Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

49 Capítulo 49 - "Diz que me quer de novo..."


Notas iniciais
Música do Capítulo: Céline Dion - To Love You More (Versão Glee)

NYADA já não parecia ser tão interessante quanto antes. Estar lá, diante de tudo, parecia um erro terrível para Rachel. Queria estar em casa com Quinn, mas a loira insistiu muito para que ela voltasse às aulas e ela assim o fez. Completamente contrariada, mas fez. Ao chegar lá, percebeu que Carmen Tibideaux tinha por ela um apreço muito maior do que ela pensava. Todas as suas faltas foram abonadas. A professora com chefia em NYADA impediu que a morena se prejudicasse por seu afastamento. Todo o drama sofrido por Rachel era de conhecimento da direção da Faculdade. A polícia tinha ido lá colher depoimentos e Hiram havia comunicado pessoalmente da necessidade de ausência de sua filha. Shelby também teve participação...


Aquele lugar tinha sido o sonho de Rachel. E ainda o era, mas em intensidade muito menor. Quinn havia assumido um lugar tão definitivo e imenso em sua vida, que todo o resto perdeu espaço, deixou de ter a importância que antes tinha. Ela se sentia culpada por estar distante...


Ao adentrar a sala de sua primeira aula, avistou Amber, Nathan e outros colegas. Então se deu conta de que ali não tinha amigos tão verdadeiros e intensos como tinha daquelas portas para fora. Engraçado pensar que seus melhores amigos eram os da escola, quando na escola ela tinha sido tão provocada! Mas eles eram como seus irmãos... Ali em NYADA ela não tinha uma amizade daquelas. Lembrou-se de seu acidente há tempos e do que havia acontecido com ela e Quinn recentemente... Nenhuma daquelas pessoas ali foi visitá-la. Nenhuma realmente era tão importante assim. Recebeu de Amber um sorriso caloroso, acompanhado de um abraço com justificativas de porque não tinha telefonado em busca de notícias. Mas já não importava mais. Devolveu o carinho tardio recebido, por educação, e se concentrou em tentar absorver algo da aula, porque sua mente já não estava mais ali. Estava em Quinn.


A loira tinha sua mãe e irmã fazendo companhia, numa manhã fria de Nova York. Judy preparava uma montanha de comida para congelar, a fim de facilitar a vida de Quinn e Rachel, enquanto conversava com as duas filhas. A loira mais nova parecia tranquila, com os olhos fixos num ponto qualquer, sem qualquer relutância em falar sobre qualquer assunto:


J: A polícia o transferiu para um hospital aqui e o está monitorando. O juiz adiou o julgamento por tempo indeterminado até que ele melhore e possa realmente ser julgado. [explicava a situação de Russel]

Q: Eu quero ser testemunha. Eu quero falar no julgamento. [disse decidida]

F: Tem certeza, Quinnie?

Q: Tenho! [disse firme] Russel quase destruiu minha vida e não posso permitir que ele não saiba disso. Eu quero que ele saiba as consequências dos atos dele e eu quero dizer isso no tribunal. [disse segura]

J: Filha... Eu não quero que você se desgaste...

Q: Eu vou ficar bem, mamãe...

F: Quinnie... [limpou a garganta para falar com calma] Os pais da Jennifer entraram em contato e apesar do luto em que se encontram, eles gostariam de saber como você está e se um dia você poderia recebê-los.

Q: O que eles querem comigo? [perguntou surpresa]

F: Eles disseram que queriam se desculpar por tudo. Que apesar de desculpas não servirem de nada depois do que houve, queriam demonstrar um sentimento solidário de quem também sofreu com o que aconteceu. Eles me pareciam bem sinceros... Ao que tudo indica, eles não faziam ideia da mente perversa que a filha tinha.

Q: Não me surpreende... [suspirou] Eu não gostaria de falar com eles agora. Ainda acho tudo muito recente e estamos todos sofrendo por dores diferentes. Eu mal sei lidar com minhas próprias dores agora... [disse sincera]

J: Não se preocupe com isso, filha!

Q: Eu quero agradecer por todo esse suporte que todos vocês estão nos dando!

J: Não tem que agradecer, Quinnie! Somos uma família e é assim que as famílias devem funcionar.

Q: Leroy disse que somos uma grande família agora.

J: E somos mesmo!

Q: E Beth? [perguntou temerosa]

J: O que tem ela? [perguntou tranquila]

Q: Eu não vejo, por isso não sei como é a relação de vocês. Já que estão morando na mesma casa, estão convivendo e não foi uma escolha premeditada para que se aproximassem. [não sabia como se expressar melhor sobre suas dúvidas]

J: Ela é uma garotinha linda e inteligente! Exatamente igual a você na idade dela. [Quinn se arrepiou] Eu relutei muito em conhecê-la, porque eu não sabia como me encaixar na vida dela. E eu não pensei que merecia, que tinha o direito... [disse triste] Mas Shelby tem sido uma verdadeira amiga e nos deixa livres para convivermos com Beth. Não tem como não se apaixonar por ela. [sorriu sincera] Não é uma relação fácil, porque é estranho saber que sou avó dela, mas ela não sabe e não me chama assim. É estranho não ter autoridade sobre ela. Mas é maravilhoso ver cada jeitinho que ela herdou de você! [emocionava-se] Eu juro que se pudesse voltar no tempo eu voltaria e impediria que você fosse obrigada a deixá-la. [começava a chorar forte]

Q: Não chora, mãe! [pedia carinhosa] Frannie! Abrace-a por mim! [ordenou, já que seria um processo mais demorado se levantar e acertar o exato local em que sua mãe estava, sem esbarrar em algo]


Frannie assim o fez...


F: Agora somos todos uma grande família e tudo vai se encaixando com o tempo...


Pouco tempo depois, Quinn sentiu fortes dores de cabeça que lhe provocaram tontura e vômito. Sem esperar qualquer coisa, Judy e Frannie a levaram ao hospital. Devidamente examinada pelo Dr. Adam, logo foram tranquilizadas de que não era nada grave. Porém, o médico foi obrigado a mudar a medicação que não estava fazendo o efeito pretendido.


De volta à casa, Frannie fez companhia à Quinn no quarto, enquanto Judy terminava de cuidar da cozinha.


F: Está confortável? [perguntou deitada com a loira]

Q: Sim... [respondeu baixinho enquanto puxava o lençol para se cobrir mais]

F: Quer conversar?

Q: Sobre o quê?

F: Qualquer coisa...

Q: Queria Rachel aqui... [murmurou]

F: Ela chega já...

Q: Mas eu a queria aqui o tempo todo...

F: Ela quis ficar o tempo todo. Você quem a mandou ir à aula.

Q: Eu tinha que mandar!

F: Ela foi a contragosto.

Q: Eu sinto tanta falta dela... Mas não quero que ela me sinta dependente.

F: E desde quando, desde que vocês começaram a namorar, vocês são independentes? Pelo que sei e pelo que vejo, desde sempre vocês criaram essa simbiose intensa que ninguém consegue quebrar... [disse sorrindo]

Q: Isso é tão louco, Frannie... É tão louca a forma que preciso dela! [enfim voltava a ter uma conversa entre irmãs] Eu nunca pensei em me apaixonar dessa forma. E se antes me dissessem que eu me apaixonaria assim por uma garota, eu gargalharia irritada. Você sabe... [disse mais séria] Mas ela me desestabilizou desde sempre. Desde sempre ela me deixou louca! E eu descobri que o amor era capaz de me fazer livre, feliz e de me enlouquecer completamente. O corpo dela me enlouquece... [confessava] De uma maneira tão insana que cada vez que eu o toco eu sinto sempre uma ligação ainda mais forte com ela. Tudo nela é perfeito! Os detalhes do corpo, a voz, a personalidade, o cheiro... Ela própria e o que ela me faz sentir estão acima de qualquer rótulo de sexualidade. Mais do que me considerar gay, eu só posso me considerar completa e loucamente apaixonada por Rachel Berry. Da maneira mais insana que você puder imaginar. Muito mais do que sua imaginação é capaz... E, por isso, eu a quero aqui o tempo todo. Apenas para respirar ao meu lado. Apenas para deixar o cheiro em meu travesseiro. Apenas para roçar a perna na minha... Eu a quero aqui o tempo todo...

F: Você deveria dizer isso a ela... [falou sorrindo] Palavras tão lindas assim não deveriam ser ditas a mim, maninha...

Q: Ela sabe disso tudo. Tenho certeza de que sabe... Ela sabe que ela é tudo o que mais quero ver de novo...


Em NYADA as horas pareciam andar mais devagar do que o normal. Tentava se segurar para não ligar para Quinn, pois a loira tinha pedido que naquele dia ela se concentrasse apenas nas aulas, mas era muito difícil. A ansiedade de Rachel ficava cada vez maior e sua paciência não era das melhores enquanto caminhava de uma aula para a outra.


B: Que bom te ver aqui de novo!


A voz de Brody ressoou e sua vontade de ir embora ficou ainda maior. Sorriu educada e tentou seguir seu caminho, quando foi interceptada pelo rapaz:


B: Calma! Eu gostaria de te cumprimentar corretamente.

R: Já cumprimentou!

B: Não... [aproximou-se mais para dar-lhe um beijo no rosto] Isso é mais próximo do que eu gostaria de fazer! [disse provocante]

R: Qual o seu problema?! [perguntou irritada afastando-se]

B: Nenhum! [respondeu cínico]

R: Se você puder manter diálogo comigo apenas na sala de aula, eu agradeceria! [disse ríspida]

B: Bom... Lembra aquela peça misteriosa que eu disse que você era a atriz ideal para fazer? [prosseguiu sem esperar que a morena se manifestasse] Você foi a escolhida. Uma remontagem de “O Fantasma da Ópera”.


A atenção da morena se voltou para ele.


R: Como assim?

B: Escolheram você!

R: Mas como? Eu não fiz audição e ninguém entrou em contato comigo.

B: Você não precisou de audição. Viram seu material de apresentações passadas. Foi o suficiente.

R: “Viram” quem? Quem está produzindo? Como assim?

B: Calma! [gargalhou feliz ao ver o interesse dela] Calma! Eu te explicarei direitinho. Tome um café comigo e te passarei tudo.


Rachel o olhou confusa... Deu um passo vacilante para trás e o olhou bem novamente...


R: Um café? Com você? [o rapaz assentiu] O que você tem a ver com isso?

B: Eu serei seu par na peça! [disse animado] Seremos uma bela dupla. Ou um belo casal! O que você preferir! [piscou-lhe]


Ela não estava acreditando no que ouvia. Aquele cara só podia ser muito sem noção! Ele sabia que ela tinha uma namorada e que era muito apaixonada. Sabia que ela tinha passado por um período crítico por causa de Russel. Estava nos jornais. NYADA inteira sabia. E aquele cara não tinha um pingo de sensibilidade para lidar com aquilo da maneira normal... A morena respirou fundo e retomou a conversa:


R: Avise a quem tiver que avisar que eu recuso o papel... [disse calma]

B: O quê? [estava completamente surpreso]

R: Eu não tenho tempo agora para esse tipo de coisa. [disse enfática] E nem quero ter que contracenar com você! [finalizou firme]

B: Vai rejeitar uma chance dessa por causa da sua namoradinha? [perguntou irritado]

R: Também por ela, mas muito mais por mim! Eu não quero!

B: Ela está cega, não é?! Você vai servir de bengala pra ela para sempre ou só até cansar de avisar que tem degrau pra ceguinha não tropeçar?


Rachel não teve muito tempo para processar o que tinha sido dito. Sua mão já havia saído de onde estava e se chocado violentamente contra o rosto de Brody. Aquele tapa estava cheio de raiva! Ignorando a completa surpresa do rapaz que cambaleou um pouco ao sentir o peso de sua raiva, a morena se aproximou dele para deixar algo perfeitamente claro:


R: Fique longe de mim o máximo que você puder! Eu não quero mais te ouvir falar comigo. Me considere fora da sua matéria! Se você se aproximar de mim de novo eu serei obrigada a procurar a polícia para te forçar a ficar longe de verdade... [ameaçou furiosa]


Brody estava completamente surpreso com a reação da morena, e dolorido, na verdade. Rachel saiu dali rapidamente, ignorando qualquer aula que teria depois. Não tinha cabeça para continuar ali naquele dia. Não tinha cabeça desde que saiu de casa.


Quinn tinha dormido depois da conversa com Frannie, mas despertou tão logo sentiu a cama ceder. Não precisava enxergar para saber que era Rachel. Sentiu o cheiro fresco do sabonete da namorada, indicando que ela havia chegado e tomado banho antes de deitar. Logo depois sentiu os braços macios a abraçando...


R: Eu não queria te acordar. Desculpe... [disse baixinho, beijando-lhe o ombro]


Quinn virou-se para ela, encaixando o rosto em seu pescoço:


Q: Senti sua falta... [murmurou]

R: E eu a sua, meu amor... O tempo todo! [beijou-lhe a têmpora carinhosamente] Sua mãe disse que você sentiu dor e que vocês foram ao hospital... Eu fiquei irritadíssima por não terem me ligado, mas Frannie é uma excelente psicóloga e me acalmou...

Q: Desculpa... [murmurou constrangida]

R: Eu sei que você que pediu para não me ligar e espero que isso não se repita. [disse firme]

Q: Desculpa... [murmurou novamente]

R: Claro que desculpo! [suavizou a voz] Elas disseram que está tudo bem. Está mesmo? [perguntou preocupada]

Q: Sim. Está tudo bem! [garantiu]

R: Ótimo...


Em silêncio, Rachel acariciava as costas de Quinn, sentindo a respiração da loira ficando mais pesada em seu pescoço. Sentia que a estava excitando. Pôs a mão por baixo da blusa da namorada e passou a arranhar delicadamente a pele das costas quentes. Sentia os arrepios que provocava:


R: Estamos excitadas? [perguntou provocante]


Quinn assentiu com a cabeça. Tinha virado costume Rachel utilizar a primeira pessoa do plural em situações como essa. Era como se suas sensações estivessem sempre interligadas. E estavam mesmo!


R: Sabe há quanto tempo não fazemos amor?

Q: Muito tempo! [murmurou]

R: Eu quero muito fazer amor com você de novo!

Q: Minha mãe está lá fora...

R: Mas não está aqui dentro...


Rachel se moveu. Fez com que Quinn se deitasse de costas para a cama e tomou seus lábios com carinho. Beijava com extremo amor, até conseguir a permissão para sua língua entrar. A loira cortou o beijo:


Q: Rach... Minha mãe...

R: Shhhh... [calou-a novamente] Só me sinta...


Quinn não tinha como resistir... Seu corpo gritava de saudade por Rachel. E a morena estava ali, toda quente querendo tocá-la de novo. Ela não resistiria...


R: Só me sinta... [sussurrava carinhosa]


O próximo passo foi Quinn sentindo as mãos de Rachel retirando sua blusa e, logo depois, os lábios da morena em sua barriga, mordiscando seu ventre... Rachel baixava o elástico da calça de moletom de Quinn, beijando delicadamente o começo do tecido da calcinha. A loira respirava forte, fechando os olhos com força. Naquele momento, a falta de sua visão sequer foi percebida. Rachel a fazia começar a esquecer de tudo...


Quinn estava sem sutiã, o que facilitou o acesso de Rachel a seus seios. Os lábios carnudos logo se apossaram dos montes perfeitos, fazendo a loira gemer intensamente. A língua da morena brincava com os mamilos rígidos de Quinn, enquanto chupava com saudade cada um de seus seios. Rachel estava louca de saudade... Louca de desejo... Parou um pouco o que fazia para se aproximar do ouvido da namorada...


R: Senti tanta falta do gosto do seu corpo! [sussurrava apaixonada] Quero brincar com seus outros sentidos, meu amor... Quero unir nossos corpos novamente... Minha pele precisa da sua. Meu desejo está desesperado pelo seu... [sussurrava em seu ouvido] Diz que me quer! Diz que me quer de novo...

Q: Eu te quero! [disse rapidamente com a voz rouca de prazer] Eu te quero o tempo todo...

R: Então me sinta, ok?! Eu quero que você me sinta...


Rachel levou os lábios ao pescoço de Quinn, deixando uma delicada mordida, seguida de um chupão excitado e apaixonado. Sequer pensou em não deixar marcas... Deixou que sua mão direita percorresse o corpo da loira, até pousar sobre a calcinha já úmida. Acariciava delicadamente por cima do tecido, sentindo o corpo da namorada responder aos seus estímulos.


Rachel não podia deixar de observar as reações de Quinn aos seus toques. Havia algo diferente. Uma sensibilidade potencializada, talvez, pela falta de visão. Quinn gostava de apreciar os movimentos de Rachel quando faziam amor e, na maioria das vezes, gostava de dominar. Mas naquele momento, além de se deixar dominar, ela não tinha mais a visão do que a morena fazia. Talvez, por isso, seus outros sentidos estivessem todos concentrados em sentir cada mínima sensação. Quinn gemeu mais uma vez e sentiu a boca de Rachel calá-la com um beijo quente, ao mesmo tempo em que sua audição, mais aguçada do que o normal, ouviu as batidas na porta. Era Judy as chamando para comer...



[CONTINUA...]

Notas finais
Espero que gostem!
Não me atirem pedras por ter parado onde parei. Kkkkkkk Eu disse que teria uma cena hot e teve. No próximo capítulo haverá uma cena mais completa e sensível como eu quero e que não é tão simples de escrever. Tenho recebido dicas ótimas e o melhor é que elas casam com o que eu já havia pensado! Vocês estão mesmo em sintonia comigo! ;-)

A música escolhida é linda, principalmente na versão de Glee, na voz da Lea. E também foi indicada há um tempo atrás via ask. Obrigada a quem indicou!

Comentem! :-)

Hoje é sexta-feira, mas não poderei atualizar mais nenhum capítulo dessa fic hoje, nem de EAST e MR até domingo à noite. Desculpem!
Não estou dizendo que domingo à noite haverá postagem. Estou dizendo que só a partir de domingo à noite é que terei tempo para escrever. Dependerá muito da minha criatividade e inspiração. Mas elas serão atualizadas o mais rápido possível!

Obrigada pelas novas recomendações, pelos comentários lindos de vocês e pelas mensagens igualmente lindas que vocês deixam no twitter e no ask.

Comentem muito aqui! Preciso saber o que acham!

Beijos e bom fim de semana para vocês! :-)