação, em frente a sorveteria. Eu pedi sorvete de creme e ela de chocolate, e ficamos em silêncio.

Eu estava quase pra puxar assunto, o que eu era péssima, quando o celular dela tocou. Ela olhou para o visor do celular, viu quem era e fez cara de nojo.

–Ângela... Não sei o que essa vadia quer.

Olhei pra ela, espantada, e ela me olhou, com graça.

–O que foi? Aposto que você a odeia também, depois de tudo o que ela já fez com você.

–Na verdade, não odeio não.

Ela ficou me observando, vendo se eu mentia, e deu de ombros.

–Você não gosta dela? -Perguntei, curiosa.

–Não. Eu a odeio. Sabe o que aconteceu a uns dias atrás? Peguei ela no flagra transando com meu namorado. E não me leve mal, eu nem gostava tanto dele assim, mas é a 3º vez que eu tenho que ver isso. Todo o cara que eu namoro ela quer pra ela. É como se fosse uma competição.

–Eu sinto muito. -Eu disse, timidamente. Não sabia o que dizer quanto a isso.

–Não sinta. Eu não preciso da pena de ninguém.

Ficamos de novo em silêncio, e quando terminamos de tomar sorvete, nos levantamos.

–Acho que você precisa ir agora, não é?

–Sim.- Eu respondi.

Quando chegamos a porta do shopping, eu olhei pro ponto de ônibus e vi que estava lotado.

–Posso te dar uma carona? -Ela perguntou, ansiosa.

–Eu... ta. Tudo bem.

Peguei carona com ela, e era estranho depois de tanto que ela falou ficar em silêncio.

Quando chegamos na porta da minha casa, vi que as luzes do lado de dentro estavam acessas.

–Uau, etnão é aqui que você mora? Legal.

Eu olhei pra Daisy, e ela me olhou de volta sorrindo.

–Posso vim te visitar amanhã?

Eu fiquei confusa, sem saber o que responder.

–Me visitar? Pra que?

–Ah, você sabe. Passar uma tarde de garotas. Preciso disso.

–E suas amigas? Ângela?

Ela me olhou, dessa vez muito séria.

–Nunca diga que aquela vaca é minha amiga de novo. Por favor.

Ela parecia ao mesmo tempo triste e com raiva.

–Você pode vim amanhã, se quiser.

–Ok. Te vejo amanhã.

Desci do carro e entrei em casa, querendo saber quem estava lá. Tia Guida tinha chegado mais cedo? E levei um susto quando o vi: Marcus estava na minha frente, com a cara transbordando de raiva.

–Onde você estava?