Voce mudou minha vida

35 Capítulo 35 - Final parte 1


Notas iniciais
Oi Meninas, caras leitoras, a continuação estas são as palavras de Sara meu grande parceira em outro site ela aparece como co-autora. Suas palavras são tão verdadeiras e emocional que eu não podia deixar de compartilhar com vocês. Obrigada Sara! voce e meu anjo Boa noite meninas! Chegamos ao cap final que será dividido em duas partes, hje postaremos a primeira e amanhã daremos continuidade, o site considerará caps 35 e 36 pois a numeração é automática, pra nós será 35 (1-2). Agradecemos muuuuuito a quem favoritou (129 é um número significativo), comentou, desistiu e até quem criticou porque de alguma forma fez parte dessa trajetória que se estendeu por nove meses. Queremos ressaltar de forma especialíssima a presença nos coments daquelas que foram incansáveis ao longo dos 35 caps e permaneceram até o fim nos incentivando, elogiando, participando com sugestões e acima de tudo nos tratando com imenso carinho. Vcs talvez não dimensionam a importância dos comentários, por menores que sejam todos são valorosos, diria vitais, eles representam o retorno que temos depois de nos debruçarmos com afinco na produção de um cap e acreditem não é fácil, é muita energia desprendida, um esforço físico e mental, às vzs abdicamos de algumas horas de sono e até de lazer pra honrar o compromisso da postagem semanal o que nem sempre é possível. Há uma constante preocupação com a receptividade, o coment é o que nos dá a ideia se o cap agradou ou não, ele nos impulsiona, é nosso combustível. Hje são tantas fics publicadas de diferentes temáticas, estilos, tendências, umas tops outras nem tanto, românticas e de linguagem rebuscada, de mais “pegada”, existem roteiros pra todos os gostos, que cabem na exigência da gde variedade de leitoras e nossa estória ter feito parte dessa gama de opções, ter sido bem aceita é deveras gratificante. Saibam que tiveram o melhor de nós, pois foi assim que sempre trabalhamos, com dedicação, comprometimento, usando um tempo que na maioria das vezes nem tínhamos mas principalmente com alma e coração. Aproveito a ocasião pra comunicá-las que infelizmente ou felizmente não sei rsrs, estou fechando meu curto ciclo na co-autoria das fics, “Aquela Flor” e “Você mudou minha vida” foram duas experiências reveladoras e enriquecedoras, voltarei à condição de somente leitora que começou em 26/07/14, quando conheci e me apaixonei por esse universo das fanfictions Clarina, um par tão mágico que já inspirou e ainda inspira incontáveis enredos e revelou talentosas autoras, que permanece tão vivo mesmo 2 anos após o término da novela e que embora tenha ficado a desejar em muitos aspectos, reitero que foi um marco na teledramaturgia brasileira por romper paradigmas e promover tanta mobilização entre o (a)s fãs. Esperamos realmente que gostem do que foi produzido para o último cap, sabemos que não agradaremos a todas mas se chegarmos perto disso já valeu a pena o esforço. Nos preocupamos em não deixar pontas e dar um final adequado a cada um dos personagens, esse “pseudo poder divino” que nos permite punir vilões e proporcionar final feliz pras “mocinhas” o que nem sempre acontece na vida real. Então chega de blá blá blá vamos à primeira parte do cap e da minha nota inicial, sim porque ainda não terminei meu discurso, amanhã tem mais kkkkk. Continua...

Todos na sala de parto ficam encantados com a cena, apesar dos resquícios de sangue que ainda cobrem aquele corpinho pode-se notar que a menina veio pra quebrar corações, a pele exibe a tonalidade dourada como a de Clara, mas os traços e a cabecinha adornada com uma pequena mas densa cabeleira na cor castanho escuro é uma cópia fiel de Marina.

— Acho que alguém precisa do aconchego materno...Dr. Morais envolve a recém-nascida numa manta para assim protegê-la do frio daquele ambiente e entregá-la a Marina.

— Meu amor...a branquinha emociona-se, não é capaz de conter as lágrimas que caem livremente, enfim sua filha nasceu...- Olá minha bebê...sussurra interrompendo o choro da criança que ainda conserva os olhos entreabertos, Marina sente o coração derreter com aquela coisinha fofa e ao mesmo tempo tão frágil...- Vitória seja bem-vinda!...enquanto pronuncia o nome da menina dirige o olhar pra Clara que naquele momento assume a condição de simples expectadora admirando a interação de seus dois amores...- Quero que conheça a mamãe mais bonita da face da terra...a produtora aproxima-se da morena e coloca a pequena no colo dela.

— Oh minha nossa senhora! Marina ela é linda, perfeita!...Clara se encanta contemplando a criaturinha recostada contra seu corpo abrigada em seus braços, Vitória por sua vez ao ouvir a voz da mãe move a cabeça e lhe dirige o olhar.

— Oi meu amor...Clara diz com a voz embargada e chora de emoção.

— Fala olá pra mamãe Vitória...a menina como se conseguindo entender as palavras de Marina faz uma careta parecida com um sorriso.

— Clara veja, ela sorri como você...a produtora já está apaixonada pela bandidinha.

— Vitória?...finalmente Clara questiona.

— Sim...se não concordar podemos pensar em outro nome...Marina responde nervosa...- Mas acho que ela representa isso, nossa vitória diante de tantos obstáculos e momentos difíceis que enfrentamos, ela também foi uma guerreira e personifica o triunfo do amor, acredito que tudo regido pela pureza encontra seu esplendor em meio a tempestade, quando estava no carro vindo pra cá me dei conta que foram várias sugestões e com todos os contratempos acabamos por não definir como nossa bebê seria chamada, depois houve essa emergência e aconteceu tudo tão rápido, enfim quando estava lá fora angustiada com mais uma provação me veio à cabeça o nome que pra nós tem um grande significado, você não gosta?

— Amooor achei lindo e essa explicação com tamanha simbologia me conquistou completamente, que seja Vitória então.

— Lamento interromper as mamães corujas mas precisamos levar esta mocinha, se desejarem podemos imortalizar o momento...interrompe uma das enfermeiras que já se encontra preparada, devido a grande quantidade de pais querendo tirar fotos de seus rebentos usando celulares que podem contaminar o ambiente, a direção da clínica optou em disponibilizar uma câmera fotográfica pra tal fim, então a funcionária começa a fazer vários registros do casal com a pequena e

o Dr. Morais, todos evidentemente felizes.

EM OUTRA PARTE DA CIDADE...

Fernando entra num bar qualquer, logo depois da discussão com Marina foi em busca de um lugar pra relaxar, pede uma bebida ao bartender e vai direto ao banheiro lavar o rosto que ainda guarda vestígios de sangue e tentar disfarçar o hematoma no nariz, mentalmente pragueja contra a produtora por talvez tê-lo quebrado, ao regressar toma a dose de whisky de um só gole e solicita uma outra, observa ao redor analisando as opções disponíveis, deseja comemorar o fato de ter se livrado finalmente da mulher com quem esteve casado por 10 anos, além disso conseguiu alcançar seu objetivo de continuar trabalhando na empresa, de repente o olhar predador encontra uma loira bonita sentada sozinha, Fernando aproxima-se e pede permissão pra acompanhá-la que prontamente aceita, em poucos minutos já estão numa animada conversa cheia de jogo de sedução. Naquele exato momento seu celular começa a tocar, visualiza a tela e ao fazê-lo seu sorriso se desfaz imediatamente, atende.

— O que quer?...pergunta irritado.

— Quero cinco milhões de reais em troca do meu silêncio.

— O que? Enlouqueceu?...Fernando grita chamando a atenção da acompanhante e de outros clientes mais próximos que olham abismados.

— Não meu querido estou muito lúcida, acho que é o mínimo que mereço depois de tudo que me fez passar e ainda considero uma miséria comparado ao que lucrou com suas trapaças, é pegar ou largar a não ser que prefira ir pra prisão.

— Mas isso é um absurdo, é a metade do que ganhei!

— Discordo, imagina se as provas que tenho chegarem às mãos dos Mendonça você vai estar ferrado. — Maldita onde está?

— Estou muito perto, vejo que usufrui de boa companhia...Camila provoca fazendo Fernando olhar pra todos os lados...- Não perca seu tempo não vai me achar, quero a grana hoje à noite.

— Sem condições preciso de um prazo maior, o dinheiro está todo investido...retruca.

— Como sou boazinha vou lhe dar dois dias.

— E onde vamos nos encontrar pra te entregar essa soma tão alta?

— Eu entro em contato...antes que Fernando possa dizer mais alguma coisa Camila desliga.

— Droga!

— O que foi bebê?...a loira que o acompanha pergunta.

— Nada que seja do seu interesse...responde bruscamente enquanto tira da carteira dinheiro suficiente pra pagar a conta e sai do bar com a alma mais carregada que antes soltando cobras e lagartos.

SANTA TERESA...

Uma semana havia transcorrido desde o agitado nascimento de Vitória Mendonça Meirelles, a rotina familiar em Santa Teresa tornou-se bem movimentada após a chegada da bebê. Quando foi apresentada a todos o encantamento aconteceu instantaneamente, a menina é uma mescla das duas mães apesar de prevalecerem os traços da mãe biológica como os olhos e cabelos castanho escuro, ao mesmo tempo tem a pele morena como a de Clara dando-lhe um aparência bem peculiar. O casal está babando pela caçula assim como a avó, Sandra ao segurar aquela preciosidade nos braços chorou emocionada enquanto lhe sussurrava que era sua neta mais linda, ao que parece Vitória entendeu e gostou do mimo porque sorriu no mesmo instante. E o que dizer de Giselle e Flávia, desde que pegaram a criança no colo se autoproclamaram suas madrinhas. Com Helena não foi diferente e também caiu rendida aos encantos da princesinha. Quando chegaram em casa a primeira providência foi apresentar os irmãos, aquele momento tornou-se memorável, o pequeno Diogo ficou fascinado com a irmãzinha e passou grande parte do dia contemplando-a. Sempre que podia acompanhava as mães enquanto Clara na cadeira de balanço amamentava a filha, simplesmente um momento único e mágico na vida da morena, o sonho tão acalentado e finalmente realizado com seu grande amor. Diogo esperava até que colocassem a pequena em seus braços apenas simulando que estava segurando, aquilo pra ele era a glória, já tinha inclusive apelidado a irmã de mana. Outra coisa que mudou de forma drástica foi com relação as horas de sono, as noites transformaram-se numa verdadeira loucura visto que a senhorita Vitória adorava passá-las acordada e somente se entregava aos braços de Morfeu ao amanhecer quando apareciam os primeiros raios solares, o que deixava as mães com olheiras profundas. Na família Meirelles as ações estavam bem definidas em duas frentes, o período noturno era de Vitória enquanto o diurno pertencia a Verônica que juntamente com Marina preparava a defesa no processo de custódia de Diogo.

Depois de mais uma noite sem conseguir pregar o olho a produtora se encaminha ao quarto do pequeno furacão, ao vê-lo dormir tranquilo alheio a tormenta que está a ponto de desatar-se em sua vida sente a opressão se instalar no peito e um medo terrível apoderar-se dela, o olhar agora procura a foto de Giovanna a segura e os olhos marejam.

— Ai Gio por favor...me ajuda onde quer que esteja, não quero nem pensar na possibilidade da sua mãe me tirar o Diogo, não permita que isso aconteça, agora as coisas estão fora do meu controle, não me odeie por perdê-lo, me perdoa por não cumprir a promessa que fiz a você, me perdoa...Marina deixa o porta-retratos onde estava e se permite chorar à vontade, nunca sentiu um temor tão grande, de repente dois braços a envolvem por trás transmitindo-lhe apoio e conforto.

— Não vamos perder nosso filho e onde Giovanna estiver ela não vai permitir que aquela víbora consiga tirá-lo de nós, você vai ver!

— Tem certeza?...Marina está apavorada, Clara pode perceber em sua voz, sabe que sua branquinha sofre e isso a incomoda muito porque se sente impotente, embora naqueles dias a pequena Vitória os tenha preenchido de alegria a ameaça de perder Diogo tem estado latente, impedindo que a família desfrute por completo daquele pequeno ser de luz.

— Absoluta!...assegura-lhe Clara...- Agora vamos, temos um dia longo pela frente e você precisa se alimentar.

— Não estou com fome.

— Vamos!...a morena é firme demonstrando que não vai aceitar uma resposta negativa, assim que resignada Marina se deixa ser guiada até a cozinha onde faz todo um esforço pra tomar o café da manhã que Clara preparou com todo carinho, depois de tudo enfim a produtora se prepara e sai pra encontrar-se com Verônica.

VARA DE FAMÍLIA — PRIMEIRA AUDIÊNCIA...

Marina e a advogada chegam ao fórum para a primeira audiência e são conduzidas ao local onde estará em disputa o poder familiar da produtora, a sala é pequena assemelhando-se a um mini tribunal, ao fundo um espaço destinado ao magistrado, do lado direito a área reservada à parte demandante onde estão sentados Jonas e Joanne, à esquerda Marina e Verônica a parte demandada, além de alguns funcionários também presentes, a porta se abre e um deles anuncia...

— Todos de pé pra receber o meritíssimo juiz da Vara de Família o Dr. Manuel de Castro...Verônica observa a expressão de Jonas que tem um sorriso matreiro nos lábios, isso só reforça suas suspeitas de que o desgraçado usou de influência pra que um juiz amigo conduzisse aquele caso...- A sessão será iniciada...continua o homem...- Podem sentar.

— Estamos aqui para dirimir a contenda de poder familiar requerido pela senhora Joanne Marinelli, advogados aproximem-se...ambos acatam o chamado...- Quero deixar bem claro que não vou admitir nenhum tipo de desrespeito no meu tribunal, por isso peço que moderem na linguagem e atitudes.

— Sim meritíssimo...dizem Jonas e Verônica simultaneamente e em seguida retornam aos seus lugares.

— Bom já que estão todos de acordo e com as regras bem definidas que a parte solicitante inicie a argumentação...ditas aquelas palavras Jonas começa a expor as causas pelas quais Joanne deseja a custódia legal de Diogo Meirelles Marinelli e fundamenta seu pedido retratando da maneira mais sórdida a relação de Marina e Clara, é um advogado experiente, sagaz e faz parecer algo pecaminoso e imoral capaz de influenciar negativamente a criança, considerando conduta inadmissível. Para reforçar sua explanação municiou-se de inúmeras reportagens da revista em que Marina teve a vida devastada, execrada sem nenhuma cerimônia. Depois de tudo e com vários protestos de Marina foi necessário o juiz intervir e pedir ordem no recinto, Verônica bem que tentou acalmar sua cliente visivelmente alterada que por fim acabou cedendo aos apelos da advogada. Jonas conclui sua apresentação com um comovente discurso sobre Joanne enfatizando que Diogo era o fruto de sua filha Giovanna e que por tal razão seria a pessoa com direito ao poder familiar do pequeno.

Logo o juiz passa a palavra à Verônica que faz uma defesa enérgica, firme, apaixonada, enaltecendo com riqueza de detalhes a vida de Diogo num ambiente saudável, cercado de toda a atenção e cuidados, acima de tudo harmonioso e repleto de amor, além disso substanciou sua alegação com opiniões de sociólogos e educadores que manifestaram-se sobre a saúde mental e comportamento de Diogo correspondente à sua idade, ressaltou também que não existia nada que desabonasse a conduta moral de Marina e no que dizia respeito a sua relação homoafetiva não havia indícios de que isso interferisse na formação e educação do garoto. Verônica ainda salientou que sua cliente sempre foi uma mãe presente, extremamente amorosa e dedicada, que a exposição a que foi submetida teve tão somente o objetivo de denegrir sua imagem e prejudicá-la intencionalmente, ambos os advogados apresentaram seus argumentos de forma brilhante. Depois de escutar as partes o juiz deu por encerrada a sessão comunicando que analisaria as provas, o que foi relatado e proferiria a sentença em uma semana. Ali começava a contagem regressiva pra família Mendonça Meirelles, Marina pede a Verônica que agilize o caso do processo contra a revista e exija uma soma vultuosa pra que seja arruinada financeiramente e não possa mais se sustentar, que desapareça da face da terra.

APARTAMENTO DE GISELLE E FLÁVIA...

O casal está deitado conversando depois de uma longa tarde plena de paixão.

— Amor...(Giselle)

— Sim?

— Não acha que já está na hora de acelerarmos os preparativos do casamento.

— Não sei se é o momento adequado com toda essa turbulência na vida de Clara e Marina.

— Sim elas estão passando por uma fase muito complicada e não vamos abandoná-las mas gostaria de tomar algumas providências, pelo menos no que se refere ao civil.

— Está certo amor, por mim tudo bem.

— Falei com a dona Branca!

— Como assim Gi?

— Ora conversei com ela sobre nós, por quê a surpresa? Natural que uma mãe seja comunicada que a filha vai casar.

— Sei lá amor por nada e como foi?

— Disse que já sabia de tudo, que apesar de morar do outro lado do mundo estava muito bem informada do que se passava na minha vida, reclamou por eu não ser lhe contado antes que estávamos juntas e que para isso teve que se inteirar através...

— Da imprensa?

— Não, do serviço de segurança que tem sob seu comando e encarregado de cuidar da minha integridade física.

— O que?...Flávia fica pasma.

— Sim...Giselle sorri discretamente...- Acostume-se! Já que vai se tornar uma Vieira saiba que onde quer que vá será vigiada por dona Branca, ela sempre estará um passo adiante, disse que nos espera em Londres depois da conclusão do caso de Marina para celebrar nosso casamento.

— Por essa eu não esperava!

— Nada escapa ao olhar de falcão da minha mãe.

— Então o que propõe?

— Quanto ao pedido dela não posso negar afinal sou filha única, mas aqui quero algo discreto, prefiro uma cerimônia simples num lugar tranquilo somente com os amigos queridos e seus pais, como sempre sonhei o que acha?

— Adorei a ideia, porém só depois que as meninas estiverem livres de toda essa tempestade.

— Com certeza...as duas sorriem e compartilham um beijo calmo e cheio de amor.

BELO HORIZONTE...

Depois daquele primeiro encontro Karina continuou frequentando o bar onde Judith trabalha mas sem se aprofundarem muito nas conversas embora continuassem com a sensação de já se conhecerem. Em uma dessas ocasiões Karina por fim se armou de coragem e resolveu convidar a ex-professora pra sair apesar de muito insegura, afinal desde que se instalou na capital mineira não se relacionou com ninguém. Judith por sua vez ainda se ressente do amor não correspondido por Giselle mas disposta a conhecer novas pessoas, não necessariamente pra se envolver emocionalmente mas pra fazer amizades já que ali será seu lar por tempo indeterminado, não custa nada aceitar o convite da loira.

A campainha toca no apartamento que Judith divide com sua amiga Hilda, a jovem encontra-se no seu quarto terminando de se arrumar, olha o relógio na escrivaninha e sorri, já imagina quem seja, pelo jeito é pontual conclui, depois de assegurar-se diante do espelho que está pronta coloca um pouco de perfume e corre pra abrir a porta, ali encontra Karina simplesmente estonteante que traz nas mãos um buquê de rosas.

— Ahhh são lindas!

— Que bom que gostou, eu as vi e lembrei de você.

— Obrigada Karina...se cumprimentam com dois beijinhos no rosto.

— Então posso entrar?

— Claro, que cabeça a minha, só um minuto que vou colocá-las num jarro e podemos ir, o que acha?

— Sim...sim claro...Karina demonstra nervosismo, rapidamente Judith retorna e as duas saem pra desfrutar a noite que está bem convidativa, decidem ir jantar num restaurante muito agradável que a loira conhece, fazem seus pedidos, enquanto compartilham um bom vinho conversam amenidades, trabalho, sobre suas vidas e inevitavelmente chegam ao tema “relacionamentos" e desilusões amorosas, naquele momento descobrem de onde se conheciam e por qual razão uma parecia tão familiar pra outra, o aniversário de Diogo, por uns segundos ficam um pouco inseguras de que o passado que as une indiretamente, possa interferir na amizade que naturalmente brota, mas como sempre a personalidade atrevida e jovial de Judith prevalece e ambas decidem que aquilo não será impedimento pra um possível envolvimento amoroso.

EM UM BANCO DA CIDADE...

Fernando caminha de um lado pra outro furioso consigo mesmo, por sua inteira culpa aquela maldita mulher o tem em suas mãos, por seu descuido, por acreditar no amor que Camila dizia sentir delegou aqueles papeis a ela, jamais imaginou que seria vítima de chantagem e agora a negligência lhe custará nada mais nada menos que metade do que conseguiu com muito esforço.

— Aqui está senhor conforme pediu, cinco milhões em papel moeda...o gerente entrega duas maletas abarrotadas.

— Obrigado...diz seco contrariado por ter que dividir com a ex-amante o seu lucro, mas principalmente por subestimar Camila não imaginando que poderia ser tão ardilosa e arrancar dele aquela alta soma fruto das suas armações.

— Assine aqui por favor...Fernando rapidamente assina e sai dali carregado de dinheiro, encaminha-se ao local combinado o hotel onde está hospedada, a raiva aumenta à medida que o homem aproxima-se do seu destino.

Uma hora depois de enfrentar um trânsito infernal Fernando consegue chegar ao lugar marcado, pela fachada e localização percebe-se que é simplório. Sai do carro abre o porta-malas e retira as maletas, com uma em cada mão entra, dirige-se à modesta recepção onde pergunta por Camila e o recepcionista indica o número do quarto, caminha pelo corredor analisando ao redor constatando que o lugar é lúgubre e solitário, finalmente sem se dar conta já está diante da porta, toca a campainha e a mesma é aberta lentamente.

— Ora...ora como ele é pontual.

— Vamos deixar de ironias e acabemos com isso de uma vez.

— Entre então...Camila afasta-se de lado dando passagem ao ex-amante que observa o pequeno espaço, uma careta de nojo aparece em seu rosto colocando as maletas sobre a cama.

— Aí está o que pediu, 5 milhões vai querer conferir?

— Não acho necessário, você não se arriscaria tanto.

— Agora quero os documentos...diz com firmeza.

— Não tenho papeis, tudo está neste pen drive.

— O que? Não foi esse o acordo...Fernando exaspera-se.

— Combinamos que eu lhe daria as provas e aí estão.

— E os originais?

— Ahhhh meu querido você vai ter que confiar em mim.

— Vadia! Quero os originais...Fernando tomado pela raiva agarra Camila pelo braço de forma brusca, ela consegue soltar-se e manter uma certa distância dele.

— Não! Não os entregarei, acha mesmo que vou me desfazer da minha única proteção, quem me garante que depois que entregar tudo você não virá atrás de mim, afinal tenho a metade do seu dinheiro e com certeza não está muito satisfeito com isso.

Fernando balança a cabeça negativamente e de pronto uma fúria desmedida e cega o impede de raciocinar atacando com violência a mulher que ousa enganá-lo.

— Pensa que eu sou algum idiota e vou aceitar suas condições...sem que Camila possa evitar Fernando a segura violentamente pelo pescoço tentando estrangulá-la.

— Não quero esse maldito pen drive, quero os documentos que me incriminam, me diga onde estão ou vou matá-la com minhas próprias mãos, comigo ninguém...ninguém brinca, vou ensiná-la quem manda deveria ter feito isso desde o início...aperta ainda mais o pescoço de Camila...morra desgraçada...moooorra!

— Não es...es..tou com eles...Camila defende-se e tenta respirar mas Fernando é mais forte, a mulher definitivamente está em desvantagem, ela começa a ficar sem ar quando de repente a porta é aberta e Mário Mendonça Júnior entra acompanhado de vários policiais.

— Para com isso, solta ela!..grita um dos homens imobilizando Fernando que fica perplexo e assustado com a abordagem...- O senhor está preso por fraude, desvio de fundos e tentativa de assassinato, “tem o direito de ficar calado, tudo o que disser pode e será usado contra você no tribunal, se não puder pagar um advogado o Estado lhe designará um”...Fernando está incrédulo, se deu conta de que afinal se tratava de uma armadilha, estavam todos mancomunados pra desmascará-lo, como pôde ter sido tão ingênuo. Olha ao redor, parece em transe quando os oficiais lhe colocam as algemas, antes de ser levado Fernando com um semblante diabólico dirige a palavra a Mário e Camila.

— Amaldiçoada seja essa família e você vadia ainda vai me pagar muito caro por isso, não pensem que estou acabado, logo estarei livre novamente.

— Não é tão simples assim como imagina, são várias as acusações que pesam sobre você e quem sabe não tenhamos mais a acrescentar...neste momento Fernando engole em seco e percebe-se seu nervosismo, finalmente é conduzido à delegacia.

— Por que demoraram tanto? Pensei que iria morrer nas mãos daquele louco...Camila reclama, sua participação foi fundamental num plano muito bem articulado que visava a prisão em flagrante de Fernando. Usava uma escuta, toda a conversa era monitorada e gravada por policiais que ficaram de campana no quarto contíguo ao de Camila armados e prontos a intervir no momento oportuno.

— Esperávamos esperando que ele se incriminasse mais e nos fornecesse outras evidências de suas falcatruas, mas o que temos é suficiente pra deixá-lo um bom tempo atrás das grades. Não permitiríamos que nada de sério acontecesse a você, estávamos preparados pra manter sua integridade física.

— O que você quis dizer quando se referiu a acrescentar mais crimes à folha corrida dele?...Camila pergunta curiosa.

— O detetive que trabalhou pra mim está investigando a vida pregressa de Fernando Fernandes e talvez descubra mais delitos desse homem, acho que sempre foi desonesto, um golpista perigoso. Bem Camila acho que encerramos por aqui, gostaria de agradecer a sua valiosa contribuição, certamente não o teríamos pego sem você, depois apareça lá na Empresa e acertaremos os termos do nosso acordo.

— Eu sou muito grata Mário, ter a minha vida de volta não tem preço, espero sinceramente que ele apodreça na cadeia, enfim a justiça tarda mas não falta...os dois despedem-se e cada um segue seu caminho.

As notícias correm rapidamente, as falcatruas de Fernando Fernandes já fazem eco em toda a imprensa. Nos dias que se seguiram à sua captura os Mendonça se viram atarefados limpando o nome do consórcio e realizando novas negociações com as empresas lesadas pelo executivo. Como previsto por Mário as investigações resultaram reveladoras, descobriu-se que havia um mandado de prisão em aberto contra Fernando pelo homicídio de uma mulher que trabalhava como acompanhante. Ele era um foragido da justiça há mais de 10 anos, período esse em que ocorreu o crime e que por pouco não prescreveu, depois do assassinato tornou-se um fantasma, assumiu uma nova identidade e mudou de lugar em diversas ocasiões até se estabelecer no Rio de Janeiro onde continuou sua vida delituosa. Certamente aquelas informações fornecidas à polícia serão de grande valia e incidirão sobremaneira no julgamento e punição de Fernando. Conforme o que foi combinado Camila reassumiu seu posto na empresa e aqueles 5 milhões de dólares foram destinados a ela a título de indenização com o aval dos Mendonça. Os novos dados apresentados contra Fernando foram muito bem aproveitados por Verônica que os usou a seu favor pra restabelecer a imagem de Marina e consequentemente na defesa de sua cliente frente ao juiz.

ESCRITÓRIO DE VERÔNICA...

Desde que Marina deu luz verde a sua advogada em relação a demanda contra a revista Romeu tem visto as coisas desandarem pra ele, sua defesa diante dos tribunais resultou ineficiente e o magistrado responsável pela batalha judicial entre Marina Meirelles e a revista de fofoca mais famosa do Brasil fixou um precedente pra que repórteres limitem seu alcance ao interferir na vida privada de uma figura pública. Verônica aproveitou a ação de Joanne sobre a custódia de Diogo pra usá-la contra a revista já que a campanha difamatória infligida a sua cliente pode ser crucial na perda do seu poder familiar. O juiz já determinou data para sentença e pelas evidências mostradas pela parte demandante o resultado não será favorável a Romeu.

Verônica está em sua sala despachando alguns documentos quando alguém bate à porta, logo que a advogada autoriza a entrada aparece a secretária anunciando a presença de um cavalheiro que deseja falar com sua chefe.

— Desculpe doutora mas tem uma pessoa aí fora que insiste em vê-la.

— Quem é?

— Não sei mas parece bem agitado.

— Chame os seguranças não quero surpresas.

— Está bem...a jovem sai e chama um dos homens de sua confiança, não é a primeira vez que se vê ameaçada assim que sempre toma medidas preventivas referentes à sua proteção...um minuto depois Romeu entra aflito.

— Precisamos conversar!

— O que faz aqui?

— Quero lhe propor um acordo, se eu perder essa causa será minha ruína e da revista!

— Não vejo em que posso ajudar, Marina me deu amplos poderes e o objetivo dela é acabar com vocês, dinheiro não é o que ela quer e não precisa, está muito consciente que seria um golpe nessa revista sensacionalista que certamente não tem condições de bancar uma indenização como a que estamos pleiteando, pelo visto não agradou muito ao magistrado o fato de você indiretamente ter contribuído pra que Marina Meirelles esteja numa disputa judicial pela guarda do filho, lamentavelmente pra você o juiz desse caso tem um filho gay e vocês tocaram num tema muito...muito delicado.

— Eu sei, acha que sou idiota! Estou fodido! Com certeza o resultado da sentença será a favor de Marina.

— Bom meu querido é muito tarde pra arrependimento!

— Acredito que não, este caso pode estar ganho mas o que envolve a guarda de Diogo Meirelles vocês estão perdendo, por isso vim lhe fazer uma proposta, um acerto entre nós fora dos tribunais.

— Não entendo, sabe muito bem que exatamente por estar na iminência de perder a custódia do filho é que Marina quer a falência dessa revista.

— Podemos chegar a um acordo, se eu disser que tenho em minhas mãos provas de que aquela senhora depreciável avó da criança está somente interessada no dinheiro do neto.

— Evidentemente ganharíamos o caso! Mas como posso saber se o que diz é verdade?

— Porque tenho gravações que comprovam o que falo e posso passá-las a você em troca de sua cooperação o que seria satisfatório pra ambas as partes.

— Não sei...não sei se está me enganando, como posso confiar em você?

— Juro que é verdade apesar da minha pouca credibilidade, tem algum aparelho aqui onde possamos ouvir isso, acho que vai gostar muito do conteúdo...Romeu retira do bolso seu trunfo, Verônica engole em seco se for o que imagina ela conseguiu a chave do paraíso...disfarça a emoção.

— Claro, só um minuto.

— Então vá buscá-lo por favor e comprove por si mesma o que estou falando...a advogada se levanta e caminha até a estante onde encontra um pequeno dispositivo, entrega a Romeu e juntos começam a ouvir as fitas, nelas pode-se identificar a voz de Vanessa dando detalhes do grande plano encetado por ela contra Marina, uma após outra fica evidente a armação sórdida que vai tomando contornos os mais vis.

— Ohhhh deus não acredito!

— Como falei e então temos um trato?

— Sim mas com uma condição, quero que sua revista faça uma retratação pública e peça desculpas à minha cliente.

— Negócio fechado...Romeu comemora aliviado.

FÓRUM — VARA DE FAMÍLIA...

Vanessa, Joanne e Jonas entram no fórum com ar triunfante seguros da sentença a seu favor, conforme havia prometido o advogado conseguiu com sua influência o juiz mais preconceituoso e homofóbico de todo o sistema legal. Ao concluir a primeira audiência pelas palavras pronunciadas em seu discurso de encerramento ficou evidente que ele estava ponderando de forma mais contundente tirar o poder familiar de Marina, por isso Jonas e sua cliente saíram comemorando antecipadamente o ganho de causa e dessa vez Vanessa resolveu se unir a eles. Entram na sala, a parte demandante ocupa seu lugar, a ruiva senta justamente atrás de Jonas e Joanne, no outro extremo Marina em companhia de Verônica esperam o juiz pra dar início a sessão o que não demora a acontecer, o advogado estampa um sorriso vitorioso por mais uma conquista na sua exitosa carreira.

— Todos de pé pra receber o Meritíssimo Juiz Dr. Manuel Castro (funcionário)...o magistrado ocupa seu lugar e olha os demais presentes.

— Estamos aqui reunidos para que este tribunal emita a sentença do caso Joanne Marinelli vs Marina Meirelles pela custódia de Diogo Meirelles, depois de dar vistas ao processo e analisado a documentação e a nova evidência apresentada por...

— Protesto senhor juiz!...Como assim nova evidência? Nós não fomos informados a respeito.

— Não há necessidade! Como bem sabe a parte acusadora já esgotou seus argumentos na sessão preliminar onde ambas fizeram sua exposição de motivos e nada exime que qualquer um dos lados apresente diante do juiz novas provas que reforcem suas alegações, não em vão tenho que recordar-lhes que a dita evidência não necessariamente deva ser divulgada pela parte opositora mas apreciada por mim depois de analisar a veracidade e relevância da mesma para o caso...Jonas sabendo que não é bom provocar o juiz Castro decide não questionar, Joanne por sua vez sem entender o que se passa pergunta...

— O que houve?

— Shhhh nada! Silêncio por favor! Vamos aguardar.

— Este tribunal no exercício da competência que lhe foi conferida e depois de uma análise criteriosa do que foi exposto para defender cada ponto de vista profere a seguinte sentença ressaltando que ela é irrevogável e inapelável, o poder familiar de Diogo Meirelles Marinelli fica ratificada na pessoa de Marina Meirelles mãe adotiva do menor levando em consideração que as senhoras Marina Meirelles e Giovanna Marinelli estando casadas sob o amparo das leis inglesas decidiram ter filhos e no uso pleno de suas faculdades Giovanna Meirelles mãe biológica determinou que sua cônjuge Marina Meirelles fosse a tutora legal da criança e tendo nascido sob os auspícios do matrimônio de ambas confirmamos essa decisão!

Dois gritos de forma simultânea se escutam naquela sala, de um lado Marina feliz por obter a custódia em definitivo de seu filho e ao mesmo tempo Joanne pela frustração.

— Oh meu deus Verônica! Meu menino vai ficar comigo!...a produtora comemora emocionada.

— Eu não disse Marina! Não tinha o que temer, depois daquelas provas que apresentamos este caso passou de fracasso a um triunfo contundente! Nenhum juiz por mais tendencioso que fosse daria ganho de causa a Joanne depois de conhecer os meandros daquela armação sórdida dela e da Vanessa...Marina afasta-se um pouco da advogada e vai ao encontro das suas inimigas declaradas que estão visivelmente decepcionadas.

— Vocês são duas serpentes, criaturas viperinas e rasteiras, como duas irmãs podem ser tão diferentes, uma era um anjo a outra é o próprio mal materializado em forma de gente, Giovanna não herdou nada de você graças a deus mas essa aqui é tão diabólica quanto a mãe. Só consigo ter desprezo e sentir pena por serem tão infelizes o destino se incumbirá de vocês, a justiça já foi feita em parte...Vanessa abaixa a cabeça resignada e Joanne ainda esboça alguma reação mas Marina vira-se ignorando-as e volta ao encontro de Verônica...- Preciso ir pra casa ficar com minha família! — Vai tranquila que eu me encarrego dos últimos detalhes.

— Obrigada minha querida e parabéns! Marina abraça Verônica felicíssima...é um gesto sincero e de alívio.

— Foi um prazer...ambas sorriem, em poucos segundos a produtora deixa o fórum e retorna ao seu lar.

— Como você conseguiu? Como pôde virar o jogo a seu favor?

— Por que a surpresa Jonas? Certamente este caso já estava pronto para que o juiz Castro os beneficiasse na sentença.

— E então ainda não me respondeu.

— Apareceu um fato novo e fiz com que ele visse as coisas sob outra ótica.

— Que fato?...questiona.

— Este....Verônica entrega o pequeno aparelho ao advogado...- Pode ficar com elas e ouvir quantas vezes desejar...dito isso Verônica fecha sua pasta e sai triunfante daquele lugar deixando Jonas, Vanessa e Joanne completamente intrigados.

— Do que estava falando aquela advogadazinha porta de cadeia?...a mais velha pergunta.

— Vejamos...Jonas liga o aparelho e começam a ouvir a voz de Vanessa falando pra Romeu sobre os planos pra prejudicar Marina, aquela revelação pra Jonas é impactante pois realmente acreditou na encenação da avó preocupada com o neto, os olhos do advogado que antes estavam cheios de decepção agora são de pura repulsa.

— Jonas...

— Afaste-se de mim a senhora é muito perigosa, enganou-me com aquele seu drama todo querendo o neto de volta porque Marina não era uma boa mãe e assim me fez aceitar o caso, quando na realidade só estava preocupada com dinheiro, isso é deplorável!...Sem mais nada a dizer o homem sai da sala.

— Mãe...

— Você... Joanne começa a falar e aproxima-se de Vanessa...- Maldita idiota, estragou completamente nossos planos e colocou tudo a perder, estávamos prestes a conseguir a guarda do pirralho...A mulher transtornada esbofeteia a filha que não entende aquele rompante de ira...- Desgraçada como se atreveu a arruinar tudo...outra bofetada, Vanessa assustada sai correndo e é seguida por Joanne bastante alterada.

— Hein...como pôde ser tão negligente?

— Eu não tive culpa...(chorando), como iria saber que o traíra do Romeu estava gravando tudo e que poderia usar isso contra nós e quer saber também, estou farta das suas ideias, eu só entrei nessa porque queria vingança, porque amava Marina e ela me rejeitou, não sente nada por mim, nunca sentiu...diz conformada sem tomar conta do efeito daquela declaração.

— O que...o que você está falado?

— Exatamente o que escutou EU AMO A MARINA... AMO...AMO!

— Você não pode amar aquela mulherzinha, aquela lésbica nojenta...Joanne se projeta num frenesi de fúria insana contra Vanessa que recua, sem que nenhuma das duas perceba aproximam-se perigosamente da escada, com o impacto a ruiva se desequilibra e cai, Joanne ainda tenta segurá-la mas é inevitável a queda...- VANESAAAAAA...só se escuta o grito aflito da mais velha vendo o corpo inerte no chão, a voz desesperada de Joanne reverbera pelo edifício e em minutos um grupo de curiosos chega pra ajudar, Joanne desce rapidamente os degraus até chegar perto da filha que não esboça nenhum movimento.

— VANESSA MINHA FILHA! VANESSA!...percebe que a ruiva ainda respira mas sangra pelo nariz e se desespera...- Chamem um médico por favor!

No meio daquela aglomeração uma pessoa liga para o serviço de emergência, por sorte em 15 minutos uma equipe médica chega e faz o primeiro atendimento, depois de examinarem Vanessa que encontra-se inconsciente os paramédicos imobilizam e conduzem a ruiva à ambulância acompanhada por Joanne.

Rapidamente chegam ao hospital onde ela é imediatamente levada ao setor de traumas, ao observarem o quadro geral da paciente os médicos decidem realizar exames mais complexos e precisos. Depois de uma série deles os resultados apontam para uma lesão grave na medula espinhal e um dos profissionais dirige-se à senhora Marinelli pra dar a triste notícia.

— Por favor a mãe de Vanessa Marinelli.

— Sou eu e então Doutor como ela está?

— Senhora o acidente com sua filha foi grave e teve sérias consequências, o trauma provocou uma ruptura transversal da medula.

— E o que isso quer dizer?...Joanne pergunta aflita.

— Infelizmente a paciente encontra-se em estado de paraplegia.

— Nããããããão...não pode ser...exaspera-se.

— Com isso ela teve perda do controle motor e sensibilidade dos membros inferiores, de toda parte inferior do corpo ou seja Vanessa não poderá mais andar, o caso dela é irreversível e precisará de assistência adequada pelo resto da vida.

— Não doutor deve haver algum engano, esses exames estão errados.

— Sinto muito senhora...diz o médico comovido.

Joanne fica em estado de choque não acreditando no que acabara de ouvir, Vanessa sua única filha ficará em uma cadeira de rodas pra sempre e ela presa a uma culpa que terá que carregar até o fim da sua existência. Além da derrota no processo contra Marina Meirelles pela custódia do neto ainda vai amargar um remorso que lhe acompanhará todos os dias, sem contar com a revolta de Vanessa quando souber do seu destino cruel. Realmente aqueles eventos foram o que se pode chamar de um acerto de contas, como se diz “aqui se faz, aqui se paga”.