Você Sempre Esteve Em Mim

13 Capítulo 13 - Você é irresistível...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Dido - Here With Me

Quinn estava com os olhos fechados, deitada de lado, porém de frente para Rachel. A morena acariciava os cabelos loiros e apreciava a beleza que tinha à sua frente. Nunca havia visto Quinn em situação que a deixasse menos do que linda. Mas ali, tão próxima, tão dela, a loira parecia mais perfeita do que o normal. Rachel deslizou o nariz sobre o de Quinn, acariciando por alguns segundos, até se aproximar do ouvido da loira e pedir:

R: Dorme aqui de novo... — com a voz doce e sussurrada.

Quinn apenas assentiu com a cabeça. Rachel, então, levantou-se, o que fez com que a loira abrisse os olhos à sua procura. Viu que ela havia se levantado apenas para pegar seus pijamas. Os mesmos usados no dia anterior.

R: Toma... Veste! — disse com um sorriso enquanto lhe entregava o pijama.

Quinn se levantou e foi em direção ao banheiro para se vestir. Ao voltar, viu que Rachel já estava sob as cobertas, esperando-a. A loira sentou-se em frente à Rachel e a olhou nos olhos, sem dizer nada. Era um olhar de pura adoração, que dizia tanta coisa, sem palavra alguma...Os cabelos, agora soltos, da morena, caíam sobre os ombros quase nus, protegidos apenas por finas alças. A franja lhe tampava parte do olho esquerdo. Quinn colocou a mão direita sobre a franja da morena e, delicadamente, afastou para colocar os cabelos atrás da orelha. Nesse movimento, Rachel fechou os olhos e deitou a cabeça em direção à mão da loira, apreciando o toque que lhe arrepiava. Com a mão esquerda, Quinn a puxou pela cintura, fazendo com que Rachel colocasse as pernas sobre as dela. A proximidade era quente, então Quinn atacou o pescoço perfeito que estava à sua frente. O movimento simultâneo dos lábios, da língua e no nariz da loira naquela região, junto com o calor de sua respiração, fizeram Rachel arquear as costas e soltar um perceptível gemido. Era oficial: Rachel estava, literalmente, em suas mãos. Segundos depois, as duas estavam deitadas (Quinn sobre Rachel), numa sincronia perfeita de beijos, de língua... As mãos de Quinn vagavam com propriedade pelo corpo da morena, que já não tinha condições de falar nada. Em sua mente, Rachel pensava que nunca havia sentido nada parecido. Que Finn nunca tinha lhe tocado da forma como estava sendo tocada naquele momento. Muito menos Jesse ou Puck. As mãos que lhe acariciavam agora carregavam um toque de adoração, de necessidade, de carinho... Ao mesmo tempo, a cabeça de Quinn dava voltas, sem entender que força era aquela que o corpo de Rachel exercia sobre ela, que fazia com que ela perdesse o controle. Quinn sempre foi beijada, sempre foi desejada. Tomar a iniciativa de beijar, tocar e desejar alguém dessa forma, era algo desconhecido. Agora, ela aprendia isso com Rachel, da forma mais intensa que jamais imaginara...

Quinn beijava o pescoço de Rachel, quando esta a segurou pela nuca e a trouxe para seus lábios. O beijo era urgente, mas ao mesmo tempo terno. A morena arranhava, mesmo que delicadamente, a nuca da loira, o que provocou o próximo passo. Quinn, sem raciocinar, colocou a mão direita por baixo da blusa de Rachel, que não ofereceu resistência alguma. A morena sentiu a mão da loira lhe afagar a barriga novamente, e adorou o movimento. Mas a mão seguiu subindo e, de repente, Quinn tocou o seio direito de Rachel. Nessa hora, ambas pararam o que faziam e se olharam. Estavam ofegantes, completamente ofegantes, mas ainda cientes de que, talvez, estivessem indo rápido demais. Mesmo assim, a loira esperava que o olhar de Rachel lhe desse a resposta: parar ou seguir em frente? A resposta não veio. Ao invés disso, um barulho que trazia à tona a consciência de que havia um mundo lá fora:

H: RACHEL! Filha, chegamos!

Ao ouvir a voz de Hiran, a loira afastou rapidamente a mão, tentando se afastar totalmente de Rachel. A morena riu com o nervosismo da loira e a segurou, antes que ela saísse da cama:

R: Calma! Meus pais não estão nos vendo e eles nunca entram aqui sem bater na porta. — dizia com um sorriso protetor.

Quinn estava vermelha. Nunca havia se sentido tão encabulada na vida. E não era por causa dos pais de Rachel, mas por tê-la tocado daquela forma.

H: Filha? Posso entrar? — batia Hiran, na porta.

R: Claro, papai! Entra!

Ao entrar, Hiran viu as duas sentadas sobre a cama, um pouco distanciadas, o que não tornava possível imaginar que há poucos minutos, estavam sem conseguir se afastar, completamente possuídas pelo desejo incontrolável de se tocarem.

H: Quinn, querida! Que bom que está aqui! — disse com um sorriso sincero. Quinn apenas sorriu.

Leroy apareceu logo depois, entrando no quarto para abraçar a filha e cumprimentar Quinn. Ele ainda não sabia sobre o que Rachel estava passando, pois Hiran não tinha encontrado a oportunidade ideal para lhe contar. Estavam cansados, por isso, não prolongaram a estadia no quarto. Deram boa noite e saíram.

Percebendo o nervosismo de Quinn, Rachel resolveu falar:

R: Pode respirar, Q! Eles já foram... — deu uma sonora risada.

Q: Não ria! — falava sem graça – Por um momento, tive a impressão de que eles sabiam.

R: Papai sabe! — respondeu naturalmente.

Q: Sabe?! — perguntou surpresa.

R: Sim! Eu conversei com ele. Precisava... — explicava.

Q: Qual dos dois é “papai”?

R: hahahahahahahahahaha Você já deveria ter aprendido isso, Quinn! Papai é Hiran. Pai, Leroy.

Q: Ok! Vou me lembrar. — respondia com um sorriso mais leve.

R: Vem... Deita! — Rachel a chamava para voltarem à posição original.

Estavam, novamente, deitadas frente à frente. Pernas entrelaçadas, e mãos nas cinturas. Quinn foi a primeira a falar.

Q: Me desculpe, Rach.

R: Pelo que?

Q: Por... por ter, sei lá, ultrapassado o limite? — falava completamente sem graça.

Rachel levantou-se um pouco, apoiando-se sobre o cotovelo. Olhou a loira nos olhos para falar:

R: Pensei que você tivesse dito que não queria que houvesse limites entre a gente. — falou sorrindo.

Q: Eu sei que disse isso, mas é diferente agora.

R: O que é diferente?

Q: Num momento como esse... Não acho que estamos prontas para algo mais... você sabe...

R: Íntimo?

Q: Sim... Eu te amo e você é irresistível! Minha nossa! Você não tem noção do quanto é irresistível! — falava completamente encabulada e sincera. — Eu perco o controle com você tão perto, mas não acho que estamos prontas.

Rachel adorou ouvir aquilo sobre ser irresistível. Quinn sabia derretê-la com palavras. Corou ferozmente, mas manteve a pose segura para falar:

R: Eu concordo com você. Mas você não precisa pedir desculpas. Você não estava sozinha. Eu também estava nessa e sou tão responsável quanto você.

Q: Certo... Eu acho que temos muito o que entender antes de darmos um passo como esse.

R: Tem razão. Vamos devagar, ok?!

Q: Ok.

Rachel se aconchegou no pescoço de Quinn, que sentia o perfume de seus cabelos. A loira precisava conversar, então tomou a iniciativa.

Q: Rach...

R: Hummm...

Q: Acho que ainda precisamos conversar.

Rachel levantou a cabeça.

R: Precisamos?

Q: Sim.

R: Conversemos, então! — sentou-se em frente à Quinn.

A loira se levantou e ficou sentada com as costas na cabeceira da cama. Então, começou a falar.

Q: O que aconteceu hoje no carro, a forma como “brigamos”, mostrou que o mundo lá fora é mesmo muito diferente do que este quarto. Não estamos protegidas lá fora. As coisas e as pessoas nos afetam. — parou um pouco e pensou se deveria continuar. Então, prosseguiu — E eu preciso saber se você quer mesmo passar por isso.

R: Como assim? Por isso o que, exatamente?

Q: Pela complicação de um relacionamento comigo.

R: Eu acho que já deixei claro que sim. Ou não? — perguntava confusa.

Q: Você tem noção de como as coisas podem ser complicadas? Não se trata só de nós. Dentro do quarto, o mundo é nosso, lá fora, é dos outros e, os outros sempre irão nos afetar.

R: Quinn, eu tenho dois pais. Eu cresci sabendo que meus pais, dois homens, são casados. Eu sei o que é preconceito. Eu sei o que é deixar de fazer algumas coisas em público para evitar os olhares das pessoas. Eu sofri, e ainda sofro preconceito por ser filha de pais gays. Mas se você me perguntar se eu queria que minha vida tivesse sido diferente para ser mais fácil, eu te respondo sem pestanejar que eu viveria tudo outra vez, aceitando todo o preconceito que viesse junto.

Rachel pegava as mãos de Quinn e começava a acariciá-las...

R: Entenda que eu sei que as coisas não serão simples. Sei que toda essa liberdade que temos nesse quarto, todo esse conforto em sermos nós, não existe lá fora. Mas eu sei que quero isso. Quero isso com você... Eu não sei explicar essa sensação de "universo paralelo" de quando estou com você. Nada é igual. Nada nunca foi tão bom... — falava enquanto corava.

Quinn sorriu, para depois demonstrar uma expressão preocupada.

R: Qual o problema, Q?

Q: Eu não consigo não pensar que sua vida seria mais fácil se você escolhesse o Finn... — falou triste. Um tanto quanto agoniada.

R: Talvez fosse... Mas eu prefiro o difícil com você! — disse olhando-a nos olhos.

Quinn avançou sobre ela e tomou-lhe nos braços, num abraço forte, necessário... Rachel retribuiu o abraço, e lhe disse ao ouvido:

R: Desculpa por piorar tudo deixando você mais insegura hoje. Mas acredite em mim quando eu digo que estou com você... E que pretendo continuar...

Quinn a beijou novamente, com máxima paixão. Estava completamente apaixonada. Nada mais fazia sentido. Todo o sentido estava em Rachel... Toda sua criação familiar rigorosa, o Clube do Celibato, a popularidade como Cheerio... Tudo ficava para trás. Toda aquela necessidade de manter uma imagem intocada perante a sociedade, ficava num passado muito distante. Finalmente, Quinn conhecia algo maior do que ela mesma e pelo qual valia a pena lutar sem limites: seu amor por Rachel.

Estavam se beijando calmamente. As mãos quase incontroláveis de Quinn estavam se comportando. Quinn cortou o beijo.

Q: Estamos namorando? — perguntou timidamente.

R: Não! — respondeu rapidamente.

Q: Não?! — perguntou surpresa, com um desapontamento na voz.

Rachel a encarou com um olhar irônico e perguntou:

R: Você, por acaso, disse que queria namorar comigo?

Q: Precisava dizer? Não estava implícito?

R: Não, Quinn Fabray! Não estava implícito. Entenda uma coisa: neste relacionamento, não vamos nos basear em coisas supostamente implícitas, ok?! Sou antiquada e sou exigente. Você vai arrumar um jeito criativo para me fazer ser sua namorada. — falava com um sorriso desafiador.

Q: hahahahahaahaha Você está falando sério?

R: Muito sério!

Q: É um desafio? — perguntava com a sobrancelha arqueada.

R: É um desafio! — respondia com um sorriso imenso.

Q: Desafio aceito! — sorria.

Rachel lhe deu um selinho demorado e disse:

R: Desafio oficializado e valendo!

Q: hahahahahahahhahahaa

Rachel se aconchegou no peito de Quinn e deu sinais de que iria dormir.

Q: Você é linda! — sussurrava — A mais linda! Linda! Linda! Linda...

Rachel sorria e lhe apertava mais.

R: 5 dias...

Q: O que?

R: Daqui a 5 dias estaremos distantes, e eu vou enlouquecer sem você por perto... — falava com a voz embargada.

Quinn beijou-lhe o topo da cabeça e permaneceu em silêncio. Sabia que poderia falar sobre Columbia naquele momento, mas algo a impedia. Não sabia se era a insegurança provocada pela briga de mais cedo, se era a sensação de que Rachel podia voltar atrás a qualquer momento, se era por Finn...

Acariciou as costas da morena, sentindo que a fazia relaxar, até que Rachel dormiu em seus braços. Então Quinn entregou-se ao sono também, sentindo como se ali, naquele abraço, pudesse ser plenamente feliz...


Notas finais
Mais um capítulo. Espero que tenham gostado. :) Obrigada pelos comentários! Estão sendo muito importantes para me dar uma noção se estou indo no caminho certo! :) Bjos