CAP 15

No Centro de Assistência Clara está terminando seu café na companhia de Helena, as duas mulheres conversam animadamente...

– Não acredito e você não tinha me falado nada sua bandida, dois dias...dois benditos dias você e a produtora se agarrando e nem pra me dizer nada!...pega uma folha do bloco de notas faz uma bola e joga em Clara que da sua cadeira desvia daquele projétil.

– Deus quanta violência!...reclama de brincadeira a morena.

– Você merece isso e muito mais!...E então...a produtora tem pegada?

– Como?...Que termos são esses Helena? (mostrando falsa indignação)...Amiga só posso dizer que foi simplesmente...indefinível...ai ai ai!...suspira e no seu semblante deixa transparecer uma alegria que dá a ideia de como se sente...- Ela não existe...me trata com tanto cuidado, se preocupa comigo, é galanteadora, sedutora...ai Helena uma relação com Marina Meirelles é impossível descrever... tem que vivê-la!...diz num tom sonhador.

– Aiiii meu deus!...E é porque você me disse que ainda não transaram...nossa!...imagina quando isso acontecer.

– Realmente não sei...só de pensar ai...ai...ai amiga me dá um calor....(com as mãos abana o rosto que já está quente e vermelho pela intensidade daquele pensamento)...ser possuída por sua branquinha...(caem na gargalhada)...Helena diverte-se às custas da timidez de Clara.

– Eu aconselho que vá treinando chupando alguma coisa...quem sabe uma laranja (diz entre risadas deixando a morena ainda mais ruborizada).

– Helena por favor!...O que você está falando...uma laranja?...Que loucura é essa o que tem a ver a laranja com...com...sexo oral entre mulheres?

– A verdade é que em algum momento isso irá acontecer...e o que você pensa que vai encontrar, por acaso acha que ela tem um pênis?...não querida!...Sabemos muito bem com o que você irá se deparar, mas pensando bem se essa mulher é assim tão excitante somente armada com dedos e língua...imagina se ela tivesse um. (Helena ri ainda mais).

– Santo deus...basta Helena!...agora Clara nem consegue ficar mais sentada, levanta-se e vai até a janela, aquela conversa a faz divagar e pensa em como seria fazer amor com Marina, é algo que a enche de medo ao mesmo tempo que a seduz, a excita de uma forma tão intensa que não consegue descrever nem pra ela mesma, realmente não pode ao menos pensar nesse momento, sente-se dividida...por um lado o coração acelera só em imaginar como seria mas também tem medo de não saber como agir pra lhe dar prazer...como!...todas essas sensações fazem seu corpo ferver de desejo e paixão, sua pele muda de temperatura...ahhh como seu sexo deseja o toque de Marina...que faça com ela tudo o que quiser.

– Ai meu deus Clara!...aquela expressão de Helena tira Clara de seus pensamentos.

– O que foi?...Clara se vira e depara-se com dois grandes bouquets de flores...

– Mas o que é isso?

– Flores!...diz Helena debochando de Clara.

– Eu sei que são flores...sua boba!...Quem as enviou?

– Não sei mas vamos descobrir.

– Me ajudem por favor...pede uma das assistentes do Centro que está segurando as flores, de imediato Helena e Clara correm pra ajudá-la, cada uma segura um bouquet.

– Um é pra Clara e o outro é pra você Helena...as duas mulheres olham fixamente pra moça.

– Sim...parece que este é pra você...diz Helena analisando os cartões, Clara sorri ao reconhecer a letra de Marina.

– Mmmm...vejam só como é galante essa sua mulher (Helena)

– Com...com sua permissão...diz a assistente já saindo da sala depois de ouvir Helena.

– Shhhhh Helena!...Alguém mais pode ouvir!

– Que...agora está com medo?

– Ainda não estou pronta pra falar para o mundo sobre meus sentimentos!...pelo menos agora.

– Ok! Ok! Ok!...desculpa mas vá se acostumando com a ideia de que vai ter que fazer isso, não acho que Marina Meirelles seja daquelas que ficam quietas esperando as coisas acontecerem...ela faz acontecer e é muito bem resolvida.

ESTÚDIOS VIEIRA...

Marina e Giselle estão discutindo temas relacionados ao trabalho quando a produtora faz uma pausa...

– O que acha dos prazos estabelecidos? (Marina)

– Perfeitos!...Se continuarmos assim acredito que para o final do ano teremos uma boa quantidade de enlatados pra divulgar. (Giselle)

– Verdade... estamos trabalhando neste sentido...- Amiga tenho uma coisa pra contar...diz a produtora em tom suave ao mesmo tempo que finge estar revisando a programação que tem em mãos.

– Sim...acho que podemos deduzir que vai ser possível dar uma respirada...- O que você tem pra me dizer?...Giselle também está lendo distraidamente seu exemplar da programação dos próximos trabalhos enquanto espera a resposta da amiga...diz pegando uma xícara de café.

– Eu fui pra cama com a Clara...a produtora solta de uma vez.

– Me parece que... (toma um gole de café)...logo que seu cérebro registra aquelas palavras se engasga e derruba o líquido em sua roupa...que!...Grita Giselle....- Bandida!...por sua culpa manchei minha blusa!

– Minha!...Quem manda você ser desastrada!...diz Marina divertindo-se.

– Oh meu deus do céu!...Não acredito que você conseguiu sua danada, conte-me tudo não me esconda nada...vamos!...Marina sorri com uma carinha safada.

– Ahhh Giselle...ainda nem...quer dizer eu nem...acredite não aconteceu nada!

– Mas...como?...Você vai me contar tudo com riqueza de detalhes, mas antes preciso comprar uma outra blusa...droga!...Como se atreve a me dizer isso assim, vamos quero saber dessa história direitinho.

Logo as duas já estão num luxuoso shopping sentadas num café, Giselle já comprou uma blusa e claro outras coisas também.

– Ahh santo deus!...quem diria Clara Fernandes de caso com Marina Meirelles...acho que estou alucinando!

– Vamos deixar de brincadeira que isso é sério, estamos começando...na verdade é aquela fase de nos conhecermos melhor, de descobertas...sabe como é (dá de ombros)... é tudo muito novo pra ela, um mundo desconhecido, outra realidade e pra completar vem de um casamento hétero de 10 anos.

– Sim...entendo...tem que se ter muito cuidado, ir com cautela...e você como se sente com tudo isso que está acontecendo?.

– Eu...eu...bom ela é a primeira mulher que me desperta atração depois da Gio.

– Por isso pergunto... francamente já era tempo de romper com esse luto...e me alegra muito que seja com uma mulher como Clara, você não merece menos que uma pessoa assim...tão excepcional, espero de todo coração que as coisas deem certo entre vocês e que sejam muito felizes.

– Sim...eu sei...diz Marina sentindo seu coração agitar-se só em pensar que Clara possa se arrepender e recuar.

– Ahh...que bandida essa Clara Fernandes!...ainda não consigo acreditar...as duas compartilham um sorriso cúmplice e Giselle completa... — Não é só você que tem novidades querida!

– Como assim?... Marina pergunta sem compreender a que se refere a amiga.

– Também tenho algo pra contar.

– Fala logo Giselle Vieira!

– Estou saindo com a Judith.

– Ahh que legal e quando vou conhecê-la?...Marina pergunta e Giselle sorri ao ver que a produtora não sabe de quem se trata.

– Bom...pra falar a verdade você já a conhece e muito bem.

– Sério?...Não estou entendendo...eu a conheço?

– Claro que sim...puxe pela sua memória...diz Giselle risonha diante da fisionomia confusa da amiga enquanto Marina fica olhando pra ela repassando mentalmente Judith...Judith...Ju...dith...para de imediato e abre a boca completamente surpresa.

– Ohhh caramba!...Não...me diz que é brincadeira!...não pode ser!...Marina está estupefata...é a...mesma Judith que estou pensando?...Giselle sorrindo confirma.

– Mas...como...ela não é...?...Marina pergunta ainda duvidando, sempre que falou com Judith nunca percebeu nenhum indício de que ela pudesse jogar no mesmo time...- E como aconteceu?...Sim porque se bem me lembro ela tem um noivo...- Giselle o que você fez?....Olha que ela é a professora do meu filho, não quero confusão para o meu lado.

– Ahhh é uma longa história.

– Temos a tarde toda...Diogo vai ficar com Joanne assim você poderá me contar tudo, serei toda ouvidos.

– Meirelles...Meirelles você não gosta de fofocas mas já está toda interessadinha não é?...Oh meu deus!

– Vamos...deixa de drama e me fala tudo, como foi que começou esse affair com Judith?

– Bem foi assim...Giselle inicia seu relato.

NO BISTRÔ...

– Flávia está no escritório revisando o trabalho de Giselle e repassando mentalmente as orientações recebidas embora não lembre de muita coisa do que a amiga falou durante a manhã, assim mesmo seu cérebro ainda registrou algumas informações. Inevitavelmente seu pensamento retorna ao ocorrido naquele mesmo lugar onde as palavras de Giselle ainda ecoam...só amizade...apenas amigas...Flávia tenta trabalhar mas é inútil, percebe o quanto Gi faz falta...sente muitas saudades, leva as mãos ao rosto enquanto respira fundo e faz uma pergunta a uma Giselle que não está ali...

– Por que você foi se apaixonar por mim e complicar tudo?...Suspira pesadamente obtendo como resposta apenas o silêncio que se faz presente naquele espaço, realmente sente a ausência de Giselle...da sua atenção...do carinho...da maneira protetora com que ela a trata...como se preocupa com tudo o que lhe diz respeito... cansada de pensar e envolta naquele incômodo silêncio pega o controle da TV e liga o aparelho procurando de certa forma uma companhia, começa a passar os canais até que para num de notícias.

– “ E agora uma breve passada no mundo dos esportes...a seleção brasileira de futebol...a voz do comentarista se perde no momento em que Flávia tenta concentrar-se mais uma vez naquele emaranhado de papéis...ohhh raios!...- Giselle onde você está?... Por que não está aqui?...então seus olhos se direcionam à tela da TV ao escutar algo que chama sua atenção...

– “ E no mundo automobilístico...autódromo de São Paulo, logo depois de seu tão anunciado retorno ao mundo das grandes competições automobilísticas as coisas pra Murilo Mendes não resultaram conforme o esperado, observemos as imagens em que aparece Murilo chegando nas últimas posições...como podem ver amigos para o nosso querido Mendes a situação está complicada...e por hoje é só...vamos ficando por aqui com as notícias do esporte”...Flávia desliga a TV e fica processando aquela informação, seus pensamentos são interrompidos pelo maître do Bistrô...

– Dona Flávia!...

– Sim?

– Precisamos da senhora na cozinha, surgiram uns problemas...Flávia deixa escapar um suspiro olha para o jovem na sua frente e sai...

– Vamos!

NO RESTAURANTE...

Giselle e Marina estão compartilhando um prato e um vinho que pediram enquanto conversam sobre as novidades.

– Hummm Marina isso aqui está delicioso!...Vou falar com a Flávia para incluir algumas coisas neste estilo no cardápio do Bistrô...quando Giselle menciona o nome de Flávia Marina fica observando a expressão da amiga.

– Gi...

– Sim?

– Então...como está sua relação com a Flávia?

– Normal...nada mudou, até porque eu tinha consciência de que a reação dela seria mais ou menos aquela, não contava que fosse ser diferente embora lá no fundo existisse uma tênue esperança.

– Ahh Gi não seja tão resignada...e os seus sentimentos por ela vai deixar se diluirem assim?...agora que ela sabe...

– Ai...ai...ai!...Giselle suspira ao ouvir Marina falar de Flávia e sente uma inquietação em seu peito...- Querida o que posso fazer, ela deixou bem claro que somente me vê como amiga e pra falar verdade não quero isso pra mim...ficar chorando por um amor que não é correspondido, me desculpe mas não é meu estilo, amei Flávia durante todo esse tempo e ainda a amo e até acalentei a ideia de que ela pudesse me amar, sei lá...quem sabe existisse a ínfima chance de conquistar seu coração, mas ela foi categórica ao me dizer NÃO!...Por isso não vou insistir...se Flávia me quer como amiga é isso que serei pra ela.

– Então a coisa com Judith é séria?

– Como assim...séria?...Giselle prefere fazer-se de desentendida.

– Bom...se está com Judith é porque tem uma relação com ela e a moça não me parece daquelas com quem se possa brincar, não faz o tipo das suas costumeiras conquistas...agora Giselle sorri com a ironia daquela situação.

– O que foi...por que você está rindo?

– Porque pela primeira vez querida o brinquedo sou eu...diz Giselle deixando Marina boquiaberta.

NO CENTRO COMUNITÁRIO...

– Clara entra em seu escritório e dá de cara com Fernando, ele está com o cartão que acompanhava as flores enviadas por Marina, neste momento Clara toma consciência de duas coisas...não ligou pra Marina pra agradecer o gesto e seu ex-marido está na sua sala bisbilhotando suas coisas...que absurdo!

– O que você está fazendo aqui?...caminha até ele e tira abruptamente o cartão de suas mãos.

– Posso saber quem é M. Meirelles?

– Isso não é da sua conta...ao invés de ficar futricando minhas coisas melhor me dizer logo o que faz aqui.

– Vim dizer pessoalmente que...enquanto vai falando Fernando tira do bolso de seu casaco um envelope e no interior um papel...- Esta notificação que recebi do escritório dos seus advogados na qual estou sendo citado, pra mim não tem nenhum valor!...dito isso começa a rasgar o documento...Clara abre a boca surpesa.

– O que está fazendo seu idiota?...Se aproxima tentando inutilmente impedí-lo.

– Escuta bem Clara!... Fernando a segura pelo braço... — Ninguém me abandona e ainda mais por outra mulher...isso definitivamente não vou permitir!

– O que está acontecendo aqui?... intervém Marina que entra na companhia de Giselle.

– Ora...ora...diz Fernando ao ver as duas mulheres...- Deus as cria e o diabo as junta...num tom sarcástico.

– Imagino que você seja o ex-marido da Clara...Marina se manifesta.

– Correção querida...o MARIDO DA CLARA...agora posso saber quem é você?

– Ela é uma amiga...Clara responde antes que Marina possa dizer alguma coisa...- Fernando por favor eu peço que vá embora.

– Está bem... diz Fernando reconhecendo que não é o momento pra mostrar suas fichas neste jogo... — Estou indo porque você me pediu, mas precisamos conversar...e desde já vou logo avisando que não aceito o divórcio!...Sem dizer mais nada sai praticamente atropelando Giselle e Marina. Após aquela saída tempestuosa Marina observa Clara, sente-se um pouco incomodada pela rapidez com que a morena a chamou de amiga, Giselle como bem conhece a produtora decide aliviar o clima pesado que se instalou ali.

– Bandida!...Por que não me contou que tinha flechado o coração dessa mulher?...Giselle pergunta ao mesmo tempo que cumprimenta Clara, a mesma sorri mas seu olhar não se desvia do rosto de Marina que está com uma expressão fechada...até imagina o que passa pela cabeça da sua branquinha...o que a perturba.

– Ahhh do que está falando Giselle?

– De você ter essa mulher comendo na palma de sua mão...caramba Clara!...jamais imaginei que experimentaria o lado colorido da vida...as duas mulheres trocam um olhar e Marina segue em silêncio...antes que Giselle possa dizer mais alguma coisa seu celular começa a tocar...

– Sim?...ao escutar a voz do outro lado da linha um sorriso desenha-se em seu rosto... — Olá!... (escuta)...- Senhorita Judith me parece perfeito...em mais ou menos uma meia hora estarei aí... (escuta)...- Claro...já estou saindo...fique tranquila meu bem... (desliga)...olha pra Clara e Marina, sabe que a produtora não gostou nada daquela afirmação da morena de que Marina era somente uma amiga, sinceramente espera que aquilo não passe de um aborrecimento insignificante e momentâneo, lamentavelmente não poderá intermediar nada entre as duas.

– Meus amores tenho que ir...aproxima-se de Clara... — Precisamos sair pra conversar...colocar o papo em dia, comer alguma coisa, tomar um vinho...quero a sua versão dos fatos bandida!... beija as duas ao despedir-se...Clara sorri com as brincadeiras de Giselle mas não consegue relaxar.

– Eu prometo...a morena assente.

– Ok!...Giselle chega mais perto de Marina lhe dá um abraço e aproveita pra cochichar algo em seu ouvido...

– Vai com calma mulher, certas coisas levam tempo...Marina concorda quase que imperceptivelmente.

– Passar bem meninas...e lembrem-se...diz já saindo...- É sempre melhor fazer amor que fazer a guerra!....Aquelas palavras provocam risadas em Clara só que subitamente param ao ver a feição de Marina.

– Vem cá...diz Clara carinhosamente.

– Que!... Marina a olha sem compreender.

– Vem por favor...fala quase implorando...a produtora abre um largo sorriso e aproxima-se da sua morena...- Sei que está chateada...lhe diz ao mesmo tempo que passa as mãos pelo pescoço de Marina procurando seu olhar.

– Não...não estou... a produtora responde evitando fitar Clara.

– Sim...está...por favor fala comigo... Clara agora está bem próxima...frente a frente com a produtora.

– Ahhh Clara!...diz suspirando enquanto se afasta um pouco da morena...agora a produtora está de costas observando o vazio através de um cristal da sala...e neste momento se dá conta que aquela mulher cada dia ganha mais seu coração, ela a torna vulnerável de uma maneira que nem sequer Giovanna conseguiu...Clara observa Marina e sente-se mal por tê-la magoado, não quer vê-la assim, aproxima-se da mulher que sem ela mesma perceber entrou e fez moradia em seu coração, envolve a branquinha em seus braços apertando-a contra seu corpo...as duas estremecem ao sentir aquele contato...Clara fecha os olhos apoiando o queixo no ombro de Marina e fala próximo ao seu ouvido...

– Peço desculpas pelo o que disse a Fernando, não deveria ter me expressado daquele jeito...só que...Clara encolhe os ombros...- Não sabia o que dizer...Marina fica ali só desfrutando daquela proximidade e aconchego.

– Vamos esquecer isso...diz virando-se...agora as duas estão uma nos braços da outra...- Melhor irmos pra casa...Marina pega a mão da sua morena e começa a caminhar até a porta.

– Deixa eu pegar minha bolsa...depois disso as duas saem de mãos dadas...quando Marina está prestes a entrar no carro Clara a abraça mais uma vez... — Estou perdoada?...ela está ansiosa, não quer que um pequeno deslize atrapalhe sua nova relação... Marina observa aquele rosto tão bonito diante dela e sorri meio de lado.

– Relaxa está tudo bem!...e entra no carro...- Vem comigo ou vai no seu carro?... Rapidamente Clara analisa as duas opções... prefere ir com Marina e no dia seguinte pegar um táxi...não quer que sua branquinha vá sozinha e tirando conclusões precipitadas.

– Eu vou com você!...dá a volta e entra no carro.

Chegam em casa mais rápdio do que imaginavam já que o trânsito estava calmo, não sem antes passarem na Creche pra pegar Diogo.

– Eu dou banho no pequeno!...diz Clara... e a produtora sorri encantada, ultimamente a morena tem sido parte integrante do ritual do banho. Marina vê os dois perderem-se pelo corredor desaparecendo do seu campo visual, logo sua cabeça retorna àquele desagradável encontro com Fernando...e embora tenha tido coragem e vontade de respondê-lo como deveria, não lhe agradou em nada Clara tê-la impedido que interviesse e dissesse àquele imbecil que sua morena agora não está mais só, que ela tem quem a defenda.

– Ok!...Vou preparar alguma coisa pra comermos.

Marina decide fazer aquela massa que tanto Diogo como Clara amam, sendo assim rapidamente a prepara acompanhada de uma salada. Da cozinha consegue ouvir o barulho que Diogo e Clara fazem o que provoca sorrisos na produtora. Caminha até o banheiro do quarto do filho e se depara com uma visão apaixonante...sua morena e o garoto em plena banheira desfrutando de um delicioso banho e brincando com alguns barquinhos, ele imita os movimentos de Clara com as pequenas embarcações, recostada na entrada encontra-se Marina observando tudo. A morena está no extremo oposto de costas pra porta e não vê sua branquinha deleitando-se com a interação dela e Diogo...realmente aqueles dois se dão muito bem, de pronto o menino grita de alegria ao ver sua mãe.

– Mamãe!...Vem bano!...com uma das mãozinhas estendidas chamando Marina...Clara vira-se e olha pra sua branquinha, seu sorriso se faz mais largo ao vê-la ali parada.

– Vem?...convida provocando Marina que aproxima-se deles, abaixa-se perto da borda da banheira pra ficar na mesma altura dos seus dois amores.

– Pelo que vejo as coisas estão muito divertidas por aqui...hein!

– Mamãe!...é a resposta de Diogo...- Vem bano...reitera o pequenino.

– Que!...você quer que sua mãe se una a vocês?

– Sim... por que não?...Clara diz brincalhona.

– Acho que não tem espaço...Marina responde no mesmo tom.

– Mmm podemos dar um jeito...e sem dar tempo pra que a produtora pudesse entender suas intenções Clara a faz cair dentro da banheira, neste momento o quarto é tomado pelos gritos de Marina e Diogo...a branquinha surpresa pela ousadia da morena e o garoto por ter sua mãe ali também.

– Oh Clara!...O.. que...Marina não consegue terminar a frase pois Clara a puxa pela blusa derrubando-a praticamente sobre ela ao mesmo tempo que a beija.

– Bejo!...balbucia Diogo fazendo com que as duas se separem e comecem a rir da reação do pequeno furacão.

Mais tarde depois de Diogo render-se ao sono em seu berço, Clara e Marina aproveitam pra passar um tempo na parte externa da casa, isso já se transformou em um ritual pra elas. Como sempre a morena acomoda-se entre as pernas da branquinha que acaricia seus cabelos fazendo-a sentir-se amada...desejada...mas sobretudo tão valorizada. Clara muda de posição e agora fica sobre Marina abraçada com ela, deleitando-se com a proximidade de seus corpos, usufruindo daquela tranquilidade e paz que só encontra quando está nos braços de Marina em completa harmonia.

– Me perdoa!

– Por que?

– Pela besteira de hoje.

– Não tenho nada o que perdoar.

Clara fica buscando na expressão de Marina sinais de que aquelas palavras reflitam fielmente o estado de ânimo dela, a olha perscrutando algo que a contradiga mas não encontra, assim se inclina e começa a beijá-la, de forma insistente passeia sua língua entre o lábios de Marina que não resiste àquele convite e permite o acesso às investidas da morena deixando-a comandar o beijo que começa lento e vai ganhando intensidade pouco a pouco, explorando sua boca sem piedade e fazendo-a soltar um gemido sutil, segue deixando-se ser seduzida, os ânimos esquentam e a branquinha sente vontade de ir mais além, de ter novamente aqueles fabulosos seios em suas mãos, suavemente acaricia as costas de Clara por debaixo da blusa percebendo que a morena está sem sutiã, o que já suspeitava pela forma como eles estão rijos e como ela os sente contra os seus. Marina acomoda-se obrigando Clara agora a ficar sentada sobre suas pernas, essa nova posição facilita seus movimentos nos seios da morena que ao entrarem em contato com os hábeis dedos da sua branquinha reagem imediatamente, Marina deleita-se ao tocá-los...o beijo muda de intensidade e de condutora, agora é Marina quem comanda com todo o desejo que tem por sua deusa dourada, a abraça apertando-a contra seu corpo para que possa sentir o quanto a quer, depois de alguns minutos ali se devorando Marina ainda encontra forças para interromper aquele momento de fogo e paixão.

– Amor...

– Mmmm...

– Vamos dormir...sem esperar resposta Marina começa a levantar-se obrigando Clara a fazer o mesmo...apesar de relutante...de mãos dadas entram em casa. A produtora certifica-se de que está tudo fechado, Clara a espera e abraçadas chegam à porta do quarto da produtora.

– Não quero dormir sozinha...sussurra Clara.

– Não?

– Não...

– O que quer então?

– Que me deixe dormir com você.

– Ok.!..depois de um suspiro profundo Marina aceita e pensa...santo deus essa mulher vai levá-la à loucura, por acaso acha que seu autocontrole é de aço!...só pede a Deus que lhe permita ter esse autodomínio até que Clara esteja pronta e que não salte sobre a morena como uma loba faminta...- Vamos então!...diz Marina.

Giselle está com Judith em seu apartamento, as duas desfrutaram de uma aprazível tarde juntas...a empresária sorri, aquela jovem mostrou-se ser uma aluna muito atrevida, estavam no cinema e a pequena descaradamente colocou uma das mãos de Giselle entre suas pernas para que a masturbasse em meio a uma sala lotada.

– Afff senhorita Judith!

– O que foi senhorita Vieira?

– Você é uma menina muito má.

– Eu?...mas por que diz isso?...brinca Judith enquanto passa junto de Giselle que rapidamente a segura e a senta em seu colo.

– Porque você queria que eu fizesse um certo trabalhinho naquela sala cheia de gente.

– Ah...isso...hummm...é o que me estimula...enche minha cabeça de ideias safadas...abre novas possibilidades...comenta Judith ao mesmo tempo que beija Giselle suavemente e chupa seu lábio inferior.

– Oh meu deus...diz a empresária soltando um gemido...- Não me provoque...não me provoque!

UNS DIAS DEPOIS...

Giselle chega ao Centro Comunitário em companhia de Vanessa.

– Helena!

– Gi...olá!...Como tem passado...estava perdida mulher?... se cumprimentam com dois beijinhos.

– Ahh sabe como é...muito trabalho...e Clara?

– Ela está fazendo sua costumeira ronda...é de praxe.

– Sim...é verdade...Helena essa é Vanessa.

– Oi...já nos conhecemos...Helena a cumprimenta com um sorriso forçado o que não passa despercebido por Giselle que sorri...Vanessa como é muito perspicaz também percebe e sente como uma patada no estômago.

– Vanessa espera aqui...vou procurar a Clara...Giselle sai deixando as duas sozinhas. A empresária encontra Clara em dos corredores dando instruções aos empregados.

– Clara!...

– Giselle!...que agradável surpresa.

– Ahh você sabe...quando menos se espera eu apareço.

– Aguarda um pouquinho...só um minuto...Clara volta sua atenção novamente aos seus funcionários...- Então já sabem tudo o que têm que fazer...conto com vocês, já está muito próximo nosso grande evento...eles concordam e saem retornando às suas atividades deixando Clara e Giselle sozinhas.

– Bom mas a que devo essa visita?

– É a Vanessa que está me colocando louca porque você ainda não se reuniu com ela.

– Ahh é isso...Clara diz toda displicente.

– Pelo visto você é uma fã ardorosa da Vanessa...Giselle sorri e ironiza a atitude de Clara.

– Deus me livre!...Gi essa mulher é o que há de mais irritante...tem algo nela que não me agrada!

– Eu até imagino o que seja... murmura Gi pra si mesma.

– Oi?...dá pra repetir não escutei.

– Não!...Nada...esquece!...estava só pensando em voz alta...não dê importância a Vanessa...ela é assim mesmo, não é um exemplo de simpatia e deixa transparecer isso pra todo mundo, mas no que diz respeito ao lado profissional não há ninguém melhor que ela, então por favor lhe dê uma oportunidade e reúna-se logo com ela assim me deixará em paz e poderemos avançar com as atividades de lançamento dos Estúdios e do documentário.

– Desculpa!...acho que não me comportei bem com ela, juro pra você não sei o que é, mas essa moça tira o juízo de todo mundo aqui, só recebo queixas e mais queixas quando ela vem aqui.

– Por isso mesmo!...o melhor que você tem a fazer é resolver isso de uma vez por todas e se livrar dela o mais breve possível, ela está no seu escritório...assim vamos adiantando tudo e encerramos rapidamente...por favor...pede Giselle.

– Está bem...vamos!... concorda Clara....enquanto caminham Giselle pergunta...

– Como se sente nesta nova etapa da sua vida?.

– Ah Gi...não sei nem como dizer...é tudo tão inusitado...cada dia com ela é diferente, aprendo coisas novas sobre mim mesma...sobre meus sentimentos...aiii...Giselle...ela me faz sentir... tão especial.

– Eu entendo...agora você está numa fase de descobrimento... Clara a única coisa que posso dizer é que desfrute deste momento...aproveite intensamente, Marina é uma mulher maravilhosa e você ganhou o coração dela, não deixe escapar este sentimento, sei que não é fácil...e na verdade o que é fácil nessa vida, uma relação homoafetiva tem seus percalços e não são poucos...você sabe...antes de dar qualquer passo definitivo pense bem pra não dar espaços para arrependimento, não gostaria de vê-las magoadas...nenhuma das duas.

– Obrigada Gi...as amigas se abraçam e se dirigem ao escritório de Clara, logo depois de deixá-la na companhia de Vanessa sorri divertida recordando a cara de desagrado mútuo que fizeram ao se encontrarem, quiça porque sem saber seus instintos identificam a ameaça que cada uma representa...ai deus do céu!...Se Clara soubesse que ao menor descuido Vanessa saltaria sobre ela mordendo sua jugular, se num lampejo suspeitasse da sua relação com Marina....ahh não quero nem pensar nessa possibilidade, por outro lado se Vanessa também imaginasse o que há entre Clara e sua cunhada a reação não seria muito diferente. Esses pensamentos divertem Giselle que ri sutilmente com a ironia daquele momento.

Após sair do Centro Comunitário a empresária se dirige ao Bistrô de Flávia, entra e vai direto ao escritória da amiga, respira aliviada ao encontrá-lo vazio, imediatamente senta-se em frente ao computador e começa a trabalhar. Mentalmente toma nota do que deve pedir a Flávia, primeiramente que contrate uma pessoa que a auxilie em meio período e que logo se inteire dos assuntos do Bistrô. Subitamente a voz traiçoeira de sua consciência sussurra-lhe...se contratarem uma pessoa não vai mais poder ficar perto de Flávia...Giselle deixa de teclar movendo a cabeça de um lado a outro tentando espantar aquela voz malvada de sua cabeça...neste exato momento seu celular começa a tocar e ao ver o número de Judith um sorriso se instala em seus lábios, no mesmo instante a porta se abre e Giselle alheia a tudo não percebe a presença de Flávia que ao encontrá-la ali em sua sala não consegue evitar que seu coração se agite. Diante dela a mulher que por muitos anos tem sido sua melhor amiga mas agora as coisas mudaram, desde aquela revelação seu olhar pra ela não é mais o mesmo e é inevitável não sentir-se envaidecida por ser amada por uma mulher como Giselle, além disso nunca teve nenhuma restrição à diversidade do amor... nunca se imaginou numa situação como essa...ser o objeto de desejo de outra mulher, enquanto aqueles pensamentos invadem sua cabeça, Giselle ignora o fato de não estar sozinha naquele espaço atenta a ligação de Judith.

– Ju...oiiii...diz num tom bem sedutor... aquela voz insinuante de Giselle não passa despercebida por Flávia que sente acender um alarme, subitamente sai de suas elucubrações e começa a prestar mais atenção a conversa de Giselle...

– Claro que irei... falei que passaria aí...não...não precisa vir me pegar...caramba mocinha...assim você me ofende!....Sou uma mulher pontual...prometo que iremos a este concerto e que chegaremos na hora!...roupa?...Giselle se olha e percebe que ainda está vestida com a roupa do trabalho...(aquela que tanto agrada a Flávia)...pois...não...não tenho...mas acho que deixei alguma na sua casa na última vez que dormi lá. Espera... como é...(Flávia fica atenta a cada frase)...a última vez que dormi na sua casa!...Como assim?... quem é essa Ju com quem Giselle está falando... e por que se desmancha toda com ela?...e essa voz carinhosa?...Flávia fica incomodada por conta daquele diálogo de Gi com a desconhecida...- Sim...eu prometo...vou chegar cedo, eu sei o quanto você gosta de jazz minha gatinha...não...Giselle interrompe a conversa ao perceber naquele exato momento que não está só, seus olhos encontram os de Flávia...engole em seco...com certeza ela escutou tudo o que falou com Judith...por uns segundos não pode evitar a sensação de ter sido pega fazendo algo errado, indubitavelmente deve ser assim que os homens se sentem quando são flagrados traindo suas mulheres, aliás qualquer pessoa cometendo traição.

– Benzinho vou ter que desligar... sim...sim...prometo...tchau...beijo!... Se despede rapidamente e desliga... mentalmente se diz o que há Giselle!...Você não fez nada de errado!...Mas sua consciência não deixa de questioná-la...- Olá!...cumprimenta Flávia um pouco nervosa.

– Olá!...Flávia responde de maneira objetiva e até certo ponto rude.

– Já terminei de organizar tudo...por hoje é só, amanhã passo por aqui e vejo alguma coisa, se tem pendências enfim...agora preciso ir tenho um compromisso...

– Sim...eu sei...a morena a interrompe com um tom de voz que deixa transparecer sua irritação..

– Bom... então depois nos falamos... Giselle sente a imperiosa necessidade de afastar-se de Flávia...realmente tem uma estranha sensação...como se estivesse sendo infiel...e não está sabendo como lidar com aquilo, assim sai dali o mais rápido possível. Flavia vê Giselle ir embora e uma fúria a invade, claro que está indo encontrar com essa tal de JU... quem será essa mulher?... por que aquela voz toda carinhosa quando disse beeenzinho?...Flávia ao mesmo tempo que processa todas aquelas informações sente-se confusa, afinal porque ela deveria incomodar-se com o fato de Giselle sair com uma mulher ou com quem quer que seja, ela é livre...solteira, a única coisa que tem muito clara em meio aquele emaranhado de sentimentos é que não lhe agradou em nada a ideia de Giselle envolvida com essa...JUDITH.