Você

10 Capítulo 10


Você tentou se mover, mas algo o impedia, uma espécie de peso. Você abriu os olhos e o seu corpo todo se retesou um espasmo involuntários pelo susto de se descobrir nos braços de Koujaku. Sim, você ainda está aninhado no peito dele, e, pelo visto, ele estava apenas esperando você acordar, pois ele logo passou a mão pelos seus cabelos e perguntou:

– Quer dormir mais um pouco?

Você trava, obviamente. Algo assim jamais havia acontecido com você, e você sinceramente achava que jamais aconteceria: acordar nos braços de alguém. Quando você se dá conta, aquele delicioso e angustiante calor já se espalha pelo seu peito. Você não conhece bem aquela sensação, não sabe do que se trata. Ela dói de alguma forma. Você havia acabado de descobrir mais uma dor deliciosa de se sentir.

– Você está vermelho. – Ele comenta, tirando-o de seus devaneios enquanto finalmente o solta, rolando para o lado.

– Cale a boca. – Você resmunga enquanto amaldiçoa o mais velho por ter quebrado aquele enlace maravilhoso. ‘Maldito Koujaku’ você pensa enquanto alcança seu coil no criado-mudo. É noite ainda. Certo, o que havia acontecido mesmo? Você estava na casa dele e... Vocês transaram, tomaram banho juntos, aí você acabou chorando e depois disso vocês transam mais duas vezes (você gozou em apenas uma, mas valeu a pena testemunhar todo o esforço do mais velho para te dar prazer, por mais que você insistisse que estava tudo bem, e que dois orgasmos por dia eram bem mais do que você estava acostumado). Depois disso vocês acabaram dormindo juntos durante a tarde toda.

Certo, diante de tais fatos você jamais poderia chamar Koujaku de ‘velho broxa’ novamente. Ele não apenas era bom de cama, como também era atencioso e carinhoso. E se isso não fosse suficiente para querer passar o resto da sua vida ao lado do velhote, todas as outras coisas legais que ele fizera por você certamente seriam, como cuidar de você, esfregar seu corpo no banho, fazer comida para você, abraçá-lo e dizer que você não era um monstro. Sim, diante disso você não tem dúvidas de que quer passar o resto da sua vida do lado do velho. E casar com ele, assim quando ficassem mais velhos vocês poderiam adotar coelhos (tantos quantos Usagimodokis você tem), e Beni certamente gritaria com eles, mas mesmo assim vocês seriam felizes para sempre. E sim, você tem consciência de que estava sendo ridículo por pensar naquilo tudo enquanto Koujaku se vestia, afinal já é noite e certamente já havia mais do que passado da sua hora de ir embora, por mais que você quisesse ficar.

Você se sente... Inseguro?

Não. A verdade é que você está apavorado, com medo de fazer ou falar qualquer coisa que faça com que Koujaku o expulse da casa (ou pior, da vida) dele. Seu medo é mais do que justificado, afinal você é especialista em incomodar a pessoas. É o que você faz desde que se entende por gente, ao ponto que se houvesse alguma espécie de ‘prêmio maior estorvo do mundo’, você certamente ganharia. Você estava tão acostumado com aquela condição que você passou a cultivá-la. Você não apenas era desagradável: você sabia ser desagradável e no geral você queria ser desagradável.

Mas não com Koujaku. Não mais, ao menos.

Você suspira e se veste também, silenciosamente, tentando imaginar o que seria de vocês a partir de agora. Será que deveriam fingir que nada havia acontecido? Você sabia que seria o mais adequado, mesmo diante da possibilidade de, quem sabe, ele querer repetir o sexo agora que vocês haviam aparentemente se acertado na cama. Mas você se sentia tão emocionalmente atrelado ao mais velho que o simples pensamento de alguma outra transa casual quando ele estiver disponível faz com que você sinta algo amargo na boca.

Você tenta pensar em alguma coisa, qualquer desculpa que permita que você fique mais alguns minutos naquele quarto, mas você está satisfeito demais para querer mais sexo – sem falar que você sabe que fazer demais pode ser prejudicial a saúde. Como se não bastasse tudo isso, você está com fome. Ao se dar conta disso, você arregala os olhos e se vira para o mais velho.

– Ei, velhote, tá com fome? – Ele fica a cabeça um pouco para o lado, como se estivesse tentando entender algo além nas suas palavras. Você finalmente se dá conta do quão repentina fora sua pergunta. – Para eu pagar pelo almoço, sei lá. – Você completa enquanto desvia o olhar envergonhado.

– Qual a sua ideia?

– Não sei... Pedir pizza?

– Você não come nada além de pizza?

– Hum... Macarrão?

– Você não come nada além de pizza e macarrão?

– Cu? – Você sorri diante da própria piada, mas quase se arrepende ao ver a face de Koujaku se contorcer em desgosto.

– Nojento.

Certo, aquilo te deixou incomodado. Por que nojento? Há poucas horas ele estava animadamente comendo o seu!

– Tem nojo agora, é? – Você o provoca. – Não parecia há algumas horas.

– Não, nojento é o seu jeito de falar. – Ele explica com um suspiro, como se estivesse exausto. – Além disso, não vi você comer nenhum ainda. – Ele sorri em provocação também, e você se sente aliviado que ele não havia se ofendido com a sua piada.

– Eu posso comer o seu. – Você desafia confiante.

– Não, não pode. – Ele franze o cenho, enfático.

– Posso sim, e você ia gostar muito.

– Duvido muito.

– Só tem um jeito de saber.

– Pensei que você gostasse de ser passivo.

– É mais fácil para eu gozar sendo passivo, mas por você eu seria capaz de fazer esse sacrifício. – Você ri, ele ri. Você está conseguindo manter uma conversa casual e agradável com ele, e isso te deixa imensamente feliz.

– Sacrifício, é? Fico lisonjeado, mas não precisa, obrigado.

– Tem certeza? Não tem curiosidade?

– Não. – Ele responde com firmeza, mas você não pode evitar soltar mais um risinho cínico.

– Sei.

– É sério.

– Eu sei que é sério. E é melhor assim mesmo. Seria perigoso eu comer seu cuzinho virgem. – Você suspira mais uma vez, dando o assunto por encerrado.

– Perigoso por quê? – Ele pergunta curvando um pouco a cabeça, sem entender.

– Como eu não sinto muito bem as coisas, eu poderia te machucar.

– Você tem medo de me machucar, Noiz? – Ele pergunta, e você obviamente não consegue responder. Você apenas vira a cara para poder olhar melhor para o chão. Você tenta pensar num jeito de voltar ao tópico ‘comida’, mas ele não permite. – É isso mesmo, Noiz?

– Você é um velho frouxo, eu não quero ter que aguentar seu choro.

– Eu realmente acho que você não ia me machucar.

– Então você tem curiosidade. – Você comenta emulando ânimo, tentando mudar o foco.

– Você tem medo de me machucar?

– É claro que tem tenho. – Você admite num suspiro. – Você tem sido legal comigo. Mais do que eu mereço. Bem mais. Não queria estragar tudo te comendo errado. – Você finalmente olha para ele, e ele parece incomodado. O rosto dele está muito vermelho e ele provavelmente está olhando para o mesmo ponto no chão que você estava encarando antes. Ele estava constrangido, você estava constrangido, beleza, só faltava seus allmates ficarem constrangidos também.

– Bem... Eu estou com fome, mas não gosto muito de pizza, então... Se você quiser, a gente pode sair para comer algo. Eu sei que um restaurante de comida tradicional muito bom.

Ele estava te convidando para sair. Com ele. Num restaurante. Vocês dois. Juntos.

Você tenta processar a informação, mas é difícil. Quer dizer, há alguns dias ele parecia malmente suportar a sua presença, mas agora ele estava te convidando para um encontro. Claro que ele não havia usado essa palavra, mas o que importava naquele momento era que no seu coração aquilo era um encontro, e a situação era tão absurda para a sua compreensão que você precisa se certificar.

– Você quer sair comigo?

– Por que você faz isso soar tão estranho? – Ele resmunga incomodado, finalmente voltando a te olhar na cara. Ele ainda está vermelho, e você acha isso fofo. Vermelho é uma cor que combina com ele, afinal.

– Sei lá... Pensava que você não gostaria de ser visto comigo, essas coisas.

– Bem... Sair para jantar é coisa que a gente faz com os amigos.

‘Amigos.’

Em outra ocasião você ficaria muito feliz de alguém se referir a você como amigo, mas nesse exato momento, ouvir isso da boca de Koujaku parecia o pior insulto do mais baixo calão que alguém poderia proferir.

– Amigos... – Você repete, seu tom de voz deixando bem claro o quanto aquilo havia incomodado. – Você ainda tem pena de mim, velhote?

Ele suspira irritado diante da sua pergunta.

– Não é isso. Não é por isso que eu quero sair com você.

– Por que, então?

– Não sei, merda. Só queria conhecer melhor você.

– Por que você quer me conhecer melhor?

– Não sei... Eu apenas acho que... Talvez a gente possa se dar bem, sei lá.

– E virar amigos?

– Isso, ou algo mais, sei lá.

Algo mais.

De repente essas duas palavras viraram os vocábulos mais bonitos do mundo. Você seria capaz de tatuar essas duas palavras no seu pênis. Você seria capaz de escrever um poema utilizando apenas rimas para essa expressão. ‘Anais’ rima com ‘algo mais’. ‘Sexuais’ também. Não, melhor, Koujaku gosta de coisas japonesas, e você seria capaz de escrever uma série de haicais totalmente voltados a contemplar a beleza e o lirismo do ‘algo mais’.

– Certo... – Você diz apenas tentando não soar ansioso demais.

E nisso vocês tomam mais uma rápida duchas juntos, na qual você tem um íntimo prazer de ver o mais velho quase enfartar pelo constrangimento quando você se limpa lá atrás.

– Você não tem mesmo o mínimo de vergonha?

– Por que eu deveria sentir vergonha? Você que colocou isso aqui. – Você responde sorrindo, tendo mais uma vez a certeza de que você havia de fato se apaixonado por aquele velhote patético.

Vocês se vestem e ele ajeita o cabelo, prendendo-o cuidadosamente. Você não tinha se dado conta até então do quão comprido e bonito era o cabelo dele. Ele liga o Beni e informa que vocês vão jantar. O pequeno pássaro vermelho te encara desconfiado e fala coisas pouco lisonjeiras sobre o fato de que o Koujaku corre risco de ter indigestão se comer em sua companhia. Você engole seco e em silêncio, um tanto irritado enquanto o homem mais velho apenas coloca o all mate em stand-by para que ele não incomode tanto.

– Desculpe pelos modos do Beni. – Ele pede meio sem graça, e você apenas faz um ‘hum’ e move os ombros como se não se importasse. – Vamos? – Ele convida indo em direção à porta e você apenas o segue, mantendo uma curta distância entre vocês enquanto caminham pelos quarteirões pouco iluminados de Midorijima.

O restaurante era bem perto, um estabelecimento simples e pequeno. Koujaku cumprimenta animadamente aquele que você imagina ser o dono do local, e esse se adianta em mostrar uma mesa para vocês e apresentar os cardápios. Você lê aqueles nomes, mas não reconhece praticamente nada.

– Vai querer o quê? – Koujaku pergunta e você quase entra em pânico. Felizmente você consegue manter bem a aparência calma.

– O mesmo que você.

– Como está frio, eu estava pensando num nabe, o que você acha?

– Pode ser. – Você responde mesmo sem fazer ideia do que seja.

– Quer saquê? Se bem que... melhor não, depois do porre memorável que você tomou ontem... Faz o seguinte, Hideki, traz saquê para mim, e um suco para o garoto. Uva, pode ser? – Ele fala olhando para você com um sorriso jocoso e provocativo. Você apenas aceita aquilo, afinal não sente mais a menor vontade de beber álcool agora. Você ainda sente os bichos se revirando na sua barriga, mas eles não te incomodam mais. Sem falar que você odiaria perder o controle da própria consciência e fazer alguma merda que viesse a deixar o velhote puto com você, por isso você apenas bebe o seu suco quando a garçonete traz as bebidas e observa como Koujaku se serve do saquê.

Era quase um ritual, o qual você acha muito bonito. Você observa aqueles dedos longos e marcados de cicatrizes segurando a cerâmica delicada, levando-a aos lábios. Você treme ao lembrar que há algumas horas aqueles dedos estiveram dentro de você, e aqueles lábios beijaram os seus. Você tenta não pensar a respeito, mas é difícil. Pelo menos até vocês começarem a conversar amenidades, como, por exemplo, a possibilidade de chuva, ou as mudanças na ilha após a queda de Toue do poder.

– Então... Qual o seu nome? – Ele pergunta em algum momento.

– Hum?

– Seu nome, de verdade. Quer dizer, Noiz é um apelido, não? Pelo menos o Clear disse que era.

– É o nome que eu sempre usei na rede.

– Era o seu nome de Rhyme?

– Não, no Rhyme eu era Rabit Head.

– Que diabos quer dizer isso?

– “Cabeça de coelho”.

– Hum... O Aoba comentou mesmo uma vez que você usava uma fantasia sinistra de coelho nas partidas de Rhyme.

– Não queria ser reconhecido na rua. Gerava muito assédio.

– As meninas não te deixavam em paz, era? – Ele ri, e até você quis rir junto.

– As meninas nem tanto, mas os nerds...

– Imagino! Mas por que coelho? Quer dizer, em tudo... O nome da sua equipe tinha algo a ver com coelhos, não? E seus allmates, sua roupa...

– Eu gosto de coelhos, oras.

– Não tem nenhum motivo específico?

– Eles dão ótimos ensopados. – Você brinca, mas pela cara de horror que ele fez, você notou que talvez fosse uma brincadeira de mau gosto. – Mentira. É apenas porque eu tive um quando criança. Por um bom tempo ele foi meu único amigo.

– Ah... Eu sinto muito.

– Tudo bem. – Você suspira, ainda desacostumando com o cuidado que ele tinha ao falar com você.

– Mas você acabou fugindo do assunto. Qual o seu nome mesmo? – Ele insiste, e você morde de leve os piercings nos lábios, ponderando se não haveria algum problema falar.

– Wilhelm. – Você revela num suspiro desgostoso, afinal você odeia aquele nome e as lembranças que ele lhe traz. Você só disse porque Koujaku já sabia tanta coisa a seu respeito que você achou que seria estranho se negar a responder algo aparentemente tão simples.

– Uy… Uyrerumu…?

– Noiz. – Você o corrige enfaticamente, deixando claro que você não deseja ser chamado assim, ainda mais com aquela pronúncia absurdamente errada.

– Mas todo mundo te chama de Noiz.

– Todo mundo te chama de Koujaku, e eu não estou reclamando.

– Mas é meu nome real, não um apelido.

– Noiz é o nome que eu escolhi para mim.

– Certo... E por que Noiz?

– Tirei do inglês também, ‘noise’, ruído.

– Não parece um sentido muito legal.

– Era como eu me sentia para os meus pais. Algo que incomoda, que atrapalha... Mas que pode facilmente ser ignorado.

– ...Definitivamente não é um sentido legal.

– Pois é... E ainda assim, para mim, é melhor que Wilhelm... Ei, espera. – Você arregala os olhos quando finalmente se dá conta. – Você queria um nome que só você usasse?

Ele cora. Ele cora muito, e você apenas pisca algumas vezes, incrédulo. Você estava prestes a provocá-lo por conta daquilo, mas um pequeno fogão com uma panela fumegante cheia de coisas estranhas é colocada no centro da mesa. Você sente algum pânico ao encarar aquilo, pois você não sabe bem o que fazer. Por sorte Koujaku serve uma tigela para você, e tudo que você precisa fazer é imitá-lo quando ele começa a comer – a despeito da dificuldade em manusear aqueles malditos palitinhos. Ele faz questão de puxar diversos assuntos para você conversarem, e você sabe que é porque ele não quer mais tocar na questão do seu nome. Você fica feliz por isso. Vocês terminam de comer e ele ainda bebe mais um pouco de saquê. Ele serve um pouco para você apenas experimentar, mas o gosto o desagrada profundamente e você faz uma careta. Ele ri e pede a conta.

– Eu pago. – Ele oferece imediatamente, já acionando o coil, mas você obviamente protesta.

– Não, eu disse que queria pagar pelo almoço.

– Mas eu quero pagar. – Ele insiste.

– Por quê?

– Cortesia.

– Eu não sou mulher. – Você revira os olhos.

– Sério? – Ele bufa um tanto aborrecido. – Não é essa questão, idiota.

– Qual a questão então?

– Nenhuma, eu apenas quero pagar. Você paga a próxima vez. – Ele propõe, e você finalmente para de argumentar.

Próxima vez.

Haveria uma próxima vez.

E de repente, essas passavam a ser suas palavras favoritas no mundo. Você não consegue pensar em nada de cunho sexual que rime com ‘próxima vez’, mas por sorte a ideia de escrever poemas apenas para provocar Koujaku ficara obsoleta. A única coisa realmente importante era saber que haveria uma próxima vez.

Vocês saem do restaurante e chega aquele momento constrangedor em que cada um segue um rumo diferente. Você tenta pensar em algo para dizer, de preferência algo que pudesse adiantar a “próxima vez” para o quanto antes fosse possível. Obviamente você não consegue bolar nada, e estava prestes a soltar um ‘a gente se vê por aí’ quando uma voz conhecida faz com que tanto você quando o velhote deem um pequeno pulo sobressaltado.

– Koujaku-saaaan! Noiz-saaaan!

– Koujaku? Noiz? O que vocês estão fazendo por aqui? – O rapaz de cabelos azuis complementa a fala de Clear tão logo se aproxima de vocês, deixando bem claro que havia um ‘juntos’ implícito na frase.

– Ahh... Bem... – Koujaku obviamente gagueja, nervoso demais. É claro que ele não queria deixar algo transparecer. Não para Aoba, acima de tudo, afinal, o velho ainda era apaixonado pelo rapaz de cabelos azuis. Saber daquilo nunca foi tão angustiante quanto agora, e a despeito da presença animada de Clear de mãos dadas com ele, você sente uma ira profunda tomando seu peito. Você não entende muito bem o que está se dando, afinal você não se sentiu dessa forma nem quando ainda gostava de Aoba e ele revelou que estava namorando Clear. Você encara a cara desesperada de Koujaku e sente vontade de dar um soco nela. Ou melhor, um beijo, pois assim ele te daria um soco e a cena seria muito mais impactante para Aoba. Você sorri pensando nisso. – A gente estava só... – Nesse momento ele olha desesperado para você, implorando mudamente para que você o ajude com alguma resposta.

– A gente estava tendo um encontro. – Você diz seriamente, sentindo o suave prazer de sua pequena vingança ao encarar as expressões chocadas de seus interlocutores, com exceção de Clear, é claro, oculto por trás daquela máscara de gás bizarra. – Brincadeira. – Você deu um sorriso em seguida, por mais forte que fosse o gosto amargo que agora tomava conta da sua boca. – O velhote queria só saber se eu estava bem, e disse que você e o Mizuki estavam preocupados comigo. Mas como dá para notar, eu estou muito bem, então... Até mais. – Dizendo isso você deu as costas e ergueu a mão em gesto de despedida, começando a andar, com receio de que Clear (a única pessoa ali mais perceptiva que você) pudesse compreender a verdade por trás das suas palavras.

Você ainda escuta o moreno dizendo algo e se despedindo apressadamente do casal, para estão ouvir os passos pesados e apressados se aproximando de você. Ele te chama uma, duas vezes, mas você não olha para trás. Você apenas anda mais rapidamente na esperança que ele lhe deixe em paz, mas como era de se esperar a mão dele alcança seu braço, e você sente o tranco do seu corpo sendo parado. Você tenta se soltar, mas quando se dá conta, ele está te segurando pelos dois ombros, e o olhar dele parece muito preocupado.

– Noiz... Você está chorando? – Ele pergunta incerto, e você mais do que depressa leva as mãos à face, a fim de se certificar daquilo. Sim. Você estava chorando. Merda. – Aconteceu algo? Foi algo que eu fiz ou...? – Ele estava mais uma vez mostrando aquele lado legal e amável com você. Aquele lado que ele mostrava para todo mundo. Aquele lado que algumas horas atrás fez com que você se sentisse tão especial, mas que você logo se lembrou de que não era exclusivo para você.

De repente você passa a odiar aquele lado de Koujaku, e enquanto ele te indaga sobre as suas lágrimas, você cala a boca dele.

Você cala a maldita boca dele com um beijo.

Um beijo raivoso e desesperado, daqueles que você sabia muito bem que ele não gostava, mas que era o único que você conseguiria dar naquele momento, pois era como você se sentia: raivoso e desesperado.

Contrariando suas expectativas, ele corresponde. Ele agarra as suas costas e a sua nunca e se aperta contra o seu corpo. É muito forte. É muito intenso. Você sente aquilo tudo e você sente ainda mais vontade de chorar. Incapaz de respirar, chorar e beijar ao mesmo tempo, você se afasta dele e encara a forma descompassada como ele respira. Você não faz mais ideia do que está acontecendo, e sua confusão só piora quando ele pega a sua face entre as duas mãos fortes e calejadas, puxando-a para um novo beijo.

– Eu acho que gosto de você, Noiz. – Ele sussurra antes das suas bocas se reencontrarem.

Notas finais
Notas: Nai-chan! Obrigada mais uma vez por seu apoio, por suas opiniões, e dessa vez pela betagem também =D Bem, bem, deixa eu explicar porque o Clear continua com a máscara mesmo após o Good Ending. A meu ver, a despeito de ter sido completamente aceito pelo Aoba, ele ainda não se sente confortável e mostrar o rosto, por isso ele só tira a máscara em casa, e só que viu a face dele foi o Aoba e a Tae-san. Então é por isso que os demais continua vendo-o como o ‘cara esquisito da máscara de gás’.... MENTIRA MINHA! É que eu tenho um fetiche por ele de máscara, e achei uma lástima ele parar de usá-la, então inventei a desculpa acima! JULGUEM-ME. Mas sim, preciso saber o que acharam desse capítulo... Está mais morno e cotidiano, mas é uma preparação para... tan-tan-tan! Para o Jaca se abrir para o Noiz! Sinal de que a fic está chegando ao fim, mas ainda prometo alguns feels, e é claro, mais um limãozinho. Vocês acham que o Jaca vai ser uke sim ou com certeza? XD E eu preciso agradecer MUITO MUITO MUITO os comentários de vocês, tão amáveis, e tão lindos e tão fofos! Vocês são muito amorzinho! Acho que nunca estive tão empolgada com uma fanfic, e é tudo por ‘culpa’ de vocês! OBRIGADA!