Notas iniciais
Amores o próximo capítulo eo Finale!!! Bjs

CAP 34

SANTA TERESA...

— Marina tenha calma...amor...Clara implora.

— Calma nada! Amor não me peça pra ter calma! Está vendo isso? A Joanne é muito rasteira ela está querendo tirar o Diogo de mim.

— QUE!!!...dizem surpresas tanto Helena quanto Clara.

— Eu mato aquela mulher antes que tente fazer isso...a produtora pega as chaves do carro e sai em disparada ao mesmo tempo que Clara grita por ela.

— MARINA!!! MARINA!!!!...desesperada tenta alcançá-la mas todo seu esforço é em vão a branquinha está cega de raiva.

— Clara cuidado com a bebê!...Helena intervém pois a morena com toda dificuldade só consegue chegar até o umbral da porta onde se apoia e chora copiosamente.

Meia hora depois...

Marina chega ao edifício onde Joanne reside, o lobby está completamente vazio e não há ninguém pra impedir sua entrada, vai direto ao elevador e pressiona o número 6, impaciente espera que o mesmo termine seu trajeto e quando as portas se abrem ela se dirige imediatamente ao apartamento da mulher, começa a tocar de forma insistente a campainha e depois a golpear a porta até cansar, anda de um lado para o outro como se fosse uma fera enjaulada.

EMPRESAS MENDONÇA...

Fernando está perdido em seus pensamentos quando a porta da sala se abre dando passagem a uma imponente Sandra e chamando sua atenção, não pode deixar de reconhecer, a matriarca depois que assumiu o controle do Grupo Empresarial Mendonça conserva um ar de poder que definitivamente salta aos olhos, é inevitável perceber que esta nova mulher é simplesmente imperiosa, altiva.

— A senhora por aqui, em que posso ajudar?

— Precisamos conversar...responde com uma expressão austera.

— Pois diga estou à sua inteira disposição.

— Não é nada relacionado a trabalho...aquelas palavras fazem Fernando se recostar na cadeira franzindo o cenho surpreso e preocupado, desde que Sandra tornou-se presidente do consórcio tem sabido separar o lado pessoal do profissional, jamais sentiu no ambiente as diferenças existentes entre eles, embora não seja convidado a participar das reuniões com os executivos e até certo ponto ela e os filhos o mantiveram isolado dentro da empresa.

— Sou todo ouvidos...fala em tom cauteloso.

— Sabe muito bem que não me sinto cômoda com sua presença aqui, que nada me impede de prescindir dos seus serviços assim que desejar.

— Sim tenho consciência disso, se não fosse pelo controle que tenho sobre a gerência e porque ainda posso causar muitos estragos com os acionistas e negociações, imagine se de repente todos os sistemas de segurança que temos projetados entrassem em colapso...Fernando insinua algo fazendo Sandra respirar fundo tentando se controlar diante daquela ameaça velada, a matriarca embora saiba que aquele canalha tem uma certa cota de poder não quer demonstrar fragilidade, sendo assim fecha o semblante e lhe diz com toda a calma possível.

— Você está muito enganado, se até agora ainda não o demiti não foi por medo das consequências, sei que precisaríamos fazer ajustes, estou consciente de que seria difícil mas não impossível substitui-lo, ainda ocupa essa cadeira porque quis mantê-lo aqui com um propósito.

— E qual seria?...pergunta intrigado.

— Quero que desista do processo de divórcio litigioso...diz categórica.

— O que?

— O que você ouviu, fale com seus advogados e diga que está disposto a fazer um acordo digamos amigável com Clara e terminarmos logo com essa palhaçada.

— E eu concordaria com isso por quê?

— Porque se quiser manter seu emprego vai ter que aceitar minha proposta, estou disposta a chegar às últimas consequências pra bani-lo definitivamente da vida da minha filha, nem que pra isso tenha que barganhar com alguém inescrupuloso como você e permitir sua permanência nos quadros da empresa.

— Por essa eu não esperava.

— Fernando ninguém é insubstituível, sei do seu valor aqui no grupo e por isso ainda tem essa vantagem de negociação mas não cante vitória antes do tempo, não seria difícil tirá-lo do cargo o que pra sua imagem como executivo comprometeria bastante, asseguro a você que estou determinada a investir todos os esforços pra destruí-lo...Fernando ao ouvir aquela ameaça trava os dentes tentando acalmar-se, sem sombra de dúvidas aquela velha transformou-se numa rival à altura, embora aquilo o tenha atingido ele não pretende demonstrar fraqueza e nem dar o braço a torcer tão facilmente.

— Vou pensar na sua proposta...fala displicente.

— Só um conselho, se eu fosse você não demoraria tanto porque minha oferta tem prazo de validade...Sandra se retira deixando Fernando pensativo sobre aquela nova situação.

Depois de sair a matriarca retorna à sua sala onde se encontra com os filhos.

— Como foi a conversa com aquele crápula?...Roberto pergunta ansioso.

— O desgraçado sabe como jogar e fingir que nada está acontecendo, mas acredito que tenha entendido minha mensagem, deixei tudo muito claro.

— Ainda acho esse plano bastante arriscado, mamãe está disposta a continuar mantendo essa maçã podre entre nós? (Mário)

— No momento vamos ter que suportá-lo, tampouco estou feliz com isso mas até conseguirmos reunir elementos suficientes pra expulsá-lo é o que nos resta fazer.

— Da minha parte continuo nas minhas investigações, muito em breve compartilharei os detalhes , asseguro a vocês que estou no caminho certo...antes que a conversa continue o celular de Sandra começa a tocar.

— Alô!

— Sandra ainda bem que atendeu.

— Helena o que aconteceu? Por que está com essa voz nervosa?

— Você pode vir aqui na casa da Marina, ocorreu uma desgraça!

— Que...que foi, algum problema com a Clara?

— Não...mas precisamos de você, venha por favor.

— Está certo...fique calma já estou saindo...encerram a chamada.

— O que houve?...perguntam ao mesmo tempo Roberto e Mário.

— Não sei direito era Helena pedindo pra que eu fosse à residência das meninas, mas não disse do que se tratava, tenho que ir.

— Claro mãe vá lá, nos encarregamos de tudo por aqui. (Mário)

— Qualquer coisa nos avise...grita Roberto.

— Está bem dou notícias...Sandra diz já partindo.

SANTA TERESA...

Clara permanece aflita e Helena tentando acalmá-la, logo após receber a notificação Marina saiu de casa desnorteada sem dizer nada, todas temem que ela possa cometer algum desatino, a campainha toca e Helena apressa-se em atender, é Sandra que chega.

— O que aconteceu?...a mulher angustia-se quando vê Clara sentada e o rosto banhado em lágrimas...- Minha filha!...a matriarca sente o coração apertar ao ver o estado da morena.

— Marina recebeu essa intimação...Clara entrega o documento a sua mãe.

— Oh meu deus! E Joanne pode fazer isso?

— Ao que parece sim...Helena responde.

— E como Marina está?...Sandra mostra-se preocupada.

— Não temos como saber...ela...(Clara chorosa)...ela saiu sem dizer pra onde ia, ai ai madrinha tenho medo que faça alguma loucura.

— Vocês falaram com a Giselle pra ver se Marina apareceu por lá?

— Sim já fizemos isso mas ela também não sabe de nada, Flávia está vindo pra cá...neste mesmo instante a campainha soa novamente e mais uma vez Helena corre pra atender à porta na esperança de que seja a empresária trazendo a amiga, entretanto ficam desoladas ao ver Flávia que a exemplo delas está angustiada com o ocorrido.

— Clara! Conseguiram alguma notícia da Marina?

— Não...estamos na mesma.

— Ai Clara conhecendo minha amiga como conheço acho que ela foi falar com Joanne.

— O que? Oh meu deus isso não pode estar acontecendo, ela está fora de si e eu temo pelo pior... pra Clara aquela informação é devastadora e fica ainda mais desesperada imaginando que sua branquinha possa fazer algo que venha a se arrepender depois.

— Tente se acalmar...Flávia rapidamente liga pra Giselle.

— Amor!...(escuta) sim...(escuta)...está bem...(escuta) ok tchau! bjo.

— E aí? ...todas perguntam curiosas.

— Giselle teve o mesmo pressentimento e já está indo ao apartamento da Joanne.

— Oh deus não permita que aconteça uma desgraça...a morena começa a rezar.

— Clara precisa ter calma, pense na sua bebê...adverte Helena.

— Como? Não consigo...Clara cobre o rosto com as mãos enquanto as mulheres trocam olhares de pesar com mais essa bomba, se já não bastasse o redemoinho em que a vida daquelas pessoas esteve nos últimos meses.

Giselle para seu carro de forma estrepitosa em frente ao prédio onde Joanne mora, mentalmente vai fazendo sua oração pois sabe que sua amiga irmã está no limite da paciência e não é pra menos, se a megera cometeu a estupidez de tentar fazer Marina perder a custódia de Diogo então mexeu na onça com vara curta porque ela jamais permitirá que lhe arrebatem o filho, isso é inconcebível, mesmo que o garoto não tenha uma gota do seu sangue ele é a representação viva do amor, ela e Giovanna lutaram muito pra que aquele menino viesse ao mundo, Diogo é uma parte da sua amada esposa que Marina conserva, de forma alguma vai deixar que lhe tirem uma das suas maiores preciosidades na vida sem lutar. Giselle sai do carro e já entra correndo pelo lobby do edifício, o porteiro tenta impedi-la sem sucesso.

— Hei espere onde pensa que vai?

— Vim entregar uma encomenda pra senhora do 6° andar, dona Joanne e ela tem pressa...Giselle grita enquanto aguarda o elevador, o homem não contesta, ela pressiona o número do piso que deseja e pragueja porque aquele traste de caixa metálica está demorando.

APARTAMENTO DE JOANNE MINUTOS ANTES...

Logo após o encontro com Jonas Mendes e satisfeita com os ótimos resultados obtidos Joanne vai direto pra casa, precisa descansar afinal todo o esforço de meses rendeu os frutos desejados. Do estacionamento dirige-se ao elevador, impaciente enquanto aguarda cruza os braços e com a mão direita começa a tamborilar no braço esquerdo, suspira aliviada quando o mesmo chega e ela pode finalmente subir até seu andar, ao sair procura distraidamente suas chaves na bolsa sem perceber que não está sozinha, então escuta a voz cáustica de Marina e o coração acelera, os pelos da nuca se eriçam, se enche de temor, nunca viu a produtora daquele jeito.

— Quer dizer que você pretende tirar meu filho de mim?

— Diogo não é seu filho, não há razão pra ter a guarda dele.

— Como se atreve a dizer tamanho absurdo?...Marina sente aumentar a ira dentro de si com aquelas palavras que embargam sua voz.

— Claro que não é, ele não tem uma gota sequer do seu sangue, Diogo é um Marinelli e não um Meirelles e vai morar comigo como sempre deveria ter sido, não sei o que passou pela cabeça da minha filha quando deixou o meu neto com você.

— Que audácia a sua falar assim sua víbora! Giovanna era minha esposa, Diogo é nosso filho eu o carreguei no meu ventre por 9 meses.

— Mas geneticamente não é nada seu por isso vou trazê-lo de volta ao lugar a que pertence e ainda me assegurar de que jamais tenha contato com ele...Joanne grita sem medir as consequências das suas ameaças.

— MALDITA!!! MALDITA!!! Diogo é meu filho tanto quanto da Gio! Ele pode não ter meu sangue mas isso é um detalhe irrelevante, eu o criei com todo o amor de mãe e nunca ouse dizer o contrário...sem pensar se lança contra a mulher e a segura violentamente pelo pescoço, de repente a porta do elevador se abre dando passagem a uma assustada Giselle que ao ver aquela cena corre na direção das duas e as separa.

— Marina! Caralho Marina! Solta ela...solta!

— Me deixa Gi, me deixa acabar com essa cobra, vou matá-la é o mínimo que ela merece.

— Você está louca? Marina se fizer isso aí sim perderá Diogo, quer ir pra cadeia? Solta ela agora!...aquelas palavras são suficientes pra fazer a produtora recobrar o juízo, a fleuma que sempre a caracterizou, enquanto Joanne tosse e respira de forma rápida tentando recuperar o ar perdido.

— Amiga vamos sair daqui, ela não vale a pena.

— Essa agressão não vai ficar barata, vou denunciá-la Marina...Joanne consegue falar a duras penas.

— Você não fará nada...ameaça Giselle aproximando-se da senhora Marinelli que intimidada retrocede percebendo que está indefesa enfrentando duas mulheres enfurecidas e não tem a quem recorrer pois o edifício se divide em um apartamento por andar o que a deixa encurralada...- Dê graças a deus que eu não a mato com minhas próprias mãos.

— Vocês duas vão me pagar caro, irão parar atrás das grades por tentativa de assassinato.

— E conta com que testemunhas pra nos denunciar? Não há câmeras aqui, não pode provar nada, será sua palavra contra a nossa, só um conselho...não se meta com os Vieira nem com os Meirelles, não insista em nos atingir ou se arrependerá amargamente, vamos Marina!...Giselle adverte enquanto puxa a produtora deixando Joanne fora do seu alcance, logo depois de conseguir tirar Marina de lá a coloca no elevador e finalmente respira aliviada por ter evitado uma desgraça.

SANTA TERESA DUAS HORAS DEPOIS...

Clara ao ver a porta principal se abrir e sua adorada mulher entrar em companhia da amiga sente o coração bater mais tranquilo, não sabe como conseguiu agilidade pra mover-se tão rápido com aquela barriga e em segundos alcançar Marina lançando-se em seus braços.

— Amor!...Clara agarra-se ao pescoço da branquinha que de forma automática a segura pela cintura.

— Ela não vai tirar meu filho...Marina sussurra...- Ela não tem o direito de me separar dele...como se sentisse a angústia da mãe o pequeno que desde o começo daquele pesadelo tinha permanecido em seu quarto aparece e timidamente chama pela produtora.

— Mamãe...Marina sai do abraço protetor de Clara e encara o garoto transmitindo aquele amor incondicional e com o mais terno sorriso desenhado nos lábios causando comoção nas mulheres presentes na sala.

— Vem aqui campeão...a branquinha abre os braços pra receber o pequeno furacão que não precisa de mais incentivo e corre na direção deles...- Amo você filho...diz com o menino no colo e olhando fixamente pra ele que acaricia seu rosto.

— Diogo ama mamãe...fala simplesmente arrancando lágrimas da produtora que o aperta tão forte quase o sufocando...- Aiiii mãezinha...o pirralho se queixa provocando sorrisos em todas.

— Vem...me dá meu afilhado antes que você esmague ele...Giselle estende os braços e o garoto prontamente aceita...- Marina acho que agora é melhor descansar, amanhã venho acompanhada da minha assessora jurídica, tente se acalmar não permitiremos que aquela megera consiga tirar nosso príncipe.

— Pincipe Diogo é tia Gi?

— É sim meu amor, ninguém vai levar você daqui...a empresária diz convicta, depois de um tempo Flávia, Giselle e Helena resolvem ir embora.

EMPRESAS MENDONÇA...

Fernando permanece em sua sala reflexivo, desde que Sandra lançou aquela proposta não consegue pensar em outra coisa, anda de um lado pra outro, leva as mãos a cabeça realmente está ponderando, agora que o velho morreu o plano original tornou-se inviável e pra completar Marina ainda resolveu processar a revista, um jogador tem que ser estratégico e saber avaliar cada jogada, retirar-se quando necessário, analisando os prós e contras sua situação é bastante complicada, acrescente-se a tudo isso a maldita Camila que decidiu sair do submundo pra chantageá-lo, o melhor a fazer é abandonar o barco antes que afunde, decide então aceitar a oferta de Sandra e conservar seu cargo na empresa, na sequência se encarregará da ex-amante. Fernando suspira, precisa riscar Camila do mapa antes que cause sua destruição, incrível como as coisas chegaram àquele ponto, observa ao redor e pensa...uma vez perdeu tudo aquilo não vai permitir que isso aconteça novamente, se Sandra quer a liberdade de Clara em troca de manter sua posição no grupo pois que seja, que se foda Clara, que se fodam todos, agora o objetivo é tão somente salvar sua pele.

SANTA TERESA...

O dia chega ao final na casa dos Meirelles ainda paira um clima de tristeza, Marina está deitada na cama de Diogo, logo que todas partiram ela foi brincar com o filho até que ele adormecesse vencido pelo sono. Clara sente-se impotente vendo sua companheira sofrendo isso a deixa devastada, tentou fazê-la comer alguma coisa mas simplesmente não conseguiu, dá graças a deus que Sandra esteja com elas, a matriarca prometeu que assim como Giselle não mediria esforços pra impedir que Diogo seja afastado delas. No quarto Marina apenas observa o menino dormir, com o dedo delineia seu rosto, não pode conter as lágrimas que caem, a angústia de que Joanne cumpra a ameaça de arrebatar-lhe o pequeno furacão a sufoca, encontra-se tão ensimesmada em seus pensamentos que não percebe a presença de Clara.

— Parece um anjinho...a morena aproxima-se e com a mão seca a face da amada.

— Sim...nosso garoto é verdadeiramente adorável...fala com pesar.

— Amor não fique assim, nós vamos conseguir vencer mais essa batalha.

— É o que realmente espero...Marina senta-se na cama e continua...- Mas sinto um medo terrível aqui dentro...a branca segura a mão de Clara e leva à altura do peito...- Me desespero só em imaginar que ela possa nos tirar Diogo...a morena junta seus corpos quase os fundindo, daria sua vida pra acabar com aquela dor que dilacera o coração da companheira.

— Nem pense nisso, Joanne não nos afastará do nosso pequeno, vem vamos dormir você está muito cansada, amanhã será um outro dia e precisamos estar alertas e com nossas esperanças renovadas.

— Vamos...Marina concorda e acompanhada da morena sai do quarto, não sem antes dar uma olhada no seu bebê.

Após uma noite de aflição as horas avançam dando origem a um novo amanhecer, a branca praticamente não dormiu movendo-se na cama apreensiva, levanta-se antes de todos e com muito cuidado vai ao banheiro fazer sua higiene matinal, depois retorna ao quarto do filho e fica observando o pequeno dormir tranquilo alheio a toda aquela agitação, com um suspiro pesado encaminha-se à cozinha pra preparar o café da manhã, definitivamente precisa se alimentar e ganhar forças, senta-se enquanto sua mente vai processando os últimos acontecimentos, tudo o que tem vivido durante aqueles meses.

— Bom dia!...os pensamentos de Marina são interrompidos por Sandra que ao perceber os movimentos na casa também decide levantar-se.

— Bom dia!

— O que faz acordada tão cedo?

— Ahhh Sandra...não consegui pregar o olho à noite toda.

— Imagino.

— Estou realmente arrasada, meu deus como aquela mulher consegue ser tão má!...desabafa enquanto leva as mãos aos olhos cansados e vermelhos por conta da insônia...- Ontem quase cometo uma loucura.

— Como assim?

— Eu estive muito perto de estrangular Joanne com minhas próprias mãos, se não fosse Giselle pra me impedir certamente teria acabado com a vida daquela bruxa.

— Santo deus! Marina você não é assim.

— Nem eu mesma me reconheci, estava completamente descontrolada, era uma fúria tão grande dentro de mim que perdi a noção do perigo.

— Sim eu entendo mas isso não pode voltar a acontecer.

— Eu sei...a produtora diz abatida, mas é que...pensando bem, Sandra agora as coisas estão fazendo sentido.

— Que coisas amor?...Clara pergunta unindo-se as duas e entrando na conversa...Marina está a ponto de responder quando tocam a campainha.

— Quem será a essa hora?...Sandra surpreende-se pois é incomum receberem visitas tão cedo.

— Vou ver...Marina abre a porta ao visualizar Giselle pelo olho mágico, a empresária entra acompanhada de uma bonita morena de cabelos encaracolados e mechados que lhe dão uma aparência deslumbrante, transborda elegância e altivez, trata-se de Verônica Ramos sua conselheira legal e diretora da Assessoria Jurídica das Empresas Vieira do Brasil.

— Bom dia!...a advogada saúda a todas.

— Desculpa vir tão cedo mas não pude esperar mais, trouxe a Vero comigo pra resolvermos logo esse caso...Giselle se justifica.

— Obrigada Verônica por sua presença...a produtora fala um pouco mais animada.

— Vero por favor agora nos oriente...Marina onde está a intimação que recebeu ontem?...rapidamente a branca sai pra pegá-la...- Bem então vamos as apresentações essa é a Clara companheira de Marina e Sandra a mãe da Clara.

— Olá!...as duas respondem.

— Muito prazer...diz Verônica depois de cumprimentar as mulheres.

— Aceita um café?

— Sim obrigada...todas sentam-se à mesa enquanto Sandra termina de preparar o café da manhã, de pronto o espaço é tomado por um delicioso cheiro de ovos mexidos com bacon acompanhados de torradas e um gostoso café...a produtora se junta ao grupo e entrega o documento à advogada que no mesmo instante começa a analisar o seu conteúdo.

— Bom...pelo que vejo aqui trata-se de uma notificação onde há interesse em retirar o “pátrio poder” ou simplesmente o poder familiar de Marina, com data fixada para a audiência preliminar quando os motivos serão expostos.

— Mas...mas isso é um absurdo, pra que um pai possa perder a guarda do filho ele tem que cometer faltas graves se não estou enganada...Giselle intervém.

— O que não é o caso pois Diogo é muito bem tratado e não lhe falta nada...Clara acrescenta.

— Eu diria que até exageram...Sandra também participa fazendo todas rirem.

— Vocês têm razão, vamos esclarecer alguns pontos para que possam entender o porquê desta demanda, antes de tudo quero que saibam que a pessoa por trás disso não começou agora esse processo, foi um trabalho minucioso e constante iniciado bem antes...Verônica olha para as mulheres atentas às explicações...- Primeiro vou relacionar as causas pelas quais um pai pode perder a custódia do filho, naturalmente quando atinge a maioridade e em razão de casos graves de violação dos direitos do ser humano como por exemplo; castigos imoderados, situação de abandono e prática de atos contrários à moral e aos bons costumes.

— Continuo sem entender, não vejo em qual ou quais desses itens Marina se encaixe...a morena diz intrigada.

— Analisando por essa perspectiva Clara está certa, mas há um aspecto que nossos adversários souberam explorar muito bem...agora Verônica olha diretamente pra Marina...- Durante os últimos meses você esteve em evidência e sua imagem foi muito explorada negativamente na imprensa, verdade?

— Isso mesmo...responde a branquinha.

— Então, essa exposição se aplica a uma das causas consideradas condutas imorais e/ou exemplos perniciosos, referem-se a ações depravadas que contaminam a formação moral dos filhos, salientando que não é preciso que eles sejam diretamente atingidos com o proceder dos pais para a decretação de perda do poder familiar, basta a potencialidade do perigo.

— Mas Marina não cometeu nenhum erro, sempre foi muito correta, íntegra...agora é Giselle quem interfere.

— Uma vez mais estão certas, ocorre que dentro deste grupo de motivos há uns bem específicos que se denominam delitos civis, como o fato de Marina manter um relacionamento amoroso com uma mulher casada, é neste fato em especial que a solicitante está baseando sua demanda.

— O casamento da Clara já estava acabado e não foi por minha causa...a branquinha se defende.

— Sabemos disso, entretanto um juiz analisando os fatos friamente não verá a situação dessa forma mesmo você fazendo o correto do ponto de vista legal para cuidar de Diogo, o problema é que essa revista sensacionalista concentrou todos os esforços no sentido de prejudicá-la e realmente tornou tudo mais difícil.

— Maldição! Então foi por isso que estavam tão determinados a perseguir a Marina...Giselle comenta.

— Deveria ter imaginado que essa campanha difamatória tinha uma razão de ser...a produtora fica indignada.

— No momento o foco será o processo contra a revista, agora temos um ponto de convergência, estamos cônscios de que foi um plano engendrado com o objetivo de provocar danos a sua imagem então vamos contra-atacar, Marina não se preocupe minha equipe de advogados estará toda empenhada em ambas as causas.

— Santo deus!...lastima-se enquanto esconde o rosto entre as mãos.

— Desculpa amor...Clara diz chorosa.

— O que foi? Por que está se desculpando minha linda?

— Por minha culpa está metida nesta situação, só trouxe problemas pra você...sem pensar e tão rápido quanto sua barriga permite tenta sair da cozinha mas a produtora é mais ágil e se interpõe em seu caminho.

— Hei! Hei!...calma aonde você vai?...Marina segura o rosto da morena úmido pelas lágrimas, ambas respiram agitadamente uma desesperada desejando desaparecer da face da terra se for preciso a outra tentando dissuadi-la...- Você não é responsável por nada disso amor, está claro?...Joanne levou muito tempo na surdina articulando tudo e ainda contou com a ajuda extra de Fernando...- Você e Diogo representam o que de mais belo a vida me deu, não posso permitir que se sinta assim entende?

— Mas não vê que se não fosse por minha causa essa onda de perseguição não estaria acontecendo.

— Não! Não vou admitir que fale assim, Clara precisa ficar calma, por mim, por nossa pequena que está a caminho, amor se você me deixasse agora...eu...eu morreria...Marina fala desesperada enquanto beija sua morena...aquela visão realmente comove às demais mulheres.

— A única culpada aqui é Joanne, aquela criatura nefasta procurou qualquer pretexto pra me atingir... Marina pressiona a mulher contra seu corpo esperando assim acalmá-la.

— Vero então qual é o próximo passo?...Giselle pergunta à advogada.

— Temos que agilizar os trâmites do divórcio da Clara, já me comuniquei com o pessoal da Assessoria Jurídica encarregado do caso.

— Quanto a isso não se preocupe, aquele infeliz do meu genro solicitará a conversão de divórcio litigioso em consensual, vamos fazer um acordo eu garanto...Sandra afirma categórica provocando surpresa em todas.

— Como conseguiu esse feito madrinha?

— Também sei usar de determinados ardis, principalmente em se tratando de alguém sem caráter como Fernando.

— Muito bem um problema a menos, agora a demanda contra a revista toma outra conotação, será um processo por difamação, calúnia e perseguição, vamos contra-atacar e rápido, só dispomos de uma semana para ir resolvendo todos os detalhes e preparar a defesa do caso, senhoras há uma guerra difícil pela frente, como já lhes disse anteriormente estas pessoas sabem muito bem o que querem e focaram nisso, cuidaram dos pormenores, quem está representando a solicitante é um dos mais proeminentes advogados nessa área, Jonas Mendes é brilhante e não duvido que usará de todas as armas pra sair vitorioso, inclusive mover uns pauzinhos a seu favor...Verônica é interrompida pela voz de Diogo.

— Mamãe...o pequeno apareceu na cozinha e com a agitação ninguém deu-se conta da sua presença, o garoto está fofo em seu pijaminha de Thor ou como ele mesmo diria o Thol.

— Bom dia amor...Marina diz ao mesmo tempo que abre os braços e Diogo corre pra refugiar-se neles.

— Diiiia mamãe...responde beijando carinhosamente o rosto da branquinha e logo apoiando a cabeça em seu ombro.

— Ninguém vai me separar de você, isso eu prometo meu filho amado!...aquela declaração emociona a todas e as deixa com olhos marejados.

HORAS DEPOIS CONSÓRCIO MENDONÇA...

Sandra entra na sala de Fernando seguida de um advogado da empresa...- Então qual é a sua decisão?

— Está bem eu aceito o acordo...o homem responde com pesar pois sabe que está encurralado e não pode abusar da sorte, depois de tudo ainda saiu no lucro, sua vingança será consumada Joanne vai tirar o filho de Marina e isso culminará com a destruição do casal, o funcionário que acompanha Sandra ao ouvi-lo se pronunciar de imediato entrega os documentos.

— Assine aqui por favor.

— Pronto!...diz Fernando.

— Muito bem, já sabe aonde tem que levar esses papeis?

— Sim senhora...o advogado responde e sai deixando Sandra e Fernando a sós.

— Então continuarei no meu cargo?

— Esse foi o combinado...Sandra responde sucinta.

— Perfeito!...o homem fica aliviado, a matriarca não demora muito naquela sala, só o fato de ter que respirar o mesmo ar que ele já lhe embrulha o estômago, antes de sair Sandra para e dá um conselho ao seu desafeto.

— Fernando...somente mais uma coisa...o tom é de advertência.

— Diga!

— Para o seu próprio bem espero que esqueça minha filha, estamos entendidos?...Fernando nada diz apenas inclina a cabeça em sinal de aceitação.

SALA DA PRESIDÊNCIA/EMPRESAS MENDONÇA...

Sandra está reunida com seus filhos planejando os próximos passos para destituir Fernando do cargo.

— Como sabem sempre desconfiei de Fernando, nesse tempo realizamos exaustivas análises de todas as suas operações e as poucas evidências apontavam pra negociações ilícitas que nos prejudicaram. Infelizmente ele foi muito cuidadoso e não havia provas suficientes pra incriminá-lo, por fim resolvi contratar um detetive particular e ele conseguiu localizar Camila.

— Camila? Não estou entendendo...Sandra fica intrigada.

— Aquela secretária que trabalhou aqui e com quem Fernando teve um caso? (Roberto)

— Essa mesma, apesar dela ter sido só uma assistente na equipe do salafrário era em quem mais ele confiava, então fui procurá-la e conversamos bastante.

FLASHBACK...

DIAS ATRÁS EM UM QUITINETE DA CIDADE...

Camila toma uma cerveja enquanto analisa suas contas, solta um suspiro de frustração ao ver que elas não batem, leva as mãos aos olhos para impedir as lágrimas que de imediato aparecem, respira fundo para acalmar-se...- Como você chegou a esse ponto Camila...como?...pergunta a si mesma, neste exato momento a campainha toca e ela vai atender não sem antes secar rosto.

— Ora...ora...você é uma mulher muito difícil de encontrar Camila Drumond.

— Mário Mendonça Júnior o que faz aqui?...pergunta completamente surpresa.

— Posso entrar?

— Claro...por favor, mas como me achou?

— Foi difícil você sabe muito bem esconder suas pegadas...diz enquanto se acomoda no velho sofá.

— Aceita uma cerveja?

— Não obrigado.

— Tanto empenho em me procurar por quê?

— Vamos simplificar os fatos, desde que foi despedida do consórcio você perdeu tudo, um bom emprego, sua credibilidade como profissional e uma certa estabilidade financeira, enquanto Fernando depois de um breve exílio conseguiu retornar e seguir sendo o queridinho do meu pai, sempre tive minhas desconfianças em relação a ele e embora ainda não consiga provar sei que suas negociações são ilícitas, há muitos indícios mas nada material que possa comprometê-lo.

— Deixa ver se entendi, precisa de mim pra desmascarar o maldito que me deixou nessa situação?...aponta para o pequeno espaço.

— Exatamente...Mário responde convicto.

— Entendo sua frustração...Fernando é extremamente habilidoso e na verdade as evidências que procura não estão nas empresas, encontram-se muito bem guardadas no cofre de um banco da cidade.

— E como você sabe disso?

— Porque eu era encarregada de cuidar desses documentos, claro que ele jamais confiaria em mim por isso nunca me disse do que se tratava, sempre foi muito receoso, no início não dei muita atenção mas aquele zelo todo despertou minha curiosidade entende? Então comecei a investigar e descobri suas negociatas, resolvo copiar tudo.

— Você foi muito esperta organizando esse dossiê, tem uma arma poderosa nas mãos.

— Com certeza e pretendo usá-la.

— Como conseguiu se relacionar com um cafajeste daquele?

— Eu me apaixonei, o amor nos torna muito estúpidos e eu pensava que tinha tudo sob controle, tamanha foi minha surpresa quando precisei acordar do sonho e abraçar minha realidade, descobrir que no final das contas eu não significava nada, não passava de um objeto de desejo, pra ele era só sexo, quando não servi mais aos seus interesses me eliminou da sua equação, fiquei devastada.

— Mas com essas provas poderia ter procurado meu pai e pedido ajuda.

— Seu pai? Aquele velho depravado de duas caras? Ah Mário desculpa não deveria ter falado isso, pois bem achava que Fernando tentaria alguma coisa contra mim, não tinha garantias.

— E então o que acha de me ajudar e eu ajudo você.

— Negócio fechado! Estou farta dessa vida, de sentir medo, embora não quisesse admitir sempre esperei que ele viesse em meu socorro...diz enquanto as lágrimas descem pelo rosto, até aquele momento Camila não havia se dado conta que estava chorando.

— Bom...esta é sua chance, estamos do mesmo lado e se deseja vingança o momento é agora só depende de você, tenho uma proposta.

— Sou toda ouvidos...fala um pouco mais animada.

— Quero pegar Fernando e tirá-lo de circulação...Mário começa a explicar seu plano.

FIM DO FLASHBACK

— E como conseguiu convencê-la? (Roberto)

— Propus reintegrá-la à empresa, restituir seus privilégios e claro uma quantia satisfatória como indenização, em troca ela concordou em nos fornecer as provas necessárias pra nos livrarmos em definitivo daquele verme.

— E confia nela, afinal a mulher era amante dele e aceitou traí-lo assim facilmente? (Sandra)

— Sim, acredito que ela tenha todas as razões pra ficar do nosso lado, quer motivo mais forte do que vingança, orgulho ferido, perdeu tudo por causa do Fernando, vive num cubículo enquanto ele conseguiu se safar e ainda voltar pra empresa.

— Aquele desgraçado, precisamos chamar a polícia e denunciá-lo! (Roberto)

— Calma filho! Neste jogo temos que ser estratégicos.

— A senhora está certa, finalmente não teremos mais que suportar aquele sanguessuga usufruindo do nosso dinheiro...Roberto fala aliviado.

— Ah Mário que notícia maravilhosa, além de arrancar aquela erva daninha das nossas vidas a prisão de Fernando poderá beneficiar enormemente a causa da Marina...todos se abraçam comemorando antecipadamente o triunfo.

AEROPORTO DE BELO HORIZONTE...

— Judith querida! Que bom que está aqui...as duas mulheres se cumprimentam com um grande abraço, Hilda é uma velha amiga de Judith, se conheceram na faculdade, ela estudava hotelaria enquanto a mais jovem cursava letras, cultivaram uma sólida amizade apesar da distância, por isso quando a ex-professora pensou em mudar de ares lembrou logo dela e não teve dúvidas em ligar.

— Hilda que prazer em revê-la!

— A recíproca é verdadeira e aí como foi o voo?

— Tranquilo, por sorte sem turbulências.

— Maravilha e então pronta pra começar uma nova vida?

— Prontíssima...Judith sorri.

— Então vamos!...depois de aproximadamente meia hora finalmente chegam ao apartamento que será o lar provisório da jovem até que se estabeleça na cidade.

— Não imagina o quanto sou agradecida Hildinha...diz Judith enquanto desfaz as malas.

— Ah querida não se preocupe pra isso existem os amigos, só espero que consiga curar esse coração e encontre um novo amor.

— É o que mais desejo...Judith diz com tristeza, Hilda ao vê-la daquela forma decide mudar de assunto.

— E aí está disposta a ser a bartender do Hilda´s Bar?

— Claro que sim, tal e qual fazíamos nos velhos tempos...as duas sorriem lembrando da época na faculdade, como não tinham dinheiro pra custear os estudos trabalhavam em bares e restaurantes do Rio de Janeiro.

— O que acha de irmos logo conhecer o bar ou prefere descansar?

— Não é preciso vamos sim, deixa só eu terminar de organizar essas coisas e partimos, tudo bem?

— Por mim está excelente quer ajuda?

— Não obrigada, fique tranquila afinal não trouxe muita bagagem.

— Bom vou preparar uns sanduíches pra gente, depois direto para o seu novo local de trabalho ok!...e assim elas fazem.

EM OUTRO PONTO DE BELO HORIZONTE...

Karina comanda a subsidiária dos Estúdios Vieira na capital mineira onde se estabeleceu desde que foi gentilmente “desterrada” da sede do Rio de Janeiro. Em suas instalações funcionam projetos específicos como reportagens, apoio às emissoras locais no que se refere a efeitos especiais, locações, dentre outros. Além dessa Giselle mantém outra filial em São Paulo sendo que a primeira é de menor porte com ênfase em atividades que envolvam menos investimentos como documentários e curtas metragens. Karina se sente feliz com a mudança forçada em sua vida embora tenha que viajar frequentemente pra visitar os diferentes locais de filmagem e dar apoio à equipe de Marina, apesar de tudo esta pequena divisão conseguiu levar adiante vários trabalhos cinematográficos e que tiveram razoável sucesso. Ela está em seu escritório quando é interrompida pelo assistente Jaime.

— Está tarde já tem planos pra hoje?

— Ainda não e você algo em mente?

— A equipe decidiu dar uma volta e queremos a companhia da chefe.

— Jaime quantas vezes preciso dizer que não sou chefe.

— Sim...desculpa...o rapaz fala um pouco envergonhado...- Mas é que já nos acostumamos a chamá-la assim...Jaime tenta se justificar.

— Okkk! E pra onde querem ir?

— Resolvemos conhecer um barzinho que uns amigos descobriram e nos recomendaram, decidimos arriscar hoje, vem conosco?

— Sim vamos!...preciso mesmo relaxar!

Meia hora depois Karina e sua reduzida equipe de trabalho chegam ao Hilda´s Bar, de cara já se encantaram, as paredes decoradas com caricaturas de artistas famosos algumas delas até autografadas são um atrativo à parte, de um lado puderam notar o pequeno palco onde há apresentações de cantores locais e também daqueles que se aventuram no karaokê, todos observam o lugar com um olhar contemplativo, realmente o ambiente agradou muito, a iluminação é tênue mas suficiente pra ver tudo o que acontece ao redor além de propícia ao clima de intimidade que um casal deseja. De imediato juntam algumas mesas e fazem os pedidos, pouco a pouco o espaço começa a ficar mais animado, um ou outro cliente encoraja-se a cantar, a música ambiente é de ótima qualidade, vai de bossa nova a jazz, mpb, blues, black music e outros ritmos. Assim vai transcorrendo a noite, depois de vários goles e muitas conversas Karina se afasta do grupo atraída pela decoração, lentamente percorre o lugar observando minuciosamente os desenhos de intérpretes e compositores brasileiros como Antônio Carlos Jobim, Vinicius de Morais, Toquinho, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Gal Costa, Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Simone dentre outros. Na sua incursão chega ao bar e ali se depara com uma bela morena servindo todo tipo de bebida num malabarismo peculiar, inclusive coquetéis bem elaborados, os clientes parecem bastante empolgados com a performance dela, há algo de familiar na bartender, é como se já a conhecesse, naquele momento a jovem encara a loira e sorri, é o suficiente pra Karina se sentir atraída pelo magnetismo daquele olhar e decide que não abandonará o lugar sem antes falar com ela, por seu lado Judith não demonstra indiferença, algo naquela mulher além da beleza chama sua atenção, sente que a conhece, trocam sorrisos e olhares até que alguém faz um pedido e ela se vê forçada a romper o contato visual. A noite avança Karina e seus colaboradores divertem-se bastante, aos poucos eles vão se retirando do local e o fluxo de clientes diminuindo, ela então aproxima-se novamente do balcão.

— Olá!

— Olá!

Sem perceberem as duas estampam um sorriso bobo no rosto.

DIAS DEPOIS FÓRUM — VARA DE FAMÍLIA...

Logo que Fernando assinara o acordo com Sandra para reorientar o caso do divórcio e mudar a demanda do tipo litigioso pra amigável tudo aconteceu com celeridade, os advogados da equipe de Verônica sob sua competente supervisão agilizaram os trâmites de tal maneira que logo conseguiram a sentença a favor da morena, por fim chega o grande dia pra Clara e Marina, ambas entram no fórum aliviadas e felizes, uma das exigências do que foi firmado dizia respeito à assinatura dos papeis que seria feita em separado, sobretudo porque a futura mamãe está em vias de dar à luz, a qualquer momento pode acontecer a tão ansiada chegada da bebê. Para evitar o encontro entre Clara e Fernando, principalmente com Marina , os advogados se articularam para que cada uma das partes assinasse os documentos em momentos diferentes. Tudo corria dentro dos conformes até que Fernando deliberadamente atrasou sua chegada pra coincidir com a de Clara, no momento em que as duas mulheres adentraram o recinto o sorriso de ambas desapareceu instantaneamente e aquele dia maravilhoso tão aguardado perdeu um pouco do seu encanto.

— O que significa isso?...Marina pergunta de forma agressiva ao ver Fernando.

— Sentimos muito...lastima-se o advogado.

— Supus que não teríamos que encontrar este homem.

— Era pra ser...Marina já ia protestar novamente mas Clara a segura pelo braço, não quer enfrentamento com o ex-marido.

— Marina por favor.

— Clara!

— Terminemos isso de uma vez...o funcionário designado para a assinatura dos papeis nem tenta seguir o protocolo de uma última tentativa de conciliação, depois de toda a repercussão na mídia não há quem desconheça o conturbado caso do divórcio de Clara Fernandes e a polêmica relação dela com Marina Meirelles a famosa produtora de cinema...- Assinem aqui por favor onde tem seus nomes...entrega os documentos primeiro pra Clara e em seguida pra Fernando, uma vez concluídos os trâmites de assinatura o funcionário decreta...- Bem estão formalmente separados.

— Obrigada...a morena agradece aos advogados que se aproximam do homem pra agilizar a liberação dos papeis.

— Vamos amor...Marina chama Clara tentando tirá-la o mais rápido possível dali.

— Vamos!...as duas saem mas Fernando não resiste à tentação de provocá-las e as segue.

Fora do prédio Marina observa sua mulher com preocupação, desde o dia anterior percebe que Clara demonstra desconforto, normal pra quem está na reta final de uma gravidez, a qualquer momento a coisinha pode decidir ingressar neste mundo, então para evitar que ela caminhe e faça um esforço desnecessário decide trazer o carro pra mais perto.

— Está bem amor?

— Estou sim.

— Espera aqui vou pegar o carro e volto logo.

— Vá tranquila eu aguardo...as duas trocam um beijo rápido e Marina apressa o passo, tenta impedir um novo encontro entre sua morena e aquele ser desprezível, ao notar a saída da produtora Fernando decide se aproximar.

— Então agora é uma mulher livre e imagino que esteja feliz.

— Você não tem noção do quanto.

— Me diz uma coisa, ela satisfaz você na cama como o papaizinho aqui fazia?... Fernando decide provocar.

— Como se atreve, isso não é da sua conta mas se quer saber, sou plenamente realizada com ela o que não acontecia com você...Clara tripudia.

— Não acredito...então o que acha de uma despedida, que tal irmos a um motel e eu mostrar o que é ter um homem de verdade? Sabe sempre fantasiei transar com uma mulher grávida...a resposta de Clara não demora, uma forte bofetada faz seu rosto virar.

— Maldita!...Fernando agarra a morena pelos braços machucando-a

— O que está acontecendo aqui? Solta ela!...Marina chega subitamente depois de testemunhar a cena do carro e correr em disparada...- Solta ela!

— Não se meta nisso lésbica desprezível.

— Já disse pra soltá-la...Marina se interpõe obrigando-o a largar Clara...- Não se atreva nunca mais a tocá-la...a produtora furiosa diz entredentes.

— Vocês se merecem, duas malditas vadias...Fernando grita cheio de ódio pois não contava com aquela reação.

— Vamos Marina não vale a pena perder tempo com esse desgraçado...a morena tenta evitar a todo custo um escândalo, não quer chamar a atenção e proporcionar pra alguém a oportunidade de registrar a cena depois divulgar nas redes sociais ou na imprensa e assim prejudicar ainda mais a imagem da sua branquinha.

— Vamos sim!...Marina concorda e Fernando insiste.

— Sabe ainda não consegui destruí-las mas tenho certeza que Joanne terá maior sorte quando tirar aquele bastardo da sua casa e de quem você diz ser mãe...ao ouvir aquelas palavras Marina é tomada por uma onda de fúria, virando-se pra Fernando e sem pensar duas vezes acerta-o com um soco causando imediatamente um sangramento na boca e nariz do rival, ela usava um anel que atingiu o canalha em cheio.

— Ai você quebrou meu nariz, vou acabar com sua raça!

— Meu deus Marina!...Clara fica estarrecida.

— Desgraçado! Como ousa a falar assim do meu filho! Marina agora o agride com uma joelhada entre as pernas e ele cai se contorcendo de dor.

— Jamais! Jamais volte a mencionar algo sobre Diogo!

— Mariiiina! A voz desesperada da morena desperta a atenção da produtora e seu coração se angustia ao vê-la encolhida agarrando a barriga.

— Clara! Amor o que foi?...Marina vai em socorro à sua mulher.

— Me...me...le...va daqui por favor, liga para o Dr. Morais.

— O que está sentindo?

— Muita dor...Clara responde enquanto Marina lança um olhar mortal pra Fernando que agora sorri ao mesmo tempo que se recupera e limpa o sangue com um lenço.

— Se algo de grave acontecer a minha filha e a minha mulher não haverá lugar no mundo que possa se esconder porque eu vou atrás de você até no inferno...sem esperar reação alguma a produtora ajuda Clara a entrar no carro e sai em alta velocidade na direção da clínica.

— Que o diabo as leve!...Fernando pragueja vendo o carro de Marina se perder no trânsito da cidade.

— Amor como você está?...a produtora sente o coração descompassado, não foi assim que planejou a vinda da sua coisinha ao mundo, naquele momento a branca se dá conta que não decidiram sobre um nome pra filha depois de várias sugestões e com tanta confusão em suas vidas, em meio aos gritos de dor e um tráfego que não colabora Marina faz um esforço sobre humano pra controlar os nervos, através do comando de voz solicita ligação.

— Ligar pra Dr. Morais.

— Ligando Dr. Morais (dispositivo)

— Alô Marina...o médico atende.

— Dr. Morais!

— Sim o que houve?

— É a Clara...acho...acho que entrou em trabalho de parto.

— Onde vocês estão?

— A caminho da Clínica.

— Muito bem venham rápido, providenciarei pra que esteja tudo pronto quando chegarem!

Quinze minutos depois Marina para o automóvel bruscamente na porta de entrada onde uma equipe já as espera, Clara é auxiliada ao descer do carro e conduzida imediatamente à sala de parto seguida pela produtora que se aflige com o sofrimento da morena, Marina tenta entrar e uma das profissionais a impede.

— Sentimos muito senhora mas terá que esperar aqui fora, a porta se fecha, lá dentro Dr. Morais e duas enfermeiras já aguardam por Clara, acostumadas a situações de emergência as mulheres logo preparam a paciente e a posicionam sobre a cama.

— Bem minha querida agora tente manter a calma, tem uma senhorita aí a ponto de vir ao mundo, começa então através do toque verificar o grau de dilatação da morena, neste momento Clara sente uma onda de dores excruciantes arrancando-lhe da garganta mais gritos desesperados.

— Marinaaaaaaa...quero a Marinaaaaaa !!!

— Calma...Clara...calma...preciso que se concentre.

— Não consigo, dói muito.

— Eu sei mas é necessário que se esforce.

— Quero a Marina! Não posso ficar sem ela...diz chorando.

Fora da sala a branquinha escuta os gritos da sua mulher e se angustia, aproxima-se da porta como se assim pudesse transmitir força à amada.

— Doutor! Doutor! Quero a Marina comigo! Não aguento mais, não vou conseguir...Clara implora com a voz entrecortada pelas dores, o médico diante daquele desespero toma uma decisão, pelo bem da paciente e principalmente pelo estado delicado dela prefere evitar estresse pra criaturinha que está por nascer, acredita que quanto mais tranquila Clara estiver menos complicado será o parto.

— Vá buscá-la e rápido!...o médico ordena e uma das enfermeiras apressa-se em ir chamar Marina.

Do lado de fora a produtora anda de um lado para outro aflita, nunca em sua vida se sentiu tão impotente, ali por trás daquela barreira Clara sofre sem que nada possa fazer, a ela só resta rezar e esperar que tudo dê certo.

— Marina Meirelles!...ao escutar seu nome a branquinha para e olha assustada pra enfermeira.

— Sim?...o que...que houve?...o coração quase saindo do peito.

— Acompanhe-me por favor...Marina segue a mulher a passos largos, depois que atravessam aquela porta outra profissional já a espera em outra sala.

— Ponha isso...entrega a Marina uma roupa apropriada ao ambiente estéril que ela veste prontamente...- Agora lave as mãos, assegure-se que estão bem limpas, coloque essas luvas, a touca e venha comigo!...uma vez concluídos os procedimentos de praxe ela finalmente conduz a produtora à sala de parto.

— Marina!

— Amor!...a branquinha corre até Clara e ao vê-la chorando com a testa molhada de suor, a beija e sussurra ao seu ouvido...amor tudo vai ficar bem...calma!

— Não aguento mais tanta dor.

— Já vai passar...vai passar você vai ver, logo teremos nossa pequena.

— Bem Clara agora que a Marina está aqui como pediu preciso que me ajude a trazer sua filha ao mundo, colabore comigo.

— Sim...diz com uma voz quase inaudível.

— Vamos então!...quero que siga minhas instruções quando começar a doer empurre.

— Aiiii...aiii...

— Força Clara! Força empurre! Aí está...ela está vindo, vamos!

— Aiiiii...aiiiiii...a morena grita sentindo como se estivesse sendo partida em duas.

— Uma vez mais Clara!...essa menina é determinada, vamos!...o médico incentiva.

— Nossa princesa já está quase em seus braços, vamos meu amor!...agora é Marina quem a estimula.

— Você está indo muito bem, estamos orgulhosos de você! Só mais um pouco, força!...um...dois...três...depois de um esforço descomunal por fim a pequena atravessa o canal que a conduz ao mundo exterior, de imediato a sala é preenchida por um estrondoso choro de criança causando a alegria de todos.

— Vitória!...Marina grita emocionada, agora é oficial a caçula dos Meirelles nasceu!