Você Sempre Esteve Em Mim
66 Capítulo 66 - Orgulho...
Notas iniciais
Santana pegou carona com Michael para ir pra casa, enquanto Quinn e Rachel pegaram um táxi em direção ao hospital. A morena estava estranhamente calma, enquanto a loira ainda falava sobre como ficou impressionada com a reação das pessoas. Rachel assentia e sorria para o que ela dizia, mas a curiosidade em saber qual era o livro por baixo do papel de embrulho a estava consumindo.
R: Você não vai abrir? [perguntou o mais calma que conseguiu]
Q: Em casa eu abro. [respondeu também calma]
R: Não está curiosa para saber qual livro é?
Q: Sim, estou! Mas não tanto que me faça abrir agora. Tudo bem? [perguntou calma]
R: Sim. Claro! [manteve-se calma, pelo menos por fora]
Já na consulta, o médico estava maravilhado com a recuperação de Rachel:
Dr. Lawrence: Se alguém me contasse sobre seu acidente e sobre todas as paradas cardíacas que você teve, eu não acreditaria que sua recuperação foi tão rápida! [disse animado]
Q: Ela está mesmo bem? E as dores que ainda sente? [perguntou preocupada]
Dr. Lawrence: Os exames indicam que está tudo bem, que não há nenhuma sequela do acidente. Seu corpo vai se recuperar 100%, Rachel! Essas dores são dessa recuperação. E a cicatrização dos cortes e da cirurgia está perfeita! Já não precisa usar curativos. Muito bem, Rachel!
R: Parabenize a Quinn! Ela tem sido uma enfermeira exemplar! [disse com um sorriso doce]
Dr. Lawrence: Então, meus parabéns, Quinn! [disse sorrindo] Ainda quero te ver na semana que vem, Rachel. Mas não precisa mais tomar os remédios que vem tomando. Vou lhe receitar apenas dois novos: um para as dores no corpo, principalmente no braço, e outro para as dores de cabeça. Nos primeiros dois dias, você vai tomar nos horários determinados. Depois, só quando a dor aparecer.
R: Estou liberada para dançar?
Dr. Lawrence: Para tudo que o seu corpo aguentar. Mas o escute. Quando a dor aparecer, pare o que estiver fazendo. Significa que ele não está preparado.
R: Certo! Obrigada, doutor! [disse com um sorriso ao se levantar, acompanhada por Quinn]
Enquanto esperavam um táxi, Quinn teve uma ideia:
Q: Que tal jantarmos para comemorar seus exames e minha palestra? [disse sorridente]
R: Acho uma excelente ideia! [respondeu sorrindo] Onde jantaremos?
Q: Pensei num lugar que vi perto de casa. Parece ser bom.
R: Ótimo!
Não demorou para o táxi chegar, nem para levá-las ao destino apontado por Quinn. O restaurante vegetariano parecia novo e o ambiente era bastante agradável:
R: Quinn, aqui não tem carne e você detesta carne de soja... Podemos comer em um lugar que tenha algo que você goste! [disse preocupada]
Q: Não! Eu gosto de carne, mas também gosto de salada. Sei que vou encontrar algo que me agrade aqui. [sorriu carinhosamente]
Os pratos não demoraram a chegar e a conversa fluía, com uma Quinn mais falante e uma Rachel mais ouvinte. Com certeza, uma inversão de papéis. A morena ainda estava incomodada com a presença daquele embrulho que descansava sobre uma das cadeiras, mas tentava, a todo custo, disfarçar. Mesmo assim, Quinn percebeu.
A loira fez questão de pagar o jantar, depois de muita relutância da morena. Pegou sua mão e entrelaçou seus dedos, enquanto caminhavam de volta pra casa. Sentiu o aperto da mão de Rachel, que buscava, silenciosamente, mais contato. Quando chegaram em seu andar, abriram as portas dos dois apartamentos e deram de cara com Santana em um e Kurt no outro, falando no Skype com Britt e Blaine, respectivamente:
R: Onde dormiremos hoje?
Q: Pode ser aqui? [puxou-a em direção ao 112]
Rachel fechou a porta do 110, lançando um beijo para Kurt. Foi direto para o quarto de Quinn, que a seguiu. Quando entraram, segurou a morena pela cintura, fazendo-a girar para ficar de frente para ela. Deslizou o nariz no nariz dela e a beijou. O beijo começou calmo, mas logo Rachel o aprofundou, invadindo a boca da namorada com sua língua, segurando seu pescoço com firmeza. Ao se separarem, Quinn a abraçou e disse em seu ouvido:
Q: Chega a ser insuportável todo o tempo de espera para beijar você em paz... [a morena estremeceu]
R: Eu estou sem roupas limpas aqui. Vou buscar no meu apartamento. Acho que tomo banho lá mesmo e venho. Certo?
Q: Ok. Eu te espero aqui. [mesmo estranhando o fato de Rachel não ter sugerido tomarem banho juntas, não fez nenhuma pergunta]
Separaram-se por um momento. Rachel precisava de alguns minutos sozinha. Tentava entender como Quinn, ainda magoada, estava sendo tão carinhosa. E tentava, ao mesmo tempo, segurar os ciúmes. Sabia que ninguém lhe daria razão se verbalizasse seu incômodo com a proximidade da loira com Jennifer. Tentou esfriar a cabeça com um banho mais frio, ou melhor, menos quente. Secou os cabelos em seu banheiro, arrumou-se e voltou ao 112. Lá, encontrou Santana ainda com Britt no Skype, e Quinn saindo da cozinha com um copo d'água. As duas seguiram para o quarto. Lá, Rachel viu o livro ainda embrulhado, mas preferiu não dizer mais nada. Só que não imaginava que Quinn falaria algo a respeito:
Q: Eu sei porque você está tão calada e já vimos que o silêncio não funciona muito bem entre a gente. [disse calma, surpreendendo a morena]
R: Sabe? [perguntou falsamente calma]
Q: Sei. Vamos conversar sobre o que está te incomodando?
R: Não acho que estamos num momento muito bom pra brigarmos de novo. [disse temerosa]
Q: Vamos brigar? [tentou manter-se calma]
R: Você sabe que sim... [respondeu desanimada]
Q: Eu não quero brigar, mas quero te ouvir. E tranquilizar você.
R: Por que você está agindo assim? [perguntou confusa]
Q: Assim como?
R: Assim, compreensiva. Você ainda está chateada comigo e, no entanto, está sendo carinhosa.
Q: Eu já fui carinhosa com você antes de hoje. Se vamos superar o que aconteceu, não posso deixar tudo em suas mãos. Preciso fazer minha parte também. Mas neste instante, quero falar sobre o que está te incomodando agora.
R: Você não vai abrir o embrulho? [perguntou incomodada]
Q: Se te incomoda de verdade, eu jogo fora. Não preciso do que quer seja que tenha por baixo deste papel. [disse, surpreendendo Rachel]
R: Se eu deixar você fazer isso, serei a vilã da história. Ou algo assim...
Q: Ok. Eu vou abrir. Certo? [Rachel apenas assentiu com a cabeça]
Quinn rasgou o papel e viu que se tratava do livro “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, um clássico que a loira estava louca para ter, mas não encontrava em loja nenhuma. Segurou-se e não esboçou nenhuma grande reação.
R: Como ela chegou a esse livro? [perguntou seca]
Q: Eu devo ter comentado em algum momento. [tentou não dar importância, mesmo que lembrasse qual foi a ocasião]
R: Tem um cartão ou algo do tipo?
Q: Não. Nenhum cartão. [respondeu tranquila]
Mas o que Quinn não contava era que tivesse uma dedicatória no interior do livro, muito menos que Rachel conseguisse ver que tinha algo escrito.
R: Mas tem uma dedicatória, não tem? [perguntou já sem conseguir disfarçar sua raiva]
Q: Tem. Mas seja o que for que tenha escrito, não pode afetar você.
R: Isso eu só vou saber quando ler. [disse estendendo a mão para que Quinn desse o livro para ela]
A loira não entregou de imediato e Rachel percebeu a relutância:
R: Não quero invadir sua privacidade, nem parecer uma daquelas namoradas loucas que reviram bolsos e coisas atrás de pistas de traição. Eu só sei que a curiosidade sobre o que ela escreveu pra você vai ficar me corroendo por dentro. Se não for pedir demais, eu gostaria de saber o que é... [disse sincera]
Quinn entregou-lhe o livro, sem mesmo ler antes. Queria mostrar que deixá-la tranquila era mais importante do que privacidade. Rachel começou a ler em voz alta, e enquanto lia, seus dedos apertavam o livro com uma raiva visível:
“Para que lembre de mim sempre que ler e para que saiba que conheço seus gostos, mesmo sem te ter. Ainda... Beijos, Jen”
Rachel fechou os olhos com força e sua respiração ficou irregular e pesada, enquanto Quinn estava completamente surpresa pela ousadia com que Jennifer havia se expressado:
R: EU SABIA! [finalmente gritou, jogando o livro no chão]
Q: Calma, Rach! Desconsidere o que ela disse. Não tem a menor importância! [disse tentando evitar uma explosão ainda maior de Rachel]
R: Aquela vadia está rondando você! Eu sabia que ela não ia desistir. Aquela vagabunda vai se ver comigo! [esbravejava, levantando-se para andar pelo quarto nervosa] Eu vou quebrar a cara dela! [prometia]
Q: Ei! Pára com isso! [disse firme] Você não vai fazer nada!
R: O que? Como não vou? Vou sim! [disse decidida]
Q: Rach, você não vai! Não tem pra quê!
R: Tem! Ela precisa entender que você é minha! Que você tem namorada e que ela não venha dar uma de vagabunda disponível pra cima de você, porque você é minha... Você é minha! [começava a chorar]
Q: Vem cá! [aproximou-se dela, levando-a pra cama]
Rachel, ainda furiosa, apenas obedeceu. Quinn se sentou no meio da cama e colocou a morena em seu colo, com uma perna em cada lado do seu corpo. Forçou-a a encará-la.
Q: Vamos conversar. [disse calma]
R: Estamos conversando. [choramingou irritada, sem conter as lágrimas que caíam de seus olhos]
Q: Não estamos. Você está surtando e eu estou assistindo. Vamos conversar de verdade. Ok?!
Rachel apenas assentiu com a cabeça.
Q: Antes de qualquer coisa, eu preciso saber se o que está te preocupando é pensar na possibilidade de eu ter dado alguma esperança a ela. Você está desconfiando de mim? [perguntou calma]
R: Não! Não estou desconfiando de você! [respondeu imediatamente] Eu sei que você não fez nada, eu sei... [choramingava]
Q: Ótimo! Que bom que isso está claro! Então me diga: o que realmente te irrita?
R: Não está claro? Ela deu em cima de você descaradamente. De novo!
Q: Esse não é o motivo. Ela não é a única pessoa a dar em cima de mim.
R: Como é? [perguntou surpresa, antes de tentar sair do colo de Quinn, mas a loira a impediu]
Q: O Michael é um exemplo disso. Ele deu em cima de mim, e isso já te incomodou. O que te faz pensar que o fato de ela dar em cima de mim pode surtir algum efeito? [continuava perguntando calmamente]
R: Porque ela não vai desistir. Acaba de provar isso! E ela é bonita... [respondeu ainda irritada]
Q: E daí, Rach? Ela não me interessa em nada. Na verdade, você precisa entender que você é a única garota por quem me interessei. Nem ela, nem nenhuma outra mulher, desperta qualquer tipo de interesse em mim.
R: Não? [perguntou surpresa]
Q: Não. [respondeu firme] E se você tivesse que sentir ciúmes de alguém, faria mais sentido sentir do Michael, pois ele sim poderia fazer meu tipo. [respondeu sincera]
R: Você acha que dizer isso te ajuda? [perguntou nervosa]
Q: O Michael é meu amigo agora. [mantinha-se calma] E eu não me senti atraída por ele, porque eu tenho você. O fato de você ser uma garota. A minha garota... Não significa que eu vou me sentir atraída por outras garotas também. Ela não me atrai em nada, Rach. Nada! Então, esse seu ciúme dela vai ter que acabar, porque não faz nenhum sentido.
Rachel se calou. Não sabia como rebater o que Quinn disse. Acreditava na namorada, mas não conseguia deixar de sentir ciúmes.
R: Você não está dizendo isso tudo, achando que só ter se interessado por mim fará de você menos gay, ou “não-gay”, né?!
Q: Não, Rach! Estou pouco ligando para o rótulo. Me chame do que quiser: gay, quase-gay, super gay... Não me importa! O que importa é que só você me interessa... [disse olhando em seus olhos]
R: Você estava chateada comigo... Como você consegue ser tão calma e me acalmar desse jeito carinhoso depois do que aconteceu?
Q: Eu não disse que não estou mais chateada. Ainda estou. Mas eu te amo mais, muito mais do que o tanto que estou chateada. [disse sincera, olhando em seus olhos] Se vamos nos esforçar para que nossa relação continue dando certo, temos que saber a hora de deixar o orgulho de lado.
R: Me abraça mais... [pediu encabulada]
Quinn atendeu ao pedido, puxando-a para mais perto, colando seus corpos. Rachel apertou-se em seu abraço e voltou a chorar baixinho. A loira não sabia o que esse choro significava, mas no lugar de perguntar, preferiu tentar fazê-lo parar:
Q: Eu te amo... [sussurrava em seu ouvido] Eu não vou deixar que nada nem ninguém nos separe. Você só precisa confiar em mim, assim como você quer que eu confie em você...
Rachel se apertava ainda mais em seus braços quando sentiu o nariz de Quinn deslizando por seu pescoço:
Q: Amo seu cheiro, sabia?! [continuava com as carícias] É o cheiro mais delicioso do mundo...
R: Eu acho que não mereço o seu amor, mas eu amo você! [disse chorando]
Quinn desfez o abraço para encará-la e dizer firme:
Q: Nunca mais diga isso! Ninguém merece mais o meu amor do que você! Não exagere!
Rachel a beijou. Sentia o toque dos lábios de Quinn como se eles lhe devolvessem a segurança que precisava. Ao tentar aprofundar o beijo, a loira o cortou, surpreendendo-a:
Q: Eu quero fazer amor com você agora! [disse olhando em seus olhos, fazendo estremecer novamente]
R: Eu também quero! Por favor, me faça sua! [pediu sobre seus lábios]
Quinn a deitou e se colocou sobre ela, beijando sua boca apaixonadamente. Suas línguas faziam um trabalho primoroso... Rachel cortou o beijo para atacar o pescoço da loira, beijando e lambendo com fome, com sede... Cada uma tirou a própria roupa, a fim de não perderem tempo. Desejavam-se com urgência. Nuas, suas mãos deslizavam por seus corpos, e Quinn arrancou gemidos altos de Rachel quando passou a sugar os seios da morena enquanto, com os dedos, esfregava freneticamente a intimidade da namorada. Rachel tentava se contorcer de tesão, mas o peso de Quinn sobre ela a impedia, fazendo com que todo o prazer se acumulasse em seu corpo, levando-a à loucura... A loira desceu, deixando beijos molhados pela barriga da morena... Desceu mais e fez o mesmo com sua virilha. Não conseguiu demorar e logo sua língua assumiu o lugar de seus dedos, lambendo e chupando deliciosamente a intimidade de sua garota, que já estava completamente molhada. Rachel gemia mais, e mais alto, fazendo Quinn ficar ainda mais excitada. Sua língua trabalhava com perfeição: ora lambia o ponto pulsante, ora chupava com necessidade, ora penetrava a morena, que arqueava as costas desesperada. Rachel enfiou os dedos entre as mechas da loira, tentando encontrar alguma sustentação. Estava completamente perdida de prazer. A respiração se tornou quase impossível e seu corpo começou a tremer, quando Quinn ergueu a mão direita e segurou a esquerda de Rachel, que a apertou com força. Os espasmos surgiram em ambas e a loira sentiu o sabor da morena em sua boca, enquanto também se derretia de prazer. Subiu sobre seu corpo, beijando e lambendo com devoção. Rachel ainda estava muito ofegante, e se arrepiava cada vez mais, sem abrir os olhos. Só sentiu os lábios de Quinn dominando os seus e suas línguas se encontrando novamente. Logo, a loira dirigiu os lábios ao ouvido dela, para dizer:
Q: Minha gostosa! Você é deliciosa, meu amor...
Rachel estremeceu, principalmente por Quinn voltar a ser tão carinhosa...
A loira passou a distribuir beijos por todo o rosto da morena, afastando os fios de cabelo grudados, em razão do suor. Quando Rachel recuperou parte do fôlego, conseguiu, enfim dizer alguma coisa:
R: É impossível explicar o quanto eu te amo! [falou, ainda arfando] Impossível! [disse buscando seus olhos]
Quinn sorriu, deslizando para deitar-se ao seu lado, puxando-a para deitar em seu colo.
R: Não relaxe! Eu ainda tenho que retribuir o prazer que você me deu, meu amor... [disse ainda recuperando a respiração]
Q: Você retribuiu, meu amor... Sentimos prazer juntas. Não se preocupe com isso! Respire... Relaxe e vamos dormir! [disse calma, enquanto acariciava-lhe os cabelos]
R: Sexo de reconciliação é mesmo maravilhoso! [disse rindo]
Q: Mas não estávamos brigando! [contestou]
R: Era como se estivéssemos! [disse erguendo a cabeça para encará-la divertida]
Q: Você ciumenta fica muito quente! Isso eu tenho que admitir! [sorriu]
R: Isso é porque eu estava pegando fogo de raiva.
Q: Não... Você é mesmo quente... [beijou-lhe a testa]
Rachel encaixou o rosto na curva do pescoço de Quinn. Aquela estava sendo a nova posição oficial das duas. Levantou-se rapidamente para puxar as cobertas sobre elas, aconchegando-se, novamente, ao corpo da namorada:
R: Boa noite, meu amor...
Q: Boa noite, meu amor...
R: Eu te amo!
Q: Eu mais...
Notas finais
Beijos e espero que gostem!
Fale com o autor