Você Sempre Esteve Em Mim
14 Capítulo 14 - Você é o motivo...
Notas iniciais
Já passava das 3 horas da manhã quando Rachel despertou. Em algum momento, durante o sono, ela e Quinn se separaram do abraço. Agora a loira dormia de bruços, com o rosto virado para a morena. Linda! Ela estava incrivelmente linda, observou Rachel... Nem a luz do abajur refletida em seu rosto, perturbava o sono de Quinn. Dormia tranquila, como se nada a incomodasse. Rachel a olhava e começava a imaginar como as coisas seriam dali a 5 dias. Se as coisas já eram complicadas com as duas perto, não imaginava o quão difícil seria quando, finalmente, cada uma seguisse seu caminho. Não conseguia pensar, não fazia a mínima ideia de como as coisas iriam ser. Como fazer dar certo esse relacionamento que começava e que sequer tinha um nome? Em dois dias elas já falaram de sentimentos, brigaram, beijaram-se milhares de vezes, quase perderam todo o controle... Em dois dias viveram uma intensidade de sentimentos que só foi possível por estarem perto. E agora, Rachel estava se perguntando se esses dias não iriam se tornar apenas passado com a distância. O medo a fez se mexer. Aproximou-se de Quinn e começou a beijá-la levemente o rosto. A loira sentiu e se mexeu também, mas Rachel a acalmou:
R: Shhhhh... continue dormindo... Só me deixe ficar assim com você... — pedia baixinho.
Quinn deu um leve sorriso e continuou como estava, apenas apreciando a delicadeza dos beijos que a morena dava em seu rosto e pescoço. Mas Rachel não se conteve, e precisou falar:
R: Continue dormindo. Apenas me ouça, se puder. — continuava com a voz baixa, sussurrada – Eu não sei como você fez isso, mas já não há uma forma de você sair da minha cabeça... Você faz eu querer ficar nesse quarto para sempre, com você... Eu estou louca por você!
Quinn se mexia, dando sinal de que ia abrir os olhos e despertar por completo.
R: Shhhhhh... Não! Não levante. Só fica assim... Só me deixa te dar carinho. Só me ouve... — tentou dizer normalmente, mas a voz começou a falhar.
A loira, então, não pôde evitar. Abriu os olhos e se virou de lado, para ficar, novamente, de frente para Rachel.
Q: Você está chorando? — perguntava preocupada, com a voz rouca de sono.
R: Sim, mas não precisa se preocupar. É só saudade antecipada... — respondeu com um sorriso triste.
Quinn não podia mais permitir que a morena pensasse que iriam ficar distantes. Se evitava contar sobre Columbia porque precisava ter certeza de que Rachel a queria mesmo muito perto, vê-la chorando pela separação inevitável, que não mais aconteceria, fez com que tivesse certeza de que deveria contar. Sentou na cama e puxou Rachel para sentar-se com ela. A morena fez mais, e sentou sobre as pernas de Quinn, colocando uma perna de cada lado, abraçando-a forte. A loira, então, afastou-se alguns poucos centímetros, apenas para olhá-la e poder falar com clareza:
Q: Rach, me escuta! Eu tenho algo para te contar. Pensei em dizer depois, quando já tivesse tudo organizado. Seria uma surpresa e algo mais concreto, mas não posso deixar que você se sinta assim, mal...
R: Do que você está falando? — perguntava chorosa e confusa.
Q: Eu me inscrevi na Universidade de Columbia.
R: Sério?! Quando? — perguntava surpresa.
Q: Quando você tentou me convencer de todas as maravilhas de NY, e queria porque queria que eu fosse também.
R: Mas você disse que não dava mais tempo de se inscrever em alguma universidade de lá e que, mesmo assim, não desistiria de Yale. — respondia rápido, demonstrando seu nervosismo.
Q: Não dava tempo de me inscrever na NYU. Mas ainda deu tempo de me inscrever em Columbia.
Rachel esperava Quinn concluir seu pensamento. Estava nervosa demais para raciocinar e deduzir onde a loira queria chegar.
Q: Fui aceita em Columbia, Rach! — contava com um sorriso doce e um olhar brilhante.
R: Como?! — perguntava atônita – Isso é sério? Não... não brinca comigo, Quinn. — falava amedrontada, achando que era uma piada.
Q: É sério! — respondia com um sorriso.
R: Oh, meu Deus! Por que você não me disse nada? Você não ia me dizer?
Q: Calma! Eu não disse nada sobre a inscrição porque não queria criar expectativas. E só recebi a carta de admissão ontem. De lá pra cá, brigamos e tudo, achei que deveria esperar um momento melhor para dizer.
R: Mas eu merecia saber... — dizia com um olhar indignado, mas sem raiva.
Q: Eu sei. Desculpe! Por favor, desculpe! — pedia calmamente.
Rachel tentava entender tudo. Estava surpresa, um pouco chateada por só saber disso naquela altura.
R: Mas você pretende ir pra Columbia? — perguntava um pouco confusa.
Q: Não está claro, Rach? — perguntava sem entender a pergunta.
R: Não sei. Está?
Q: Se eu não pretendesse ir, eu nem lhe contaria nada disso. Apenas iria para Yale, como já estava programado.
Então a ficha, finalmente, caiu e Rachel levantou-se abruptamente do colo de Quinn, ficando em pé ao lado da cama. Começou a andar de um lado para o outro sem dizer nada. A loira não entendia o que se passava e começou a se preocupar. Não era a reação esperada. Será que Rachel iria, finalmente, surtar?
Q: Rach? Tudo bem? — Rachel não respondia.
Q: Rach? RACH! Fala comigo.
A morena, enfim, parou de andar pelo quarto e olhou para ela:
R: Quinn, por favor me diga que você não está fazendo isso por mim... — pedia com a voz embargada.
Q: O quê?
R: Por favor, diga! Diga que não é por mim...
Q: Qual o problema?
R: O problema? O problema é que você é inteligente demais! Mais do que qualquer pessoa que eu já conheci! Que você tem um imenso potencial e que Yale viu isso e te aceitou. Que, com certeza, seu futuro será brilhante se você se formar lá. E que eu não posso ser a garota mimada que quer você por perto se isso comprometer seu futuro. Você é genial e não pode se privar de um futuro à altura por minha causa. — dizia exasperada.
Q: Pensei que você ficaria feliz... — dizia confusa.
R: Você me ouviu? Não tem nada a ver com felicidade, mas com não ser egoísta.
Q: Rach, vem aqui. Vem e me escuta.
Rachel voltou à cama e sentou em frente à Quinn.
Q: Columbia é tão boa quanto Yale. Talvez seja até melhor. Pior, sei que não é. — disse com um sorriso calmo. — É uma das melhores universidades do mundo. E eles viram o potencial que você diz que tenho e me ofereceram uma bolsa integral.
R: Integral?!
Q: Sim! Integral...
R: Então você vai porque é uma grande universidade? — perguntava mais aliviada.
Q: Não! Eu vou por sua causa... Por sua causa eu me inscrevi e por sua causa eu vou...
R: Quinn! Você não pode...
Q: Shhhh... deixa eu terminar!
R: Ok...
Q: Escolhi Columbia porque eu quero estar perto de você e porque é uma grande universidade. Não sei se faria isso se fosse uma universidade ruim. Nunca saberei. Tenho a sorte de ser uma das melhores do mundo. Mas, Rach, o motivo é você! Não tenho porque mentir. Não tenho porque não dizer a você que VOCÊ é o meu motivo! Eu te disse ontem que não iria a lugar nenhum sem você. Era isso que eu estava dizendo: que vou para NY também.
Quinn não precisou perguntar o que ela achava. Rachel se apossou de seus lábios de forma feroz! Ela puxava os lábios da loira com os dentes e segurava seu rosto com força. Parou a intensidade dos beijos, selando em silêncio aquele momento, com selinhos doces. Abriu os olhos e falou:
R: Enfim, estou verdadeiramente feliz por ir à NY... Não parecia felicidade sem você... — disse sorrindo.
Quinn pôde se sentir aliviada. Tinha a confirmação de que Rachel realmente a queria com ela em NY. Uma nova sessão de beijos começou, com gemidos de ambas...
R: Você sabe que Kurt e eu resolvemos dividir um apartamento, ao invés de ficarmos em dormitórios. Você virá conosco? Não sei se será perto de Columbia.
Q: Rach... Não é uma boa ideia morarmos no mesmo apartamento.
R: Por que não?
Q: Não quero forçar minha presença. Quero que você queira estar comigo e não que TENHA que estar.
R: Não, Quinn. Isso não tem nada a ver. Você também é minha amiga.
Q: Não sou só sua amiga. E justamente por isso, não devemos morar juntas.
R: E onde você vai ficar? No dormitório do seu campus?
Q: Não! Vou morar com Santana.
R: Santana?! — perguntava mais surpresa.
Q: É... Santana também foi admitida em Columbia. Vamos dividir o apartamento.
R: Você prefere que seja assim? — perguntava um pouco triste. Como se Quinn tivesse preferido Santana a ela.
Como se lesse os pensamentos de Rachel, ela diz:
Q: Não estou escolhendo a Santana por preferi-la, se é isso que está te incomodando. Escolho porque acho que será melhor para nós duas. Prefiro que você sinta minha falta e que nos vejamos à noite, correndo, a ter que deixar de ser uma presença que você faz questão de ter porque vê o tempo todo. Não quero que a convivência debaixo do mesmo teto provoque brigas que possam arruinar o que ainda estamos construindo. Ainda não estamos prontas para isso...
Rachel parecia entender. Afinal de contas, pouco importava onde Quinn ia morar. O importante era que estaria com ela, em NY.
Q: Eu disse que vou lutar por você... Esse é um grande passo nessa luta.
R: É mesmo! — concordou animadamente.
Q: Então... gostou mesmo da notícia? — perguntou temerosa.
Rachel a olhou intrigada. Achou que tivesse deixado claro que era a melhor notícia que poderia receber. Já que a loira ainda tinha dúvidas, resolveu esclarecer de forma provocadora. Aproximou-se até o limite, segurou o rosto de Quinn com as duas mãos e lhe disse ao ouvido:
R: Gostei TANTO, que seria capaz de, agora mesmo, esquecer que ainda é muito cedo para ultrapassarmos certos limites...
Quinn estremeceu... Não acreditava que tinha ouvido aquilo. Rachel realmente sabia provocar. Com um sorriso sacana no rosto, Rachel a olhou e beijou lentamente seus lábios. Ao soltar-se, ainda com os lábios muito próximos, falou:
R: Tenha certeza de que você me deixa completamente louca... — sussurrava.
Quinn engoliu em seco. Não conseguia falar. Rachel a guiou para se deitarem. A morena deitou-se de costas para ela, forçando-a ficar em posição de concha.
R: Me abrace... Eu quero sentir você em minhas costas... — falava baixinho.
A loira não demorou a obedecer. Abraçou-a, beijando a nuca da morena e os ombros, com extremo desejo...
R: Você realmente me ama... — disse sorrindo. Não era uma pergunta. Era uma afirmação feliz. Uma constatação.
Q: Amo... Você não faz a menor ideia do quanto...
E o sono mais uma vez se fez presente. Tudo, novamente, estava diferente...
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