Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

50 Capítulo 50 - Intimidade...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Ed Sheeran - Kiss Me

Judy estava muito contente em ver Quinn tomando sua sopa sem reclamar, mas Rachel não parecia com apetite. A morena tentava não deixar sua frustração transparecer e fazia um ótimo trabalho em se tratando de sua sogra e sua cunhada. Só que Quinn podia até não enxergá-la, mas a conhecia melhor do que ninguém e sabia que Rachel não suportava ser interrompida, principalmente durante o sexo. Já fazia um tempo que não faziam amor e sabia que isso deixava a morena de mau humor. Não pelo sexo somente, mas por toda a intimidade que sempre dividiam. Eram sempre momentos muito intensos onde compartilhavam muito mais do que prazer. Rachel sentia falta disso e Quinn também, claro! Mas era difícil ficarem sozinhas agora. Todos os dias tinha alguém no apartamento. E nos dias que seguiram aquele, Beth pediu para dormir por lá, ficando entre elas na cama...

Quinn estava sentada em frente ao Sr. Thomas, ouvindo todas as opções que Columbia lhe dava. A loira tinha decidido trancar sua matrícula e pedir à Universidade que aceitasse seu pagamento de reembolso com os custos que eles cobriram de seus gastos hospitalares, mas seu pedido foi negado. Ela não achava justo que eles pagassem seu tratamento se ela não estivesse em sala de aula, mas eles deixaram muito claro que ela era uma aluna importante e muito querida que teria todo e qualquer apoio que precisasse. Garantiram manter o pagamento de todos os seus custos médicos enquanto fosse necessário... Mas ela era teimosa e Santana a repreendia ao seu lado. Seria uma discussão infinita se o Sr. Thomas não tivesse sido calmo e muito esperto, explicando à Quinn que a Universidade disponibilizaria para ela gravadores e um intérprete que pudesse acompanhá-la nas aulas teóricas, assim ela poderia ouvir as aulas em casa e fazer com que seu intérprete escrevesse por ela em sala de aula. Sr. Thomas ainda deixou claro que ela poderia recuperar as aulas visuais quando voltasse a enxergar. E ele tinha certeza de que isso não demoraria... Michael se dispôs a ser seu guia em cada canto da Universidade, mas Santana frisou autoritária que no banheiro, ela quem seria a companhia.

Então Quinn não tinha desculpas. Ela não tinha que ficar em casa se lamentando, nem desistindo de nada. Columbia estava lhe dando suporte e condições de tentar manter sua vida o mais normal possível. Por mais que ela quisesse ficar completamente feliz por isso, ainda se sentia completamente estranha. Ela não gostava de depender das pessoas e pelo que estava observando, para tudo ela precisaria de alguém. Em Columbia ela teria Michael e Santana para guiá-la, além de um intérprete durante as aulas. Em casa, sempre tinha alguém cozinhando para ela ou mantendo a casa limpa. E ela sentia que aquilo estava deixando Rachel meio estranha. Era como se a morena sentisse falta de fazerem as coisas uma pela outra, mas quando chegava em casa tudo estava pronto. E não era feito por elas. Claro que estavam agradecidas por todo o suporte que estavam recebendo, mas sentiam falta daquela intimidade que partilhavam. Dos pequenos detalhes... Quinn conseguia transitar dentro de casa sem a bengala que foi comprada para ela, mas ali em Columbia, fora de casa, ela não pôde abrir mão da bengala, nem dos óculos escuros. E aquilo a fez se sentir mal... Santana percebeu, mas nada disse. Não tinha visto Quinn chorar nem reclamar de nada desde que voltou pra casa, mas sabia que ela corroía por dentro a mágoa de estar sem enxergar, de estar tão dependente...

Enquanto caminhavam em direção ao carro, com Quinn segurando firme em seu braço, a latina sentiu seu corpo ser obrigado a parar. A loira havia fincado os pés no chão de repente e se colocou a soltar o braço de Santana que logo percebeu o que ela fazia. Quinn passou a dobrar a bengala até que ficasse desarmada completamente. Logo tateou o braço da amiga para segurar-se firme e voltarem a andar:

Q: Eu não quero mais usar isso... [resmungou]

S: Mas você precisa, Q!

Q: Mas eu não quero! [insistiu firme]

Santana não a forçou...

Rachel terminava de juntar seu livro de História da Arte e seu caderno para ir embora. Tinha aula de dança, mas faltaria. Estava decidida a cumprir com sua promessa de ficar fora da turma de Brody, mas sabia que precisava avisar isso na secretaria. Só que não naquele dia... Ela queria correr para casa. A cada dia que passava parecia que a saudade de Quinn ficava ainda mais doída. Ela não aguentava mais ficar tanto tempo longe sem que seu humor mudasse drasticamente...

Passou voando pelo corredor, sendo avistada por Brody que até tentou fazer algum contato, mas foi completamente ignorado pelo caminho...

O dia não estava no melhor dos climas. Estava frio, completamente nublado e era certo que choveria torrencialmente. Rachel passou a temer ser pega por uma tempestade, já que não havia ido de carro naquele dia. Pedia silenciosamente que a chuva esperasse que ela chegasse em casa, quando colocou os pés fora de NYADA. Olhou cansada para frente, rezando para encontrar um táxi. Ela não queria enfrentar o metrô naquela hora. Mas seus olhos foram pegos de surpresa. Por uma linda surpresa! Quinn estava encostada no carro, com um grande copo de café em mãos. Santana estava ao seu lado dizendo alguma coisa. O coração de Rachel falhou uma batida quando viu o sorriso de Quinn. Logo, esse mesmo coração passou a bater desesperado.

A loira tinha pedido à Santana que a acompanhasse até NYADA para que ela pudesse esperar por Rachel da mesma forma que já havia feito outras tantas vezes. Passaram na mesma cafeteria de sempre e Quinn tentou explicar à latina o exato lugar onde ela deveria parar. Enquanto esperava Rachel sair do prédio, Quinn se livrou dos óculos escuros e tentou parecer o mais natural possível. Ela queria que a namorada a visse como antes e que nada parecesse diferente...

Santana a avisou quando Rachel apressou o passo. Quinn perguntou como a morena estava e quando a latina respondeu “com um sorriso mais do que bobo” o coração da loira apertou. Ela imaginou o sorriso que já conhecia e sofreu por não vê-lo mais...

Rachel jogou seu livro e caderno para Santana, que demonstrou um belo reflexo ao segurá-los no ar, e se encaixou feliz nos braços de Quinn. Teve o cuidado de não colocar o impulso que pretendia para não desequilibrar a namorada com a surpresa. Assim que sentiu o corpo menor se encaixar ao seu, Quinn a apertou carinhosamente entre seus braços, sentindo o cheiro da morena invadir seu olfato, sua memória... O rosto de Rachel se encaixou em seu pescoço, e foi aí que a loira sentiu a umidade tocar sua pele...

Q: Você está chorando? [perguntou suavemente]

Rachel não respondeu verbalmente, mas Quinn sentiu o balançar afirmativo de sua cabeça...

Q: E por que você está chorando? [manteve o tom suave]

R: Porque eu estou feliz por você estar aqui... [murmurou contra a pele do pescoço cheiroso]

Quinn sorriu feliz pelo resultado de sua ideia... Santana logo deu cumprimento ao combinado previamente:

S: Ok, casal meloso... [disse enquanto abria a porta do carro para colocar as coisas de Rachel dentro] Minha missão já foi cumprida! Agora eu tenho que ir resolver minhas coisas enquanto vocês se lambem...

Q: Obrigada, S! [sorriu-lhe em direção à voz, ainda com Rachel em seu abraço]

Santana pôs a mão em seu ombro e o apertou levemente, substituindo a tradicional piscada que daria se Quinn pudesse ver. Pôs a chave do carro na mão da morena e se apressou para pegar um táxi.

Ao sentir a chave em sua mão direita, Rachel acordou daquele entorpecimento inicial. Parecia algo tão simples para quem via de fora: uma namorada indo esperar a outra na porta da faculdade. Mas não era só isso. Era Quinn saindo de casa. Era Quinn tentando fazer o que sempre fazia. Era Quinn sendo carinhosa. Era Quinn sendo apaixonada. Era Quinn sendo forte. Era Quinn sendo Quinn...

Quando sentiu a namorada se movendo em seus braços, não teve tempo de dizer alguma coisa. Rachel se apossou de seus lábios imediatamente em um beijo cheio de vontade. Vontade de tudo...

R: Você é a melhor coisa do meu dia... [murmurou sobre os lábios rosados] A melhor coisa de todos os meus dias, meu amor...

Q: Então isso quer dizer que você gostou mesmo de me ver aqui? [sorriu encabulada]

R: Mais do que gostei... [voltou a beijá-la]

As mãos de Quinn não podiam ter a mesma reação, afinal de contas, uma delas ainda segurava o copo de café. Mas a direita se moveu e logo encontrou a nuca descoberta de Rachel, que naquele dia usava um lindo rabo de cavalo que a loira só podia imaginar... Deslizou os dedos sobre a pele macia, arrancando suspiros da morena que se agarrava com força ao seu casaco grosso. O beijo que havia começado calmo, já tinha avançado para a atuação de suas línguas e Quinn podia sentir que Rachel estava morrendo de saudade. Saudade de tanta coisa...

R: Obrigada por vir...

Seu tom de voz fez Quinn se arrepiar. Apesar de não vê-la pôde claramente perceber a sinceridade da felicidade da namorada em encontrá-la ali...

Q: Seu café está esfriando... [sorriu]

Sem dizer nada, Rachel tirou o copo da mão dela e voltou a beijá-la. Dessa vez, um delicado encostar de lábios...

R: O café perde toda a importância diante de você... [confessou apaixonada]

Estavam no carro, enquanto Quinn contava sobre ter ido à Columbia:

R: Mas eu queria ter ido com você! [reclamava um pouco frustrada]

Q: Desculpe... Mas eu precisava ir hoje e você estava em aula. [explicava calma]

R: Eu teria faltado se você tivesse falado.

Q: Eu não queria que você faltasse...

Estavam paradas no semáforo, então Rachel pôde desviar sua atenção do trânsito um pouco. Virou-se rapidamente para Quinn e segurou-lhe o rosto:

R: Entenda que você é minha prioridade. Não importa o que eu tiver para fazer, você sempre será mais importante! Entendeu?

Quinn sorriu encabulada e assentiu com a cabeça...

R: Ótimo! Espero que não esqueça isso!

Mais alguns minutos contando sobre tudo o que tinha sido resolvido em Columbia e Quinn sentiu o carro parar. Estranhou quando sentiu Rachel desligar o motor.

Q: Chegamos?

R: Sim. Mas não em casa... [respondeu calmamente, retirando o cinto de segurança da loira]

Q: Onde estamos?

R: Central Park. Eu quero passear com você...

O sorriso que se formou no rosto de Quinn era único e fazia o coração de Rachel derreter. A loira não tinha sorrido muito ultimamente e nem era difícil compreender. Mas ali, na simplicidade de um passeio ela encontrava seu sorriso de novo...

A proximidade necessária com que caminhavam fazia com que cada uma tivesse seus silenciosos e individuais momentos de prazer suave. Apesar das camadas de tecidos que as protegiam do frio, ainda conseguiam focar no calor natural que a outra lhe proporcionava. Era Rachel quem guiava, claro!

R: Confie em mim! Não há nada por perto para você tropeçar...

Mesmo assim era difícil para Quinn se sentir 100% segura. Não enxergar limitava bastante seus movimentos. Mas ela tinha que confiar em Rachel e na segurança que seu corpo tentava impor. Estava funcionando...

Sentaram-se em um banco, fazendo Quinn relaxar muito mais do que quando estavam caminhando. Rachel se aconchegou ao corpo dela e as coisas pareceram mais com o que eram antes...

R: Vai ser muito meloso se eu disser o quanto estou feliz por você ter ido me buscar? [perguntou encabulada]

Q: Não ligue para as bobagens que Santana diz... [sorriu carinhosa]

R: Somos tão melosas quanto ela diz?

Q: Talvez mais! [brincou]

R: QUINN! [exclamou sorridente]

A loira se moveu para dar um beijo carinhoso na têmpora da morena, sentindo-se vitoriosa por acertar ao alvo.

Q: Nem todos os dias são fáceis... [confessou de repente] Só peço que não perca a paciência comigo...

Rachel moveu-se para olhá-la e encontrou a expressão tensa da namorada, entendendo que ela estava com medo de a morena cansar dela antes que sua visão voltasse.

R: De onde vem isso? [perguntou sinceramente confusa]

Q: Eu sei que posso ser desagradável às vezes e quero que você me perdoe quando isso acontecer. Quero que entenda que eu posso ser melhor do que esses momentos em que talvez pareça que eu perdi a esperança...

R: Quinn! [chamou séria] Se você está tentando me convencer a nunca te deixar, pode parar! [manteve o tom] Não sei de onde você tirou a ideia de que precisa mesmo me convencer disso.

Q: Eu só quero que...

R: Eu não vou te deixar! [interrompeu] Entenda que não vai haver um dia em que vou me cansar de estar com você. Seja por qual motivo for. [garantiu] Eu sou obcecada por sua presença em minha vida. Você é meu oxigênio. Então não pense que estou com você para cuidar ou porque você me ama. Estou porque eu te amo e preciso de você! E sou egoísta o suficiente para ser possessiva e te segurar para sempre porque você é minha... [finalizou com o tom mais tranquilo]

Q: Então sou seu objeto? [tentou brincar para descontrair o clima]

R: Isso! Você é meu objeto! Minha propriedade! [sorriu, voltando a se aconchegar no colo dela] E pare de pensar bobagens!

Ambas respiravam o ar puro ao redor, mesmo sendo estranho que houvesse ar puro em meio à metrópole. Sentiam naquele abraço a segurança que precisavam. Quinn não sabia, mas Rachel tinha mais medo de ser deixada do que ela mesma...

Quando a porta do apartamento se fechou, as duas respiraram aliviadas pelo silêncio do local. Não sabiam que Santana tinha se adiantado e ligado para Judy e os Berry, dizendo que ficaria com as garotas naquela noite. A latina sabia que elas precisavam ficar sozinhas e que os pais delas estavam sem muita noção de limites.

R: Toma banho comigo?

A pergunta foi acompanhada pelas mãos espertas de Rachel, que se encarregavam de retirar as camadas de roupa que Quinn usava. A loira não precisou responder. Sua inércia em impedi-la já era a resposta...

Durante o banho, Rachel as guiava, tentando impedir que molhassem seus cabelos. Divertiu-se retirando os restos de sabonete que ficaram na pele de Quinn e passaram despercebidos pela falta de visão da loira. Fez com que isso deixasse de ser um incômodo...

O pijama de Quinn passou a ficar sob o travesseiro, para facilitar o acesso da loira a ele. Então, tudo o que ela precisava era se deslocar à gaveta de calcinhas e começar a se vestir. Mas Rachel a impediu. Segurou-a levemente em um abraço solto e usou seu tom de voz mais suave:

R: Não vamos nos vestir...

Q: Não?

R: Não... Estamos sozinhas e eu quero aproveitar para matar a saudade...

Quinn estremeceu e Rachel sentiu. Não imaginou que a namorada ficaria tensa com algo que já era tão comum entre elas.

R: Tudo bem?

Q: Eu não sei... [respondeu sincera]

R: Você não quer? [perguntou temerosa]

Q: Claro que quero! [respondeu rapidamente]

R: Então qual o problema?

Q: Eu não sei se... Não sei se vou conseguir te satisfazer... [disse preocupada]

R: E por que não conseguiria? [sua confusão era evidente]

Q: A visão me faz falta, Rach... [respondeu o óbvio]

R: Quinn... [suspirou] Em 90% do tempo em que fazemos amor você fica de olhos fechados. O que há de diferente agora?

Q: Eu quero te ver! Eu quero ver seu corpo! [disse frustrada]

R: Já transamos com você vendada! Você não me via em momento algum. E foi maravilhoso! Por que agora seria diferente?

Q: Era opcional. A sensação era outra!

R: Era opcional para mim! [enfatizou] Não pra você!

Q: Mas...

R: Se você não se sente à vontade, tudo bem... [tentou parecer compreensiva, mas estava bastante frustrada]

Q: Meu amor... Eu quero!

R: Não se preocupe... [disse carinhosa] Quando você estiver pronta nós faremos... [beijou-lhe delicadamente os lábios]

Quando sentiu a língua de Rachel deslizar carinhosa por seu lábio inferior, Quinn sentiu seu corpo em chamas. Ela queria enxergar as curvas da morena mais do que tudo! Ela precisava... Mas não poderia esperar mais. Não poderia esperar que o destino lhe desse uma nova chance. Ela teria que viver até que tudo voltasse ao normal. E ela viveria...

Rachel sentiu sua cintura ser agarrada com força pela loira, soltando um gritinho pela surpresa.

Q: Eu quero que você me vende... [pediu decidida]

R: Mas...

Q: Arrume uma venda e cubra meus olhos...

A morena ponderou. Na cabeça de Quinn, estar com sua visão interrompida por uma venda fazia com que ela se iludisse pensando, momentaneamente, que sua cegueira só existia naquele instante e que era provocada pelo pedaço de pano.

R: Não... [respondeu calma]

Q: Por que não? [perguntou confusa]

R: Eu quero ver seu rosto inteiro. E não quero que você se iluda. [Rachel a conhecia muito mais do que ela imaginava] Eu quero que você explore seus outros sentidos e não que engane um deles.

Q: Mas, Rach...

R: Confie em mim... Eu vou fazer você ver estrelas... [provocou]

Quando Quinn sentiu o corpo nu de Rachel deitar sobre o seu igualmente nu e quente, estremeceu por completo. Elas esperaram tanto por aquele momento, que era possível que aquela ansiedade que estavam sentindo fosse maior do que a que sentiram na primeira vez em que foram tão íntimas. Rachel beijava cada pedacinho de seu rosto calmamente, enquanto encaixava a perna direita entre as dela. Quinn gemeu quando a coxa da morena encostou em sua intimidade. Sua umidade logo mostrou à namorada que ela estava pronta para aquela noite:

R: Estamos excitadas? [provocou sorridente]

Q: Hum hum... [murmurou]

R: Ótimo... [sussurrou sobre seus lábios]

Quinn sentiu a boca quente e sedenta de Rachel deslizar por sua pele, sugando seu pescoço em uma tentativa clara de marcá-la. Antes de perder a visão, a loira teria se focado nessa sensação, mas naquele momento, ela sentia aquilo na mesma intensidade em que sentia os seios nus da namorada tocarem os seus e a coxa gostosa movendo-se entre suas pernas. Os sons que Rachel produzia também entravam nessa onda de sensações. Quinn sentia tudo elevado à máxima potência. Descobria o quão incrivelmente seus outros sentidos podiam atuar para compensar a falta de sua visão. O cheiro da pele de Rachel impregnava em sua própria pele, deixando-a desnorteada. Ela poderia se manter quieta, deixando que a morena explorasse seu corpo à vontade. Mas ela queria mais. Ela sentia falta e ela iria supri-la.

Quando Rachel ameaçou descer por seu corpo distribuindo beijos, Quinn a segurou em seus braços, tateando a pele quente da morena até segurar seu rosto entre suas mãos. Sem dizer nada, a loira a puxou para um beijo profundo, explorando a língua de Rachel com uma fome acumulada. A morena gemeu dentro de sua boca, sentindo-se renovada com a atitude de Quinn de tentar dominar o momento.

Q: Eu posso te ver. Mesmo sem te enxergar, eu posso te ver... Eu sinto seu corpo e vejo você!

Rachel não disse nada. Não tinha como dizer nada diante daquelas palavras perfeitas. Aliás... Tinha sim...

R: Eu te amo! Mais do que tudo... Eu te amo!

Então voltou ao que fazia antes... Deslizou os lábios pelo colo de Quinn, tentando manter a loira deitada, mas ela queria dominar. Rachel subiu um pouco mais e ficou novamente na mesma altura que ela. Segurou as mãos de Quinn sobre a cabeça da loira e passou a explicar como as coisas aconteceriam:

R: Hoje eu que domino, meu amor... Deixe que eu ame seu corpo. Estou morrendo de saudade da sua pele... [dizia carinhosa] Deixe que eu te mostre isso...

Quinn assentiu. Sabia que Rachel queria fazê-la explorar os outros sentidos. E, acima de tudo, sabia que a morena precisava tocá-la de todas as formas. E ela deixaria... Ela precisava sentir Rachel tão íntima outra vez...

A morena sugava os seios de Quinn com volúpia e intensa adoração. Para Rachel aquele momento significava tanto! Não podia ser resumido apenas em um atendimento a seu desejo carnal. Tratava-se delas duas voltando a serem elas duas. Voltando a ser uma só. Sentir a textura dos seios de Quinn em sua boca era sentir a textura da vida de Quinn em suas mãos. Seu amor estava vivo e ao seu alcance. Rachel agradeceu silenciosamente a Deus por lhe dar aquela chance novamente...

Quinn fechava os olhos com força ao sentir a língua de Rachel deslizando por seu ventre e descendo rumo à sua intimidade. A morena já tinha feito aquilo. Elas já tinham feito aquilo uma infinidade de vezes. Mas tudo estava sendo muito diferente. As sensações provocadas em Quinn eram mais intensas...

E aquele sabor era o preferido de Rachel... A loira arqueou as costas ao sentir os lábios da namorada em sua intimidade novamente. E a morena estava com bastante fome. Era fácil dizer que Rachel nunca havia feito sexo oral em Quinn daquela forma antes. Saudade acumulada realmente tinha seu efeito. Ou seria amor acumulado?

A morena alternava entre os grandes lábios da namorada e a pele do interior de suas coxas. As marcas roxas que apareceriam por ali no dia seguinte demorariam a sair... Então sua atenção focou em apenas um ponto... Quinn não conseguia se expressar ao sentir a língua de Rachel explorando pacientemente sua intimidade. A morena sugava com força o ponto pulsante e o soltava para soprar delicadamente, voltando a sugá-lo com força novamente. Antes que os dedos de Quinn se prendessem ao lençol, Rachel ergueu suas mãos e entrelaçou seus dedos. Elas teriam que se complementar em todos os aspectos naquela noite. A loira estava enlouquecendo... Sentir aos lábios carnudos se apossando de sua intimidade a estava jogando para fora de seu corpo. Mas foi quando a língua de Rachel invadiu seu interior que ela quase conseguiu ver cores diante de seus olhos. Naquele momento, nada mais pareceu existir. Aquilo já havia acontecido, mas não daquela forma. E Quinn jamais saberia dizer o que tinha de diferente. Só sabia que já não era mais igual...

Rachel se entorpecia do gosto de sua namorada e gemia conforme seus próprios movimentos iam se intensificando. Não pretendia abandonar o local antes de sentir o prazer de Quinn escorrendo por seus lábios. E assim o fez. Sentiu quando as mãos da loira apertaram as suas com força, bem como o tremor do corpo suado. Não demorou e seus lábios foram encharcados pela essência de Quinn. Rachel lambeu cada um dos lábios de forma sensual, mesmo que a loira não pudesse vê-la. Olhou para cima e admirou o peito da namorada subindo e descendo ofegante. Admirou seu corpo todo... Cada curva que conhecia tão bem... Por alguns segundos se ateve a olhar cada pedacinho de Quinn e sentiu-se orgulhosa ao constatar que conhecia cada centímetro. Que sabia a posição de cada pequeno sinal e cada detalhe... Seus olhos encheram de lágrimas ao se dar conta do quão completa era a existência de Quinn em sua vida. E o quanto essa existência a fazia igualmente completa...

Q: Rach? [chamou ofegante]

A morena saiu de seu transe e deslizou sobre o corpo da loira...

R: Aqui, meu amor... [respondeu sobre seu rosto]

Quinn buscou seus lábios e os acertou em cheio, sentindo seu próprio gosto na língua de Rachel...

Q: Foi incrível! [disse ofegante] Incrível!

R: Você que é incrível... [deslizava o nariz delicadamente por todo o rosto suado de Quinn]

Rachel sentiu a moleza do corpo da namorada e concluiu que, naquele momento, talvez já tivessem provado o suficiente. Por enquanto...

R: Cansada?

Q: Um pouco... [tentava respirar normalmente]

A morena deitou-se ao lado de Quinn, puxando-a para deitar em seu peito. A mão da loira se encarregou de cobrir o outro seio de Rachel, levando um divertido tapinha de leve:

R: Você está cansada... [repreendeu sorrindo]

Q: Mas não estou morta... [sorriu travessa]

Rachel beijou a testa de Quinn com carinho, sentindo o delicioso gosto salgado do suor da namorada. Deslizava os dedos delicadamente pelas costas da loira, sentindo cada uma de suas vértebras. Sentindo o arrepio que provocava na pele macia...

R: Você sabe que faremos mais na próxima vez, né?!

Q: Hum hum... [murmurou sonolenta] Você sabe que eu vou querer dominar, não sabe?!

R: Se eu deixar, você dominará... [disse divertidamente autoritária]

Q: Se você deixar... [concordou sonolenta]

E os beijos demorados na testa de Quinn foram se repetindo até a loira pegar no sono de vez. Rachel não dormiu. Não de imediato. Ela ainda precisava usufruir daquele momento. Ela tinha seu amor em seus braços. Ela ainda sentia o gosto de Quinn em sua língua e sentia seu cheiro mais forte do que nunca. Ela se sentia preenchida por ela. Pela primeira vez, desde muito tempo, ela se sentia novamente em casa... Ela estava onde sempre deveria estar. Era em Quinn que ela se encontrava... E seu coração pôde ficar confortável de novo ao saber que em seus braços estava sua vida. E foi ali, sentindo a perna da namorada sobre as suas e a respiração da loira batendo em seu peito, que ela percebeu que na verdade era ela quem estava assumindo uma nova visão sobre tudo. No momento em que parecia que seria a loira aquela que descobriria novas sensações potencializadas pelos outros sentidos, Rachel descobriu que sentia as mesmas coisas. Quinn era a continuidade de seu corpo... Quinn era todos os seus sentidos...

Notas finais
Escrevi, apaguei. Escrevi, apaguei... Por isso demorei. ;-)
mas aqui está o capítulo e espero que gostem!
Chegamos ao 50º capítulo com mais de 1.200 comentários e isso me deixa tão feliz! Muito obrigada por esse presente! :-)
Já me perguntaram se a fic está perto de acabar e quero deixar claro que pretendo deixá-la do mesmo tamanho da fase 1. Ou seja, estamos na metade. Ainda há muita coisa a acontecer. Muita coisa boa! ;-)

Nos próximos capítulos veremos mais intimidade e também Quinn fraquejando um pouco.

A música desse capítulo foi uma indicação de "V". Obrigada viu? Pelas indicações sempre certeiras! ;-)

Mas eu gostaria de dedicar este capítulo à ilustre aniversariante de ontem. Eu comecei a escrever o capítulo quando ainda era aniversário dela, mas acabei atravessando para o outro dia... :-( Mesmo assim, eu não posso deixar de parabenizá-la.
Querida "Someone", mais do que te desejar um feliz aniversário, uma feliz vida, eu quero te agradecer por ter sido uma das minhas primeiras inspirações para escrever! Você sabe que "Diário" é meu manual. E se hoje eu tenho leitores fieis que gostam do que escrevo, posso dizer claramente que devo grande parte disso a você, por ter me servido de inspiração em sua obra-prima.
Então, só posso desejar que você seja sempre muito feliz, com seu grande belo coração sendo respeitado e admirado como merece. :-) Escreva sempre para que possamos ver mais de você através de suas palavras...