Voce mudou minha vida
7 Capítulo 7
Notas iniciais
obrigada
CAP 7
Marina abre a porta e fica de frente com Vanessa...– Precisamos conversar...diz e sem esperar ser convidada entra na casa.– O que você quer?...Marina fala bruscamente, depois do que ouviu na sala de Gi prefere manter-se longe daquela mulher.– Marina eu...Vanessa começa dizendo...está muito nervosa...precisa contornar aquela situação.– Se veio pra falar dessa sua loucura é melhor deixarmos como está...não é momento pra isso...Marina utiliza um tom cortante.– Mas...Vanessa ainda tenta...de imediato é interrompida...– Vanessa!...Não estou preparada para enfrentar algo assim...Marina diz suspirando e fechando a porta principal.– Porque não?...Insiste...porque não podemos conversar...me diz!...Vanessa perde a paciência e está praticamente gritando...somos adultas! solteiras! livres pra fazer o que bem entendermos...enquanto vai falando aproxima-se mais de Marina até tocá-la.– Não!...Marina se afasta...as coisas não são assim tão simples como você fala, tudo bem eu sou uma pessoa solteira, livre, mas...Marina faz uma pausa e solta sem pensar...você é a última mulher na terra por quem eu me interessaria...quer tirar definitivamente da cabeça da Vanessa aquelas ideias.– Porque?...Vanessa não aceita o argumento de Marina, sente-se ferida por aquelas palavras...como ela pôde dizer aquilo de forma tão crua e sem nenhum resquício de arrependimento!– Porque não!...Porque não podemos...simples assim!– Não entendo!...Marina eu amo você!...É tão difícil compreender esse sentimento!...Marina observa como Vanessa se nega a considerar suas razões.– Sim!...É difícil! (Marina).– Mas porque?...Vanessa insiste.– Porque você é a irmã da minha esposa...dá ênfase a cada palavra...por acaso não consegue enxergar isso!...Marina leva as mãos à testa massageando-a, aquilo está lhe provocando uma terrível dor de cabeça.– Não! Não consigo...você está muito equivocada! Marina eu amo você!...Vanessa grita.– Você enlouqueceu!...Está me escutando?...Marina a olha incrédula.– Claro que sim!...Sei muito bem o que estou dizendo!..Eu...eu, eu sou irmã da sua esposa, mas ela está morta...ela não existe mais!...Já está na hora de você encarar essa realidade!– Não fale isso!...diz Marina.– Sim...claro que falo!...Já é o momento de você seguir sua vida!...Giovanna está morta! Mor-ta!...Isso já faz um ano!...Agora Vanessa está gritando a plenos pulmões enquanto Marina a encara sem acreditar que aquilo esteja realmente acontecendo, rogando aos céus para que tudo seja apenas um pesadelo.– Definitivamente você está louca!...Marina leva as mãos à cabeça...sente-se impotente escutando Vanessa, depois de olhá-la por uns segundos lhe diz...você não está no seu juízo perfeito, só isso pra justificar tudo o que acabar de falar!...Vanessa...Gio era sua irmã...sua irmã!...Por deus você tem consciência do que está dizendo!– Claro que sim!...Sei muito bem o que digo!...Há um ano que isso consome você!...Chorando por uma mulher que não vai mais voltar...uma mulher que está morta! MOR-TA...ENTENDA ISSO DE UMA VEZ POR TODAS!!!...Porque não pode nos dar uma oportunidade...por favor... Vanessa termina implorando.– O que é isso!...Claro que não!...Entre nós não há a menor chance!– Porque não?– Porque não consigo ver você como mulher!...Simplesmente na minha cabeça isso não existe! Respira profundo levando as mãos ao rosto, querendo encontrar as palavras certas...Vanessa me escuta...uma vez mais tentando convencê-la...isso é só uma crise...uma loucura temporária...Marina procurando explicação pra aquele desatino da cunhada.– Como ousa chamar de loucura todo o amor que tenho você!...Como se atreve...diz agora uma Vanessa indignada.– E como você quer que o chame!...Marina retruca...Vanessa eu ainda estou surpresa com tudo isso!– Ahh...por favor Marina!...Não me venha dizer que nunca viu meu interesse por você, que tudo não passava de uma simples relação entre cunhadas...ninguém é tão cego!– Pois pra mim sempre foi isso, em nenhum momento notei nada de incomum nos seus sentimentos...Vanessa jamais poderia vê-la de outra forma que não fosse como uma irmã.– Porque não?...Pergunta magoada, aquelas palavras feriram seu coração fazendo-a aproximar-se mais de Marina forçando um abraço, só que Marina é mais rápida e ao perceber a intenção dela consegue desviar-se daquela atitude desesperada.– O que você está fazendo?...Marina a afasta de forma brusca.– Eu amo você!...Vanessa reage de forma mais agressiva tentando beijar Marina.– Me beija...me beija por favor!...Só um beijo...implora, mas Marina tomada de asco e repulsa a empurra...– Basta!...Basta desse disparate!...Jamais poderia ter algo com você!...Jamais!...Abre a porta sem ao menos olhar pra ela e diz...é melhor que você vá embora Vanessa...seu tom não admite réplica...é definitivo!– Marina!...– Não temos mais nada pra falar, sinto muito...o melhor é que esqueçamos tudo isso.– Eu não quero e nem vou esquecer...sabe porque?...Porque amo você!...Entendeu?...Amo você e vou lutar por esse amor!– Vanessa...o tom é cansado...seu cérebro ainda resiste àquele turbilhão de informações.
– Você ainda vai me amar!...Vanessa a interrompe...isso eu sei, afinal sou a gêmea de Gio...sorri como se isso fosse garantir-lhe alguma coisa...É como estar com ela outra vez...continua falando...ao escutar essas palavras Marina sente a raiva apoderar-se dela... como se atreve a meter Giovanna nisso!...Reage rapidamente tomando-a pelo braço e puxando-a...– Será melhor que saia da minha casa!...Nunca olharia pra você com outros olhos, como ousa dizer um despautério desse...quer saber de uma coisa... Marina decide ser mais ácida...precisamente por saber muito bem que você não é Giovanna é que não poria um dedo sequer em você!...Pode até ter o rosto igual ao dela...Marina desliza o olhar por todo o corpo de Vanessa causando-lhe estremecimentos...e até a forma de seu corpo, mas não passa de uma sombra...uma cópia mal acabada...degastada...falsa!...Jamais conseguiria se igualar a Gio! Jamais!...Com essas palavras fecha a porta na cara de Vanessa.– Isso não vai ficar assim!...Grita Vanessa do lado de fora...você vai ser minha!...Você está me entendendo!...Miiiiinha!– Maldição!...Murmura Marina enquanto decide ir para o seu quarto, passa as mãos pelos cabelos...sente-se inquieta como se estivesse trancada em uma jaula, anda de um lado a outro...precisa de algo para rompê-la só assim poderá liberar toda a raiva que está corroendo-a por dentro. Na sua cabeça aquelas palavras ecoam tão ousadas...atrevidas!...Gio está morta há um ano somente!...Como ela pôde!...Sem pensar duas vezes arremessa o abajur contra a parede despedaçando-o...– Droga!...Recrimina-se...quando toma consciência do que fez suspira e começa a recolher os destroços.NO DIA SEGUINTE NO CCSA...Clara chega ao trabalho e imediatamente percebe que há algo diferente no ambiente, uma grande movimentação, o espaço começa a ser invadido. Uma das primeiras coisas que encontra é um trailler que pela logomarca pertence aos Estúdios Vieira. Como de costume circula pelas dependências do Centro, cumprimenta as pessoas, conversa sobre a novidade. Em um dos corredores encontra Kika com um dos colaboradores de Marina, aquele negro bonito que a acompanhava no dia em que fizeram a visita, os saúda rapidamente. Um sorriso desponta em seus lábios, isso significa que Marina está em alguma parte do Centro, talvez no pequeno local designado pra eles. Hoje ela tem reunião agendada com todo o pessoal para expor o que será realizado ali e pedir toda a colaboração possível pra Marina e sua equipe de trabalho. Entra em sua sala onde Helena já a espera.– Olá Helena!...Como está tudo por aqui?– Imagina com toda essa efervescência, todo mundo eufórico...parece que estão fazendo filme aqui.– Pois não duvide...pelo o pouco que Gi e Marina me explicaram é praticamente isso mesmo.– Ahhh...Helena faz uma pausa antes de dizer o que está pensando...quer evitar mal entendidos...pude observar que entre elas há muita afinidade não é mesmo...insinua curiosa.– Como assim?...Não estou entendendo onde você quer chegar...– Nada...esquece!...ela parece uma boa pessoa...Helena decide mudar o rumo da conversa, aquilo pode tornar-se um assunto espinhoso. Ela é muito bonita...e que coincidência, olha que mundo pequeno...vocês duas amigas de Giselle.– Sim...bastante surpreendente a vida... e Marina onde está...veio com sua equipe?– Não...eu não a vi...só chegaram quatro pessoas, três homens e uma mulher.– Ahh...sem dar-se conta Clara expressa sua desilusão...no fundo não admitiria o desejo de encontrar Marina.– Mas com certeza ela virá mais tarde...diz Helena enquanto observa sua amiga e decide guardar para si o que está percebendo, talvez esteja imaginando coisas, certamente não existe nada além de loucuras da sua cabeça.APARTAMENTO DE JOANE...A campainha toca e Joane vai atender, fica surpresa ao deparar-se com Marina.– Ora veja só...a que devemos a honra dessa visita...Joane não pode evitar a ironia.– Posso entrar?...Marina pergunta e Joane afasta-se dando passagem pra ela permitindo-lhe a entrada.– Claro entre!...Marina entra e fecha a porta...então posso saber a razão dessa visita?...Já sem aquele tom irônico.– Precisamos conversar...ela vai direto ao ponto...com Joanne as coisas sempre são difíceis ainda mais agora que Gio não está mais ali para mediar tudo entre elas.– Serei breve...diz Marina que luta para controlar-se. Definitivamente as mulheres Marinelli estão com o firme propósito de destruir sua paz. Não é segredo pra ninguém que Joane jamais aprovou sua relação com Giovanna, sempre resistiu aos seus insultos disfarçados em palavras bonitas e sofisticadas, mas em todas as oportunidades deu o braço a torcer, recuou por consideração a sua falecida esposa. Marina sabe que Joane jamais aceitou o fato de sua filha ter se apaixonado por uma mulher, entretanto conseguiu manter um clima amistoso entre elas e até há pouco tempo jurava que as hostilidades estavam controladas, mas depois dos acontecimentos do dia anterior Marina teme que esse delicado tratado de paz tenha se rompido.– Sou toda ouvidos!...Diz Joane com um toque de agressividade que não passa despercebido por Marina.– Quero que me explique o que foi aquilo.– Não estou entendendo...Joane se faz de inocente.– Ohh vamos Joane...quero que me diga porque foi necessário que me telefonassem desesperados da creche do meu filho...Marina dá ênfase a palavra filho. Joane ao escutá-la sorri de forma depreciativa só que decide não fazê-lo de forma tão acintosa naquele momento de frente pra Marina...quando escutei o que tinha acontecido não pude acreditar.– Ahh...aqueles insolentes foram fofocar pra você.– Segundo o que me disseram você deu um show bastante desagradável.– Tudo foi por culpa deles!...Joane tenta justificar-se...eles não me deixaram ver meu neto!...Então!...Dá de ombros enquanto Marina fecha os olhos sem paciência.– Você não pode chegar lá e exigir ver Diogo quando nem sequer existe pra eles!– E porque não figuro entre as pessoas autorizadas a ver o Diogo?– De quem é a culpa?...Foi a resposta de Marina.– Minha é que não é!...Isso eu asseguro a você.– Não me venha com esse tom...desde que chegou você em nenhum momento se interessou em compartilhar nada com meu filho!...Nem ao menos foi nos visitar!– Vanessa já vai com frequência...isso já não é o bastante?...Não precisa que eu tenha que estar sempre naquele lugar!– Como assim?...Por acaso minha casa é tão humilde que não possa receber a senhora?...Agora é a vez de Marina ser irônica.– Marina!...Como ousa!...Não admito que fale assim comigo!...Marina se arrepende por dizer aquilo, afinal está ali pra que tudo fique em paz entre elas e não pra reacender o fogo das desavenças, mas é que a sogra na maioria das vezes a tira do sério.– Joane eu não quero problemas!...Não desejo nenhum tipo de conflito entre nós!...Você é a avó do meu filho e quero que ele cresça num ambiente de harmonia!...Peço de todo o coração pra ficarmos bem, sei que não aprova minha orientação sexual e não tenho porque exigir que da noite para o dia me aceite como sou, nem tampouco quero isso, mas será que é tão difícil pelo bem do Diogo tentarmos conviver pacificamente...diz num tom conciliador.– Eu...as duas mulheres encaram-se...Marina momentaneamente ganha a batalha, é Joane quem termina desviando o olhar e suspirando profundamente lhe diz...– Está bem!...Eu prometo fazer minha parte para que as coisas entre nós melhorem, mas só por causa do meu neto...Joane mente descaradamente enquanto Marina respira aliviada acreditando cegamente naquelas falsas palavras.NO CENTRO COMUNITÁRIO...A reunião que Clara tinha marcado com seus funcionários havia sido concluída, na pauta explicações sobre o trabalho que seria desenvolvido lá, pediu que todos tivessem consciência e colaborassem no que fosse possível com o pessoal dos Estúdios Vieira, falou também que seria feito um documentário sobre o Centro, o que era praticamente desconhecido por todos e aproveitou para apresentar a equipe de Marina. Enquanto falava, embora demonstrando um grande entusiasmo, interiormente sentia-se um pouco frustrada pela ausência da produtora e agora colaboradora. Terminada a reunião imediatamente dirige-se à uma área do Centro para supervisionar os trabalhos de construção de uma nova ala, as obras de ampliação estão a todo vapor e ela conversa com o engenheiro encarregado.– Estamos bem adiantados, está tudo dentro do que foi estabelecido no nosso cronograma de trabalho, a voz do engenheiro começa a perder-se no mesmo instante em que percebe que Clara não está prestando atenção em coisa alguma do que ele está falando. Segue a direção do olhar da morena e constata que ele tem como alvo uma bela mulher de cabelos negros que está de pé na entrada. Uma deusa capaz de tirar a respiração de qualquer mortal que ponha os olhos sobre ela. Marina sustenta o olhar daquela ninfa dourada e embora não saiba ainda a razão, só o fato de encontrar-se com Clara já transforma o seu estado de espírito e isso reflete-se nos seus lábios em um sorriso maravilhoso capaz de derreter um iceberg. Marina fica parada esperando Clara que leva uma das mãos aos cabelos colocando um mecha atrás da orelha enquanto aquele sorriso luminoso torna-se um pouco mais tímido...
– Me desculpa...podemos continuar depois?...pede ao engenheiro.– Ok...responde o homem gentilmente.Marina continua ali aguardando Clara...com aquele jeans desgastado e blusa sem mangas que lhe dão um ar mais jovial e aqueles óculos...ahh desde quando óculos são um acessório sexy? ops...ops Clara!...O que está acontecendo mulher!...Enquanto Clara aproxima-se Marina a observa e é inevitável passar por sua cabeça um pensamento mais atrevido...essa mulher é um pecado usando saia...belas pernas torneadas e essa blusa de seda...como um pedaço de tecido pode resultar tão sensual...transparecendo seus seios bem delineados...fazendo com que qualquer santo decida abandonar a comodidade do céu!...Marina parece estar em transe à medida que Clara chega mais perto...a morena também encontra-se hipnotizada observando aquele sorriso maravilhoso que enfeitiça. Quando se encaram tudo ao redor deixa de existir...– Olá! / Olá...Falam simultaneamente...parece um casal de adolescentes nervosas.– Está tudo bem?...Clara não sabe a razão mas sentiu vontade de fazer aquela pergunta.– Sim estou bem...porque?...Intrigada pela perspicácia de Clara.– Não sei...Clara dá de ombros sem saber explicar-se...só senti necessidade de perguntar...diz mais pra si mesma que pra Marina. A branca olha seu relógio e percebe que já está praticamente na hora do almoço.– Você já almoçou?– Não...– Tem algum compromisso?– Não...não tenho.– Então que tal me acompanhar ao bistrô da minha amiga Flávia...lá tem uns pratos muito bons que você irá gostar.– É aquele lugar onde nos encontramos?– Exato!– Vamos!...Só me deixa ir pegar minha bolsa e dizer a Helena que sairei pra almoçar.– Ah vamos...não precisa pegar nada e por sua amiga não tem com o que se preocupar...aqui tem meu celular se quiser falar com ela.– Mas...é...que...diz Clara atônita pela proposta louca de Marina.– Anda!...Não pensa...aposto que se você voltar encontrará muitos assuntos pendentes que a impedirão de desfrutar do melhor dos almoços. Então vamos!...Marina estende a mão sorrindo...ali está novamente aquele sorriso safado que a fazia tão famosa na época da faculdade e que foi o causador de muitas loucuras entre as jovens daqueles tempos.– Vamos!...Clara cede ao charme irresistível daquela mulher.Duas horas depois de um almoço delicioso, uma conversa agradabilíssima as duas retornam ao Centro de Assistência, caminham sorrindo de alguma bobagem que Clara contara a Marina quando são interrompidas por Karina e Helena...– O que é isso...um comitê de boas vindas!...diz Marina o que provoca risadas em Clara.– Marina...a loira começa a falar...preciso que veja umas coisas, durante uns segundos ela observa Karina pra logo voltar seus olhos pra Clara e responder sem sequer desviar o olhar da morena.– Claro já estou indo...bem...obrigada pelo almoço inesquecível.– Obrigada pelo convite...as duas continuam olhando-se um pouco mais.– Espero que se repita...diz Marina num tom sensual que causa tremores tanto em Clara quanto em Karina.– Sim...na próxima vez eu farei o convite...Clara usa o mesmo tom e as duas por alguns segundos permanecem encarando-se e sorrindo.– Trato feito!...Marina responde assentindo com a cabeça...depois disso cada uma retorna aos seus afazeres.Já em sua sala Clara começa a revisar sua lista de assuntos pendentes. Helena que a seguiu ainda está chocada com o que presenciou e não consegue resistir, acaba por falar.– O que foi aquilo?– Aquilo o que?...Clara fazendo-se de desentendida.– Toda aquela demonstração de encanto e flerte?– Que?...Do que você está falando?– Ahhh não se faça!...Eu vi tudo...”obrigada pelo almoço inesquecível”...”obrigada pelo convite”...Helena encenando a conversa das duas...”espero que se repita”...enquanto recria aquele bate papo chama a atenção de Clara...tenha cuidado essa mulher tem um charme perigoso.– Mas do que você está falando!...Clara ao tomar consciência do que Helena está insinuando...ohhh meu deus você está pensando que existe algum tipo interesse por parte da Marina além de uma amizade?... Não posso acreditar... continua falando enquanto vê que Helena não tem respostas. De imediato Clara dá uma sonora gargalhada e chega a chorar de tanto rir, depois de se recompor seca as lágrimas ao mesmo tempo que diz pra sua grande amiga...– Sabe de uma coisa...melhor voltarmos ao trabalho e deixa de pensar besteiras mulher!Os dias transcorrem normalmente e rapidamente uma semana se converte em duas, os trabalhos avançam e logo chega o mais final de semana. Foram dias cansativos pois Marina entregou-se de corpo e alma ao projeto do Centro de Assistência, ao mesmo tempo que não se descuidou das suas tarefas de reestruturar os Estúdios Vieira. Para isso dividiu a equipe em dois grupos... Jefférson e Karina ficaram incumbidos de dar seguimento ao projeto do Centro, claro que a loira preferiu ficar mais próxima de Marina. Carlos e Fábio foram encarregados de dar suporte na parte que diz respeito aos Estúdios. Jefférson, Karina e Marina se concentram em instalar o equipamento de filmagem e estabelecer a logística. Esse ir e vir que para outra pessoa resultaria em algo cansativo, para Marina é prazeroso, sente-se empolgada quando está em um novo projeto, isso a apaixona tanto que entrega-se de uma forma desmedida, feito que não passa despercebido por todos da equipe e os impulsiona a seguir o mesmo caminho. Essa entrega que Marina demonstra na realização do documentário, facilita a convivência com Clara que ao ver o nível de dedicação da amiga e produtora, sente uma enorme admiração. Marina sempre é a primeira que chega, geralmente no mesmo horário que ela. Esses dias tem sido muito reveladores, Clara descobriu que Marina tem uma insana predileção por um café feito com um toque de baunilha e leite, sempre que para pra comprar seu adorado café mocha compra o de Marina também. Como praticamente chegam ao Centro na mesma hora elas têm um acordo não expresso de encontrar-se no pequeno jardim onde compartilham um momento íntimo degustando seus respectivos cafés. Aproveitam e discutem ideias, inconscientemente estão se conhecendo cada dia mais profundamente, encontrando interesses comuns tanto na leitura quanto nos filmes, tipo de comida entre outras coisas. A amizade cresce a passos lentos mas firmes. Marina descobriu que Clara tem uma enorme fraqueza por massas e se há algo em que Flávia é expert é nesse assunto, por isso sempre que podem dão uma fugida para almoçar no bistrô ou então solicitam os serviços de Flávia para que aqueles deliciosos pratos sejam entregues no Centro, o que não passa despercebido principalmente por Karina e Helena que não se sentem cômodas com essa proximidade, claro cada uma com seu motivo, a loira pelo interesse na produtora e Helena por preocupar-se com sua amiga. Outras duas que também estão sendo testemunhas da relação que constroem Clara e Marina são Giselle e Flávia que torcem para que aquilo seja algo mais, embora ainda não tenham conversado sobre o assunto não deixam de perceber a afinidade que têm aquelas duas.A semana termina e Marina decide fazer um churrasco em casa pra compensar sua equipe de trabalho e estreitar os laços de amizade, evidentemente foram convidadas Clara e Helena que no final acabou por declinar do convite já que seu esposo e filhos reclamaram sua presença. Clara tentou levar Fernando que alegou acúmulo de trabalho na empresa, na realidade uma desculpa para ficar mais tempo com sua amante Camila.Na casa de Marina todos estão reunidos, Jefférson e Kika divertem-se na piscina juntos com Karina, Fábio, Carlos e suas respectivas namoradas. O ambiente bem muito animado e descontraído, a música suave convida a dançar e é o que fazem Murilo e Flávia...remexem seus corpos compartilhando alguns beijos.– Você vai secá-los se continuar olhando pra eles desse jeito... diz Marina pra Giselle.– Não sei do você está falando.– Ahh vamos!..Não queira me fazer de idiota...você não consegue me enganar, desde que chegou não para de observá-los... Marina sente pena de sua amiga. Na época da faculdade Giselle apaixonou-se por Flávia no mesmo instante em que a viu, lembra que foi por um pequeno incidente que se conheceram. Flávia bateu na traseira do carro novo de Giselle que saiu furiosa do veículo disposta a matar quem teve a ousadia fazer aquilo. Mas naquele momento ficou presa na beleza de Flávia, o cupido a tinha flechado. Apaixonou-se por uma mulher heterossexual...que castigo para uma lésbica e pra piorar ainda tornou-se sua melhor amiga.– Aiaiaiai!...Sabe que não gosto de falar sobre isso, jurei enterrar esse amor no mais profundo de minha alma mas há dias que simplesmente...um doloroso suspiro escapa dos lábios de Giselle enquanto toma um grande gole de cerveja.– Relaxa amiga...sabe que pode contar comigo...Giselle fecha os olhos para conter aquelas lágrimas que insistem em cair. Assim prefere sair um momento daquele local e evitar assistir de camarote àquelas excessivas manifestações de amor que acontecem entre aqueles dois. Marina se preocupa e com Diogo nos braços segue Giselle até a cozinha.– Giselle!...– O que você quer que eu diga, que apesar de todo esse tempo continuo morrendo de ciúmes e sinto inveja cada vez que penso na forma como ele a acaricia, nas vezes em que ele a faz sua...o desespero tira o controle de Giselle que pela primeira vez expressa seus mais obscuros pensamentos. Somente Marina sabe a identidade da mulher por quem Giselle nutre um amor proibido.– Giselle...você precisa esquecê-la, sabe que isso nunca vai dar em nada, esse sentimento só serve pra que se machuque.– E acha que eu não sei!...Droga!...Mas ninguém, nem sequer Vanessa conseguiu fazer com que eu sentisse algo pelo menos próximo ao que sinto por ela!...Agora lágrimas escapam com mais intensidade...eu nunca quis trocar minha vida pela a de ninguém, mas se pudesse a daria por um dia que fosse da vida daquele homem e a amaria até ela esquecer o próprio nome.Marina sente seu coração doer, se há alguém que merece ser feliz é Giselle...certamente não teve muita sorte no amor.– Anda... vamos!– Não...vá você!... Não estou em condições de ir lá agora e ficar com eles...Giselle leva a mão aos olhos pra disfarçar o choro...Marina sabe que o melhor a fazer é deixar sua amiga um pouco só.– Gi!...Diogo estende os bracinhos pra sua madrinha, as duas mulheres sorriem.– Aiii campeão...hoje eu não sou uma boa companhia...Giselle se inclina e dá um beijo na cabeça do pequeno.Do lado de fora da casa Clara para o carro, pega sua bolsa, dirige-se a entrada e toca a campainha torcendo pra não ter chegado muito tarde. Marina sai da cozinha e nesse mesmo instante escuta o som da campainha...– Vamos ver quem será Diogo!...Ao abrir a porta um sorriso inunda o rosto das duas mulheres.– Olá! / Olá!...Se cumprimentam ao mesmo tempo.– Olha meu amor quem veio nos visitar!– Olá!...Diz Clara...feliz de reencontrar o pequeno aventureiro que corresponde com um sorriso e balbucia um...– Oa!...Clara fica encantada com Diogo.– Vamos!...Deixa essa bolsa por ai e vem...Clara a coloca sobre o sofá e segue Marina. No caminho encontram Flávia que embora não tenha muita intimidade com Clara a cumprimenta carinhosamente, afinal já se viram tantas vezes bistrô...– Clara!– Flávia!...Que prazer...como está?– Estou bem...que bom encontrar você aqui...Marina!– Sim?...– Você viu a Gi?...O sorriso bobo no rosto de Marina se desfaz ao recordar o mal momento pelo qual Giselle está passando.– Está na cozinha...– Ok...Quando Flávia faz menção de ir até lá Marina intervém...– Acho que não é uma boa hora, ela está precisando ficar um pouco só...Clara e Flávia olham pra Marina preocupadas por suas palavras.– Vamos comer algo que Murillo preparou churrasco para um batalhão.– Flávia!...– Vou ver o que está acontecendo com a Gi...diz Flávia determinada e Marina suspirando por não poder evitar aquilo.– O que houve?...Pergunta Clara também intrigada.– Nada!...Vamos comer alguma coisa...convida Marina mudando de assunto.– Vamos!...Clara concorda...algo lhe diz que é melhor não insistir.Na cozinha Giselle está de costas pra entrada, ensimesmada em seus lúgubres pensamentos que não percebe a aproximação de alguém...– Meu deus essa mulher vai acabar comigo!...sussurra entredentes...– Quem?...Giselle vira-se encontrando diretamente a pessoa que por tanto tempo tem atormentado seu louco coração.Na área externa Marina, Diogo e Clara estão sentados à mesa em frente a piscina saboreando o churrasco, elas ficam abobalhadas com o menino que reclama um pouco de comida, Marina então lhe dá pequenos pedaços de carne. Karina que vê a cena se irrita, não lhe agrada aquela mulher perto de Marina, assim decide fazer algo a respeito. Como se fosse em câmera lenta Karina sai da piscina mostrando todo seu glorioso e escultural corpo provocando os olhares dos homens e protestos nas mulheres por vê-los babando. Ela chega à mesa onde estão Clara e Marina sentando-se junto da chefe...
– Ahh Marina!...Eu tenho que agradecer por esse dia fabuloso!...Diz num tom sugestivo ao mesmo tempo que acaricia e braço de Marina e aproxima-se ainda mais. A produtora educadamente afasta o braço daquelas garras e Clara diverte-se observando o constrangimento da amiga.– Karina...não tem o que agradecer, isso é somente pra compartilhar bons momentos com os amigos, porque mais que colegas de trabalho somos amigos.– Siiimm...é uma delícia ter você... depois de uma pausa significativa que deixa muito à imaginação ela completa...como chefe. Marina sente seu rosto ruborizar enquanto Clara sorri pela reação da amiga, entretanto a incomoda o atrevimento daquela mulher.– Bom...é...diz Marina limpando a garganta...esse cavalheiro precisa dormir um pouco...já...já retorno, tão rápido quanto pode ela sai levando Diogo.ENQUANTO ISSO NA COZINHA...Giselle está perplexa...jamais imaginou que Flávia pudesse estar tão perto dela...– Gi... quem vai acabar com você?...Quem é essa mulher e porque você nunca quis revelar a identidade dela?– Por...porque isso não vem ao caso...Giselle está nervosa...abre o refrigerador em busca de uma cerveja...melhor voltarmos pra festa. Ela caminha na direção da saída mas Flávia insiste em continuar aquela conversa.– Sabe de uma coisa eu sempre quis saber quem era essa pessoa...Giselle aflita vai tomar um gole de cerveja querendo ganhar tempo, mas está tão distraída que nem percebe que a garrafa está fechada. Flávia dá uma gargalhada, se só o fato de mencionar a tal mulher Giselle ficou assim tão sem jeito agora é que despertou mesmo a curiosidade dela.– Não é ninguém!...Vamos?– Como que não!...Ignorando o pedido de Gi...porque sempre evitou falar sobre isso?– Ahhh Flávia!...Para!...Vamos voltar pra festa, estamos perdendo o churrasco com essa conversa sem propósito...diz saindo mas Flávia não desiste e intervém evitando que Giselle saia.– Flávia!...– Qual o problema?...Porque não entendo como depois de tanto tempo você continua amando essa mulher, o que impede vocês de viverem esse amor?...Não gosto de ver seu sofrimento...se a ama porque não luta por ela?...Flávia sempre teve interesse em saber quem domou o coração de sua amiga, isso a intrigou durante muito tempo e ainda continua sendo um mistério...Gi a observa e de repente tem um ataque de riso...– O que foi?...Flávia fica sem entender...– Esquece!...Por favor esquece isso e vamos voltar pra festa.– Não!...Não sairemos daqui até que você me diga quem é ela!...Flávia está verdadeiramente decidida a obter o nome da mulher anônima.– Amor!..Finalmente consegui encontrar você, estava com saudades e me ajuda com uma coisa aqui?...Murillo chega salvando Giselle daquela situação.– Vamos!...Não pense Gi que esquecerei o assunto...diz saindo com Murillo...logo depois Giselle retorna à festa...respira aliviada ao ver Clara e vai ao encontro dela.– Oiii!.– Giselle...está tudo bem?...Parece agitada...– Sim...está tudo ótimo...estou bem!...Dá uma olhada pelo local...e Marina já sabe que você está aqui?– Sim sabe...ela...é interrompida por Giselle.– Então onde ela está?– Levou Diogo pra dormir um pouco.– Ahh...responde Gi que continua perturbada pelo ocorrido na cozinha.– E que tal os trabalhos no Centro?...Como está indo a produção do documentário?– Ahh Giselle está tudo maravilhoso...a verdade é que Marina é uma mulher extremamente comprometida com o que faz.– Isso mesmo, ela é incansável...não para jamais...no que concorda Clara.– Sim...além disso é um ser humano extraordinário...enfatiza Giselle.– Ela é generosa...sabe ser amiga...me surpreendeu...gosto muito dela!...Giselle ao escutar aquelas palavras ditas com tanta empolgação quase se engasga com a cerveja.– Oi?...Como assim?...– Sim...Quero dizer que com ela vamos conseguir mais patrocinadores...Clara alheia à reação da amiga.– Disso não tenha a menor dúvida!...Se escuta a voz de Marina que por fim aproxima-se delas logo depois de por o filho pra dormir... coloca o aparelho que permite ouvir tudo o que acontece no quarto de Diogo.– Olha!...Enfim ela aparece, pensei que tinha caído no sono junto com o pequeno...diz Clara.– Pode acreditar que vontade não me faltou!...Exclama Marina...as duas sorriem lembrando daquela abordagem atrevida de Karina.– Porque diz isso?...Pergunta Giselle sem entender.– É que essa mocinha aqui presente é um destruidora de corações...Clara segue explicando ao ver a cara da Gi que não sabe de que raios estão falando...deixou a assistente dela na rua da amargura!– Não me diga!...Giselle se interessa pela fofoca.– Como ela se chama mesmo?...A loira?...Clara instigando a amiga.– Karina!...Diz Marina num tom indiferente.– Ohh meu deus!...Marina Meirelles voltou ao covil!– Como assim?...Agora é Clara quem se interessa pelo assunto.– Ahhh minha amiga...essa aqui na época da faculdade era uma caçadora incorrigível!...Clara deixa de sorrir...por alguma razão aquela versão de Marina não lhe agrada.– Sim...olha quem fala!...E outra...essa Marina faz parte do passado, agora só vivo para o meu filho e com isso encerra aquela conversa.O resto do dia transcorre de forma tranquila e já é noite quando todos começam a despedir-se e deixarem a casa. Marina recolhe tudo não lhe agrada ter a casa desorganizada, Clara também ajuda ajeitando a pequena bagunça deixada pelos convidados, as duas limpam o espaço e depois de concluído o trabalho terminam sentadas lado a lado nas cadeiras próximas a piscina.– Bem...já está na hora de eu ir também...diz Clara.– Não!...Fica mais um pouco...pede Marina que não sabe o porquê de não querer separar-se da sua amiga...e sinceramente não lhe interessa as razões.– Está bem!...Clara olha para o céu e sorri encantada...também sente-se muito à vontade na companhia de Marina. Está uma noite bonita e como não há lua as estrelas brilham com mais intensidade.– Que foi?...Pergunta Clara percebendo a força daquele olhar sobre ela. Marina está fascinada pela beleza da morena, disfarçadamente desliza os olhos por aquele corpo e sente seu espírito agitar-se...Clara Fernandes é realmente uma bela mulher.– Nada...é porque adoro ficar assim...tranquila e em tão boa companhia...Marina diz num tom cúmplice...as duas trocam sorrisos tímidos.– Sim...é muito relaxante...concorda Clara.Ambas se recostam nas cadeiras enquanto terminam suas cervejas naquele clima de total sintonia e paz.
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