Voce mudou minha vida
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Capítulo 4 — Capítulo 4
NO DIA SEGUINTE...
Clara e Fernando estão sentados em frente ao ginecologista, os dois trocam olhares enquanto o homem escreve em seu receituário, depois de algumas anotações o entrega a Clara.
– E então Dr. Morais...(Clara)
– À primeira vista está tudo em ordem...mas vou precisar de mais exames, coisas de rotina como observar seu ciclo menstrual, taxas hormonais, também quero análises sanguíneas, nada fora do comum, exames de praxe só para ter uma ideia geral...(Médico).
– E eu vou ter que fazer algum?... (Fernando).
– Sim claro... nesses papéis que estão com Clara em dois deles estão indicados o que eu preciso de vocês e no terceiro está a solicitação de exame de sangue que os dois devem fazer, ambos assentem em resposta ao médico.
– E quando começamos o tratamento?... (Clara).
– Vou precisar dos resultados dos exames...mas o mais rápido que os fizerem será melhor...de acordo?
– Claro que sim... diz Clara.
– Então agora é com vocês! (Dr. Morais).
– Está certo... (concorda Fernando) não se preocupe vamos fazer tudo o mais breve possível.
– Espero que tudo corra bem...diz Dr. Morais enquanto os acompanha até a saída do consultório.
NO CCSA...
Clara entra toda sorridente dando de cara com Helena.
– Meu Deus! Mulher que felicidade é essa! (Helena maravilhada com a feição da amiga). Clara se joga nos braços dela enquanto seu sorriso se faz maior.
– Ahhh amiga não poderia estar mais feliz! (Clara emocionada com os últimos acontecimentos).
– Mas o que aconteceu?...Qual o motivo de tanta alegria...por acaso ganhou na loteria ou algo assim?
– Não! Melhor que isso...diz encaminhando-se ao escritório.
– Então não vai me contar?...Pergunta Helena uma vez que já estão na sala de Clara.
– Claro que sim amiga!...Clara senta-se e diverte-se percebendo a amiga morta de curiosidade.
– O que está acontecendo?...Helena com um tom de tédio já imaginando que uma vez mais Clara virá com as mesma história.
– Enfim!... Fernando e eu estamos no caminho certo!... Pode-se sentir a emoção na voz de Clara. Helena observa sua amiga e a felicidade que estava começando a contagiá-la desfaz-se bruscamente e é substituída por uma olhar de compaixão...Helena pensa outra vez aquele desgraçado conseguiu envolvê-la. Ao ver a expressão no rosto de Helena, o sorriso de Clara desaparece.
– O que foi amiga?
– Nada...(Helena em um tom seco).
– Como nada!...Se pode ver claramente que a notícia não agradou a você.
– Não é nada...só espero que dessa vez seja verdadeiro todo esse teatro de reconciliação... ( faz aspas ) porque essa de que ele vai mudar...hummm já vi esse filme ( Helena balança a cabeça em sinal de negação ).
– Helena!...Clara sente-se incomodada sabe que sua amiga não aprova...não admito que fale assim!...Sei que somos amigas...mas você não tem o direito de se referir dessa maneira ao meu marido! Helena está farta da mesma situação se repetindo.
– Ahhhh Clara você sabe o que penso sobre isso...sempre caindo no mesmo jogo...sempre a que perdoa tudo...sempre a que se entrega...sempre a que cede...caramba mulher! ...Já está na hora do Fernando correr atrás de você, dele também se esforçar pelo casamento de vocês!...Depois de uma pausa Helena diz...
– Sabe...acho melhor mudarmos de assunto.
– Não espera!... Claro que podemos falar sobre isso, eu sei que meu marido cometeu muitos erros, que até o momento as coisas pareciam perdidas, mas juro Helena que agora será diferente. Falei com ele que era a última chance que nos daríamos, que desejo ter filhos...e sabe que ele também deseja amiga...Clara para ao ver a expessão de horror e incredulidade...Helena!... (Clara fica frustrada pela reação da amiga) porque não consegue ficar feliz por mim?
– Eu estou!...De verdade...e de todo coração espero que dessa vez aquele idiota não termine fazendo merda!
– Helena!...Clara está espantada com as palavras e rispidez de sua amiga, mas não tem muito tempo pra reagir já que Helena sai da sala batendo a porta.
– Oh meu deus!...Clara murmura suspirando enquanto começa a revisar uns documentos que requerem sua assinatura.
AO MESMO TEMPO NO ESCRITÓRIO DE FERNANDO...
– Ah...meu deus do céu!... (Fernando em tom cansado).
– O que foi?...Pegunta Camila intrigada com aquela expressão.
– Minha mulher...sabe... ( enquanto fala vai tirando o paletó, depois dirige-se ao armário e se serve de uma bebida) quer?...(com a garrafa de whisky oferece a Camila que de pronto recusa).
– Não obrigada...muito cedo pra mim, mas vamos sente-se! ( aponta o sofá que ocupa grande parte daquela luxuosa sala ) o que está acontecendo...porque você está assim...que fez sua esposa agora?
– Ahh...ela inventou que quer ter filhos...imagina!...A essa altura da minha vida eu com um filho...
– Brigaram por isso então?...Pergunta Camila tentando dissimular o tom esperançoso de que ao menos tenham discutido.
– Claro que não!...Aceitei essa ideia louca...do contrário estaria falando em divórcio. Camila o olha sem entender e atreve-se a perguntar...
– Porque continua casado com ela se não deseja ter filhos?...Não entendo...ambos ficam encarando-se e Fernando tomando-lhe as mãos explica a razão...
– Ahhh Camilinha é uma longa história...mas posso adiantar que se largasse tudo e mandasse minha esposa para o quinto dos infernos perderia todos os privilégios que tenho nessa empresa.
– Como assim?...(Camila ainda sem entender nada).
– Essa empresa pertence ao padrinho da Clara, quando os pais dela morreram deixaram-na sob a responsabilidade da família Mendonça.
– Que são dos donos da empresa?
– Exato meu amor...( Fernando aproxima-se de Camila ficando a centímetros de seus lábios)...a porta está fechada? ( roça sua boca na da amante ).
– Não... (sussurra ela).
– Que tal se a fechássemos e você me deixasse provar sua boca, ontem tive que fazer amor com Clara e somente cheguei ao orgasmo porque fiquei pensando em você... (sussurra).
– Mmmm... Fernando!...Não me diga uma coisa dessa.
– Porque amor? A beija apaixonadamente.
– Não!...Podem nos flagrar...temos que ter cuidado... ( Camila está um pouco assustada devido às revelações que acaba de ouvir.
– Então vamos a um motel...acho que não vou aguentar muito...preciso de você.
NO CCSA...
Clara não consegue concentrar-se em nada desde a conversa que teve com Helena, o dia que parecia pleno de luz simplesmente ficou escuro, acaba dando-se por vencida, levanta-se pega sua bolsa e diz a secretária que irá sair, sem dar maiores detalhes. Clara precisa aliviar um pouco seus pensamentos, está muito chateada com a discussão que teve com Helena...mas caramba ela não deveria ter falado daquela forma do seu marido. Ao menos poderia ter ficado feliz com a reconciliação. Entra em seu carro e vai distraída dirigindo pela cidade, sem um rumo certo, até que decide parar em um café que chama-lhe a atenção, entra e o ambiente agrada-lhe bastante, caminha pelo local apreciando a bela decoração. O café possui uma área externa onde se tem uma vista impressionante de toda a cidade.
– Ahh Helena! Droga!... Suspira entristecida por conta daquela discussão.
– Falando sozinha?...Clara se assusta ao escutar aquela voz e um sorriso preenche seus lábios... é ela!...A encantadora desconhecida mãe daquele moleque travesso.
– Olá!...Saúda ao mesmo tempo que estende a mão e diz...Marina Meirelles!
– Olá!...Clara Fernandes responde a bela mulher. Ambas sorriem encantadas pela sensação agradável do inesperado encontro.
– Como tem passado?...As duas perguntam ao mesmo tempo provocando risadas.
– Que bom encontrar você...diz Marina, naquele dia nos despedimos tão rápido que não peguei seu número.
– O mesmo eu digo...ahh mas isso não é mais problema ( trocam seus números ).
– Pronto... agora tenho você diz Marina e Clara sente algo que não sabe definir ao ouvir aquelas palavras, para se recompor pergunta...
– E como está aquele aventureiro...continua ousado?
– Afff nem me fale!... Aquela miniatura de Indiana Jones não passa um dia sem que em sua cabeça se crie uma nova aventura! Olha!... Já devo ter uns 20 novos cabelos brancos...diz mostrando a vasta e bonita cabeleira onde não há nenhum sinal de cabelo branco.
– Exagerada!...As duas ficam olhando-se e sorrindo, desfrutando desse curioso prazer de terem se reencontrado. Como no encontro anterior a conversa se desenvolve de forma natural, falam sobre diversos assuntos mas logo voltam ao tema favorito de Marina, seu pequeno furacão Diogo e começam a rir até chegarem às lágrimas quando Marina conta sobre as travessuras do pequeno diabinho que tem como filho, tudo vai fluindo até que aquela balbúrdia é momentaneamente interrompida por um dos garçons...
– As senhoritas desejam fazer o pedido agora?...As duas mulheres olham para o homem que lhes sorrir amavelmente.
– Mmmm Clara...você me acompanharia no vinho?...O daqui eu posso recomendar.
Na parte interior do café Flávia está observando a cena e sorri.
– Porque você está rindo?...Pergunta seu marido Murilo.
– Olha... Flavia aponta na direção de uma esfuziante Marina em companhia de uma bela morena.
– Não...é real o que estou vendo?...(Murilo está surpreso).
– Sim... como pode constatar...
– Acha que este seja o rompimento do luto?
– Não sei...mas sinceramente estou rezando para que seja.
No terraço as duas estão desfrutando de uma bandeja de queijos e um vinho tinto.
– Deus Marina!...Diz depois de um gole em seu vinho.
– Você gostou?...
– Adorei e essa tábua de queijos...impressionante! Mulher você tem bom gosto!...as duas sorriem.
– Não...o que é isso!...Só aprendi uma coisa e outra por ai...Marina diz tentando não dar muita importância ao assunto, mas sem deixar de ficar lisonjeada por causar boa impressão naquela formosa mulher.
– Sua esposa deve ser muito feliz em tê-la!...O sorriso de Marina desaparece assim como o clima de camaradagem que havia se criado entre elas. Clara percebe de imediato a mudança de humor de Marina.
– Que foi...falei alguma coisa que não devia? (Clara está mortificada) Marina imediatamente reage à preocupação de Clara, por uma razão que prefere não analisar só o pensamento do que ela esteja passando naquele momento a deixa nervosa.
– Não...calma!...Você não fez nada de errado, ao contrário (sorri triste).
– Então porque a expressão no seu rosto mudou repentinamente?...Há pouco estava sorrindo e com um brilho no olhar... agora ( diminui o tom de voz sentindo o coração apertar com a sombra de tristeza que surgiu naqueles olhos).
– Fique tranquila...não aconteceu nada.
– Como não!...Marina decide tranquilizar sua nova amiga estendendo sua mão e segurando a de Clara, durante alguns segundos as duas ficam tomadas por aquela sensação que provocou-lhes o contato de suas peles, seus pelos se eriçam...Marina é a primeira a recuperar-se e solta imediatamente a mão de Clara...respira fundo e diz...
– Não foi nada!
– Não...diga-me o que se passa...responde Clara que também está recuperando-se daquela sensação.
– Clara...( pausa ) é que minha esposa faleceu...diz Marina depois de um suspiro.
– Ohhh meu deus!...Sinto muito...a notícia faz com que Clara leve a mão à boca enquanto por instinto a outra mão alcança a de Marina tentando sem saber porque dar-lhe um pouco de consolo, por uns instantes as duas ficam com as mãos juntas, quem as via à distância poderia pensar que era um casal apaixonado demonstrando o amor que sente.
– Não...fique tranquila ( agora é Marina quem se preocupa com a escultural morena )...já faz algum tempo, não se sinta mal por isso, vamos mudar de assunto...me fala de você. Clara entende a indireta e com um sorriso tímido começa a contar seus planos para salvar seu casamento.
– Ohh... pois espero que tudo saia conforme o planejado...diz Marina enquanto questiona-se o porquê de uma pequena pontada de decepção em seu interior, não tinha motivos para estar afetada pelos planos que Clara tem em relação ao seu casamento.
EM UM APARTAMENTO NA CIDADE...
– O que acha mamãe?...pergunta Vanessa a Joane.
– Me parece bom filha... tem espaço suficiente para que meu neto possa ficar aqui...não me agrada que Diogo esteja na companhia de estranhos... sabe deus a procedência dessa que cuida do meu neto!...Agora que aquela mulher está trabalhando não quero nem pensar no que possa acontecer!...Vanessa revira os olhos...sua mãe sempre teve uma resistência em relação a Marina, a quem ela considera responsável por sua filha preferida ter assumido sua homossexualidade, que a levou para o caminho da perversão, em poucas palavras Marina e o diabo são a mesma coisa.
– Mãe vou trabalhar com Giselle Vieira.
– O que disse!...Vai trabalhar com aquela outra perdida?
– Claro...alguém tem que colocar comida nessa casa e o dinheiro que recebemos de herança já está acabando, você não vai querer que Marina pague nossas contas.
– Era o mínimo que deveria fazer, afinal foi ela quem herdou a fortuna da sua irmã, até nisso foi favorecida!...Diz Joane com desgosto.
– Elas eram legalmente casadas e ela não ficou com tudo, lembra que ela é a tutora de Diogo, Marina tem seu próprio dinheiro!
– Aquilo não era casamento mas uma aberração!...O que é isso agora... é a defensora dela?
– Não...só digo o que é justo!
– Nada justifica que sua irmã tenha deixado essa mulher como tutora dos bens que por direito seriam da nossa família.
– Mãe...Diogo é o herdeiro principal juntamente com Marina.
– Oh deus!...Desisto...você está definitivamente do lado dela.
NO CAFÉ...
No estacionamento Clara e Marina estão se despedindo.
– Obrigada por essa tarde marvilhosa...diz Clara que sente um pouco triste por não poder usufruir mais da companhia de Marina.
– Digo o mesmo...espero não perdê-la mais de vista.
– Claro que não...agora tenho seu número!... Está nos meus contatos...santo whatapp!...As duas riem.
– Não sei se chegou ao ponto de ser um santo mas está bem próximo... Marina estende a mão e sorri...obrigada por presentear-me com essa tarde encantadora, cumprimentam-se com um beijo no rosto e por um erro de cálculo acabam tocando suavemente os lábios. Nem sequer pode-se dizer que foi um beijo apenas um roçar de lábios.
– Tchau!... diz Clara dissimulando todo o nervosismo que apoderou-se dela ao sentir aquela boca...entra no carro e acena pra Marina que corresponde distraída...esse quase beijo a deixou também desconcertada.
– Tchau!... simplesmente responde Marina pasma processando esse momento em que beijou outra mulher depois de tanto tempo, embora tenha sido levemente provou outros lábios diferentes dos de sua amada Gio...balança a cabeça como se estivesse espantando os pensamentos e retorna ao café onde encontra uma sorridente Flávia.
– Que foi?...Pergunta ao ver aquele rosto suspeito.
– Nada...responde com um falso tom inocente que deixa Marina encarando-a pois não entende aquela feição brincalhona de sua amiga.
Enquanto isso a pouca distância dali no tráfego da tarde e na luz vermelha do semáforo, Clara recria o momento em que aqueles lábios suaves encostaram nos seus, sem dar-se conta leva uma das mãos a boca tocando-a, fecha os olhos e um estremecimento a percorre, a buzina do carro atrás do dela a tira de seus pensamentos. Clara balança a cabeça afugentando o fantasma daquele beijo enquanto se perde no agitado tráfego.
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