Voce mudou minha vida
13 Capítulo 13
CAP 13 Na casa dos Meirelles o jantar está servido, Diogo e Marina estão sentados à mesa, a cadeira do pequeno junto ao da mãe como de costume, ela fica atenta a quantidade de comida que o garoto ingere pra que não se engasgue. Clara não participa deste momento em família porque alegou estar sem fome quando Marina foi chamá-la. – Boa noite!...Cumprimenta Clara chamando a atenção tanto da mãe como do filho que a olham ao mesmo tempo e da mesma forma. – Clara!!!... Marina e Clara observam surpresas o pequeno já que até aquele momento ele somente tinha se expressado de forma precisa referindo-se a mãe...mas agora ele pronunciou de maneira muito direta o nome de Clara, as duas sorriem orgulhosas dos avanços do garoto.
– Posso me unir a vocês?...Pergunta timidamente enquanto se perde naquele mar negro que são os olhos da produtora. – Claro que sim... Marina responde sorrindo de um jeito terno apesar de não entender o que está acontecendo com a morena, durante todo dia esteve meio arredia, o que a deixa um pouco preocupada, quis perguntar mas sabe que não pode pressioná-la, se não quer falar a respeito melhor não insistir, quando se sentir à vontade com certeza vai se abrir. – Clara!!!...Repete o menino e as duas permanecem sorridentes e encantadas como se tivessem acabado de presenciar o discurso de graduação do Diogo. Ao fim do dia como de hábito e sempre que possível Marina usufrui da noite na área da piscina, enquanto delicia-se com os últimos goles da garrada de vinho que havia aberto sente a presença de Clara, sorri incrédula...é assim quando a morena está próxima, como se seu corpo tivesse um GPS integrado que lhe dá esta percepção. – Você está bem?...Marina pergunta no aguardo de alguma explicação que possa esclarecer o comportamento diferente que vem mantendo durante todo o dia. – Sim estou...responde Clara e enquanto observa aquela mulher é invadida por um sentimento de culpa, ao mesmo tempo seu corpo manifesta outra estranha sensação...não mentira...não é estranha, é a mesma que a tem acompanhado desde que se conheceram, naquele encontro na praia houve uma inexplicável e imediata conexão. Marina é realmente uma bela mulher em todos os sentidos, é amiga, uma pessoa solidária, se interessa pelos demais, sensível e sob nenhuma condição deseja estragar aquela relação tão lindamente construída, não quer afetar nem prejudicar a amizade com aqueles pensamentos libidinosos que não a deixam em paz, então lembra da conversa com Helena e como a amiga tentou convencê-la da reciprocidade dos sentimentos de Marina...será possível que...que ela esteja certa e a produtora também tenha aquelas sensações...não claro que não...diz para si mesma, esta convicção é reforçada ao recordar a devoção dela por Giovanna, que ninguém saiba mas na sua opinião é quase doentia o que lhe provoca um pontada de ciúmes, se pergunta como seria ter o poder sobre aquele caudal de sentimentos, ser a pessoa merecedora de tanta adoração, será que existe a possibilidade de que Marina também sinta atração por ela...de que Helena talvez...só talvez tenha razão e este desejo esteja sendo correspondido, aquela ideia a faz suspirar pois seus pensamentos a remetem àquele sonho lascivo...e se...for verdade...sussurra aquela voz traiçoeira de sua consciência...se...se...tantos “se” e nenhuma certeza...aiii meeeu deus!...Simplesmente pra esses questionamentos não tem resposta. – Vem...senta aqui comigo...diz a produtora, Clara vê a posição da amiga e seu coração bate apressado como se quisesse sair, o único lugar disponível é entre as pernas de Marina já que as demais cadeiras não estão próximas, na realidade não estão nem ali, engolindo em seco Clara lentamente aproxima-se e coloca-se no local que lhe resta, termina por recostar-se no peito da produtora que mergulha o rosto naqueles cabelos sedosos...mmmm deus pode existir em todo o mundo melhor cheiro que este...definitivamente não...não mesmo, pouco a pouco Marina vai sentindo aquelas costas mais pressionadas contra seu corpo, abaixa-se pega a taça de vinho branco e oferece a sua morena. – Bebe um pouco...sussurra-lhe ao ouvido causando instantaneamente uma onda de arrepio em Clara, seus pelos ficam completamente eriçados. – Ahãã...é o que consegue expressar, embora reclinada no corpo de Marina mantém-se rígida, não consegue relaxar como acontecia antes de tomar consciência das novas sensações que apoderaram-se dela ultimamente, o desconforto aumenta quando sente o toque suave das mãos de Marina sobre seus ombros. – Shhhhhh tranquila...você está muito tensa...diz Marina, vamos resolver isso e começa a massageá-la, aqueles movimentos inevitavelmente resultam numa tortura para ambas. Marina tenta permanecer firme sem ultrapassar os limites em contato com aquela deliciosa pele dourada, seu coração trabalha em dobro, aquelas batidas não são normais...está com taquicardia parece que vai sufocar, por sua vez Clara sente o ar faltar-lhe, ao invés de relaxar simplesmente tem o corpo mais rijo...ahhh estas mãos tocando-lhe tal e qual o sonho...oh meu deus...se somente uma massagem tem esse efeito sobre ela imagina em uma outra situação menos inocente e mais sensual...mais sexual...em outro ambiente, aqueles pensamentos fazem Clara praticamente pular de onde está...Marina fica surpresa e assustada...será que exagerou...foi além do permitido?...Ela também se põe de pé e as duas são tomadas por uma visível preocupação.
– Clara...eu... – Eu...eu... vou dormir...Clara fala antes que a produtora possa dizer alguma coisa, rapidamente se afasta dirigindo-se ao seu quarto...Marina apreensiva a vê perder-se de vista e olha pra cima maldizendo-se por seu atrevimento.Depois da discussão que com Flávia Giselle dirigiu sem rumo pela cidade até parar em um conhecido bar gay, aquelas palavras ainda ecoam em sua cabeça...NÃO POSSO CORRESPONDER A ESSE AMOR...a partir de agora tudo vai mudar, se ela só a quer COMO AMIGA...POIS SERÁ ISSO QUE VAI TER, mas esta noite...ah esta noite é pra deixar tudo pra trás, pra desfrutar...ao diabo Flávia com seus conflitos, olha ao redor o lugar está bem animado como de costume, a música ambiente convida a esquecer todos os problemas do mundo real...este clima de fantasia é o que ela precisa, esquadrinha o espaço avaliando as opções e de repente encontra uma mulher especial. Aquilo a surpreende muito pois jamais esperou vê-la ali, subitamente como se seu olhar pudesse se materializar, a mulher que está conversando com uma negra muito bonita...muito sexy por certo, também olha na direção de Giselle e em seus lábios aparece um sorriso tímido quando cruza com aquele par de olhos conhecidos, ela fala alguma coisa com a pessoa ao seu lado e caminha até Giselle. – Olá!... – Veja só...senhorita Judith...pode me dizer o que faz aqui?...Pergunta num tom divertido pois a jovem está completamente vermelha. – Estou com umas amigas...é o aniversário de uma delas, aponta pra amiga...a negra estonteante. – Ohhh que bom...e como está se comportando meu afilhado? – Ele...ele...está muito bem. – Não me diga que deixou de ser o garoto mais travesso da turma. – Não continua sendo. – Ahh então se é assim está bem mesmo...as duas riem, uma música começa a tocar I GOT THE POWER...vamos dançar?...Giselle a convida. – Vamos sim...adoro essa música. – Então vamos!No dia seguinte Flávia entre sonhos sente aquele inconfundível perfume que a faz acordar completamente, sem abrir os olhos estende a mão em busca de Giselle e se dá conta que está só naquele quarto, o cheiro que invadiu suas narinas vem do travesseiro da amiga impregnado com aquele perfume, então se entristece...por uns instantes chegou a acreditar que ela estava ali. Fica se perguntando com será sua relação com Giselle depois daquela revelação, como reagirão ao se encontrarem, ainda não consegue acreditar que ELA...ELA FLÁVIA é a mulher que conquistou o coração da amiga de longas datas e que guardou para si este segredo durante tanto tempo, leva as mãos a cabeça suspirando...agora entende tudo, aquele ar de mistério que sempre cercou a identidade da pessoa, tudo se encaixa, jamais imaginou que pudesse ser ela...ahh meu deus...como foi que nem por um segundo percebeu os sentimentos de Giselle, definitivamente ou ela é muito lerda ou a amiga é a melhor atriz que conheceu em toda a vida.Enquanto isso em seu apartamento Giselle entra no quarto com uma bandeja de café da manhã, sorri ao ver sua acompanhante ainda dormindo, ela está simplesmente encantadora, deixa a bandeja em um canto da cama e se recosta junto de Judith, a observa e fecha os olhos...o que não daria pra que fosse outra mulher ali ao seu lado mas sua mente cala aquele nome, seu cérebro reproduz aquelas palavras marcantes que sem sombra de dúvidas ainda machucam... fazem doer seu coração como se fosse uma ferida aberta...NÃO POSSO CORRESPONDER A ESSE AMOR, Giselle espanta aquela lembrança e volta o olhar à bonita jovem que está na sua cama e resolve acordá-la embora fique um pouco penalizada por esta pequena maldade...ela dorme tão serenamente, assim lhe dá uma suave beijo no ombro...depois outro...e outro até sua bela companhia despertar, a princípio parece desorientada como que buscando reconhecer o lugar onde está, então Judith olha pra Giselle e ao vê-la se dá conta que está na cama dela, fica verdadeiramente assustada, levanta as cobertas e olha seu corpo... – Oh meu deus!...Oh meu deus!...Giselle observa a jovem que tem uma expressão aterrorizada... sabe perfeitamente o que ela está pensando. – Epa!...Epa! – Que?...Judith afasta-se até o extremo oposto de Giselle. – Hei calma!...Sei o que está imaginando... mas não é assim... não é assim... – O que...que aconteceu entre a gente? – Não!...Não aconteceu nada!...Não fizemos nada!... Giselle esclarece rapidamente. – Então...por que... – Você não lembra de nada? – Não... – Bem...você bebeu demais...suas amigas simplesmente sumiram e no final você ficou comigo, não sabia pra onde levá-la então resolvi trazê-la pra cá...com todo o respeito, não houve nada, você estava bêbada e na minha cama a mulher tem que estar completamente consciente do que está fazendo, por isso pode ficar tranquila, aqui você somente dormiu e o fato de estar só de roupa íntima...posso explicar, quando saímos do bar você começou a se despir dentro do carro, por sorte me atendeu quando pedi pra não ficar totalmente nua. – Oh meu deus!... Judith cobre o rosto com as mãos morrendo de vergonha. – Ahh não se sinta mal por isso... fique tranquila, melhor tomar este café da manhã que preparei , tenho uns assuntos pendentes, se quiser ficar aqui o dia todo tudo bem, poderemos conversar quando eu voltar...se assim desejar é claro.NO CAAS... Clara e Marina chegam no Centro de Assistência cada uma em seu carro, devido ao ocorrido na noite anterior Clara saiu de casa mais cedo que Marina, além disso a produtora ainda tinha que preparar Diogo pra levá-lo a creche. Separadas foram direto para o seu local de trabalho, aquele clima estranho entre elas ainda perdurava. O dia foi transcorrendo tranquilo...sem novidades, as duas empenhadas em suas atividades, Clara despachando com Helena e Marina dando os toques finais ao documentário. – Clara...então o que vamos decidir?...Helena pergunta concentrada manuseando seu tablet...nenhuma resposta, volta a perguntar...Clara o que vamos fazer?...Levanta a cabeça e encontra Clara com um olhar perdido...fitando o vazio...- Mulher o que foi? – Hã...que?... Clara como que saindo de um transe. – Já perguntei duas vezes o que vamos fazer e você fica aí...parece que está em uma transmissão mental com Marte! – Ohh desculpa...sobre o que falávamos mesmo? – Ahh melhor esquecer... me diz o que está acontecendo, porque está assim...distante?...Helena fica calada por uns segundos e em seguida continua....- Será que tem a ver com uma certa produtora...depois de uma pausa ...- Você se declarou pra ela...foi isso...conjectura entusiasmada como uma adolescente. – Não!...Como você pode pensar isso?...Clara fica vermelha. – Então o que é?... Por que está assim parecendo um zumbi? – Helena!... Clara se inclina até a amiga como se fosse confessar alguma coisa que não quer que ninguém escute...só que naquela sala estão somente as duas... — É que não sei o que está acontecendo...não consigo deixar de pensar na Marina...diz baixinho. – E por que estamos cochichando?...Pergunta Helena. – Porque não me atrevo a dizer isto em voz alta. – E o que está esperando pra se declarar pra essa mulher? – Mas Helena...é uma mulher! – E qual o problema?...Por acaso não se sente atraída por ela...não teve um sonho erótico com ela...então o que falta? – Helena...sou heterossexual!. – Tem certeza?...Helena erguendo uma das sobrancelhas. – Sim...sou! – Amiga embora não tenha transado de fato com Marina duvido que seja completamente hétero depois do que sonhou...olhe que sei dos detalhes sórdidos (tom de brincadeira), sem falar o que a proximidade dela provoca em você. – Mas... – Clara esquece o resto...está no seu melhor momento, conseguiu por fim se livrar daquele traste, se encontra em vias de obter sua liberdade, a vida presenteou você com essa mulher maravilhosa, linda, sensual e não me diga o contrário porque não é...não é minha praia mas não sou cega!...Você tem um adorável furacão sob o mesmo teto...então querida por que não se permite desfrutar, o fato de experimentar não significa que vai se casar com ela, por isso aconselho a se deixar levar sem pensar em mais nada a não ser em você...as duas encaram-se . Enquanto isso na pequena sala em que ocupam no Centro de Assistência Marina e sua equipe trabalham na finalização do documentário. – Com este material acredito que esteja tudo pronto, é hora de retornarmos aos Estúdios...sentencia Marina ao mesmo tempo em que sente um pontada de tristeza pois adora trabalhar perto de Clara.
– Sim!...Sim!...Sim!...O grito de Karina interrompe os pensamentos da produtora. – O que é isso?...Pergunta Jefférson. – Estava louca pra voltarmos aos nossos escritórios...responde a assistente bem entusiasmada, praticamente dançando de alegria... — Por favor me deixe dizer aos rapazes que comecem a desmontar tudo e que vamos pra casa! – Sim... vá!...Marina não entende a euforia de Karina... — Mas o que houve com ela? – Não sei...responde Jefférson...embora sabendo o motivo prefere se fazer de inocente. Mais tarde Clara depois de encontrar um pouco de concentração consegue enfim trabalhar, escuta uma batida leve na porta... – Sim?... A mesma se abre...é Marina. – Olá!... – Olá!...Precisa de alguma coisa? – Não...não... realmente vim só pra dizer que já estamos indo. – Como assim? – Terminamos o que viemos fazer aqui e retornaremos aos Estúdios para os últimos ajustes do documentário, lá concluiremos tudo só temos que falar com Giselle e ver tudo... por um momento a voz de Marina se perde, tanto ela quanto Clara estão se devorando com os olhos, cada uma perdida em seu mundo de fantasia...logo Marina prossegue...- Tudo relacionado com a festa...e essas coisas... sabe como é... – Sim... sim entendo... – Muito bem...as duas ficam olhando-se fixamente...- Tenho que ir e...você...você também precisa trabalhar. – Isso mesmo. – Bom...nos vemos em casa. – Sim.Fernando está em casa repassando a conversa com Mário no dia anterior...caralho!...Tudo saiu do controle, maldita a hora em que Clara me encontrou naquele restaurante!...Aquelas informações do detetive deixaram-no com uma pulga atrás da orelha, está curioso pra saber mais sobre a mulher misteriosa, assim decide chamá-lo novamente, precisa descobrir a identidade dela e por que Clara está vivendo naquela casa, desde quando se conhecem, estas e outras indagações orbitam sobre sua cabeça, a única certeza é que seu retorno a Empresa está condicionado à reconciliação com a esposa, mesmo que não sinta mais nada por ela.Flávia observa seu celular, desde a discussão com Giselle não deixou de pensar naquela declaração, o momento em que a amiga confessou seu amor por ela não sai da sua mente, fica se repetindo insistentemente...como ela pôde manter-se calada guardando aquele sentimento só pra si, suportando tudo...Flávia balança a cabeça, passou o dia todo vagando por aquele apartamento, realmente não tem nenhuma vontade de sair dali, sem Murilo e sem Giselle seu mundo está em completa desordem eles dois são seus pilares, tenta ligar pra amiga mas acaba desistindo...pra que..o que iria dizer a ela...e agora como ficará a amizade delas...as coisas permanecerão iguais depois disso?...São questionamentos que a consomem.Fernando está sentado em frente ao computador olhando as imagens da mulher com quem sua esposa compartilha o mesmo teto, continua desorientado e surpreso depois que conseguiu obter o nome completo de Marina e informações a seu respeito, colocou no google e muitas referências surgiram, prosseguiu na pesquisa e na tela começou a desfilar uma inumerável quantidade de fotografias dela, certamente é uma celebridade no mundo cinematográfico. Percebeu que em todas as fotos ela estava sempre na companhia de uma mulher muito bonita, também há outras ao lado de Giselle Vieira... aquela patrocinadora do Centro que ele não suporta...mas tem poder é milionária, infelizmente é lésbica...como essa tal de MARINA MEIRELLES...segundo o que leu é viúva...a esposa faleceu vítima de um câncer, vivia em Londres e as últimas notícias que se tem é que mudou de residência e a imprensa desconhece o destino dela. Fernando leva as mãos a cabeça perguntando-se como que diabos Clara foi parar na casa dessa lésbica...só pode ser obra de Giselle.Os dias transcorrem seguindo um ritmo normal, Marina retoma as atividades nos Estúdios Vieira a todo vapor, há muito a fazer agora...não está mais com dedicação exclusiva ao Centro de Assistência, enquanto isso Clara embora muito ocupada com a sua rotina diária de trabalho sente a falta da produtora, em casa ultimamente as duas têm ficado um pouco distantes, quando chega Diogo está dormindo e Marina em seu quarto, sabe que ela é responsável por aquele afastamento, desde o sonho tem se mantido à margem da vida da amiga que apesar de tudo não deixa de ser incrivelmente presente, zelosa...aquela mulher cuida dela no sentido real da palavra...incondicionalmente, não importa a hora está sempre a espera com o jantar pronto e um bilhete carinhoso. Clara sente-se mal com tudo isso, não quer estragar a linda amizade entre elas e às vezes deseja fervorosamente mudar os termos dessa amizade.NOS ESTÚDIOS... – Vanessa... – Ora..ora...que bons ventos a trazem aqui! – Que engraçada... – Pensava que iria trabalhar de ajudante naquele lugar! – Realmente isso não é da sua conta, melhor me dizer como estão os preparativos para o lançamento dos Estúdios. – Bem...já está tudo pronto...convites, arrumação no Bistrô da Flávia...sou uma profissional minha querida...e por falar nela por certo deve estar destruída, não sabia que Murilo a tinha abandonado...quem diria!...Eh...quer dizer que aquela figura apagada que não matava nem uma mosca se revelou uma tremenda fera! – Vanessa para com isso! – Que!... Por acaso estou inventando coisas...jamais imaginei que viveria pra ver isso. – Santo deus!...Você me surpreende...diz Marina com cara de raiva e até de nojo. – Pois se fosse comigo eu teria outras formas de segurar a pessoa...diz em tom meloso aproximando-se de Marina que de imediato dá um passo pra trás. – Afaste-se de mim!...reage a produtora saindo da sala como se estivesse sendo perseguida por mil demônios.NO CENTRO DE ASSISTÊNCIA... – E então...como vão as coisas com Marina...algum avanço?...Helena pergunta curiosa. – Não... – Por que não?... – Porque não quero perder minha amiga!...Ah Helena esquece isso! – Como assim...esquecer...caramba mulher...deixe estas dúvidas e o medo de lado!...Eu tenho certeza que Marina Meirelles está completamente caidinha por você, quantas vezes vou ter que dizer isso...Clara aja!...Não desperdice a oportunidade que a vida deu a você, preste atenção porque pode aparecer outra e tomar seu lugar...a fila anda amiga!...Neste momento o celular de Helena começa a vibrar, ela lê a mensagem e se levanta... — Tenho que ir cuidar dos meus filhos, mas continuo dizendo que se você insistir em permanecer neste mar de incertezas quando se der conta talvez seja tarde demais. Clara fica sozinha uns instantes refletindo com as palavras de Helena ecoando na sala, olha o relógio e vê que está na hora de ir pra casa, a esta altura Marina já deve ter colocado Diogo pra dormir e dá um suspiro triste pois sabe que perdeu o momento mais divertido na casa dos Meirelles, levanta-se pega sua bolsa e encaminha-se pra Santa Teresa prometendo a si mesma dar um jeito nesta situação de uma vez por todas, esta noite irá certificar-se se Helena tem ou não razão. Marina está recostada em sua cama, ultimamente as coisas estão tão esquisitas com Clara que ela não sabe como agir, uma aprazível relação se transformou numa coisa estranha que ela não sabe nem como definir, só percebe que está cada em seu mundo...distantes, isso a deixa chateada porque se acostumou a ter a morena sempre perto dela, sem contar que seu coração está cada dia mais preso a ela, seus pensamentos são interrompidos por uma suave batida na porta. – Entra!...A porta se abre e Clara saúda a amiga. – Como está? – Bem... responde a produtora. – Posso entrar? – Sim...claro! – Como foi seu dia?...Clara pergunta sentando-se junto de Marina e subitamente perdendo toda aquela convicção que tinha ao sair do Centro. – Bem...você sabe que sempre tem muito trabalho naquele lugar...jantou? – Não...estou sem fome. – Mmmm Claaara... – De verdade não se preocupe...durante alguns segundos as duas se encaram, Clara desvia o olhar até o criado-mudo e é inevitável notar que a foto de Giovanna não está mais lá...Marina acompanha a expressão de Clara. – Guardou a foto...por que?...Pergunta hesitante. – Não...eu não a guardei...está num lugar melhor agora...Clara a olha sem entender. – Está no quarto do Diogo. – Posso saber o motivo? – Porque já está na hora de seguir com minha vida. – E...o...que...que mudou...o que aconteceu? – Acredito que encontrei alguém especial...diz Marina quase num sussurro. – S...sim?...e... qu... quem é... por... a ca so...eu...conheço? – Sim...conhece...agora Marina aproxima-se mais de Clara. – E...que...m...quem é?...Pergunta receosa. – Não imagina?...Clara saliva e seu coração dispara... está a beira de um ataque de nervos ao ver a proximidade da branquinha e ficando a poucos centímetros dela, estão tão perto que podem sentir suas respirações... – Acho que preciso de mais pistas (Clara insinuante)...Marina concorda e suspira profundo... bem é agora ou nunca, termina de cortar a distância entre elas, a princípio roça seus lábios nos de Clara e fica esperando alguma reação contrária que não acontece. A morena mantém-se de olhos fechados e ofegante, a produtora toma aquilo como um sinal verde e decide ser mais ousada, então une sua boca a de Clara...com a língua percorre o lábio inferior, depois mordisca-o...logo pede permissão pra adentrar e de forma imediata é concedida, ao tocar suas línguas elas deixam escapar um intenso gemido enquanto um estremecimento percorre seus corpos, Marina enlouquece com a maciez daquela língua e Clara delira com aquele sabor, a boca de Marina é doce...sua respiração tem um frescor e é quente ao mesmo tempo, sua língua é ágil...mas nada comparado ao que até aquele momento havia imaginado, pouco a pouco o beijo vai se intensificando, depois que suas línguas se conhecem imprimindo em cada uma a essência de seus sentimentos...suaves gemidos são emitidos, as duas estão imersas nas sensações que suas terminações nervosas enviam a partir do contato das línguas cada vez mais ávidas, prontamente Marina toma Clara pela nuca obrigando-a a manter uma posição que favoreça a exploração plena daquele espaço, aquela forma possessiva de beijar deixa a morena completamente excitada...SANTA MÃE DE DEUS ESSA MULHER ESTÁ ME LEVANDO À LOUCURA ...QUE BOCA DIVINA!...aquilo a faz delirar e a corresponder com todo o seu ser àquele beijo que segue quente...suave...voraz...sob todas as formas...até que as duas têm que separar-se e recuperar o ar...enquanto respiram agitadamente unem suas testas... – Creio que já dei pistas suficientes sobre a identidade da pessoa...diz Marina num murmúrio. – Acho que não...ainda estou um pouco em dúvidas, vou precisar de mais...Marina geme e volta a apoderar-se da boca de Clara que aceita prontamente aquela investida e retribui na mesma intensidade...
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