Fernando estaciona seu carro em frente a garagem de sua casa, encosta a cabeça no volante enquanto deixa escapar um suspiro, seu olhar se dirige à casa que divide com sua esposa... Clara Fernandes, seu rosto reflete toda a tensão que nesse momento invade seu corpo pois sabe o que o espera, não será nada fácil....sem demora sai do carro com o passo decidido entra em casa e como de costume joga as chaves na estante, sua pasta de trabalho sobre uma das poltronas junto de seu paletó, começa a dobrar as mangas da camisa enquanto se dirige a cozinha. Sorri ao ver sua esposa de costas e concentrada preparando o jantar, lentamente caminha até ela e a abraça por trás apertando-a contra seu corpo, beija seu pescoço sentindo o cheiro que sempre o encantou, sua pele macia como veludo.
- Oi minha querida! (Fernando beija Clara)...
- Oi amor... responde Clara virando seu rosto que tem um grande sorriso e roça seus lábios nos de seu marido enquanto volta sua atenção pra frigideira.
- Hummm... esse cheiro está muito bom... vai até a geladeira e pega uma cerveja.
- O que está preparando?...Clara sorri encantada ao escutar seu marido, hoje é uma noite especial...de celebração.
- É surpresa Amor... pode preparar a salada?
- Sim claro...Fernando começa a juntar o tempero à alface romana que está cortada e Clara prepara a mesa para o jantar.
- Ohhh amor!...meu prato favorito! Fernando diz muito satisfeito ao ver a mesa posta. Um deslumbrante sorriso aparece nos lábios de Clara enquanto se serve de uma taça de vinho, os dois ocupam seus respectivos lugares à mesa.
- Como foi seu dia? Pergunta Fernando se servindo...
- Tudo bem....sem novidades, o mesmo de sempre...fala tratando de diminuir a importância da carga de trabalho que tem como Diretora do Centro Comunitário de Assistência Social (CCAS) dedicado a ajudar crianças abandonadas.
- E como foi no escritório?... Clara pergunta utilizando um tom completamente despreocupado, Fernando engole em seco...chegou o momento da verdade, limpando a garganta se levanta e vai pegar outra cerveja, abre e antes de responder dá um grande gole.
- Clara....querida precisamos conversar...ela olha para seu esposo e pode perceber o que vem na sequência.
- Não!...não! não quero nem ouvir Fernando! Você me prometeu... Clara deixa cair os talheres de forma estrondosa no prato. Fernando trabalha em uma empresa que desenvolve softwares aplicados aos sistemas de segurança empresarial, é o Diretor Executivo do Departamento de Desenvolvimento de Novas Tecnologias e por isso tem que passar muito tempo trabalhando ou viajando.
- Eu sei amor mas vou apresentar um projeto nos Estados Unidos…você sabe o quanto é importante pra mim...é meu trabalho! Clara o encara completamente decepcionada, mais uma vez qualquer coisa é mais importante que eles dois! Desiste do jantar.
- Seu trabalho sempre foi e continuará sendo prioridade em detrimento do nosso casamento! Em seu olhar percebe-se a dor que sente por essa situação... se supôs que sairiam de férias pela primeira vez em 7 anos. Ela o encara com uma raiva contida, lutando contra as lágrimas que querem sair.
- Quer saber...estou farta!...farta das suas falsas promessas!...dos seus desplantes!...de que nosso casamento não importa! Se levanta de forma brusca derrubando a cadeira.
- Não sei porque isso tudo! Você sabe muito bem que não é assim... está sendo injusta! Além disso não entendo porque se queixa tanto... alguém nessa casa tem que trabalhar!... depois que pronuncia a última palavra sabe que não deveria ter dito aquilo, que feriu os sentimentos de sua esposa. Clara sem falar mais nada sai da cozinha... nesse momento precisa ficar só.
- Clara!....tenta consertar as coisas mas é tarde demais.
- Não!... com um gesto faz com que ele fique em silêncio.
- Você não tem o mínimo de respeito pelo meu trabalho!
- Amor...
- Não!... não é um bom momento pra falar...sai deixando-o sozinho...Fernando suspira sabia que a conversa não iria ser fácil.
Resignado Fernando toma outra cerveja e vai até a áere da piscina sentando-se em uma das cadeiras, olhando o vazio sente seu celular vibrar... tira-o do bolso e vê que tem uma notificação de mensagem de Whatsapp.
Camila: E ai como foi a conversa?
Fernando: Mal...
Camila: Vamos tomar alguma coisa?
Fernando: Não é uma má ideia.
Camila: Estou aqui para o que precisar.
Fernando: Onde está?
Camila: No bar de sempre...você vem?
Fernando: Em alguns minutos estarei ai.
Enquanto isso no segundo piso da casa no quarto principal Clara chora observando pela janela seu marido pegar o carro e sair, sente-se impotente e questiona-se como é possível um jantar perfeito se transformar de uma hora pra outra em um pesadelo. Tem vontade de sair correndo e abandonar tudo, acreditava que na manhã seguinte partiriam em uma viagem de férias. Depois de 7 anos mais uma vez ela organizou sua agenda, adiou compromissos, mudou seu ritmo de trabalho só para iniciar as tão esperadas férias, imaginava que seria um dia especial. Ela e o marido aproveitariam esses dias pra se reconectarem já que ultimamente seu casamento vem atravessando uma pequena crise, há mais de seis meses que não fazem amor e cada um está vivendo à sua maneira, transformaram-se em dois estranhos que compartilham o mesmo espaço. Sente que Fernando não faz o menor esforço para mudar e tentar salvar a relação. Clara olha ao redor e mais uma vez se pergunta o que faz ali...lutando por um casamento que pouco a pouco afunda.
Em um bar da cidade...
A mulher morena olha seu celular e sorri, como esperava Fernando e sua esposa brigaram o que favorece seus planos... aquele casamento está nas últimas e ela irá fazer o que tiver ao seu alcance para livrar o homem que ama dessa prisão a que ele chama de casamento, enquanto lhe convém vai fazer o papel da amiga compreensiva até atingir seu objetivo. Tal e como prometido em poucos minutos Fernando entra no bar procura e rapidamente encontra Camila que está no balcão.
- Oi!....
- Oi! Um largo sorriso preenche os lábios da morena ao ver Fernando.
- O que você está bebendo?
- Whisky... quer?...entrega seu copo e Fernando toma todo o conteúdo de um só gole. Camila faz sinal ao bartender para que sirva mais dois drinks, quando ele os serve Fernando bebe os dois de uma vez.
- Epa! Epa! Calma!...
- Shhhhh deixa-me essa noite quero beber!
- As coisas ficaram tão feias assim?
- Sim... sabe ela não entende que trabalho feito um burro de carga para mantê-la enquanto ela banca a boa samaritana com aquelas crianças pestilentas. Por acaso ela acha que todo aquele conforto que eu lhe proporciono é de graça...tudo tem seu preço.
- Calma... tem que entender que ela estava muito empolgada.
- E eu? Eu também estava... mas não posso abandonar minhas responsabilidades, se não trabalho quem vai bancar todos os luxos que ela desfruta, insiste furioso. Ficam conversando até altas horas e em seguida seguem para suas casas.
Já é madrugada quando Fernando entra no quarto devagar temendo uma explosão por parte da sua mulher...uma vez dentro respira aliviado, Clara está dormindo não queria encontrar-se com ela e continuar a discussão, vai direto tomar banho e minutos depois deita ao lado de sua companheira de 10 anos. Com um profundo suspiro deixa que o sono apodere-se de seus pensamentos, sem perceber que do outro lado da cama Clara abre os olhos e chora silenciosamente até dormir.
No dia seguinte...
O alarme do celular de Fernando começa a tocar, rapidamente o homem sai da cama e vai tomar banho, sem demorar-se muito faz sua higiene pessoal, no closet pega a costumeira mala de viagens, pela experiência procura as roupas que normalmente leva nessas ocasiões, no quarto observa a silhueta da esposa que está debaixo dos lençóis, suspira não pensa mais em nada e sai, prefere não depedir-se dela, não quer entrar em discussões inúteis. Com o som da porta fechando-se Clara abre os olhos, como sempre é a primeira a acordar mas dada as circunstâncias preferiu fingir que ainda dormia, normalmente quando Fernando viaja ela se preocupa em preparar tudo pra ele, pela primeira vez em dez anos ele mesmo fez sua mala e partiu sem tomar o café da manhã, pela primeira vez desde que começou a crise matrimonial Clara sente-se esgotada, cansada do fato de que em seu casamento seja ela quem tenha que carregar o peso de sacrificar-se em tudo, de ser a esposa compreensiva e abnegada, a que sem importar as condições tem que entender tudo. Levanta-se da cama como se o corpo pesasse mais ainda, vai tomar banho e depois ao closet onde escolhe a roupa que vai usar. Em tempo record termina sem a preocupação de arrumar-se muito, embora não necessite, no auge nos seus 37 anos mantem-se fabulosa, sai do quarto, pega sua bolsa e vai trabalhar. Ao atravessar as portas do Centro de Assistência, CCSA em que há um tempo exerce as funções de Diretora Executiva, Clara sente-se em casa e não é pra menos, ultimamente passa mais tempo com os colegas de trabalho que com Fernando.
- Clara! O que você faz aqui... não estava de férias?...pergunta Helena seu braço direito e encarregada dos assuntos financeiros do Centro, além de ser sua melhor amiga, enquanto a segue até o escritório.
- Mudança de planos...Clara suspira desanimada e sem querer falar no assunto.
- Mmm... é a única coisa que responde Helena.
- O que temos pra hoje?... pergunta enquanto liga seu computador.
- Nada demais….embora Giselle tenha ligado.
- Giselle?...e ela está na cidade?
- Ao que parece...
- Disse alguma coisa?
- Só quis saber se você poderia encontrá-la hoje... mas como supus que você estava de férias...
- Está bem....eu ligo pra ela...Helena a observa...com certeza aquele asno que ela tem como marido fez algo. Clara está com uma cara...parece que ao invés de ter vindo de casa veio de um funeral.
- Quer um café?
- Humm... sim por favor...obrigada Helena...Clara diz enquanto começa a ocupar-se de suas atividades, silenciosamente Helena sai do escritório de Clara.
Horas mais tarde em uma elegante casa em Santa Tereza...
- Acho que fizemos um bom trabalho!... Marina Meirelles chega junto com suas amigas Giselle e Flávia, oferece-lhes uma cerveja, estão esparramadas nas cadeiras, suadas e cansadas depois de terem passado o dia organizando as coisas de Marina que mudou-se recentemente pra cidade.
- Obrigada!...diz Flávia... já não suportava mais esse calor!... Deus como sinto saudades de Londres, nessa época do ano faz muito frio.
- Não exagera...nada como o doce calor do Rio...diz Marina.
- Minha querida dessa vez vou ter que concordar com Flávia...tá fazendo um calor infernal...diz Giselle.
- Ah! Não acredito! Na verdade faz um calor infernal mas jamais vou admitir diante dessas duas...pensa Marina.
- Por um novo começo! Propõe Flávia em um brinde estendendo sua garrafa.
- Por uma nova vida... diz Giselle...unindo sua cerveja a de Flávia.
- Todas por uma! Saúde!...diz Marina unindo a dela também.
- E uma por todas!... respondem as outras duas dando uma gargalhada, esse era o lema que utilizavam em seus dias de universidade...dão um gole em suas cervejas.
- Como você se sente com toda essa mudança?... pergunta Giselle.
- Sim...estou bem... assim como deve ser....estou muito disposta a iniciar uma nova vida.
- Então que tal se essa noite... Giselle deixa de falar pra atender seu celular que tocava...
- Helena!...sim liguei pra saber dela...pensei que estivesse de férias...ah mudança de planos... sim imagino como ela está hoje? Gi olha suas amigas que retornam o olhar sem compreender muito da conversa...passo ai no Centro o que você acha? Se despedem e Giselle pergunta pra Marina e Flávia...
- Querem ir conhecer o Centro que patrocinamos aqui no Rio?
- Não…na verdade estou muito cansada diz Marina...trabalhamos o dia todo organizando a casa...essa eu passo...estou morta!
- Eu também...tenho que dar atenção ao meu querido esposo. Murilo que já deve estar louco...depois nos vemos meninas. Flávia se despede das amigas com dois beijos no rosto, toma sua cerveja e parte.
- Tchau Flavinha e obrigada!... grita Marina.
- De nada Meirelles! Para que servem os amigos?... Giselle e Marina veem sua amiga afastar-se.
- Sério Meirelles... você não quer ir ao Centro comigo assim se distrai.
- Na verdade Gi não estou a fim de sair, sabe que quero desfrutar da minha casa nova…terminar de arrumar o quarto do meu pequeno homem. Giselle olha pra Marina e decide deixá-la tranquila, depois de tudo tem que adaptar-se a essa nova realidade, é recém-chegada ao Rio...até uns meses atrás vivia em Londres onde tinha uma vida de sonhos com sua companheira Giovanna Marinelli, elas foram muito felizes e desafortunadamente um câncer de mama interrompeu essa felicidade, justo quando planejavam ter um filho, entretanto Giovanna e Marina não se deram por vencidas e tentaram todos os tratamentos para vencer a doença, mas foi em vão, se supunha que Giovanna seria a que engravidaria e como ela estava enferma decidiram por Marina que imediatamente aceitou, somente com a condição de que o óvulo fosse de Giovanna, todos se surpreenderam com a ideia de Marina mas ao mesmo tempo compreenderam as razões dela. Afinal esse filho foi um presente de Giovanna para Marina, uma prova de amor, foi duro no início lidar com a doença da esposa e com a gravidez, mas Marina seguiu em frente, se dedicou de corpo e alma a cuidar da amada e por outro lado ser mãe. Finalmente todo o esforço foi recompensado, em uma manhã de verão Diogo Meirelles Marinelli veio ao mundo para alegrar a vida de suas mães, chegou no momento indicado justamente uns meses antes que Giovanna partisse desse mundo, foi graças a ele que Marina não morreu de dor pela perda de seu grande amor. Nos meses seguintes Giselle se transformou em um apoio fundamental na vida de Marina, elas cresceram juntas, praticamente Giselle mudou-se pra ficar com ela, não abandonou sua grande amiga em nenhum momento e percebendo que ela precisava de uma mudança radical em sua vida, sugeriu que Marina ficasse como Diretora da Divisão de Desenvolvimento de Projetos Cinematográficos nos estúdios de propriedade dos Vieira. Assim conseguiu tirar a amiga do espaço em que Giovanna estava tão presente e pudesse recomeçar a vida em outra cidade, conhecer outras pessoas.
- Gi…Não agradeci por todo o apoio que recebi desde... a voz de Marina é interrompida pela intensidade das emoções.
- Meirelles! O que houve?...pergunta Giselle enquanto enxuga as lágrimas que escapam dos olhos bonitos e negros da amiga.
- Está tudo bem...prometi que não iria mais chorar, mas é tão difícil algumas vezes.
- Tem certeza que não quer me acompanhar?… pergunta Giselle pois percebe o quanto essa história ainda afeta Marina, na realidade não quer deixá-la só em casa.
- Gi... sabe que não posso e além disso Vanessa já está a caminho com Diogo. Giselle sorri ele é o único homem sobre a terra que tem todo o amor de Marina.
- E como está meu afilhado? O rosto de Giselle se suaviza diante da imagem do garoto.
- Cada dia mais lindo...espere até Vanessa trazê-lo.
- E não teve mais problemas com Joane...a mãe de Giovanna? Como ela reagiu a essa mudança?
- Não falamos muito sobre isso.
- Mas elas não ficarão aqui?
- Não creio... na verdade não sei... mas no momento elas passarão uma temporada perto de nós...embora eu tenha feito a proposta, elas preferem ter seu próprio espaço, realmente preciso que meu filho tenha toda sua família perto.
- Bem...torço para que tudo fique bem, afinal o único que realmente importa nesse imbróglio todo é o pequeno Diogo.
- Isso mesmo!
- Bom...preciso ir, tem certeza que vai ficar bem?
- Sim...fique tranquila.
- Tem certeza?
- Sim!... Marina acompanha Giselle até a porta e despede-se com um beijo e um forte abraço.
Mais tarde Giselle chega ao CCSA e vai direto ao escritório de Clara.
- Helena!
- Giselle! Quando você chegou?
- Há alguns dias... e Clara? Aconteceu alguma coisa...pelo tom de voz dela...
- Está na sala dela...não quis sair de lá.
- E o que foi?
- Parece que o idiota do Fernando aprontou alguma...pelo que sei iriam viajar de férias...as duas suspiram conhecem essa essa história muito bem.
- Bom...consiga-me uma garrada de vinho...diz Giselle resignada... depois de 10 anos de casamento segue perguntado-se que diabos Clara viu em Fernando para que chegasse ao extremo de casar-se com ele.
Clara está concentrada teclando em seu computador e nem percebe que a porta de sua sala se abre, os passos são silenciados pelo tapete que cobre o piso, Clara se espanta ao sentir uns braços ao seu redor.
- Mas que... vira-se e vendo quem é dá um grito levantando-se.
- Giselle! As duas se fundem em um abraço.
- Quer dizer que já não tem tempo para as amigas...
- Amiga! Que bom que está aqui...chegou quando?
- Há uma semana mais ou menos.
- E agora que veio dar sinal de vida...vamos confessa...
- O que quer que eu confesse?...pergunta Giselle sem entender bem o comentário da amiga.
- Você nunca demora tanto para avisar-me quando está na cidade...quem é a mulher que ocupa o seu coração? As duas mulheres caminham até um sofá que está em um canto da sala.
- Ah... porque tem que ser uma mulher?
- Porque conheço você muito bem e sei que não pode ficar sem um rabo de saia...então confessa logo...por acaso acha que não vejo você nas entrevistas sempre com em uma companhia diferente...já tá na hora de encontrar a mulher certa.
- Ahh meu amor...só existem duas mulheres no mundo capazes de fazer-me deixar essa vida...Clara a encara arqueando as sobrancelhas, fica curiosa para saber quem seria.
- Sei de uma...mas quem é a outra?
- Isso minha querida é um segredo que vou levar para o meu túmulo. Clara percebe uma ligeira sombra de tristeza aparecer no olhar da amiga.
- Porque voltou?
- No momento vou fazer do Brasil minha base de operações.
- Como?... E a que devemos isso?
- Ahhh coisas de dona Branca sabe como é...
- Pois seja qual for o motivo que touxe você aqui fico feliz porque me faz muita falta amiga! Clara e Giselle se conheceram na abertura do Centro, faz exatamente sete anos, desde então tornaram-se amigas, Branca sua mãe é uma filantropa muito conhecida no Brasil.
- Agora mudando de assunto e você o que está fazendo aqui? Não era para estar de férias...nesse instante o clima agradável desaparece assim como o sorriso de Clara que encolhe os ombros.
- As coisas mudam...diz aparentando indiferença.
- Ahhh deixa-me adivinhar...suspenderam as férias porque como sempre apareceu alguma coisa para o seu maridinho que é mais importante pra ele.
- Se sabe então porque pergunta...diz Clara emburrada.
- O que continuo sem entender é como pode permitir que Fernando aja sempre da mesma forma ...Clara começa a chorar e Giselle abraça sua amiga arrependida por ter sido dura com amiga.
- Clara desculpa-me...de verdade não quis…
- Tudo bem Giselle, não tem que se sentir mal por ter falado a verdade...Clara diz em tom triste enquanto enxuga as lágrimas que insistem em cair. Giselle fica olhando pra sua amiga pensando em uma maneira de distraí-la e fazêla esquecer mesmo que seja por alguns momentos os problemas pelos quais está passando.
- Clara você tem muito o que fazer hoje no Centro?
- Não...a verdade é que vim para não ficar em casa e continuar pensando nisso.
- Então não tem desculpa para não acompanhar-me às compras e esquecer tudo, pelo menos enquanto estiver comigo.
- Mas Gi...
- Nada! Não quero ouvir desculpas! Vamos!..Clara e Giselle pegam suas bolsas e saem. Fora do escritório encontram-se com Helena...
- Helena não espere por Clara...toma conta de tudo!
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