Você

5 Capítulo 5


Você tinha uma tendência a assumir responsabilidades que não eram suas. Você não tinha certeza de quando havia começado com esse comportamento, mas você sabia muito bem que isso se dava porque você se sentia constantemente culpado. E você era uma pessoa culpada de fato, mesmo que não fosse por tudo. Você estava muito consciente de tudo que havia feito de errado, e mesmo que não estivesse você poderia sempre contar com os belos e malditos desenhos coloridos marcados para sempre na sua pele para lembrá-lo de toda a desgraça que você causou a si mesmo.

Eram naquelas tatuagens que residia a necessidade inconsciente e destrutiva de puxar para si mesmo novas culpas, pois você precisava alimentar aquele incômodo e indulgente sentimento de que um dia você finalmente seria punido por tudo que havia feito de errado. Aquilo era tão forte e tão pungente que se o analisassem afundo logo entenderiam que você não era o cara legal, amigável e confiável que aparentava ser. Você era um desgraçado egoísta que só fazia aquelas coisas para quem sabe algum dia as pessoas o livrassem dos pecados que sequer sabiam que você havia cometido.

Porque você deveria ter sido punido há muito tempo, com a morte de preferência, mas lá estava você: vivo e contrito, arrastando-se pelos caminhos do destino em um esforço contínuo para ser perdoado.

Foi provavelmente essa a explicação que você encontrou para o fato de que você houvesse aceitado aturar Noiz em seu círculo social, para que você tivesse atendido ao pedido de Aoba de ir à casa dele e conversar ou ainda para que você o tivesse trazido para a sua própria casa naquele exato momento. Essa era mais uma das tantas culpas que você tomava para si mesmo: por mais que tivesse algum resquício de humanidade em sentir pena pelo estado atual do mais novo, e por mais que de fato você quisesse ajudá-lo, no fundo você só estava fazendo aquilo por puro remorso.

Você quase não acreditou quando ainda no início da noite recebeu uma ligação dos seus companheiros do Beni-Shigure na qual o loiro era o tema principal. Você quase se adiantou dizendo que não tinha relação alguma com ele, mas quando lhe disseram que haviam acabado de afugentar três punks que espancavam o loiro na rua, um aperto no peito o obrigou a ir correndo conferir a situação. O que você encontrou não poderia ser pior: Noiz estava jogado na calçada com a cara toda estourada e repleta de sangue, enquanto sorria contando piadas sem graça de cunho sexual para os seus amigos. Estava bêbado, você soube assim que chegou mais perto e ele te cumprimentou animadamente:

–Olhem se não é o velho broxa!

Você fez um som de desgosto e se aproximou mais, abaixando-se para dar uma boa olhada nele. Estava cheirando mesmo a álcool e tinha sangue escorrendo pela boca. Não por um corte nos lábios, você notou. Talvez uma hemorragia interna? Havia um corte na maçã do rosto, e certamente ele em breve teria um belo olho roxo para exibir como troféu de batalha. Isso fez com que você se lembrasse de todas as vezes que vocês dois brigaram enquanto uma angústia parecia arder no fundo do seu estômago. Você já o havia deixado mal algumas vezes, mas nunca naquele ponto ao menos. Sua testa se franziu em desgosto enquanto você se perguntava como ele havia conseguido ficar daquele jeito e, sobretudo por que ele havia se metido naquela briga. Você pensa em perguntar o que havia acontecido, mas o fato dele estar bêbado tornava ainda mais improvável a já remota possibilidade de receber uma resposta séria. Com isso em mente você apenas perguntou se ele não estava com nada quebrado ou se desejava ir ao hospital. Como a resposta para ambas perguntas se deram repletas de desdém e aparente bom humor etílico, você o ergueu e o pôs para andar escorado em seu ombro enquanto agradecia aos amigos por terem ajudado o moleque.

A princípio, você tem a intenção de levá-lo para o apartamento dele, mas como ele mal consegue se manter em pé você muda de ideia. O loiro parecia realmente muito mal e você sabia muito bem que apenas se afundaria mais em culpa se o largasse sozinho lá. Relutante, você o leva para a sua casa, esforçando-se para manter a compostura e a paciência enquanto ele perguntava se você iria comê-lo mais uma vez. As perguntas impertinentes prosseguem à medida que você o faz tirar a camisa suja de sangue, expondo o torso repleto de hematomas, provavelmente frutos de chutes. Você pergunta mais uma vez se ele não está com dor a fim de ter certeza de que ele não quebrou nenhuma das costelas; ele responde que está bem e que você pode meter sem medo. Você o impede de tirar as próprias calças, limpa a cara dele, obriga-o a tomar bastante água e o coloca para dormir na sua cama. Ele reclama e insiste que você deveria deixar de ser um velho broxa e transar com ele mais uma vez, mas você sabe lidar muito bem com bêbados (Mizuki podia levar todo o crédito por esse fato) e por isso bastam algumas ordens enfáticas para que ele se aquiete e durma.

Você vai para a sala e suspira sonoramente, o peito apertado em pena e culpa. Aquela insistência dele em querer ir para cama apenas aumentava a sua certeza de que ele realmente gostava de você – mesmo que ele tivesse negado isso quando você perguntou. Você se lembra de cada uma das provocações dele e se pergunta se aquele não seria o jeito tolo, infantil e inapropriado do moleque de chamar a sua atenção. Você se pergunta se ele havia bebido tanto (uma garrafa inteira de alguma coisa, segundo as palavras do próprio) por estar triste com o que você lhe dissera mais cedo. Não é como se você pudesse fazer muita coisa a respeito, afinal você não gostava dele. Você podia até achar a aparência dele interessante, você podia ter beijado e transado com ele, mas você definitivamente não gostava dele. E você não tinha culpa disso, afinal, não era como se ele tivesse realmente se esforçado para que você gostasse dele. Mas por mais óbvio que fossem essas conclusões, você insistia em se sentir culpado. Era algo semelhante ao que você sentia quando tinha que explicar a uma moça que a transa casual fora apenas isso: uma transa casual.

Mas com Noiz o assunto parecia ser mais delicado, afinal, ele não era uma doce e sensível moça. Ele era algo muito mais problemático e que você não saberia definir, mas que te afligia muito. Nesse momento sua mente vaga pelas lembranças de quando vocês haviam feito sexo, espalhando um frio quase desagradável pelo seu baixo-ventre. Aquela lembrança o assustava e o excitava ao mesmo tempo. O corpo quente, o beijo desesperado, o ritmo veloz e brutal, tudo isso culminando em uma sensação de deleite e angústia. Por mais óbvio que fosse o motivo daquilo tudo ter lhe incomodado, no fundo você sabia que havia algo mais. Era esse algo que fazia com que você repentinamente se preocupasse com o bem estar, com os sentimentos, com o futuro daquele pirralho sem noção. Você se pergunta o que teria acontecido com ele se ele não conhecesse ninguém que pudesse ajudá-lo na situação em que se encontrava. Você se pergunta como era a vida dele antes de conhecer Aoba. Você se pergunta por que diabos estava pensando tanto nele.

Você é tirado de seus devaneios pelo som de algo pesado batendo sobre o piso de madeira, e então você corre para o quarto. Ele havia caído e agora tentava debilmente se levantar.

–Oi, Noiz? O que foi?

– ...banheiro... –É a resposta dele, deixando evidente que ele estava enjoado.

Mais que depressa você o levanta e praticamente o arrasta para o banheiro da suíte, chegando bem a tempo de evitar qualquer desastre. Ele se ajoelha diante do vaso e faz o que precisa fazer enquanto você bate nas costas dele e o incentiva a por tudo para fora enquanto se lembra das vezes que fez o mesmo por Aoba e Mizuki. Você tinha até uma teoria de que era dessa camaradagem etílica que surgiam as grandes e verdadeiras amizades – afinal, chegar num ponto daqueles confiando que cuidarão de você é uma prova de confiança; cuidar de alguém naquele estado é uma prova de caráter. E você se pergunta se alguém já tinha cuidado de Noiz assim antes. Você se lembra do aniversário dele. Ele havia ficado bem mal, mas você não ficou para cuidar dele. Você apenas disse um ‘se cuida, pirralho’ e deu as costas. Você se sente miserável por isso.

Ele termina e você o ajuda a lavar o rosto e a boca, levando-o de volta para a cama em seguida. Você o faz beber mais água e um antiácido efervescente enquanto comenta um tanto jocoso sobre a ressaca que o aguarda na manhã seguinte. Você passa a mão pela testa dele para afastar os cabelos grudados pelo suor e incrivelmente ele não fala nada indecente. O garoto apenas comenta que se sente tonto e volta a dormir, mas dessa vez você não sai do quarto. Você fica lá, sentado do lado dele, sua mão ainda na cabeça dele fazendo um carinho leve sobre os finos e macios fios claros.

Por algum motivo, enquanto acaricia aqueles cabelos, você se lembra de quando conheceu Aoba, aquela criança doce e inocente que você jurou proteger. É nesse momento que você entende que deseja proteger Noiz. Mas Noiz não era criança, não era doce e muito menos inocente, e por isso você não compreende esse seu desejo de protegê-lo. Você não sabe ao certo como, do que e por que, mas você deseja protegê-lo. Você se lembra do vazio assustador que havia visto nos olhos dele enquanto transavam e suspira um tanto frustrado. Seria muito mais fácil não se importar com Noiz. Seria muito mais fácil apenas manter a distância protegida por uma muralha de indiferença, mas você não consegue mais se manter indiferente ao mais novo.

Talvez – apenas talvez – você estivesse começando a gostar do pirralho. Não no sentido sexual ou romântico – ou ao menos assim você julgava. Talvez vocês até pudessem ser amigos, se não fosse pela insistência dele em transar com você. Novamente você se pergunta sobre os sentimentos dele por você. Imaginar que Noiz poderia estar gostando de você foi muito desconfortável a princípio, sobretudo depois da experiência pouco agradável que você teve no sofá dele. Mas depois de muito pensar a respeito, você se sentiu quase lisonjeado. Quer dizer, Noiz tinha aquela atitude arrogante de quem não se importa com nada ou com ninguém e mesmo quando te provocava, ele parecia manter aquela aura de indiferença e superioridade que te tirava sempre do sério. Mas pelo visto, ele estava pensando muito em você – até demais, você conclui ao lembrar que ele havia grampeado o seu coil. Obviamente isso te incomodou, mas agora, vendo o rapaz dormindo após ter tomado um porre fenomenal semelhante aos que você havia tomado quando finalmente se deu conta que estava apaixonado por Aoba... Agora você sentia uma simpatia genuína por ele e até uma vontade de quem sabe tentar corresponder aos sentimentos dele.

Quer dizer, ele era um rapaz bonito, e quem sabe não pudesse ser também um cara legal? Quando ele não estava pegando no seu pé, ele conseguia ser bem divertido pelo menos. E você tinha curiosidade de saber se quem sabe um homem seria capaz de preencher o vazio que você sentia toda vez que saia com uma mulher diferente e quem sabe até aplacar a dor dilacerante sempre que você via os dedos de Aoba se entrelaçando aos do Clear. Sim, desde que se descobrira apaixonado por Aoba e sem chances de retorno, você cogitava tentar um relacionamento com outro homem, uma vez que os com mulheres se mostravam sempre infrutíferos, por mais que você se esforçasse. Faltava-lhe a coragem e até o próprio interesse. Você realmente jamais havia se interessado por nenhum cara além de Aoba. Até a simples ideia de beijar qualquer outra pessoa do mesmo sexo causava-lhe asco e você tinha certeza que jamais se excitaria com um. Noiz destruiu todas as suas ressalvas em poucas palavras e em atitudes firmes. Diferente de você, ele tinha certeza do que queria, e ia atrás disso sem medo das consequências ou do que poderiam pensar dele – e isso era digno de admiração a seu ver. E por mais que as tendências masoquistas dele tivessem lhe sido uma fonte de horror, você realmente achava que esse tipo de coisa podia se acertar com o tempo.

Tentaria conversar com ele na manhã seguinte e quem sabe chegar a alguma conclusão definitiva. Com isso em mente você faz uma última carícia nos cabelos dele e se resigna a ir deitar no sofá, mas quando ia se levantar você olha para ele e encontra aquela duas íris verdes, tão sérias e devoradoras que você se assusta e puxa sua mão da testa dele imediatamente. Ele desvia o olhar para a sua mão, parecendo confuso agora.

–Tudo bem? –Você pergunta, tentando afastar a insegurança da sua voz.

–O quarto está girando... –Ele responde baixo e você pode sentir que ele está genuinamente aflito com a situação.

–Deita de bruços e põe a mão no chão... –Você recomenda enquanto o ajuda a se virar. –Vai te dar a sensação de estabilidade. –Você explica, lembrando-se vagamente de quando havia descoberto aquele tão valioso truque. –Melhor assim, não? –Ele apenas murmura que sim e continua te olhando. –Não consegue dormir? –Ele faz um meneio de cabeça indicando que não e você suspira. –Tá com dor? –Mais um leve meneio de negação. –Quer conversar? –E de novo ele fez que não, então você fecha os olhos e suspira baixo. –Certo, eu vou lá pra sala, mas vou deixar a porta aberta, então se precisa de qualquer coisa me chama.

Você se levanta, mas a voz dele, baixa e um tanto arrasta o detém no quarto.

–Por que você está me ajudando? –Você o olha sem entender muito bem a pergunta. –O que você espera receber em troca?

–Nada, eu só não podia deixar você sozinho nesse estado.

–Por quê?

–Por quê? Porque podia acontecer algo ruim com você.

–Não, não isso. Você podia muito bem ter ignorado e ido embora.

–Se fosse eu passando mal, você iria embora sem me ajudar?

–...não... –Ele responde após hesitar um pouco. –Mas seria porque eu queria foder com você, e você deixou bem claro que não é esse o caso.

Mais uma vez a resposta dele o incomoda, pois você acha realmente triste ele insistir em reduzir tudo a sexo. Você também não gostou do uso do verbo ‘foder’, mesmo que fosse o mais adequado à situação. Você sentia naquela palavra alguma conotação mais suja e vazia do que em todo o sexo sujo e vazio que você fez ao longo da vida, e você precisa saber se Noiz tem essa mesma impressão.

Você pondera se deveria mesmo fazer aquela pergunta, mas você sabe que aquele é o momento ideal para se certificar de algumas coisas, afinal, como dizia o ditado, ‘o álcool entra, a verdade sai’. Por mais que fosse um tanto desleal da sua parte se aproveitar do estado do mais jovem para fazê-lo falar, aquela era certamente um oportunidade única, e você realmente precisava saber se ele gosta mesmo de você.

–-Por que você queria tanto transar comigo? Você disse que não gosta de mim, e você poderia ter escolhido qualquer outra pessoa. Você é um cara bonito, não deve ter dificuldades para conseguir sexo.

–-Porque eu sabia que você me faria gozar.

–-Como assim?

–-Eu tenho dificuldade para gozar, seja batendo uma ou transando. Mas eu sabia que você conseguiria.

–-Eu não tô entendendo, do que você tá falando?

–-Meu tato é uma merda, e não sinto quase nada... – A fala dele se tornava mais arrastada a cada palavra proferida. – Pra eu sentir algo tem que usar força, aí o infeliz goza antes de mim e me deixa na mão. Aí eu não gozo.

Você não está entendo do que ele está falando ou pelo menos você deseja não entender. A curiosidade, todavia, ganha e você segue adiante com suas perguntas.

–-Espera, o que tem o seu tato? Como assim ele é ruim?

–-Sei lá, os médicos não descobriram. Desde criança que eu sou assim. Eu não sinto toques, calor, frio, dor... Essas merdas.

–-Espera, você não sente... dor? –Você quer confirmar, perplexo com o fato de tanta coisa começar a fazer sentido. Não apenas a maneira como ele brigava ou se fazia de durão, as cicatrizes e o sexo bruto, mas a maneira como ele lidava com as pessoas em geral. Tudo se encaixava diante de uma revelação tão simples e absurda. – Como assim você não sente dor?

–-É... Tipo, se eu levo um soco ou me corto, eu nem sinto.

–-Mas você sente alguma coisa?

–-Alguma coisa... Se me batem com bastante força, no máximo eu sinto como se encostassem em mim. É tipo como se tivesse um plástico bem grosso em cima da minha pele. Se for o suficiente, eu sinto a pressão. Mas sei lá, nunca é o suficiente. – As palavras dele estão embargadas em sono e sentimento enquanto os olhos verdes se fechavam.

Então ele realmente não sentia dor. Ele não conhecia a dor. E isso era triste porque ele podia não sentir dor física, mas você podia ter certeza que aquele fato causava dor emocional dele. E aquilo era doloroso para você, pois você sabia muito bem que não tinha direito nenhum de saber daquelas coisas. Ele jamais contaria se não tivesse bebido tanto, e agora você se sentia culpado por tê-lo feito revelar seus segredos mais íntimos. Ainda assim, havia mais coisas que você precisava saber.

–-Então, o sexo para você é... difícil?

–-É escroto, ruim...

–-Então por que você quer fazer?

–-Eu preciso fazer, velhote, senão eu piro... Eu não aguento mais não sentir nada. –Aquela confissão baixa e já quase inconsciente atingiu seu peito como uma facada. É nesse momento que você nota que a sua mão estava novamente acariciando a fronte dele e para imediatamente, mas ele parecia realmente não se dar conta do que você estava fazendo e apenas continuou com os olhos fechados.

–-E por que eu?

–-As mulheres com que você sai... Elas sempre diziam que você era bom de cama e aguentava bastante tempo, até elas gozarem. –Ele continuou explicando naquele tom sonolento até que os olhos perídoto se abriram voltando a encará-lo intensamente, como se pudessem devorar sua alma. --Eu queria que você fizesse o mesmo comigo. –Ele diz seriamente, embora baixo, e você sente um arrepio incômodo percorrer sua coluna. Você engole em seco e busca alguma coisa para dizer, qualquer coisa. Nada lhe ocorre e você apenas o encara na certeza de que seus olhos estão deixando bem claro ao mais novo o quão incomodado você havia ficado com aquela revelação. Ele apenas fecha os olhos novamente, parecendo triste e conformado. --Você disse que não tinha gostado de transar comigo... por quê?

–-É que eu me assustei. Eu nunca tinha feito nada daquele jeito. –Você omitiu a parte de ter sentido dor, porque achou que de alguma maneira seria cruel dizer aquilo para ele.

Ele faz apenas um barulho no fundo da garganta, deixando claro que havia entendido suas razões enquanto se ajeitava melhor na cama, a mão ainda apoiada no chão. Você se pergunta se aquela sua dica para situar o cérebro no horizonte e evitar a vertigem havia surtido algum efeito para ele. Será que ele conseguia sentir a firmeza do chão através dos dedos? Você considera indelicado perguntar algo assim.

Você engole seco mais uma vez, procurando alguma palavra ou alguma ação que pudesse fazer o loiro se sentir melhor. Qualquer coisa, mas você não acha. Nisso sua mão se direciona mais uma vez aos cabelos dele, acariciando-os, sentindo como eram finos e macios. Ele obviamente não estava sentindo aquilo, você soube pela ausência de qualquer reação, por mais fraca que fosse. Aquilo te incomoda muito, aquilo aperta seu peito e faz com que você sinta vontade de chorar.

Você respira fundo e diz:

–-A gente pode tentar fazer sexo outra vez...

A incerteza e a angústia eram pungentes em seu timbre, e você logo agradece aos céus pelo fato do mais novo ter caído no sono e não ter lhe respondido nada. Você se pergunta se estaria tudo bem seguir àquela ordem absurda dos seus desejos mais íntimos e abraçar o mais novo forte o suficiente para que ele sentisse.

Mas você apenas se levantou e foi dormir no sofá.

Notas finais
Notas: Tenou minha linda, obrigada mais uma vez por betar