Voce mudou minha vida
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Capítulo 6 — Capítulo 6
CAP 6
– Amanhã mesmo nos Estúdios convocarei minha equipe e prometo a você (tomando as mãos de Clara) que esse documentário vai trazer muitos benefícios...todas ficam contagiadas pelo entusiasmo perceptível no rosto de Marina.
Depois disso o dia transcorre normalmente, Marina e Giselle retornam aos Estúdios e vão direto para o escritório, conversam sobre o Centro de Assistência e a grande coincidência de Clara e Marina se conhecerem, isso a surpreendeu muito e continuaram falando sobre o assunto.
– Ahh bandida você não me contou nada! Quando a conheceu mesmo?...Giselle não pode deixar de usar um tom provocante e travesso...Marina revira os olhos sabia que aquele silêncio durante o caminho de volta não era coisa boa.
– Foi um dia em que eu e Diogo fomos a praia, Marina começa a explicar utilizando um tom calmo, relaxado, não querendo dar muita importância ao fato, conhece muito bem a amiga e não quer dar-lhe margem pra nenhuma insinuação infundada, afinal Clara é casada e o único interesse que pode surgir é de amizade.
– Porque ficou caladinha hein bandida?
– Gi! Mas do que você está falando?
– Ahh não me venha com essa que eu conheço você querida...a mulher é casada!...Giselle adverte...Marina abre a boca incrédula pelas palavras da sua melhor amiga.
– Giselle Vieira! Eu a vi somente três vezes e por acaso...como você se atreve a pensar uma coisa dessas...ela é mais sua amiga que minha...Marina está indignada.
– Claro que me atrevo! Porque sei quem é Marina Meirelles! Além disso não era eu quem estava com um sorriso bobo nos lábios! Eu vi... não sou cega, Marina ao escutar aquilo fecha os olhos exasperada procurando acalmar-se, decide acabar com aquela história, não quer que Clara sinta-se incomodada por alguma brincadeira mais pesada da amiga.
– Giselle!...A pequena discussão é interrompida por Vanessa que não está com uma cara muito amistosa pois chegou a ouvir uma parte da conversa.
– Posso saber do que estão falando? As duas não haviam se dado conta que não estavam sozinhas.
– Nada que possa interessar a você! Responde Giselle grosseiramente...Marina olha de uma pra outra...é sempre a mesma coisa.
– Querem saber...melhor voltar pra minha sala tenho muitas ideias na cabeça...tchau! Marina decide que é melhor deixá-las a sós. Essas duas desde que terminaram a relação vivem como cão e gato. Algumas vezes teve vontade de perguntar a Gi a razão do rompimento entre ela e Vanessa, mas por respeito à amiga sempre se conteve. Marina para pensa um pouco e decide voltar, sabe-se lá o que aquelas duas são capazes de fazer. Sinceramente não entende porque Giselle contratou Vanessa. Enquanto vai analisando a situação retorna ao escritório da amiga.
– O que está acontecendo? Você agora está fazendo o papel de cupido?
– Não permito que fale assim comigo e outra não é da sua conta se eu arranjo mulheres pra Marina, ela é livre e pode fazer o que bem entender, já está na hora dela reconstruir sua vida, não sei em que isso possa afetar a você.
– Ahhh claro que me afeta sim!...Você sabe dos meus sentimentos por ela!
– Eu?
– Sim e não se faça de louca!...Você tem plena consciência de que eu a quero!
– Se depender de mim Marina nunca vai se envolver com uma cadela como você!
– Como ousa a se referir a mim dessa forma?
– Me atrevo a isso e a muito mais!...Cadela sim!...Não fui eu quem se apaixonou pela noiva da própria irmã!...Não sou eu quem anda como um abutre atrás da cunhada fingindo estar preocupada e cuidar do sobrinho quando na realidade está interessada na viúva. Ditas essas palavras Vanessa acerta uma bofetada em Giselle e ao mesmo tempo o silêncio é rompido por uma terceira voz...
– O que...o que você falou Giselle!...Marina está evidentemente alterada pelo o que acaba de ouvir. Giselle e Vanessa param a discussão e olham na direção da porta que foi aberta devido às vozes alteradas que se ouvia lá de fora. No rosto de Marina está estampada uma expressão de incredulidade e dor que chega a assustar.
– Merda!...Diz Giselle...jamais esperaria que Marina fosse retornar.
– Marina!...Fala Vanessa caminhando até Marina que de imediato levanta a mão interrompendo-a...
– Não!... Marina solta um grito...Van diga-me que isso não é verdade!...Vanessa olha impotente pra mulher que ama acima de tudo, não pode negar os sentimentos que estão impossíveis a cada dia de conter, de ocultar e durante alguns segundos deseja morrer ...não queria que Marina soubesse da verdade daquela maneira tempestuosa. Maldita Giselle!... Como ela se atreveu...mas ao mesmo tempo decide encarar sua verdade, ela ama Marina Meirelles e é capaz de tudo para conquistar esse amor, então olha fixamente pra mulher que desperta tanto amor nela e confessa...
– Sim...eu amo você!...Durante muito tempo tenho guardado esse sentimento, não havia planejado que soubesse...mas Giselle tem razão...amo você...sempre amei e quero você pra mim...diz isso enquanto aproxima-se de Marina e a segura pelos braços. Marina olha pra Vanessa como uma estranha, como se fosse de um outro planeta. Mil pensamentos passam por sua cabeça, em fração de segundos revive todos aqueles momentos em que a ruiva esteve ali dando seu apoio, cuidando dela e de Diogo. Enche-se de asco e náuseas ao saber que aquele não foi um sentimento de sincera preocupação com seu filho e com a esposa de sua irmã, havia segundas e terceiras intenções naquilo, Marina sente-se enojada. Subitamente solta-se daquelas mãos que a aprisionam...
– Larga-me!...Meu deus você me causa repulsa...recua um pouco.
– Marina...eu...vamos conversar por favor.
– Não...por favor!...Não temos nada pra conversar...tudo está muito claro, não quero mais você perto de mim e nem do meu filho!...Ditas essas palavras ela sai e Giselle olha o espaço no qual há alguns segundos estava sua amiga e em seguida pra Vanessa que parece petrificada, sem nenhuma ação, por um momento sente pena dela, pois aqueles olhos que há minutos a olhavam com raiva, orgulho e desdém agora estavam desprovidos de brilho... apagados. Giselle deixa seus pensamentos de lado vai atrás de Marina que necessita de sua atenção mais que Vanessa, afinal quem semeia ventos colhe tempestades.
Giselle dirige-se ao escritório e ali encontra Marina de costas olhando a paisagem...
– Porque não me falou nada?...Ela não precisa virar-se pra saber quem acaba de entrar.
– Amiga eu... Giselle sente-se culpada... ela não merecia saber a verdade...não daquela forma.
– Porque não me contou?... Marina volta a fazer a pergunta.
– Porque não competia a mim fazer essa revelação.
– Mas você é minha amiga é como uma irmã!...Deveria ter me contado!
– O que você queria que eu dissesse... MARINA MINHA NAMORADA QUE AGORA É SUA CUNHADA ME DEIXOU PORQUE ESTÁ APAIXONADA POR VOCÊ!... NÃÃÃOOO...JAMAIS FARIA ISSO. Iria parecer que eu estava infeliz e queria estragar a felicidade dos outros. De todo coração posso afirmar que faria o que estivesse ao meu alcance para que você nunca viesse a saber dessa história porque a conheço e sei o quanto sua cabeça está num redemoinho e o quanto está magoada.
– Gi! Todos esses anos...maldição!...Como ela pôde! Giselle...Giovanna era irmã dela! Caramba...irmã!...Supõe-se que essas coisas não aconteçam entre irmãs. Você consegue entender isso porque sinceramente não consigo!...Marina está quase no desespero. Durante uns segundos as duas ficam encarando-se...
– Você tem razão, mas infelizmente esses são os fatos...sua cunhada se apaixonou por você.
– Então foi por minha causa que vocês romperam? Eu fui a responsável pela relação de vocês ter acabado?...Marina está muito triste e esse sentimento reflete-se em seu tom de voz.
– Não!... Claro que não!...Giselle apressa-se em tirar aquela ideia da cabeça de sua melhor amiga...ELA NÃO FEZ NADA PARA EVITAR AQUELE SENTIMENTO! VOCÊ NÃO TEM CULPA DE ABSOLUTAMENTE NADA! ELA QUIS ASSIM!
– Gi...em nenhum momento eu fiz qualquer coisa para despertar esse sentimento!
– Eu sei amiga... imagina!...Você e a Gio estavam naquela bolha de amor que vocês criaram, eu fui testemunha...caramba amiga somos como irmãs, conheço você mais que a mim mesma!...Giselle dá de ombros...são coisas que acontecem, ela não soube controlar...e afinal quem controla sentimentos...diz num tom resignado. Faz muito tempo que esse assunto deixou de incomodá-la, realmente o que ainda a chateava era a forma como ela jogou com seus sentimentos, como Vanessa a usou para estar perto de Marina e Giovanna. Gi suspira e sente doer seu coração, por causa dela magoou profundamente uma pessoa maravilhosa e querida. Aquele arrependimento a acompanharia pelo o resto da vida, isso ainda a machuca muito. Deixando esses pensamentos Giselle olha pra Marina e tenta tranquilizá-la pois se há algo que sabe é que a amiga se preocupa demais com os outros.
– Quando descobri a verdade...o porquê dela ter terminado comigo fiquei chocada e decidi que ela não valia a pena. Eu não iria perder minha amiga...minha irmã! Ela escolheu...(Giselle encolhe os ombros)...trocou uma relação plena por uma sombra, decidiu ver a felicidade de fora ao invés de viver a própria.
– Bem o que quero saber, o que realmente importa é como ficamos depois disso, espero que essa revelação não afete nossa amizade.
– Deus!...O que você acha... Marina sorri triste e fala depois de uns segundos que pareceram uma eternidade...aproximando-se de Giselle e abraçando-a...
– Claro que nada vai mudar entre nós sua tola!...Ainda somos amigas irmãs!...As duas mulheres sorriem e intensificam o abraço.
– Então está pronta pra umas cervejas? (Giselle)... Digo para renovar os laços de amizade e irmandade que nos unem!...Elas esboçam um sorriso embora ainda um pouco tristes.
– Só se for lá em casa!... Marina propõe enquanto olha o relógio e diz...já está na hora de ir buscar Diogo.
– Fechado!!!
As duas saem em direção à creche. Lá Marina conversa com Judith a jovem encarregada das crianças na idade de Diogo. Como sempre recebe de bom grado as notícias sobre as pequenas aventuras de seu filho, quase morre de vergonha quando Giselle seca a pobre criatura com um olhar matador, rezou aos deuses pra que lançassem um raio sobre ela quando ao despedir-se Giselle toca a bunda de Judith. Conversaram sobre isso logo que chegaram e banharam o pequeno Diogo que fazia festa encantado com a madrinha.
– Não acredito que você fez aquilo! Marina tenta fingir indignação com a sua amiga.
– Não sei do que você está falando...
– Não se faça!...Vi a pegada que você deu na bunda da Judith!...A pobre moça não teve nem tempo de dizer nada.
– Eu... Giselle se faz de desentendida...você acha que eu sou capaz disso!
– Giselle Vieira!...Não me venha com essa que a gente se conhece muito bem!...Quase que você desintegrava a criatura, um pouco mais e amanhã Diogo teria uma nova babysitter.
– Ahhh comadre...mas convenhamos que ela é bem interessante...as duas caem na gargalhada.
NA RESIDÊNCIA DE CLARA...
– Fernando isso é hora de você chegar?
– Desculpa amor!...É que tive uns contratempos no escritório e não pude sair antes.
– Minha madrinha já ligou várias vezes...você sabe que ela não gosta que nos atrasemos.
– Eu sei querida...mas não demorarei muito...eu juro!... Fernando corre ao banheiro enquanto Clara olha para o céu lastimando-se.
UMA HORA DEPOIS...
Tal e como Clara havia previsto o casal chegou atrasado ao encontro que sempre acontece na casa de seus padrinhos. Toda semana o Clã dos Mendonças se reúne para compartilhar o jantar em família, Sandra e Mário Mendonça são um casal conservador, casaram-se bem jovens e tiveram dois filhos, dois varões Mário e Roberto. Eles queriam uma grande prole mas por complicações que Sandra teve não pôde mais engravidar, logo sentiram-se muito felizes ao adotar Clara, embora não tenha sido nas melhores circunstâncias deram graças a deus por isso.
– Já era hora!...Diz Mário o patriarca ao receber Fernando e Clara.
– Mário...Sandra...o saúda com um aperto de mãos e um beijo na mulher, depois passa a cumprimentar os outros homens da família.
– Vamos jantar então!...Convida Mário...todos sentam-se à mesa e começam a conversar amenidades, estão felizes porque Roberto o mais jovem dos Mendonças dará um novo membro à família. A alegria toma conta de todos, a boa notícia os instiga a dirigirem as atenções para Clara e Fernando já que ainda não têm filhos depois de 10 anos de casados.
– E vocês quando vão nos surpreender?...Pergunta Sandra.
– Pois bem...Fernando e eu estamos providenciando.
– Mas isso já faz muito tempo...e nada de nada!...Diz Mário com a pouca sutileza que sempre o caracterizou, Fernando...filho se precisa de ajuda diga-me!...No meu tempo nós sabíamos como fazer o trabalho!...Clara sente vontade de desaparecer mas o que pode fazer, assim é seu padrinho...um homem demasiado direto e sincero no que fala.
NO DIA SEGUINTE...ESTÚDIOS VIEIRA...
– Não vai encontrá-la aqui...Vanessa vira-se ao escutar Giselle falar atrás dela.
– Que raios!...O que você ainda quer!... Vanessa diz agressiva.
– Quero saber como você está.
– O que importa isso agora!...Você pode se sentir feliz...por sua culpa Marina não quer nada comigo...Giselle sorri incrédula.
– A verdade é que você é uma desgraçada!...Agora a culpa é minha...não sou responsável pelos seus devaneios, da sua pouca lealdade a Gio, da sua falta de respeito, do seu teatrinho ter desmoronado!...Perdão querida...mas não tenho nenhuma responsabilidade nisso, assuma suas merdas!...Marina agora enxerga você como realmente é... uma víbora de primeira!...Vanessa sente sua raiva aumentando mais e mais escutando as palavras de Giselle e num impulso dirige-se a ela na intenção de golpeá-la, só que dessa vez Giselle está preparada e segura os punhos de Vanessa.
– Basta!...Deixa de ser infantil e enfrenta seus erros...agora aguenta! Giselle deixa uma Vanessa moralmente agredida mas resolvida a não permitir que aquele sentimento se interponha no caminho pra alcançar seu objetivo.
NO CENTRO DE ASSISTÊNCIA...
Clara está em companhia de Marina e sua equipe de trabalho.
– Bom...Clara aqui estamos conforme prometi.
– Sim pelo o que vejo você já está totalmente entregue a esse projeto. Só o fato de vocês estarem aqui já enche o Centro de euforia.
– Como havia falado esse documentário abrirá portas pra novos patrocinadores, consequentemente pra conseguirmos mais recursos...esse é o nosso objetivo. As duas mulheres estão alheias ao ar de cumplicidade que há entre elas, mas visível a todos ao redor, especialmente Karina que não vê com bons olhos essa aproximação.
– Clara... se me permite gostaria de dar uma volta pelo Centro, peço que nos autorize a conhecer as dependências e explique às crianças o que eu quero delas, se possível preciso que indique alguma assistente para que trabalhe conosco.
– Muito bem...que tal se enquanto encontro alguém para acompanhar sua equipe não tomamos um café e conversamos sobre tudo o que será necessário, logística, espaços, enfim...
– Me parece perfeito!...As duas sorriem e olham-se cúmplices...o que é percebido por alguém que já sente-se incomodada!...
– Não estou gostando nada disso...diz Karina. Os rapazes trocam olhares e pensam o mesmo...A CHEFE TEM PEGADA!!!
– Espera então!...Clara pega o telefone rapidamente e disca um número...
– Kika... por favor poderia vir aqui na minha sala?...Obrigada...(desliga)...não demora muito até que uma bonita morena de baixa estatura entre.
– Essa é Kika...trabalha diretamente com as pessoas assistidas aqui, por isso ninguém melhor do que ela pra dar todo o suporte necessário.
– Olá!...Saúda a recém-chegada.
– Muito bem!...Aqui estão os rapazes...diz Marina.
– Me acompanhem!...Kika abre a porta permitindo que a equipe de Marina saia e Karina propositalmente fica por último.
– Têm certeza que não vão precisar de mim aqui?...Tanto Clara quanto Marina ficam olhando sem entender muito bem aquelas estranhas palavras. Clara então observa com mais detalhe a linguagem corporal daquela atraente mulher e um sorriso meio irônico aparece em seus lábios...ela está interessada em Marina e minha inocente amiga ainda não se deu conta disso ou finge não saber.
– Não...fica tranquila...estou certa que não, mas qualquer coisa chamo você...diz Marina dando ênfase nas palavras. O que se percebe é que ela está completamente alheia ao que para os outros é tão óbvio, parece envolta num véu de inocência.
ESTÚDIOS VIEIRA...
Giselle entra na sala de Vanessa.
– Demônios!...Você tirou o dia de hoje pra infernizar a minha vida com sua presença!
– Não querida...não sei se percebeu mas eu sou a chefe aqui (sinaliza com o dedo indicador). Eu não contratei você pra ficar correndo atrás da Marina, mas porque quero que organize uma coletiva de imprensa e que seja um evento pra relançar os Estúdios...então mexa esse seu traseiro horrível e vá trabalhar!...E se não estiver gostando diga-me porque lá fora têm muitos que querem esse seu lugar. Sem esperar resposta sai da sala deixando uma Vanessa boquiabierta pelos insultos que recebeu enquanto disfarçadamente olha para o seu traseiro.
CENTRO DE ASSISTÊNCIA...
Clara está mostrando a Marina um espaço que bem pode servir pra ela e sua equipe transformarem em seu centro de operações.
– Desculpa não é muito grande...
– Fica tranquila estaremos apertados mas é melhor que nada.
– Ok... Marina você acha que nós conseguiremos?...A incerteza e o medo estão refletidos no rosto de Clara e Marina ao percebê-los sorri aproximando-se dela, tomando-lhe as mãos...
– Juro pra você que tudo dará certo, se tem uma coisa em que sou muito boa é no que faço e não estou me vangloriando. Outra coisa...essa sua louca amiga aqui quando faz algo o faz em grande estilo, assim essa festa de relançamento dos Estúdios Vieira vai reunir a nata da sociedade do Rio de Janeiro, não acredito que nesse evento não se consiga sequer um patrocinador. Clara fica eufórica e antes de dar-se conta joga-se nos braços de Marina abraçando-a emocionada. Ao perceber o corpo de Clara tão junto ao seu é tomada por uma estranha sensação de bem estar...agradável que a deixa surpresa pois somente Gio a fazia sentir-se assim, isso a tira momentaneamente da sua zona de conforto. Com Clara também não é diferente... é como se estivesse em casa, aconchegada, não sabe definir muito bem o que se passa com ela, por incrível que pareça nem sequer com Fernando chegou àquele nível de paz, não queria sair nunca daquele abraço. O clima é quebrado quando são obrigadas a separarem-se por Helena que entra na sala sem bater e fica surpresa ao encontrá-las ali.
– Ahh Clara!...Aqui está...se interrompe ao ver as duas mulheres abraçadas.
– Sim Helena...diz Clara um pouco perturbada, não quer analisar o efeito que aquelas sensações produziram não só em seu corpo mas também em sua mente.
– É...é que tenho uns documentos que precisam da sua assinatura...Helena está um pouco sem jeito...o que está acontecendo afinal? (ela pensa)...Uma coisa é certa Giselle é gay... essa amiga dela deve ser também...desde que ela viu Clara e Marina juntas no outro dia Helena percebeu aqueles olhares, sorrisos...será...que?...Fica conjecturando e ela mesma recrimina-se mentalmente...deixa de pensar besteiras!
– Vamos!...diz Clara apressada pra sair dali, não sabe a razão mas não se sente à vontade com o que Helena viu, ela e Marina sozinhas e abraçadas, conhecendo bem sua amiga imagina o que não deve estar passando naquela cabecinha fértil.
– Vamos!...concorda Helena, as duas saem deixando uma Marina perplexa e talvez ainda mais confusa que Clara.
NA CRECHE...
Judith está com as crianças vigando-as e sorrindo com as coisas que aquelas pequenas criaturas são capazes de aprontar, é tirada de seus pensamentos por uma voz grosseira e pesada...
– Desculpa!...
– Sim diga!...Judith fala pra senhora de aparência dura e abusada.
– Vim pegar meu neto.
– Seu neto?
– Sim...Diogo Marinelli.
– Ahh...a senhora quer dizer Digo Meirelles...Joane não responde somente morde os lábios.
– Quero ver Diogo!
– Sinto muito... mas não estamos autorizados pela mãe da criança a que ele receba visitas.
– Como se atreve!...Quem você pensa que é?...Por acaso sabe com quem está falando?
– Não senhora...responde Judith pacientemente mas usando um tom depreciativo que deixa a mulher mais tomada de raiva.
– Eu só estou aqui para cumprir ordens e a mãe do Diogo nunca mencionou a sua existência. Essas palavras foram suficientes para que Joane armasse um escândalo, fazendo com que os seguranças gentilmente a obrigassem a sair do local.
No Centro de Assistência Marina continua sozinha desde que Clara e Helena a deixaram, subitamente é tirada de seu transe quando o telefone começa a tocar, por segundos fica tentada a não atender, mas ao ver o número responde rapidamente, seu coração dispara, a ligação é da creche...
– Alô... sim...é...ela...quem fala?...Sim posso ir até ai agora, mas antes me diga uma coisa...meu filho está bem?
Uns 50 minutos depois Marina Meirelles está frente a frente com a Diretora da Creche suspirando e escutando pacientemente o sermão que a mulher está lhe dando...tudo por causa de Joane, pelo escândalo que armou mais cedo. Depois de pedir desculpas e jurar que aquilo não se repetirá, também de autorizar que a avó visite Diogo termina por levar o filho pra casa.
Mais tarde já em casa e após colocar o pequeno no berço, Marina senta-se em uma das cadeiras na área da piscina, as lembranças daquele dia chegam com intensidade...aquele abraço perturbador que causou-lhe tantas emoções diferentes...fecha os olhos e como num passe de mágica é transportada novamente pra aquele momento e é como se estivesse outra vez sentindo o corpo de Clara. É tão palpável que seu coração agita-se dentro do peito. O som da campainha a tira dos seus doces pensamentos e com um suspiro caminha a passos lentos pra ver quem está a essas horas interrompendo seu momento de paz.
Enquanto Clara está em sua casa pronta pra dormir, Fernando liga para avisar que chegará mais tarde. Fica folheando uma revista e de repente vem à sua mente a lembrança daquele abraço, sorri sem dar-se conta e apesar de ainda não saber o porquê, sente-se muito bem...uma coisa é certa...estar nos braços de Marina definitivamente fez maravilhas em seu corpo e sua mente, embora o efeito seja ainda um mistério até pra ela mesma.
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