Capítulo 11 — Capítulo 11

CAP 11

Marina sai e ao fechar a porta suspira pesadamente, vai ao seu quarto e toma um banho demorado, em seguida coloca o pijama, senta-se na cama, fecha os olhos e repassa os acontecimentos daquele dia. Toma consciência que aquela mulher é muito mais importante pra ela do que imaginava, pois ao vê-la daquela forma destruída fica impossível descrever a dor que lhe causou, constatar a impotência de nada poder fazer, então as lágrimas fazem-se presentes e uma após outra deslizam por sua face. Marina dirige o olhar pra foto de Giovanna, a segura e com o dedo começa a delinear o rosto da mulher que tanto amou.
– Me perdoa!...Sussurra...Me perdoa por não cumprir minha promessa...sabe que há outra mulher na minha vida, sei que prometi amar você pra sempre...mas...eu...eu não sei como aconteceu (com a outra mão Marina enxuga as lágrimas)...- Mas ela...ela entrou aqui (leva um dos dedos ao coração que bate acelerado)...- Não que eu a tenha deixado de amar...não é isso...você também está aqui. Gio...sempre vou amá-la!...Mas...mas não posso ficar alheia a tudo o que estou sentindo (segue apontando para o coração)...- Eu as amo...as duas...só que não tenho mais você...não está mais entre nós...- Jamais imaginei me envolver emocionalmente com alguém outra vez...e não...não quero abrir mão desse sentimento, mas para entregar-me de corpo e alma a essa mulher preciso deixar você partir definitivamente e embora não acredite...é doloroso.


O sol preenche aquele quarto fazendo com que Clara acorde, olha o espaço ao redor e recorda tudo, mantém-se recostada na cama sente como se seu corpo pesasse mil toneladas. Queria ficar naquela cama pra sempre, fugir dessa maldita realidade que é sua vida...um fracasso. Como chegou àquele ponto e permitiu que um homem desprezível como Fernando fizesse tudo aquilo com ela...como não percebeu nada e agora como vai enfrentar o mundo lá fora depois do que aconteceu...como?...É a pergunta que ronda sua cabeça.


NO APARTAMENTO DE FLÁVIA...
Murilo está preparando seu café da manhã...Flávia entra na cozinha.
– Posso saber onde você estava?
– Sério que quer saber?
– Sim...
– Estava participando de uma corrida...
– Você vai insistir com essa ideia?...Isso só vai parar quando acontecer alguma tragédia...estou certa?
– Porque tem que ser assim?...Porque nunca posso contar com você?...Porque sempre esse seu pensamento negativo?...Estou farto...não suporto mais essa situação...você fica o tempo todo querendo me controlar. Murilo aproxima-se de Flávia e lhe diz enquanto leva o dedo indicador à sua testa...
– Coloca uma coisa nessa sua cabeça...não sou criança!...E você não vai me impedir de fazer o que quero!... Sai batendo a porta deixando uma Flávia completamente inerte e chorando por saber que aquele idiota está arriscando a vida por nada.


RESIDÊNCIA DE CLARA...
Fernando está na cozinha preparando o café e repassa os fatos do dia anterior. Esperou toda a noite por aquela estúpida até que o sono o venceu, Clara não retornou e nem sequer respondeu às suas ligações. Ele não deixou de pensar na identidade daquela mulher misteriosa que a acompanhou, certamente não é uma de suas amigas, até porque a única que conhece é aquela intratável da Helena.
– Vou investigar e descobrir quem é aquela desconhecida e o que ela tem a ver com Clara...murmura enquanto vai para o banho e preparar-se para o trabalho.

O dia transcorre dentro de uma certa normalidade...Fernando está no seu escritório esperando que em algum momento alguém do Clã dos Mendonça apareça para tirar satisfação do ocorrido entre ele e a esposa.

Clara entra em contato com o Centro Comunitário, fala com Helena e conta o que aconteceu, depois de ouvir a amiga e todos os impropérios que ela desferiu àquele desprezível...ela nunca se enganou, sempre soube que Fernando ainda magoaria Clara profundamente. Por vezes tentou alertar sua amiga, mas em todas a morena preferiu acreditar nas promessas do marido de que tudo seria diferente...ledo engano. Elas concordaram que Clara tiraria uns dias de folga do Centro até se recuperar.


DIAS DEPOIS...
“ Sinto muito dizer que não posso continuar com isso, não aguento mais estar a seu lado...e não poder fazer o que mais amo...espero que não me odeie. Desculpa!...
Murilo

Flávia observa o bilhete durante duas horas seguidas, só pôde ler e reler sem conseguir acreditar no que estava escrito ali...como é possível!...Murilo foi embora...mas como...porque?...Seu olhar incrédulo retorna àquele maldito papel, balança a cabeça negativamente, sua primeira reação é de perplexidade...- Não...isso não está acontecendo...diz a si mesma, então vai até o closet...deve ser alguma brincadeira...sorri nervosa...definitivamente uma piada de mal gosto de Murilo, mas logo que abre a porta ali está a prova irrefutável...a roupa de seu marido não está...ou pelo menos a maior parte delas. Murilo me deixou!... Leva as mãos à cabeça...o papel desliza entre seus dedos até alcançar o chão. Flávia sente suas pernas falharem e desce lentamente ao piso encostando-se contra a porta do closet...fica ali...olhando o vazio, sem saber o que fazer.


HORAS DEPOIS NOS ESTÚDIOS VIEIRA...
Marina está na companhia de seus colegas de trabalho revisando os projetos sob sua responsabilidade, seu celular começa a tocar...olha a tela e ver o nome de Flávia, imediatamente atende à chamada...
– Olá Flavinha!...Saúda enquanto seus olhos permanecem nas imagens que a equipe está analisando.
– Marina...preciso da Gi...diz com a voz muito alterada...preciso falar com ela...o desespero daquela mulher é quase palpável...Marina sente seu coração disparar.
– O que aconteceu Flávia?...Marina fica preocupada.
– Por favor...diz pra ela que eu preciso dela...por favor...sussurra Flávia.
– Flávia...o que houve?...Marina se assusta.
– Murilo...Murilo foi embora...é a resposta de Flávia.
– Que...como assim?...Marina não entende.
– Foi embora... me deixou!
– Ohhh raios!...Onde você está?
– Em casa...quero a Gi...traz ela pra mim...diz com a voz chorosa.
– Não saia!...Estou indo pra aí agora...Marina desliga o telefone...- Rapazes preciso que cuidem de tudo aqui...tenho que sair...por favor qualquer coisa me liguem.
– Claro que sim chefe!...Diz um deles...enquanto caminha até seu carro Marina liga pra Giselle que atende na terceira chamada.
– Marina!...E então como vai tudo por aí?
– Gi...Flávia está precisando de você.
– O que aconteceu?...Giselle entra em estado de alerta.
– Não sei...ela acaba de me ligar...disse que Murilo a deixou, realmente não entendi nada, ela quer ver você...silêncio é a resposta do outro lado da linha...- Gi ela está precisando de você!...Depois de um longo tempo sem nada falar...ela responde...
– Não...não sei...não sei.


NO CENTRO DE ASSISTÊNCIA...
Clara chega ao Centro na companhia de Helena, decidiu voltar ao trabalho depois de ser aconselhada por Marina...não pode passar a vida escondida, não é ela quem tem que sentir vergonha e sim Fernando, por tudo o que fez. Depois daquela pausa hoje está bem melhor, durante esse tempo ficou na companhia de Diogo e Marina, indiscutivelmente aquela mulher e seu filho se transformaram em seu porto seguro, não importa o que aconteça a família Meirelles estará ali pra protegê-la, pra cuidar dela. Clara diz a si mesma que não imagina mais a vida sem aqueles dois...tornaram-se imprescindíveis...o fio de seus pensamentos é rompido quando entra em sua sala e se depara com um cenário no mínimo inusitado.
– Mas o que é tudo isso?...Clara pergunta enquanto observa a sala repleta de flores.
– Aquele traste que se diz seu marido pedindo perdão, como não sabíamos onde você estava e elas não paravam de chegar, resolvemos deixar aí mesmo...- O canalha insistia em ligar querendo saber seu paradeiro. Helena recorda que na última vez que falou com ele acabaram discutindo.
– Manda tirar essas porcarias daqui!...Faça o que quiser com elas...Helena sai e retorna com duas funcionárias pra retirar as rosas de lá.


LONDRES...
Depois da conversa que tivera com Marina...Giselle fica inquieta, não consegue concentrar-se em nada...assim Branca resolve se manifestar.
– O que está acontecendo?
– Nada...
– Giselle Vieira...a mim você não consegue enganar...está ansiosa...Giselle suspira.
– Acabo de falar com Marina...Flávia está passando por um momento difícil.
– E o que isso tem a ver com você?
– É que ela está precisando de mim...quer a minha presença.
– E o que a impede?...Depois de respirar profundo Giselle olha pra sua mãe e diz...
– Não sei...mãe...não sei...
– Só posso dizer uma coisa e espero que minhas palavras sirvam para alguma coisa...acho que deveria ir, sei o quanto ela é importante pra você, quem sabe não é a oportunidade que vem esperando todo esse tempo.


RIO DE JANEIRO...
Marina chega ao apartamento de Flávia, por sorte ela tem a chave, o ambiente está muito quieto e é quase palpável o silêncio. Vai então direto ao quarto da amiga e a encontra imóvel sentada na cama. Se ajoelha em frente a Flávia, abre os braços afetuosamente acolhendo a morena que começa a chorar.


NO CENTRO COMUNITÁRIO...
Clara está no seu escritório falando ao telefone com um provedor.
– Sim...essa data me parece boa...claro...claro...o pagamento está pronto, como sempre nós efetuaremos no momento da entrega...sim...pois então...não consegue continuar a conversa porque escuta a voz de Fernando vinda do outro lado da porta que se abre de forma abrupta.
– Clara!...Diz uma das moças...para ao ver que ela está ao telefone...
– Desculpa terei que desligar pra atender a uma emergência que aconteceu aqui...obrigada...sim...sim...tchau!...Desliga.
– Precisamos conversar...Fernando fala...Clara observa aquele que durante dez anos foi seu marido...as meninas entreolham-se preocupadas...
– Fiquem tranquilas...me deixem a sós com...esse...senhor...esculpe as palavras...elas assentem deixando-os à vontade. Uma vez frente a frente Clara cruza os braços esperando Fernando se manifestar.
– O que diabos você ainda quer?
– Conversar...Fernando aproxima-se e Clara ao mesmo tempo recua um passo.
– Nós não temos mais nada pra falar!
– Que raios!...Onde se meteu esse tempo todo?...Procurei você em todos os lugares...até contratei um detetive particular, ninguém sabia me dar nenhuma informação...até hoje quando ele me ligou ao ver você entrando.
– Não lhe devo nenhuma explicação!...E como se atreve a colocar alguém pra me seguir e me investigar!
– Como não...você é minha mulher...estamos casados!...Depois daquela declaração escuta-se uma risada sarcástica ressoar na sala.
– Na verdade você é mesmo muito filha da puta!...Como ousa dizer que estamos casados!...Que droga...o que você sabe sobre casamento...hein o que você sabe?
– Clara eu...eu me equivoquei...mas podemos consertar tudo.
– Fernando desde quando você me trai com aquela vadia?
– Isso não vem ao caso...Clara estou aqui pra falar de nós e não dela.
– Desde quando?...ela grita.
– Faz alguns meses...não lembro mas eu juro que acabou.
– Ahh isso não me importa!...Não quero nem saber se está ou não com ela...agora o que me interessa é terminar com essa prisão em que se transformou nosso casamento...quero o divórcio!
– Não!...Isso jamais vai acontecer!...Diz Fernando depois de recuperar-se pois nunca imaginou que Clara pudesse querer a separação... — Vá se acostumando porque não vamos nos divorciar...pode levar todo o tempo do mundo mas quando estiver pronta pode voltar pra casa onde estarei esperando. Clara olha incrédula diante da cara de pau daquele homem...como ele pôde ir procurá-la e dizer a ela tudo aquilo sem nenhum constrangimento depois do que fez...que a estará esperando em casa... — Fernando...quero que saia daqui AGORA!...Diz apontando a porta...- Me deixa em paz!...Grita ao ver que ele não se move nem um centímetro...- Vou repetir...saia da minha frente ou eu não respondo por mim!...Pega a primeira coisa que tem à mão e o arremessa na direção daquele salafrário que com a atitude da morena resolve atender ao ultimato da esposa.


Depois daquele entrevero o dia transcorre quase que naturalmente, Clara continua trabalhando embora ainda contrariada com o ocorrido, não consegue concentrar-se...então seu celular começa a tocar...
– Marina!
– Como está?...Que tal o retorno?
– Bem...
– Tem certeza?
– Hummm...Clara fica surpresa como aquela mulher a conhece bem...percebe seu estado de ânimo mesmo falando ao telefone...- Fernando esteve aqui...
– E o que houve?...Marina pergunta sobressaltada...detalhe que não passa despercebido por Clara.
– Calma...não aconteceu nada...apareceu pra falar sandices...mas deixei bem claro que não o quero mais comigo!
– Bem...diz a produtora depois de um suspiro...- Clara...preciso de sua ajuda...
– Diga...algum problema?... Agora é a vez de Clara ficar preocupada...a voz de Marina está um pouco alterada.
– É a Flávia...
– O que houve com ela?
– Ela e Murilo estão com problemas...parece que ele a deixou.
– O que?
– Isso mesmo...simplesmente pegou suas coisas e foi embora.
– Puxa vida...e como ela está?
– Imagina!...Destroçada...por isso não me atrevo a deixá-la sozinha em casa.
– O que você precisa?
– Gostaria que cuidasse de Diogo...é possível?...Se não der não se preocupe...falo com Vanessa ou Joane.
– Não!...Pode ficar tranquila...será um prazer cuidar do pequeno furacão...fica aí com a Flávia o tempo que for necessário...ok?
– Ok...obrigada Clara...não sei o que faria sem você...depois disso se despedem e Marina volta sua atenção à amiga.
Logo após a conversa com Marina, Clara tenta trabalhar um pouco mais, entretanto não consegue...olha o relógio e percebe que já é hora de ir pegar Diogo...assim respira fundo, deixa tudo e vai buscá-lo.

Ao chegar à Creche ela conversa um pouco com Judith sobre os avanços do pequeno pra logo em seguida sair do recinto em direção à residência de Marina. Clara e Diogo chegam e vão direto ao quarto dele iniciar o banho...um dos momentos mais aprazíveis na rotina do garoto.


Do lado de fora da casa o carro de Fernando está parado junto ao do detetive que vem seguindo Clara.
– E então?...
– Sim...o homem aponta pra casa de Marina...- Aí é onde sua esposa está morando.
– E já sabe a quem pertence?...O detetive sorri zombeteiro...
– Ahh caramba...sou rápido mas nem tanto...me dê uns dias e terei todas as informações...mas a vi entrando com uma criança.
– Uma criança?...Fernando pergunta curioso...sem entender nada.
– Isso mesmo...um garoto...acredito que tenha 1 ano...não mais que isso.
– Bom...fique atento e vigilante...quero notícias e rápido.
– Assim será.


Aquela noite foi longa tanto pra Clara quanto pra Marina, por um lado a produtora manteve-se cuidando de Flávia, assim que ela se acalmou mais conseguiu fazê-la comer um sanduíche que tinha preparado...quer dizer a metade dele, ficou ali ao seu lado até o cansaço vencer Flávia enquanto ela mantinha-se envolta em seus pensamentos.
Já Clara sente falta de sua branquela...se não fosse pela presença de Diogo aquela casa estaria tão mais vazia, aqueles dois se transformaram em sua família...suspira e vai até o berço do pequeno...o encontra sentadinho.
– Hei...não consegue dormir?
– Ara!... mamãe...
– Ahh meu amor sente falta da sua mãe...pois vou contar um segredo...também estou com saudades...sussurra para o garotinho que tem um brilho no olhar. Clara o toma nos braços e o leva até o quarto de Marina.


Exatamente às 4h da madrugada a porta do apartamento de Flávia se abre, Marina escuta barulhos vindos da sala e seu coração acelera, procura pelo quarto algo com o qual possa se defender, sente desfalecer quando não consegue encontrar nada ali pra ajudá-la, finalmente alguém abre a porta e Marina já está prestes a gritar, o som morre em sua garganta ao reconhecer a figura que acaba de entrar...
– Como ela está?...Murmura Giselle...como sua amiga nada responde aproxima-se mais dela...
– Marina...aconteceu algo?
– Droga Gi...você quer me matar de susto!...Sussurra Marina quando recupera a fala...- Como você aparece aqui assim...
– Assim como?...Giselle pergunta sem entender a reação da amiga.
– Sem avisar!...Não esperava você aqui...a uma hora dessa.
– Ahh...desculpa!...E ela está melhor?
– Não...continua mal...diz Marina encolhendo os ombros...- Aquele desgraçado a abandonou!
– Mas o que aconteceu?
– Vamos lá pra fora...é melhor...não quero acordá-la.

As duas amigas saem do quarto e vão pra varanda, enquanto observam a cidade conversam sobre o ocorrido.
– E então?...
– A única coisa que sei é que Flávia encontrou um bilhete...o maldito a deixou pra voltar a participar de corridas.
– Hã!...Pra correr?...Mas quem em sã consciência abandona sua esposa por um motivo desses...
– Você sabe que desde aquele acidente Murilo ficou incapacitado pra correr a grandes velocidades...é um idiota!...Não se conforma...pelo visto ama mais a velocidade que a Flávia.
– Me diga que estou alucinando...
– Nem me fale...um absurdo!
– Que imbecil!...As duas ficam se olhando até que Gi resolve perguntar...- E como estão as coisas entre você e a Clara?...
– Aiiii amiga!...Clara está vivendo comigo...
– Que?...
– Exatamente isso que você ouviu...Clara está morando na minha casa desde que descobriu a traição do marido.
– Não me diga!...Fernando aquele desgraçado!...Já sabia que ele não era o esposo certinho que aparentava!...Mas como foi?...
– Nem me lembre daquele dia!...O resultado é que desde então ela está ficando lá em casa.
– Pelo menos uma coisa boa nisso tudo...agora você tem a chance de conquistá-la.
– E como farei isso...você melhor que ninguém sabe o quanto é complicado...quebramos uma regra inquebrantável...nos apaixonamos por uma hétero.
– Verdade!...Depois de uns segundos em silêncio Giselle volta a falar...- Tem alguma coisa aqui pra beber? … Marina encara séria sua amiga...ao notar aquele semblante de reprovação Giselle rebate...- Nem me olhe assim...isso tudo foi demais pra mim.
– Não sei se há algo pra beber, mas sei o que vou fazer...irei pra casa, já que você está aqui posso ficar tranquila, tenho certeza que ela ficará bem sob seus cuidados...posso contar com isso?
– Sabe que sim... responde Giselle convicta enquanto acompanha a amiga até a saída.


UNS 40 MINUTOS DEPOIS...
Marina entra em casa na pontinha dos pés e vai ao encontro do filho, encontra o berço vazio, com o cenho franzido dirige-se ao quarto de hóspedes e lá também não tem ninguém...- Que estranho...onde estão aqueles dois...murmura pra si mesma caminhando para o seu quarto, ali encontra quem estava procurando...Marina sorri ao vê-los esparramados em sua cama. Clara e Diogo ocupam todo o espaço, de um lado há almofadas pra impedir que o garoto sofra alguma queda durante a noite, já Clara está como uma barreira protetora do outro lado e com as pernas abertas, o menino apoia uma das perninhas sobre o braço da morena...realmente eles têm uma forma muita estranha de dormir...pensa Marina...decide deixá-los ali e vai descansar na sala.


DUAS HORAS DEPOIS...
Clara abre os olhos e encontra o pequeno que a olha fixamente, logo a presenteia com o melhor sorriso que já tenha visto em sua vida, Clara abre os braços e ali Diogo se refugia, inala aquele delicioso cheiro e diz...
– Hei bebê!...Que tal irmos tomar nosso café da manhã!
– Afé!...Concorda Diogo...
– Como costuma dizer sua mãe...vamos pensar que isso é um sim, o coloca no chão e o pequeno a segue quando ela vai fazer sua higiene pessoal, depois Clara leva Diogo ao quarto dele e experimenta a loucura que significa escovar os dentes de um moleque de um ano. Concluída a tarefa vai pra sala e encontra Marina deitada no sofá...Clara dá um sorriso travesso, aproxima-se devagar na ponta dos pés pra não acordá-la, olha pra Diogo que permanece só observando, Clara se ajoelha junto de Marina e com uma mecha de seus cabelos começa a roçar no rosto da amiga que passa uma das mãos pra afastar o que está incomodando. A vontade de Clara é cair na gargalhada mas se contém e segue com a brincadeira, dessa vez os cabelos fizeram cócegas o suficiente pra despertar Marina.
– Que!...Ela acorda espantada, logo reconhece o lugar e o olhar de Clara que está toda sorridente junto de Diogo que também se diverte. Marina se pergunta...será que aquele bandidinho entende o que Clara estava fazendo. Ela senta-se e observando os dois acaricia o rosto de um e de outro.
– Quer dizer que vocês querem brincar hein?...Clara concorda e Marina prossegue... — Pois bem...diz com ar risonho...Clara franze o cenho perguntando-se o que aquela mulher estará aprontando...
– Porque diz isso?...O que vai fazer?
– Nada...Marina a encara com seus olhos brilhantes...se joga sobre a morena e começa a fazer cócegas nela, de imediato a sala é preenchida por sonoras gargalhadas, Marina põe o filho na brincadeira e durante um bom tempo naquela casa pode-se ouvir somente as risadas dos três.


APARTAMENTO DE FLÁVIA...
Quando Marina saiu Giselle foi ao quarto da amiga e se recostou junto a ela, talvez pelo calor do seu corpo Flávia terminou por aninhar-se em Gi que a aconchegou em seus braços...assim amanheceu. Flávia abre os olhos e se depara com a última pessoa que esperava ver em sua cama. Nesse mesmo instante Giselle acorda e seus olhares encontram-se.
– Você voltou...murmura Flávia.
– Olá bebê!
– Voltou...repete Flávia.
– Sempre...sempre voltarei pra você...sussurra Giselle enquanto tenta controlar o imenso desejo de beijar aquela mulher.


Na casa dos Meirelles as coisas estão finalmente mais calmas, agora compartilham um frugal café da manhã na área externa da casa junto a piscina.
– E Flávia...como está?
– Arrasada...mas vai se recuperar.
– Tem certeza?
– Claro que sim e digo mais...sei que a partir de hoje ela ficará muito melhor.
– Como assim?
– Giselle está com ela...e se depender da minha amiga...Flávia nunca mais derramará uma lágrima sequer por Murilo. Aquele comentário chama a atenção de Clara...ela fica pensativa...como assim se pergunta mas logo relega aquele assunto ao escutar a voz de Marina...
– E você como está?...Certamente referindo-se ao encontro com Fernando.
– Estou bem...não se preocupe.
– Ok!...Marina não quer pressioná-la...ela falará quando estiver pronta e caso tenha alguma coisa que queira conversar.
– Quais os planos pra hoje?...Clara pergunta mudando de assunto.
– Levar um jovenzinho a Creche, depois ir aos Estúdios...tenho muito trabalho e você?
– Vou ao Centro...também há muito o que fazer por lá.


UNS DIAS DEPOIS...
Depois do ocorrido com Murilo...Giselle tem estado sempre ao lado de Flávia, não se separa dela nem por um momento. Logo que as coisas se acalmaram todas ficaram surpresas com a atitude de Flávia, ela proibiu que se tocasse em qualquer assunto que se referisse a Murilo...é como se ele estivesse morto, ela voltou sua atenção completamente ao trabalho, dedicando-se exclusivamente ao Bistrô e preocupada Giselle a vigia de perto. Por outro lado a relação entre Clara e Marina vai se estreitando cada dia mais, embora a morena ao que parece não esteja totalmente consciente daquilo. Sempre que podem Gi e Flávia se unem a elas na casa de Marina e fazem uma noite das mulheres, as quatro compartilham um tempo jantando juntas, jogando conversa fora, tomando uma bebida. Naquela noite logo após o jantar Flávia e Giselle se despedem e vão embora deixando Clara e Marina sozinhas. A produtora vai ao quarto do filho pra ver se está tudo em ordem, feito isso dirige-se ao seu quarto, faz sua higiene pessoal, liga a TV e enquanto procura algum canal a porta se abre...
– Marina...
– Sim...
– Posso dormir aqui?... Acho que o aparelho de ar condicionado do meu quarto não está funcionando. Antes de responder a produtora só consegue salivar...como é que ela vai dormir com aquela mulher metida em sua cama.
– Oookkk...assente Marina vendo que Clara está esperando uma resposta dela.
– Ohhh obrigada...prometo que não vou incomodar.
– Siiim...siiim....Marina fica nervosa pela proximidade da morena. Ela se posiciona quase na borda da cama enquanto Clara se acomoda naquele confortável colchão. Marina tenta concentrar-se na TV e Clara começa a se mexer de um lado pra outro, se vira e apoia a cabeça em uma das mãos e o cotovelo na cama, aproveita e desliza o olhar por aquele corpo ao seu lado, para sua surpresa sente um tremor percorrê-la por inteiro. Clara reconhece que quando Marina usa aqueles óculos de armação preta há algo que não sabe explicar...ela fica tão sexy com eles. Desde que se conheceram é a primeira vez que a olha diferente, não como uma simples amiga. Clara fecha os olhos assustada com todos os pensamentos que ocupam sua cabeça. De imediato sua mente é invadida por imagens daquela mulher beijando-a...devorando seus seios, tocando-a...abre os olhos e uma voz interna lhe sussurra...deixa de sonhar...aja, afinal vocês são duas mulheres adultas e solteiras, além disso Marina é extremamente sedutora...muito atraente...assim sem analisar muito se joga sobre a produtora que fica surpresa por aquele ataque súbito.
– Clara...
– Marina...murmura aquele nome respirando forte devido ao prazer que provocou-lhe entrar em contato com aquele corpo maravilhoso, por seu lado a produtora sente sua respiração agitar-se...não entende o que está acontecendo.
– Cla...ra...o que... que...há?
– Nada...ou tudo...não sei...Marina...quero fazer amor com você...
– Que?...Clara...
– Faz amor comigo!...Sem dizer mais nada captura aqueles lábios carnudos e as duas soltam um gemido. Marina percebe que seu cérebro começa a ser dominado por um estado alucinante...parece em transe, não tem forças pra assimilar o porquê daquilo, a única coisa que consegue é sentir as línguas numa disputa pela supremacia de controlar aquele beijo. A produtora tarda a absorver o que está se passando mas não se faz de rogada e assim toma as rédeas da situação, desliza as mãos por debaixo da blusa do pijama de Clara e em meio aquele beijo deixa escapar mais um gemido. Sente a maciez daquela pele...é como se na ponta de seus dedos existisse algum tipo de conexão que vai desde as terminações nervosas da sua deusa morena até às suas. O beijo vai se tornando mais e mais voraz...as línguas percorrem cada canto daquelas bocas em movimentos sincronizados...as duas só se separam pra tomar ar e ao mesmo tempo desfazerem-se das roupas. Marina fica abobalhada admirando aqueles seios perfeitos, sua boca saliva pela ânsia de prová-los...de deliciar-se naqueles mamilos, se lança na conquista daqueles dois cumes de prazer, com uma das mãos aperta suavemente e o acaricia enquanto chupa o outro, mordisca arrancando gemidos da sua morena. O som daqueles gemidos são música pra Marina que intensifica sua investida ao perceber como a morena desfruta de suas carícias, eles a excitam fazendo com que suas mãos ousadas viajem pelo corpo de Clara enquanto sua boca se debate entre um e o outro seio...a produtora simplesmente não sabe em qual fixar-se. Os sons emitidos por Clara preenchem o quarto e provocam em Marina um desejo avassalador de possuir aquela mulher...lentamente sua boca percorre o corpo da morena seguindo o mesmo caminho que suas mãos acabaram de fazer...é imperiosa a necessidade de tocar aquele botão de prazer escondido entre as pernas da sua adorada deusa. Geme tão intensamente quanto Clara ao constatar com seus próprios dedos que a mesma está totalmente encharcada de desejo...isso lhe tira um grande sorriso, jamais imaginou nem nas suas mais loucas fantasias que a realidade seria como agora...tocar aquele ponto rosado e quente...sentir aquela suavidade...oh meu deus!..Separa as pernas da morena e se deleita olhando seu centro de prazer...sem esperar convite dirige sua boca até ele...abre levemente os lábios e prova do maravilhoso manjar...inalando aquele cheiro provocador, ambas gemem...Clara pela onda de prazer causada por Marina e a própria por realizar o sonho de ter aquela mulher em toda sua plenitude...a mulher que entrou na sua vida e ocupou seu coração, que consegue causar esse turbilhão de sensações indescritíveis. Enlouquece quando captura entre seus lábios aquele botão rosado, começa a chupá-lo e a estimulá-lo com sua língua, primeiramente com movimentos suaves de um lado a outro...da esquerda pra direita com muita habilidade, sabe exatamente o que fazer, depois acelera um pouco mais...de baixo pra cima procurando penetrá-la com a ponta da língua...para logo depois chupá-lo novamente, à medida que esses movimentos aumentam mais e mais...estimulada pelos gemidos de Clara e pelo atrevido rebolado de seus quadris que bailam num ritmo delicioso fruto daquela intensa excitação...Marina introduz um dedo...e logo outro deixando Clara mais entregue ao seu toque...começa a movê-los penetrando-a enquanto sua boca se encarrega daquele ponto sensível...Clara não resiste a tanto prazer e seus quadris acompanham àquela sinfonia sexual...necessita de alívio e sente que seu orgasmo vai se construindo gradativamente...seu corpo move-se sozinho como se tivesse vida própria...pressiona a cabeça de Marina contra seu sexo...não vai permitir que aquela mulher se afaste...que retire aquela habilidosa língua de sua intimidade...
– Marina...vou gozar...vou...MARINAAAAAAAA grita ao mesmo tempo em que Marina assegura-se de sugar todo o gozo daquela bela mulher.