Você Sempre Esteve Em Mim

67 Capítulo 67 - Opções X Realidade...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Paramore - Adore

Santana segurava a porta do apartamento enquanto Rachel e Quinn corriam atrasadas. Perderam completamente a hora depois da noite anterior. No elevador, a latina dava uma de...bem...de Santana mesmo:

S: Berry, eu devo admitir que quando você canta sua voz é mesmo bonita. Linda, na verdade! Mas eu não acho que sou obrigada a ouvir seus gemidos. Não mesmo! Nem seus gritinhos! [disse tranquila]

Q: SANTANA! [repreendeu, enquanto Rachel corava e desejava um buraco para se esconder]

R: Você está brincando, né?! Você não ouviu nada... [dizia encabulada]

S: Se você quiser, eu posso repetir seus gemidos e algumas coisinhas mais... [piscou-lhe]

Q: Chega, Santana!

S: Então, se não quer que ninguém ouça, Berry, controle seus gemidos da próxima vez... [disse enquanto saía do elevador]

Rachel agradecia mentalmente por ninguém ter entrado no elevador enquanto desciam. Pegaram o táxi e Santana meteu-se em um telefonema com Britt, que tinha mais alguma história mirabolante para contar.

R: Oh droga! [disse com o celular em mãos]

Q: O que foi, Rach?

R: Estou perdida! Amber ia me conseguir um baterista para a aula de amanhã, mas me mandou uma mensagem dizendo que não conseguiu. Não terei como fazer. Droga de trabalho estúpido! Droga! [reclamava]

Q: Hey! Calma! Explica direito.

R: Tenho uma apresentação estúpida amanhã, com uma música do Paramore que eu nunca cantei e não tem baterista disponível. É uma ideia estúpida de apresentações estúpidas para, supostamente, sair da rotina. Isso não tem nada a ver com o que estamos estudando, muito menos com musicais! Com o que queremos... [dizia irritada]

Q: Qual a música? [perguntou calma]

R: Importa?

Q: Se pergunto é porque sim. [ainda calma]

R: Decode...

Q: Conheço... Bom, acho que posso te ajudar!

R: Como? Não vejo saída! Estou perdida por causa de uma tarefa estúpida!

S: Cala a boca, Berry! Meus ouvidos estão sangrando com sua reclamação!

Q: Parem, as duas! Eu posso ajudar tocando pra você.

R: Preciso de um baterista, Quinn, não de um pianista!

Q: Eu sei tocar bateria.

R: Sério?! [perguntou surpresa] Desde quando?

Q: Desde os 12 anos. Deveria ter aprendido antes, mas eu não me interessava por esse instrumento.

R: Você está falando sério?

S: Ela está, Berry! Ela também toca sax, violão, violoncelo, flauta... e alguns mais. [respondeu entediada]

Q: É... Eu tinha aulas de música quando criança. Mas bateria em aprendi de ouvido.

R: Como eu não sabia disso? [perguntou ainda surpresa]

Q: É mais uma das tantas coisas que não costumo sair falando. [respondeu tímida] Vai aceitar minha ajuda?

R: Vou! Você já tocou essa música?

Q: Confie em mim! [sorriu segura, beijando-lhe o rosto] E pare que achar que é uma tarefa estúpida e fique grata. Você é uma artista, Rach! Precisa ter seus horizontes abertos para a arte que lhe é proposta.

S: Traduzindo, Berry... Deixe de ser chata! [disse sorrindo]

Q: Não foi isso que eu disse! [tentou enfatizar]

R: Eu sei, meu amor! Eu sei! [sorriu] Então você vai salvar minha vida de novo? [arqueou a sobrancelha com um sorriso travesso]

Q: Sempre... [sorriu de volta]

S: Pelo amor de Deus! Eu vou vomitar com esses olhares melequentos de vocês.

Rachel desceu em NYADA enquanto as duas seguiram para Columbia. Separaram-se e Quinn logo baixou a música em seu iPod para mentalizar os movimentos que teria que fazer na bateria. Quando se encaminhava para sua primeira aula do dia, foi abordada pelo Sr. Thomas, o Conselheiro que ela não via desde a época de sua entrevista de admissão.

Sr. T: Senhorita Fabray, quanto tempo! [sorriu cordial]

Q: Sr. Thomas! [retribuiu]

Sr. T: A senhorita poderia me acompanhar até minha sala?

Q: Algum problema?

Sr. T: Não para a senhorita. Só algumas novidades.

Quinn o acompanhou e sentou na cadeira à sua frente, bastante intrigada. Pronta para ouvir qualquer coisa:

Sr. T: Não farei rodeios. Alguns chefes de outros departamentos me procuraram solicitando uma intervenção minha para falar com você, pois eles a têm considerado um pouco inacessível. Disseram que já tentaram conversar com você e receberam algumas negativas e um certo desdém.

Q: Senhor, as negativas são verdadeiras, mas eu nunca os tratei com desdém. [defendia-se]

Sr. T: Não se preocupe! Não é esse o ponto! [disse calmo] O ponto onde quero chegar é que há muitas pessoas interessadas em ter você como parte de suas áreas. Aqui em Columbia, há 5 chefes de departamentos querendo lhe convencer a escolher uma das áreas deles para se formar. Mas também recebemos solicitações externas. As universidades de Princeton, Stanford, Chicago e Harvard estão lhe oferecendo bolsas de estudos para se tornar aluna deles.

Q: Mas eu já estudo aqui. Não preciso de bolsa de estudos de outro lugar. E como eles sabem que eu existo? Eu não me inscrevi para essas universidades. [dizia demonstrando certa irritação com esse assunto]

Sr. T: Temos um banco de dados que informa as melhores avaliações de novos alunos. Você foi nossa maior aquisição este ano. Essas universidades, assim como nós, buscam os melhores dos melhores. E você é a melhor do melhor!

Q: Eu agradeço, mas não estou interessada em nenhuma dessas ofertas. [disse séria]

Sr. T: Muitas pessoas se matariam por chances como estas. De pelo menos escolher, ainda que essa escolha seja permanecer no mesmo lugar. Tome! Nesta pasta estão todos os detalhes das ofertas das universidades. Quanto a nós, faremos de tudo para mantê-la conosco, mas não iremos prendê-la aqui se você descobrir que quer ir para qualquer outra. Jamais impediremos seu crescimento.

Q: Eu não quero sair de Nova York!

Sr. T: E não queremos que você saia.

Q: Só por curiosidade, o que dizia minha avaliação? O que de tão especial contém nela que chamou a atenção dessas universidades e de outros departamentos daqui?

Sr. T: Vou te mostrar. [disse enquanto imprimia] Leia você mesma.

Quinn Fabray.

Escola: William Mckinley High School (Lima, Ohio)

Domínio da língua inglesa: Excepcional

Domínio de outras línguas: Excepcional

Domínio do raciocínio lógico: Excepcional

Escala intelecto-comportamental (máximo de 100): 100 (Observação: apresenta características superiores ao máximo)

Informações adicionais: testada na infância, apresenta Q.I. de 160, mas é possível que seja superior a isso.

Conclusão: Super-dotação adequada a todas as áreas.


Q: Como vocês sabem meu Q.I? [perguntou incomodada]

Sr. T: Nós sabemos. Só isso importa. Há mais de meio século não encontramos alguém como você. Você é rara, Quinn, e tem nos provado isso no seu desempenho em todas as matérias que escolheu. Sua apresentação de ontem foi impecável! Bem, agora você sabe como chegaram a você e porque a querem. Analise suas possibilidades e decida, sabendo que queremos você conosco e faremos de tudo para mantê-la satisfeita em nossa universidade.

Q: Obrigada! [sorriu educadamente e saiu da sala um pouco zonza com tanta informação]

Escreveu para Santana:

“Preciso falar com você! Me encontre no refeitório leste. Q”

“Espero que seja importante de verdade. Chego em 5 minutos. S”

Exatos cinco minutos depois, Santana senta na mesa onde ela estava:

S: Desembucha!

Q: Veja! [abriu a pasta e estregou os papéis para a amiga ler]

S: O que são esses papéis?

Q: Ofertas de bolsas de estudos para outras universidades...

S: Princeton, Stanford, Chicago e Harvard... Porra, Fabray! Só as outras melhores do país?! [disse com um sorriso orgulhoso]

Q: Por que você está rindo?

S: Porque estou orgulhosa de você. Não deveria?

Q: Não sei... [respondeu seca]

S: Eu não sabia que você havia tentado essas universidades...

Q: Eu não tentei. Elas viram uma avaliação sobre mim no banco de dados de Columbia e se interessaram.

S: O que está havendo, Quinn? Você pensa em aceitar alguma delas?

Q: Não! Mas, ao mesmo tempo, é estranho pensar em todo esse interesse em mim... Stanford, Harvard... Isso é meio surreal! É impossível não me imaginar em qualquer um desses lugares. [respondeu um pouco nervosa]

S: Então se imagine! E escolha! Ou fica, ou vai! Eu sempre soube que você alcançaria grandes feitos, Q! Fico feliz e orgulhosa por ver que as oportunidades estão se jogando aos seus pés. E que são grandes oportunidades... Você merece!

Quinn ficou calada. Fechou os olhos, respirou fundo e reabriu. Juntou os papéis e os colocou na pasta.

S: Q? O que está passando pela sua cabeça?

Q: Que tudo continuará como está. Não vou aceitar nenhuma dessas propostas. Estou onde quero e fazendo o que gosto.

S: Esse é o único motivo? Porque você pode fazer a mesma coisa em todos esses outros lugares... [insistia, sabendo que Quinn evitava dizer o real motivo]

Q: Eu não vou! Está decidido. [disse firme]

S: Quero ouvir você dizer o verdadeiro motivo de você não cogitar nenhuma dessas opções.

Q: Rachel! Eu sei que você sabe... [respondeu séria]

S: Nem preciso perguntar: você não vai falar nada disso pra ela, né?!

Q: Exato!

S: Quinn... Não guarde segredo. Se ela descobrir, não quero nem estar perto.

Q: Eu não vou aceitar, então não há razão para ela saber.

S: Então por que você me chamou se aceitar nunca foi uma opção? [não obteve resposta] Eu sei o porquê! Você me chamou porque está assustada. Você não consegue evitar pensar nessas possibilidades e sentir culpa por isso. Entenda, Quinn: você pode amar a Rachel e ter outros sonhos... Tudo ao mesmo tempo...

Q: Vamos esquecer essa história! [disse se levantando] Desculpe ter tirado você da aula e obrigada por ter vindo...

S: Bobagem, Fabray... Você sabe que pode contar comigo sempre!

Q: Eu sei... Vou precisar ir agora. Tenho que encontrar uma bateria para ensaiar um pouco para amanhã.

S: Vai perder aula?

Q: Depois recupero...

S: Que horas você vai pra NYADA amanhã?

Q: Não sei. Rachel não me disse. Mas, tanto faz...


Quinn caminhava por Nova York, pensando que ninguém, em sã consciência, ficaria indiferente às propostas que recebeu. Mas já havia decidido e todas ficariam guardadas. Não fazia sentido, para ela, pensar em uma outra realidade, distante da morena. Havia desistido de Yale para ficar perto dela e Columbia lhe dava tudo o que ela queria e precisava. Mas por que ainda se sentia agoniada? Não sabia. Entrou na loja de instrumentos musicais e perguntou se poderia tocar alguma bateria. Sentou, pôs os fones, ligou seu iPod e começou a sentir a música... De repente, a calma estava lhe fazendo companhia...

Chegou em casa, guardou a pasta na parte superior do closet e escreveu para Santana:

“Você pode passar em NYADA e vir com a Rachel pra casa? Estou com dor de cabeça e preciso dormir um pouco... Q”

A resposta foi imediata:

“Posso. S”

Quinn tomou um remédio, trocou de roupa e deitou. Nenhum pensamento lhe assombrou, pois dormiu em segundos. Horas depois, acordou com um calor em suas costas... O calor que tanto conhecia:

R: O que você está sentindo, meu amor? [perguntou em seu ouvido para depois beijar seu pescoço carinhosamente]

Q: Você chegou... que horas são? [perguntou confusa enquanto se virava para ela]

R: Quase seis da tarde. Pegamos um trânsito terrível na vinda. Aliás, eu estranhei ao ver Santana me esperando na porta em NYADA. Saltamos do táxi no meio do caminho e pegamos metrô, porque não aguentávamos mais esperar o trânsito diminuir e...

Quinn a beijou. Calou sua boca da melhor forma que sabia. Segurou em seu pescoço para aprofundar o beijo e quando Rachel tentou intensificar, a loira se separou com um sorriso travesso:

Q: Pronto! Consegui calar você...

R: Que jogo baixo, Quinn! Que jogo baixo! [riu se jogando em seus braços]


Não... Quinn não queria outra realidade...



Notas finais
Alguns acontecimentos novos e que, talvez, vocês não tenham imaginado, aparecerão nos próximos capítulos.
Espero que gostem deste!
Aguardo seus comentários!
Beijos