CAP 14

Em meio à impetuosidade daqueles beijos lentamente Marina vai deitando Clara na cama que se deixa guiar...a intensidade do que estão compartilhando é imensurável a ponto da morena quase desfalecer e verdade seja dita, jamais imaginou quer dizer até sonhou beijando a branquinha, mas ao se materializar ali o efeito é avassalador, a destreza daquela língua causa-lhe sensações incomparáveis com qualquer evento onírico, cada vez que ela invade sua boca seu corpo todo responde através de um estremecimento que a percorre por inteira. Marina começa acariciando suavemente seus braços ao mesmo tempo que a beija degustando aquela boca de todas as formas possíveis, as mãos viajando pelo corpo da sua deusa dourada que se delicia com os lábios da branquinha...se existisse uma definição para o gosto que eles tem o correto seria ambrosia...sim o manjar dos deuses do Olimpo, Clara não consegue resistir àquela boca, por seu lado Marina sente-se em chamas...está tão quente...tão desesperada pra ter seus corpos unidos, como é possível tudo aquilo estar acontecendo, até duvida da veracidade daquele momento mas se deixa levar pela magia dele, ela posiciona suas pernas de cada lado da morena formando uma deliciosa prisão da qual com certeza Clara não tem intenção de libertar-se, desliza suas mãos por aquele corpo sentindo a maciez da tez dourada, pouco a pouco sem separar seus lábios começa a tirar a blusa de Clara liberando botão por botão, sua boca se faz mais exigente...volta a ser mais ousada...cada beijo...cada incursão de sua língua na boca da morena é devolvida na mesma proporção, fazendo-a perder-se naquele imenso prazer...Clara não fica alheia ao que está se passando, também sente os embates da paixão, seu corpo ferve...e seu sexo...ohhh santa mãe de deus está inundado pelo líquido do desejo...anseia ter aquela mulher da mesma forma que Marina Meirelles a quer...aquele pensamento a estimula ainda mais e não pode evitar entre um beijo e outro um gemido...naquele emaranhado de braços, pernas e roupas a branquinha encontra a condição perfeita pra alcançar os seios da morena...eles respondem ao toque gentil daqueles dedos ficando imediatamente intumescidos, Marina ao sentir suas mãos em contato com aquela pele vai ao delírio e assim como Clara geme deleitosamente, seu corpo está tomado de desejo e sua boca ávida pelo sabor dos lábios de Clara que é embriagante... sabe que hoje pode declarar-se completamente viciada neles e para aquele vício não há cura, agora volta sua atenção àqueles belos seios, observa a sinuosidade deles, constata o quão prazeroso é senti-los endurecerem-se em suas mãos...como são macios, aperta aquela deliciosa carne provocando mais gemidos em sua deusa o que a deixa muito feliz pela resposta considerando aquela reação um sinal verde às suas investidas, com relutância libera aqueles lábios e desce beijando o pescoço da morena, sorri quando Clara emite um murmúrio de queixa por aquele abandono momentâneo da sua boca, logo o som se eleva e um gemido mais forte pleno de prazer se faz ouvir quando sente os lábios de Marina tomando posse de um dos seus seios...depois do outro, lambendo...chupando...mordiscando os mamilos, querendo saciar aquela infindável ânsia de ter aquela mulher somente pra ela...Clara mergulha suas mãos nos cabelos da produtora pressionando a cabeça da branquinha contra seu colo...não quer deixá-la afastar-se um segundo sequer, o simples fato de pensar naquela boca abandonando seu corpo a enlouquece, assim inclina-se mais indo ao encontro dos lábios de Marina cada vez que ela deixa por segundos um dos seios pra concentrar-se em outro que demanda igual atenção...aquela resposta por parte de Clara desarma e provoca Marina que só pensa em ter aquela mulher de forma mais íntima...mais intensa...mais quente...mais sexual...e um tremor percorre seu corpo...só o vislumbre de tê-la nua...pele com pele...desejo com desejo a deixa em chamas, volta a beijar sua morena com volúpia, suas línguas reencontram-se e entregam-se àquele desejo...àquela sede interminável de se provarem...é inegável a vontade que ambas têm de imprimir o próprio sabor na boca da outra, as mãos de Marina parecem estar por todas as partes...como se não estivessem sob o seu controle, enquanto explora com agilidade todos os recantos da boca de Clara, sua mão desliza até calça da bela morena alcançando a parte superior do tecido detendo-se ali, em seguida vai trilhando com beijos o percurso até o alvo de sua boca sedenta, sabe que precisa saciar aquela sede e a única forma é provar daquela mulher...é possuí-la...devorá-la...cega pelo paixão e pelos gemidos de Clara começa a liberar o botão e a morena emite sons que traduzem seu prazer, aquilo converte-se num raio de luz na escuridão e é neste exato momento que um alarme dispara na cabeça de Marina...um lampejo de racionalidade a faz recuar deixando-se cair sobre Clara que percebe todo o peso da branquinha em seu corpo, tenta controlar sua respiração que naquele instante encontra-se totalmente descompassada, sente-se tão extenuada por toda a excitação que apoderou-se dela que se obriga a sair daquela bruma sexual em que está envolta, a morena sem entender muito bem o que se passa somente tem como reação apertar aquela mulher contra seu corpo...adora tê-la assim, Marina respira tão agitadamente quanto ela.

– Aii meu deus!...sussurra Marina com a cabeça apoiada nos quadris de Clara enquanto tenta abrandar o imenso desejo de ter aquela mulher de todas as formas possíveis.

– O que...que...foi?...Clara pergunta um pouco nervosa e surpresa...não compreende porque Marina subitamente parou...fica assustada, insegura...e se ela não agradou à sua branquinha...e se não gostou dela.

– Porque se não parasse agora não responderia por meus atos e não quero que nossa primeira vez seja assim...agora a produtora muda de posição e se recosta ao lado da morena, se acomoda até ficar de frente pra Clara e assim falar olhando diretamente nos olhos dela, por uns instante ficam assim...o olhar agora é diferente, antes aqueles sentimentos permaneciam ocultos sob o véu da amizade, agora foram externalizados e estão à flor da pele.

Marina fica admirando a beleza de Clara, leva uma de suas mãos à uma mecha do cabelo da morena e coloca atrás da orelha, a olha fixamente acariciando seu rosto e lhe diz...

– Posso então deduzir que agora você já sabe de quem se trata?...pergunta em tom brincalhão e um sorriso desponta nos lábios da morena.

– Sim...acho que sei de quem você está falando, as duas sorriem mas de imediato o sorriso desaparece...Marina acaricia os lábios de Clara que ao sentir aquele toque fecha os olhos e entreabre sedutoramente a boca chupando um dos dedos da branquinha deixando-a sem alento.

– Santo Deus Clara!...sussurra a produtora sentindo-se refém daquele gesto lascivo e Clara por sua vez...poderosa pois se dá conta do quanto consegue afetar Marina, a morena a observa fechar os olhos e encantada sorri deleitando-se com a sensualidade e beleza daquela mulher.

– Você é linda!...Clara murmura ao mesmo tempo que dirige o olhar àqueles lábios apetitosos diante dela e que estão avermelhados pela intensidade de tantos beijos.

– Marina...

– Sim?

– Me deixa beijar você?...pergunta motivada pela excitação que a toma por completo, por seu lado Marina abre um grande sorriso...

– Fique à vontade...use e abuse da forma que desejar...Marina ainda consegue dizer sob o estímulo daquele insinuante pedido.

Clara não perde tempo e se lança a beijar aquela infindável fonte de prazer, mesmo nos seus devaneios ou naquele sonho tão devasso, nada consegue superar o gosto delicioso que vem da boca de Marina...é como mel...doce...e beijá-la é extremante excitante, depois de alguns minutos se separam pra que possam respirar...Clara apoia sua testa na da produtora.

– Pode me dizer porque sua boca é tão gostosa?

– Só respondo se me disser porque seus lábios são tão atraentes...sedutores...começa a dar selinhos em Clara que retribui...de repente a produtora interrompe aquela troca de beijos e fica admirando a morena que sente-se um pouco nervosa pela profundidade daquele olhar.

– O que foi?

– De verdade...você gostou?...Clara sai de cima da branquinha recostando-se ao lado dela, elas trocam olhares...ficam se encarando com as cabeças apoiadas nas mãos com os cotovelos sobre a cama.

– Se eu gostei...ahh...muito...muito...sussurra Clara depois de um tempo e dando-lhe beijinhos...Marina é tomada por uma grande emoção e fecha os olhos ao escutar aquelas palavras que jamais pensou serem proferidas por sua deusa...a felicidade que sente é indescritível.

– E você o que me diz...agradei?...com aquela pergunta Marina abre os olhos e sorri.

– Ahh Clara...suspira a branquinha...agradar não define adequadamente...estou encantada...inebriada por você...não faz ideia de há quanto tempo vem me enlouquecendo, que povoa meus pensamentos e alegra minha alma, que é a responsável pelos melhores momentos do meu dia...mas guardei tudo isso aqui dentro...pega uma das mãos de Clara e a leva ao coração que bate aceleradamente, a morena também fecha os olhos sentindo aquelas agitadas batidas e fica feliz porque sabe ser ela a razão de toda aquela agitação...- Você não imagina o medo que eu tinha de deixar transparecer meus sentimentos e que me odiasse por isso...neste momento Clara sorri.

– Não mais que eu...também fiquei muito assustada com o que estava acontecendo, era uma situação nova...sentir-me atraída por outra mulher, não sabia como lidar com isso e ao final a negação e o receio da rejeição, me acovardei sim...também tinha medo de perder sua amizade, achava que não sentia o mesmo por mim...de fato se não fosse Helena praticamente me empurrando pra você acredito que nunca teria confessado.

– Ai meu deus...sério?...me lembra de mandar flores pra ela...Santa Helena!..O tom teatral de Marina arranca risadas de Clara.

– Louca!...Adoravelmente louca...as duas compartilham um sorriso e mais selinhos.

–Marina...

– Sim?...

– É verdade?...Você gosta mesmo de mim?...A morena ainda incrédula.

– O que eu posso fazer pra demonstrar que é a dona deste coração...deste corpo...sou totalmente sua e se agora mesmo não a faço minha...se não faço amor com você neste exato momento não é porque não queira...respira fundo procurando as palavras adequadas...mas por saber que é algo muito novo pra você e não quero assustá-la...Clara desde que Gio faleceu não tive contato com outra mulher...você...você é a primeira...a única que despertou em mim todos estes sentimentos...dito isso Marina aproxima-se de Clara em busca de seus lábios que ao serem tocados fazem a morena gemer, entrega-se ao beijo por completo...se envaidece por ver sua branquinha fazer o impossível pra controlar-se, assim passam a noite entre beijos e conversas compartilhando daquela cumplicidade lembrando o quão temerosas estavam quando desconheciam a atração que uma sentia pela outra...ao final foi somente entrando pela madrugada que conseguiram entregar-se ao sono.

O dia seguinte as surpreende uma nos braços da outra...Clara está agarradinha ao corpo de Marina...bem agarradinha, a produtora desperta e sorri sentindo aquele corpo sobre o dela, um grande suspiro escapa entre seus lábios e se pergunta o que pode ser mais precioso do que acordar entre os braços da sua morena...fecha os olhos desfrutando daquela indescritível emoção...tê-la assim tão próxima e recorda os momentos vividos na noite anterior...entretanto aquela a paz não dura muito...já é hora do pequeno furacão iniciar sua rotina...

– Mamããããe!...Mamããããe!...Marina sai do seu transe ouvindo o tom exigente do homem da sua vida, sente-se feliz...a cada dia que passa Diogo fala palavras de forma mais clara...coerente, pouco a pouco está deixando sua linguagem de bebê, com cuidado começa a separar-se daquele calor que emana do corpo de Clara e que a aqueceu durante toda a noite.

– Hummmm...vai não...fica mais um pouco...não me deixe aqui sozinha...sussurra a morena.

– Diogo está reclamando atenção...responde Marina no mesmo tom...Clara finalmente abre os olhos...

– Bom diiia...fala baixinho.

– Bom diiia a morena murmura...aproximam-se pra compartilhar um beijo mas Diogo as interrompe de forma veemente...- Mamããe...as duas sorriem.

– O dever me chama diz Marina que sai da cama em busca do seu pequeno furacão.

– Bom dia meu amor!

– Dia mamãe...

– Ora...ora...experimentando novas palavras não é bandidinho...diz tirando-o do berço, como sempre abraçam-se e ficam assim por uns segundos naquele momento de muita delicadeza.

– Posso me juntar?...Clara pergunta da porta do quarto do pequeno, mãe e filho a observam e Clara sorri, percebe que os dois têm a mesma expressão apesar de Diogo não ser filho biológico de Marina, é seguro dizer que o doador que ela e Giovanna utilizaram deveria ser ao menos uma versão masculina da produtora, em muitos aspectos ela e o menino se parecem muito, enfim o pequeno é uma mistura das duas mulheres e aliado a essas semelhanças, a influência do convívio faz com que Diogo tenha muitas expressões da branquinha.

– O que acha filho?...Marina pergunta séria para o filho que a olha fixamente antes de responder.

– Clara!...Diogo fala gesticulando com as mãozinhas.

– Acho que isso é um sim...responde Marina... e Clara sorridente se une aos dois num abraço coletivo e afetuoso.

MAIS TARDE NOS ESTÚDIOS VIEIRA...

Giselle está com Vanessa discutindo assuntos relacionados à festa de lançamento dos Estúdios.

– Já acertei com Flávia ela me deu o menu do que vamos servir na noite de estreia, os convites foram distribuídos e todas as presenças confirmadas...o evento será na última sexta-feira do mês, anote na sua agenda.

– Pra mim está bem e você já falou com a Clara sobre isso?

– Sinceramente não...já tentei vários contatos com ela e uma tal de...(pesquisa em seu tablet)...Helena sempre diz que ela não está, não sei mais o que fazer porque tenho urgência em passar essas informações, se não conseguir todo o cronograma que elaborei em torno do evento estará ameaçado...Giselle e Vanessa encaram-se durante uns segundos...

– Não se preocupe vou ver o que posso fazer...Giselle tenta amenizar.

– Por favor faça isso!...diz Vanessa...neste momento batem à porta...- Entra! (as duas falam ao mesmo tempo)...Giselle sorri ao ver a pessoa que está ali na entrada de sua sala, por seu lado Vanessa fica surpresa e um pouco confusa com a presença daquela visitante...o que faz a professora do Diogo aqui (pensativa).

– Ora vejam só...Vanessa ao reconhecer a professora do garoto...brinquedo novo Giselle (com ironia).

– Vanessa!...A empresária diz em um tom nada amigável...não seja inconveniente!

– Calma!...

– Vanessa...acho que por hoje terminamos...acredito que logo concluiremos tudo e não se preocupe que eu mesma me encarregarei de falar com a Clara pra que entre em contato com você...agora por gentileza nos deixe a sós...diz Giselle depois de dirigir àquela intrometida um olhar fulminante.

– Está bem...está bem já estou indo...ao sair não perde a oportunidade de destilar seu veneno...quem diria professorinha não sabia que gostava da fruta.

– Vanessa!...Giselle intervém mais uma vez e antes que possa dizer mais alguma coisa Vanessa sai da sala.

– Bom...e então a que devo a visita?...Giselle olha surpresa e ao mesmo curiosa pra saber o motivo de de Judith estar ali.

– Por que não me falou que nos beijamos no bar naquela noite?...a pergunta pega Giselle desprevenida.

– Porque não achei necessário dizer que você tentou me seduzir (ri timidamente)...sabia que tinha esquecido já que estava muito bêbada...e...também fiquei envergonhada, nunca tinha beijado nenhuma mulher naquelas condições, me senti como se estivesse me aproveitando da situação

– Vim aqui pra me desculpar...diz Judith um pouco envergonhada.

– Fique tranquila...sem problemas...mas como você soube?...Ahh suas amigas contaram.

– Sim...e...não...

– Como assim?

– Comecei a ter flashs daquela noite, me vi no meio da pista dançando de forma sensual...provocando você...e...então lembrei dos beijos...diz completamente vermelha...- Agora entendo aquilo que você falou sobre tentar tirar a roupa dentro do seu carro...Giselle ri...sim Judith naquela noite se transformou numa bomba sexual, estava bêbada e murmurando incoerências de que queria provar o sexo lésbico...- Como você não me contou nada decidi falar com minhas amigas e elas confirmaram tudo, não foi um sonho...foi...foi real...por isso resolvi vir queria que me desculpasse pelo atrevimento...diz Judith.

– Não era preciso Judith...justamente pra evitar essa sua angústia é que não falei nada...mas me permita dizer que a senhorita é muito sensual, tem um movimento de quadris que deixa qualquer um sem fôlego...a jovem fica envaidecida...- Não se preocupe aquilo foi consequência do álcool...não era você...a professora fica observando a empresária...morde o lábio e lhe lança um olhar daqueles matadores...atitude que surpreende Giselle uma conhecedora de linguagem corporal, aquilo não pode significar coisa boa...Judith aproxima-se de Giselle que ao vê-la caminhar como uma tigresa analisando sua presa fica um pouco nervosa.

– O que foi?

– E...se eu dissesse que gostaria de ter algo com você?

– A...al...go...como assim?...Gi pergunta sem entender a intenção da jovem.

– Digamos uma amizade colorida...a empresária fica boquiaberta...aquilo definitivamente não estava nos seus planos...observa aquela carinha safada da jovem que está diante dela.

– Sinceramente Judith...neste momento não estou para loucuras, nem tampoco pra ser babá de ninguém...já fui uma vez e não estou a fim de repetir a experiência.

– Eu sei...eu sei!...Olha Giselle minha vida deu uma reviravolta, estava a ponto de me casar, meu noivo me deixou praticamente às portas do altar alegando estar indeciso e que não se sentia pronto pra dar um passo tão importante, em meio a tudo isso você apareceu e despertou em mim sensações que estavam adormecidas.

– Senhorita Judith...Giselle inverte os papeis aproximando-se da garota, agora a predadora é ela e Judith dá uns passos pra trás...a empresária é um pouco intimidadora...Judith recua até ficar encurralada contra a estante...Giselle diminui ainda mais a distância...seus lábios estão muito próximos...naquele momento escassos centímetros os separam e Giselle sussurra-lhe...- Acho que não lhe disseram que é perigoso brincar com fogo...a encara brincalhona...Judith revida com um olhar desafiante e responde...

– Sim... me disseram...mas qual o problema se eu quiser me queimar...Giselle balança a cabeça e continua...

– Tem noção do que está me pedindo?

– Sim...tenho...responde convicta...- Giselle estou numa fase da minha vida que não quero compromissos...não quero nada!...só aproveitar tudo...além disso sempre tive curiosidade de saber como é ficar com uma mulher e quem melhor do que você pra me proporcionar essa experiência...me levar a conhecer esse mundo colorido (sorri)...você acha que não sei nada a seu respeito?...mas sei...sei que não se envolve profundamente com nenhuma mulher...que tem o coração de pedra...isso pelo menos é o que falam de você...Giselle diverte-se com aquela afirmação mas prefere calar-se, a jovem não tem que saber de suas dores... — E pra falar a verdade não quero nenhum relacionamento mais sério, nem que ninguém se machuque, nem me apaixonar...o que proponho é uma amizade mais próxima...sem cobranças...sem pressão...sem arrependimentos somente pra aproveitarmos a companhia uma da outra...Giselle fica perplexa...esta declaração a tirou do prumo afinal supõe-se que essas palavras normalmente seriam pronunciadas por ela e agora vem essa mocinha e assume o comando da situação...Giselle quase ri e confessa pra si mesma...isso sim é uma novidade, segura o queixo de Judith fazendo com que fiquem cara a cara...e olhando dentro daqueles olhos verdes onde poderia afogar-se na beleza que eles revelam ela rapidamente analisa todas as opções...

1. Flávia é um caso perdido...só a quer como amiga.

2. A ama com certeza...mas não é por isso que vai ficar chorando pelos cantos por algo que nunca vai acontecer...ter esse amor correspondido.

3. A garota disse as palavras mágicas SEM COMPROMISSOS!

– Ai...ai...ai senhorita Judith...cuidado com o que deseja que pode se realizar...fala enquanto toma-lhe os lábios num beijo pra demonstrar o que aquilo quer dizer.

EM SANTA TERESA...

Marina regressa da Creche depois de deixar Diogo, nesse meio tempo Clara preparou caprichosamente um café da manhã pra elas.

– Hummm...e esse manjar!...diz entrando na cozinha com um largo sorriso desenhado no rosto, aproxima-se de Clara e captura seus lábios num cálido beijo que é correspondido com o mesmo entusiasmo, logo suas bocas se separam pela necessidade de respirar...Marina mantém os olhos fechados ao mesmo tempo que sua respiração se acalma e Clara a olha maravilhada sem acreditar no efeito que tem sobre sua branquinha, pergunta a si mesma ainda incrédula...como é possível que aquela mulher tão linda sinta o mesmo que ela.

– O que foi?...Marina fica intrigada com a expressão da morena.

– Caramba mulher!...diz depois de um suspiro...para logo continuar....não há melhor sensação que beijar sua boca e a produtora completamente orgulhosa com aquela declaração exibe um maravilhoso brilho no olhar fruto de todo o sentimento que Clara desperta nela.

– Creio que nisso eu discordo um pouco...sim há algo melhor.

– E posso saber o que seria?...Clara fazendo-se de desentendida.

– Sua boca...Marina responde para de imediato tomar aqueles lábios novamente...deus que boca mais deliciosa!...não consegue parar de beijá-la quando uma vez mais a falta de ar as separa...Marina apoia sua testa na de Clara e murmura...

– Isso pode ser viciante!

– Concordo...a morena fala no mesmo tom e Marina suspira...essa mulher ainda vai me matar!

– Vamos tomar café!...a branquinha tentando atenuar aquela atmosfera sexual que de pronto se instalou entre elas...e assim o fazem cada uma ocupando um lugar à mesa compartilhando pela primeira vez desde que se conheceram, àquele aprazível momento do dia não mais só como amigas. Após terminarem o café e lavarem a louça a produtora faz um convite à sua morena...

– Clara...

– Sim?

– Que tal se hoje...tomando Clara em seus braços...olhando-a diretamente nos olhos e lhe distribuindo selinhos...- nós (beijo)...tirarmos o dia de folga (beijo)...esquecermos (beijo)...do trabalho (beijo)...de tudo (beijo)!...

– Hummm...e o que propõe?...Clara pergunta ofegante com aquela torrente de beijos.

– Poderíamos sair....fazer um passeio...o que quisesse...quero ficar com você...aproveitar o que temos hoje.

– Deixe-me ver...a morena finge pensar naquelas palavras...- me parece tentador...e pra onde iríamos?

– Não sei...dá de ombros...sem ter uma ideia clara pra onde poderiam ir...e conclui...talvez onde tudo começou o que acha?...a morena muda o olhar ao escutar aquela sugestão.

– Tem certeza?...pergunta fingindo estranhar a natureza da proposta mas com o firme propósito de fazer uma brincadeira com a produtora...sim me parece muito bom...podemos ir!...então Marina Meirelles está me fazendo uma proposta indecente é isso?...Marina franze o cenho demonstrando não entender nada e pensa...desde quando ir àquele lugar é algo indecente...e Clara ao ver a fisionomia confusa dela continua brincando...- Quer dizer que você está querendo me levar para o quarto...pra sua cama?...e Marina arregala os olhos espantada com a insinuação de Clara...imagina aquela mulher em sua cama disposta a...não...não...ainda não é o momento...afasta aqueles pensamentos.

– Do que está falando Clara Fernandes?...pergunta um pouco mais tranquila...a morena sorri divertindo-se com a situação.

– Na sua cama foi onde tudo começou...em franca alusão ao primeiro beijo.

– Não boba...me refiro a praia onde nos conhecemos...lá foi o princípio de tudo...enfatiza Marina...mas agora estou confusa acho que essa ideia da cama é...hummm...

– Melhor seguirmos a primeira opção!...diz Clara apesar de seduzida com a quase sugestão de Marina.

Meia hora depois saem em direção a praia, ao chegarem acomodam-se na areia com tudo o que necessitam, Marina preparou o cooler com algumas cervejas e sanduíches como da primeira vez que se encontraram...pensou em tudo pra que nada faltasse à sua deusa dourada. O dia transcorre num clima de romance, as duas trocando carinhos, olhares, selinhos, refrescando-se no mar, brincando na areia...usufruindo plenamente da companhia uma da outra. Para contemplar o entardecer Clara senta-se entre as pernas de Marina que acaricia os seus cabelos, ambas desfrutam do calor de seus corpos, da brisa do mar, da calmaria e serenidade daquele momento ímpar. Depois de um tempo...

– Clara já é hora de irmos.

– Ahhh vamos ficar mais um pouco.

– Não podemos coração precisamos pegar Diogo na creche.

– Vamos então!...Clara concorda...rapidamente recolhem tudo e partem pra buscar o pequeno furacão.

Mais tarde depois de tirarem o sal e a areia dos corpos e de colocar Diogo pra dormir, sentam-se na área externa junto à piscina. Marina se adianta e prepara um ambiente aprazível com música de fundo...instrumental de canções românticas, quando Clara une-se a ela fica encantada com as melodias, a branquinha a convida pra dançar o que é aceito de imediato...as duas começam a se movimentar suavemente ao ritmo daquelas músicas...em perfeita sintonia, estão sob a luz do luar, imersas naquela atmosfera de paixão...o brilho no olhar de cada uma delas revela todo o desejo que aquela junção de seus corpos lhes causa. Lentamente a produtora aproxima seus lábios aos de Clara e a beija delicadamente...é um beijo suave, calmo e cheio de desejo...a morena corresponde da mesma forma...separam-se um pouco e Marina lhe diz...

– Se soubesse o quanto me faz feliz...o que me faz sentir...se pudesse por um segundo entrar em mim descobriria a fogueira que há no meu interior e viveria aqui...somente abraçada comigo, depois dessas palavras captura aquela boca que tanto a enlouquece.

DOIS DIAS DEPOIS...

Fernando está em um café da cidade na companhia do detetive olhando umas fotos, nelas...duas figuras...duas mulheres estão se divertindo na areia...na água...brincando...compartilhando beijos e abraços. Fernando segura uma das fotos...não acredita no que seus olhos veem, sua esposa está tendo um caso com uma mulher!

– Quando foram tiradas?

– Há dois dias.

Fernando leva uma das mãos a boca...está completamente pasmo, por essa não esperava.

– E agora o que faremos?...pergunta o detetive.

– Sinceramente não sei...tenho que pensar em tudo isso, pode ir...qualquer coisa eu entro em contato.

Fernando prefere permanecer ali sozinho assimilando todas aquelas informações...no fundo já desconfiava de algo assim...mas uma coisa é suspeitar e outra bem diferente é ter em mãos evidências.

NO BISTRÔ DE FLÁVIA...

Flávia está como sempre caminhando entre as mesas vendo o movimento, adora interagir com os clientes...o que de certa forma tornou-se um diferencial do Bistrô já que eles gostam muito desse contato direto com a empresária. Enquanto faz sua ronda diária observa o lugar que hoje assim como tem acontecido ultimamente está lotado, desfila pelas dependências do local, conversa com seus assistentes uns habituais outros novos, aceita os elogios, troca ideias e alguns até lhe sugerem receitas para o menu...tudo isso com um sorriso forjado...quem diria que nos negócios é tão próspera e na vida pessoal um completo desastre, logo que conclui aquele ritual se dirige ao escritório, afinal tem muito trabalho a fazer, repassa mentalmente a lista de assuntso pendentes...é incrível como o trabalho rapidamente foi se acumulando...e com Giselle fora está mais do que atrasado, interessante como em pouco tempo aquela mulher conseguiu inteirar-se de tudo e assumiu o controle de todo movimento financeiro e administrativo do Bistrô...Flávia abre a porta e quase morre de susto...

– O que foi...por que está me olhando assim?...Giselle pergunta e volta o olhar pra tela do computador.

Flávia continua admirada observando a amiga...ainda se recompondo do impacto daquele primeiro encontro depois do que houve, desde o dia em que elas conversaram, em que tudo foi exposto e Giselle confessou seu amor por ela é a primeira vez que retorna àquele local.

– E...o que...Flávia gagueja um pouco...seu cérebro parece não registrar o que seus olhos veem.

– Flávia...o que faz aí parada?...vem aqui que preciso ensinar algumas coisas sobre o funcionamento do Bistrô...a passos lentos Flávia começa a aproximar-se...ao chegar perto de Giselle o faz um pouco tensa.

– Anota aí por favor.

– Gi...

– Flávia...tome nota do que vou falar...hoje não tenho muito tempo e vários negócios pra resolver...estou meio atrasada...a voz de Giselle se perde... Flávia está distraída prestando atenção naquela mulher...pode fazer isso à vontade já que Giselle concentra-se na tela do computador...Flávia a analisa...Giselle é muito bonita, tem traços suaves...das três amigas é a mais jovem...precisamente cinco anos a menos que ela. Flávia admira aquela imagem...e se dá conta que durante todos estes anos nunca havia reparado em alguns detalhes...na forma dela se vestir, certamente tem bom gosto sempre usando roupas finas...de qualidade. Marina por exemplo é das que adota na maior parte do tempo um look mais informal, despojado...claro que quando precisa se produzir não há ninguém como ela. Flávia é a mais feminina...a elegância é a sua marca...já Giselle é um caso a parte, ela tem um jeito mais formal de se vestir...e algumas vezes jovial, costuma usar geralmente blusas e calças o que lhe dá um sutil toque masculino...é uma mescla de estilos feminino, formal, delicado e suavemente masculino...isso aliado ao seu perfume tão característico lhe dá um ar sedutor e de mistério, nunca havia percebido aquele insinuante aroma, em todos esses anos que conhece Giselle jamais a tinha visto com esse olhar...sob outra óptica...diferente daquela que somente é uma grande amiga...mas agora...agora depois daquela revelação não pode evitar vê-la de outra forma, essa mulher que está sentada ali junto dela, dando-lhe instruções as quais para ela não passam de um conjunto de sons sem conexão...é outra mulher...a mulher que a tem amado em silêncio durante anos...quase uma devoção.

– Flávia!...por uns instantes Giselle e Flávia ficam se olhando e então ela se dá conta que durante todo o tempo em que estivera lhe passando instruções Flávia esteve completamente ausente...- Você não escutou nada do que eu disse?...Giselle num tom cansado.

– Por que está aqui?...é a resposta de Flávia...depois do que aconteceu ter Giselle ali é algo realmente inesperado.

– Nunca disseram pra você que responder a uma pergunta com outra é falta de educação?

– O que faz aqui?...Flávia não se deixa intimidar pela mais jovem.

– Estou aqui pra ajudar...não é óbvio?

– Mas...

– Mas nada!...o fato de ter descoberto que...Giselle respira fundo...não quer que Flávia perceba o menor resquício de fraqueza nem de como ela está mal interiormente...isso não importa...já não importa mais, a Giselle que está aqui é a amiga, aquilo foi uma loucura...depois de todos esses anos vou esquecer tudo...agora você é passado...pode ficar tranquila!...somos amigas...e como você deixou bem claro é o que posso ter...só sua amizade, sendo assim continuarei a ajudar porque embora este restaurante seja um sucesso as finanças são um fiasco, o que é compreensível considerando que era o trabalho daquele merda de marido que você tinha...diz olhando o relógio...- Bom...acabou meu tempo...se der ainda volto hoje...levanta-se e Flávia mais uma vez observa atentamente aquela mulher...realmente Giselle Vieira é uma matadora...agora entende porque ela faz tanto sucesso com as mulheres...aquele traje lhe cai muito bem...um blazer bege, uma blusa azul celeste e aquela calça sob medida é como se aquele estilo tivesse sido criado pra ela.

Giselle alheia à avaliação a que está sendo submetida não percebe nada, passa rapidamente por Flávia...sua amiga...é assim que agora vai vê-la e tratá-la...somente como amiga...como sempre foi