Voce mudou minha vida
2 Capítulo 2
CAP 2
Depois que Giselle saiu Marina foi ao quarto de seu filho Diogo... sorri enquanto começa a organizar as roupas do pequeno, logo depois de arrumar pega uma caixa que está junto ao berço, abre e ai estão os brinquedos de seu filho... sorri ao tirar da caixa a raf, diverte-se.... assim o menino batizou um boneco em forma de girafa que de imediato ganhou seu lugar de honra, o berço de Diogo...os demais foram acomodados por aqui e por ali. O quarto foi preparado especialmente para que Diogo possa desfrutar de um espaço amplo destinado a ser seu local de brincadeiras. Por último tira da caixa uma foto em que aparecem ela, sua amada esposa Giovanna e o pequeno Diogo com apenas alguns segundos de nascido, o parto não foi nada fácil, Marina ainda recorda as terríveis dores que sentiu, ela evitou utilizar anestesia... UM ERRO! Mas depois de todo um dia de trabalho de parto finalmente a noite Marina conseguiu alcançar os centímetros necessários de dilatação e Diogo chegou ao mundo, ao colocar seus olhos nele teve uma emoção tão grande e chorou...bem valeu a pena e toda aquela dor simplesmente foi esquecida, aquele bebê foi a maior benção que elas poderiam receber, ele chegou para preencher suas vidas de alegria...foi um pequeno milagre, prolongou a vida de sua amada Gio. Marina recorda que as enfermeiras o colocaram em seu peito, nesse exato momento as duas compartilharam um terno beijo e depois ambas beijaram o pequeno. Marina não sabe de onde saiu o celular com o qual fizeram a foto que imortalizou aquela cena tão bonita... Diogo encostado em seu peito, Marina beijando sua cabecinha com cabelos negros e do outro lado Giovanna beijando-lhe também, embora estivesse com um lenço na cabeça por conta da quimioterapia, tinha perdido todo o cabelo, a imagem era simplesmente linda. Ela estava bonita, o brilho de alegria e amor que se refletia em seu olhar era digno de registro, lembra que logo tiraram outra foto. Marina suspira tratando de acalmar a dor que ainda reside em seu coração desde que perdeu sua esposa, porque a vida às vezes é tão cruel.– Aaaaiiii amor se visse nosso pequeno... (uma lágrima desliza por seu rosto). Porque você teve que ir e nos abandonar?...Sinto tanta a sua falta meu amor... o som da campainha tira Marina daquela melancolia e dando um suspiro se encaminha até a porta ao abri-la e encontra Vanessa a irmã de Giovanna, ela tem em seus braços o pequeno Diogo que ao ver sua mãe brinda-lhe com o mais lindo dos sorrisos enquanto estende seus bracinhos pra alcançá-la que de imediato o toma nos braços.– Ma!...ma!... ma!– Meu amor! Meu pequenino...quanta saudade!...abraço o filho e enche seu rosto de beijos. Embora ainda esteja aprendendo umas poucas palavras é evidente que ele também sentiu saudades de sua mãe...sorri e Marina o abraça fervorosamente. A imagem é muito comovente...mãe e filho abraçados.– E como ele se comportou?...pergunta enquanto se encaminha pra sala seguida por Vanessa.– Ficou algumas madrugadas chorando por sua Ma...mas tudo bem diz Vanessa com um sorriso... Marina sente seu coração quebrar, por conta da mudança teve que passar uma semana longe do seu bebê.– Sinto muito se esse pequeno deu trabalho.– Ah...não diga isso...é meu sobrinho...as duas mulheres abrem um sorriso.– Pequerrucho sentiu minha falta? Em resposta ele dá um suspiro e murmura alguma coisa em sua linguagem de bebê... quem sabe dizendo que também sentiu muitas saudades de sua ma. Marina sorri encantada e lhe diz enquanto acaricia as costas de seu homenzinho...– Eu também senti tanta a sua falta meu amor....Van você quer tomar alguma coisa? As duas mulheres vão pra cozinha, Marina senta o pequeno em sua cadeirinha que resiste, não quer separar-se de sua mãe. Marina procura na despensa os biscoitos favoritos de seu filho, aqueles que têm forma de animais, coloca-os em um prato e com isso consegue convencê-lo. Vanessa ocupa uma das cadeiras enquanto observa Marina preparar um chá frio, põe na mesa um prato com biscoitos e logo retorna com duas xícaras de chá sentando-se na cadeira oposta.– Van... obrigada pela ajuda que tem me dado nesses dias....Marina acaricia uma das mãos de sua cunhada e a olha fixamente. A vida é tão contraditória...Vanessa é a irmã gêmea de Giovanna, olhar pra ela é como ter a sua amada por perto, mas falta algo...elas são gêmeas idênticas...mas na irmã falta a luz, o calor, a paixão, a alegria pela vida que em Giovanna transbordava... por sua vez Vanessa ao sentir a carícia percebe um estremecimento percorrer suas terminações nervosas, seu coração dispara...ela sempre amou Marina... lembra que ela e Giovanna a conheceram ao mesmo tempo e desde que colocou seus olhos naquela bela mulher de olhos negros e cabelos encaracolados, ficou hipnotizada...ela roubou seu coração sem sequer saber... mas foi Gio quem conquistou o amor de Marina, agora as coisas mudaram e embora tenha sido devastador o câncer que acometeu sua irmã e até já ter se resignado que Marina nunca seria dela...a cunhada e ela são duas mulheres solteiras e quem sabe se nesses momentos ela possa ter alguma chance.– Sim eu sei! Mas você está de férias e não está desfrutando... a cidade é bonita...com esse calor e vários lugares pra visitar.– Ahhh...imagina!...interpela Vanessa...o que eu não faria por vocês que são minha família.– De qualquer forma obrigada! Não quero atrapalhar você tem sua vida...você e Joane estão de férias e não quero que fique só cuidando de Diogo (Marina insiste firme)...prometo tirar um tempo e levá-las pra passear.– Não me incomoda cuidar do meu sobrinho e você sabe, além disso nesses dias você não tinha tempo nem pra si com toda essa mudança e passei dias maravilhosos com Diogo, é um garoto muito esperto...mas vou cobrar essa oferta, as duas trocam um sorriso.– Sim ele é... (Marina sorri triste) tem muito da Gio...me encanta seu sorriso...esse brilho que aparece em seus olhos quando vê algo novo...é incrível, tal e como ela fazia... diz um pouco triste. Vanessa revira os olhos, embora amasse sua irmã não pode evitar os ciúmes quando Marina menciona Giovanna, é evidente que ela ainda não superou a perda...mas já é tempo, todos esperam que Marina refaça sua vida e dessa vez ela não vai permitir que nenhuma outra mulher a roube como fez Giovanna.
No Shopping...Depois de horas percorrendo todas as lojas do Shopping, Clara e Giselle saem carregadas de compras, principalmente roupas e entram em um café onde se deixam cair exaustas sobre as cadeiras. Clara observa a quantidade de roupas que sua amiga comprou e o que mais chama a atenção é que são pra bebê.– Giselle…– Sim?– E essas roupas pra bebê...por caso você está saindo com alguma mãe solteira?...Pergunta Clara pois conhece as fraquezas de sua amiga e sabe que Giselle é capaz de qualquer coisa para conseguir levar uma mulher pela qual se interesse pra cama. Giselle dispara a rir ao ouvir o comentário da amiga.– Não...mas devo confessar que por fim encontrei o homem que me roubou o coração... Giselle ri mais ainda com a expressão na boca de Clara em forma de “O”.– Não! Isso é insólito! Atenção gente! A lésbica mais sexy e sensual do jet set abandonou a lesbolândia e agora está na heterolândia! Giselle estou completamente abobalhada...preciso saber dessa história com todos os detalhes sórdidos. Então o homem é um pai solteiro...diz Clara especulando.– Clara!...deixa de falar besteira...continuo sendo a rainha da Lesbolândia! (finge indignação).– Então explica-me porque não estou entendendo nada...a essa altura Clara estava completamente confusa.– Sim estou apaixonada!...e é por um homem, o que eu não falei é que esse homem tem 1 ano de idade.– Giselle você me surpreende, não acha que é muito jovem pra você?... Clara brinca com a amiga... nunca pensei em viver o bastante pra escutar essas palavras, não só mudou de gosto como agora prefere tirá-los do berço.– Que posso dizer...o pilantra roubou meu coração...Giselle segue com o jogo.–Sério... para quem está comprando toda essa roupa?– Para Diogo meu afilhado… sempre que vou às compras não posso evitar de presentear-lhe com algo... sabe essas coisinhas, Clara observa a quantidade de sacolas que Giselle a obrigou a carregar por todo aquele maldito Shopping e sorri... é isso o que sua amiga chama de coisinhas...– E tudo isso são coisinhas?– Que... não estou entendendo (Giselle está completamente alheia ao que sua amiga diz e seu olhar se ilumina)... Sabe que ainda falta irmos a uma loja de brinquedos, então termina logo esse café. Clara revira os olhos enquanto pensa na loucura que foi ter permitido que Giselle a arrastasse nessa insana aventura.As duas amigas terminaram o dia compartilhando um delicioso jantar em dos restaurantes favoritos de Giselle.Em Santa Tereza...Marina, Vanessa e o pequeno Diogo estão na porta se despedindo.– O que farão amanhã?...Pergunta Vanessa.– Realmente ainda não sei...estou sem planos.– Que tal fazermos algo juntos...o que acha?– Não sei... Marina está em dúvidas....quero passar um tempo com esse jovem, faz um carinho na bochecha do filho...senti tanta saudade dele.– Por favor! Pelo menos promete que vai pensar.– Está bem prometo...qualquer coisa eu ligo tá?– Tá! Vanessa sorri largamente e emocionada pela possibilidade de passar o dia com Mariana e Diogo. As duas mulheres despedem-se e Marina fecha a porta enquanto observa o filho sorrindo.– Sabe vou considerar isso como um sim, que meu pequeno gostou da ideia...que tal um banho?– Bano.... concorda Diogo. Marina leva o filho até o banheiro, sem sombra de dúvidas se há algo que o pequeno Diogo desfruta é a hora do banho. Desde pequenino Giovanna e Marina fizeram daquele momento uma adorável brincadeira, por isso o garoto tornou-se um amante da água. Rapidamente Marina prepara tudo e o coloca na banheira, ele começa a brincar molhando a roupa de Marina, ao final ela entra também e se junta ao filho. Uma vez vestidos e cheirosos os dois vão para o quarto e ligam a TV em um desses programas infantis cheios de cores e brincadeiras que tanto chamam a atenção do filho.Ainda no Shopping...Enfim!...Giselle está satisfeita as duas saem carregadas de sacolas, por sorte a loja de brinquedos faz entrega em domicílio. Quando estão no carro Clara olha para a quantidade de sacolas e diz...lembra-me da próxima vez que você estiver a fim de vir ao Shopping, de verificar se não tenho um compromisso ou inventar qualquer um.– No seja exagerada..você carregou uma ou outra sacola.– Uma ou outra sacola! Por acaso você não viu o banco traseiro, comprou a metade do Shopping e ainda tem os brinquedos...o telefone de Giselle começa a tocar...– O que será... alô... Darling! Amor!... sim...pra mim está ótimo...a que horas? (olha para o relógio), mmmm acho que sim...pode contar comigo (dá uma risada sexy) juro que vai valer a pena.– Clarinha... temos um problema...– Nem me conte...uma das suas conquistas já sabe que você está na cidade.– Mmmm como você sabe?– Não precisa ser um vidente para saber do que se trata.– Ohh perdão! Sei que prometi passarmos a tarde juntas...– Não se preocupe...está perdoada, embora tenha destroçado meu coração, me trocou por um fim de tarde sórdido cheio de sexo lésbico!– Corrigindo minha querida... um final de tarde cheio de um delicioso sexo lésbico...lamento se você ainda não desfrutou do lado colorido da vida! Aposto que se você experimentasse nunca mais abandonaria Nárnia, as duas mulheres caem na gargalhada chamando a atenção de algumas pessoas que estavam entrando em seus veículos perto delas.– Vamos!...me deixa ao menos em casa.Em tempo record no qual Clara respira aliviada por chegar em casa sã e salva, ao sair do carro a morena praticamente se joga ao chão para beijá-lo...ela conseguiu chegar inteira.– Santo Deus! Me lembra de não entrar no mesmo carro que você quando está prestes a fazer sexo com uma das suas ficantes!– Ahhh mas você está reclamando demais hoje! Meu Deus!– Giselle!– A propósito o que fará amanhã?– No momento não tenho planos.– Então se prepara que quero que conheça meu amor.– Jura?– Claro! É proibido apaixonar-se por ele ok?– Está certo prometo me esforçar.– Bem!...agora levanta esse grande e delicioso traseiro do meu carro...estou atrasada.– Tenha cuidado!Clara começa a rir balançando a cabeça enquanto vê o carro de sua amiga perder-se no tráfego noturno.No dia seguinte...– Marina está brincando com Diogo no chão depois de comerem panquecas, Diogo tem uma queda por elas assim como tinha Gio. Depois vão para a parte detrás da casa, definitivamente essa é a área favorita deles, mais ou menos na metade da manhã alguém bate a porta, Marina olha para o filho e pergunta-lhe...– Quem poderá ser?... Diogo está sentado brincando entretido, totalmente desligado das palavras de sua mãe.– Ma! Responde-lhe Diogo com sua palavra favorita, Marina toma-o em seus braços e vai até à porta.– Giselle!… Marina se assusta ao ver sua amiga carregada de pacotes.– Querida... não vai me convidar para entrar?– Claro… perdão… Giselle de imediato deixa as sacolas sobre uma das poltronas e pega Diogo dos braços de Marina.– Oláááá como está meu afilhado favorito?– Ji!.....Ji!. responde um sorridente Diogo.– Olha Marina! Esse pequeno não me esqueceu... claro que não (diz com voz infantil) Marina revira os olhos diante da imagem dos dois.– Esse não pode negar que é um homem!...Logo olha todos os pacotes que estão no chão e deixa escapar um suspiro.– Giselle! Você prometeu! Isso não pode continuar assim...ainda tenho roupas aqui que nem cabem mais em Diogo e que nem ao menos usou...olhando a quantidade de pacotes deixados pela sala por sua amiga.– Marina! Tenho o direito de comprar o que quiser para o meu afilhado!...e isso é porque você não viu os brinquedos que estão a caminho...– Mas...não!...Isso é inconcebível.– Mas...nada! Meirelles! Diogo é meu afilhado e posso comprar para ele tudo o que eu desejar tá! Marina desiste, sabe que é impossível discutir com Giselle.– Ahhh não fique chateada!...assim você não se diverte, vem ver as preciosidades que comprei.– Definitivamente você é incorrigível. Marina começa a recolher os pacotes e os leva ao quarto do filho, precisou de três viagens para carregar todas as sacolas seguida por Giselle que deixa Diogo no berço enquanto ajuda Marina a desempacotar as compras.– Você tem que se controlar...da próxima vez que fizer isso vai levar tudo sozinha para o quarto ok?
– Está bem...diz Giselle, as duas se olham sabendo muito bem que aquele pedido de Marina caiu em ouvidos surdos.Uma hora depois de estar olhando e organizando todas as roupas de Diogo o celular de Giselle começa a tocar...– Giselle Vieira... sim Jes!... ohhhh me parece maravilhoso...sim estou livre. Giselle olha seu relógio...– Dentro de meia hora aproximadamente…sim já estou saindo, Giselle desliga e sorri pra Marina.– Amorzinho...beija a cabeça de Diogo... tia Gi tem que ir.– Ji!– Marina…sinto muito queria passar o dia com vocês hoje mas...– Eu entendo...não se preocupe.– O trabalho me chama...quando poderei contar com sua ajuda?– Em poucos dias...mas se você estiver precisando de mim...– Não! nada que não possa esperar...não se preocupe, ficamos assim quando você estiver totalmente instalada, se integrará a empresa, então vamos esperar...agora meu amor tchau! Dá um estalado beijo em Marina e sai correndo pra encontrar-se com sua amiga. Marina perde a vontade de organizar a roupa que Giselle comprou pra Diogo...aproxima-se do berço e murmura...– Diogo… que tal se chamarmos tia Flávia pra irmos a praia, o dia está tão lindo pra ficarmos aqui fechados dentro de casa.– Raf! Ma!... Marina sorri e pega a girafa, o brinquedo preferido de seu filho.– Vou considerar isso um sim!...Uma hora depois de enviar uma mensagem a Flávia convidando-a a ir a praia, Marina e Diogo já estão lá instalados comodamente aguardando a amiga. Depois de uma hora de completa calma Diogo cansa dos brinquedos que Marina levou para o menino entreter-se e movido pela grande curiosidade em explorar o entorno, aproveita o momento em que a mãe está procurando na bolsa térmica uma garrafa de água mineral e aos tombos consegue chegar aos pés de uma mulher que assim como ele e Marina decidiram que estar em casa em um dia como aquele seria um crime.– Ohh pequenino…você fugiu de sua mãe?– Ma! Raf! Diz Diogo...enquanto isso o sexto sentido de Marina adverte que o garoto não está à vista, assim que se dá conta quase morre de susto em não ver nem o rastro de Diogo.– Oh Deus! Assustada olha ao redor e respira aliviada ao vê-lo nos braços de uma mulher...rapidamente corre até eles.– Oh meu Deus! Diogo! Assim você me mata!...diz para o filho e o retira dos braços da mulher. As duas se olham fixamente e de imediato sentem um calor percorrê-las, talvez porque um simples olhar tenha gerado uma empatia em ambas.– Imagino que esteja procurando esse cavalheiro travesso diz a mulher ao ver o desespero de Marina.– Ma!.. Simplesmente se limita a dizer o garoto.– Ele é muito inquieto?– Você nem imagina!...Se não estou atenta sempre já teria morrido de um infarto fulminante... Marina não termina a frase só encolhe os ombros... Marina Meirelles...estende a mão cumprimentando a mulher.– Clara Fernandes...as duas apertam as mãos...perdem-se na troca de olhar e compartilham um sorriso amigável, a conexão se rompe quando Diogo talvez enciumado reclama a atenção de Marina.– Ma!... Marina olha para o filho.– Eh! Travesso! Não pode fugir assim correndo!... Clara observa Marina falando com o pequeno como se ele pudesse entendê-la, a cena é bastante hilária...o pior é que ele murmura alguma coisa na sua linguagem de bebê. Por outro lado fica um pouco surpresa pela agradável sensação que a tomou desde que conheceu aquela bela mulher, nem sabe porque está sentindo-se assim, o que é um pouco perturbador. O que está acontecendo comigo?…Marina não está menos surpresa, na verdade um sentimento que não consegue definir...poderia dizer que é raro! Sim...tem que admitir que a morena é simplesmente linda! Preciosa! Deus que olhos e que sorriso... e esses lábios...ohh Deus e sua pele parece deliciosamente macia!.. Mentalmente Marina se golpeia...Meirelles o que é isso...por acaso nunca viu uma mulher? Acho que a falta de sexo está me afetando...diz para si mesma respirando fundo, acomoda seu filho nos braços e sorri pra Clara... qualquer dia desse ainda vai me provocar um ataque do coração...diz sentindo-se uma idiota...mulher não sabe falar nada de diferente, está repetindo a mesma coisa como um papagaio (questiona-se mentalmente).– Ma! repete o pequeno Diogo. Por outro lado Clara pergunta a si mesma o motivo dessa sensação de bem-estar com uma completa desconhecida...porque está nervosa e sentindo como se tivesse borboletas no estômago, balança a cabeça de um lado a outro como se isso fosse suficiente para entender essas emoções.– Ah não acredito que esse adorável jovenzinho cause problemas...quando crescer talvez sejam as garotas que vão lhe causar problemas...diz com um sorriso encantador. Oh Deus ai está de novo o sorriso...Marina pensa enquanto Clara continua mais confusa ainda...o magnetismo transparece naqueles olhos cor de avelã.– Você quer sentar conosco?...convida Marina.– Oi?– Você quer nos fazer companhia?– Se não for incomodar…diz num misto de nervosa e indecisa...não quero atrapalhar...– Claro que não atrapalha!...Marina toca carinhosamente no braço de Clara.– Vamos!... assim não ficará sozinha e você esquece um pouco o que a preocupa... Clara olha diretamente nos olhos de Marina surpresa pelo fato daquela mulher ter conseguido perceber seu estado de ânimo.– Ok. Ambas caminham um pouco até chegar ao local onde Marina estava e sentam-se com Diogo entre elas.– Cerveja ou água?– Humm cairia bem uma cerveja.– Tem pouco álcool…eu as trouxe para uma amiga que ao que parece não vem.– Não tem problema...Marina entrega-lhe a garrafa e Clara ao pegá-la com sua mão esquerda oferece uma vista completa da aliança que parece gritar “NÃO TOCAR”. De pronto toda a emoção de Marina arrefece sem saber porque...resignada decide que Clara pode ser só uma boa companhia para passar a tarde de sábado. Por outro lado Clara também percebe a aliança de Marina e se pergunta de onde saiu essa sensação de desalento...o que há de mal em ela ser casada... normal não? Clara afasta esse sentimento de sua mente questionando-se se era a brisa da praia e o intenso sol que estavam causando-lhe esse efeito.– Tem filhos?– Não…mas me encantaria tê-los.– Logo chegarão, antes de Diogo eu e minha esposa fizemos várias tentativas...ao escutar as palavras de Marina, Clara quase se engasga com a cerveja.– Ohhh….Você é...– Sim sou gay…isso incomoda a você?... Marina fica insegura temendo a reação de sua nova amiga e prepara-se para o pior.– Nãããoo! Fique tranquila...não me incomodo...minha melhor amiga é amante da vida colorida...Marina sorri aliviada.– Ah que bom…não gosto de chocar ninguém embora não me importe com que os outros pensem de mim, mas não quero me expor nem tampouco Diogo.– Entendo…mas não se preocupe comigo...pra mim é normal e na verdade não entendo porque estar apaixonada por uma pessoa do mesmo sexo causa problemas, acredito que o que conta realmente são os sentimentos.– Se todos vissem as coisas assim de maneira tão simples viveríamos em um mundo melhor...Marina olha pra Diogo que outra vez está aprontando...– Ohhh… jovenzinho!...aonde pensa que vai?– Ele é muito ativo.– Sim… começou a andar antes de completar um ano por isso em nossa casa coloquei ao redor da piscina uma proteção. A tarde foi passando rapidamente depois de compartilhar mais duas cervejas Marina oferece a Clara um sanduíche.– Frango ou presunto e queijo?– Frango...O dia estava perfeito...a interação dos três era visível, quem as visse pensaria que era uma linda família reunida, as duas mulheres protagonizam uma cena invejável e o pequeno dá um toque maravilhoso. Algumas horas depois Clara e Marina despedem-se, casualmente estacionaram seus carros um atrás do outro...haja coincidência!– Obrigada! Adorei conhecer você...diz Marina.– Obrigada...igualmente! Por alguns segundos os olhares de ambas se cruzam novamente e permanecem assim por alguns instantes, como se quisessem gravar em suas mentes a imagem da outra...as duas sabem que não voltarão a se encontrar.– Adeus jovenzinho! Espero que continue assim tão travesso...diz Clara enquanto entra em seu veículo e parte, não sem antes acenar com a mão despedindo-se de seus novos amigos. Marina olha o carro distanciar-se e não consegue entender a súbita opressão em seu coração, mas rapidamente desfaz-se aquela sensação. Por sua vez Clara tem o mesmo sentimento.Ao chegar em casa Marina estaciona o carro...de maneira distraída vai até o banco traseiro tirar seu filho do carro e ao encaminhar-se à porta principal encontra um par de olhos marrons cheios de raiva.– Oh merda!... exclama ao ver uma irritada Vanessa na sua frente...agora foi que lembrou sua promessa do dia anterior.– Ia! Va...diz Diogo.– Estamos fodidos meu filho!....
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