Você Mudou
8 Capítulo VII
Não sei o que dizer, mas não posso deixa-lo acreditando que não o amo mais, ou posso? Afinal ele fez a mesma coisa comigo, me negou a certeza do seu amor, essa foi a pior das mortes, foi a morte em vida. Será que devo dizer a ele uma mentira que ate um cego enxergaria que é irreal?
—Malu? –ele espera uma resposta.—Eu não sei Cristiano, sinceramente não sei. –SIM EU TE AMO SEU IDIOTA!—São mais de dez anos de historia Malu, como não sabe? –insiste.Será que ele realmente não vê? Ou finge que não sabe? Meu Deus!—Não sei Cristiano, só não sei. Podemos mudar de assunto? Não quero estragar esse momento. –digo desviando o olhar.—Realmente essa sua mudança afetou nosso passado Maria Luiza. –diz magoado, e sinto vontade de pular em cima dele e dizer o quanto o amo, mas o conheço bem e sei que isso bastaria para ele voltar ao seu comportamento de antes.Pensando numa resposta que não magoasse a nenhum de nós, eu fico em silencio e talvez por acreditar nisso ele se aproxima e me abraça novamente.—Vem, vamos deitar na cama. –me estende a mão.Nos deitamos abraçados como se essa fosse a ultima vez, como se não fossemos ter outra chance para repetir, talvez não tenhamos mesmo. Tenho a sensação de estar dentro de uma bolha de sabão, uma delicada e bonita bolha, que com seu tempo limitado solta ao ar vai estourar. Muito em breve.—Cris? –chamo sua atenção para descobrir se já dormiu.—Oi. –disse sussurrando em meu ouvido.—Se lembra de quando eu tinha medo de chuva e você entrava no quarto escondido pra me ajudar a dormir? –pergunto num fio de voz. —Claro que me lembro, você sempre foi uma medrosa. –diz sorrindo.—E você sempre foi meu herói nessas horas. –sorrio de volta.—Só nessas horas? —Só! –confirmo maneando cabeça e ambos começamos a rir.—Eu cantava ate você dormir. –diz carinhoso.—Canta pra mim? –peço.—Sempre. –beija minha cabeça. –O que quer que eu cante?—Alguma coisa que fale desse momento. –preciso saber o que ele esta pensando.Ele pensa por alguns instantes e então começa...“Quando digo que deixei de te amar é porque eu te amo;Quando eu digo que não quero mais você é porque eu te quero;Eu tenho medo de te dar meu coração;E confessar que eu estou em tuas mãos;Mas não posso imaginar o que vai ser de mim;Se eu te perder um dia...”Ao perceber que a musica não é dele, tive a certeza que ele fez exatamente como eu pedi, esse é seu jeito de me dizer o que pensa. Quando ele acaba eu me viro de frente para ele, sinto seu corpo e seu cheiro colado em mim e não resisto, então o beijo desejando desesperadamente que ele também entenda o que quero dizer, que entenda que o amo hoje muito mais do que nunca, e muito menos do que ainda posso amar.Como se ainda não tivesse acontecido a primeira vez, nos amamos igualmente apaixonados outra vez, essa, no entanto, com menos fervor e mais doçura, não foi desejo carnal, foi amor em toda sua essência, em toda sua cor. Pelo suor deixamos sair toda saudade e magoa, estamos agora limpos e plenos, revivendo aquele grande amor que tinha adormecido nas lembranças. Me sinto viva, a explosão de sentimentos bem vindos me impedem de dormir, tenho medo de acordar e me dar conta de que tudo não passou de um sonho.Cristiano por outro lado, não venceu a exaustão e adormeceu agarrado a mim, por mais que eu tente não consigo parar de olhar pra ele. Tudo o que se pode ouvir nesse silencio é sua suave respiração, tão sereno, tão lindo. Me vejo sendo arrastada de volta para ele como uma onda é obrigada a voltar para o mar, mas será mesmo que ele me ama? Será que sente minha falta tanto quanto sinto a dele? Será que posso confiar na sua confissão cantada para mim?De tanto pensar adormeci, embora tarde, descansei como se tivesse dormido por dois dias inteiros, só acordei ao ouvir Alice gritando meu nome no quarto abaixo de mim, Cristiano nem com os gritos acordou, seria ate um pecado tirá-lo de seus sonhos. Cuidadosamente me levanto para não acordá-lo e, uma ultima vez admiro seu rosto tranquilo e sem duvidar sussurro em seu ouvido o que ele gostaria de ter escutado acordado.—Eu te amo. –dou um beijo casto em sua cabeça.Para minha sorte, ou não, ele não acorda. Decido avisar a pateta da Alice onde estou antes que ela chame a policia dando queixa do meu desaparecimento.—Hey. –sussurro. –Alice!É obvio que ela não escuta.—Alice! –tento mais alto e ela se cala, acredito que tenha percebido minha voz.—Alice, aqui em cima, no sótão. –indico onde procurar. Um minuto depois ela abre a porta e antes que comece a subir eu entro em sua frente tentando impedir que ela testemunhe meu pecado, desajeitada como sou, perco o equilíbrio e me estatelo no chão ruidosamente.—Ai! –choramingo alisando o joelho.—O que você estava fazendo lá em cima? –pergunta desconfiada.—Nada, eu subi pra pegar umas fotos pra ver e acabei me trancando, ai tive que dormir lá. –digo tentando parecer natural.
—Sei. –ela me encara como um pit bull farejando carne fresca, se vira e sem falar nada sobe a escadinha.Eu até tento impedir mas meu joelho me avisa que não vai colaborar, então fico imóvel como uma estatua estranha no meio do quarto apenas assistindo a tragédia começar.Quando certifica suas suspeitas ela volta tão rápida quanto foi. —Vai me contar, ou vou ter que perguntar pra ele? –pergunta torcendo a boca.—Por favor Alice agora não. –meu olhar é suplicante, não quero dar detalhes da minha noite maravilhosa arriscando que ele ouça.—Cinco minutos. –me diz com um risinho tosco e sai. Sei que se eu não resolver o problema nesses cinco minutos ela vai armar um escândalo.Subo de volta para minha bolha, Cristiano ainda dorme. Observo com carinho os detalhes do lugar, ele agora é testemunha do nosso amor.—Bom dia! –me assusto ao ouvir sua voz. Ele se espreguiça confortavelmente.—Bom dia! –cumprimento-o corando.—Você tem que sair daqui, Alice já veio e pressinto um estrago vindo por ai. —digo balançando a cabeça.—Só depois que você dizer de novo que me ama, agora comigo acordado. –levanta as sobrancelhas travesso.—Hã? Ta falando do que? –tento disfarçar. Droga ele ouviu.—Vem cá. –ele me agarra de surpresa e me encara.—Diz, eu quero ouvir. –insiste.—Dizer o que? –Alice interrompe, não sei se a abraço ou se dou um tiro nela.—Quero que ela diga que me ama, essa covardona só tem coragem de dizer quando estou dormindo. –Cristiano explica dando de ombros sem se importar com minha intrometida amiga.—Talvez ela não ame, já pensou nisso? –ela diz implicante.—Ama sim, tive muitas provas disso noite passada. –ele da uma piscadinha me deixando mais vermelha que os batons horríveis de Alice.—Mulheres sabem fingir, sabia disso? –ela dispara.—Não a minha Malu. –ele retruca sorrindo.—Ei, vocês podem parar de falar como se eu não estivesse aqui? –digo zangada. Eles começam a rir.—Amor te vejo depois, vou tomar um banho. –ele me da um selinho e sai.—Quero saber tudo agorinha mesmo. –Alice me joga na cama me fazendo gemer de dor por causa do joelho.—O que mais você quer saber? Não esta obvio o suficiente? –digo exasperada.—Detalhes Malu, você sabe que me alimento de detalhes. –balança as sobrancelhas.—As vezes eu não gosto nada de você. –digo descrente diante de tamanha cara de pau.—Eu não ligo, agora me conta. –sei que por nenhuma razão ela desistirá então me rendo.—Fizemos amor. –suspiro criando coragem. –Duas vezes.Claro que essa simples frase não foi “alimento” o suficiente pra ela, por isso passo mais meia hora dando detalhes da minha noite maravilhosa. Descemos para tomar café no jardim com o restante dos amigos, só então percebo que Cristiano ainda não desceu, me pergunto se ele foi embora, porem meu temor desaparece ao sentir um braço envolvendo meu pescoço que pelo cheiro delicioso é dele. —Oi. –ele beija meu rosto com carinho.—Oi. –sorrio de volta.Nos sentamos a mesa onde estão todos calados apenas observando a cena, ninguém pergunta nada mas quase posso ler suas mentes desesperadas por saber o que esta acontecendo. Não posso culpa-los pois nem mesmo eu sei como explicar.—Cris, o Rafa ligou dizendo que a... –ela aperta os olhos forçando a cabeça a funcionar. –Ah! A Bruna esta te procurando como louca desde ontem. Estou com saudade do Rafa, você tem que trazer ele quando vier nos visitar. –minha inocente mãe sorri pra ele. Ah mãe, depois de eu mata-lo duvido muito que o Cristiano volte a nos visitar.Ele sorri com gentileza pra ela e volta a olhar pra mim, eu por outro lado, estou carbonizando-o com meu olhar a laser imaginário. Alice percebeu o clima e sem que eu pudesse evitar entra na conversa.—Falando em ligações, Malu o Guilherme também esta como louco atrás de você. –eu a encaro de olhos arregalados, me perguntando quem diabos é esse Guilherme. A cara de retardada dela me faz desistir de tentar entender, então só reviro os olhos com desprezo.Cristiano passa o braço no meu pescoço novamente.—Quem é Guilherme? –pergunta num sussurro.—Você primeiro, quem é Bruna? –pergunto sorrindo amarelo. Malu sem cenas de ciúmes, seja adulta...seja adulta. Ah, que se dane! QUEM É ESSA BRUNA?
Fale com o autor